Luto no Apeadouro: pandemia leva vizinhos históricos do bairro

O bairro do Apeadouro, um dos mais tradicionais de São Luís, perdeu hoje o aposentado José Braga Cantanhede, o popular “Caju” ou “Seu Braga”, aos 87 anos de idade.

Morador da rua Sousândade, era um assíduo leitor de jornal impresso e ouvinte de rádio AM, flamenguista roxo e torcedor do Maranhão Atlético Clube, o MAC, em São Luís.

“Seu Braga” era leitor assíduo de jornais e admirava a “Coluna do Sarney”

“Seu Braga” trabalhou durante muito tempo na Oleama (Oleaginosas Maranhense SA). Deixa filhos, esposa, netos e uma saudade imensa.

Um dos seus assuntos prediletos era a política. Antes da pandemia, foi entrevistado pelo repórter Thiago Bastos, do jornal O Estado do Maranhão, para a produção de uma das suas belas reportagens especiais sobre memórias de São Luís.

A família Braga é muito querida no Apeadouro, território afetivo de São Luís, visitado em 2020 para uma das produções do teatro multimídia “Pão com Ovo”. Durante o bate-papo com os moradores, os artistas conheceram “Seu Braga” ou “Caju” e o primogênito José Braga Cantanhede Filho, o também popular “Braga” ou “Braguinha”.

A pandemia covid19 já fez várias vítimas no bairro. No primeiro semestre do ano passado faleceram, na mesma rua Sousândrade, o querido casal Norberto Guimarães (89 anos) e Maria da Conceição Ferreira Guimarães (89 anos), muito conhecidos, respectivamente, como ‘O Bala” e “Dona Cocota”, moradores lendários que deixam filhos e netos com raízes no Apeadouro.

Dona Cocota e “O Bala”, duas lendas no Apeadouro

Perdemos também Terezinha de Jesus Coutinho, aos 82 anos, uma das moradoras igualmente querida e antiga, ainda com familiares morando na mesma rua.

Terezinha Coutinho deixa saudades

Todos os óbitos mencionados acima foram por covid19 de moradores da mesma rua Sousândrade.

Em janeiro de 2020 foi a óbito a minha mãe, Terezinha Ferreira Araújo, aos 89 anos. Ela não foi vítima de covid19, mas era uma das residentes mais antigas do bairro, na famosa Sousândade, juntamente com meu pai, Raimundo Nonato Araújo, falecido em 2002.

Em outras vias do bairro tivemos perdas muito sentidas. Nas ruas Astolfo Marques e Manoel da Nóbrega perdemos “Zé do Bar”, proprietário de um dos botecos mais frequentados no bairro e ainda hoje em funcionamento.

A pandemia covid19 tem sido devastadora no Apeadouro, ficando nas nossas lembranças os bons tempos da convivência que atravessaram a infância, juventude, maturidade e as atualidades tristes.

Terezinha Araújo e “Dona Cocota”, amizade da vida inteira, agora no céu

Vamos rezar pelos entes queridos perdidos e pedir mais proteção, saúde e esperança de reencontro para que possamos nos encontrar quando tudo isso passar.

Leia mais sobre o Apeadouro aqui, aqui e aqui.

Imagem destacada: turma do Apeadouro na porta da antiga quitanda do Bala. Na sequência da esquerda para a direita: Bala, Eduardo, Maria, Cocota, Neilma, Ernildo, Solange, dona Silvia, Apolo e Lady Laura. Ao fundo: Benigno, Gugu, Guimarães e Danilo.

O novo colunismo social do Maranhão

por Ed Wilson Araújo, 02 de abril de 2021

Pouco tempo antes do estouro da pandemia covid19, em uma roda informal de conversa entre jornalistas e professores universitários, um atento observador da cena política local soltou esta frase emblemática: “quer saber como se movimentam os políticos do Maranhão(?), basta olhar as fotos no PH”.

A sentença foi dita no contexto das alianças e desavenças comuns à maioria dos partidos políticos turbinados pelo pragmatismo eleitoral, selando acordos e conchavos entre legendas supostamente divergentes.

O autor da “tese” remetia às páginas coloridas da maior expressão do colunismo social – Pergentino Holanda – cujas iniciais “PH” passaram a ser uma grife para designar “o poder” no Maranhão.

Embora aparentem intrigas nos palcos eleitorais, às vezes trocando acusações com adjetivos do futebol de várzea, as lideranças políticas tradicionais sempre aparecem sorridentes nos banquetes do PH, retratados nas páginas esparramadas em elogios mútuos traduzidos nas legendas das fotografias.

Os cientistas políticos deviam atentar para certos lances ainda presentes no caderno dominical mais glamuroso do jornal de José Sarney (O Estado do Maranhão), onde quase todos os gatos são pardos: políticos, empreiteiros, desembargadores, juízes, promotores, lobistas, socialites, profissionais liberais e negociantes em geral.

Para além disso, a coluna e o caderno especial do PH são recheados de textos literários valorosos e informações preciosas conectadas ao mundo real sobre os três poderes no Maranhão.

Já o povo, movido pelas paixões, nem sempre capta que as supostas disputas ferrenhas travadas no palco eleitoral dizem quase nada sobre divergências de fundo entre as elites que dominam os cofres no Maranhão em um frenético modelo clientelista desde os tempos de Benedito Leite.

Mas, algumas coisas mudam e outras desaparecem. O colunismo social, no formato impresso, está prestes a entrar para o obituário da comunicação. As versões digitais dos jornais não cumprem a mesma função mercadológica, política e estética do produto impresso para efeito do glamour.

Os famosos, nome novo para designar socialites ou emergentes, têm a sua própria coluna social (perfil) nas redes digitais. Um(a) influencer, sem derrubar um pé de eucalipto, vale mais que a tiragem de muitos jornais de papel somados.

Houve mudança não só na forma – do impresso para o digital – mas também no conteúdo e na visibilidade dos(as) atores(as).

Colunismo social era uma seção de jornal até então pertinente aos endinheirados e/ou vinculada aos círculos do poder formal. Com o advento das plataformas digitais, surgiram novas iniciativas com enfoques diferenciados remodelando o conceito de visibilidade na comunicação outrora associado apenas aos ricos.

No Maranhão cabe mencionar duas ações promissoras, não exatamente conexas à perspectiva de colunismo social como forma de glamourização do chamado poder oficial.

Refiro-me à ideia genérica de colunismo social para situar dois experimentos de Jornalismo fora da mídia de mercado, mas bem posicionadas no ambiente digital: o site Agenda Maranhão e a Agência Tambor.

Cada qual com a sua especificidade, eles põem para desfilar no palco do espaço público atores(as) sociais geralmente silenciados ou esquecidos no agendamento midiático.

Navegando no campo da comunicação alternativa, a Agência Tambor produz diariamente um jornal transmitido na web e protagonizado por fontes autorizadas geralmente excluídas dos critérios de noticiabilidade da maioria dos meios de comunicação.

Pelas redes sociais da Agência Tambor fluem a comunidade GLBTTI, quilombolas, quebradeiras de coco, indígenas, artistas e militantes dos movimentos sociais, gente das periferias, fazedores(as) de cultura, educadores(as), agitadores e agitadoras de muitas causas nobres, entre tantas outras personagens.

O “colunismo social” da mídia alternativa está materializado nos famosos cards que apresentam a fonte entrevistada do dia, fartamente distribuídos nas redes sociais. Quem não era visto nem lembrado nas grandes empresas de comunicação tem agora um tambor para tocar.

A panfletagem eletrônica dos cards da Agência Tambor, guardadas as devidas proporções, tem aproximações com um novo tipo de colunismo social, embora a força conceitual expressiva seja o Jornalismo.

Já no site Agenda Maranhão a personagem principal é o Centro Histórico de São Luís, dando visibilidade a um território da cidade com as suas personagens, arquitetura, fazeres e saberes. Trata-se de um site especializado em Jornalismo Cultural outrora marcante no impresso.

A cidade em revista nas fotos antigas da Agenda Maranhão

O teórico dos Estudos Culturais latino-americanos Martín-Barbero tem um ensinamento precioso sobre a relação entre a produção e o consumo de bens culturais que pode ser aplicado às duas experiências mencionadas: a fruição das audiências.

As entrevistas da Agência Tambor, feitas ao vivo, são posteriormente transformadas em podcast para ouvir a qualquer tempo, arquivadas em plataformas digitais. Esse sentido da memória está presente de outra forma no site Agenda Maranhão, em um percurso às vezes inverso, quando atualiza imagens antigas meticulosamente estudadas na perspectiva da História da Fotografia.

Assim são os arquivos. Servem para guardar e revelar, estando sempre vivos como pulsação de memória.

Os usos da tecnologia mobilizam sentidos e gerações distintas nas apropriações feitas por uma rádio web (Agência Tambor) e um site (Agenda Maranhão), este com expertise em imagens analógicas – fotos antigas – atualizadas no contemporâneo.

Através da memória, as publicações vão reconstituindo a cidade velha conectada às mudanças atuais do tecido urbano. Misto de Jornalismo e entretenimento, o site Agenda Maranhão conecta o seu público ao passado saudoso da São Luís que não existe mais, a não ser na lembrança atualizada pelas fotografias puxadas no tempo.

O Jornalismo Cultural do Agenda Maranhão abraça com sensibilidade as cenas da cidade: pessoas comuns, casarões, sobrados, ruas, becos, situações cotidianas, traços provincianos e universais do território Centro Histórico.

Pesquisa de imagens é um dos focos da Agenda Maranhão

Cada qual a seu modo, as duas experiências reúnem as suas audiências mobilizadas na prática cultural do consumo (Martín-Barbero). Na pegada política do tambor rufando a tônica é o conflito, sem perder a ternura das pautas afetivas. Agenda Maranhão, por sua vez, mexe com os sentidos do seu público envolvido nos detalhes preciosos das fotos garimpadas no passado.

Vale sempre lembrar aquela alegoria da fênix associada ao Jornalismo. Segundo a mitologia egípcia, era uma ave que durava muitos séculos e, queimada, renascia das próprias cinzas.

Como forma de conhecimento da realidade, o Jornalismo costura os acontecimentos na linha do tempo. O que é notícia hoje, amanhã é História; e os fatos históricos, atualizados, são notícias contemporâneas.

Agenda Maranhão e Agência Tambor são palcos eletrônicos onde as pessoas se encontram. Está em curso um novo tipo de glamour, protagonizado por gente pobre e cidade velha pautados por memória, História e política.

Little Bighorn, direto do Desterro

Crônica de autoria do poeta, cantor e compositor Joãozinho Ribeiro

Meados dos anos setenta, do século passado. O cenário era a porta do casarão da família Carvalho, situado na Rua Afonso Pena (Formosa para uns poucos), número 394, que chamávamos por tradição e respeito, coisa que até hoje não consegui me acostumar, de Casa Grande.  Ali, meu bisavô João Damasceno (ex-escravo) e minha bisavó Maria Cândida (cearense retirante da grande seca de 1877) iniciaram uma das maiores famílias ludovicenses.

Por esta época, conheci os irmãos Nascimento – Jorge e Zé Maria – ambos no auge da boêmia e estripulias de todos os gêneros pelos bares e ruas da cidade, recitando versos nos cabarés da ZBM e/ou interpretando personagens da grande dramaturgia mundial, amparados por doses cavalares da mais pura branquinha. Jorge era revisor do Jornal Pequeno e ator dramático das encenações improvisadas. Zé Maria, recitava e escrevia versos, seus e de outros poetas maranhenses, franceses, ingleses etc.

Acho que fui apresentado aos dois por um amigo comum, muito querido, professor de química e protestante (como designávamos os evangélicos da época) da Assembleia de Deus, Jacob Nogueira de Oliveira.

Era um sábado, passava do meio-dia, quando recebi um recado que Jorge Nascimento estava a minha procura, na porta do casarão. A estas alturas, induzi que já havia completado a primeira etapa da via crucis boêmia do dia, pelos bares da Rua da Saúde, após terminar a revisão do jornal dos Bogéa para o domingo seguinte. Eu morava num mirante e tínhamos um cachorro enorme (cruzamento de pastor e lobo), que vivia preso e não oferecia maiores perigos para a vizinhança. Pancho era o nome dele.

Ao chegar ao local de encontro com o revisor do JP, porta da Casa Grande, encontrei uma cena surreal, que nem mesmo o engenho e arte do Nobel de literatura Garcia Marquez poderia enquadrar, nas belas páginas imaginárias do seu realismo fantástico.

O nosso ator Jorge Nascimento, cercado de crianças, adolescentes, adultos, trabalhadores que deixavam as oficinas mecânicas e as fábricas de gelo da vizinhança, mulheres da “vida fácil”, barqueiros, alcoólatras, transeuntes em geral, encenava um roteiro inusitado, onde interpretava todos os personagens, que não eram poucos. Do general Custer ao grande chefe indígena americano Cavalo Louco; toda a tribo Sioux, a cavalaria…e até mesmo os cavalos.

O roteiro era a Batalha de Little Bighorn, episódio das “Grandes Guerras Indígenas”, em que os habitantes primitivos das Américas sairiam vencedores, na segunda metade do século XIX. Coisa rara e dificilmente exibida nos cinemas brasileiros, cujas bilheterias batiam recordes com os filmes de faroeste, onde os índios jamais seriam os mocinhos da estória.

Naquele momento, o general Custer fazia o seu discurso histórico desembainhando a espada invisível pra defender a honra dos caras-pálidas estadunidenses. No instante seguinte, Jorge incorpora o recruta que, incontinente, saca da corneta para executar o toque de ataque. Em seguida, os guerreiros Sioux iniciam o canto de guerra: uhuhuhu! Incitados pelo seu líder, o grande chefe Cavalo Louco!

Tiros e flechas para todos os lados daquele pequeno trecho da minha velha Rua Afonso Pena, sob os relinchos de um batalhão de cavalos e os aplausos e risadas da eclética plateia, misturados com os palavrões dos bêbados e discordâncias dos loucos.

No auge da encenação, o general Custer é ferido de morte com uma flechada certeira do lado esquerdo do peito. O personagem leva as mãos ao coração, e começa a dobrar os joelhos para a última cena do moribundo roteiro.

Conforme o que contam as narrativas reais, a cena deveria transcorrer em 25/06/1876, sem maiores alterações dos fatos e de suas respectivas versões, não fosse a aparição inesperada e fora de época do meu cachorro Pancho, que botou a meninada toda pra correr ladeira abaixo e saiu em perseguição ao general Custer, alcançando-o facilmente na corrida e abocanhando o seu calcanhar direito.

Lembrei das aventuras do Kid Moranguera, personagem de muitos sambas de breque do Moreira da Silva, do índio seu eterno companheiro; mas nem de perto poderiam competir com aquele final inédito, nunca pensado ou concebido por um John Ford ou Tarantino: Jorge Nascimento gritando feito louco, sem o cavalo é claro, com um cachorro pendurado, literalmente no seu calcanhar.

Meninos e meninas eu vi! O dia em que o Desterro serviu de palco para a grande batalha das tropas do controverso general Custer contra os aguerridos guerreiros do grande chefe Cavalo Louco!

Imagem destacada / montagem / Rua Formosa ou Afonso Pena: 1908-2018. A foto mais antiga é da autoria de Gaudêncio Cunha e a mais recente é do acervo da página São Luís de Antes e Depois.

Conecta Música 2020 grava single e faz registro audiovisual de seis artistas maranhenses

Afrôs, Butantan, Hugo Gugs, Regiane Araújo, The Caldo de Cana e Pantera Bla4ck foram os selecionados. Lançamento será dia 18, nas plataformas digitais e no Chão SLZ, Praia Grande.

O Conecta Música 2020, ação do Festival BR 135, selecionou neste ano seis projetos musicais maranhenses e cada contemplado está levando um pacote de oportunidades: a gravação de um single, sessão de fotos e registro audiovisual. As gravações estão sendo feitas no estúdio Black Room, o registro em vídeo, no Mavam (Museu Audio Visual do Maranhão) e o ensaio fotográfico tem direção de Layla Razzo.

O lançamento está marcado para o dia 18, pelas redes sociais do festival, além de Spotify e Youtube. Está previsto também um encontro presencial no espaço Chão SLZ, na Praia Grande, para a exibição do material audiovisual gravado com os artistas nas duas últimas semanas.  

Em atenção às medidas de prevenção e enfrentamento impostas pela pandemia do novo coronavirus, o Festival BR135 precisou se ajustar. Por isso, neste ano o festival tem um formato diferente dos anos anteriores. “A forma possível foi por meio do Conecta Música, dentro do nosso propósito de dar visibilidade à produção local. Estamos dando oportunidade a alguns artistas de gravar pela primeira vez”, afirma a cantora e compositora Luciana Simões.

“Estamos tomando todos os cuidados para prevenção à covid-19: os selecionados estão tendo contato apenas com os profissionais do estúdio e cumprindo todos os protocolos de saúde e segurança”, afirma Alê Muniz.

O Conecta Música 2020 é uma realização do BR135, projeto da dupla Criolina, formada pelos músicos Alê Muniz e Luciana Simões, viabilizado pela Lei Aldir Blanc no Maranhão.

CONECTA MÚSICA 2020

Lançamento dia 18 de dezembro

Chão SLZ, a partir das 18h

Rua do Giz, Praia Grande, em frente à Praça Valdelino Cécio

E em todas as plataformas digitais

PERFIL DAS BANDAS SELECIONADAS

Afrôs – Banda autoral que há 12 anos utiliza sonoridades percussivas da cultura afrodiaspórica e ameríndia, em diálogo com riffs de guitarra, violão e grooves do contrabaixo. Seus shows são marcados pela presença de mulheres na linha de frente, pelas intervenções cênicas e por uma composição autoral que traz como registro a relação com a ancestralidade, o imaginário mítico e popular da cultura brasileira, a potência do feminino e as manifestações culturais do Maranhão. No repertório, referências rítmicas e imagéticas de manifestações como o Bumba-meu-boi, Maculelê, Cacuriá, Tambor de Mina, Tambor de Crioula, Salsa, Coco, Maracatu e Afoxé, embalando uma poética que canta as divindades femininas, as ancestralidades negras e indígenas e as mulheres como referências de luta e resistência. A banda tocou em grandes palcos de teatros e festivais pelo Brasil, como o Festival BR 135, Lençóis Jazz e Blues Festival, além da Feira da Música do Ceará, Fundição Progresso no RJ, e nos Centros Culturais do Banco do Nordeste. O grupo desenvolve ações de impacto sócio-cultural para além dos shows, como o projeto Eita Piquena Arteira!, um evento anual de formação e apresentação artística com mestras do saber e mulheres artistas de São Luís, além deparcerias com o Museu Histórico Artístico do Maranhão, LABORARTE, ONG NAVE, SESC, CCBNB, Instituto Gênesis/PUC-RJ, Oi Futuro, SEMU (Secretaria da Mulher- MA), Coletivos feministas e LGBTQIA da cidade de São Luís.

Butantan – Artista queer maranhense, cujo hit autoral B.O.Y, de 2017, já acumula quase 1 MILHÃO de streams em todas as plataformas digitais. O videoclipe da música venceu o prêmio especial do Júri no Festival Maranhão na Tela, foi transmitido nacionalmente em emissoras como MTV, Multishow e Canal Bis, além de ser pré-indicado a categoria Experimente do Prêmio Multishow e vencer o prêmio de Melhor Música do Ano no Prêmio Eu Faço a Diferenca.  Butantan foi eleita em 2018 a DRAG DO ANO por votação popular (Prêmio Eu Faço a Diferença) e atua desde 2015 como performer, tendo consquistado o público com irreverência, ousadia e uma mistura de ritmos, que vai do hip hop ao tecnobrega. Ganhou destaque nacional em portais como PopLine, PapelPop, RedBull, Noize, Rolling Stones e programas de TV e jornais do país, e arrastou multidões pelas ruas de São Luís nos carnavais de 2017, 2018 e 2020 com o Bloco Queer. Durante o período, lançou mais três sucessos: Kero Ver, Sarrar, e Somos Queer e comandou grandes palcos, como o trio da Uber na Parada LGBT de SP, o São João da Thay, Aldeia Sesc Guajajaras e Pátio Aberto do Centro Cultural da Vale. Butantan acumula atualmente dezenas de milhares de ouvintes e seguidores no Spotify e Instagram, além de contabilizar mais de 396.476 visualizações no Youtube.

Regiane Araújo – Iniciou seu contato com a música aos sete anos através de grupos musicais infantis da igreja.  Com 19 passou a escrever suas primeiras canções e aquilo que se limitava apenas a ambientes informais e religiosos, passou a conquistar outros espaços em eventos culturais na universidade, aberturas de shows em teatros, além de começar a trabalhar profissionalmente como cantora nas noites de São Luís. Em 2014 lançou duas canções autorais chamadas Tuas Lagrimas e Tudo Muda. Esta ganhou o segundo lugar de melhor música autoral do Maranhão no festival Made in Slz, do Amsterdam Music Pub. Em 2017 lançou seu primeiro EP –  Vista-nos – influenciado por diferentes estilos musicais como o Jazz Folk, MPB, novo MPB, Pop e Reggae. A cantora é conhecida dos internautas por viralizar suas interpretações cover no Facebook, Instagram, Twitter e WhatsApp. Regiane Araújo é também reconhecida como uma das grandes vozes da cena do Reggae no Maranhão. Em 2019, viralizou uma apresentação ao lado da banda maranhense Raiz Tribal, cantando a faixa Blessing, da jamaicana Etana. Neste mesmo ano, além de ser convidada a dividir o palco do Resistência Reggae, um dos maiores eventos de Reggae do Maranhão, com a banda Raiz Tribal e o Jamaicano Vernon Maytone, foi convidada pelo Festival BR 135 para interpretar clássicos do reggae com a Orquestra Maranhense de Reggae. Em 2020, lançou no dia 11 de setembro seu primeiro single em reggae chamado Tirem as Cercas.

Hugo Gugs – Rapper e produtor maranhense inspirado pelo rap clássico da década de 90 e que produz dentro das novas vertentes como o Trap, Drill e Grime, trazendo em seu trabalho o peso das suas vivências e a força da sua ancestralidade. Gugs já fez shows com grandes nomes do rap nacional como Racionais MC’s, MV Bill, Dexter, Djonga, Filipe Ret, Karol Konka, Síntese, Orochi etc. Com oito clipes já lançados e premiações de melhor cantor pelo site Volts, o artista lança este ano o álbum “O Beco”.

The Caldo de Cana – Um encontro entre ritmos regionais e beats eletrônicos marcam a trajetória do The Caldo de Cana, duo musical criado em 2017 pelos músicos maranhenses Benedicto Lima e Felipe Costa Cruz.Inspirados por sonoridades regionais, a dupla está perto de lançar seu primeiro álbum de estúdio, Carcará de duas cabeças.Antes, porém, lançou os singles Você me usou” e Aliciando, gravado na CASA LOCA, com produção de Adnon Soares, já disponíveis nas principais plataformas musicais. As composições ganharam um tom envolvente que reforça a proposta pensada pela dupla. Adotando o estilo Afrorróbaioquebeat, criado pelos dois – uma mistura que vai do afrobeat ao forró, passando pelo baião e ritmos caribenhos, com espaço ainda para o folk, xaxado, brega, bolero e a techno-embolada –, os primeiros singles resumem bem a alma do projeto, criando uma energia para uma grande festa. O som da The Caldo de Cana é essencialmente regional. Forró, baião, brega e xaxado, ora abordados de forma tradicional, ora cheios de experimentações ‘tropicodélicas’ e delírios sonoros diversos. Em 2020, a dupla esteve entre os 200 trabalhos selecionados, entre mais de 12 mil trabalhos inscritos, no segundo edital da série Arte como respiro: múltiplos editais de emergência, do Itaú Cultural.  

Pantera Bl4ck – O primeiro contato com batalha de hip hop foi em 2015, como expectadora na Batalha Deodoro. A ausência das mulheres naquela época era notória, uma das poucas referências foi Preta Lu, integrante do grupo Clã Nordestino que a incentivou muito. Pantera era a única mulher participante e com seu estilo autêntico foi ganhando espaço e se destacando nas batalhas da cidade e sempre dando voz para as questões sociais. Em 2017, tornou-se integrante do coletivo Ilha Clan e começou a escrever e gravar músicas. No ano seguinte já apresentava seu trabalho solo e marcava presença nos movimentos de cultura negra da ilha. Participou de show com a cantora Núbia e no ano seguinte recebeu convite para participar do grupo Criola Beat. Sentiu-se à vontade em expressar sua voz e gravou a música que abre a Mixtape Vol.02, além de participar de vários shows com o grupo. Ano passado, 2019, fez uma participação no novo álbum de Tiago Maci, Amor Delivery. Atualmente está trabalhando em sua primeira mixtape, produzida pelo studio Casaloca, que será lançada em 2021.

Imagem destacada / banda Afros / divulgação

Lançamento: livro “Rádios comunitárias no Brasil” já está disponível

Começou a circular essa semana uma das novas publicações do Grupo de Pesquisa (GP) Rádio e Midia Sonora, vinculado à Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação).

Gestado em 2018, o livro “Rádios Comunitárias no Brasil: resistências, lutas e desafios”, publicado agora pela editora Apris ( https://www.editoraappris.com.br/produto/4534-rdios-comunitrias-no-brasil-resistncias-lutas-e-desafios), pode ser adquirido com desconto do cupom em anexo, tanto no formato digital como impresso.

A ideia da publicação surgiu nas discussões e planejamento do GP Rádio e Mídia Sonora, durante o Congresso da Intercom, em 2018, quando a Lei de Radiodifusão Comunitária nº 9.612/98 completava 20 anos.

Um dos textos da obra, com o título “Do alto-falante à rádio comunitária Bacanga FM: comunicação e organização popular no bairro Anjo da Guarda, em São Luís-MA”, tem autoria do professor do curso de Rádio e TV da UFMA, Ed Wilson Ferreira Araújo, do mestrando em Comunicação (UFMA) Jefferson Saylon Lima de Sousa, e dos radialistas Robson Silva Correa, Rodrigo Augusto Mendonça Araujo, Rodrigo Anchieta Barbosa.

O comitê editorial selecionou oito textos que retratam a história das rádios comunitárias, a reaproximação com os movimentos sociais, as falsas rádios comunitárias, a cidadania e autonomia nas emissoras, as culturas populares e massivas na programação e as re-existências das rádios em alto-falantes.

A pesquisadora Denise Cogo prefacia a obra. “Esta coletânea representa um registro histórico da luta pela democratização da comunicação que, nas décadas de 1990 e 2000, estava centralizada na ‘reforma agrária do ar’ e atualmente se expande para as redes digitais, inclusive com as resistências destas estações nos novos ambientes”, pontuou o coordenador do livro, professor Ismar Capistrano Costa Filho, da Universidade Federal do Ceará.

VEJA A LISTA DE ARTIGOS DO LIVRO

Sobre comunas comunicacionais radiofônicas: uma análise crítica do processo histórico de formulação da Lei n. 9.612 (João Paulo Malerba)

Rádios Comunitárias: a retomada do ideal comunitário no processo do fortalecimento da organização popular (Márcia Vidal Nunes)

Cidadania Comunicativa e Autonomia Comunicativa: lutas pelo direito à comunicação nas rádios comunitárias (Ismar Capistrano Costa Filho)

Do alto-falante à rádio comunitária Bacanga FM: comunicação e organização popular no bairro Anjo da Guarda, em São Luís-MA (Ed Wilson Ferreira Araújo, Jefferson Saylon Lima de Sousa, Robson Silva Correa, Rodrigo Augusto Mendoça Araujo, Rodrigo Anchieta Barbosa)

Os receptores das rádios comunitárias em Fortaleza (Catarina Tereza Farias de Oliveira)

Rádios comunitárias só no nome: um panorama das rádios comunitárias no Agreste de Pernambuco (Giovana Borges Mesquita, Sheila Borges de Oliveira, Diego Gouveia e Rodrigo Barbosa)

Salada Sonora: o que dizem as paisagens sonoras e a rádio de poste sobre viver em comunidade em um Bairro Popular de Salvador (Andrea Meyer Medrado)

Rádio GAC: uma análise da participação dos moradores da Quadra no processo de criação da rádio poste (Milena de Castro Ribeiro)

Milagre! Caiu uma chuva de dinheiro e brotaram lixeiras em São Luís

Neste domingo, quando os moradores da capital maranhense saírem de casa para votar, eles vão passar ao longo dos seus percursos por milhares de lixeiras novas fincadas nos postes de todos os bairros.

De repente, no final da gestão do prefeito Edivaldo Holanda Junior (PDT), parece ter caído uma chuva de dinheiro e, milagrosamente, essas cédulas, semelhantes aos santinhos dos candidatos, espalhadas pelo chão, brotaram como trepadeiras nos postes.

O dinheiro é tão fértil que as lixeiras cresceram até mesmo em lugares demasiado impróprios: no meio do lixo, nos esgotos, nos matagais, nas sarjetas, nas calçadas mal feitas, nas beiradas dos terrenos baldios etc.

Às vezes dá a impressão de que o dinheiro público, transformado em lixeiras, escorre feito o chorume da política mal feita.

Nunca antes na História se viu algo tão espetacular como o milagre da multiplicação das lixeiras, que vai entrar para os registros como a marca principal da gestão de oito anos do prefeito, completando um ciclo de mais de três décadas do PDT no comando de São Luís.

Como não há uma política de transparência sobre o uso do dinheiro público, ninguém sabe quem ganhou a licitação e menos ainda se tem conhecimento sobre o valor gasto nessa compra gigantesca.

Alguém precisava vender e a Prefeitura de São Luís comprou as lixeiras aos milhares.

E ninguém foi consultado sobre essa prioridade. Como é de costume, a gestão da cidade é tocada à revelia do interesse público, uma das formas de corrupção do conceito de política.

Só sabemos que o dinheiro do cidadão ludovicense foi convertido em milhares de latas do lixo.

Na eleição para decidir o futuro prefeito da cidade, os candidatos deveriam assumir o compromisso de fazer uma auditoria nas contas públicas sobre a aquisição das lixeiras.

Afinal, temos o direito de saber quem vendeu e o valor da compra.

Durante os debates os prefeituráveis Eduardo Braide (Podemos) e Duarte Junior (Republicanos) falam exageradamente em sujeira, como se a política fosse uma espécie de escória da vida pública e privada.

Já que estão atolados em acusações mútuas sobre práticas imundas, o ideal é mergulharem de vez no monturo e tornar pública a licitação das lixeiras.

Seria uma oportunidade para ambos limparem as suas imagens de políticos sujos, atribuídas por eles próprios ao longo de toda a campanha eleitoral.

Eu, cidadão, #estou pronto para saber quanto dinheiro foi gasto nas lixeiras. E aí, # bora resolver essa incógnita?

II Festival de Circo de São Luís terá eventos on line

Acontecerá de 17 a 21 de dezembro o II Festival de Circo de São Luís. O evento é organizado pelo coletivo “O Circo Tá na Rua” e será realizado com recursos da Lei Federal nº. 14.017, por meio da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão através do Edital nº 05/2020/UGCAC/SECMA. A proposta do festival é divulgar, incentivar e dar visibilidade à arte circense no Maranhão, além de amparar os artistas circenses impactados pela pandemia do Covid-19.

A primeira edição do Festival de Circo de São Luís foi realizada de forma independente, em 2018. Foram três dias de programação diversa, que contou com imersão nas artes circenses, intervenções em espaços públicos, exibição de filmes e rodas de conversas sobre temáticas relativas ao circo e à arte circense. As atividades reuniram um grande público e o acesso foi inteiramente gratuito.

O coletivo “O Circo Tá Rua” tem sete anos de existência (2013-2020) e o seu propósito é a difusão da arte circense e a ocupação de espaços públicos por meio de treinos de circo gratuitos que acontecem às segundas-feiras, na praça Nauro Machado, no Centro Histórico de São Luís.

“O Circo Tá Rua” tem se estabelecido como referência enquanto arte circense local e vem acumulando ao longo desses anos participações na agenda cultural da cidade em parceria com repartições públicas e empresas privadas, além de produzir constantemente eventos independentes, como saraus, festivais e o próprio espaço para “treino aberto” que se mantém como atividade semanal.

Em meio à pandemia, o coletivo se reinventou, intensificando suas ações nas redes sociais, promovendo lives, entrevistas e conteúdos informativos sobre a arte circense e suas nuances.

A proposta do II Festival de Circo de São Luís é manter o formato online. A programação durante os quatro dias será composta por apresentações de espetáculos, números circenses, oficinas, entrevistas e lives.

O material será disponibilizado nas plataformas digitais: Instagram, YouTube, Facebook, Twitter e, também contará com podcasts nas plataformas Deezer e Spotify. Vale ressaltar que todos os participantes diretos da 2º edição do Festival de Circo de São Luís serão artistas circenses maranhenses.

A programação detalhada será divulgada em breve e poderá ser encontrada nas seguintes páginas:

Instagram: www.instagram.com/festivaldecircoslz/?hl=pt-br / www.instagram.com/ocircotanarua/?hl=pt-br;

Facebook: https://www.facebook.com/II-Festival-de-Circo-slz-106733851256502; Twitter: @festcircoslz.

Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCsgleu_Blsu8QOYDXHhXGRQ

Racismo em São Luís: “Crime da Baronesa” completa 144 anos

Em 14 de novembro de 1876, quando São Luís vivia uma sofisticada efervescência cultural, motivo da falsa denominação de Atenas Brasileira, a cidade foi palco de um dos crimes de racismo mais bizarros já registrados.

A vítima não foi nenhum “escravo fujão”, como eram estigmatizados os negros que se recusavam aos maus tratos, escapavam do cativeiro, e, por isso, eram enforcados em praça pública.

Naquele tenebroso novembro, a violência foi desferida contra um menino negro de apenas 8 anos de idade, configurada em quatro atos brutais.

Primeiro: o garoto foi torturado e assassinado;

Segundo: houve um sepultamento às pressas do corpo mutilado;

Terceiro: apontada como autora, Dona Anna Rosa Viana Ribeiro, típica representante da aristocracia provinciana, foi absolvida por unanimidade;

Quarto: o promotor do caso, Celso Magalhães, que levou a júri a baronesa Anna Rosa Ribeiro, foi execrado da cidade.

O rumoroso episódio ficou conhecido como o “Crime da baronesa”.

No site do Memorial do Ministério Público do Maranhão é possível acessar um texto contundente de Rui Cavallin Pinto acerca do rumoroso caso, com detalhes sobre a trama que tomou conta da provinciana São Luís do século XIX.

“Nesse tempo o Maranhão vivia um clima de efervescência cultural, representado por humanistas e intelectuais, integrantes do Grupo Maranhense que fez a Província receber o título de Atenas Brasileira. A condessa, por sua vez, se arrimara nos dotes jurídicos e na palavra vigorosa do afamado jurista Paulo Belfort Duarte, representante de poderoso clã maranhense.”

“Assim, no dia do julgamento, a fidalga Anna Rosa Ribeiro compareceu à sessão acompanhada do seu marido e irmão. Vestia um traje de seda preta e envolvia o rosto e o busto com um véu de crepe. Acompanhavam-na dezoito damas, vestidas de luto, em sinal de protesto que ocuparam os primeiros bancos do salão. O povo apinhava-se nas galerias e a cidade vivia uma excitante expectativa do debate e da decisão.”

“A decisão seria, porém, como era próprio do tempo: a absolvição unânime, que transitou em julgado, à falta de recurso.”

Ao fim e ao cabo, não só a baronesa fora absolvida unanimemente, como o seu marido, o médico Carlos Fernandes Ribeiro, chefe do Partido Liberal, assumiu em 1878 a presidência da Província do Maranhão e tratou logo de demitir o promotor Celso Magalhães, que morreu um ano depois de ser defenestrado da comarca de São Luís.

São Luís do século XXI lembra o XIX

O episódio caracteriza não só um crime de racismo, mas uma prática da cultura política fisiologista, provinciana e clientelista marcante no Maranhão há séculos e presente em pleno ano de 2020, quando um morador de rua foi torturado, amarrado pelos pés com uma corda e arrastado por uma caminhonete até a morte, em pleno Centro Histórico de São Luís.

Entidades cobram a homologação imediata do resultado das eleições do Sindeducação

As centrais sindicais, entidades sindicais e de movimentos sociais, coletivos políticos e de pesquisadores e educadores militantes parabenizam a eleição da Chapa 2 “Da unidade vai nascer a novidade” que venceu as eleições do Sindeducação, com 482 votos(48%), obtendo um grande apoio da categoria, que necessita de uma direção classista e que defenda os seus direitos e amplie suas conquistas.

Ao mesmo tempo em que reivindicam, urgentemente , que a Comissão Eleitoral homologue, em ata, o resultado oficial das eleições, concluídas no dia de ontem, respeitando a vontade da maioria  dos professores e professoras da rede municipal de ensino, de acordo com o que prevê  o artigo 83 do estatuto da entidade, que

 diz: “Encerrada a apuração, o Presidente da Comissão Eleitoral proclamará eleita a chapa que

obtiver a maioria simples dos votos apurados e fará lavrar a ata dos trabalhos eleitorais”. Até o presente momento, às 19h55, ainda não havia sido disponibilizada para a categoria.

Conforme nota da própria direção da entidade em seu site oficial , publicada  às 16h26, (“a votação que ocorre ao longo desta terça-feira, das 7 às 19h, prossegue em clima de tranquilidade”), o processo eleitoral ocorreu dentro da normalidade, mesmo  com as limitações da pandemia da Covid-19.

Reafirmamos nosso compromisso com a direção eleita e estaremos juntos nas lutas reivindicatórias da categoria e dos trabalhadores.

São Luís , 25 de novembro de 2020

Assinam

Central Sindical e Popular CSP CONLUTAS

Central Única dos Trabalhadores – CUT

Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB

Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal e MPU no Maranhão – Sintrajufe /MA

Apruma – Seção do Andes Nacional

Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado- PSTU

Resistência/PSOL

Sindicato dos Bancários do Maranhão

Quilombo Urbano do Maranhão

Coletivo Úrsula

Coletivo Mosaico

Coletivo Travessia

Coletivo MOPE

Coletivo Professores pela Base

HISTEDBR – Grupo de Estudos e Pesquisas ” História, Sociedade e Educação no Brasil

Sindicato dos Funcionários e Servidores Públicos De São Luís – SINFUSP

Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Caxias

Sindicato dos Trabalhadores da Assembleia Legislativa do Maranhão – SINDSALEM

Sinasefe Monte Castelo

PT de São Luís vai rachado ao 2º turno: maioria apoia Duarte Junior e a CNB segue Eduardo Braide

A velha disputa interna do PT no Maranhão ganha mais um capítulo na eleição para a Prefeitura de São Luís em 2020.

Durante o 1º turno a maioria do partido marchou unificada com o candidato a vice-prefeito e vereador Honorato Fernandes na chapa liderada por Rubens Junior (PCdoB), integrando o campo político-eleitoral do governador Flávio Dino (PCdoB).

No segundo turno o PT oficialmente declarou apoio a Duarte Junior (Republicanos), seguindo o comando do Palácio dos Leões, mas uma tendência do partido – a CNB (Construindo um Novo Brasil), liderada pelo deputado estadual José Inácio – abriu uma dissidência e está no palanque de Eduardo Braide (Podemos), apontado como bolsonarista.

Em uma nota pública (veja abaixo), a CNB justifica o apoio ao bolsonarista; porém, no mesmo texto, aponta fidelidade ao governador Flávio Dino na eleição de 2022.

CNB assume Braide, mas promete fidelidade a Flávio Dino em 2022

“Cumpre destacar, desde já, o compromisso da CNB – Maranhão com o Governador do Estado, e o projeto que ele representa para a esquerda brasileira, motivo pelo qual ressaltamos o nosso total apoio ao futuro candidato de Flávio Dino ao Governo do Maranhão, por entender que é preciso dar continuidade ao ciclo de avanços e conquistas que transformaram a vida do povo maranhense e garantiram mais dignidade aos mais pobres através do Governo Dino.”, pregou a CNB.

Outra nota (veja aqui), da Executiva Municipal do PT de São Luís, rechaça qualquer tipo de aproximação com Eduardo Braide e firma compromisso com Duarte Junior (Republicanos), candidato do governador Flávio Dino.

“Em reunião da Executiva Municipal, realizada na última terça-feira (17), foi definido por 13 votos favoráveis e uma abstenção, o apoio do PT ao candidato Duarte Jr. no 2° turno. A questão foi debatida e a decisão tomada. O PT neste segundo está com Duarte Jr.”, reiterou a direção local petista.

Entre textos e posições distintas, o PT só elegeu um prefeito nos 217 municípios do Maranhão, em Coroatá; e a candidatura coletiva NÓS para uma das 31 vagas da Câmara dos Vereadores de São Luís.

No passado, o braço local da CNB levou a má fama de “sarnopetista”, devido ao alinhamento à oligarquia liderada por José Sarney, que não se esgotou durante a participação do PT no governo Roseana Sarney.

Mergulhando nas águas profundas da política o sarnopetismo segue fazendo tabela com a ex-governadora e o seu pai-conselheiro. Agora, na disputa do segundo turno em São Luís, o MDB migrou para Eduardo Braide e a CNB foi junto.

Pode até parecer coincidência, mas não é.

Veja abaixo a nota da CNB na qual justifica o apoio a Eduardo Braide:

*RESOLUÇÃO DA CNB-MA SOBRE O SEGUNDO TURNO EM SÃO LUÍS*

O segundo turno das eleições de São Luís exige das forças do campo democrático e popular uma profunda reflexão acerca da conjuntura que se desenhou no pleito da capital.

Finalizado o primeiro turno em 15 de novembro, têm-se na disputa eleitoral do segundo turno dois candidatos que integram partidos da base aliada do governo federal: Eduardo Braide e Duarte Júnior.

Braide é do Podemos e Duarte é do Republicanos. Ambos os partidos não possuem alinhamento ideológico com o PT ou com o campo democrático-popular.

Ao analisar meticulosamente quem apoiar neste segundo turno, o PT e as demais forças de esquerda devem considerar que não se trata de uma opção meramente ideológica, posto que ambos os candidatos não possuem afinidade política com o campo democrático-popular.

O candidato Duarte Júnior, que abandonou as fileiras do PCdoB para se filiar ao partido dos filhos de Bolsonaro (Republicanos), já fez declaração pública – como se fosse motivo de orgulho – de que integra o partido da base aliada de Jair Bolsonaro, usando tal discurso como meio de conquistar apoio político e votos. Outrossim, o candidato Duarte desferiu recentemente ataques ao então candidato do PCdoB à prefeitura, Rubens, e à militância do partido, fazendo insinuações pejorativas e referendando uma posição antipartidária de negação da política.

É importante destacar também que o candidato Eduardo Braide tem adotado uma posição independente na Câmara dos Deputados, tendo votado contrariamente à orientação do governo Bolsonaro em temas importantes como a Reforma da Previdência, o Novo Marco Legal do Saneamento Básico, MP da flexibilização das regras trabalhistas durante a pandemia e o Novo FUNDEB, matérias em que Eduardo Braide se posicionou da mesma forma que a bancada do PT.

A análise sobre o segundo turno deve ser político-eleitoral, com o fito de buscar concretizar um modelo de gestão que seja capaz de desenvolver São Luís e garantir melhorias para a nossa população, sobretudo a mais pobre.

No que se refere à política de alianças, o Podemos em Recife já declarou apoio à candidata Marília Arraes, do PT, no segundo turno, o que reforça a tese de que esse novo momento eleitoral reúne forças e projetos opostos em torno de uma causa maior, que é o desenvolvimento e o bem-estar das cidades e do seu povo.

É legítimo que o PT, seus militantes e lideranças, ou qualquer partido progressista, façam a opção política de apoiar qualquer dos candidatos a prefeito de São Luís, visto que não se trata de uma disputa com a presença de figuras que representam o campo popular e democrático que a esquerda integra.

Cumpre destacar, desde já, o compromisso da CNB – Maranhão com o Governador do Estado, e o projeto que ele representa para a esquerda brasileira, motivo pelo qual ressaltamos o nosso total apoio ao futuro candidato de Flávio Dino ao governo do Maranhão, por entender que é preciso dar continuidade ao ciclo de avanços e conquistas que transformaram a vida do povo maranhense e garantiram mais dignidade aos mais pobres através do Governo Dino.

Diante deste cenário, a CNB Maranhão DECIDE declarar apoio ao candidato Eduardo Braide (Podemos) neste segundo turno, por acreditar que ele é o mais preparado para gerir São Luís e garantir melhores condições de vida para a população, e, principalmente, por ter assumido o compromisso de efetivar políticas que dialogam diretamente com o modo petista de governar, tendo como princípios basilares a luta contra as desigualdades e a defesa da justiça social.

São Luís, 20 de novembro de 2020.
CNB – Maranhão
Coordenação