O uso inapropriado da expressão “fake news”

Apesar de ser usada largamente para caracterizar distorções ou falseamento de informações com o objetivo de induzir o público a erro, a expressão “fake news” é inadequada e sem coerência no âmbito do Jornalismo.

Explico: em tradução direta, “fake news” significa “notícia falsa”.

Para os teóricos do Jornalismo a expressão “fake news” carrega duas palavras de sentidos contrários; ou seja, se algo é “falso” não pode ser associado a notícia.

Os teóricos do Jornalismo apontam contradição e divergência entre as expressões “fake” e “news”. Em síntese, dizem os estudiosos, se algo é “fake”, não pode ser notícia, porque o trabalho de produção jornalística jamais remete a algo falso, sem sustentação nos critérios de verdade.

O processo de produção jornalística pressupõe a apuração dos fatos e a checagem das informações. Esse trabalho é baseado na observação, no levantamento de dados, na coleta de depoimentos, no estudo de documentos e na consulta de outras fontes necessárias para fazer o relato com base nos critérios de objetividade, coerência, lógica e correspondência ao fato que está sendo apurado para posteriormente ser transformado em notícia, reportagem, documentário e outros formatos.

Assim, o trabalho profissional do jornalista para produzir um relato é dotado de critérios de verdade, não cabendo associar o conceito de notícia a uma expressão que indica mentira (fake), embora durante o processo de apuração possam ocorrer erros e imprecisões.

Jornalistas – é sempre bom lembrar – são passíveis de falhas, erros e enganos durante a produção de uma narrativa.

Portanto, eventuais equívocos durante a apuração – sem a intenção de enganar o público – podem ocorrer, mas não devem ser nivelados às aberrações feitas de maneira proposital para induzir a audiência à incompreensão ou deturpação de um fato.

Uma coisa é uma falha de apuração, que pode acontecer sem intencionalidade.

Outra coisa é a predisposição para produzir um conteúdo com o objetivo de enganar o(a) interlocutor(a).

O jornalismo é uma forma de conhecimento da realidade, baseado em investigação, observação, checagem das informações e construção do relato objetivo sobre os fatos, embora a subjetividade possa estar presente na construção de um texto, por exemplo, ou na seleção de imagens para uma reportagem televisiva ou na web.

No trabalho de edição é impossível conter o afloramento da subjetividade do(a) jornalista.

A objetividade dialoga com a subjetividade, mas esta não pode ser preponderante nem exagerada, chegando a alterar a ordem lógica da narrativa jornalística, a ponto de relativizar os dados numéricos, as imagens ou os depoimentos das fontes durante a elaboração de uma notícia ou reportagem.

Quando o relativismo penetra a construção de uma narrativa, aí não é mais Jornalismo, é ficção, outra “estória”.

Assim, a expressão “fake” não faz nenhum sentido para o Jornalismo, que é baseado no conhecimento do real.

No meio acadêmico as expressões mais adequadas para substituir “fake news” são “pós-verdade” e “desinformação”.

Então, vale refletir. Quando você usa a expressão “fake news” está juntando duas palavras de sentido contraditório. Se é notícia, não pode ser falsa.

Por isso, prefira as expressões “desinformação” e “pós-verdade”, baseadas nos apelos à emoção, crenças e ideias manipuladas para distorcer os fatos reais e objetivos.

A pós-verdade é um dos fundamentos da desinformação e ambas precisam ser combatidas pelo Jornalismo. Este, assim como a Ciência, é uma forma de conhecimento segura, confiável e objetiva para conhecer e explicar a realidade, estabelecendo uma relação coerente e ética com o público.

Imagem destacada / lupa sobre jornal de papel / capturada nesse site

A força do Jornalismo e da Ciência na guerra contra o negacionismo

As notícias sobre o início da vacinação contra a covid19 em todo o mundo configuram o triunfo do conhecimento sobre a barbárie. Apesar de todos os ataques morais e econômicos contra as instituições de pesquisa, a Ciência está atravessando a onda negacionista.

No Brasil, o governo Jair Bolsonaro fez um relativo recuo na marcha obscurantista. A contragosto, o presidente e seus asseclas estão “engolindo” a vacina porque a depreciação da Ciência chegou ao limite.

É fato que o negacionismo seguirá produzindo desinformação. Esse subproduto vai circular intensamente nas redes sociais e chegará nos celulares das pessoas, com montagens grosseiras e mentira deslavada.

Mas, é impossível o Jornal da Record mentir descaradamente nas suas manchetes no horário nobre. A Rede Record, controlada pela Igreja Universal do Reino de Deus, não tem condições morais e éticas de usar o seu espaço privilegiado na televisão para enganar o púbico, explicitamente.

O Jornal da Record não pode veicular desinformação escancarada no horário nobre porque o Jornalismo, ao longo da sua constituição, apesar dos dissabores, instituiu um conjunto de regras e procedimentos que estabelecem um contrato mínimo de decência com a audiência.

A Igreja Universal do Reino de Deus, campo do negacionismo infértil, seguirá produzindo desinformação, mas essa prática não tem como galopar até o palco principal do noticiário da Rede Record.

Na guerra contra o obscurantismo, por mais que o bolsonarismo esteja aliançado às igrejas neopentecostais, não há condições objetivas para a mentira transbordar grotescamente para os telejornais.

O jornalista que entrevista o cientista é uma cena para ser vista como um alimento simbólico da civilização e um antídoto diante da barbárie.

Os critérios de verdade operados pelo pesquisador alcançam visibilidade no ordenamento lógico da reportagem elaborada no âmbito da produção jornalística.

Ciência e Jornalismo são dois campos de produção de conhecimento sobre a realidade fundamentais para manter acesa a chama civilizatória e enfrentar a guerra contra o obscurantismo.

Uma batalha está em curso e a vacina vai triunfar. O bolsonarismo, nesse momento, recua. Engole a vacina, o protagonismo do SUS e o papel do Estado no auxílio emergencial.

A guerra será longa e nesse contexto a racionalidade técnica do cientista e do jornalista organizam o discurso essencial no enfrentamento da necropolítica.

Luis Nassif: xadrez do fim dos grupos nacionais de mídia

Texto publicado originalmente no Jornal GGN, com autoria de Luis Nassif

Seria relevante que o Conselho Nacional de Justiça, a Procuradoria Geral da República, as Escolas de Magistratura e do Ministério Público montassem discussões sobre o tema, mas de forma aberta, juntando não apenas associações dos grupos de mídia, mas representantes de mídia alternativa e especialistas em direito à informação.

Preliminar 1 – o papel da mídia nas democracias

Durante o século 20, os grupos de mídia foram os mais relevantes atores no mercado de opinião, mais influentes que os partidos políticos, que as igrejas, que os sindicatos. Já eram influentes no começo do século, com o avanço do telégrafo. Ampliaram o poder com o advento das rádios e, especialmente, das redes de rádios. E, finalmente, com a televisão, o veículo que dominou amplamente a opinião pública na segunda metade do século 20.

As formas de controle sobre a opinião pública eram de mão única, os melhores veículos através da seleção dos temas de cobertura e das análises de acordo com o alinhamento político ou comercial do grupo; os piores, através  da exploração de notícias falsas e de assassinato de reputação.

As maneiras de envolvimento da opinião pública se davam especialmente através da dramaturgia das notícias, buscando na ficção modelos de narrativas aplicadas às notícias, construindo heróis ou vilões como formas de manipulação política e de envolvimento emocional do leitor.

Em cada mudança de padrão tecnológico, houve um terremoto entre os grupos de mídia. A nova tecnologia seria vitoriosa e nem todos os grupos conseguiriam pular para o novo barco.

Havia uma perda de rumo, uma travessia complicada na qual os grupos de mídia se valiam de todas as suas armas, influências políticas, assassinatos de reputação, criação de inimigos públicos para se colocar na nova etapa.

Na última etapa tecnológica, com o avanço da Internet, essa tática foi explorada pelos infames Murdoch‘s, os australianos que se tornaram modelos para um processo de degradação mundial da mídia. E, no Brasil, por um movimento liderado por Roberto Civita e a revista Veja.

Atualmente, há dois fenômenos em curso que tornarão inevitável a globalização das mídias: as redes sociais e os grupos globais de mídia.

É nesse contexto que deve ser analisado o futuro da mídia no Brasil e o velocino de ouro: a disputa sobre o controle da opinião pública nacional.

Preliminar 2 – o início da Internet

Para entender melhor a próxima guerra, é preciso uma pequena revisitada nos primórdios da Internet.

A Internet permitiu não apenas a confluência de mídia, mas a confluência de conteúdos. No início da Internet, tentou-se o modelo dos portais, os chamados provedores de conteúdo, cujo pioneiro foi a AOL (American On Line), com a pretensão de ser a porta de entrada na Internet. Criava-se um sítio com um browser exclusivo que dava acesso ao conteúdo abrigado no portal.

O sucesso inicial da AOL foi tão rápido que lhe permitiu, inicialmente, adquirir a Time Warner, um gigante decorrente da fusão dos grupos Time-Life e Warner Bros, que já incluía o canal CNN.  Rapidamente se percebeu que o modelo não funcionava. Depois de um período, o modelo AOL fez água e sua participação acabou se diluindo na fusão.

A superação rápida do modelo portal se deveu à disseminação da padronização tecnológica na Internet e de padrões de interação entre sites. Os modelos fechados, tipo AOL, não podiam competir  com o universo aberto da Internet.

Consolidou-se um modelo de negócio, impulsionado inicialmente pela expansão mundial do cabo, baseado na assinatura e na publicidade. A fusão era necessária para garantir os investimentos necessários para a expansão global.

Peça 1 – os novos grupos globais

Os modelos de grupos de mídia globais  surgem das sucessivas fusões entre empresas de entretenimento, empresas jornalísticas e de tecnologia.

A fusão mais bem sucedida juntou um gigante das telecomunicações, a ATT, um do entretenimento, a Warner, e uma de jornalismo e TV a cabo, a Turner. Grupos tradicionais, como a Disney, se reinventaram e criaram canais de esporte, por exemplo. E definiram um novo modelo de negócios, baseado na assinatura, nos acordos com empresas de telefonia e de cabo, e publicidade segmentada e se alavancando inicialmente através do cabo e das parcerias com empresas de telefonia nacionais.

Foi a primeira brecha nas cidadelas ferreamente defendias das mídias nacionais. Financiando-se através da publicidade, as mídias nacionais tornaram-se campeãs das bandeiras internacionalistas, de abertura da economia – menos para seu próprio setor.

De fato, na expansão do capitalismo americano no pós-guerra, os grupos de mídia não conseguiram acompanhar outros setores devido à influência política das mídias nacionais, que se defendiam através de legislações impedindo a entrada de grupos estrangeiros; e do controle do espectro de concessões de rádios e TVs.

Com a Internet e a TV a cabo, o muro foi derrubado e houve uma convergência entre os diversos tipos de mídia, juntando grupos de entretenimento, empresas de tecnologia e empresas jornalísticas.

A explosão de novas mídias pulverizou a audiência, levando a uma disputa em torno de eventos de entretenimento, como jogos de futebol e de lutas. É por aí que deve ser analisada uma das mais espúrias alianças políticas, especialmente na América Latina.

Grupos hegemônicos de mídia garantiam a blindagem política dos cartolas perante os políticos; e celebravam acordos ilegais pela exclusividade na transmissão de eventos esportivos. Com as operações contra a FIFA, conduzidas pelo FBI, esse modelo implodiu. Com a decadência do futebol nacional, as grandes atrações deslocaram-se para os campeonatos europeus e paramos eventos de luta.

E, aí, desaparecem os grandes diferenciais de audiência dos grupos nacionais e aparecem os ganhos de escala dos grupos globais, adquirindo direitos de transmissão dos grandes eventos internacionais para suas afiliadas em todos os países

O crescimento dos novos meios se deu em cima da TV aberta e da mídia escrita, justamente o eixo central do modelo de negócios dos grupos de mídia tradicionais.

Peça 2 – as big tecs

O segundo caminho foi das big tecs. A questão não era mais produzir conteúdo, mas desenvolver modelos de organização – e direcionamento – do conteúdo global da Internet.

No modelo tradicional, os jornais se comportam como condutores dos povos, selecionando informações e opiniões de acordo com seus objetivos comerciais e políticos e oferecendo, como produto, a possibilidade de ele, jornal, influenciar seu público com as mensagens de interesse do patrocinador.

No novo modelo, as empresas oferecendo o universo de informações de seus usuários para clientes dispostos a pagar para influenciar o mercado de opinião. Desde o fabricante de bens de consumo, identificando clientes potenciais através de algoritmos fuçando mensagens e e-mails do público, até grupos políticos tentando influenciar eleições presidenciais.

Peça 3 – os grupos nacionais

É nesse novo modelo, espremido entre dois gigantes, que os grupos nacionais de mídia tentarão se equilibrar.

Na Europa, a influência dos grupos de mídia tradicionais têm levado governos nacionais a estabelecer limites para a ação das big tecs. Afinal, veículos como BBC, Financial Times, The Guardian, Le Mondé, são tratados como instituições nacionais, ao contrário dos grupos brasileiros, que gastaram todo seu estoque de credibilidade nas guerras políticas das últimas décadas.

O último trunfo das mídias hegemônicas latino-americanas foram as associações criminosas com a FIFA e as confederações nacionais de futebol.

Com a ascensão de Bolsonaro e a pandemia, acentuou-se sua fragilidade financeira e perderam a guerra.  A maior derrota aconteceu com o fim do monopólio dos campeonatos nacionais e sul-americanos pela TV Globo. E, mais recentemente, com a decisão do Conselho Administrativo de Direito Econômico (CADE) de proibir o bônus de veiculação –  devolução de parte das receitas publicitárias para as agências de publicidade -, o maior instrumento de cartelização comercial do grupo.

Talvez o maior exemplo do desespero atual da mídia, aliás, seja o jornal O Globo. Nos últimos meses, lobbies de jogos entraram pesadamente na Internet brasileira, colocando publicidade em veículos de todos os tamanho. Até o Jornal GGN foi procurado, e recusou, apesar do cerco financeiro a que está exposto.

Em um gesto de desespero, impensável em outras épocas, O Globo não apenas aceitou o patrocínio, no banner principal, como deu, como contrapartida,  um artigo de Nelson Motta, com uma defesa candente da abertura de cassinos, brandindo argumentos falaciosamente primários.

Na hora em que o governo está desesperado por dinheiro para bancar seu programa de renda mínima, sem aumentar impostos, surgiu na Câmara, pela milésima vez, o projeto de liberação do jogo, que poderia render R$ 50 bilhões por ano em impostos para a União, estados e municípios quebrados pela pandemia. O lobby já trocou “jogos de azar” por “jogos de fortuna”. Nunca o momento foi tão oportuno. Desta vez vai.

O artigo foi celebrado em veículos oficiais dos jogos de azar. Imprudências desse tipo não aconteciam com a mídia brasileira desde a IstoÉ a última fase da Editora Abril, com Roberto Civita.

Livro-agenda do NPC 2021 “fala” sobre os povos das terras e das águas

O Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) é um coletivo de comunicadores, jornalistas, professores(as) universitários(as), artistas gráficos, ilustradores(as) e fotógrafos(as) que trabalham com o objetivo de melhorar a comunicação, tanto de movimentos comunitários ou populares, quanto de sindicatos e outros agrupamentos. A organização atua de forma ininterrupta há mais de 14 anos, principalmente através de cursos, palestras, seminários e produção de materiais de formação e informação.

Uma das produções do coletivo é o “livro-agenda”, lançado todos os anos, com temas que contam a história das lutas sociais. “Nosso objetivo é manter viva a história da nossa classe e lembrar, sempre, que nessa terra tem gente que luta contra a exploração dos seus corpos e das suas terras”, explicou a jornalista Claudia Santiago, coordenadora do NPC. 

No Brasil tão marcado pela grilagem e violência no campo e nas áreas urbandas, é preciso pautar sempre a vida dos povos rurais, ribeirinhos e litorâneos.

Com essa sensibilidade, o livro-agenda do NPC (Núcleo Piratininga de Comunicação) em 2021 traz no título – “Esta terra é nossa” – um convite ao diálogo entre campo e cidade.

Claudia Santiago acalenta a “filha” de 2021

Inspirado nos “velhos” comunistas, socialistas, anarquistas e humanistas de todos os tempos, o livro-agenda traduz o sentido da aliança entre operário e lavrador.

O livro-agenda é uma enciclopédia onde estão registrados personagens não visibilizados na chamada grande mídia. A publicação, com todo orgulho, é a coluna social de luxo das mulheres e homens que constroem lutas e realizam sonhos.

É nessa carinhosa edição que todos os anos a gente se vê, revive e aprende muito sobre os fatos históricos das lutas do povo com as suas principais personagens dos movimentos sociais e do mundo vasto mundo da arte e da cultura.

“O Livro-agenda do NPC para o ano de 2021 é um grito de alerta para nós, que vivemos nas cidades. Decidimos soltar a voz após ouvir o pranto, o berro, o canto e a poesia que ecoam da Amazônia, do Pantanal, do Cerrado, da Caatinga. Após ouvir a voz forte de agricultoras familiares, indígenas, quilombolas, assentadas, acampadas, sem-terra, extrativistas, quebradeiras de coco, ribeirinhas, pescadoras, sertanejas, geraizeiras, apanhadoras de flores”, detalhou Santiago.

SAIBA COMO ADQUIRIR

Compre a sua, clicando aqui: http://livrariagramsci.com.br.  

Se preferir, faça uma doação de R$ 50,00 para o Núcleo Piratininga de Comunicação. Você pode depositar na nossa conta e enviar o comprovante via zap ou email. Nós retornaremos com a agenda e o recibo.

Núcleo Piratininga de Comunicação
Banco do Brasil
AG: 3520-3
CC: 63311-9
CNPJ: 02.510.093/0001-20

Mais Informações:

E_mail: npiratininga@piratininga.org.br

Fone: (21) 99628-5022

Televisão completa 70 anos de encantamento e manipulação

A televisão chegou ao Brasil pelas mãos de Assis Chateaubriand, homem de muitas qualidades e valores, entre tantas outras adjetivações, como a de ser uma espécie de homem de negócios sempre atrelado aos interesses do capital e do poder.

Entre tantos méritos, ele criou os Diários Associados e inaugurou a TV Tupi, formando um dos maiores conglomerados de mídia do Brasil, posteriormente superado pelas Organizações Globo do big shot Roberto Marinho.

Ao longo de sete décadas, a televisão brasileira é reconhecida internacionalmente pela capacidade criativa, principalmente no gênero dramático, dando ao país e ao mundo produções fantásticas.

Mas, essa usina de entretenimento é também a máquina de manipulação jornalística.

Jamais serão esquecidas, por exemplo, a aliança das Organizações Globo com a ditadura militar, a omissão (até quando pode) da campanha pelas Diretas Já, o agendamento da personagem Collor de Melo como o herói “caçador de marajás”, a edição criminosa do debate de 1989 (selecionando os melhores momentos de Collor de Mello e os piores desempenhos de Lula), a construção do salvador da pátria Sergio Moro e principalmente o engajamento do canal do plim plim na Lava Jato e em todos os desdobramentos da operação que feriu gravemente a democracia brasileira, culminando no golpe de 2016.

As Organizações Globo só não esperavam o revés do bolsonarismo com tanta ênfase, a ponto de vestais da direita liberal como Miriam Leitão serem violentamente atacadas.

Alvo do obscurantismo e do fanatismo, a olimpiana TV Globo está ameaçada de ser rebaixada à condição de semideusa.

Ela já não goza dos privilégios de outrora e vê com certa preocupação uma relativa perda de poder para as concorrentes, outrora desprezíveis. Além disso, começa a perder espaço nas transmissões esportivas para a onda do streaming.

O tempo dirá se as Organizações Globo terão habilidade para sobreviver a tantas tormentas.

Entrevista na rádio Timbira AM sobre cenários da comunicação

Hoje à tarde concedemos entrevista ao programa Contraponto, apresentado por Edivaldo Oliveira, na rádio Timbira AM.

Em quase uma hora de diálogo, abordamos a decisão do governo federal de recriar o Ministério das Comunicações.

Para assistir à entrevista deslize a bolinha do vídeo na barra inferior até o tempo 1:01:41.

Hoje, 19h, tem live “comunicação popular em tempos de pandemia”

Nesta edição, Camilo Rocha Filho (bancário, pedagogo, produtor e apresentador do Programa Fala Comunidade na Rádio Comunitária Ilha do Amor FM), Yndara Vasques (jornalista, gerente de projetos com atuação em Comunicação Comunitária pela Inspirar Inovação & Comunicação), Claudia Gianotti (jornalista do Núcleo Piratininga de Comunicação) e Ed Wilson Araújo (jornalista, professor da UFMA, presidente da Abraço Maranhão e membro da Agência Tambor) vão debater o tema “Comunicação Popular em tempos de pandemia”.

Central do Brasil: o novo programa dos movimentos populares

Parceria entre Brasil de Fato, TVT e RBA põe ao ar um programa diário às 20h com debate, saúde e cultura de todo o país

Marina Duarte de Souza / Brasil de Fato | São Paulo (SP)

O Brasil de Fato e a TV dos Trabalhadores (TVT) lançam nesta segunda-feira (15), às 20h, mais um fruto da parceria entre os meios de comunicação voltados à informação, divulgação e formação da classe trabalhadora, o programa Central do Brasil. O programa tem o apoio de organizações e movimentos populares das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Inédita, a produção busca ser um novo espaço de encontro de um Brasil plural, que reúne histórias e informações de todos os cantos do país, as ações do povo brasileiro de combate ao novo coronavírus, saúde, cultura e debate, como explica o jornalista e diretor do programa, Igor Felippe.

“Ele [o programa] vai tratar dos temas mais importantes da vida brasileira, [a partir] da perspectiva das forças populares, apresentando um radar de tudo o que está acontecendo no nosso país e uma análise dos principais temas da conjuntura brasileira”, destaca.

O Central do Brasil será exibido de segunda a sexta-feira, sempre às 20h, na Rede TVT, Rádio Brasil Atual (98,8 FM) e nas redes sociais do Brasil de Fato e outros parceiros. Além disso, tem como uma das missões dar “voz aos movimentos populares” e se transformar em uma rede nacional de comunicação.

Assista aqui ao programa de estreia.

“O nosso objetivo é a construção de uma rede nacional de comunicação popular, Central do Brasil, com a transmissão e retransmissão do programa no maior número de TVs e rádios comunitárias estudantis, universitárias e públicas. E também nas redes sociais para que a gente possa articular as diversas forças vivas da sociedade brasileira que se articulam na Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo gritando em uníssono em defesa da vida, da democracia, e dos direitos do nosso povo”, ressalta Felippe.

As frentes já tem atuado de forma unitária na campanha “Fora Bolsonaro”, nas ações de solidariedade e também na plataforma emergencial pra enfrentamento da crise brasileira e da pandemia. Agora, agregam mais esse canal de articulação.

“O programa busca agregar e somar, gerando uma cultura e uma identidade da unidade política dos movimentos sociais e populares. A proposta é também dar mais coesão para a disputa ideológica que as duas frentes estão construindo”, explica Ana Flávia Marx, pela Central de Mídia das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Sintonize

Para acompanhar o Central do Brasil, basta sintonizar a TVT em uma antena digital, interna ou externa. Na grande São Paulo, o canal é o 44.1 (sinal digital HD aberto); na NET o canal é o 512 (NET HD-ABC); no UHF, a sintonia é 46; 13 na NET-Mogi; e Canal 12 na Vivo São Caetano do Sul.

A sintonia da Rádio Brasil Atual é 98,9 FM na Grande São Paulo. Também é possível acompanhar a programação radiofônica pelo site do Brasil de Fato.

Quem está fora de São Paulo, pode sintonizar a TVT com a parabólica, via satélite. É necessário direcionar a antena para StarOne C3 Freq: 3973 Mhz Pol: Vertical, DVB-s2; SR: 5000 FEC ¾. Confira mais informações neste link.

Dados da menor estação Receptora

Antena: Embrasat modelo RTM 2200Std
Focal-Point
Diametro 2,2m
Ganho de recepção no centro do Feixe (Dbi) 37,5
G/T da estação (dB/K) 18,4
LNB
Norsat Modelo: 8225RF LNB
Temperatura de Ruido (K) 25
Nivel de entrada do LNA (dBm) -95 dBm max

Edição: Leandro Melito

PET Comunidades Populares debate fake news e as consequências da desinformação

Fonte: Site da UFMA

Com o objetivo de analisar o crescimento e o forte fluxo da disseminação de fake news e como estas se solidificam na atual sociedade, os grupos do Programa de Educação Tutorial da Universidade Federal do Maranhão (PET-UFMA) promovem dia 9 de junho (terça-feira), a partir das 19h, no Instagram do PET Conexões de Saberes Comunidades Populares, a live “O advento das fake news e suas consequências na sociedade”.

A atividade será coordenada por Adriely Costa, ativista do movimento negro e feminista, estudante do oitavo período do curso de Filosofia da UFMA, membra do PET Comunidades Populares e representante estudantil do Centro Acadêmico de Filosofia (Cafil- Gestão Kinesis) da UFMA. E contará com a participação de Ed Wilson Araújo, jornalista, docente do Departamento de Comunicação Social (DCS) da UFMA, presidente da Associação de Radiodifusão Comunitária (Abraço) no Maranhão e membro da Agência Tambor.

Segundo o professor convidado, o advento das fake news é observado de forma expressiva no país no período pré-eleitoral e eleitoral do ano de 2018, sendo um fator decisivo das eleições daquele período. “As fakes news percorrem um território semeado pelo conservadorismo, pelo relativismo e pela negação da razão. O que se tem observado de maneira milimétrica e sistemática recentemente no Brasil e em outros países são os ataques a duas instituições fundamentais no processo civilizatório, que são o jornalismo e a ciência, o que propicia a criação de guerrilhas eletrônicas, como a utilização de robôs, para atacar os meios de comunicação que já têm uma sedimentação consolidada na sociedade. Mas porque essas instituições são atacadas por esses segmentos ultraconservadores? Porque operam sobre critérios e argumentos da coerência, da lógica, da correspondência e da vinculação da verdade”, destacou.

Roberto Fernandes: uma instituição no rádio

Quem vive apaixonado por rádio AM sabe como é difícil encarar a morte de Roberto Fernandes, vítima do novo coronavírus nesta terça-feira 21 de abril. No momento em que escrevo passa na tela do computador o filme da minha vida de ouvinte, boa parte dela acompanhando os dois programas mais expressivos ancorados por esse grande profissional: Roda Viva, na Educadora AM; e Ponto Final, na Mirante AM.

Com tantos dispositivos sofisticados de comunicação, eu ainda sou do tipo que acorda e liga o velho aparelho portátil todos os dias. Ouvir rádio é como rezar, comer e beber. É um alimento indispensável no cotidiano.

E na minha caminhada de ouvinte muito tempo foi dedicado a Roberto Fernandes. Bem antes do meu primeiro emprego de jornalista em Assessoria de Comunicação eu já curtia os programas jornalísticos e as transmissões esportivas no radinho de pilha do meu pai, em nossa pequena quitanda, na Feira do João Paulo.

Depois a minha escuta ficou mais focada e atenta, percebendo como o rádio AM é um vigoroso instrumento de conexão da audiência com os gestores públicos e os entes privados. Aos poucos o meu gosto por esse fantástico meio de comunicação despertou a minha curiosidade acadêmica, resultando na tese de doutorado na PUCRS com o título “A palavra falada em pulsação: produção e recepção dos programas jornalísticos nas emissoras de rádio AM, em São Luís”.

A feitura da pesquisa, elaborada com tantas fontes no trabalho de campo, teve em Roberto Fernandes um manancial de informações. Aquele homem ocupado e importante era sobretudo um cara generoso que me recebeu uma tarde no seu apartamento para uma longa conversa sobre rádio com 1 hora e 39 minutos de duração (ouça aqui).

Todo esse relato serve para falar da minha gratidão e do meu respeito por Roberto Fernandes. Eu aprendi muito ouvindo ele. E quantas vezes tive a chance de falar no seu programa sobre temas de interesse público.

Entre tantas alegrias que Roberto Fernandes proporcionou à sua audiência, quero registrar a primeira vez que um ouvinte e fã (veja acima) falou no rádio com seu locutor preferido. Seu Nildo, um homem simples, morador da comunidade Taboa, na ilha de Mangunça, em Cururupu, é um dos “invisíveis” que só tem o rádio como amigo e companheiro naquelas comunidades onde nem a luz elétrica chega.

No outro vídeo (abaixo), seu Vaguinho, morador da ilha de Guajerutíua (Cururupu), fala sobre a importância do rádio AM ao longo de toda a sua vida.

Sempre digo para meus alunos que um dos segredos do sucesso na mídia é ter os pés no chão. Roberto Fernandes era famoso, reconhecido e celebrado, mas nunca deixou de ser um profissional simples, tranquilo, honesto e com a dose certa de humildade.

Quando ele mudou de emissora, saindo da Educadora AM para a Mirante AM, houve uma verdadeira comoção no rádio. Muitos ouvintes telefonaram para lamentar, reclamar, criticar e até chorar, argumentando que o estilo e a liberdade do apresentador não seriam mais os mesmos quando ele fosse trabalhar no Sistema Mirante de Comunicação.

A audiência tinha certo receio do que poderia acontecer com Roberto Fernandes trabalhando na rádio do sistema de comunicação de propriedade da família liderada por José Sarney.

Ele mudou de empresa, mas seguiu as suas referências éticas construídas ao longo de uma carreira sólida e respeitável. Na Mirante AM/Globo manteve a simplicidade e o carisma que cultivou na sua antiga casa – a Educadora, pertencente à Igreja Católica.

Aquele homem que tinha o poder da voz e a posição institucional do locutor carregava também uma característica fundamental do comunicador – saber ouvir.

Tanto no programa Roda Viva quanto no Ponto Final ele preservou o bom trato junto à audiência, sabia considerar os diferentes níveis de posicionamento dos ouvintes, sempre respeitando o senso comum e a fala mais elaborada, sabendo ser duro quando necessário, porque o rádio é também o lugar das discordâncias.

Ele não era apenas um jornalista e radialista, era uma instituição nesse meio de comunicação tão importante para a cidadania e a democracia.

A voz de Roberto Fernandes silenciou, mas a sua força espiritual no rádio segue vibrante, servindo de exemplo e referência para outros tantos profissionais, ouvintes e às novas gerações de radialistas.