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Manifestação em São Luís repudia o PL do Estupro

O Fórum Maranhense de Mulheres, Movimento de Mulheres em Luta, Mãe Andresa, Maria Firmina, Mulheres do PT e do PSTU, Juventude Rebeldia e Núcleos de Pesquisas da UFMA e UEMa convidam para o ato contra o PL que protege o estuprador e criminaliza a a vítima de estupro.

A manifestação está convocada para a tarde dessa sexta-feira, 14 de junho, a partir das 17 horas, na praça Nauro Machado.

Compartilhe e convide mais uma, mais um pra esse ato!

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Mulheres mobilizadas contra o PL do Estupro

CRIANÇA NÃO É MÃE, ESTUPRADOR NÃO É PAI!

Na última terça-feira, dia 12, o conservadorismo opressor que caracteriza esta Câmara dos Deputados do Brasil demonstrou mais uma vez sua face ao aprovar – em regime de urgência – o Projeto de Lei 1904/24, de autoria do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e outros 32 parlamentares. O projeto equipara o aborto de gestações com mais de 22 semanas ao crime de homicídio, um movimento que marca um retrocesso alarmante nos direitos reprodutivos das mulheres brasileiras.

Atualmente, o aborto no Brasil é permitido em três situações: quando a gravidez é resultado de estupro, quando há risco à vida da gestante e em casos de anencefalia fetal. Essas exceções são garantidas desde 1940 e visam proteger a saúde e os direitos das mulheres em situações extremas. No entanto, o novo projeto de lei altera drasticamente essa realidade, limitando o aborto legal apenas até a 22ª semana de gestação, mesmo em casos de estupro.
Equiparar o aborto ao homicídio em gestações com mais de 22 semanas é uma medida cruel e desumana. Muitas vítimas de estupro, especialmente meninas e adolescentes, demoram a buscar ajuda devido ao trauma e à falta de acesso à informação. Penalizar essas vítimas com penas que podem chegar a 20 anos de prisão é uma afronta à justiça. É inadmissível que uma mulher que aborta devido a um estupro possa receber uma pena maior do que o próprio estuprador, cuja pena média é de 15 anos.

Um grupo de 18 entidades do setor se uniram para criar a campanha “Criança Não é Mãe”, que caracteriza as mudanças propostas na lei como o “PL da Gravidez Infantil”. Segundo os criadores do movimento, a alteração na legislação prejudicará principalmente as crianças menores de 14 anos, que representam o maior grupo que necessita dos serviços de aborto após o terceiro trimestre. Segundo eles, nessa faixa etária — em que qualquer gravidez é fruto de um estupro presumido —, há mais demora em descobrir ou mesmo identificar uma gestação. Além disso, em dois terços dos casos, o autor do estupro é da própria família da menina — o que inibe a vítima de procurar serviços de saúde ou de denunciar o crime para as autoridades logo nas primeiras semanas de gravidez. A campanha ainda destaca que a eventual mudança na lei significará que os envolvidos no aborto poderão ser condenados pelo crime de homicídio simples, com pena de prisão de até 20 anos. Enquanto isso, a legislação estabelece uma pena de cerca de 10 anos — ou metade do tempo — para o crime de estupro. Revoltante.

O autor do projeto, Sóstenes Cavalcante, admitiu que a proposta visa “testar” o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu comprometimento com os evangélicos.
Este uso cínico da legislação para ganhos políticos é um ultraje. O presidente da Câmara, Arthur Lira, ao colocar o projeto em regime de urgência, demonstra uma clara tentativa de manipular a agenda legislativa para assegurar apoio político e impor uma pauta tão nociva quanto sádica.
As mulheres mais afetadas por essa legislação serão as negras e pobres, que já enfrentam barreiras significativas ao acesso à saúde e justiça. De acordo com o Atlas da Violência, a maioria das vítimas de estupro no Brasil são mulheres negras e crianças. Este projeto de lei não só ignora essa realidade, como a agrava, aumentando a discriminação e a violência contra essas populações vulneráveis.

É revoltante observar que, mais uma vez, são homens brancos tomando as piores decisões possíveis sobre os corpos de mulheres pobres, pretas e periféricas.
O Projeto de Lei 1904/24 representa um retrocesso sem precedentes nos direitos reprodutivos das mulheres no Brasil. Em um momento em que países como a França celebram a inclusão do direito ao aborto na Constituição, o Brasil caminha na direção oposta, restringindo ainda mais os direitos das mulheres. A aprovação em regime de urgência, sem o devido debate e consideração nas comissões, é um desrespeito ao processo democrático e à voz das mulheres brasileiras.

Este texto é um chamado à indignação e à empatia. Não podemos aceitar que as vidas e os direitos das mulheres sejam usados como peões em jogos políticos. Devemos nos unir em defesa dos direitos reprodutivos, da saúde e da dignidade das mulheres brasileiras. O Projeto de Lei 1904/24 é um retrocesso perigoso e deve ser rejeitado com veemência.

Pela vida das mulheres e meninas do Brasil, pela justiça e pela humanidade, dizemos não ao PL 1904/24.

Amanda Corcino
Secretária da Mulher Trabalhadora da CUT

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Diálogos sobre ficção televisiva

O I Workshop de Estudos e Pesquisas em Ficção Televisiva, evento produzido e realizado conjuntamente pelos grupos de pesquisa ObEEC(UFMA), GP de Ficção Televisiva Seriada (Intercom), Grupa (PPGCOM-UNIP) e GELiDis (ECA/USP), terá palestra de abertura presencial pela Profa. Clarice Greco (PPGCOM-UNIP).

A palestra será realizada no ETC-Hub (UFMA), dia 19 de junho, às 15h. 

As demais serão on-line e você pode se inscrever separadamente em cada atividade.

Serão quatro encontros ao longo do ano, com palestras dos pesquisadores: Profa Dra. Clarice Greco (PPGCOM-UNIP), Profa. Dra. Ligia Prezia Lemos (ECA/USP), Profa. Dra. Larissa Leda F. Rocha (UFMA), e o Prof. Dr. Tomaz Penner (Mackenzie).

Todas as atividades terão emissão de certificado a cada participação!

O evento é gratuito, mas a  inscrição precisa ser feita antecipadamente, aqui: https://linktr.ee/Obeec

Tem mais informações no instagram do ObEEC: https://www.instagram.com/obeec.ufma/

SERVIÇO

Palestra de abertura do I Workshop de Estudos e Pesquisas em Ficção Televisiva

Data: 19 de junho (quarta-feira)

Horário: 15h

Local: ETC Hub – UFMA (no prédio da Rádio universidade FM)

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Caxias reimaginada em 4k

Por Isaac Souza

Desde dezembro de 2023, fazedores de cultura de Caxias – MA estão envolvidos em projetos para a produção de peças audiovisuais no âmbito do edital municipal da Lei Paulo Gustavo. Boa parte desses projetos propõe documentários de curta-metragem, faixa orçamentária com maior valor por projeto (mas também a de produção mais cara e dificultosa). Tive acesso privilegiado a dois desses trabalhos ainda não lançados: o documentário Imaginalizando a cidade, dirigido por Hans Lima e produzido por Jaqueline Mesquita (Casa Cultural Babaçu); e o documentário Pedras vivas, sobre patrimônio histórico arquitetônico de Caxias, dirigido pelo poeta Renato Meneses, da Academia Caxiense de Letras.

Em meu livro Cidade de Cristal, analisei como, na primeira metade do século XX, produtores de discurso caxienses usaram a imprensa (tecnologia de comunicação de massa) para narrar Caxias como “terra dos poetas” no momento em que a imagem de Caxias como “Manchester maranhense” (erigida na Belle Époque, conforme estudo da historiadora Jordânia Maria Pessoa) já se havia corroído. Uma das premissas teóricas do meu estudo é que as cidades não são apenas conjuntos arquitetônicos e urbanísticos, entes políticos ou recortes topo/geográficos – cidades são construções culturais, conjuntos de signos (significantes e significados) que os sujeitos levantam e derrubam, inventam e desinventam, montam e desmontam, conforme jogos de identificação: cidades são textos e são imagens.

Ao assistir os documentários mencionados, não tive dúvidas de estar diante de duas peças que tentam (re)imaginar a cidade de Caxias. Tais imagens (ou imaginações) não coincidem, mas também não se chocam e tampouco anulam outras possibilidades – são imagens diferentes que podem se sobrepor e/ou se alternar. A imagem da Caxias construída no filme de Hans Lima é a de uma cidade no limite do moderno, no limite das contradições sociais e urbanísticas das cidades modernas na contemporaneidade. Quer dizer, uma cidade concretada, asfaltada, centrada, mas que em cujas reentrâncias latejam contradições – tais contradições (que o filme não esmiuça, mas expõe em imagem e história) fazem germinar tipos específicos de expressão artística, com destaque para as pinturas em paredes ao ar livre. É um filme que mostra um recorte de uma juventude talentosa e excluída que inventa formas de expressão com a matéria de que dispõe. Surge aí uma cidade fantasma, de muros cinzas e vazios, em que a vida teima em crescer na forma de desenhos, escritos e pinturas. A “cidade dos poetas” ainda está lá, mas agora como matéria de expressão desses artistas que tentam fazer de Caxias a cidade dos pintores de rua, ou a cidade dos desenhos.

O filme de Renato Meneses, por sua vez, enxerga e representa uma outra Caxias: a Caxias dos casarões degradados, dos paralelepípedos sepultados, das políticas de patrimônio ineficazes ou ignoradas. Trata-se de pesquisa robusta e coleta sensível de memórias que nos apresentam não uma cidade que surge, mas uma cidade que desaparece. Faz-nos olhar a cidade pelos olhos de pessoas que vivenciaram o sonho da preservação do acervo arquitetônico, urbanístico e paisagístico legado pelo passado e que testemunharam e testemunham a literal pulverização desse mesmo acervo em nome de palavras de ordem típicas da modernidade, notadamente, o “progresso” e o lucro. O filme, em si, não adota o tom nostálgico ou passadista, mas a angústia da perda, uma certa manifestação de luto, é evidente nas personagens entrevistadas, bem como a esperança rala de que algo possa ainda ser mantido ou recuperado. A “cidade dos poetas” está aqui apenas como trauma – a ela se impõe a cidade dos tratores, das marretas e dos rolos compressores, a cidade do asfalto triunfante.

Não tenho intenção de fazer crítica cinematográfica. Meu olhar amador, mas entusiasmado, assim como minha leitura fatalmente determinada pela minha formação, me fazem ver no filme de Hans Lima algo superior do ponto de vista plástico, enquanto que o de Meneses parece significativamente mais bem resolvido do ponto de vista do roteiro e da argumentação. Para além dessas e outras questões técnicas, a questão é que cada um deles lida com as dificuldades da posição temporal em que se coloca frente a seu assunto: Lima parece querer descrever as traquinagens infantis de uma cidade que ainda está em seu trabalho de parto – é uma cidade-anseio, uma cidade-vislumbre, cidade que ele intui em sua potência. Enquanto isso, Meneses confronta conscientemente uma cidade no leito de morte, tenta fazê-la falar, fazê-la vibrar, fazê-la gemer e protestar, porque intui que a cidade não é feita de pedra morta, matéria bruta, mas das pedras vivas, que são as palavras, as reminiscências e até mesmo os ressentimentos. Em ambos os casos, os realizadores lidam com o desafio incerto de dizer uma cidade-sonho, de criar imagens novas para a cidade cuja imagem antiga já não se sustenta mais. Eles se parecem com aqueles escritores de 1914, do jornal Belo Horizonteie e de outros, que estudei em minha dissertação, os quais viam a sólida “Manchester maranhense” se desmanchar no ar e, usando tinta e tipos móveis, se puseram a desenhar uma imagem que a substituísse, rascunhando assim a “terra dos poetas”. Os filmakers de 2024, por sua vez, frente à evanescência da terra dos poetas, passam a re[1]imaginar Caxias novamente – porém, agora, em 4K.

Isaac Souza, 06 de junho de 2024, nos ruidosos ventos da planície litorânea do Piauí.

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LATIFÚNDIO CULTURAL

Joãozinho Ribeiro (*)

As festas nordestinas sempre foram entendidas por mim como um dos maiores ativos da região. Não somente pelo aspecto cultural simplesmente, porém pelos econômicos, sociais, comunitários…Seja pelo ponto de vista simbólico, seja pela afirmação da cidadania e da autoestima da população. Sendo o São João um momento ímpar desta valorização e de reconhecimento dos criadores e produtores culturais em todos os sentidos e gêneros: cantores, compositores, músicos, cantadores, mestres, brincantes, bumba-bois, cordelistas, quadrilhas, cacuriás, grupos de danças variados etc.

Este celeiro de produção criativa tem se transformado ultimamente num grande filão econômico, e a música tem sido o seu carro-chefe. Este sentimento e o pressentimento de possibilidades de grandes negócios atraíram a atenção da poderosa indústria cultural do país; de produtoras que vendem pacotes de “atrações nacionais” o ano inteiro e todo ano para estados e municípios, modificando os lugares do acontecer solidário, tão característico dos nossos festejos populares, assim entendidos pelo professor Milton Santos, e colocando nos referidos espaços um repertório tão banalizado e descartável, alheio à história e à tradição locais de nossas genuínas manifestações, por muito tempo desprezadas e até mesmo reprimidas.

Tenho tocado nesta tecla já faz algum tempo, preocupado também em não enveredar pelo xenofobismo barato nem pelo bairrismo discriminatório. Como diria o grandioso Paulinho da Viola: “Sem preconceito, ou mania de passado”, estamos assistindo a um espetáculo dantesco, com certeza patrocinador de danos irreparáveis a curto, médio e longo prazo no meio ambiente cultural. Um desmonte contínuo das conquistas no plano das políticas de cultura, e um desfazimento da construção coletiva de mãos e mentes caprichosas de várias gerações: Valdelino Cécio, Michol Carvalho, Arlete Nogueira da Cruz Machado, Nélson Brito, Terezinha Jansen, Carlos de Lima, Domingos Vieira Filho, D. Celeste, Mestre Marcelino, Américo Azevedo, D. Zelinda Lima, Nerine Lobão, Moraes, Humberto, Mestre Felipe…

Aportam por aqui oportunismos e interesses de todos os gêneros e estilos: políticos, midiáticos, eleitorais, digitais, econômicos… Até com gente fabricando um São João inteirinho pra chamar de seu, sem o mínimo conhecimento ou respeito pelos significados simbólicos e ancestrais desta nossa rica tradição popular. Herança deixada por nossos avós, como bem lembrado pelos versos do genial Guriatã do Maracanã.

Transformar a festa popular mais legítima do Nordeste em palco para a espetacularização da cultura popular e consagração dos consagrados, que passam o ano inteiro batendo recordes e mais recordes de acessos nas plataformas digitais de música, impulsionados pela monetização da imagem e da alma e pelo direcionamento dos algoritmos, torna-se um verdadeiro sacrilégio cultural. Se bancados por dinheiro público, mais sacrilégio e sacanagem ainda!

Penso que passamos a lidar com algo que eu atreveria de chamar de uma espécie de latifúndio cultural. Uma apropriação por poucos das grandes fatias dos orçamentos públicos e privados da cultura. Um coronelismo cultural em plena era digital, onde repertório e programações oficiais espelham e repetem os gostos dos governantes estaduais e municipais, muitos deles ligados ao agronegócio; tratando de um festejo público como uma festa privada em uma de suas muitas fazendas.Um casamento (im)perfeito entre o latifúndio geográfico e o latifúndio cultural, ungidos pela desigualdade, excludência e invisibilidade artística, além da negação da diversidade.

A brincadeira e a morte do boi, para nós maranhenses, sempre teve um outro entendimento, e significados que estão diretamente ligados com nossas crenças, cultos, credos e ancestralidades. Atualmente, os coveiros da cultura colocam pás de terra nestas manifestações, sob a desculpa esfarrapada de que é isso que o povo quer – a contratação de “artistas nacionais” a peso de ouro, para encharcar as praças e arenas da massa desinformada e despossuída do acesso aos bens culturais.

Prefiro ficar com a sabedoria do irretocável Gilberto Gil: “O povo sabe o que quer, mas quer também o que não sabe.” O direito de escolha resta sacrificado, principalmente quando a democracia, no campo cultural, é atropelada pela vontade e pelo gosto particular dos governantes, geralmente ignorantes e autoritários.

Quando eu me lembro da minha bela mocidade…Quá Eulália, eu não fico pra dormir…Mãe Catirina, poupa esse boi! … Antes que aquele outro,o da Lua, resolva cercar o Planeta do Brasil…Como se não existisse o Sol…Lua, Lua cheia / Que nasce no meio das águas… No mês de maio / Tá todo mundo ensaiando / E desse jeito / Eu não vou ficar aqui…Essa matraca, já conheço, seu menino / Já esmurrou muito destino / Já fez cantador penar!… Agora que eu quero ver se couro de gente é pra queimar! (*) Poeta e compositor

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Greve continua: panfletagem, ato unificado e reunião com a Reitoria da UFMA

A greve das trabalhadoras e trabalhadores da educação federal segue com uma semana cheia de atividades para pressionar o governo a negociar, atendendo às reivindicações das categorias docente e TAEs (técnicos(as) administrativos(as).

Nessa segunda-feira (10) tem panfletagem no campus do Bacanga, das 9h às 14h.

Já na terça-feira (11), às 7h, haverá ato conjunto organizado pela Apruma Seção Sindical, Sintema e Sinasefe, no portão da UFMA, em São Luís.

Clicando na imagem você pode ver todas as atividades, que culminam sexta-feira na audiência entre os sindicatos e a Reitoria da UFMA para debater a pauta local de reivindicações.

A Apruma ratifica que nenhum(a) professor(a) sofrerá sanções por aderir ao movimento de greve, e, portanto, convoca toda a categoria docente a repudiar as estratégias da Administração Superior da UFMA de intervenção e desmobilização do movimento!

Leia a Nota Técnica da Assessoria Jurídica da Apruma Seção Sindical.

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Caminhos da Boiada: 4º episódio do Escuta Ciência aborda pesquisa sobre afetos e batalhas no bumba-meu-boi

No seu quarto episódio, o Escuta Ciência (clique aqui) entrevistou a professora doutora Letícia Cardoso, responsável por uma pesquisa que redundou no inédito catálogo denominado “Caminhos da Boiada: mapeamento cultural dos grupos de bumba-meu-boi em São Luís”.

Professora do Departamento de Comunicação Social da UFMA de São Luís, é coordenadora do Gecult (Grupo de Estudos Culturais do Maranhão) e membro docente do Mestrado em Comunicação Social da UFMA de Imperatriz.

A professora e pesquisadora detalha o desenvolvimento da pesquisa, seus desafios e resultados, além de debater temas relevantes sobre os grupos de bumba-meu-boi, a cultura popular e a participação do Estado no processo de organização e divulgação das brincadeiras juninas em São Luís.

Com origem na Oficina de Divulgação Científica realizada durante a greve dos docentes e técnicos administrativos da UFMA em 2024, o Escuta Ciência está disponível no site da Apruma Seção Sindical (apruma.org.br), em formato de podcast, e o arquivo de áudio pode ser baixado e veiculado nas emissoras de rádio, inclusive as comunitárias, desde que citada a fonte.

O programa tem produção e apresentação dos professores Carlos Agostinho Couto e Ed Wilson Araújo.

O mestrando em Comunicação e técnico do Laboratório de Rádio, Jorge Sousa, é o responsável pela edição e finalização do programa.

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Bem longe da Justiça Climática! Maranhão foi o estado do país mais desmatado em 2023

Agência Tambor – O desmatamento diminuiu no Brasil, no ano de 2023. E na contramão do país, o desmatamento aumentou bastante no Maranhão, ao longo do mesmo ano de 2023.

Mais da metade da área desmatada no Brasil em 2023 foi na região do Cerrado.

E entre todos os estados brasileiros, o Maranhão foi mais desmatado no ano de 2023.

O Maranhão estava em quinto e assumiu pela primeira vez a primeira posição em desmatamento. Tornou-se o pior do Brasil.

Houve no Maranhão um aumento de 95,1% na devastação, totalizando uma perda de 331.225 hectares da vegetação nativa do estado.

Fonte

As informações são do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD), lançado no último dia 28 de maio, em Brasília.

Este é o 5º ano que o Relatório é lançado. Trata-se de um trabalho feito pelo MapBiomas Alerta, a partir de uma rede formada por organizações sociais, universidades e empresas de tecnologia.

A iniciativa é do Observatório do Clima, que lida com o problema das mudanças climáticas.

O relatório fica disponível em https://alerta.mapbiomas.org/relatorio. No mesmo link, você encontra os relatórios de anos anteriores.

Agronegócio liquidando

Nos últimos cinco anos o Brasil perdeu 8.558.237 hectares de vegetação nativa, o equivalente a duas vezes o estado do Rio de Janeiro.

A situação mudou em 2023. No ano passado houve uma queda de 11,6% na área desmatada, em relação a 2022.

Os dados apontam a primeira queda do desmatamento no Brasil desde 2019, quando se iniciou a publicação do RAD.

Na Amazônia, houve uma queda de 62,2% em relação a 2022. Houve redução em todos os estados da região, exceto no Amapá.

E pela primeira vez, desde o início da série do MapBiomas Alerta em 2019, o Cerrado ultrapassou a Amazônia no que se refere a desmatamento.

Leia também: Advogado do CIMI critica Lei da Grilagem e o Simplifica Maranhão

Na contramão de tudo!

O alvo atual do desmatamento no Brasil tem sido exatamente a região do Cerrado chamada de Matopiba, que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Área em vermelho mostra o desmatamento de 2023. Maranhão vive a pior situação do Brasil

E quase todo o desmatamento do país (97%) foi provocado pela expansão do agronegócio. E mais de 93% dessa devastação teve indícios de irregularidades.

No caso do Maranhão, a situação é gravíssima. Dos 50 municípios mais desmatados do Brasil, 11 são do Maranhão! Mais de 20%!

O município maranhense de Alto Parnaíba, por exemplo, é onde está o maior alerta de desmatamento do Brasil.

Já o estado do Piauí, vizinho do Maranhão – mesmo sendo do Cerrado, da região do Matopiba – houve uma redução das áreas desmatadas.

Se o Matobipa é hoje o problema do Brasil, o Maranhão é um problema no Matopiba e agronegócio um problema no Maranhão.

E realidade maranhense acaba sendo um problema para a humanidade, para o que hoje é chamado de Justiça Climática.

Tem que mudar!

É impossível não relacionar o desastre social e ambiental vivido hoje no Maranhão com o governo de Carlos Brandão.

Em dezembro do ano passado, após todo esse avanço do desmatamento no Maranhão, Carlos Brandão sancionou a Lei estadual 12.169/2023, que possibilita a entrada no agronegócio em terras púbicas do estado.

Inúmeras organizações sociais fizeram um documento chamando a Lei 12169/23 de “Lei da Grilagem”.

Carlos Brandão assinou lei que favorece entrada do agronegócio em terras públicas e lançou programa para tirar barreiras da proteção ambiental

Em marco deste ano, o mesmo governo Brandão lançou o programa Simplifica Maranhão, simplesmente “para agilizar a liberação de instrumentos ambientais”. É para aumentar o desmatamento.

No discurso oficial foi dito que “o Governo do Maranhão segue diminuindo a burocracia para incentivar o setor produtivo no Estado”.

A intenção, assumida no discurso oficial, é de “desburocratizar e agilizar instrumentos ambientais para o funcionamento” daquilo que o atual governo chama de “setor produtivo”. É para “fomentar o crescimento econômico”.

Ane Alencar, coordenadora do MapBiomas Cerrado e Diretora de Ciência do IPAM, disse que “o Cerrado, já perdeu mais da metade de sua vegetação nativa, passando agora a ser o protagonista do desmatamento no país, o que torna essa condição ainda mais preocupante ”.

Texto da Agência Tambor, com informações do MapBiomas

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Benin: a “não notícia” de uma visita presidencial ao Maranhão

Ed Wilson Araújo

O jornalista e escritor Perseu Abramo tem uma obra clássica que deveria ser recomendada para os estudantes de Comunicação e o público geral: “Padrões de manipulação na grande imprensa”. É um livro necessário para entender como um fato, ao percorrer o processo de produção, circulação e consumo do Jornalismo, passa por diversas mediações e intervenções, até mesmo não vir a ser uma notícia, ou seja, não ocupar as manchetes ou ficar na periferia da periferia de um meio de comunicação.

Quando um fato torna-se “não notícia”, significa dizer que é desprezado, minimizado, silenciado ou peremptoriamente descartado, embora tenha o seu grau de importância e seja de relevante interesse público.

Perseu Abramo chama esse padrão de ocultação:

“É o padrão que se refere à ausência e à presença dos fatos reais na produção da imprensa. Não se trata, evidentemente, de fruto do desconhecimento e nem mesmo de mera omissão diante do real. É, ao contrário, um deliberado silêncio militante sobre determinados fatos da realidade…”.

O silêncio militante pode ser observado na passagem do Presidente da República do Benin, Patrice Talon, em São Luís, capital do Maranhão, sábado, 25 de maio de 2024.

O fato passou longe das manchetes na maioria dos meios de comunicação. A TV Mirante (Rede Globo) produziu matéria de 49 segundos sobre o ilustre africano.

No site do Governo do Estado do Maranhão constam um texto de 37 linhas com a manchete “Presidente do Benin visita o Maranhão para estreitar laços culturais e reafirmar conexões históricas” e um vídeo de 02:02 (dois minutos e dois segundos) sobre os lugares percorridos pelo noticiado.

Nas matérias mencionadas, relata-se o percurso da comitiva presidencial pela Casa das Minas, Museu do Negro, Cafua das Mercês e Memorial da Diáspora Africana, todos localizados na região do Centro Histórico de São Luís.

E só!

A República do Benin, ex-Daomé, fica localizada na África ocidental e foi um dos maiores polos de tráfico de escravos para o Brasil, no contexto da diáspora africana.

Uma das mulheres escravizadas e traficadas do Benin chegou ao Maranhão e fundou, em São Luís, a Casa das Minas, um dos mais antigos territórios de religião afro-brasileira no país, em meados do século XIX.

Aqui chamada Maria Jesuína, Nã Agontimé era a rainha do antigo reino daomeano e primeira dona e chefa da Casa das Minas ou Querebentã de Zomadônu, que quer dizer, na língua gege, casa grande protegida por uma divindade.

Na obra “Os tambores de São Luís”, do escritor Josué Montello, o lugar onde as vodunsis descendentes da rainha faziam seus rituais é uma das principais referências da narrativa sobre 300 anos de escravidão na personagem Damião.

Entre as celebrações da casa, onde também se praticam festividades católicas, destaca-se o tambor de mina. Nele, o culto e os rituais são dirigidos aos voduns, entidades vigilantes da natureza e das doenças. Eles também incorporam as vodunsis ou filhas-de-santo.

Pela sua importância histórica, religiosa e cultural, este território sagrado é um tema recorrente em centenas de pesquisas nacionais e internacionais, livros, artigos, roteiro turístico e lugar de culto e festas.

Em 1980, a escola Flor do Samba foi a campeã do Carnaval de São Luís com o enredo “De Daomé à Casa das Minas: a origem de um povo”.

Benin e São Luís têm, portanto, uma conexão ancestral e diplomática, como veremos adiante.

Apesar de toda essa potência noticiosa, o Excelentíssimo Senhor Presidente da República do Benin foi ignorado pela Assembleia Legislativa do Maranhão, desprezado na Câmara dos Vereadores de São Luís, invisibilizado na Academia Maranhense de Letras, desconhecido pelo Tribunal de Justiça e Ministério Público, mas, sobretudo, desconsiderado pelas duas principais autoridades do Poder Executivo: o prefeito e o governador.

No seu périplo pelos equipamentos culturais de São Luís, teve alguns momentos com secretários do governo, entre eles o chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira, que presenteou o presidente com guaraná jesus (veja imagem destacada/divulgação).

O visitante sequer foi recebido no Palácio dos Leões e no Palácio La Ravardière, respectivas sedes dos executivos estadual e municipal.

A “não notícia” da visita presidencial se dá em dois sentidos entrecruzados. O primeiro foi o estrondoso desprezo (perdoe o oxímoro) das principais autoridades e instituições culturais sediadas em São Luís diante de uma personalidade ilustre.

O segundo sentido, caudatário do primeiro, refere-se ao quase silêncio total dos meios de comunicação na cobertura do presidente africano, que, mesmo estando aqui em visita de cortesia, merecia muito mais atenção.

A responsabilidade primeira pelo tratamento desprezível ao Presidente do Benin é das autoridades formais. Se elas não fizeram as honrarias e os eventos para recepcionar o visitante, o nível de cobertura tende a ser menor, considerando a força geradora de notícias emanadas dos atos institucionais.

A segunda culpa é da mídia. Excetuando-se a cobertura já mencionada, a quase totalidade dos meios de comunicação local passou ao largo de um acontecimento de interesse internacional.

Nós todos falhamos, inclusive este que vos escreve e pede desculpas por só agora, devido ao corre de sempre, mencionar o fato.

Mas, ainda é tempo de fazer uma suíte e pautar, para o interesse local, um tema internacional.

Aqui entra o recorte diplomático. Quando visitou o Brasil e esteve com o presidente Lula, em 23 de maio de 2024, Patrice Talon revelou um projeto ousado: oferecer nacionalidade a todos os afrodescendentes espalhados pelo mundo. O projeto está em análise no poder legislativo do Benin, ancorado na tese do “panafricanismo” – um argumento em torno da unidade da África para superar o atraso imposto pelo cruel processo de colonização.

Presidente do Benin recebido em palácio por Lula. Foto: Yara Aquino | Agência Gov
Os dois presidentes em atos oficiais. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Se aprovado, o projeto terá uma importância especial para o Brasil, o principal destino do tráfico negreiro originário do Benin.

Eis aí mais um motivo para a suíte sobre o ilustre visitante que passou quase despercebido.

Qual seria o interesse dos afrodescendentes do Maranhão na ideia de Patrice Talon para conceder nacionalidade no Benin?

O Maranhão já homenageou muita gente ruim… São tantos, que para encurtar a lista cabe mencionar apenas um grotesco exemplo de culto aos brancos do mundo ocidental cristão: Lord Cochrane, um usurpador, é aqui tratado como herói da Adesão do Maranhão à Independência do Brasil.

Se algum descendente deste homem fizesse uma visita de cortesia à provinciana São Luís, em pleno século XXI, seria recebido com todas as honras e banquetes palacianos, capaz de receber muitas manchetes elogiosas também.

Já o preto Presidente do Benin, representante de um pequeno país africano, amigo das relações internacionais com o Brasil, sequer recebeu menção na Câmara dos Vereadores.

Por que uns fatos são noticiados e outros não?

Voltemos a Perseu Abramo:

“…todos os fatos, toda a realidade pode ser jornalística, e o que vai tornar jornalístico um fato independe das suas características reais intrínsecas, mas depende, sim, das características do órgão de imprensa, da sua visão do mundo, da sua linha editorial, do seu “projeto”.

A midia tem muitos poderes. Até mesmo o de tornar pessoas e assuntos invisíveis.

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Inscrições prorrogadas: Prêmio Sebrae de Jornalismo contabiliza 89 materiais maranhenses

Profissionais da imprensa e estudantes terão até o dia 10 de junho para inscrever trabalhos sobre empreendedorismo veiculados entre 5 de junho de 2023 e 2 de junho de 2024

A 11ª edição do Prêmio Sebrae de Jornalismo (PSJ) possui novo prazo de inscrições. A data-limite para cadastrar trabalhos jornalísticos que tratam sobre empreendedorismo, com foco nos pequenos negócios, foi estendida até o dia 10 de junho de 2024. O prazo anterior era 3 de junho. A data de veiculação das matérias, no entanto, foi mantida. Assim, podem ser inscritos materiais publicados entre os dias 5 de junho de 2023 a 2 de junho de 2024. 

A decisão pelo adiamento ocorreu devido às tragédias climáticas registradas nos últimos meses em várias partes do país. No Maranhão, foram registradas quase 90 inscrições até esta quarta-feira (5), ampliando significativamente a participação do estado na premiação em comparação com a edição do ano passado, que teve 34.

Com quatro categorias principais — Texto, Áudio, Vídeo e Fotojornalismo —, a novidade desta 11ª edição é a categoria especial Jornalismo Universitário. Sob o tema “A contribuição dos pequenos negócios na transformação de realidades locais”, o PSJ vai reconhecer matérias que melhor abordam essa temática, considerando aspectos relacionados ao universo do empreendedorismo, como produtividade e competitividade, inovação e startups, inclusão produtiva e sustentabilidade, transformação digital, políticas públicas e legislação, estímulo ao consumo nos pequenos negócios e acesso a crédito. Cada profissional da imprensa ou estudante pode inscrever até três trabalhos.

O evento de premiação da etapa estadual do Prêmio Sebrae de Jornalismo está previsto para ocorrer no dia 2 de agosto de 2024. Para realizar inscrição e para obter mais informações sobre o Prêmio Sebrae de Jornalismo é necessário acessar o site: www.prêmio sebrae jornalismo.com.br.