Categorias
notícia

As músicas desconhecidas de Belchior e Frédéric Pagès

Ed Wilson Araújo

Os alunos têm sempre algo a ensinar para os professores. Esse é o principal sentido de Paulo Freire. E foi assim na primeira aula da disciplina Roteiro para Rádio de 2020. Durante a interação com os estudantes, informei a turma sobre o evento “Diálogos Insurgentes”, que teria a participação dos artistas Frédéric Pagès e Celso Borges.

Ao anunciar o evento contei aos alunos que Pagès, quando jovem, participou ativamente do movimento Maio 68. Logo depois o aluno Ailton Lima sacou uns versos da música Os profissionais, de Belchior, cuja letra é uma crítica ácida aos jovens rebeldes que se converteram em yuppies.

Eu nunca tinha ouvido Os profissionais e fiquei impressionado diante da inventividade do saudoso Belchior com aquela música cantada em um ritmo totalmente estranho ao seu estilo. Isso, por si só, já seria uma provocação?!

Logo na primeira estrofe, ele pergunta e responde:

Onde anda o tipo afoito
Que em 1-9-6-8
Queria tomar o poder?
Hoje, rei da vaselina,
Correu de carrão pra China,
Só toma mesmo aspirina
E já não quer nem saber.

A música é atualíssima para entender os recuos de alguns rebeldes que se entregaram ao sistema, convertidos aos seus próprios interesses, ajoelhados diante da luz feiticeira do vil metal. Na vasta floresta dos idealistas, Belchior distingue os revolucionários dos “yuppies sabor baunilha”, parâmetro para o “herói de boutique / dos chiques profissionais”.

Realizado pelas secretarias de Direitos Humanos (Sedihpop) e Ciência e Tecnologia/Inovação (Secti), os “Diálogos Insurgentes” das águas de março trouxeram ao palco o tema “arte e resistência”, abordados por Frédéric Pagès e Celso Borges em um animado bate-papo com a plateia, no teatro Alcione Nazaré.

Em tempos de avanço das forças conservadoras e do obscurantismo, a dupla palestrante colocou a arte em seu devido lugar, ou fora de qualquer enquadramento, visto que na interpretação de Borges e Pagès a criação estética é visceral e transgressora. Quando age, engendra sedução, inquietude e subversão, carregando a imensurável força de reencantar a realidade. Em tudo isso, arte tem poder!

No dia seguinte aos “Diálogos Insurgentes”, Frédéric Pagès participou da roda de conversa “Literatura (en)cantada: empoderar-se da língua”, juntamente com a professora Joelma Correia (UFMA) e o músico Wesley Sousa. O trio tratou com carinho as relações entre Pedagogia e arte para um auditório lotado e perseverante, no campus do Bacanga.

Pagès relatou sua afinidade com o pensamento de Paulo Freire e Darcy Ribeiro, sintetizando a longa jornada do processo de formação do ser humano: “Educação é tarefa para a vida inteira”, cravou.

Em Diadema, na grande São Paulo, o francês desenvolveu um projeto com jovens da periferia, construindo junto com rappers o protagonismo de um refinado material didático sobre Literatura, envolvendo texto, música e performance.

No experimento de Diadema, a pedagogia sonora é o esteio da Literatura que, cantada, encanta. Assim, um texto Machado de Assis ganha vida na música. Esse trabalho de transposição passa por um navegar de corpo e alma no universo das palavras corporificadas na voz dos intérpretes rappers.

Escritor, cantor, compositor e produtor, Frédéric Pagès desenvolve suas atividades na música e na Literatura entre a França e o Brasil há 40 anos, período em que participou de inúmeros projetos culturais de intercâmbio entre os dois países.

Entre outras “artes”, em 2019 Pagès se autoproclamou presidente da França, inspirado no ator brasileiro José de Abreu.

Na sua estada em São Luís ele apresentou canções e poemas no pocket show “Passion Brésil”, versão sintética do espetáculo homônimo estreado recentemente, em Paris, celebrando quatro décadas de relação com a cultura brasileira, que também dá título ao seu CD lançado em 2019.

Veja abaixo vídeos do cantor.

Leia mais sobre a carreira de Frédéric Pagès aqui

Do que vi e ouvi de Pagès, deu para perceber que ele não se enquadra na crítica precisa de Belchior sobre os rebeldes que se perderam no meio do caminho.

Oh! L’age d’or de ma jeunesse!
Rimbaud, “par delicatesse
J’ai perdu (também!) ma vie!”

Em tradução direta:

Oh! A idade de ouro da minha juventude!
Rimbaud “por delicadeza
Perdi (também!) minha vida! “

O artista franco-brasileiro não parece cansado de guerra. Na sua maturidade, empunha na arte e no discurso as bandeiras do jovem ativista do Maio 68. Ele segue na marcha da utopia, encantando as pessoas com o poder mágico das palavras e dos sons.

Assim, as músicas (não mais) desconhecidas de Belchior e Frédéric Pagès (ouça aqui) agora fazem parte de um saboroso aprendizado.

Veja abaixo a letra de Belchior.

Os profissionais

Onde anda o tipo afoito
Que em 1-9-6-8
Queria tomar o poder?
Hoje, rei da vaselina,
Correu de carrão pra China,
Só toma mesmo aspirina
E já não quer nem saber.

Flower power! Que conquista!
Mas eis que chegou o florista
Cobrou a conta e sumiu
Amor, coisa de amadores
Vou seguir-te aonde f(l)ores!
Vamos lá, ex-sonhadores,
À mamãe que nos pariu!

Oh! L’age d’or de ma jeunesse!
Rimbaud, “par delicatesse
J’ai perdu (também!) ma vie!”
(Se há vida neste buraco
Tropical, que enche o saco
Ao ser tão vil, tão servil!)

E então? Vencemos o crime?
Já ninguém mais nos oprime
Pastores, pais, lei e algoz?
Que bom voltar pra família!
Viver a vidinha à pilha!
Yuppies sabor baunilha
Era uma vez todos nós!

Dancei no pó dessa estrada…
Mas viva a rapaziada
Que berrava: “Amor e Paz!”
Perdão, que perdi o pique…
Mas se a vida é um piquenique
Basta o herói de butique
Dos chiques profissionais.

I have a dream… My dream is over!
(Guerrilla de latin lover!)
Mire-se o dólar que faz sol
Esplim, susexo e poder,
Vim de banda e podes crer:
“Muito jovem pra morrer
E velho pro rock ‘n’ roll!”

Imagem destacada: Pagés foi ativista e escreveu livro sobre Maio 68
Foto capturada neste site

Categorias
notícia

Reflexões sobre Educação

Texto do estudante de Rádio de TV da UFMA, Teodoro Montenegro, construído a partir do evento “Literatura (En)cantada: empoderar-se da língua”, realizado dia 6 de março de 2020, no auditório central da Universidade Federal do Maranhão

“O Pequeno Príncipe” é um livro difícil de explicar. Talvez, porque a narrativa se construa dentro de quem lê, não importa se criança ou adulto: o que se encontra no livro não é uma estória já processada, mas sim uma estória vivida por quem lê. Esse era o método utilizado para alfabetização, o qual, magistralmente, explicavam Wesley Sousa, Joelma Correia e o convidado francês Frédéric Pagès, durante o evento “Literatura (En)cantada: empoderar-se da língua”. “Brincar com as palavras, não pensar com elas”. Essa frase foi dita pela (antes de tudo) alfabetizadora Joelma Correia, que afirmava ter encontrado nos franceses (inclusive no convidado) a fórmula de “entender a alfabetização das crianças”. Coincidência ou não, “O Pequeno Príncipe” é de um autor francês – Saint-Exupéry. Os palestrantes do evento foram responsáveis por fomentar a discussão sobre a educação no século 21, pondo em questão os métodos pedagógicos herdados do século passado, que também fez parte do processo de colonização do Brasil (que perdura até hoje).

O ensino no Brasil é cercado por quem possui o privilégio de mantê-lo. Em algumas escolas do Brasil, principalmente particulares, o ensino é padronizado, seguindo as normas capitalistas de ensino ao desempenho técnico e de trabalho, onde a histórias das minorias sociais muitas vezes é romantizada, quando não excluída. Sendo uma forma de ensino nada acessível para alunos que têm quaisquer dificuldades de acompanhar o ritmo das aulas, o aluno se torna refém da sua própria educação. Mostra-se mais cabível esse modelo “bancário”, denominado por Paulo Freire, onde o professor deposita informação no aluno a ser apenas reproduzida posteriormente, para a manutenção de estruturas sociais que insistem em preservar mais privilégios do que direitos igualitários. Nas palavras da própria Joelma Correia: “crianças de classe popular devem ser impedidas de serem idiotizadas”.

O que os palestrantes trouxeram para discussão foi uma forma universal de ensino. As brincadeiras da infância foram (e são) a melhor escola que o ser humano já teve. A criança improvisa um roteiro, descobre as vontades antes de seus nomes, as entendem de dentro para fora. Enfim, existem várias formas de explicar esse método, pois além de vários autores já o terem descrito (Walter Benjamin, em “O Narrador”, diz que o narrador é alguém que ensina, que consegue dar conselho, torna comunicáveis suas experiências), é um método que se desenvolve na sua própria natureza, como um diálogo entre o mundo exterior e o indivíduo. “Educação dialógica” foi o termo utilizado pelo educador Paulo Freire para descrever a educação à base de estimular a criança a aprender através de suas próprias experiências. A única forma possível é usando a sua própria realidade de ferramenta educativa. É uma forma compartilhada de ensino, há uma troca de ideias entre aluno e professor e entre aluno e aluno: a única forma de preservar algo é tornando-o comum a todos.

Isso, segundo a alfabetizadora Joelma Correia, é o que seria uma educação verdadeiramente acessível. Muito se fala, no âmbito político, em construir mais escolas, aumentar qualidade do ensino etc. Porém, o problema se encontra no “como?”, quais os métodos utilizados neste momento para a educação infantil e quais suas reais consequências – questiona a alfabetizadora (?). Torna-se extremamente necessária a discussão desses métodos pedagógicos, visto que o planeta Terra está entrando em colapso por todos os âmbitos: social, político, ecológico, econômico… E tudo isso tendo origem na educação que foi criadora e criatura de uma estrutura tóxica para quem a ela pertence, algo que (literalmente) nos é ensinado e que acaba sendo o próprio problema, por isso, também, que as experiências se tornam primordiais para o ensino como um todo.

Categorias
notícia

Em São Luís, PSOL cobra a elucidação dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes

Neste sábado (14), completam 2 anos que a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes foram brutalmente assassinados e o crime ainda é cercado de mistérios. Até agora os mandantes não foram revelados pelas autoridades policiais.

A pergunta não cala: afinal, quem mandou matar a vereadora e o motorista?

Em São Luis, como forma de chamar a atenção da sociedade para esse brutal assassinato, que é considerado por muitos como um atentado à democracia, o Diretório Municipal do PSOL vai realizar sábado pela manhã, a partir das 9h, na praça Deodoro (Centro), um ato de protesto, que contará com intervenções artísticas e culturais, além de panfletagem.

O ato também tem como objetivo cobrar da Justiça o total esclarecimento do crime. Os executores já estão presos e vão a júri popular; entretanto, passados dois anos, ainda não foram descobertos os mandantes e nem a motivação do brutal assassinato.

Categorias
notícia

Feira da Resex Tauá-Mirim tem nova edição na UFMA

A Feira da Reserva Extrativista de Tauá-Mirim, com produtos cultivados na zona rural de São Luís, monta suas bancas na cidade universitária (campus do Bacanga) nessa quarta, 11 de março, a partir das 9h.

As bancas serão montadas na rua próxima ao prédio da pós-Graduação em Políticas Públicas.

Haverá a comercialização de produtos orgânicos de vários bairros de São Luís e também comidas típicas para a venda e consumo no local.

Categorias
notícia

1ª escola bilíngue da rede estadual abre período de confirmação da matrícula

O Governo do Estado iniciará, nesta segunda-feira (9), o período de confirmação da  matrícula dos estudantes selecionados no processo de pré-matrícula para ingresso na primeira escola bilíngue integral da rede pública estadual. Foram ofertadas 80 vagas para o primeiro ano do Ensino Fundamental, destinadas a crianças com 6 anos de idade ou a completar até 31 de março de 2020.

As matrículas serão realizadas nestas segunda e terça-feira, 9 e 10 de março, respectivamente, das 8h às 16h, na sede da Unidade Regional de Educação de São Luís (URE), localizada na Rua do Cema, n° 39, bairro Vila Palmeira.

Os estudantes foram selecionados por meio de critérios, que levaram em consideração a renda familiar de até dois salários mínimos, sendo garantidas 10% das vagas para cadastrados no programa Bolsa Família; distância do bairro ou distrito (em km) do candidato ao Centro de Ensino, de acordo com a lei nº 8069 de 13/07/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente. 

A prioridade para o ingresso na escola bilíngue foi dada aos residentes dos bairros Rio Anil, Maranhão Novo, Vila Palmeira, Vila dos Nobres, Ipase de Baixo, Bequimão e Alto do Pinho, e proximidade  residência – escola, conforme indicação cartográfica das imagens do sistema Google Earth. Além disso, foi considerada também a ordem cronológica de acesso ao portal da pré-matrícula.

O Centro de Ensino Fundamental Bilíngue Integral do Maranhão está sediado na Avenida Contorno, n° 55, bairro Rio Anil, em São Luís. O início do ano letivo está agendado para 16 de março.

Categorias
notícia

Frédéric Pagès apresenta canções e poemas no pocket show “Passion Brésil”

Menos de quatro meses depois do show “Passion Brésil”, em Paris, Pagès realiza em São Luís, neste sábado (7 de março), às 19h, o espetáculo com adaptações – em formato de pocket show – no café Casa di Amici, na Península da Ponta D’areia.

Acompanhado de Luiz Cláudio, na percussão; Chico Nô, no violão; Zezé, na flauta transversa; e de Periandro Barreto, que faz participação especial em duas canções, Frédéric Pagès celebra 40 anos de relação cultural com o Brasil.

Cantor, compositor e produtor, Frédéric Pagès desenvolve suas atividades na  música e na literatura entre a França e o Brasil há 40 anos, período em que participou de inúmeros projetos culturais franco-brasileiros.
 
Dos onze discos que já lançou, oito foram gravados parcialmente ou inteiramente no Brasil, onde já fez várias turnês de norte a sul em pelo menos 12 capitais, com apoio, parceria ou patrocínio da Aliança Francesa, Embaixada da França, prefeituras de Belém, Belo Horizonte, Diadema e Fortaleza, bem como da Biblioteca Nacional, SESC, Petrobras e Fundação Tancredo Neves.
 
Já participaram das suas gravações artistas como Mônica Salmaso, Paula Morelenbaum, Andrea Pinheiro, Juarez Moreira, Mauro Rodrigues, Lelo Nazario, Rodolfo Stroeter, Mauricio Einhorn, Albery Albuquerque, entre outros.
 
Pagès criou também os “Concertos Literários”, espetáculos e CDs que associam textos de grandes autores da literatura mundial (entre eles Guimarães Rosa e Raul Bopp) a músicas inéditas – especialmente criadas para esses eventos.
 
Com os “Concertos Literários”, se apresentou no Centre Pompidou e na Cité de la Musique em Paris, além de festivais como os de La Villette, na capital francesa, de Lodève, no sul da França, de Lucca, na Itália, e nos salões do livro de Paris, Montreuil, Belém e Porto Alegre.
 
Durante esses anos todos, além de cantar, compor e gravar, Frédéric Pagès atuou como um verdadeiro mediador cultural entre a França e o Brasil,  produzindo na Europa artistas como Hermeto Pascoal e os grupos ”Um” e “Pau Brasil”, comunicando ao público francês a verdadeira paixão que ele tem pelo Brasil e propondo ao público brasileiro sua versão sutil e criativa da cultura francesa.  

Ao completar 40 anos de relação cultural com o Brasil em
2019, lançou o CD e o show Passion Brésil. O espetáculo, realizado no Studio Raspail, cravado no coração de Montparnasse, tradicional bairro de artistas de Paris, também contou com projeções de documentários e debates sobre o atual contexto político brasileiro, afirmando, na ocasião, que “é inescapável tratar da gravidade das coisas que estão acontecendo no Brasil, sobretudo porque não vejo a arte como algo dissociado da resistência”.

Depois de participar de vários eventos na capital maranhense, dialogando sobre arte, resistência e pedagogia, o jornalista e escritor francês apresenta também suas habilidades musicais. Sobre a afetividade por São Luís, construída com antigas e novas amizades, o cantor justifica a escolha.

“Foi algo que acabou acontecendo por acaso e que se transformou numa excelente coincidência, porque vim a São Luís para participar de dois debates sobre outros temas com os quais tenho relação e acabei encontrando, aqui na cidade, a oportunidade de me juntar a esses grandes músicos para comemorar meus 40 anos de Brasil também na Ilha do Amor”, explica.

SERVIÇO

Show: Passion Brésil, de Frédéric Pagès

Data: sábado, 07/03

Horário: 19h

Local: Casa di Amici – Rua das Hortências, Península da Ponta D’areia

Preço: Couvert de R$ 10,00 (simbólico)

Discografia de Frédéric Pagès:
Chansons Métisses (AGEM productions)
Les Jeux de la Tribu “Cantata Atipica”  (Divina Comedia)
Récits du Sertão (Le Grand Babyl)
Un Certain Jean Sulivan (Le Grand Babyl)
La Chanson de Victor Hugo (Le Grand Babyl)
Tam-tam les mots ! (Le Grand Babyl)
Lettre-Océan/ Carnet de voyages aux Brésils (Le Grand Babyl)
Cobra Norato (Le Grand Babyl)
Entre Délices et Terreur (Le Grand Babyl)
Manual de Literatura Encantada ( Zulu Nation Brasil /Le Grand Babyl)
Passion Brésil (Le Grand Babyl)
 
facebook.com/pages/Frédéric-Pagès
fredericpages.bandcamp.com/
 
Gravação do “Concert Littéraire Récits du Sertão” no site da BPI do Centre Pompidou (Beaubourg) em Paris:
http://archives-sonores.bpi.fr/fr/doc/1961/Les+Recits+du+Sertao
Frédéric Pagès no Youtube:
Frédéric Pagès “Je suis dans la danse étrange” http://www.youtube.com/watch?v=yEZfKjtz08E
 
Frédéric Pagès “Cargo Mixte”
http://www.youtube.com/watch?v=V3fL2haz40Y
 
Frédéric Pagès “Oh qu’un vieil autocar ! “
http://www.youtube.com/watch?v=7fTIlirPjNk
Le Grand Babyl (Channel)
https://www.youtube.com/channel/UCUTopBGe-orcOo87BEI1QYw
Contato:
frpages@yahoo.fr

Categorias
notícia

Em São Luís, mulheres organizam ato e caminhada contra governo de Bolsonaro

O 8 de março é o Dia Internacional de Luta das Mulheres. Em São Luís, diversas atividades serão realizadas, em alusão a essa data, entre elas um Ato Unificado, no dia 09 de março, segunda-feira, com concentração a partir das 15h, na Praça Deodoro, que sairá em caminhada pelas ruas do Centro de São Luís, encerrando com atividades culturais na Praça dos Catraeiros, na Praia Grande – Centro.

Este ato está sendo organizado pelo Fórum Maranhense de Mulheres, organização que realiza o 8 de Março, em São Luís, há várias décadas, em parceria com várias outras organizações sociais e movimentos de mulheres, centrais sindicais, partidos do campo progressista, sindicatos, órgãos públicos voltados para as políticas de proteção e apoio as mulheres.

O 8 de Março é, historicamente, um dia de luta e em vários lugares do mundo mulheres em toda a sua diversidade de culturas e demandas levantam sua voz para reivindicar direitos, inclusive o de viver.

No Brasil, as ações realizadas neste mês de março reafirmam a necessidade de continuar lutando pela conquista e manutenção de direitos, reconhecimento e igualdade da mulher. Porém, diante da escalada reacionária do governo Bolsonaro, inclusive de convocar manifestação para fechar o Congresso e o Supremo, além das reformas, do desmonte do serviço público, do corte de verbas em educação, saúde e assistência social; a pauta do movimento de mulheres, em 2020, é contra Bolsonaro, contra os discursos de ódio machistas e racistas que vem tirando a vida de várias pessoas, incluindo o aumento do feminicídio.

O Oito de Março é a primeira atividade deste ano, do movimento popular e sindical, em defesa da democracia e dos direitos sociais.

Ao refletir sobre o Dia Internacional de Luta das Mulheres, é importante destacar que elas são um dos segmentos mais prejudicados pela Reforma da Previdência e Trabalhista, principalmente as mulheres negras, que já sofrem com as suas duras jornadas, terão suas condições de vida e trabalho ainda mais afetadas com a implementação dessas reformas.

Neste mês também completam dois anos do brutal assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Silva, e até hoje não se sabe quem são os mandantes desse crime de ódio, A luta das mulheres passa também por um grito pedindo Justiça.

Portanto, no dia 14 de Março, a partir das 15h, terá um Ato pelos dois anos de impunidade e no dia 18/03, as mulheres também estarão nas ruas pela democracia, em defesa da educação e do serviço público, a partir das 16h, ambas as manifestações acontecendo na Praça Deodoro, Centro.

O que: Ato Unificado pelo Dia de Luta das Mulheres

Onde: Concentração na Praça Deodoro

Horário: 15h

Categorias
notícia

Diálogos Insurgentes: jornalista francês Frédéric Pagès e o poeta Celso Borges conversam sobre arte e resistência

Censura, resistência e arte serão novamente abordados na 16ª edição do Diálogos Insurgentes, que irá receber o cantor, ator e jornalista francês Frédéric Pagès e o poeta, letrista e jornalista maranhense Celso Borges

A 16ª edição traz a parceria inédita entre a Secretaria de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) e a Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia (Secti) no Diálogos Insurgentes. O tema arte e censura não é novidade no evento, que já recebeu em sua 14ª edição o ator, diretor e produtor cultural Sérgio Mamberti.

Com o tema “Arte da resistência, Resistência da arte”, e mediação do jornalista e professor da UFMA Ed Wilson Araújo, a dupla promete aos participantes, uma viagem por meio das histórias que permeiam as lutas das atividades culturais entre Brasil e França, como a Resistência Francesa ao nazismo e o movimento Maio 68, do qual Pagès foi uma das figuras de destaque.

Frédéric Pagès, um dos convidados da edição, pontua que “a arte não é arte se não denuncia todas as formas de opressão e de aviltamento do ser humano. Se não é exigência constante de dignidade, de lucidez e de criatividade”.

O objetivo dos Diálogos Insurgentes é ampliar o debate intersetorial e transversal de temas contemporâneos relacionados aos Direitos Humanos, assim contribuindo para a disseminação da cultura e educação em direitos humanos nos diversos segmentos da sociedade.

O secretário de Estado dos Diretos Humanos e Participação Popular, Francisco Gonçalves, destacou que a 16ª Edição do “Diálogos Insurgentes” será mais uma boa oportunidade para que os maranhenses tenham acesso a um debate sobre a censura. “Não bastasse a onda de intolerância religiosa, os artistas também sofrem diferentes formas de censura, como a demonização da categoria; a disseminação de fake news sobre a Lei Rouanet e os cancelamentos de shows e exposições, por exemplo. É preciso, neste caso, defender a liberdade de pensamento e criação artística, prevista na Constituição Federal”, pontuou.

CONHEÇA OS DEBATEDORES

*Frédéric Pagès*

Cantor-viajante, Frédéric Pagès navega na fronteira da música e da literatura, lá onde dançam as palavras e onde os textos e ritmos se enlaçam, para tentar reencantar um mundo sob sombras. 

Vivendo há quarenta anos entre a França e o Brasil, concebeu e realizou incontáveis projetos culturais nos dois países, como o “Manual de Literatura Encantada”, um Livro-CD criado e gravado com dez jovens rappers profissionais da periferia de São Paulo, colocando vozes e ritmos, sob sua direção, em textos da literatura brasileira clássica e moderna.

Passion Brésil, seu último disco, é uma “revista de viagem cantada”, gravado no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Belém com alguns dos melhores instrumentistas do Brasil.

Figura de destaque do Maio 68, e também articulista na imprensa francesa e em revistas brasileiras (Cult, Bravo e no.com), Frédéric Pagès lançou na França, em 2018, junto com Jacques Brissaud e Olivier de La Soujeole, a obra “Maio 68 está diante de nós”, livro no qual rememora os eventos desse período tão marcante na história do século XX, vivido por ele tão intensamente, na perspectiva de compreender e de mensurar a sua significação nos dias atuais.

*Celso Borges*

Poeta e letrista, parceiro de Zeca Baleiro, Chico César, Criolina, Gerson da Conceição e Nosly, entre outros compositores, Celso Borges tem 10 livros de poesia editados, entre eles Pelo avesso (1985); Persona non grata (1990); XXI (2000), Música (2006), Belle Époque (2010) e O futuro tem o coração antigo (2013). Vem publicando desde 2016 a série Poéticas Afetivas, títulos em formatos menores e tiragens pequenas. Dentro desse projeto estão os livrinhos Poemas delicados, A árvore envenenada, Carimbo Carinho e Visão todos em parceria com artistas visuais, entre eles Claudio Lima e Márcio Vasconcelos. 

Desde 2005, o artista desenvolve projetos de poesia falada no palco, utilizando referências que vão da música popular brasileira às experiências sonoras de vanguarda e cultura popular. Como resultado desse trabalho fez Poesia Dub, com o jornalista Otávio Rodrigues; A Posição da Poesia é Oposição, com o guitarrista Christian Portela e o percussionista Luiz Claudio; e Sarau Cerol com o compositor Beto Ehongue.

Celso Borges tem poemas publicados nas revistas Coyote e Oroboro, Poesia Sempre, Germinal etc e foi co-editor das revistas culturais Guarnicê (1983/1986), Uns & Outros (1984/1987) e Pitomba! (2011/2014). Com Zeca Baleiro co-produziu o CD A Palavra Acesa de José Chagas (2013). Quatro anos depois, homenageou outra poeta maranhense, Bandeira Tribuzi, produzindo Pão Geral – Tributo a Tribuzi. Os dois discos tiveram a participação de vários artistas brasileiros.

Evento: Diálogos Insurgentes com Frédéric Pagès e Celso Borges

Quando: 05 de março (quinta-feira)

Hora: 17h30 

Onde: Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa Filho)

Inscriçãoparticipa.ma.gov.br (vagas limitadas)

Categorias
notícia

Maranhenses terão mostras competitivas exclusivas no 43º Festival Guarnicê de Cinema

Realizadores maranhenses ou de filmes de curtíssimas, curtas e longas-metragens, reportagens televisivas de caráter documental e especial, seriadas ou não, videoclipes e filmes publicitários que tenham temas relacionados diretamente ao Estado do Maranhão terão mostras competitivas exclusivas no 43º Festival Guarnicê de Cinema. As inscrições são online, gratuitas e podem ser feitas até o dia 27 de março deste ano no site do evento: guarnice.ufma.br.

Os curtas deverão ter duração de até 30 minutos; longas a partir de 50 minutos, curtíssima-metragem até 60 segundos; videoclipe deverá acompanhar a duração da música; reportagem televisiva de caráter documental e especial, seriada ou não, deverão rigorosamente ter duração de 3 a 6 minutos e filme publicitário deverá ter duração máxima de até 90 segundos. Com realização da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), por meio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec), via Diretoria de Assuntos Culturais (Dac), a 47ª edição do festival acontecerá de 05 a 12 de junho/20, em São Luís/MA.

Segundo a Pró-reitora da Proec, Profª. Drª. Zefinha Bentivi, o realizador maranhense “deverá indicar na ficha de inscrição se deseja participar da Mostra Nacional Competitiva Guarnicê de filmes longas e curtas-metragens e da Mostra Competitiva Guarnicê de Filmes Maranhenses de curtas e longas-metragens ou somente da Mostra Competitiva Guarnicê de Filmes Maranhenses de curtas e longas-metragens”.

Categorias
notícia

A Vale e as tragédias ambientais no Maranhão

Justiça nos Trilhos divulga nota pública sobre navio carregado de minério da Vale encalhado próximo à costa maranhense

A Justiça nos Trilhos (JnT), associação de pessoas, comunidades, movimentos sociais, igrejas, sindicatos e grupos de pesquisa, que atuam em defesa dos direitos das comunidades que vivem nas áreas atravessadas pela Estrada de Ferro Carajás (EFC), nos estados do Pará e do Maranhão, se manifesta publicamente sobre a real ameaça de naufrágio do navio MV Stellar Banner carregado de minério da Vale e que encontra-se encalhado próximo à costa do Maranhão desde o início desta semana. Externamos nossa preocupação com o acidente, tanto pelo risco ambiental às águas e ecossistemas locais como em relação à integridade física e vida dos trabalhadores da cadeia de mineração e logística.

Segundo informações da imprensa, da mineradora Vale e da Capitania dos Portos do Maranhão, o navio Stellar Banner, operado pela empresa sul-coreana Polaris com destino a um comprador em Qingdao, na China, sofreu uma avaria na proa, apresentando “ao menos dois locais com entrada de água nos compartimentos de carga por volta das 21h30 desta terça (25) e começou a afundar no Oceano Atlântico”, a causa pode ter sido uma fissura no casco. A embarcação de 340 metros de comprimento com capacidade para 300 mil toneladas de minério de ferro, encontra-se encalhada em um banco de areia há cerca de 100 km de São Luís, após uma manobra do comandante afim de evitar o naufrágio.

A Marinha disse, em nota, que “instaurou um inquérito administrativo para apurar causas, circunstâncias e responsabilidades do incidente”. E informou que um gabinete de crise foi estabelecido “para tratar os possíveis danos ambientais advindos do encalhe da embarcação ‘Stellar Banner’ e dos planos de desencalhe e salvatagem para a retirada desta embarcação do local”.

Exigimos da empresa Vale e Marinha do Brasil que forneçam informações atualizadas sobre o plano de salvatagem e que sejam adotadas medidas rápidas e eficazes  para controle dos efeitos do vazamento de combustível já detectado e com imagens amplamente divulgadas na mídia. Exigimos informações atualizadas sobre as medidas tomadas pelo IBAMA sobre o caso.

O acidente na costa maranhense gera muita preocupação e questionamento quanto à segurança adotada no transporte de minério da Vale, uma vez que não é o primeiro caso envolvendo esse tipo de embarcação. Em 2011, também no Maranhão, o supercargueiro Vale Beijing, estaleiro sul coreano STX com capacidade para 400 mil toneladas de minério de ferro, também apresentou problemas e risco de afundar no litoral do Estado. No ano de 2017, um navio cargueiro com capacidade para mais de 260 mil toneladas de minério afundou com 24 tripulantes na costa do Uruguai, causando a morte de 22 pessoas. O navio era um Stellar Daisy, operado pela Polaris Shipping, da Coreia do Sul, que transportava minério de ferro carregado no terminal da Ilha Guaíba, da mineradora Vale, no Rio de Janeiro, com destino à África do sul. O jornalista R.T. Watson em reportagem de maio de 2017 para o site Bloomberg, relata que após o naufrágio fatal, navios que atendiam a Vale foram inspecionados e que pelo menos dois deles necessitaram de reparos. As embarcações em questão eram do tipo Stellar, chamados de VLOCs (Very Large Ore Carriers), que eram navios-petroleiros antes de serem convertidos.

O site Portos MA traz histórico dos maiores acidentes já registrados no Complexo Portuário do Estado do Maranhão, um deles causados pela Vale, em 1994, quando ainda era estatal. Em 11 de novembro, o navio Trade Daring partiu ao meio em pleno procedimento de carga, duas partes da embarcação afundaram parcialmente, bloqueando o píer I por mais de um mês. Foi necessária uma “mega operação para liberar o terminal que ficou completamente parado por exatos 35 dias”.

Vale lembrar também o naufrágio da Plataforma Sep Orion no canteiro de obras do Pier IV do Terminal Portuário Ponta da Madeira (TPPM/Vale), ocorrido no dia 30 de setembro de 2012. Esse componente da expansão do sistema Carajás foi construído para aumentar a capacidade de exportação de minério de ferro. Na ocasião, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma Ação Civil Pública (ACP 0011645-58.2013.4.01.3700 8 ª Vara da Justiça Federal do Maranhão) contra a Vale S.A e Eusung O&C CO Ltda, na qual houve condenação da Vale a “retirar integralmente as estruturas” que se encontravam submersas na Baía de São Marcos e a recuperar o ambiente da área degradada. A ACP com pedido de liminar foi proposta pelo MPF, em abril de 2013, em “razão da demora na execução do plano de retirada do material submerso”. Havia se passado cinco meses do naufrágio e o material não havia sido removido, trazendo risco à segurança e ameaçando o equilíbrio e preservação do meio ambiente.

Até quando a empresa Vale vai continuar se envolvendo em tragédias ambientais? Como confiar numa empresa que está envolvida nos principais desastres ambientais do Brasil e detém o maior projeto de mineração do pais? Quando a prática empresarial da Vale irá de fato apresentar uma atuação sustentável como a apresentada em suas propagandas? Como o governo ainda permite que essa empresa envolvida em todos esses fatos atue sem uma fiscalização severa e sem ser responsabilizada pelas violações que provoca?

Nós, da Justiça nos Trilhos, seguimos atentos e atentas ao caso e consideramos imprescindível que seja realizado um amplo monitoramento da situação destes navios tanto pelo histórico de acidentes como pelo porte e a potencial capacidade de danos ambientais e humanos graves.

São Luís – MA, 27 de fevereiro de 2020