Categorias
notícia

Andes–SN se manifesta contra novos cortes na Educação

Na segunda (28/11), a comunidade acadêmica das Universidades e Instituições de Ensino Superior da Rede Federal foi surpreendida com um novo bloqueio de verbas no Ministério da Educação, que pode chegar ao montante de R$ 1,68 bilhão. Desse recurso, só das Universidades públicas e Institutos Federais de Educação estima-se que o valor ultrapasse R$ 244 milhões.

Atenta aos fatos, a Diretoria Nacional do Andes – Sindicato Nacional publicou uma nota em repúdio aos novos cortes na educação em que recorda a marca do governo Bolsonaro: a tentativa constante de destruir as universidades, os institutos federais e os Cefet. “Durante esses quatro anos de Bolsonaro, os cortes no orçamento, assim como os ataques à(o)s docentes, estudantes e técnico-administrativo(a)s simbolizam a essência do bolsonarismo e sua agenda negacionista e privativista. A política anti-ciência e anti-educação não é um fato isolado, mas elemento constitutivo do projeto da extrema direita que nega o conhecimento em nome de desinformação e fake news, além da destruição cotidiana das políticas públicas”, aponta, em nota, o Andes-SN.

A nota também ressalta que, só em 2022, já aconteceu um bloqueio orçamentário de R$ 438 milhões, que afetou o funcionamento das instituições de ensino. “O próprio retorno às aulas presenciais exigiria um aporte financeiro por parte do governo Bolsonaro que pudesse garantir mínimas condições sanitárias, o que não ocorreu. O caminho que o governo escolheu foi normatizar o ensino remoto, tentar introduzir o Reuni Digital e aumentar os cortes dos recursos da educação”, diz a Diretoria Nacional do Andes-SN.

Visto isso, a Diretoria da Apruma reitera que seguirá atenta às reações e mobilizações do Andes-SN para se somar, mais uma vez, em defesa do orçamento público para as universidades públicas.

Leia a íntegra do documento: Nota da Diretoria Nacional do Andes SN em repudio aos novos cortes na educacao

Categorias
notícia

A urgência da PEC do Bolsa Família: mais pobres contraem dívidas para comprar comida

Famílias das classes C, D e E tomam empréstimos para comprar alimentos e pagar contas, aponta pesquisa. Metade delas comem menos para conseguir pagar dívidas

Fonte: site do PT

Nesses últimos meses de desgoverno Bolsonaro, o tsunami de queda da renda e endividamento que arrasta a grande maioria das famílias brasileiras tem feito as mais pobres tomarem empréstimos para comprar comida e pagar as contas. É o que revela um estudo do instituto de pesquisas Plano CDE com famílias de todas as classes sociais.

“Salta aos olhos essa questão da necessidade dos empréstimos para comprar comida, indicando a situação grave que uma série de famílias enfrenta atualmente”, afirma Maurício Prado, diretor do Plano CDE, na Folha de São Paulo.

Entre 45% e 50% dos respondentes das classes C, D e E afirmaram que a alimentação e as contas do mês foram ou seriam a principal finalidade para tomar um empréstimo. O percentual cai para 30% entre as classes A e B. Pagamento de outras dívidas e montar ou investir no próprio negócio são outras das principais justificativas.

A pesquisa aponta ainda que 50% dos participantes nas classes D e E já tiveram de reduzir a compra de comida para pagar uma dívida. Os endividados também recorrem ao aumento na carga de trabalho (horas extras, bicos, trabalhos temporários) e à venda de bens (carro, móveis, eletrodomésticos) para fazer frente às despesas.

Considerando todas as classes, 42% afirmam ter alguma dívida em atraso. Metade das famílias tomaram algum tipo de empréstimo no último ano. Familiares e amigos foram a principal fonte para a busca dos recursos entre os mais pobres, seguida por bancos.

“O consignado do Auxílio Brasil só vai fazer com que as famílias se enrolem ainda mais”, ressalta Prado. Após liberar em outubro R$ 6 bilhões em empréstimos consignados para beneficiários do Auxílio Brasil, a Caixa Econômica Federal restringiu a linha de crédito depois do segundo turno das eleições.

A média diária de contratos diários caiu de 114 mil, em outubro, para 1,5 mil em novembro.
São considerados de classes D e E domicílios com renda familiar de até R$ 2.000. Na C2, o intervalo vai de R$ 2.000 até R$ 3.000, e de R$ 3.000 até R$ 6.000 na C1. A AB é formada por lares com renda familiar acima de R$ 6.000.

Com a renda cada vez mais baixo, crédito é alternativa para sobreviver

“O crédito como complemento de renda é um caminho quase certo para o superendividamento”, avalia o coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Lauro Gonzalez.

A combinação de crescimento econômico baixo com inflação alta e um mercado de trabalho marcado pela precarização e informalidade, diz ele, levou a população de menor poder aquisitivo a utilizar cada vez mais o crédito como um complemento à renda.

Entre os brasileiros que conseguiram poupar algum valor no último ano (acima de 60%, mesmo nas classes C, D e E), a caderneta de poupança ainda é a principal alternativa. Um em cada 3 brasileiros disse que pretende fazer alguma aplicação na poupança nos próximos 12 meses.

No entanto, 57% dos entrevistados não têm poupança para lidar com um imprevisto. O principal desafio para a formação de uma taxa de poupança na base da pirâmide é a falta de renda —nos últimos 12 meses, cerca de 50% da população teve gastos maiores do que a renda, sendo 60% nas D e E e 55% nas C1 e C2.

Em outubro, a diferença entre saques e depósitos na caderneta de poupança chegou a R$ 11,006 bilhões, maior saldo negativo para o mês em toda a série histórica do Banco Central (BC), desde 1995. Em 2022, o acumulado entre janeiro e o mês passado já atinge -R$ 102,077 bilhões. Até dezembro, a saída líquida pode chegar a mais que o dobro do pior resultado da história, em 2015 (-R$ 53,567 bilhões).

Para modificar esse cenário de terra arrasada, urge priorizar os mais vulneráveis. A aprovação da PEC do Bolsa Família será o primeiro passo nesse grandioso processo de recuperação socioeconômica, tanto por meio do Bolsa Família quanto pela recomposição dos gastos com programas estratégicos para a retomada do crescimento inclusivo. Cabe ao Congresso Nacional assumir sua responsabilidade com a população.

Da Redação, com informações da Folha de S. Paulo

Categorias
notícia

Reajustar o salário mínimo recompõe renda dos trabalhadores e estimula a economia

Além do desemprego e da informalidade, o número de trabalhadores ganhando apenas o salário mínimo aumentou de 30% para 35,6%, ampliando a pobreza e a fome no país

Acabar com a fome e promover o aumento real do salário mínimo para recompor a renda dos trabalhadores e trabalhadoras do país é prioridade para Lula, que inicia seu governo na Presidência da República em 1º de janeiro de 2023.

A retirada de direitos trabalhistas no governo de Temer e o rompimento do reajuste do salário mínimo por Bolsonaro empurrou as famílias brasileiras para um buraco sem fundo de endividamentodesempregoinformalidade trabalhista, miséria e fome.

Atualmente, o Brasil passa por um período de maior arrocho salarial da história. Desde o início do desgoverno de Bolsonaro, em 2019, o índice de trabalhadores com renda de até um salário mínimo (R$ 1.212) aumentou de 30% para 35,6%.

Além disso, o número dos que ganham até dois salários (R$ 2.224), caiu de 35,1% para 31,6%; e entre os que recebiam acima de dois salários mínimos, a queda foi de 34,9% para 32,8%.

Das pessoas que têm trabalho no país, 38% (36,4 milhões) ganham apenas um salário mínimo e 40% (39 milhões) estão em empregos informais, sem nenhum tipo de direito ou garantia.

Os dados, referentes ao terceiro trimestre deste ano, foram levantados pela Consultoria LCA, a pedido do jornal Valor Econômico, a partir da Pesquisa Nacional por Amostragem por Domicílio (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),

Em entrevista ao Valor Econômico, a pesquisadora do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Adriana Marcolino, credita à queda de rendimento do trabalhador não apenas à reforma Trabalhista, mas também às decisões de desmontar a fiscalização trabalhista, permitindo que maus patrões contratem sem carteira assinada, explorando quem precisa trabalhar.

“Além desses fatores, a crise econômica, o crescimento pífio, a recessão e a falta de medidas que impedissem o aumento da informalidade, da rotatividade e o fim da Política de Valorização do Salário Mínimo permitiram o achatamento da renda do trabalhador”, diz.

2/3 dos trabalhadores ganham até dois mínimos

A melhora do mercado de trabalho depois das consequências da pandemia não esconde um problema estrutural: a concentração dos trabalhadores em vagas com rendimentos baixos.

O Brasil tinha dois terços (67,1%) de seus trabalhadores com renda de até dois salários mínimos (R$ 2.424) por mês no terceiro trimestre de 2022. São 65,5 milhões de pessoas nesta situação, de um total de 97,5 milhões de pessoas ocupadas no país.

O cálculo é da LCA Consultores, feito a partir de microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua a pedido do Valor. Considerando apenas aqueles que ganham até um salário mínimo (R$ 1.212), a parcela é de 35,6% (34,7 milhões de pessoas).

Reajuste do salário mínimo é melhor para a economia

Para economistas do campo progressista, qualquer elevação do salário mínimo tem um impacto muito grande sobre os rendimentos menores, e as pessoas que ganham o mínimo gastam tudo consumindo alimentos, pagando contas, impactando positivamente na economia.

De acordo com o Dieese, existe um incremento em termos de renda na economia que chega a R$ 81 bilhões. Além disso, há outros R$ 44 bilhões que chegam aos cofres públicos, por meio de arrecadação tributária, por conta desse aumento do salário mínimo.

Com Lula, valorização do mínimo vai voltar

Durante a sua campanha eleitoral e mesmo após ser eleito para um terceiro mandato presidencial, Lula vem mantendo a promessa de voltar com a Política de Valorização do Salário Mínimo, que teve início em 2004, quando a CUT e demais centrais sindicais, em um movimento unitário, lançaram a campanha pela valorização do salário mínimo.

Nesta campanha, foram realizadas três marchas conjuntas a Brasília com o objetivo de pressionar e, ao mesmo tempo, convencer os poderes Executivo e Legislativo sobre a importância social e econômica da proposta de valorização do salário mínimo.

Também como resultado dessas negociações, foi acordado, em 2007, uma política permanente de valorização do salário mínimo. Desde 2003 até 2016, segundo o Dieese, o ganho real, ou seja, acima da inflação foi de 77,01%.

Da Redação, com informações da Folha de S. Paulo e CUT

Categorias
notícia

Abraço Brasil entrega reivindicações à Comissão de Transição

Fonte: Abraço RS

Representantes da Abraço Brasil, do Movimento Nacional de Rádios Comunitárias (MNRC), da Associação Mundial de Rádios Comunitárias – Brasil (Amarc) da Associação Catarinense de Rádio Comunitária (Acracom), estiveram na última quarta-feira (23), em Brasília, no Centro Cultural do Banco do Brasil, para reivindicar, junto à equipe de transição, a participação das rádios comunitárias. O objetivo final é, segundo o presidente da Abraço Brasil, Geremias dos Santos, integrar o Grupo de Trabalho da Comunicação, onde estão sendo discutidas as diretrizes neste setor do próximo governo.

No documento, entregue aos integrantes do GT de Comunicação, entre eles, Paulo Bernardo, César Alvarez, Helena Martins e Jorge Bittar, o grupo ainda explicita os avanços mais urgentes que as rádios comunitárias demandam. “Há décadas nós esperamos por algum avanço. Julgamos que chegou o momento de sermos ouvidos e, mais do que isso, do governo que assume em 1º de janeiro se comprometer, de fato, com a democratização da comunicação. E isso passa fundamentalmente pelas rádios comunitárias”, reivindicou Santos.

A comissão se disse sensível à pauta e garantiu que nos próximos dias deverá dar um retorno e marcar uma reunião. “Nós seguiremos mobilizados. As rádios comunitárias são decisivas para a boa comunicação. Temos certeza que, desta vez, o governo Lula será sensível a nossa caminhada e ao papel que desempenhamos”, finalizou Santos.

Também participou da reunião o representante da Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCOM), Paulo Miranda, que, igualmente, fez a entrega de um documento em nome da entidade com prioridades das TVs comunitárias.

Os deputados federais Elvino Bohn Gass (PT-RS) e André Figueiredo (PDT-CE), defensores do movimento de radiodifusão comunitária, acompanharam os trabalhos.

Categorias
notícia

Mulheres e colheres

Texto alusivo ao 25 de novembro – Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres: “Alaranjar o mundo: acabar com a violência contra as mulheres, agora!”

Eloy Melonio

Imagine duas mulheres vivendo uma situação de “violência doméstica”: uma, em 1962, e a outra, em 2022. Em que se diferenciam as duas realidades?

É óbvio que o cenário atual está mais iluminado, embora ainda faltem elementos indispensáveis em sua cenografia. O antigo, ao contrário, era sombrio, pintado com as cores do medo, da submissão.

As duas— uma mais que a outra — são parte do enredo desse drama vivido por muitas mulheres no Brasil. Hoje, felizmente, a conscientização e o rigor da lei já nos deixam entrever um desfecho auspicioso.

A primeira situação é do tempo das “colheres”, guardadas na gaveta do armário. A segunda é de hoje, das palavras empoderadas que voam em todas as direções.

Entre uma e outra, lembro-me dos meus dias de criança, quando via aquele senhor bem-vestido, passos compassados, saudando as pessoas na rua. Sua esposa, uma mulher triste, introvertida, com quatro filhos. E eu, moleque que brincava na rua, não entendia direito quando o povo falava que “ele batia nela”.

Mas eu já sabia que “A voz do povo é a voz de Deus”. E se era assim…

Algo me incomodava naquela situação: por que as pessoas ficavam caladas, como se nada estivesse acontecendo? Não aparecia ninguém com uma colher (ou faca) para botar na garganta do patife e gritar: Pare de fazer isso, seu covarde!

É que nessa época não havia leis de proteção à mulher, e todos se calavam diante dos abusos cometidos pelos maridos malcriados. Até a polícia, composta integralmente de homens, passava “panos quentes” para esfriar os casos que chegavam às delegacias. E o criminoso continuava fazendo o papel de gente boa, com sua reputação integralmente preservada. E nada de colheres!

Até porque a ordem presumida era não meter as pobrezinhas em encrencas. E briga de marido e mulher era uma dessas presunções. E, para criar um adágio rimado, terminaram adotando as inofensivas “colheres”. Quem sabe já com a consolidada ideia de “violência gera violência”.

Recentemente li uma matéria sobre “violência doméstica” na revista CLAUDIA. Era, na verdade, a coluna da promotora Gabriela Manssur, na qual ela sugeria duas atitudes: “Esteja ao lado delas” e “Combater o mal em suas raízes”.

A grande lição da colunista é apoiar “os movimentos e as leis” em defesa e proteção das mulheres. Parece tarefa fácil, desde que “ela” não seja a mulher do seu melhor amigo ou do seu chefe. Outro ponto de destaque é a informação e o conhecimento. E, por último, tirar a venda para ver o que está acontecendo na nossa cara: o medo de se meter no problema do outro, aquela velha atitude do “eu não tô nem aí”.

Realmente, não é tão simples, mas algo precisa ser feito. E a receita é basicamente esta: palavra amiga e solidariedade. Em suma, não apenas cortar o mal pela raiz, mas aniquilar todo o mal, incluindo suas ramificações. Ou seja, não ver apenas a especificidade de um caso, mas abrir a cortina que esconde as artimanhas desse cenário desprezível.

Nessa receita, podemos incluir: conhecer o problema, suas motivações, e buscar a solução. Casos de violência se repetem porque não chegam ao conhecimento das pessoas — parentes ou amigos próximos. Tampouco das autoridades. E, livre, “a bruxa” ronda os relacionamentos, pintando casos e casos com as cores cinzentas da submissão, do medo, ou bordando vidas e vidas com os fios do aprisionamento, da ameaça, da pressão psicológica.

A realidade de hoje deve-se, em grande parte, a uma personagem expressiva na defesa dos direitos da mulher. Maria da Penha Maia Fernandes (hoje com 77 anos), uma mulher com coragem e palavras a tiracolo. Essa luta resultou na lei que leva o seu nome, a terceira mais bem-avaliada do mundo.

Sua história é marcada por duas tentativas de homicídio, além de agressões físicas e psicológicas. Cansada de sofrer nas mãos do marido, foi além da denúncia comum. Recorreu à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos em busca da própria proteção e de uma salvaguarda definitiva para proteger, de forma integral, a mulher.

Este novo cenário, montado ao longo dos últimos anos, é também fruto do trabalho de um exército de “guerreiras” em várias frentes. No Congresso Nacional, nos órgãos da Justiça, nas associações de mulheres. Nos projetos de peso nacional, como o “Justiceiras”, da OAB, e — ressalte-se — da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, a CE do TJMA.

Em decorrência dessa lei e toda essa movimentação, hoje chovem notícias de “feminicídios” e outros tipos de violência doméstica e familiar na imprensa nacional. E muito casos são solucionados, e os agressores punidos. Em nossa cidade, um dos casos de maior repercussão foi o de Mariana, filha de Sarney Neto e Flor de Lys. Mariana foi estuprada e assassinada, em 2016, pelo ex-marido de sua irmã, Carol Costa. Desde então, Carol lidera o projeto “Somos Todos Mariana” e já ministrou mais de 70 palestras em escolas, universidades, igrejas e associações comunitárias. O assassino, Lucas Porto, está preso na Penitenciária de Pedrinhas.

A realidade é que nem todos os casais vivem na praia ensolarada das canções românticas. “Também há dias em que a chuva cai” (The Fevers). E aí o bom senso dita que é hora de parar para conversar. Ou reclamar, como fez Adão: “A mulher que tu me deste por companheira…” (Gn3:11). Mas jamais ofender, maltratar, machucar, matar.

Se o casamento não vai bem, existem os procedimentos terapêuticos e os trâmites legais. O que não se pode admitir é que “um lado” use de sua força física ou poder econômico para subjugar o outro. Ou, ainda pior: ficar impune. Quanto à sociedade, calar-se é o mesmo que “deixar a vítima no banco dos réus”.

Se eu tivesse os poderes mágicos de Harry Potter, correria ao passado para gritar para os meus vizinhos: Guardem suas colheres, seus imbecis! E soltem suas atitudes!

_____

Eloy Melonio é contista, cronista, ensaísta, letrista e poeta.

Categorias
notícia

Neymar Jr não é Deus

Arrogância, prepotência, deboche e opção clara pelo bolsonarismo transformaram o jogador Neymar Jr no pior exemplo do atleta nos últimos tempos.

Ele nem chegou a entrar em campo e já cravou a sexta estrela do título em um calção, como se o título dependesse única e exclusivamente dele.

Mas, o jogo de hoje contra a Sérvia demonstrou o contrário.

Tite está no rumo certo: futebol coletivo sem salvador da pátria. Temos um time excelente que não depende do talento de um só jogador.

O arrogante Neymar Jr teve uma boa lição hoje.

Categorias
notícia

Adeus a Magno, uma referência em Cururupu

Com informações do Blog de Claudio Mendes

Amigos, familiares e conhecidos despediram-se do querido Carlos Magno Oliveira, carinhosamente chamado de Magno ou “Magno de Zé Amado”, devido a sua história de serviços e amizade com o médico e ex-prefeito de Cururupu, José Amado.

Magno já vinha doente e lutava contra os efeitos do diabetes. Ele estava fazendo hemodiálise e não conseguiu vencer os efeitos da doença. Os amigos mais próximos afirmam que Magno, mesmo doente, transmitia muita alegria, mas também era estressado, pois a sua inquietude era para ver as coisas acontecerem.

Carlos Magno era um grande amigo do veterinário Ronaldo Araújo, ex-funcionário do Banco do Brasil em Cururupu e atual proprietário da AgroVet. Através de Ronaldo, Magno tornou-se uma pessoa muito próxima da família Araújo, sendo muito querido pelos pais de Ronaldo, Raimundo Nonato Araújo e Terezinha Ferreira Araújo, já falecidos.

A amizade entre Carlos Magno e a família de Ronaldo Araújo estendeu-se aos irmãos e filhos.

Era muito freqüente a visita de Magno à casa da família Araújo, no Apeadouro, em São Luís, sempre bem quisto, presenteando seu Raimundo e dona Terezinha com os melhores peixes, mariscos e a deliciosa farinha de Cururupu.

Um detalhe: quando dona Terezinha Araújo faleceu, em 2020, deixou um cachorrinho pinscher, chamado Strike, que depois foi morar em Cururupu, na casa de Magno, sendo muito bem cuidado pelo veterinário Ronaldo Araújo e por toda a família cururupuense do pet.

Amigos e familiares na despedida de Magno

Mas, infelizmente, no mesmo dia da morte de Magno, Strike escapou da casa, foi atropelado por uma motocicleta e não resistiu aos ferimentos.

Foram duas perdas muito sentidas, no mesmo dia.

Como empresário, Magno continuava com suas ações na região, nos ramos de transporte e comercialização de material de construção, mas a doença não o deixou continuar com seus sonhos. Magno faleceu aos 59 anos, na cidade de Pinheiro, logo no início da manhã do último domingo (20.11.2022).

Magno construiu uma legião de amigos em Cururupu

Seu corpo chegou na tarde do mesmo domingo em Cururupu, sendo velado em sua residência, no bairro do Cajual.

Na manhã desta segunda-eira (21.11.2022), aconteceu o sepultamento no cemitério São Pedro, onde familiares, amigos e conhecidos deram seu último adeus a Magno.

O empresário deixou esposa, a fotógrafa Janayna Sousa Pereira, filhos, irmãos e irmãs e centenas de amigos. A escola Rio do Luz emitiu Nota de Pesar pelo falecimento do empresário.

Fica aqui registrada a nossa mensagem de pesar pela morte de um amigo, ouvinte da programação de rádio Alvorada FM e acima de tudo um cidadão pai de família.

Imagem destacada: Magno e a esposa Janayna

Categorias
notícia

O papel do PT na transição: liderança, compromisso com o povo e experiência executiva

Ex-ministros, especialistas, parlamentares e lideranças petistas contribuem, juntamente com aliados, para a transição do futuro governo de Lula e Alckmin

Os 31 grupos técnicos coordenados pelo Gabinete de Transição Governamental, sob o comando do vice-presidente eleito Geraldo Alckmin, já deram início ao levantamento dos dados e elaboração de diagnósticos que ajudarão no planejamento do futuro Governo Lula.

Todos as equipes temáticas da transição contam com a participação de representantes dos partidos aliados que apoiaram a candidatura Lula/Alckmin tanto no primeiro como no segundo turno, assim com entidades, parlamentares, organizações da sociedade civil e especialistas com notória competência nas mais variadas áreas governamentais.

Partido presidente eleito, o Partido dos Trabalhadores está presente na maioria dos 31 grupos técnicos contribuindo a experiência e ao conhecimento adquiridos pelos seus muitos quadros em mais de 13 anos dos governos de Lula e Dilma, e também à frente de governos estaduais e municipais.

Áreas sociais

No grupo temático da Assistência Social, que já foi declarada pelo presidente eleito Lula como uma das suas principais prioridades, diante do grave quadro do retorno do país ao mapa da fome e da insegurança alimentar durante os quatro anos do governo Bolsonaro, o PT participa com três ex-ministros que atuaram nas gestões de Lula e de Dilma.

Estão na equipe de transição, o ex-ministro e atual deputado federal pelo PT-MG, Patrus Ananias, que implementou o Programa Bolsa Família, o maior e mais completo programa social já existente na história do país; a ex-ministra Márcia Lopes e a ex-ministra Tereza Campello, responsável pelo Programa Brasil sem Miséria, que consolidou o modelo de combate à fome e de segurança alimentar durante o governo de Dilma Rousseff.

Também no grupo que cuida de outra área fundamental, a da Saúde, são outros três ex-ministros da pasta durante os governos petistas: o senador Humberto Costa (PT-PE), titular da Saúde no Governo Lula; o deputado federal reeleito Alexandre Padilha (PT-SP) e o também ex-ministro Arthur Chioro, ambos durante o governo Dilma Rousseff.

Na Educação, o conhecimento e a vasta experiência de vários anos do ex-ministro José Henrique Paim se somam a Binho Marques, ex-governador do Acre; deputada federal Rosa Neide (PT-MT) sempre atuante na área da educação na Câmara e Tereza Leitão, senadora eleita pelo PT de Pernambuco e coordenador do Setorial Nacional de Educação do partido.

Defesa dos direitos

Nos Direitos Humanos, tema bastante caro ao PT, o grupo está fortalecido pela participação da deputada Maria do Rosário (PT-RS), que foi ministra durante o governo da presidenta Dilma. O grupo conta ainda com a contribuição do deputado estadual por São Paulo, Emídio de Souza; secretária nacional LGBT do PT, Janaína de Oliveira e de Rubinho Linhares, coordenador do Setorial de Pessoas com Deficiência do partido.

No grupo técnico do tema Mulheres, que também terá uma atenção especial da futura gestão, está a ex-ministra Eleonora Menicucci e a secretária nacional de Mulheres do PT, Anne Moura. Assim como a Juventudecuja equipe conta com a participação de Nádia Garcia, atual secretária nacional de Juventude do PT.

Na Igualdade Racialcuja reestruturação e o resgate do papel da pasta no combate ao racismo e promoção da igualdade são urgentes, estão Martvs das Chagas e Nilma Lino, ex-ministros da Seppir, e os ativistas Douglas Belchior e Givânia Silva.

Na Culturaoutro setor muito sensível e considerado como prioridade para o futuro governo devido ao desmonte praticado de forma brutal por Bolsonaro, o PT tem entre os integrantes a experiência do ex-ministro Juca Ferreira que atuou na pasta nos dois governos comandados pelo partido, além do secretário nacional de Cultura do partido, Márcio Tavares.

Economia, Planejamento e Orçamento

No grupo técnico da Economia como representantes do PT estão os economistas Nelson Barbosa, ex-ministro da Fazendo durante o Governo Dilma, e Guilherme Mello, que já assessora o partido e o presidente eleito Lula há vários anos nas questões econômicas e financeiras do país.

No grupo do Planejamento, orçamento e gestão estão o deputado federal Enio Verri (PT-PR), que sempre priorizou o tema em sua atuação parlamentar; o economista e professor Márcio Pochmann, que já presidiu o Ipea, a Fundação Perseu Abramo e Instituto Lula e a também economista Esther Dweck, que atuou no Ministério do Planejamento de 2011 a 2016, durante o Governo Dilma.

Infraestrutura e energia

Como integrantes da equipe temática que está levantando os dados e fará o diagnóstico da Infraestrutura estão o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) e a ex-ministra e ex-presidenta da Caixa, Míriam Belchior.

No grupo técnico de Minas e Energia o PT também está muito bem representado pelo senador Jean-Paul Prates, especialista no setor; Maurício Tolmasquim, que atuou em várias funções no setor elétrico durante o Governo Lula; Fernando Ferro, ex-deputado federal e engenheiro elétrico e Giles Azevedo, geólogo, ex-conselheiro da Itaipu Binacional.

Tanto nos temas governamentais abordados, assim  como na maioria dos outros 31 que foram definidos pelo Gabinete de Transição Governamental, o PT contribui com a experiência de seus quadros técnicos, além da participação efetiva de parlamentares e de lideranças atuantes em suas respectivas áreas.

Categorias
notícia

2ª Feira Pertinho de Casa terá dobradinha com o 6º Encontro de Brechós

A parceria será realizada na Praça do Reggae de São Luís, dia 3 de dezembro, a partir das 16h, com shows, discotecagem, brechós e mais.

Circulação de economia, geração de oportunidades, ocupação do Centro Histórico de São Luís e criação de conexões são marcas de dois importantes projetos realizados em São Luís – e que, para suas novas edições, resolveram unir forças, com uma programação gratuita e imperdível.

No próximo dia 3 de dezembro, serão realizadas: a 2ª Feira Pertinho de Casa, depois do sucesso da estreia, que reuniu centenas de pessoas na Rua de Nazaré e na Travessa Couto Fernandes; e uma nova edição do Encontro de Brechós (E.D.B), em comemoração aos 6 anos de atuação da iniciativa no Centro da capital maranhense (por mês, até três edições do evento são realizadas na cidade).

A parceria será realizada na Praça do Reggae de São Luís (localizada no Centro Histórico, ao lado do Museu do Reggae), a partir das 16h (com previsão de encerramento às 22h), com shows, atração infantil, discotecagem, brechós e expositores.

A proposta desta ação conjunta é de valorizar a cultura local e somar forças no empoderamento da mulher maranhense. Entre as atrações confirmadas, está a cantora Emanuele Paz, conhecida na cena cultural de São Luís, com shows em festivais e espaços culturais do Maranhão.

Além da artista, outras atrações culturais serão reveladas nos próximos dias – assim como o nome dos expositores e brechós participantes.

Feira Pertinho de Casa

A Feira Pertinho de Casa integra o movimento “Pertinho de Casa”, iniciativa da Rede Asta, Organização Social que atua há 16 anos articulando negócios sociais, sustentáveis e empreendedores – as sedes são localizadas no Rio de Janeiro e São Paulo, em parceria com a Accenture, e em São Luís, com a execução e apoio da Organização NAVE (ONG Nave).

A feira visa a conexão de empreendedores e consumidores de toda a Região Metropolitana de São Luís, possibilitando a troca de experiências e fomentando o consumo local, com empreendedores maranhenses apresentando a diversidade de seus produtos.

A expectativa é fazer com que o povo maranhense possa se conectar dentro do evento e criar possibilidades para os expositores da Plataforma Pertinho de Casa a nível econômico, cultural e empreendedor, potencializando também o território maranhense.

Já o movimento Pertinho de Casa (articulado pela ONG NAVE, uma Organização sem Fins Lucrativos que tem 15 anos de existência), que abarca o projeto da Feira Pertinho de Casa, visa possibilitar que os microempreendedores tenham uma plataforma digital a seu favor para comercializar seus produtos.

Encontro de Brechós

O Encontro de Brechós (E.D.B) é um movimento de economia criativa, colaborativa, sustentável e beneficente que, desde 2016, ocupa espaço no Centro Histórico de São Luís, com a reunião de pequenos negócios, do brechó ao artesanato e shows culturais, para fazer a economia circular, se conectar e fortalecer o coletivo.

O E.D.B surgiu da necessidade de fortalecer a economia colaborativa em um contexto de pequenos (as) empreendedores que geram seus negócios de maneira totalmente independente e sem muitos privilégios.

A forma colaborativa de propor os pequenos negócios possibilita a troca de conhecimentos e amplia o alcance do negócio, sendo uma alternativa às formas que exigem um custo alto para obter recursos. Outro ponto importante é a consciência sobre a importância de ocupar espaços públicos, em especial o Centro da capital maranhense.

Outro destaque da atuação do Encontro de Brechós ao longo de seis anos é a doação de itens não perecíveis, seja de alimentação ou higiene, para grupos em vulnerabilidade social de São Luís. Para os organizadores, é uma forma política de se unir em torno de questões sociais que precisam de assistência e voz.

Mais

Expositores interessados em participar do evento podem se inscrever até o dia 23 de novembro, por meio do link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSf3xLSMQOe2ijmmeHY9K7r8zwnF0JYv6oZ1lKgI_DINDkfR4A/viewform.

Para acompanhar todas as novidades do evento, basta acessar os perfis do Encontro de Brechós (https://www.instagram.com/encontrodebrechosslz/), ONG Nave (https://www.instagram.com/nave_ong/) e Pertinho de Casa Nacional (https://www.instagram.com/pertinhode.casa/) e São Luís (https://www.instagram.com/pertinhodecasa.slz/) no Instagram.

Outra dica é que a plataforma digital Pertinho de Casa está em São Luís e já conta com mais de mil empreendedores cadastrados. Para se cadastrar e/ou obter mais informações, acesse: https://www.pertinhodecasa.com.br/.

Serviço

O quê: 2ª Feira Pertinho de Casa e 6 anos do Encontro de Brechós;

Quando: dia 3 de dezembro, a partir das 16h;

Onde: na Praça do Reggae de São Luís (localizada no Centro Histórico, ao lado do Museu do Reggae);

Contato: (98) 999682033 – Gustavo Sampaio.

Categorias
notícia

O povo negro e o futuro governo Lula, por Benedita da Silva

Dia da Consciência Negra este ano traz esperança de retomada das políticas contra o racismo, de acordo com a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ)

Hoje, os negros de nosso país celebrarão o Dia da Consciência Negra, homenagem à luta de Zumbi dos Palmares contra a escravidão. Desta vez, depois de sete anos, podemos ter esperança real na retomada das políticas contra o racismo e de promoção da igualdade racial.

A última vez em que celebramos essa data num governo que, de fato, combatia o racismo foi em 2015, com a presidente Dilma. A partir do golpe de Estado parlamentar de 2016, todas as nossas conquistas sofreram retrocessos, sobretudo durante o governo assumidamente racista de Bolsonaro.

Nos governos do PT, de Lula e Dilma, os negros obtiveram grandes conquistas, entre as quais destaco as mais emblemáticas, como a política de cotas nas universidades públicas, a criação da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e o Estatuto da Igualdade Racial.

Além disso, todas as políticas de inclusão, como a valorização real do salário mínimo, o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida beneficiavam diretamente a maioria preta e parda da população brasileira. Mais do que o respeito e a garantia dos direitos constitucionais de cidadania da população pobre e preta das favelas e periferias, foi o compromisso dos governos do PT um dos principais motivos do impeachment de Dilma Rousseff.

Constituindo-se num dos fatores decisivos para a épica eleição de Lula, o voto dos negros, ao lado do voto das mulheres, da juventude e do Nordeste, representa a inegável força da consciência negra e dá todo o sentido às celebrações otimistas do Dia 20 de Novembro.

Na eleição mais espúria de nossa história, a esmagadora maioria do povo negro não se deixou enganar e votou consciente contra quem era seu verdadeiro inimigo e a favor daquele que poderia reabrir seus caminhos para avançarmos novamente na nossa luta contra o racismo e a exclusão social – as duas faces da moeda que configuram a dívida social e racial do Brasil.

A chamada Abolição apenas trocou a escravidão pela discriminação racial e a exclusão social. Ao racismo estrutural, se somaram o racismo institucional e o preconceito racial realimentado na educação familiar e nas escolas para se revelar com a força brutal da discriminação e da violência que mata a população negra, sobretudo seus jovens.

Segundo os últimos dados do Atlas da Violência e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 77% das vítimas de homicídio no Brasil são negras. Entre 2017 e 2018, 61% das mulheres vítimas de feminicídio eram negras. E a taxa de negros e negras desempregadas era de 16%, acima da média nacional de 12%. Estudo do IBGE mostra que em 2021 o rendimento médio dos brancos (R$ 3.099) era 75,7% maior do que o registrado entre os pretos (R$ 1.764)

Depois de a fome ser praticamente extinta pelos governos do PT, a necropolítica de Bolsonaro fez o Brasil voltar ao Mapa da Fome, com 33 milhões de pessoas sem ter o que comer e mais de 105 milhões vivendo em insegurança alimentar.

Os desafios do povo negro consciente são imensos, e sua permanente mobilização será fundamental para fazer um presidente assumidamente antirracista, como é Lula, conseguir retomar nossas conquistas e avançar ainda mais nas políticas públicas de promoção da igualdade racial.

As mais disputadas eleições de nossa história mostraram que os negros avançam à medida que avança a sua consciência racial, como foi o caso do voto maciço dos afrodescendentes em Lula. Esse talvez seja o principal significado do Dia 20 de Novembro, o Dia da Consciência Negra.

Benedita da Silva
Deputada federal pelo PT-RJ, ex-governadora do Rio de Janeiro e primeira senadora negra do Brasil

* Artigo publicado originalmente no Globo online.

Imagem destacada / Deputada Federal Benedita da Silva (PT-RJ). Foto: Gustavo Bezerra