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1º de Maio é dia de luta, memória e reafirmação de direitos

Apruma – Celebramos as trabalhadoras e os trabalhadores que, cotidianamente, constroem este país e lembramos que nenhuma conquista veio sem mobilização. Ainda as, salários dignos, melhores condições de trabalho, valorização profissional e o fim da escala 6 × 1 seguem como pautas urgentes.

No âmbito dos(as) docentes federais, os avanços que hoje chegam aos contracheques, com a recomposição salarial implementada neste mês de abril, são resultado direto da greve de 2024, construída pelo ANDES-SN e pela Apruma Seção Sindical. Foi a luta coletiva que garantiu esse passo.

Mas essa luta continua. Seguimos mobilizados(as) pelo cumprimento integral do acordo de greve e na defesa intransigente da educação pública, gratuita, laica e de qualidade.

Por direitos, dignidade e por vida além do trabalho. Viva a luta das trabalhadoras e trabalhadores!

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Programa “História em Debate” aborda greve histórica no ABC

Nesse sábado, 2 de maio, o programa História em Debate, apresentado pelo jornalista e historiador Marcos Saldanha, das 10h30 às 12h, na Rádio e TV Timbira, vai pautar as memórias de uma das greves mais importantes do movimento sindical na região do ABC Paulista.

A edição especial, alusiva ao 1º de maio, Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, terá como tema a mobilização, organização e resistência de operários e operárias da fábrica Motores Perkins-Maxion, na região do ABC, em São Paulo, retratadas no livro “Memórias da luta de classe: a histórica união e organização dos trabalhadores e trabalhadoras na Motores Perkins-Maxion”, lançado em agosto de 2025 pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Para falar sobre esse importante momento de luta da classe trabalhadora, o “História em Debate” vai entrevistar:

Eduardo Magalhães Rodrigues, sociólogo, professor universitário, pesquisador, doutor em planejamento territorial.

Olga Kosimenko Gregio, trabalhou na área administrativa da empresa Perkins Maxion, de 1976 a 1985.

Carlos Anselmo Souza Rocha, trabalhou 21 anos na Perkins Maxion, no setor de manutenção elétrica.

PLATEIA AO VIVO

O programa será acompanhado presencialmente, no estúdio da Rádio e TV Timbira, por 47 estudantes de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) pelo Pronera (Programa Nacional de Educação da Reforma Agrária), a convite do jornalista e professor da disciplina História do Jornalismo, Ed Wilson Araújo.

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Meu lugar

Eloy Melonio

“Tamo chegando/Tchan tchan tchan”
“Tamo chegando/Tchan tchan tchan”

Esses versinhos animados eram cantados pelas minhas filhas de seis e sete anos quando estávamos perto do nosso destino. Adivinhe aonde estávamos chegando!

Quarenta anos depois, na última quinta-feira de abril (2026), eu e minha esposa estávamos numa situação idêntica: no carro, tentando cantar alguma coisa para distrair o cansaço. Nesse dia, chegamos em casa às 12h50, depois de uma manhã que invadiu a nossa tarde. Esperávamos estar de volta às 10h30, mas… Depois de concluídos seus exames médicos, ela estava, enfim, liberada. A caminho de casa, o sol do início da tarde tinia, o trânsito daquele jeito, quase parando. Antes de casa, uma paradinha na feira do bairro, e só.

Em casa, era como se tivéssemos chegado a uma recepção. O Léo e a Fany (papagaio e cadela) esperavam por nós como quem espera um visitante ilustre. Com essa acolhida, a certeza de que estar em casa nos bastava. Mesmo se nada tivéssemos para comer, o pão de ontem seria caviar no almoço de hoje.

Existe melhor lugar que a nossa casa? “Não e não” — minha resposta para mim mesmo e para o mundo. E aí comecei a tecer esta crônica. Já escrevera sobre muitas coisas, mas nem uma palavra sobre o nosso “ninho” era inaceitável.

E logo me veio à cabeça “Lar, Doce Lar”, quadro do programa “Domingão com Huck” (REDE GLOBO) em que uma pessoa é sorteada para ter a sua casa reformada. O verbo “agradecer” entra em cena e dá um show de felicidade. A alegria dos sortudos quase não cabe na tela da tevê. Mas a felicidade cabe no coração de cada uma dessas pessoas.

Um estímulo me incita a parafrasear estes versos do poeta português Antônio Nobre (1867-1900): “Felicidade! Felicidade!/ Ai quem me dera na minha mão!/ Um lar de verdade,/ Com paz e amor no coração” (Só [e-Book]/ 2015).

Do poder público, o “Minha Casa, Minha Vida” já entregou milhares de casas próprias. Imagine uma família que sempre morou de aluguel entrando numa casa que pode chamar de sua. Vivi essa experiência em 1980, quando me mudei para “minha” casa num conjunto da Cohab, saindo de uma porta-e-janela alugada para uma casa com terraço, quintal e demais dependências.

No GLOBO REPÓRTER de 17 de abril deste ano (2026), um tema interessante: “influenciadores digitais”. Chamou a minha atenção o fato de que muitos deles trabalham de casa. Cercados da família, num ambiente aconchegante. Entre eles, o rapaz da Rocinha, favela do Rio de Janeiro, ganhou meus aplausos porque, apesar de jovem, seu foco era a sua família. Moravam de aluguel, mas ele já estava construindo a sua casa no padrão dos seus sonhos. Percebi que, em seu coração, nascia um lar.

Chegar em casa não é apenas chegar ao nosso cantinho, onde estão as pessoas e as coisas de que gostamos. É, na verdade, desfrutar a intimidade das nossas conversas, rir das nossas gargalhadas, pisar no chão onde mora o nosso coração.

Quando uso o termo “lar”, a ideia é uma só, especialmente, se “uma for várias coisas juntas e misturadas”, como descreve Casimiro de Abreu: “Eis meu lar, minha casa, meus amores” (No Lar/1859). Palavras simples, emolduradas de intenso lirismo.

Tenho muitas histórias sobre as casas onde morei depois de casado. Umas por mais tempo que outras. Em todas, um refúgio onde o tempo parecia não querer ir embora. Precisamente seis, e, nesta última, felizmente, reside o descanso de um lar para o resto das nossas vidas.

Essa certeza é quase uma oração, especialmente, quando penso na música “De Volta pro Aconchego”: “Estou de volta pro meu aconchego/ Trazendo na mala bastante saudade” (Elba Ramalho/1985). Nesse abraço com a saudade, divido com a artista esse sentimento de estar no lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas.

Pois é! Nessa vibe sentimental, um versinho soa-me inesquecível: “Easy like Sunday morning” (“Tranquilo como um domingo de manhã” [tradução minha]), de Lionel Ritchie/1977). Estar no aconchego do lar, seja qual for o dia ou a hora, sempre é muito bom. Mas, se for num domingo — como dizem os abençoados, — “é uma bênção”.

Voltando ao início desta crônica, você já sabe aonde estávamos chegando?

Ninguém duvida que, para qualquer criança pequena, ir para a escola é pura diversão. Voltar para casa — mesmo cansada e com fome — é o maior barato. E, se quiser seguir o exemplo das crianças, fique à vontade quando estiver chegando do trabalho ou de qualquer compromisso longe de casa: “Tô chegando/ Tchan tchan tchan”.

Eloy Melonio é poeta, escritor e compositor

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Estudantes de Comunicação podem concorrer a R$ 2 mil no Prêmio Sebrae de Jornalismo 2026

Premiação reconhece produções sobre empreendedorismo, inovação e pequenos negócios e abre espaço especial para universitários maranhenses

Para quem está na universidade e busca transformar boas pautas em reconhecimento profissional, o Prêmio Sebrae de Jornalismo surge como uma grande oportunidade. Com inscrições abertas, a iniciativa vai premiar o melhor conteúdo jornalístico produzido por estudantes de graduação em Comunicação, nas modalidades Texto, Áudio, Vídeo ou Fotojornalismo.

Podem se inscrever universitários matriculados em instituições públicas e privadas do estado, além de recém-formados que concluíram a graduação entre 2025 e 2026, desde que o material inscrito no prêmio tenha sido desenvolvido durante o período de estudos.

Os trabalhos podem ser individuais ou em grupo, mas precisam contar com a orientação de pelo menos um docente e estarem vinculados a disciplinas ou projetos do curso, como jornal-laboratório, revista-laboratório, produções em áudio ou vídeo, e jornalismo digital.

As inscrições seguem até o dia 8 de junho e podem ser feitas pelo site oficial da premiação:  https://premiosebraejornalismo.com.br/

O prêmio valoriza trabalhos que abordem temas ligados ao empreendedorismo e ao impacto dos pequenos negócios no desenvolvimento social e econômico, destacando assuntos como inovação, inclusão produtiva, sustentabilidade, empreendedorismo feminino e transformação digital.

PREMIAÇÃO DAS CATEGORIAS

Na etapa estadual, o trabalho vencedor da categoria Jornalismo Universitário recebe R$ 2 mil, além de troféu e classificação para as próximas fases da premiação.

Além da categoria universitária, o prêmio contempla as modalidades Texto, Áudio, Vídeo e Fotojornalismo. Na fase estadual, os três melhores trabalhos de cada uma dessas categorias recebem premiação em dinheiro: R$ 5 mil para o primeiro lugar, R$ 4 mil para o segundo e R$ 3 mil para o terceiro colocado.

Na fase final, os campeões das categorias principais recebem um notebook, enquanto o vencedor de Jornalismo Universitário ganha um celular de última geração. Entre os premiados nacionais, ainda é escolhido o vencedor do Grande Prêmio Sebrae de Jornalismo.

Para o diretor Superintendente do Sebrae Maranhão, Albertino Leal, a diversidade de categorias permite que diferentes formatos e experiências sejam valorizados, incluindo o olhar de quem ainda está em formação.

“Mais do que o formato, o prêmio tem como foco a qualidade: são valorizados trabalhos que apresentem relevância temática, consistência na apuração, força narrativa e compromisso com histórias que evidenciam o impacto do empreendedorismo na sociedade. Pontos estes estritamente ligados à missão do Sebrae como agente de transformação nos territórios”, afirma.

MARANHÃO REGISTRA CRESCIMENTO NO NÚMERO DE INSCRITOS

Nos últimos anos, o Maranhão tem ampliado sua participação no prêmio, acompanhando o fortalecimento das pautas voltadas ao empreendedorismo e ao desenvolvimento territorial. Entre 2022 e 2025, o número de trabalhos inscritos no estado saltou de 21 para 157, estabelecendo um novo recorde de participação.

Segundo o gerente de Comunicação do Sebrae Maranhão, João Torres, esse crescimento revela uma maior atenção da imprensa e também do ambiente acadêmico para temas que impactam diretamente a realidade local. “O crescimento das inscrições acompanha a ampliação de pautas voltadas ao empreendedorismo, à inovação e ao desenvolvimento territorial, indicando que os jornalistas maranhenses têm se dedicado cada vez mais a contar histórias que evidenciam o impacto dos pequenos negócios na transformação de comunidades e na geração de oportunidades”, afirmou.

Siga o Sebrae – Acompanhe conteúdos, oportunidades e informações atualizadas por meio dos canais digitais do Sebrae no Maranhão: Instagram (@sebraemaranhao) e YouTube (youtube.com/sebraemaranhao) e Agência Sebrae de Notícias (https://ma.agenciasebrae.com.br) .

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PT afina discurso, define prioridades e reforça união em 8º Congresso Nacional

O Partido dos Trabalhadores reforçou sua unidade durante o 8º Congresso Nacional com a aprovação de um manifesto político ao país e foco na reeleição do presidente Lula como prioridade. As lideranças do partido consideraram o saldo do encontro positivo.

“O PT sai unido, sai unido com todo mundo, tendo clareza e consciência de que a prioridade é a reeleição do presidente Lula”definiu Jilmar Tatto, secretário executivo do Congresso. Tatto considera que o partido conseguiu fazer debates de alto nível.

Veja aqui a íntegra do Manifesto.

O deputado também ressaltou que as sugestões consolidadas no 8º Congresso serão encaminhadas ao presidente Lula. Entre os temas citados por ele estão a tarifa zero no transporte público e a consolidação da escala de trabalho 5×2. “São temas que estamos mandando para o presidente avaliar para os próximos quatro anos”, explicou.

Tatto indicou que o congresso continuará após as eleições, com a reforma do programa e do estatuto do Partido dos Trabalhadores. “Agora é todo mundo focar em fazer a campanha do Lula e, no primeiro semestre de 2027, reorganizar o PT para que ele continue grande, forte e cuidando da vida do povo”, finalizou.

“Projeto que o povo brasileiro precisa e merece”

Celebrando as conquistas do evento, o presidente do PT, Edinho Silva, destacou o desenvolvimento do manifesto do partido apresentado durante o congresso. “O documento mostra o PT e que queremos: um partido aberto diálogo, junto à sociedade”, destacou Edinho em suas redes sociais.

“Fizemos muitos e vamos fazer ainda mais porque o projeto do Presidente Lula é o projeto que o povo brasileiro quer, precisa e merece.”

Leia mais no site do PT

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Esperando o PT…

A disputa eleitoral no Maranhão tem muitos ingredientes e condicionantes, mas um é especialmente forte: para onde vai o PT de Lula, que tem um histórico de boa votação no estado.

Existem três caminhos:

1 – Candidatura própria liderada pelo vice-governador Felipe Camarão, rompido com o atual governador Carlos Brandão;

2 – Aliança com o pré-candidato Eduardo Braide (PSD), que já definiu uma pré-candidata a vice “Deus, pátria e família” – bolsonarista raiz;

3 – Manutenção da aliança com o grupo do governador Carlos Brandão, que tem como pré-candidato o seu sobrinho Orleans Brandão (MDB);

Ninguém arrisca dizer qual será o desfecho. Até agora existem muitas expeculações e opiniões, mas a palavra final será de Luiz Inácio Lula da Silva.

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Violência nos EUA alimenta a extrema direita para as eleições de novembro

Nos Estados Unidos, qualquer pessoa com 18 anos de idade pode chegar em um supermercado e comprar rifles, espingardas e muinções, com pouca burocracia.

Historicamente, o processo de construção desse país ocorreu de forma violenta, baseada em diversos tipos de ódio.

A violência é cultural, estimulada à última potência com o acesso da extrema direita ao poder institucional.

Violência gera audiência, desperta atenção e provoca engajamento. Os comunicadores da extrema direita têm pleno conhecimento de que sangue é um ativo eleitoral muito relevante no país que idolatra armas e mortes.

Nesse momento, ditante do enorme desgaste do presidente Donald Trump, correndo o risco de ser derrotado nas eleições legislativas de meio de mandato, em novembro de 2026, um atentado coloca o ocupante da Casa Branca na condição de vítima.

Uma suposta tentativa de matar o presidente é um fato relevante para o trumpismo misturar fatos e versões com desinformação, mentira, negacionismo, teorias conspiratórias e fanatismo religioso.

Todo esse chorume produzido pelo lixo trumpista vai servir de alimento aos seus seguidores faccionados.

Tiros, polícia, ambulâncias, sirenes, sensacionalismo, espetacularização, câmeras, ação… é tudo que a extrema direita precisa para manter a facção trumpista alimentada, lambendo o líquido fétido que escorre nos esgotos de New York.

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O poeta vê o futuro: Olavo Bilac prenuncia a televisão

A crônica abaixo foi escrita pelo escritor, poeta e jornalista Olavo Bilac para o primeiro número da revista Kosmos, em 1904. Maravilhado com a dinâmica das mudanças tecnológicas, Bilac antecipa o cenário que levaria ao surgimento da televisão, mas advertindo que os novos inventos poderiam decretar a morte do livro.

Se Bilac estivesse vivo hoje, ele faria um texto semelhante sobre a ameaça da Internet para o velho suporte de papel?

Segue a crônica.

Mais de quatro séculos nos separam do tempo em que os impressores de Moguncia e Strasburgo – espalhando pela Europa algumas folhas volantes, com as notícias da guerra entre gregos e turcos e das victórias do Sultão Mahotmet II – crearam o veículo rápido do pensamento humano, a que se deu depois este curto, mágico, prestigioso e expressivo nome: “jornal”. Aquelles boletins dos discípulos e continuadores de Guttemberg foram, de facto, o núcleo gerador d’esta immensa e dilatada imprensa de informação, que avassalla a terra, dirigindo todo o movimento commercial, político e artístico da humanidade, pondo ao seu próprio serviço, à medida que aparecem, todas as conquistas da civilização, aumentando e firmando de anno em anno o seu domínio – e chegando a ameaçar de morte a indústria do livro, como acabam de confessar a um redactor de ‘La Revue’ todos os grandes editores da capital franceza.

Quem está matando o livro não é pròpriamente o jornal: e, sim, a revista, sua irmã mais moça, cujos progressos, no século passado e neste começo de século, são de uma evidencia maravilhosa. Mas o “jornal” e a “revista” confundem-se, formando juntos a província maior da imprensa, e aperfeiçoando-se juntos, numa evolução contínua, que ninguém pode prever quando nem como alcançará o seu último e summo estadio.

Justamente, agora, nos últimos dias de 1903, dois physicos francezes, Gaumont e Decaux, acabam de achar uma engenhosa combinação do phonographo e do cinematographo – o chronophono -, que talvez ainda venha a revolucionar a indústria da imprensa diária e periódica. Diante do apparelho, uma pessoa pronuncia um discurso: o chronophono recebe e guarda esse discurso, e, d’ahi a pouco, não somente repete todas as suas phrases, como reproduz, sobre uma tela branca, a figura do orador, a sua physionomia, os seus gestos, a expressão de sua face, a mobilidade dos seus olhos e dos seus lábios.

Talvez o jornal futuro seja uma applicação desta descoberta… A atividade humana aumenta, n’uma progressão pasmosa. Já os homens de hoje são forçados a pensar e a executar, em um minuto, o que os seus avós pensavam e executavam em uma hora. A vida moderna é feita de relâmpagos no cérebro, e de rufos de febre no sangue. O livro está morrendo, justamente porque já pouca gente pode consagrar um dia todo, ou ainda uma hora toda, à leitura de cem páginas impressas sobre o mesmo assumpto. Talvez o jornal futuro – para attender à pressa, à ansiedade, à exigência furiosa de informações completas, instantâneas e multiplicadas – seja um jornal fallado, e illustrado com projeções animatographicas, dando, a um só tempo, a impressão auditiva e visual dos acontecimentos, dos desastres, das catastrophes, das festas, de todas as scenas alegres ou tristes, sérias ou fúteis, d’esta interminável e complicada comédia, que vivemos a representar no immenso tablado do planeta…

Por agora – enquanto não chega essa era de supremo progresso -, contentemo-nos com o que temos, que já não é pouco…

[Extraída de Poesias, de Olavo Bilac, organização e prefácio de Ivan Teixeira, Editora Martins Fontes, São Paulo, 1997]

Publicado em 31 de dezembro de 2005

Fonte: Revista Educação Pública

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Alagamentos, Plano Diretor e Lei de Zoneamento em São Luís

A cidade não alaga somente pelo excesso de chuvas. O acúmulo de água nas ruas e avenidas dos corredores principais e nos bairros, principalmente da periferia, são sintomas da ocupação desorganizada dos territórios, pressionados pela especulação imobiliária e pelas constantes pressões do capital especulativo para reduzir radicalmente a zona rural de São Luís.

Sem a zona rural viva e preservada, a cidade, cada vez mais impermeabilizada, vai sofrer rigorosas consequências das emergências climáticas.

Quem nasceu e cresceu em São Luís sabe que em 2026 sequer tivemos um inverno regular, com precipitações permanentes de janeiro a maio. As chuvas mais intensas só caíram, até agora, em abril. Os meses anteriores foram de pancadas d’água esparsas.

A Prefeitura de São Luís já realizou a revisão do Plano Diretor e caminha para oficializar a revisão da Lei de Zoneamento. A tendência é conjugar a legislação urbanística para transformar a outrora e bucólica “ilha do amor” em uma cidade portuária e industrial, atendendo aos interesses das indústrias pesadas, do agronegócio e da especulação imobiliária.

Esse é o jogo de forças que atua para eliminar paulatinamente a zona rural, que tem vários níveis de importância:

1 – É lugar de moradia;

2 – É a reserva de cobertura vegetal, com dupla função: regular a temperatura da cidade e como área de absorção e penetração das chuvas para alimentar os lençóis freáticos;

3 – É um território de modo de vida rural, que resiste ao novo sentido da cidade-condomínio;

4 – É um espaço de produção agrícola, de saberes, práticas e afetos distintos das formas de vida convencionais da vida tipicamente urbana (pavimentada, concretada, impermeabilizada e fechada em muros);

5 – Tem importância estratégica para o planeta: o local conectado ao global;

Por tudo isso, se a zona rural não tiver vida, a cidade será cada vez mais alagada.

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Literatura

A potência do silêncio em Maksim Górki

O silêncio não significa exatamente ausência. Ele pode ser preenchido por múltiplos sentidos, como o trecho abaixo, do clássico “Infância”, de Maksim Górki, obra primorosa da literatura russa e universal.

A cena refere-se à visão das personagens Ciganinho e do próprio Górki, em um fim de tarde.

“Era bom ficar calado com ele, junto à janela, me apertar a ele e ficar uma hora inteira sem falar nada, observando como, no céu vermelho do entardecer, em torno das cúpulas douradas, em forma de cebola, da igreja da Assunção, as gralhas negras esvoaçavam, rodopiavam, levantavam vôo para bem alto, baixavam e, de repente, depois de parecerem cobrir com uma rede preta o céu que aos poucos se apagava, desapareciam não se sabia onde, deixando um vazio atrás de si. Quando a gente vê isso, não tem vontade de falar nada, e uma melancolia agradável enche o peito.” (Górki, Infância, Abril Coleções Clássicos, 2010, p. 32