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Exclusivo! A eleição para o Senado no Maranhão e o trabalho de Lula

Fonte: Agência Tambor

Nós fizemos uma avaliação objetiva de sete nomes citados como possíveis candidatos ao Senado pelo Maranhão em 2026.

(Confira abaixo a lista com a avaliação.)

Muito se fala sobre a eleição para governador. No entanto, a disputa para o Senado desperta ainda maior interesse, para o futuro do país.

O Brasil renovará dois terços do Senado a partir de 2027. A eleição afetará mais de 65% das cadeiras, com a escolha de dois novos senadores por estado.

O bolsonarismo buscará ampliar sua bancada. Trata-se da extrema direita que criou o orçamento secreto, foi responsável pelo caos na pandemia de Covid-19 — que causou mais de 700 mil mortes —, promoveu o desmonte de políticas sociais, estimulou o terror na Amazônia e tentou um golpe de Estado. É esse grupo que pretende obter maioria no Senado.

O detalhe fundamental da eleição

O presidente Lula liderou, em 2022, o processo político e eleitoral que impediu o avanço dessa extrema direita. Hoje, ele conduz um governo bem avaliado, com resultados positivos, e é o candidato natural à reeleição.

Os candidatos ao Senado nos diferentes estados — comprometidos com os princípios democráticos — estarão alinhados à nova candidatura de Lula. Serão candidaturas casadas.

Diante da atual conjuntura do Maranhão, marcada por incertezas na definição dos candidatos ao governo, é fundamental ressaltar que Lula e o trabalho que ele realiza têm interesse direto em todas as eleições para o Senado.

Esse interesse é um detalhe fundamental para o fechamento das alianças.

O cenário de 2026 não permite omissões nem vacilos. O enfrentamento é contra uma extrema direita que planejou a morte de autoridades, incluindo o assassinato do próprio presidente Lula.

Veja abaixo a avaliação de sete nomes citados como possíveis candidatos ao Senado pelo Maranhão:

Carlos Brandão – O atual governador do Maranhão seria um dos candidatos de Lula ao Senado, caso fosse cumprido o acordo firmado em 2022, que levou o próprio Brandão ao PSB, em uma articulação envolvendo o PT e o então governador Flávio Dino.

Ele, no entanto, cogita permanecer no cargo até o fim do mandato, abrindo mão da candidatura. Seu projeto prioritário seria a eleição do sobrinho para o cargo de governador, mantendo a família no controle do Estado.

Felipe Camarão – Vice-governador do Maranhão, filiado ao PT, é o herdeiro político de Flávio Dino e pré-candidato ao governo do Estado, contando atualmente com o aval do diretório nacional do PT.

Como ocorre com todos os outros pré-candidatos ao governo, é possível que ele venha a disputar outro cargo nas eleições, com o Senado surgindo como opção. O plano A com Felipe é o governo, mas, caso a conjuntura o empurre para o Senado, o cenário pode lhe colocar em boas condições.

Eliziane Gama – Atualmente senadora e aliada do presidente Lula, participou ativamente da campanha que elegeu o atual presidente em 2022 e, desde 2019, está na linha de frente do enfrentamento à extrema direita, destacando-se em diferentes CPIs.

Em apenas um mandato, conquistou por três vezes o Prêmio Congresso em Foco como a melhor parlamentar do Senado, o que não é pouca coisa. Única mulher efetivamente na disputa maranhense pelo Senado e evangélica desde o berço, tem sido alvo, no Maranhão, de diversos ataques bolsonaristas.

Weverton Rocha – Atualmente, é senador e aliado de Lula. Tentou obter o apoio do PT para a eleição ao governo em 2022, mas não conseguiu. A partir daí, distanciou-se relativamente do palanque do atual presidente. No entanto, tanto no Senado quanto, anteriormente, na Câmara dos Deputados, tem votado e atuado em favor dos governos comandados pelo PT.

Seu grande problema atualmente são as gravíssimas denúncias de fraudes no INSS, caso em que a Polícia Federal chegou a pedir sua prisão em dezembro, o que lhe causou, naturalmente, grande desgaste junto à opinião pública. Ao longo deste mês de janeiro, diversos veículos de imprensa do país continuam repercutindo o assunto, associando Weverton aos fraudadores do INSS.

André Fufuca – Deputado federal e atual ministro dos Esportes do governo Lula. Foi aliado do ex-presidente Michel Temer, de Jair Bolsonaro (em quem votou em 2022) e hoje é aliado de Lula. Muito articulado no chamado Centrão, tem apenas 36 anos, sendo o mais jovem desta lista.

O PP, partido de André Fufuca, determinou no ano passado que ele deixasse o Ministério dos Esportes. Ele desobedeceu ao partido e seguiu no governo. É evidente que uma possível candidatura dele ao Senado passaria por um acordo com Lula. É o óbvio.

Roberto Rocha – Foi senador entre 2015 e 2023. Ex-aliado de Flávio Dino em 2014, rompeu pouco tempo depois. Assim como a maioria dos políticos do Maranhão, tem origem conservadora. No seu caso, porém, esteve na linha de frente do bolsonarismo a partir de 2019. É crítico ferrenho do atual trabalho realizado pelo STF. Já declarou publicamente que, neste ano, pode ser candidato ao Senado ou ao governo do Estado.

Pedro Lucas Fernandes – Deputado federal, atualmente está inteiramente alinhado à extrema direita. Assumiu a liderança da bancada do União Brasil na Câmara dos Deputados e foi um dos sete deputados federais do Maranhão que votaram a favor dos criminosos que recentemente tentaram um golpe de Estado. Ele votou na chamada PL da Dosimetria, para reduzir as penas dos que planejaram matar Lula.

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O bairro João Paulo no rádio: TCC da UFMA produz documentário sobre o famoso JP

Obteve nota 9,0 o TCC dos alunos do Curso de Rádio e TV da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Cledilson Silva Rocha, João Victor Macedo Sousa e Joelma Santos Baldez, intitulado “Um oásis no meio do caminho: documentário radiofônico sobre o bairro João Paulo.” (veja no final os links para ouvir)

A pesquisa tomou como objeto de estudo um dos territórios mais tradicionais de São Luís, o bairro João Paulo, no passado denominado “Prado”.

Na modalidade projeto experimental, a pesquisa apresentou a fundamentação teórica e um produto – documentário radiofônico em quatro episódios – abordando o processo de formação histórica, econômica, religiosa, as vivências comunitárias, os espaços de formação política e cultural do bairro.

O trabalho foi orientado pelo professor Ed Wilson Araújo e teve a banca examinadora formada pela professora Rose Ferreira e o docente Saylon Sousa.

A peça documental sistematizou informações bibliográficas e depoimentos de várias personagens marcantes na história do bairro, a exemplo dos fazedores de cultura, empreendedores, lideranças comunitárias, educadores, guardiãs das memórias integrantes de espaços de resistência como o Centro de Cultura Negra, a Feira do João Paulo, a Escola de Samba Mangueira e a tradicional Festa de São Marçal (encontro de grupos de bumba-meu-boi de matraca no encerramento do período junino)

O TCC também propôs as formas de inserção do documentário em emissoras públicas, incluindo as rádios comunitárias, como forma de atender às exigências da modalidade projeto experimental, visando dar visibilidade à peça prática da pesquisa.

Ouça abaixo os quatro episódios (pela ordem: 1, 2, 3 e 4)

1 – FLORESCEU DESTE CHÃO

2 – AO POVO O QUE É DO POVO

3 – EU SOU O SAMBA

4 – ENTRE AS TOADAS E A VOLTA PARA CASA

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Lixo nos grandes eventos é caso de saúde pública

Chega! Não se pode mais naturalizar as imagens de sujeira nas festas de grande porte. Os megaeventos precisam construir soluções para atenuar os efeitos do descarte de latas, pets e garrafas de vidro no asfalto e na areia da praia.

Os espaços de entretenimento não podem ser transformados em lixões a céu aberto, que, embora temporários, serão despejados no único aterro sanitário do Maranhão, o Titara, localizado em Rosário.

Ainda há tempo de conter uma catástrofe maior em São Luís, já castigada pelo ar poluído e quase todas as praias contaminadas por esgoto sem tratamento.

Estamos diante de casos graves de degradação ambiental que afetam a coletividade. Isso é sim caso de saúde pública!

É o momento de construir uma força tarefa envolvendo Governo do Estado, Prefeitura de São Luís, iniciativa privada e organizações não governamentais para atenuar o impacto do lixo nos corredores de folias.

Cabe uma especial atenção às associações e cooperativas de materiais recicláveis como protagonistas do manejo dos resíduos gerados nas festas. Os catadores e as catadoras são trabalhadores estratégicos para criar uma cultura de aproveitamento, geração de renda e também sensibilizar os foliões para curtir as festas com alguma percepção ambiental.

É necessário que os governos estadual e municipal elaborem campanhas educativas e propaganda intensa nos meios de comunicação para orientar os foliões sobre o descarte adequado em equipamentos previamente destinados para recolher os resíduos.

A gigantesca massa de lixo recolhida a cada show vai gerar impactos diretos e indiretos na população, seja a médio ou longo prazos.

É fundamental, portanto, pensar agora em alternativas de manejo para os resíduos sólidos.

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Começam hoje as audiências de revisão da Lei de Zoneamento de São Luís

As audiências públicas para discutir a Lei de Zoneamento de São Luis iniciam nessa terça-feira, dia 20, às 18h, na Quadra Poliesportiva da Unidade de Educação Básica (UEB) José de Ribamar Bogéa, na rua 10, sn, quadra 105, Cidade Olímpica.

Veja na imagem destacada o calendário completo das audiências.

A Lei de Zoneamento é um instrumento essencial no planejamento da cidade.

Está ocorrendo uma pressão intensa do grande capital vinculado aos setores imobiliário, industrial e portuário para reduzir a zona rural de São Luís.

Se isso acontecer, teremos graves consequências na qualidade de vida de toda a população.

A zona rural precisa ser preservada como lugar de moradia, trabalho, produção agrícola e reserva de água (recarga de aquíferos).

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Trabalho, geração de renda e oportunidades são temas do Espaço Público

As políticas públicas implantadas pela Secretaria de Estado do Trabalho e da Economia Solidária (Setres) estarão em pauta no podcast Espaço Público desta terça-feira, 20 de janeiro, das 20h às 21h, na rádio comunitária Bacanga FM.

Vamos receber Luiz Henrique Lula, jornalista e secretário de Estado do Trabalho e da Economia Solidária (Setres) no Governo do Maranhão.

Espaço Público é uma produção da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço) no Maranhão, transmitido pela rádio Bacanga FM, em parceria com a Agência Tambor e a Rede Abraço de emissoras FM e webradios.

O programa tem apresentação de Ed Wilson Araújo, Martonio Tavares e participação especial de Luís Augusto Nascimento. A operação é de Valmarley Pinto.

Acompanhe e participe pelo site https://www.radiobacangafm.com.br/ e nas nossas redes sociais

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Imperialismo: os EUA da “boa vizinhança”

No decorrer dos 1930 – 40, os Estados Unidos (EUA) inauguram mais um capítulo na sua estratégia imperialista. Surge a “Política da Boa Vizinhança”, na gestão do presidente Franklin Delano Roosevelt.

A estratégia consistia em trocar a violência do “grande porrete” (big stick), símbolo da doutrina América para os americanos, pelo soft power (força leve), uma espécie de faz de conta que os EUA eram amigos da América Latina.

Cinema, música, desenhos animados e revistas em quadrinhos produzidos em Hollywood e na Disney invadiam as nossas vidas para criar o conceito dos EUA como nação amiga, colaborativa e solidária.

O filme “Saludos Amigos” (“Alô, amigos”) é uma das principais referências da Política da Boa Vizinhança.

Criado por Walt Disney, o filme protagoniza no Brasil o encontro entre as personagens Pato Donald e Zé Carioca.

Enquanto o Pato Donald é símbolo da prosperidade e competência para multiplicar a sua fortuna, Zé Carioca é brasileiro malandro, beirando a vagabundagem, estereótipo da população subdesenvolvida.

Mas, apesar das diferenças, eles são amigos, seguindo o enredo diplomático da Política da Boa Vizinhança.

“Alô, amigos” incorpora também a estrela Carmen Miranda, cantora brasileira que foi cooptada pela indústria cultural estadunidense e transformada na musa da Política da Boa Vizinhança.

A música “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, marca do filme, emoldura as cenas do Brasil bonito, pacífico, ordeiro, receptivo, e, de certa forma, aberto à submissão imperialista.

Acesse o link e leia o artigo completo.

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Oscar Wilde: a “fotografia” deformada quando não havia Inteligência Artificial

“O retrato de Dorian Gray”, único romance do escritor irlandês Oscar Wilde, é uma criação literária fantástica. Publicada em 1890-1891, a obra toda é composta em torno de uma pintura em culto ao belo Dorian Gray, jovem de formosura extraordinária eternizado no quadro de autoria do artista Basil Hallward.

Dorian, desejoso da juventude eterna, faz um pacto para que ele permaneça mancebo e belo, enquanto a sua imagem na pintura, aos poucos, envelhece, deformada em rugas, sulcos, manchas e outras marcas da degeneração ao longo do tempo.

A genialidade do autor, Oscar Wilde, ao desfigurar a imagem, ressignifica o sentido da imutabilidade da pintura, um objeto analógico carcomido por várias deformações.

Era este o protocolo do pacto, no qual Dorian permaneceria eternamente formoso, contrastando o envelhecimento da pintura e a eterna juventude do retratado.

Assim, ao longo da trama, a imagem vai absorvendo os atos pecaminosos do retratado, enquanto ele goza do viço da beleza.

Gozo esse atormentado por vários episódios trágicos. Um deles, a morte súbita da sua grande paixão, uma atriz de teatro suburbano, prometida em casamento.

A obra é atravessada por diálogos extraordinariamente construídos em uma ousada crítica à aristocracia da sociedade britânica na Era Vitoriana.

O recurso da ironia refinada marca o estilo da escrita, ferina e saborosa, exaltando a hipocrisia, o cinismo, a ambição, a indiferença e outros tantos valores morais decadentes dos ingleses podres de ricos.

A estética que marca o texto em melopeias e a fanopeias é bem perceptível na tradução de José Eduardo Ribeiro Moretzsohn.

O enredo segue com várias peripécias, aumentando ao extremo a tensão entre Dorian Gray e a sua pintura em monstruosa deformação.

Vou ficar por aqui para não dar spoiler sobre o desfecho da obra…

Já no mundo real, o autor, Oscar Wilde, também teve uma vida atribulada, que se complicou após ser denunciado, processado r condenado à prisão com trabalhos forçados por ter um relacionamento homossexual.

A sua maior condenação, no entanto, foi o ostracismo. Ao fim da vida, pobre e solitário, morreu em um hotel de quinta categoria, em Paris, aos 46 anos de idade.

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O “grande porrete” dos EUA: América para os americanos

Após o “Destino Manifesto”, a dominação imperialista dos EUA implantou a campanha “América para os americanos” ou “Doutrina Monroe”, vigorando a partir do mandato do presidente James Monroe (1817 a 1825).

O objetivo era criar uma espécie de “reserva de mercado” para que os EUA tivessem exclusividade nas intervenções em toda a América, deixando a Europa fora do processo de dominação nessa parte do mundo. Por isso a denominação “América para os americanos”.

Para ficar ainda pior, a Doutrina Monroe teve uma ‘emenda’ denominada “Corolário Roosevelt”, em alusão ao presidente Theodore Roosevelt (1901 a 1909), justificando o uso da força para os EUA cometerem todos os tipos de atrocidades na já propalada “América para os americanos”.

As intervenções políticas, econômicas e militares dos EUA receberam a pomposa denominação de “Big Stick” ou “Grande Porrete”, autorizando a violência.

Segundo a Doutrina Monroe, a América Latina e o Caribe eram considerados “quintal” dos EUA.

Acesse aqui artigo completo

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É Lisboa que parece com São Luís?

Agenda Maranhão – Esta escadaria, com azulejos na parede, integra o ambiente interno de um casarão localizado na Travessa Marcelino Almeida (Rua da Alfândega), 180-A, na Praia Grande, em São Luís, capital do Maranhão.

A fotografia, de janeiro de 2025, de autoria de José Reinaldo Martins, mostra azulejaria antiga sendo usada em um ambiente interno.

Povos árabes, os portugueses, entre outros, aplicavam azulejos somente em ambientes internos, como os silhares – que eram recobrimentos de meia parede em locais do imóvel onde havia maior circulação de pessoas ou possibilidade de sujar com mais facilidade. Espaços como paredes das escadarias, cozinhas e pátios.

Paulo César Alves de Carvalho (imagem abaixo), professor do curso de Artes da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em seus trabalhos acadêmicos, levanta a suspeita de ter sido no Brasil Colonial que os chamados azulejos de tapete ou padrão começaram a ser usados no revestimento de fachadas dos imóveis, com possibilidade de ter começado em São Luís ou em Salvador.

Isso para manter as paredes conservadas por mais tempo, resguardando os imóveis da ação das chuvas e para amenizar o calor.

Com o terremoto que atingiu Lisboa, na segunda metade do século XVIII, o Marquês de Pombal (1699-1782) proíbe a produção de painéis figurativos e incentiva a produção de azulejos do tipo tapete e padrão.

Em Portugal, o revestimento de fachadas com azulejos só teve início na segunda metade do século XIX, bem depois dos casarões azulejados de São Luís terem começado a serem erguidos.

A hipótese de Paulo César é de que a aplicação de azulejos de tapete e padrão no revestimento de fachadas de imóveis seja uma invenção que surgiu no Brasil Colonial e, mais tarde, passou a ser usado também em Portugal.

A ideia revisa olhares como a propalada semelhança de São Luís com Lisboa, proposta costumeiramente por turistas e suas imagens fotográficas, abrindo à possibilidade de Lisboa ter traços parecidos com os de São Luís.

É evidente que há semelhanças entre trechos de São Luís e Lisboa por causa, entre outros elementos, dos casarões azulejados. Mas a proposição colocada por Paulo César cogita quem inspirou quem.

Metrópole e as colônias

É certo que Portugal, a partir em sua ode por mares e terras da América do Sul, África, Ásia e Oceania – uma das mais ousadas empreendida pelo homem em todos os tempos – determinou estruturas sociais e econômicas em suas colônias. Mas, as colônias portuguesas, também, influenciaram a metrópole.

Trajetória dos azulejos

A trajetória dos azulejos, desde a sua origem entre povos árabes até a sua fixação nas fachadas dos prédios coloniais de São Luís pelas mãos dos afrodescendentes, abre um leque de controvérsias e inserções.

Historiadores, artistas, geógrafos, jornalistas, arquitetos, entre outros, estão colocando outras argamassas nesta história.

Foi um longo caminho, com “fraturas históricas” que, se desvendadas, podem revelar possibilidades diversas, não só em termos de novas utilidades, mas de como esses artefatos interviram nas relações sociais dos maranhenses desde o século XVIII.

Origem dos azulejos

Muitas tipologias de padrões de azulejos que chegaram a São Luís, majoritariamente, eram fabricadas em Portugal, mas um número menor veio, também, de outros países europeus, como Inglaterra e Holanda.

A força de povos escravizados

No Maranhão, a fixação dos azulejos nas fachadas e ambientes internos ganharam cheiro do suor da força escravizada que ergueu os casarões.

Do mundo árabe a São Luís

O azulejo é uma invenção árabe que chegou a Portugal com a invasão da Península Ibérica, a partir de 711, quando tropas islâmicas do Norte de África ocuparam parte da Europa.

As primeiras importações para o Maranhão vieram de Portugal em 1778. Foi o tempo do Ciclo do Algodão, iniciado no Maranhão em meados do século XVIII, a partir da criação da Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e Maranhão, em 1755, pelo Marquês de Pombal.

São Luís que, do século XVII até a primeira metade do XVIII, era apenas um pequeno núcleo urbano perdido nas encostas da entrada da Amazônia, passou a vivenciar grandes transformações com o comércio agroexportador, que teve no algodão seu principal produto.

Investigação do historiador Caio Prado Júnior (1907/1990) aponta que, no início do século XIX, existiam somente quatro núcleos urbanos no Brasil: Rio de Janeiro, Salvador, Recife e São Luís. Neste período, intensificou-se a chegada de povos africanos ao Maranhão, que já era morada de grupos de cristãos novos fugidos da Inquisição.

Azulejos em ambiente internos

Existiam várias formas de uso dos azulejos em ambientes internos. Em São Luís, os de tapete ou padrão foram usados nas fachadas externas e em alguns ambientes internos, como o recobrimento conhecido como silhares, que é uma meia parede revestida de azulejos.

Há exemplos dentro da Catedral da Sé e um, recentemente restaurado, na Igreja de Nossa do Rosário dos Pretos (Igreja de São Benedito), na Rua dos Egito. Há exemplos, também, na Igreja de Santana e na do Carmo, na cidade histórica de Alcântara (estado do Maranhão – Brasil).

Painéis figurativos

Outra forma da presença de azulejos internos em São Luís é a dos painéis figurativos.

São Luís abrigou, tardiamente, painéis figurativos como os hagiográficos, que são composições com cenas religiosas.

Um dos mais belos conjuntos com as estações da “Via Crucis” ficava na Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Mulatos, que foi demolida. Ficava onde está, hoje, o Edifício Caiçara, com lateral para a Rua Grande e de frente para uma pequena praça que ficava, mais ou menos, na esquina da Rua Grande com a Rua Cândido Ribeiro (Rua das Crioulas).

Com a demolição dessa igreja, um dos painéis que retrata a cena da descida da cruz, onde o Cristo morto é amparado no colo de sua mãe dolorosa. Esse painel foi reinstalado na sacristia da Igreja de Santana, onde se mantém até hoje.

No Palacete Gentil Braga (Rua Grande, esquina com a Rua do Passeio) existia um painel figurativo em forma de silhar ao estilo neoclássico (ou dona Maria I) com cenas conhecidas como chinesismo, mas que foi retirado e praticamente todo transportado para o Museu Chácara do Céu, no Rio de Janeiro. Uma parte desse painel está no acervo do Museu de Artes Visual do Maranhão.

Figuras de convite

Outra forma estrutural de aplicação interna, ou em pátios e jardins, são os conjuntos de azulejos chamados “figuras-de-convite’, que apresentam imagens, à escala natural, de figuras humanas, como as de soldados e de ‘damas de corte’.

Eram colocados nas entradas das casas e nas escadarias. Representavam um convite para os visitantes entrarem no imóvel. Tem alguns exemplos em exposição no Museu de Artes Visuais (Rua Portugal, na Praia Grande).

Alguns pesquisadores afirmam que vários painéis figurativos de São Luís foram perdidos e roubados por ‘colecionadores’ ou para servirem de decorações em residências mais modernas.

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O cinema imperialista dos Estados Unidos

O “Destino Manifesto”, originado no século 19, associava a expansão territorial dos EUA a uma determinada missão divina; ou seja, por um desígnio de Deus, justificava-se a anexação de parte do México e do Canadá, como persiste hoje Donald Trump.

Naquele tempo, o capitalismo já era anunciado como símbolo do progresso e da civilização, justificando o extermínio dos indígenas, considerados selvagens. O cinema que formou mais de uma geração “ensinava” que o herói cara pálida John Wayne tinha a força para destruir os peles vermelhas.

Assistíamos, ainda na TV preto e banco, a um dos maiores genocídios contra os povos originários na História.

Leia aqui o artigo completo.