Bolsonaro não é burro. Ele tem uma estratégia e sabe onde quer chegar

Ed Wilson Araújo

Pelo menos três vezes por dia Jair Bolsonaro e seus filhos soltam uma verborragia para alimentar as redes sociais.

E nós?!

Passamos horas e horas em longas réplicas e tréplicas, travando extenuantes debates com a torcida organizada bolsonarista.

Eles são profissionais nesse ramo.

E nós?! Movidos pela ânsia de refutar as aberrações, vamos entrando no labirinto da irracionalidade. Às vezes sem perceber.

Nenhum discurso iluminista, baseado na Ciência ou na razão, vai mudar o pensamento de um bolsonarista fanático.

Mal respiramos dos palavreados chulos vomitados no café da manhã da família Bolsonaro e já estamos envolvidos em novas polêmicas provocadas por alguma declaração, gesto ou medida esdrúxula.

Assim, ele nos condiciona ao envolvimento na bolha da sua própria agenda e dita a pauta, enquanto passa a boiada no parlamento e nas ações executivas.

O eixo central da liderança estratégica de Jair Bolsonaro é nos manter presos ao círculo de debates infrutíferos que ele próprio traça com um pedaço de giz. Em torno dele, da sua verborreia incontrolada, gravitam os partidos, a mídia e as lideranças políticas, incluindo a oposição.

Nesse aspecto, ele busca se diferenciar do político tradicional ou da velha política onde fez carreira e enfiou os filhos.

Esse tipo de hipocrisia movimenta o jogo: afirmar e depois negar ou fazer algo que condena e posteriormente se aproveitar da situação.

Qual presidente ficou tanto tempo sem partido durante o exercício do cargo? A negação das legendas faz parte das táticas. Ele não precisa de siglas para governar, tanto é que usou outros critérios para lotear a gestão entre militares, evangélicos e ruralistas.

Houve a tentativa de criar um partido para chamar de seu – o Aliança pelo Brasil – mas o redemoinho da conjuntura alterou a tática para algo menos trabalhoso e mais pragmático: comprar o Centrão.

Jair Bolsonaro não enganou ninguém. A representação da sua liderança junto ao público cativo, no sentido rigoroso do termo (para designar o escravo preso no cativeiro), decorre de uma absurda sinceridade.

Ele é o que é e ponto final: homofóbico, racista, armamentista, genocida, macho hétero e indiferente ao sofrimento das outras pessoas. Pouco importa se o Brasil foi transformado em necrotério…

O presidente tem um canal direto com o seu eleitorado. Não precisa de intermediários da mídia de mercado. Os conglomerados são periféricos na estratégia da extrema-direita. Servem apenas para repercutir a agenda produzida intencionalmente pelo modo bolsonarista de governar.

Esse processo de repulsa aos meios convencionais fez uma parte da audiência deixar de assistir às instituições sagradas da televisão como o Jornal Nacional e o Fantástico, ambos da Rede Globo, para aderir à aberração Silvio Santos.

O eleitor da extrema direita é fiel sob qualquer cenário ou circunstância. Ele recebe e distribui conteúdo diariamente nas redes sociais. É um trabalhador da mentira, engajado no fanatismo, discípulo da crença, adepto do “mito”.

Durante décadas a academia e os jornalistas críticos escreveram variados livros, dissertações e teses fundamentadas sobre o caráter manipulador e golpista dos grandes meios de comunicação, celebrando o conceito de coronelismo eletrônico.

Bolsonaro conseguiu desmascarar a mídia convencional de forma enviesada, simplificando o discurso com uma hastag: #GloboLixo.

É claro que outros ingredientes estão associados a esse processo, como a poderosa indústria de desinformação utilizada nas eleições de 2018, na vitória de Donald Trump e no Brexit.

Montado no cavalo da insanidade, Jair Bolsonaro vai tangendo o gado.

Com uma só chicotada, ele se desfez da suposta seriedade da mídia lavajatista e da enganosa austeridade de Sergio Moro. Espertamente, o bolsonarismo surfou na onda do jornalismo lavajateiro e do morismo para depois jogá-los no abismo da desconfiança.

E ainda põe na arena os constantes ataques à Justiça, focados no STF, e ao Jornalismo, preferencialmente a Rede Globo, cavalgando sobre os mortos no cemitério da covid19 com o discurso de defensor dos trabalhadores contra as medidas restritivas.

Para o eleitor fanático, a agressividade do presidente funciona como uma espécie de defesa. Ele se comporta como “vítima do sistema da velha política” que não deixa fazer as mudanças.

A vitimização opera tanto quanto a transferência de culpa, atribuída ao “sistema”, “aos políticos”. No caso da pandemia, a culpa é dos governadores e prefeitos.

O eleitorado “fechado com Bolsonaro” representa uma aliança sólida, independente do que puder acontecer de pior: mortes, violência, quebra da economia, desemprego e miséria.

Toda a agenda negativa do governo é refutada pela poderosa indústria da desinformação que abastece diariamente os seguidores da extrema direita com uma gigantesca carga de dúvida sobre os meios de comunicação convencionais.

TVs, jornais, sites e emissoras de rádio são desprezados pelo presidente em sua live semanal, onde ele se comunica diretamente com o seu público.

A operação de guerra nas redes digitais ganha reforço nas ruas, convergindo o virtual e o real no movimento de construção da sua reeleição para completar o trabalho obstruído pelo “sistema”.

O bolsonarismo ainda posicionado na condição de um movimento (e não um regime) prega a liberdade sem limites contra a política, uma espécie de retorno ao estado de natureza ou guerra de todos contra todos, quando vigora o poder da força: os tratores, as motos, as armas…os impulsos.

A estratégia está clara. Ele veio para destruir tudo isso que está aí, eliminando os inimigos artificiais e os reais: os “pedófilos do comunismo”, o STF, o Jornalismo, a esquerda em geral, a Educação, a Ciência, a comunidade GLBT, indígenas, quilombolas e os povos da floresta.

Jair Bolsonaro atravessa a pandemia negando a doença, a Ciência e a vida. Apesar de tudo isso, infelizmente, pode ir ao segundo turno em 2022.

Quem vê no presidente um burro está redondamente enganado. Ele tem uma estratégia e sabe onde quer chegar.

Combate à covid19 precisa de propaganda de guerra sobre medidas preventivas

Usar máscara, lavar as mãos, vacinar e manter o isolamento social devem ser repetidos exaustivamente no coração e na mente de cada brasileiro(a).

Sem uma ampla campanha educativa nos meios de comunicação convencionais e nas redes digitais não haverá conversão do povo às medidas sanitárias.

Informação qualificada tem de ser uma obsessão permanente, no sentido de disseminar conteúdo como se estivéssemos fazendo propaganda de guerra.

Nesta guerra todas as armas são válidas. O velho panfleto, carro de som nos bairros, investimento nas emissoras comunitárias, FMs, AMs e webradios, propaganda no horário nobre da televisão e todos os recursos das novas tecnologias precisam ser arregimentados em uma convocação para a defesa da vida.

É preciso inundar o imaginário do povo com informações de combate à pandemia.

Se não podemos esperar quase nada do governo federal, cabe às administrações estaduais elaborar e colocar em prática um plano estratégico de comunicação sobre a pandemia covid19.

O Consórcio de Governadores do Nordeste, experiência exitosa em vários aspectos, precisa refletir sobre uma ação conjunta de comunicação pública.

Há muito dinheiro investido em propaganda de obras e outros feitos dos governadores(as). Todos os dias as telas são inundadas com anúncios fartamente exibidos ao longo de toda a programação da TV, principalmente no horário nobre, além da vastidão de informes publicitários nas redes digitais.

O escritor Eugênio Bucci já advertia para um vício da comunicação institucional denominado narcisismo dos gestores. Isso ocorre quando o dinheiro da comunicação pública serve para turbinar a promoção pessoal dos governadores, presidentes e prefeitos.

Nos períodos mais próximos das eleições esse vício é ampliado em dimensões gigantes.

A razão é simples. O Brasil virou um grande necrotério. É hora de dar um tempo na propaganda narcísica e pensar mais na vida de milhões de brasileiros.

Estamos falando de mortes que podem ser evitadas com informação.

A fortuna investida na promoção pessoal dos gestores precisa ser convertida em propaganda educativa sobre as medidas sanitárias. O dinheiro público das verbas publicitárias deve retornar à sociedade no formato de comunicação institucional para proteger a vida.

Atravessamos o momento mais perigoso, quando a população, ameaçada por uma terceira onda de contaminação, acha que a pandemia está acabando e abre a guarda.

O perigo de uma tragédia ainda maior está posto. Para combate-lo é necessário forte investimento na persuasão do povo brasileiro para absorver o sentido protetivo das medidas sanitárias.

Comunicação é vida.

A informação vencerá a calúnia!

Texto publicado originalmente no site agenciatambor.net.br

Vem aí a eleição para o Sindicato dos Bancários do Maranhão! Será nos dias 19, 20 e 21 deste mês de maio. E nós, da Agência Tambor, estamos apoiando a Chapa 1, presidida por Dielson Rodrigues, funcionário do Banco do Brasil.

Antes da eleição, queremos falar rapidamente e de maneira pública, sobre democracia e comunicação. Inicialmente, lembraremos dois fatos importantes, que passam pelo movimento sindical brasileiro, com repercussão positiva na sociedade.

O primeiro é a criação da TVT, emissora de TV educativa de São Paulo, concedida para uma entidade sem fins lucrativos, que entrou no ar em 2010, financiada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo e pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, ambos filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

O segundo fato é a criação da Agência Tambor, em São Luís do Maranhão, também mantida por uma entidade sem fins lucrativos, que nasceu em 2018, em consequência de um seminário ocorrido na Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e do investimento político e financeiro do jornal alternativo Vias de Fato, do Sindicato dos Bancários do Maranhão e da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço) no Maranhão.

Tanto a TVT quanto a Agência Tambor são projetos fundamentais para a construção de uma sociedade democrática no Brasil. São iniciativas jornalísticas comprometidas com a classe trabalhadora, com as minorias, com movimentos e organizações populares.

E a Agência Tambor tem orgulho da parceria com o Sindicato dos Bancários. Ela é resultado de uma história de luta, de um processo ininterrupto iniciado em 2009, quando o saudoso David Sá Barros chegou a presidente do Sindicato e o Jornal Vias de Fato deu seus primeiros passos. Falamos de um alinhamento evidentemente voltado para o interesse público, com prioridade para os segmentos mais vulneráveis de nossa sociedade.

E hoje, passados três ano de fundação da Agência Tambor, além dos Bancários, nós temos e já tivemos o apoio de outros sindicatos e de outras organizações sociais, de dentro e de fora do Maranhão, além do patrocínio de diferentes instituições. Entre elas, citamos a Artigo 19, entidade nascida em Londres, no ano de 1987, com a missão de “defender e promover o direito à liberdade de expressão e de acesso à informação em todo o mundo”.  E recentemente, a Prefeitura de São Luís também procurou a Tambor, para veicular propaganda de prevenção contra o coronavírus.

Os passos da Agência Tambor são vitórias da classe trabalhadora, com a participação histórica do Sindicato dos Bancários. 

Com este editorial, além de deixar bem claro nosso apoio irrestrito à Chapa 1 (presidida por Dielson Rodrigues), queremos também repudiar os ataques que essa mesma Chapa 1 vem sofrendo, por conta dessa relação entre Bancários e Tambor.

É lamentável que membros da atual diretoria do sindicato tenham sido obrigados a processar algumas pessoas por calúnia, injúria e difamação, por conta das mentiras que estão sendo ditas, nessa atual campanha.

Diante da apelação e da baixaria, queremos deixar pública nossa mensagem também aos caluniadores.

Não aproveitem uma campanha eleitoral para prestar serviço à mídia dos banqueiros! Não joguem em favor dos patrões! Não façam esse serviço sujo! Respeitem o movimento sindical! Respeitem a classe trabalhadora! Respeitem a história de luta do Sindicato dos Bancários do Maranhão!  Respeitem a comunicação alternativa, popular e classista. A sociedade brasileira não precisa de mais fake news! Não trilhem o caminho dos fascistas! Eleição não é vale tudo!

E por fim, convidamos as bancárias e bancários do Maranhão a votarem na Chapa 1. Em nome da categoria! Em nome da luta de todas as trabalhadoras e trabalhadores! E em nome da verdade!  Contra os fascistas!

E vamos à luta! Em frente!

Agência Tambor celebra três anos com programa especial

Neste mês de abril de 2021, a Agência Tambor, de São Luís do Maranhão, completou três anos!

O projeto é parte de uma experiência acumulada, vindo de uma longa caminhada do jornalismo alternativo e da comunicação livre, popular e comunitária.

Nesse 1º de maio – Dia do Trabalhador – a Tambor estará lançando oficialmente seu canal no YouTube.

Nesse dia, teremos um programa especial, a partir das 10h.

O tema do programa será: *Comunicação, Democracia e Religião no Brasil*

Apesar de todo o imenso desassossego e de todas as perdas causadas pela pandemia, nós seguimos diariamente com a nossa ação.

E estamos convidando você para seguir conosco!

Participe!

Acompanhe nosso programa do dia 1º de maio!

E inscreva-se desde já no nosso canal!

Vamos seguir lutando pela democratização da comunicação no Brasil!

Saiba mais sobre a Tambor no www.agenciatambor.net.br

Livro sistematiza propostas e projeto de lei resultantes da Conferência Nacional de Comunicação

Versões ebook e pdf de “Conferência Nacional de Comunicação, 10 anos depois: os desafios das Políticas de Comunicação no Brasil” estão disponíveis gratuitamente

O Laboratório de Políticas de Comunicação (LaPCom) da Universidade de Brasília publicou versões ebook e pdf do livro “Conferência Nacional de Comunicação, 10 anos depois: os desafios das Políticas de Comunicação no Brasil”. As duas versões da publicação estão disponíveis de maneira gratuita em: www.intervozes.org.br/confecom e sites.google.com/ccom.unb.br/home/confecom

O livro nasceu de um duplo imperativo.  Primeiro, o de resgatar a memória de um importante evento, o único em seu gênero, realizado até agora em nosso país. Segundo, fazer com que esse resgate sirva de inspiração para a retomada da luta para dotar o Brasil de um marco político-normativo para a comunicação social, um caminho aberto pela Constituição Federal de 1988, mas até hoje só percorrido muito parcialmente. E a duras penas.

Emoldurada por depoimentos, documentos e entrevistas de pessoas e instituições que participaram da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), o livro também traz a íntegra do anteprojeto de lei que “dispõe sobre os serviços de comunicação eletrônica, os serviços de comunicação social eletrônica e dá outras providências”.

O anteprojeto, balizado pelas propostas da Confecom, foi elaborado por grupo de trabalho governamental, sob a coordenação do ex-ministro chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins.

O documento foi deixado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que sua sucessora, presidenta Dilma Rousseff, lhe desse consequência. Porque isto não ocorreu é ainda matéria de pesquisa histórica, mesmo que o livro, por esforço do pesquisador Camilo Vannuchi, já tenha dado um primeiro passo nessa direção.

Entretanto, o que, do ponto de vista da equipe de pesquisa do LaPCom tem precedência neste momento, é levar o livro e, com ele, o anteprojeto de lei, ao escrutínio crítico da sociedade – em particular, da academia e do movimento social –, fazendo com que o seu conteúdo sirva de ponto de partida para a construção do marco político-normativo, regulatório ou lei geral. 

Um desafio que, por já velho em nossa história, continua, não obstante, premente. Desafio agora potencializado pela convergência dos meios de informação e comunicação tradicionais com os novos, mais complexos, mais invasivos, meios que, nas plataformas de internet, nos libertam e nos avassalam quase que simultaneamente, e que são, por conta desse paradoxo, até mais ameaçadores.

A Confecom ocorreu em 2009 e foi um marco nas políticas de comunicação do setor ao ser o único espaço institucionalizado deste tipo que reuniu Executivo, Legislativo, empresários e sociedade civil para debater propostas de políticas públicas de comunicação no Brasil. O processo mobilizou cerca de 30 mil pessoas e gerou um caderno de resoluções com mais de 600 recomendações.

Publicado pela Ulepicc-Brasil (capítulo Brasil da União Latina de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura), o livro “Conferência Nacional de Comunicação, 10 anos depois: os desafios das Políticas de Comunicação no Brasil” está estruturado em artigos, analisando o período da Confecom e buscando conectá-lo com a realidade atual. 

Os textos são de autoria de Murilo César Ramos, Fernando Oliveira Paulino, Jonas Valente, Marcos Urupá, Octavio Penna Pieranti, Lara Haje, Cecília Bizerra Sousa, Camilo Vannuchi e Carlos Henrique Demarchi

A obra também traz depoimentos de personagens essenciais à realização da Confecom: Ana Néca, André Barbosa Filho, Bia Barbosa, Cesar Rômulo Silveira Neto, Érico da Silveira, Indira Pereira Amaral, Jeronimo Calorio Pinto, Jonas Valente, José Carlos Torves, José Luiz do Nascimento Sóter, Juliana Cézar Nunes, Juliana Soares Mendes, Luiza Erundina de Sousa, Mariana Martins de Carvalho, Octavio Penna Pieranti, Paulo Miranda, Renata Mielli, Romário Schettino, Walter Vieira Ceneviva e Yuri Soares Franco. 

O livro igualmente conta com entrevistas com Franklin Martins e Evandro Guimarães e traz documentos importantes como anexos. 

Além do anteprojeto de lei citado acima, foram incluídos no livro o decreto de convocação da Confecom, as portarias do Ministério das Comunicações com a composição da Comissão Organizadora da Conferência e a aprovação do seu Regimento Interno, a Resolução da Comissão Organizadora que define seus eixos temáticos e a metodologia para encaminhamento e aprovação das propostas e o Cadernos com as propostas aprovadas.

Debate com autoras(es) do livro está disponível no Canal do LaPCom no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=IBWtQDEF_mI&t=8s

IX Ciclo ObEEC terá palestra e lançamento de livros

Atividades acontecem hoje (sexta-feira, 11), às 16h, via Google Meet

O IX Ciclo de Debates realizado pelo Observatório de Experiências Expandidas em Comunicação (ObEEC), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), tem como tema “Outras epistemologias” e receberá a professora doutora Cynthia Carvalho Martins para a conversa.

Cynthia Martins é antropóloga e poeta, além de professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Maranhão e do Programa de Pós-Graduação em Cartografia Social e Política do Maranhão (UEMA). É, ainda, conselheira da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).

Após o Ciclo de Debates ObEEC haverá o lançamento de três obras, editadas pela editora da Universidade Federal do Maranhão (EdUFMA): o livro “Experiências Expandidas em Comunicação, Volume II”, organizado pela professora doutora Letícia Cardoso e pelo professor doutor Márcio Monteiro, que reúne trabalhos dos pesquisadores do ObEEC com parceiros de outras instituições; o livro “Vozes do Anjos: do alto-falante à Bacanga FM”, organizado pelo professor doutor Ed Wilson Araújo e pelo mestrando em Comunicação (UFMA) Saylon Sousa; e o livro “Trabalho escravo, políticas públicas e práticas comunicativas no Maranhão contemporâneo”, organizado pela professora doutora Flávia de Almeida Moura e pelo doutor Marcelo Sampaio Carneiro.

O ObEEC é formado pelos(as) docentes pesquisadores do Curso de Comunicação da UFMA: Ed Wilson Araújo, Flavia Moura, Larissa Leda, Letícia Cardoso, Marcio Monteiro, Melissa Moreira, Patrícia Azambuja e Ramon Bezerra.

SERVIÇO

Palestra e lançamento de livros no IX Ciclo do Observatório de Experiências Expandidas em Comunicação (ObEEC)

Quando: 11 de dezembro (sexta-feira), às 16h, via Google Meet: meet.google.com/udy-geyj-mht

Aos inscritos será fornecido certificado de participação.

Inscrição pelo SIGE Eventos: https://sigeventos.ufma.br/eventos/public/evento/CDOOE

Inscrições abertas para o 43º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom)

O 43º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom 2020) será realizado de 1º a 10 de dezembro em formato virtual, com o apoio institucional da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Esta é a primeira vez na história do congresso que ele será virtual, decisão tomada diante dos desafios impostos pela pandemia de covid-19 no Brasil e no mundo, que inviabilizam a reunião presencial de milhares de pessoas.

A realização virtual do congresso nacional em 2020 tem o intuito de manter a contribuição da Intercom para a constituição do campo científico na área de Ciências Sociais Aplicadas, em interface com diversos campos do conhecimento, inclusive pela natureza interdisciplinar inscrita em seus princípios constitutivos.

Tema

Ao longo de seus 43 anos, as contradições e distorções que emergem na sociedade estão historicamente presentes na pauta da Intercom, investigadas sob múltiplas perspectivas em suas ações e em seus grupos de pesquisa. Neste momento, porém, diante da dimensão e influência que têm adquirido, urge ressaltá-las como tema central do Congresso 2020. “Um mundo e muitas vozes: da utopia à distopia?” é um chamamento à reflexão científica acerca da zona cinzenta entre extremos na qual nos encontramos.

No título, expressa-se a intenção primeira do evento: revisitar o Relatório MacBride quatro décadas após seu lançamento, em um ambiente de intensas mutações no universo comunicacional. A proposta do Intercom 2020 é, portanto, convidar a comunidade científica a uma reflexão sobre o mundo, o Brasil e suas muitas vozes, e as imbricações dessa importante temática para o atual momento vivido no País.

Mais informações:

Calendário e taxas: https://www.portalintercom.org.br/index.php?/eventos1/congresso-nacional/calendario-e-taxas10

Chamada de trabalhos: https://www.portalintercom.org.br/index.php?/eventos1/congresso-nacional/chamada-de-trabalhos16

Normas gerais para submissão de trabalhos: https://www.portalintercom.org.br/index.php?/eventos1/congresso-nacional/normas16

Chamada para proposição de oficinas e minicursos: https://www.portalintercom.org.br/index.php?/eventos1/congresso-nacional/chamada-oficinas-e-minicursos-2020

Entrevista na rádio Timbira AM sobre cenários da comunicação

Hoje à tarde concedemos entrevista ao programa Contraponto, apresentado por Edivaldo Oliveira, na rádio Timbira AM.

Em quase uma hora de diálogo, abordamos a decisão do governo federal de recriar o Ministério das Comunicações.

Para assistir à entrevista deslize a bolinha do vídeo na barra inferior até o tempo 1:01:41.

Produtos de mídia orientam usuários do SUS sobre Tratamento Fora de Domicílio

Alunos dos cursos de Rádio e TV e Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) concluíram o segundo semestre de 2019 com a produção de programas educativos sobre Tratamento Fora de Domicílio (TFD).

Os programas foram elaborados em parceria com a Defensoria Pública do Maranhão, visando orientar e esclarecer os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e a população em geral sobre o TFD – uma política pública do Ministério da Saúde (MS) que garante auxílio financeiro para atendimento médico de pacientes portadores de doenças que não têm tratamento no município de origem.

Embora seja um direito, instituído pela Portaria nº 55 do Ministério da Saúde, o TFD é pouco conhecido e divulgado. Devido à carência de informação, a Defensoria Pública buscou apoio no Curso de Comunicação da UFMA com o objetivo de elaborar conteúdos educativos sobre o Tratamento Fora de Domicílio, em formatos de programas de rádio, televisão e impresso.

Capa da cartilha sobre TFD servirá para orientar a população

Os conteúdos foram preparados pelos alunos ao longo do segundo semestre de 2019 com a orientação dos professores de quatro disciplinas: Direção de Televisão; Jornalismo de Revista; Sonorização e Trilha Sonora; e Roteiro para Rádio, ministradas respectivamente pelos professores Josie Bastos, Bruno Ferreira, Carlos Benalves e Ed Wilson Araújo.

Ao longo das disciplinas os estudantes experimentaram vários gêneros e formatos de mídia sonora e audiovisual como vídeos para TV aberta e redes sociais, podcast, programas educativo-culturais, jingles, dramas, spot e cartilha.

Os programas de rádio podem ser acessados nesses links: TFD 1, TFD 2, TFD 3 e TFD 4.

Os defensores Jean Carlos Nunes e Benito Pereira da Silva Filho estiveram na UFMA e prestaram todas as informações técnicas e jurídicas para subsidiar as produções dos estudantes. Outras fontes consultadas foram usuários do TFD e gestores da Secretaria de Estado da Saúde: a chefa do Departamento de Tratamento Fora de Domicílio (TFD), Geovana Moreira; e a assessora jurídica Janyr Carvalho.

Sobre o TFD

Se um paciente morador do município “x” precisa fazer tratamento de hemodiálise e essa especialidade não é oferecida na referida cidade, o enfermo pode solicitar o acesso ao recurso assegurado no TFD para fazer o deslocamento até uma unidade de saúde em outra cidade, onde o tratamento é ofertado.

A realocação do paciente é coordenada pelo serviço de Regulação do SUS (Sistema Único de Saúde), a partir de critérios como a disponibilidade de vagas. O recurso consiste em uma ajuda de custo para viabilizar despesas com transporte, hospedagem e alimentação, inclusive do acompanhante, caso necessário.

Defensor Jean Nunes explica o passo a passo do TFD

Para a coordenadora do Curso de Comunicação, Luiziane Saraiva, a parceria com a Defensoria Pública é duplamente interessante. “Pela ótica da responsabilidade social, a academia presta serviço à comunidade, devolvendo parte do investimento que vem sendo feito e, para o grupo de estudantes que participaram do projeto, foi uma oportunidade de aprendizado e aplicação dos conhecimentos adquiridos em sala de aula”, explicou.

O chefe do Departamento de Comunicação, Carlos Benalves, destacou que parcerias como esta são muitos importantes para a UFMA como um todo pois, além de dar vazão às produções feitas pelos alunos e pelos professores, contribui diretamente com uma questão social específica e reafirma o papel das universidades públicas.

Calar Jamais! 4º ENDC em São Luís teve contraditório e uma incógnita

Estava tudo caminhando para o consenso absoluto em que todos nós, pesquisadores e militantes da democratização da comunicação, nos regozijamos na crítica à mídia de mercado controlada pelo capital financeiro.

A tese central de que as Organizações Globo e os seus tentáculos consorciaram-se à Lava Jato para consumar um golpe está consolidada e fartamente comprovada pelas revelações do The Intercept Brasil.

Esse foi o tom dos debates ao longo do 4º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação (ENDC), realizado na sequência da 22ª Plenária do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação), em São Luís, de 18 a 20 de outubro/2019.

O consenso foi quebrado quando o jornalista e professor universitário Franklin Douglas se pronunciou no ato público realizado sexta-feira (18) à noite, no Convento das Mercês, como parte da programação do 4º ENDC.

Ele fez um apanhado sobre os obstáculos para uma efetiva democratização da comunicação no Brasil, inclusive registrando as dificuldades dos dois mandatos de Lula para implementar as políticas públicas formuladas ao longo de décadas pelo FNDC para termos menos concentração empresarial, mais pluralidade, apoio à comunicação comunitária, popular e independente, critérios  justos para a distribuição de verbas publicitárias e regionalização da produção.

Os fatos são amplamente conhecidos. A cúpula do PT e do governo Lula tinham o diagnóstico e o remédio, mas seguiram o caminho da conciliação, até que veio o golpe.

No cenário local, o professor mencionou a Timbira AM, rádio estatal sob administração do Governo do Maranhão, sucateada no governo Roseana Sarney (MDB) e revitalizada na gestão Flávio Dino (PCdoB). Douglas registrou que a rádio só não foi privatizada nos anos 1990 devido ao bom combate da militância inspirada no FNDC e reconheceu o empenho do atual governo para recuperar a emissora.

Mas, criticou em parte a linha editorial. O jornalista pontuou que, apesar de fortalecida, a Timbira não ouve os quilombolas e aqueles que são contra a cessão da Base de Alcântara para os Estados Unidos e nem as vozes que combatem a entrega da comunidade Cajueiro para a construção de um porto privado com capital internacional.

“Calar Jamais!” é o mote da campanha em defesa da liberdade de expressão, organizada pelo FNDC, campo de militância, pesquisa e formulação de políticas públicas que ocupa um papel importante no debate sobre o tema da comunicação, fundamental para a democracia.

Os jornalistas e a Lava Jato

Outro assunto abordado no 4º ENDC foi o posicionamento de assessores de comunicação e jornalistas em setores estratégicos no processo de construção do golpe, quando a fronteira entre repórter e lobista fica tênue. Na conferência sobre “A naturalização e institucionalização da censura no Brasil”, o editor deste blog questionou os limites morais e éticos dos jornalistas com base nos seguintes fatos:

Miriam Leitão e Sergio Moro prestigiando o livro de Vladimir Netto. Foto: reprodução

1 – Miriam Leitão é uma intelectual orgânica da elite conservadora neoliberal;

2 – O filho de Miriam Leitão, Vladimir Netto, repórter destacado da TV Globo, lançou um livro enaltecendo os méritos e os feitos heroicos do juiz Sergio Moro na condução da Lava Jato;

3 – O livro de Vladimir Netto, intitulado “Lava Jato – O juiz Sergio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil”, inspirou o filme “O mecanismo”, dirigido pelo cineasta José Padilha;

4 – O livro e o filme despejaram gasolina intensamente na fogueira do golpe;

5 – A esposa de Vladimir Netto e nora de Miriam Leitão, Giselly Siqueira, ocupou vários cargos no Sistema de Justiça e chegou ao topo da carreira quando foi nomeada Assessora de Comunicação do Ministério da Justiça e Segurança Pública, posto de alta confiança na pasta de Sergio Moro.

Moro, a personagem ovacionada no livro de Vladimir. Foto: reprodução

Antes de comandar a área de Comunicação no ministério do herói da Lava Jato, Giselly Siqueira obteve cargos destacados em órgãos de operação da Justiça e na Procuradoria Geral da República: assessora-chefe de Comunicação Social no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na gestão de Gilmar Mendes, secretária de Comunicação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e secretária de Comunicação Social no Ministério Público Federal, esta última durante o rumoroso caso do “Mensalão”.

Esses são os fatos e a minha pergunta foi sobre os limites morais e éticos de jornalistas em postos estratégicos no curso da operação que destruiu a democracia no Brasil, considerando ainda outro detalhe: depois de tudo, eis que Vladimir Netto está cotado para a vice-presidência na chapa única que concorre à direção de uma instituição corporativa influente na agenda pública: a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).

Livro de Vladimir Netto ajudou a turbinar o lavajatismo liderado por Moro

Apenas para reiterar: a minha pergunta foi sobre os limites morais e éticos de jornalistas em postos estratégicos no exercício profissional, relacionados principalmente às posições ocupadas pelo repórter Vladimir Netto, autor do livro enaltecendo a meritocracia de Sergio Moro; e da sua esposa Giselly Siqueira, que passou a exercer um cargo estratégico a convite do mesmo Sergio Moro no Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Não houve na minha pergunta qualquer intenção de atirar pedras ou condenar a jornalista Miriam Leitão pela sua maternidade e as escolhas do filho Vladimir Neto.

A própria Miriam Leitão, intelectual orgânica da elite conservadora, já sofreu hostilidade da extrema direita nas redes sociais, a ponto de cancelar até a presença dela na Feira do Livro de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, diante dos ataques disparados na internet por fanáticos bolsonaristas.

Nenhum jornalista com o mínimo de sanidade e bom senso aplaude esse tipo de atitude. Se ontem agrediram Miriam Leitão, amanhã pode ser qualquer um. Esse é o ponto.

Por fim, após exaustivos debates, a 22ª Plenária do FNDC e o 4º ENDC encerraram com uma incógnita: se o campo democrático voltar ao poder, para onde será guiada a política de comunicações? Voltará a fazer um acordo com a mídia conservadora golpista ou vai adotar o programa pela democratização já de amplo conhecimento das esquerdas em geral?

Os critérios de distribuição das verbas publicitárias vão priorizar os barões da mídia ou serão revisados para democratizar o acesso ao recurso público pela comunicação popular, comunitária, independente e alternativa?

Haverá, afinal, um pensamento estratégico sobre comunicações ou apenas um refazer da visão instrumental? São várias perguntas para uma incógnita: de qual lado estarão as esquerdas (na comunicação) em uma eventual retomada do poder?

Nota: Esse texto expressa a avaliação individual do editor deste blog: Ed Wilson Araújo