Olavo de Carvalho morreu. E o olavismo, sobreviverá?

O guru da extrena direita no Brasil se foi e deixa um rastro de destruição no processo civilizatório.

Olavo de Carvalho está morto, mas a sua mentalidade grotesca, avessa ao conhecimento, negacionisa e obscurantista seguirá alimentando o fanatismo dos incautos e as intenções perversas dos eslcarecidos que usam o olavismo para mentir e enganar, transformando a ignorâcia em benefício político e financeiro.

O eleitor da extrema direita não vai deixar de ser olavista e nem vai mudar o voto. Essa gente faz parte dos 30% que nunca votaram em Lula e semre odiaram o campo progressista.

Nós não sabíamos que esse tipo de mentalidade estava viva entre nós, nas nossas familias, entre os vizinhos, colegas de trabalho e do time de futebol.

Só passamos a ter conhecimento amplo da extrema direita quando ela se sentiu empoderada e autorizada a se manifestar publicamente, através do seu guru Olavo de Carvalho e do mito Jair Bolsonaro.

Eles passaram a ser vistos e valorados nos seus arroubos negacionisas, homofóbicos, racistas, misóginos e tantas outras atitudes avessas à civilização.

Não nos enganemos. Essa mentalidade veio para ficar, mesmo que Bolsonaro perca a eleição ou morra.

O olavismo e o bolsonarismo não são chuva passageira.

Carta de pesquisadores recomenda fortemente a vacinação contra COVID-19 em crianças

Comunidade científica explica em detalhes a importância da imunização. Veja abaixo:

Fonte: Site da médica infectologista e professora da UFMA Maria dos Remédios Branco

Carta à população do Maranhão sobre a
vacinação contra COVID-19 em crianças.

São Luís, 25 de janeiro de 2022.

Diante das dúvidas em relação ao tema, as Sociedades Científicas citadas e dezenas de professores universitários e médicos especialistas vêm a público trazer informações (e não opiniões) recolhidas não só de estudos científicos iniciais mas, além disso, com dados de mundo real.

Contexto

Durante DÉCADAS os cientistas exploraram as possibilidades do RNA mensageiro (mRNA), que é a plataforma utilizada pela vacina da Pfizer/BioNTech. Ensaios clínicos de vacinas de mRNA contra doenças virais, incluindo Zika, dengue, Ebola, citomegalovirus, influenza e infecção por raiva, provaram a capacidade dessa nova abordagem de provocar respostas imunes potentes e amplamente protetoras.

Compreensivelmente, devido à aplicação recente, observa-se que, obviamente, a maioria dos profissionais de saúde carece de conhecimento técnico para responder às dúvidas e preocupações dos indivíduos sobre a vacina de mRNA COVID-19. Isso é um fator importante que cria desconfiança entre as pessoas, incluindo profissionais de saúde.

Na era da internet, o crescimento de alguns movimentos incentiva as pessoas a rejeitarem o conselho de um perito ou a segui-lo de maneira seletiva, o que causa excesso de confiança no seu próprio conhecimento amador.

Descrente, desconfiada e ávida por informação, a população se torna PRESA FÁCIL de movimentos antivacina e de notícias falsas (fake news) compartilhadas em redes e grupos sociais, receita para a crescente HESITAÇÃO de vacinar a si e aos seus (SBP 2021).

Leia a carta na íntegra aqui

O Tejo: Fernando Pessoa, por Alberto Caeiro

Se você preferir escutar, clique aqui para sentir a
interpretação do poema na voz de Tom Jobim

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia,

O Tejo tem grandes navios

E navega nele ainda,

Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,

A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha

E o Tejo entra no mar em Portugal.

Toda a gente sabe isso.

Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia

E para onde ele vai

E donde ele vem.

E por isso, porque pertence a menos gente,

É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.

Para além do Tejo há a América

E a fortuna daqueles que a encontram.

Ninguém nunca pensou no que há para além

Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada

Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

Imagem destacada capturada nesse site

Julgamento de Julian Assange: veja campanha de solidariedade ao criador do WikiLeaks

O ativista australiano e fundador do WikiLeaks, Julian Assange, está sendo realizado em Londres, Inglaterra, desde setembro de 2021. Contra ele, pesa um pedido de extradição feito pelos EUA devido ao WikiLeaks ter publicado vazamentos de ataques do Exército dos EUA nas Guerras do Afeganistão e do Iraque, Hoje, Assange está preso.

Neste mês de janeiro o tribunal de Londres julgará a apelação interposta pela defesa do jornalista australiano Julian Assange contra a mais recente decisão de extraditá-lo para os Estados Unidos.

O tribunal britânico aceitou, inclusive, um frágil argumento do governo dos EUA que supostamente garantiria em seu território um tratamento humanitário a Assange com todos os seus direitos garantidos. É incrível que alguém acredite nisso em pleno século XXI após tantas atrocidades cometidas por aquele país – inclusive as divulgadas pelo Wikileaks. É uma sentença de morte esta extradição.

Fato é que não é somente o Assange que está sendo condenado e silenciado pelos “senhores da guerra”. Estão silenciando a própria imprensa, a liberdade de expressão que está sendo destruída pela liberdade de opressão  onde sempre prevalece a lei do mais forte.

Há campanhas espalhadas por todo o planeta pela liberdade de Assange e aqui no Brasil o Comitê Carioca está envolvido e aliado à campanha Assange Livre Brasil .  Muitos jornalistas têm se posicionado a favor de sua libertação por ser um absurdo sua prisão que já dura 12 anos sem qualquer indício de crime praticado.

Veja: http://solidariedadecubarj.blogspot.com/2022/01/diniz-neste-mes-de-janeiro-o-tribunal.html

Assista: https://wetransfer.com/downloads/2047166dac9bd1d962e88d82fb4f49a620220124190709/0cb650

Imagem destacada / Manifestação de apoiadores do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, em Londres / Foto: Daniel Leal-Olivas/AFP

Cadê o Circo da Cidade? Espaço cultural foi desativado para a implantação do VLT, que nunca saiu do papel

Uma nova onda de protestos e reivindicações de artistas e produtores culturais de São Luís ganha força para cobrar a reimplantação do Circo Cultural Nelson Brito, o Circo da Cidade, desativado em setembro de 2012, na gestão do ex-prefeito João Castelo (PSDB), a pretexto de instalar um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).

Segundo o Ministério Público, a compra do VLT, em torno de R$ 7 milhões, foi irregular.

À época, parte do Aterro do Bacanga foi utilizada para fixar trilhos e exibir um vagão do VLT com o objetivo de turbinar a campanha à reeleição do tucano. Então, um dos equipamentos sacrificados foi o Circo da Cidade, retirado da área contígua ao Terminal da Integração, no Centro Histórico de São Luís.

O projeto do VLT foi abandonado após a campanha eleitoral de 2012
Foto: Biné Moraes / O Estado do Maranhão

João Castelo perdeu a eleição e no final da primeira gestão (2013-2016) do prefeito Edivaldo Holanda Junior, então candidato à reeleição, houve a apresentação de um projeto para reativar o circo, inclusive com a divulgação de maquetes.

A nova estrutura prometida teria lona tensionada, palco moderno, público de até 500 pessoas sentadas, arquibancadas empilháveis, banheiros, escritório e bilheteria, mas nada foi concretizado.

Maquete do novo circo não foi concretizada
na gestão de Edivaldo Holanda Junior

Desde 2012 ocorrem diversas cobranças, com atos presenciais e na web, pedindo a volta do Circo da Cidade.

Neste janeiro de 2022, a luta continua. A comunidade artística retomou as manifestações nas redes sociais, através de vídeos, com uma pergunta: cadê o Circo da Cidade?

A ideia foi ganhando força através de comentários e compartilhamentos, questionando o fim de um dos mais importantes equipamentos culturais da capital maranhense, onde circularam variadas atividades artísticas, sob a lona que virou ponto de encontros e de afetos em um período muito produtivo no panorama estético de São Luís.

Um ato para reiterar a cobrança está marcado para segunda-feira (24 de janeiro), às 19h, na Feira da Praia Grande (Mercado das Tulhas), no Centro Histórico.

“O Circo da Cidade representa uma democratização cultural imensa e tão necessária que a gente fica tentando entender o que foi que passou pela cabeça dos senhores em seus gabinetes, em salas com ar condicionado, quando decidiram que São Luís poderia abrir mão dele, ainda mais numa cidade rica em expressões culturais e tão carente de espaços para apresentações artísticas.”, avalia o cantor e compositor Beto Ehongue.

A batalha pela retomada do espaço cultural já dura uma década, marcada por indignação. “O Circo da Cidade, espaço absolutamente democrático e acessível aos artistas e ao público,  só poderia acabar sendo alvo do desprezo das “autoridades” que deveriam cuidá-lo. Nós artistas vivemos à mercê dos desmandos desses políticos que trocam de lugar no poder e além de não fomentarem políticas de incentivo, ainda nos tiram as poucas conquistas que obtivemos com muita luta. Em 2012, já cobrávamos a volta desse importante espaço cultural. E dez anos depois,  continuaremos cobrando. Cadê o Circo da Cidade?”, insiste a atriz Rosa Ewerton Jara.

O Circo Cultural Nelson Brito foi inaugurado em 1999, na gestão do prefeito Jackson Lago (PDT), vinculado à Fundação Municipal de Cultura. O espaço serviu de palco para produções cênicas e musicais locais, nacionais e internacionais, revelou talentos, difundiu novas gerações e reafirmou nomes consagrados, gerou oportunidades e formou plateia.

Fachada do Circo da Cidade. Foto: kamaleao.com
Circo homenageia o artista Nelson Brito, uma referência
na cultura popular do Brasil / Foto: Facebook do Laborarte

A localização próxima ao terminal de ônibus facilitava o acesso do público de todas as classes sociais e bairros da cidade, alcançando diversas faixas etárias, inclusive crianças.

Músicos, atrizes, gestores(as) de projetos sociais, atores, cantores, cantoras, produtores e produtoras culturais e o público estão órfãos de um dos espaços mais vibrantes da cidade.

O projeto do VLT desperdiçou dinheiro público
em obras inúteis. Foto: Ed Wilson Araújo
Fim da linha para o VLT. Foto: Ed Wilson Araújo

No lugar vazio do circo, rastejou no palco morto do Aterro do Bacanga uma peça grotesca. O vagão do VLT, comprado por R$ 7 milhões, nunca saiu do lugar e o plano eleitoreiro passou a ser motivo de chacota na cidade, visto como um golpe publicitário fracassado, infelizmente pago com dinheiro público.

Lula, Bolsonaro e Sarney na eleição 2022 no Maranhão

Os reflexos da polaridade nacional Lula x Bolsonaro no Maranhão já podem ser percebidos pelo alinhamento das pré-candidaturas ao Governo do Estado.

Líder em todas as pesquisas, Luis Inácio Lula da Silva (PT) ainda não bateu o martelo sobre os dois nomes com maior poder de fogo na sucessão do governador Flávio Dino (PSB), quais sejam: Carlos Brandão (ainda no PSDB) e Weverton Rocha (PDT).

É certo que as coligações ou federações terão seus postulantes oficiais, mas nada impede que o petista líder em todas as pesquisas ganhe palanque duplo no Maranhão.

Assim, Lula pode ser cortejado tanto por Brandão quanto por Rocha.

E os Sarney?

Fora do jogo bruto da política, eles ainda têm o recall de Roseana Sarney, apontada em dois cenários: deputada federal ou governadora.

Contam ainda na balança o MDB e o Sistema Mirante de Comunicação.

É uma força pequena, se comparada ao trator do passado, mas é certo que os Sarney estarão com Lula, não por simpatia ou afinidade, mas pelo faro do poder.

E Bolsonaro?

Esse, só vai servir como agenda negativa.

No segundo turno, quando a disputa pelo Palácio dos Leões ficar extremamente acirrada, alguém vai tentar associar o adversário a Bolsonaro.

Isso nem sempre funciona.

Na eleição para a Prefeitura de São Luís, em 2020, houve a tentativa de associar a candidatura de Eduardo Braide ao bolsonarismo. Não vingou.

Em 2022 as associações pejorativas voltarão ao palco da política.

Uns serão acusados de ser “o candidato de Bolsonaro”.

Outros serão taxados de “o candidato de Sarney”.

E por aí vai…

O leitor no labirinto de Josué Montello

Acabo de ler O labirinto de espelhos, de Josué Montello. Fiz a degustação da obra em uma 6ª edição da editora José Olympio, de capa azul improvisada e velha.

O cheiro de papel antigo, mas sem fungos, é testemunha do cuidado que a Casa de Cultura Josué Montello tem com o acervo do escritor.

Navegando nas páginas amareladas fui conduzido para o cenário principal da obra, a casa de Tia Marta, no largo da igreja dos Remédios, hoje praça Gonçalves Dias.

A obra gira em torno da personagem principal, Tia Marta, viúva, herdeira do patrimônio do marido falecido prematuramente em um afogamento.

Austera, Tia Marta despreza os parentes pobres que torcem e até rezam por sua morte, de olho no espólio da velha.

O romance vai e vem desencadeando a trama entre as personagens, à espera do grande dia após o enterro da viúva rica – a leitura do testamento.

Com um final surpreendente, O labirinto de espelhos está entre as boas leituras de Montello.

Arari! É paz para o povo e cadeia para consórcio do crime!

Publicação da Agência Tambor em 18 jan 2022

O sangue foi derramado. E a luta seguirá. Este é um fato que apuramos, a partir dos recentes crimes ocorridos no município maranhense de Arari, com o assassinato de cinco camponeses, em apenas dois anos. Todos ainda impunes!

Por conta da ação dos Fóruns e Redes de Cidadania do Maranhão, houve um recente progresso social e econômico na região de Anajatuba e Arari, na Baixada Maranhense. A melhora ocorreu a partir de mutirões, onde o povo tirou cercas e búfalos, que eram mantidos ilegalmente.

Essa situação incomoda arcaicos fazendeiros, grileiros, acostumados a explorar o povo, as terras e os campos da baixada, atropelando a lei, impondo regras, como se estivessem acima do bem e do mal. Criou-se, então, uma situação de conflito de interesses.

ONU em Arari

No dia 20 de novembro de 2021, houve uma audiência pública, em Arari, na comunidade de Cedro, com a presença do senhor Jan Jarab, representante da Organização das Nações Unidas (ONU). Essa audiência foi em uma área livre junto a casa do quilombola José Francisco Lopes Rodrigues (o Quiqui).

Audiência pública com representante da ONU, na comunidade Cedro, em Arari

O tema do encontro, articulado pelo defensor público federal Yuri Costa, então presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), foi exatamente o aumento da violência rural no Maranhão.

No dia 9 de janeiro, 50 dias depois dessa audiência, um dos anfitriões do representante da ONU, o senhor José Francisco Lopes Rodrigues, foi assassinado. Ele foi alvo de um atentado a bala, um crime de pistolagem, motivado exatamente por conflito de terra.

José Francisco: assassinado por conflito de terra com fazendeiros

José Francisco foi baleado no dia 3 de janeiro de 2022, na sua casa, no mesmo local onde esteve o tcheco Jan Jarab. Levado para São Luís, ele não resistiu a uma cirurgia e faleceu.

Jan Jarab, representante da ONU que esteve em Arari

No dia 3 de janeiro, no atentado que tirou a vida do quilombola José Francisco, sua neta de 10 anos, também foi baleada. Ela estava no colo do avô. Sobreviveu. E está com terríveis sequelas emocionais.

Tem nome e sobrenome

Diferentes organizações sociais registram o aumento da violência no Maranhão, por conta de questões fundiárias. O município de Arari, no entanto, chama bastante a atenção.

Os cinco trabalhadores rurais assassinados, em Arari, viviam em três comunidades diferentes, são elas Cedro, Flexeiras e Santo Antônio.

Em Cedro, além de José Francisco Lopes Rodrigues, foram mortos também os senhores Celino Fernandes e Wanderson de Jesus Rodrigues Fernandes. Os dois, pai e filho, foram executados no dia 9 de janeiro de 2020, exatamente dois anos antes da morte de José Francisco.

Wanderson e Celino: assassinados em 2020, os criminosos ainda não foram presos

Na comunidade de Flexeiras, a vítima foi Antonio Gonçalo Diniz, assassinado em 2 de julho de 2021. E a outra vítima, da comunidade de Santo Antônio, foi João de Deus Moreira Rodrigues, assassinado em 29 de outubro de 2021.

Lista e pistoleiros

Além dos cinco assassinados em Arari, houve vários atentados no município, nos últimos dois anos. E hoje, é dito que existe uma lista, com o nome de outras pessoas marcadas pra morrer.

O advogado Luís Antônio Pedrosa, da Federação dos Trabalhadores Agricultores e Agricultoras do Maranhão (Fetaema) diz que, “se não houver uma mediação adequada na região, por parte do poder público estadual, acontecerão novas mortes”.

Pedrosa fala do risco de novas mortes

E quem conhece a região diz que o ponto central em Arari é o ordenamento fundiário. As escrituras dos fazendeiros precisam ser submetidas a uma investigação séria, pois as suspeitas e evidências de fraudes cartoriais e grilagem são enormes.

Com seus abusos e privilégios barrados pela nova organização social da região, os fazendeiros estimulam o conflito entre os camponeses, como método de criar situações para matar as lideranças populares.

Os fazendeiros da baixada estão organizados e é sabido que, entre eles, existe a prática de contratação de pistoleiros, havendo também uma forte rede de proteção para criminosos, isto é, para dar cobertura a jagunços, matadores.

Nenhum passo atrás

O clima na região é tenso. No entanto, com os avanços sociais, econômicos e políticos não haverá recuou na resistência e organização social do povo. O que nós apuramos, entre os que vivem na região, é que eles são “convictos de que estão em uma luta justa e necessária, que tornou-se uma guerra”.

Nos foi dito que “o sangue derramado faz parte desse processo”. Luís Antônio Pedrosa confirma aquilo que nós ouvimos. “O povo diz que o sangue pode dá no meio da canela, mas ninguém vai recuar”.

Existe muita indignação nas comunidades, por conta da violência sofrida. Fora de Arari e já fora do Maranhão, a barbárie promovida pelos fazendeiros da baixada maranhense é vista como um escândalo, um absurdo, algo inaceitável.

E o povo de Arari não está só. Cresce o número de apoiadores que desejam paz para os posseiros (comunidades tradicionais, ribeirinhos) e cadeia para o consórcio do crime.

Os zumbis da gestão do ex-prefeito Edivaldo Holanda Junior

A literatura aponta várias características para designar a figura do zumbi, algo como um morto vivo ou cadáver reanimado que precisa habitar os cérebros dos viventes para manter-se errante.

Cadáveres ou esqueletos costumam servir também para ilustrar obras abandonadas ou mal feitas, resultado de mau uso do dinheiro público.

O ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Junior, é tido como pessoa cordata, afável e de estilo conciliador, que faz o tipo “não quero briga com ninguém”.

Ele foi prefeito da capital durante oito anos, de 2012 a 2020, encerrando o segundo mandato com várias obras espalhadas pela cidade, principalmente praças.

Qualquer capital do Brasil tem praças, mas São Luís é uma cidade tão atrasada e provinciana que obra desse naipe soa como verdadeira revolução administrativa em mais de 400 anos.

E assim tivemos um prefeito bom de praça ou boa praça, como queira o(a) leitor(a).

Excetuando-se essas firulas, vamos ao que interessa – os zumbis – figuras mortas que nos assombram pela voracidade com que devoram os corpos alheios ou, nesse caso, os recursos públicos.

O cidadão ludovicense tem o direito de saber quanto e como foi gasto o dinheiro de pelo menos duas obras, uma delas abandonada e a outra mal feita.

A construção abandonada é fácil de observar por qualquer pessoa que transita pelo Anel Viário, inclusive inviabilizando a Passarela do Samba, lugar do tradicional desfile carnavalesco organizado pela Prefeitura de São Luís.

Leia mais sobre Carnaval e Anel Viário aqui

O caos gerado pela obra inacabada no Anel Viário

Já o empreendimento mal feito é a reforma do Estádio Municipal Nhozinho Santos, que não pode receber jogos à noite, devido à pane no sistema de iluminação.

Uma das partidas do Campeonato Maranhense, entre São José x Moto Club, já está programada para às 3 e meia da tarde, no próximo dia 23 de janeiro, porque aquela praça esportiva, reformada na gestão Edivaldo Holanda Junior, não oferece nenhuma condição de receber partidas noturnas. O motivo: a iluminação sem funcionalidade.

Comitiva do então prefeito reinaugurou o Nhozinho Santos em
setembro de 2020, mas o estádio não recebe jogos à noite

Mas, a grande empreitada do ex-prefeito está mais viva do que nunca, sendo apurada por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de São Luís.

Resultado das denúncias publicizadas na última greve dos trabalhadores do sistema de transporte coletivo, a CPI começou a revelar o submundo da relação entre os interesses da gestão municipal e a poderosa máquina das empresas de ônibus em São Luís.

Em 400 anos São Luís teve uma só licitação do sistema de transporte, eivada de suspeitas, mas nunca investigadas no tempo certo. Agora, a CPI tem a responsabilidade nas mãos e todas as condições de apurar com rigor as circunstâncias da licitação e as suas conseqüências para o bolso do contribuinte, assim como os efeitos danosos causados ao usuário do transporte coletivo.

O ex-prefeito pode até ser gente boa, mas os órgãos de controle precisam ir fundo nas investigações e revelar quanto dinheiro público foi empregado para:

– reformar um estádio sem luz;

– abandonar uma obra no principal circuito de mobilidade do Centro Histórico;

– e realizar uma licitação que resultou no caos do sistema de transporte de São Luís;

Em todos as situações mencionadas, só um lado perde – a cidade e os seus moradores, principalmente os mais pobres que usam ônibus, guardam o dinheiro suado para pagar o ingresso no Estádio Municipal Nhozinho Santos e não têm o direito de ver a sua escola de samba porque a passarela está inviabilizada por uma obra sem fim.

Se esse ano tivesse Carnaval, zumbi seria uma fantasia perfeita para extravasar alguns mortos vivos na cidade.

Governo reativa ambulatórios de síndromes gripais leves na região metropolitana da ilha

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) vai retomar, nesta terça-feira (18), os ambulatórios de Síndromes Gripais Leves em novos espaços para atendimento da população com sintomas leves na Grande Ilha. O início aconteceu na semana passada para descentralizar os atendimentos e reduzir a pressão sobre as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), que atendem diversas patologias, incluindo as síndromes respiratórias.

Nesta semana, de 18 a 21 de janeiro, os ambulatórios funcionarão das 8h às 16h, no bairro do Cruzeiro do Anil, na Escola Maria do Carmo Abreu da Silveira, localizada na Avenida São Sebastião, em São Luís; e, em São José de Ribamar (Centro Educa Mais – Escola CAIC São Raimundo, na rua São Silvestre, nº 125, São Raimundo). Na cidade da Raposa, o ambulatório, que funcionará na terça (18) e na quarta-feira (19), estará na Unidade Integrada Sarney Filho, na Estrada da Raposa.

O atendimento conta com médicos, enfermeiras e técnicos de enfermagem da Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares (EMSERH). É necessária a apresentação de documento oficial com foto e Cartão SUS para atendimento.

“O Governo decidiu continuar o atendimento nos ambulatórios de síndromes gripais leves em virtude do resultado proveitoso. Nesta semana, vamos oferecer o serviço em três novos locais. Na última semana, foram mais de 11 mil atendimentos durante cinco dias de ambulatórios itinerantes e assim conseguimos diminuir o fluxo de atendimentos nas UPAs e descentralizamos nossa testagem para Covid-19”, disse Marcos Grande, presidente da EMSERH.

Na última semana, os ambulatórios distribuídos no Anil, na Cidade Olímpica, em Paço do Lumiar e no Hospital Aquiles Lisboa registraram 4.362 consultas e 6.784 testes de detecção da Covid-19, sendo 70,6% negativos. Isto é, a cada dez pacientes, três testaram positivo para Covid-19. No total, foram 11.146 atendimentos em uma semana.

Imagem destacada / O atendimento conta com profissionais da EMSERH. (Foto: Laécio Fontenele)