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Reportagem do Blog do Ed Wilson sobre energia limpa foi tema do vestibular da UEMA

Caiu no Vestibular! Uma reportagem do Blog do Ed Wilson, publicada em 2020, foi tema da questão nº 36 do PAES (Processo Seletivo de Acesso à Educação Superior) da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) para o ingresso em 2026.

A prova foi realizada domingo (30 de nov 2025).

O enunciado da questão refere-se à reportagem sobre a produção de energia limpa na Ilha de Lençóis, em Cururupu, utilizando a força do vento e o sol como fontes.

Um dos vídeos da reportagem entrevista o proprietário da pousada Recanto das Aves, Fernando Gonçalves, que menciona os benefícios do sistema híbrido de energia para o turismo, o comércio e os moradores da Ilha de Lençóis.

Após o enunciado, segue a questão: “Na matéria jornalística, a situação que caracteriza relação ambientalmente sustentável entre a população da Ilha de Lençóis e a natureza do local é a seguinte”, listando 5 opções. A resposta correta é a letra b (veja na imagem).

O mecanismo de energia híbrida foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Breve, o Blog do Ed Wilson voltará à Ilha de Lençóis para verificar como estão as condições dos equipamentos, cinco anos depois da implantação.

Acesse o link para ler e assistir ao vídeo da reportagem: https://edwilsonaraujo.com/energia-solar-e-eolica-veja-como-os-moradores-das-ilhas-de-cururupu-utilizam-os-recursos-naturais/

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Bar da Hora: um ‘oásis’ nos Lençóis Maranhenses

Ed Wilson Araújo

A uma hora e meia de Barreirinhas, navegando pelo rio Preguiças, tem um povoado charmoso, acolhedor e rodeado de encantarias.

Contam os moradores que nos tempos antigos havia ali uma quitanda funcionando noite e dia. Quando os pescadores precisavam de mantimentos, encostavam para abastecer as embarcações antes de encarar o mar aberto. E como o estabelecimento era full time, batizaram de Bar da Hora.

O nome faz jus também a uma gíria maranhense utilizada para qualificar situações fáceis de agilizar ou resolver. Dizer que alguém ou um lugar é “da hora” significa solução, vibrações positivas, coisa boa…

Bondade é pouco para descrever o povoado e a sua hospitalidade. O lugarejo tranquilo está localizado no território de Atins, mas preservado das pousadas sofisticadas e ressorts caríssimos.

As acomodações em Bar da Hora têm preços justos, adaptados ao bolso do visitante em busca de paz, alimentação saudável e boas práticas do Turismo de Base Comunitária (TBC).

Na pousada Ingapura, o único “corre” é feito por Renato Amorim, o cara que resolve os passeios de barco e cuida de muitos afazeres, além de bater papo sobre as curiosidades do lugar e da vida em geral, compartilhados também por Patrícia Nunes, que prepara um delicioso café da manhã servido na varanda com vista para o rio Preguiças.

Ela ainda utiliza as sobras dos alimentos na compostagem, gerando adubo orgânico.

Patricia explica como os restos de alimentos orgânicos viram adubo. Imagens: Ed Wilson Araújo. Edição: Roberto Carvalho

O QUE FAZER?

Bar da Hora tem cerca de 100 casas e 600 moradores sem pressa de “crescer” na lógica do turismo “industrial”. A sobrevivência gira em torno da pesca artesanal, pequeno comércio, cultura ancestral e sustentável. É um lugar para compartilhar os saberes e as práticas de vida dos pescadores, artesãos, ambientalistas e idealizadores de arranjos produtivos – agora denominados empreendedores.

Uma das opções é o Passeio pelos Quintais Produtivos, guiado por Jamerson Lindoso Pereira pelas ruas de areia fofa e terreiros, apreciando a vida simples e os experimentos sustentáveis.

O guia Jamerson, com o filho Francisco, explica o funcionamento do escambo e da compostagem aproveitando sobras de alimentos verdes

A primeira parada é na Casa Novo Horizonte, onde mora o guia Jamerson Pereira. Ele detalha a filosofia do TBC, as práticas de escambo (troca de produtos orgânicos e mantimentos) entre os moradores e a produção de adubo a partir de biodigestor. A compostagem feita com sobras de alimentos (folhagens e cascas de ovo) em uma caixa d’água é outro atrativo especial, bem como a produção de biofertilizante com aproveitamento do esgoto doméstico.

Já no restaurante Grelhado é possível conhecer o biodigestor à base de esterco de gado transformado em adubo orgânico, utilizado na horta que fornece verduras fresquinhas para temperar os alimentos. Além disso, o gás do biodigestor alimenta os fogões na cozinha.

Neuza comemora os resultados do biodigestor: adubo para a horta e gás na cozinha. Imagens: Ed Wilson Araújo. Edição: Roberto Carvalho

Outra experiência sustentável é a fábrica de vassouras cerzidas com garrafas pet, iniciativa de um coletivo de mulheres pescadoras. Elas recebem doações e recolhem as pets no mar. Com uma técnica simples, transformam aquilo que seria lixo em fonte de renda. O galpão da fábrica foi construído em regime de mutirão e as próprias mulheres meteram a mão na massa, enfatizam Ângela Maria Silva e Elciane Santos, responsáveis pelo empreendimento.

Garrafas de plástico viram vassouras, geram trabalho e renda. Imagens: Ed Wilson Araújo

A fábrica, o aproveitamento dos resíduos sólidos e a produção de adubo no biodigestor tiveram apoio e parceria do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e da Setres (Secretaria de Estado do Trabalho e Economia Solidária) em treinamentos e plano de negócios. As vassouras são vendidas por R$ 25,00 cada.

Mineiros, morando em Santa Catarina, o casal Luana e Leonardo, acompanhados da versátil filha Lavínia, de seis anos, chegaram ao Bar da Hora em busca de vivências e interações com as coisas simples da vida, distintas do turismo badalado.

“Estar no povoado Bar da Hora nos possibilitou adentrar a cultura local e conhecer além das belezas naturais do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. O local é permeado de calor humano, simplicidade e uma beleza surreal. A gente se desconecta de cronos para vivenciar o ritmo do sol, da lua, das marés… Eu desejo que a comunidade local se mantenha firme no modelo de TBC, seja visto pelo poder público e amparado nas suas necessidades sem perder sua essência”, resume Luana.

Jordana, Patricia, Leonardo, Lavínia e Luana: viagem e afetos. Foto: Ed Wilson Araújo

Se o visitante quiser fazer uma caminhada hard, vale encarar o percurso até o vizinho povoado Mandacaru, e, depois da trilha, se tiver fôlego, pode encarar a subida dos muitos degraus do farol e ter uma recompensa: contemplar a vista deslumbrante de uma parte preciosa dos Lençóis Maranhenses.

Fique ligado no horário. O Farol do Mandacaru é aberto à visitação somente até 17h.

CULINÁRIA RAIZ

Para comer bem, a preços justos, Bar da Hora oferece três restaurantes. No “Panela Cheia”, pilotado por Ernestina Gomes de Oliveira, vale experimentar arroz de cuxá e peixe grelhado. Depois, sobremesas de doce de caju ou banana.

Cuxá, iguaria típica da culinária dos povos originários, é feito com vinagreira (hibisco), gergelim, camarão seco e outros temperos regionais.

Na casa, recomenda-se a visada para a arquitetura da mureta, utilizando garrafas de vidro no complemento da alvenaria.

Em Bar da Hora é possível observar também as ações do governo federal chegando nos lugares mais remotos. Olhando o futuro, o empreendimento de Ernestina Oliveira estuda opções de financiamento do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) para construir uma pousada.

O restaurante “Grelhado” tem também dois quartos de hospedagem. O visitante pode apreciar a horta viçosa antes de saborear um arroz de couve com peixe frito, tomar um café “da hora” e descansar no redário sob um barracão de palha ventilado pela brisa do rio Preguiças.

Adubada pelo biodigestor, a horta de Neuza abastece a cozinha do restaurante. Foto: Ed Wilson Araújo

O negócio completou 10 anos, administrado por Neuza Oliveira Pires. Antes, ela trabalhava como pescadora e cozinheira, durante seis anos, em bares do balneário Caburé, do outro lado do rio Preguiças.

Ela conta que os turistas passavam direto de Barreirinhas para Atins, mas aos poucos os moradores de Bar da Hora foram buscando parcerias com as agências, o Sebrae, a Embrapa e o Curso de Turismo da UFMA, através da professora Monica de Nazaré Araújo, uma referência em TBC.

“Pedrão” guarda a sete chaves a magia do “licor” de gengibre. Foto: Ed Wilson Araújo

A “Toca do Caranguejo”, administrada pela família de Pedro Pires dos Santos, o Pedrão, oferece um delicioso camarão frito ao alho e óleo. Se der mais sorte, o cliente pode saborear o prato no meio da rua, com os pés na areia branca, em noite de lua cheia, batendo um papo com o dono do estabelecimento.

LUGAR DE ENCANTARIAS

Pedrão tem 50 anos de idade e várias profissões: pedreiro, carpinteiro, eletricista, encanador, pintor, mestre de obras, pescador e cozinheiro.

Ele aprendeu algumas artes da culinária com o lendário e memorável “Paturi”, um dos pioneiros do turismo em Barreirinhas.

Depois do camarão, Pedrão oferece uma deliciosa bebida à base de gengibre, que diz ter poderes especiais, mas a receita é guardada em absoluto segredo.

Além da beberagem mágica, Bar da Hora guarda outros mistérios, como a morraria encantada em formato de cabeça de cuia, visada do outro lado do rio. “O encantado é uma força”, sintetiza o guia Jamerson Lindoso.

A noite em Bar da Hora é um convite ao bate papo sobre as estórias do lugar. Foto: Ed Wilson Araújo

RECONHECIMENTO NACIONAL

Pelo conjunto da obra, em 2024 o Bar da Hora ganhou o Prêmio Braztoa de Sustentabilidade, concedido pela Associação Brasileira das Operadoras de Turismo, um dos mais importantes do setor, em reconhecimento ao trabalho coletivo dos moradores e empreendedores do povoado.

As conquistas foram viabilizadas também pela organização local, desde 2008, através da Associação de Moradores, Pescadores e Pescadoras do Bar da Hora, atualmente presidida por Neuza Oliveira Pires, proprietária do restaurante e pousada Grelhado.

A comunidade também administra o Fundo do Turismo, recurso coletivo e compartilhado para investimentos nas práticas de sustentabilidade no povoado.

Sentado em um banquinho de madeira, no fim de tarde, à margem do rio Preguiças, um homem velho olha o mar. Grisalho, de pele queimada e rugas cavadas entre as sobrancelhas, aprecia com tranquilidade o vai e vem de lanchas motorizadas velozes, indo e vindo, transportando turistas entre a sede do município de Barreirinhas e o badalado point de Atins.

Quando perguntado sobre as coisas do lugar, resumiu: “Siô, o Bar da Hora é outra estória”

COMO CHEGAR

São Luís – Barreirinhas

Carro (em média 3 horas e meia de viagem)

Ônibus: Terminal Rodoviário de São Luís: empresas Guanabara ou Cisne Branco (em média 5 horas de viagem)

Van e microônibus: diversas opções e horários de traslado

Barreirinhas – Bar da Hora

Lancha (voadeira): em média 1 hora e meia de viagem (reservar com antecedência os dias e horários)

Carro tração 4 x 4: Toyota do Caju (contato: 98 – 99147 5541)

Veja aqui todas as opções de hospedagem, transporte e mais detalhes sobre o Bar da Hora

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Potenciais e obstáculos ao turismo no Maranhão

Localizado no litoral ocidental do Maranhão, no município de Apicum-Açu, este porto é um dos principais entrepostos comerciais de peixes e mariscos da Reserva Extrativista Marinha (Resex) de Cururupu.

Saída do porto de Apicum-Açu a caminho das ilhas do Arquipélago de Maiaú

É também um lugar estratégico para o turismo na região da Floresta dos Guarás.

Através do porto você pode tomar uma embarcação e chegar até a lendária Ilha dos Lençóis e ao conjunto insular do Arquipélago de Maiaú, composto por 17 localidades ricas em biodiversidade e encantos visuais.

A Ilha de Lençóis e conhecida pela presença de pessoas com albinismo e referenciada nas encantarias relacionadas ao sebastianismo.

Conta a lenda que o rei de Portugal, Dom Sebastião, morto no século 16, durante uma batalha na África, aparece nas noites de lua cheia montado em um cavalo ou touro ornamentado por joias e cavalga sobre as dunas de areia branca da Ilha dos Lençóis.

A ilha tem uma ótima receptividade, pousadas e acolhida comunitária. Tudo isso é muito bom, mas… o problema é conseguir chegar em Apicum-Açu.

A viagem é longa e tem vários obstáculos. O primeiro deles é o péssimo serviço de ferry-boat na travessia entre São Luís e Cujupe.

Se o viajante optar pelo trajeto totalmente terrestre, através de Vitória do Mearim, tem de enfrentar uma das piores estradas do Maranhão – a MA-014.

Enfim, tenhamos fé, um dia as coisas vão melhorar.

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Turismo: Café Donzelo é atração especial na Serra da Ibiapaba

Foto: Site do Espaço Tuturubá

Quem imagina o Nordeste apenas com sol, calor e praias, precisa ser surpreendido pelo friozinho gostoso da Serra da Ibiapaba, no Ceará.

As belezas do lugar ultrapassam as paisagens exuberantes que a estrada proporciona, surpreendendo a cada momento os viajantes e moradores desse belo território povoado de cidades pequenas e aconchegantes.

Para contratar viagens, fale com o guia Daniel Castro (@danielguiatour), que faz pacotes tanto para a região serrana quanto para o litoral (Camocim e Jericoaquara).

Em Viçosa, por exemplo, não deixe de fora a padaria e restaurante Pão da Vida, parada obrigatória para fazer um delicioso lanche e logo depois visitar a Igreja do Céu ou Nossa Senhora das Vitórias, um lugar incrível de religiosidade e vista panorâmica da encantadora cidade.

Viçosa também é conhecida pelos engenhos de produção de cachaça artesanal e pelo Festival do Mel, Chorinho e Cachaça, realizado em junho.

Já Ubajara tem opções de trilhas, banhos de cachoeira, mirantes e passeio de teleférico (bondinho), seguido de visitação a uma caverna misteriosa.

O café da serra

Outra atração imperdível em Ubajara é o Espaço Tuturubá, uma cafeteria artesanal muito aprazível, onde você pode ter uma boa prosa com Francisco José Gomes, produtor do saboroso Café Donzelo.

“Aqui é um espaço para jogar conversa fora”, convida Gomes.

O Espaço Tuturubá fica 870 metros de altura em relação ao nível do mar, na Serra da Ibiapaba, região propícia para o cultivo do café arábico em área sombreada pela mata.

A produção é totalmente artesanal.

Para falar sobre o Café Donzelo, Francisco Gomes busca as memórias dos seus antepassados para contar sobre a riqueza de alimentos da serra, lugar de acolhida dos sertanejos fugidos da fome e da seca.

“A serra tem alimento o ano inteiro”, orgulha-se o cafeicultor.

As origens do Café Donzelo estão naquele tempo em que os agricultores se reuniam depois da colheita para pilar o café, ou seja, separar a casca do grão e depois fazer a torra utilizando a trempa (fogueira com três pedras grandes) e um tipo de madeira especial queimar.

A peneira e o alguidar também compunham a maquinaria cafeeira muito presente na Serra da Ibiapaba.

Os antepassados de Francisco Gomes tinham uns requintes especiais e segredos no ato de preparar um delicioso café, apreciado pela vizinhança pelo cheiro e sabor deliciosos.

Depois de ler esse texto, você ficou curioso para saber o porquê do nome Café Donzelo??

Mate sua curiosidade assistindo aos dois vídeos abaixo:

Francisco Gomes: prosa e café na Serra da Ibiapaba
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Rádio das Tulhas: som na feira da Praia Grande roda música, afetos e resistência

Texto: Vanessa Aguiar, estudante do 1º período de Jornalismo da UFMA

Revisão: Ed Wilson Araújo

Os sábados na feira da Praia Grande ou Mercado das Tulhas ganharam um tom especial há dois anos, quando o economista e agitador cultural Luiz Noleto instalou uma emissora alternativa no local.

A ideia surgiu no período da pandemia, em 2021, apenas com um celular e uma pequena caixa de som. Perseverante, aos poucos a caixinha foi carinhosamente nomeada de Rádio das Tulhas. Por dois anos, Noleto fez com que a música ecoasse pelo mercado e preenchesse o vazio que a pandemia provocou.

O projeto nasceu com o objetivo de reproduzir a produção musical de artistas maranhenses e de outros bambas do cenário nacional e internacional. No começo, teve o ouvido amigo da produtora cultural Juliana Hadad, do jornalista Zema Ribeiro e do DJ Vitor Hugo, incentivadores para a consolidação do projeto.

Na discotecagem, o DJ Vitor Hugo pilota a rádio em parceria com Luiz Noleto, que cuida também da produção, junto com Filipeza. A marca que contem a identidade visual da emissora (veja detalhe na imagem destacada) foi criada pelo design Regis Chaves. Além da música eletrônica, a rádio conta com a presença de artistas convidados e homenageados fazendo som ao vivo.

Vitor Hugo e Luiz Noleto agitam os sábados pilotando a Rádio das Tulhas

Ao longo de dois anos, dezenas de fazedores e fazedoras de cultura ecoaram no microfone da Rádio das Tulhas, registrados em fotos expostas em um painel que ornamenta o cenário da emissora. “É uma rádio feita para cultura e os feirantes”, define Noleto.

Homenagem ao Samba

Uma data marcante na história da Rádio das Tulhas foi o Dia Nacional do Samba, celebrado em 2 de dezembro, quando uma trupe de artistas lotou o mercado na festa denominada “Kizomba da Rádio das Tulhas”, tendo como homenageado especial o cantor e compositor Joãozinho Ribeiro.

Diante da importância desse gênero musical contagiante, a Rádio das Tulhas e seu anfitrião Luís Noleto prestaram uma grande homenagem ao samba.

Centro Histórico

A palavra tulha significa um local para venda de grãos. É sinônimo de celeiro público onde se comercializam gêneros alimentícios. O Mercado das Tulhas, conhecido também como Feira da Praia Grande, é uma construção do século XIX, localizada no coração da cidade de São Luís, no Centro Histórico.

No passado teve grande importância para o desenvolvimento do Maranhão, por ser o entreposto utilizado pelos principais comerciantes do estado e, portanto, uma referência do poder econômico. Hoje, marca da cultura e história do Maranhão, a Feira da Praia Grande ou Marcado das Tulhas é um ponto turístico obrigatório.

Apesar de o projeto contar com muitos ouvintes e afetividade do público, a Rádio das Tulhas é uma iniciativa independente. Não conta com apoio dos órgãos públicos, mas reivindica apoio para funcionar como equipamento cultural de interesse coletivo na cidade.

A falta de apoio governamental não impediu que a continuidade da rádio. O projeto é mantido com patrocínio dos feirantes e a solidariedade dos freqüentadores do mercado, assim como dos apreciadores da boa música.

Todos os sábados, das 12h às 18h, a rádio atrai muitos visitantes, como Cristina Salazar, aposentada e frequentadora assídua da feira. “Eu espero que o governo e a prefeitura invistam nesse projeto lindo”, reivindica.

Além de atrair visitantes de fora, “a rádio se torna uma atração muito boa para rotatividade dos turistas”, afirma a pedagoga Carla Lima.

E não são apenas os visitantes que se usufruem da boa música e do agradável ambiente. Com tantas atrações no Centro Histórico de São Luís, os feirantes se beneficiam pela quantidade de clientes, que estão cada vez mais interessados em conhecer e provar da nossa cultura. “A rádio traz alegria para as barracas e ajuda nossas vendas”, registra a comerciante Maria Raimunda Mendes.

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PT deve enquadrar Gastão Vieira

Se o partido de Lula quiser, e puder, deve aplicar dois corretivos no deputado federal Gastão Vieira: uma nota de repúdio do Coletivo de Mulheres do PT e o alinhamento de voto na Câmara Federal à bancada progressista, sob pena de expulsão do petismo

Ex-PMDB e Pros, filiado de última hora no PT, Gastão Vieira é um político enraizado na origem das espécies do sarneísmo e foi agregado ao dinismo, quando as duas águas se misturaram.

Mas, o problema não é de onde ele veio, já que quase todos os gatos são pardos no jogo partidário e nos campos de poder.

O foco da crítica é o que ele faz e como vota.

Recentemente, o deputado agrediu verbalmente nas redes sociais a petista e professora universitária Mary Ferreira, só porque ela o criticara pelas sucessivas posições favoráveis à agenda ultraliberal do governo Jair Bolsonaro (PL).

No Encontro de Tática Eleitoral do PT do Maranhão, realizado dias 4 e 5 de junho, o confronto veio novamente à tona e a professora expôs publicamente as contradições do deputado, gerando um tumulto no palco.

O parlamentar vota alinhado à bancada de direita e ultradireita do Maranhão, embora seja base do ex-governador Flávio Dino.

Leia mais e entenda o contexto.

Gastão Vieira foi derrotado para o Senado em 2014 (ainda no campo liderado por José Sarney) e candidatou-se a deputado federal (Pros) em 2018, já convertido ao comunismo maranhense. Ficou na segunda suplência, mas foi efetivado na Câmara Federal graças a um acordo que retirou Rubens Junior (PCdoB) de Brasília para ser candidato a prefeito de São Luís e transformou o primeiro suplente Simplício Araújo (Solidariedade) em titular da Secretaria de Indústria e Comércio.

Bem antes, em 2011, pelas mãos de José Sarney, em aliança com Lula, Gastão Vieira foi ministro do Turismo no governo Dilma Roussef e chefe do então presidente da Embratur, Flavio Dino.

Quando agrediu verbalmente Mary Ferreira, o deputado extravasou a sua superioridade curricular: amigo de Lula, ministro de Dilma e avalizado pela Direção Nacional do PT para ingressar no petismo maranhense pela porta da frente, com direito a agredir uma militante histórica e entrar na lista de pré-candidatos do PT na federação com o PV.

Pelo conjunto da “obra”, cabem duas advertências: uma nota de repúdio do Coletivo de Mulheres do PT e o enquadramento da Direção Nacional. Se continuar votando na pauta bolsonarista, vai ser expulso do partido!

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Lembranças do Amapá antes do apagão: trabalho ambiental e turismo na Amazônia

O Amapá tem uma localização privilegiada. É cortado pela linha do Equador, está encravado na maior floresta do mundo e a capital, Macapá, é a única do Brasil banhada pelo rio Amazonas

Chegada ao Porto de Santana, atracadouro principal do Amapá

Em 2010 fiz uma viagem de barco entre Belém e Macapá, capital do Amapá. Foram 27 horas navegando pelos rios da Amazônia a bordo de uma embarcação típica daquela região. Naquelas águas transitam pessoas do Norte e Nordeste do Brasil por diversos motivos: busca de trabalho, visita aos parentes, tratamento de saúde, mudanças de cidade, turismo e lazer.

Pássaros acompanham os barcos na hora do almoço

Durante o trajeto, além da riqueza cultural das personagens dentro do barco, é possível conhecer as belezas e as mazelas de uma parte da Amazônia.

O repórter nas águas da Amazônia

Na viagem encontrei uma família que estava dispersa há 20 anos e se reconectou através de cartas e mensagens enviadas para emissoras de rádio.

Veja a reportagem aqui e aqui

Uma década depois da minha viagem, Macapá ganha visibilidade na mídia nacional devido ao apagão que atingiu vários municípios do Amapá.

Fico tentando imaginar o sofrimento das pessoas diante da situação e a morosidade do governo federal para tomar providências e solucionar o problema.

Macapá estava invisível até então e só entrou no noticiário nacional em decorrência da tragédia.

Bem antes do apagão de 2020 registrei vários atrativos da orla de Macapá, também chamada “Zaguri” ou “Lugar Bonito”.

Panorâmica do “Zaguri” ou “Lugar Bonito”
Kitesurf na orla do rio Amazonas

É uma parte da cidade ao longo da margem do rio Amazonas onde está localizada a Fortaleza de São José e todo o entorno qualificado com pistas de caminhada, restaurantes, lanchonetes, pistas de caminhada e outros equipamentos destinados às práticas esportivas e de lazer.

Opções de alimentação e lazer no “Zaguri” ou “Lugar Bonito”

Um dos atrativos é um VLT turístico instalado em uma plataforma sobre a margem do rio.

Educação Ambiental

A viagem de 2010 trouxe à minha memória outra ida às terras amazônicas. Em 2001 fiz a primeira viagem ao interior do Amapá, em um trabalho de consultoria para implantar rádios comunitárias nas reservas extrativistas de Maracá e Cajari.

Através da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o projeto “Caravana Ambiental” trilhava as estradas do Amapá a bordo de uma perua (carro semelhante a uma van) com uma equipe multidisciplinar.

Os técnicos da Sema adaptaram o carro com um sistema de som denominado “rádio ambiental” e outros equipamentos didáticos como teatro de bonecos e projetor de filmes – o “cine ambiental”.

Além da “Caravana Ambiental”, a Sema ambicionava instalar estações de rádio FM nas próprias comunidades com o objetivo de melhorar o potencial de comunicação junto aos povos extrativistas e ribeirinhos.

Passei uma semana em uma escola agrícola localizada a 200 Km da capital (Macapá), ministrando aulas no projeto de montagem das emissoras comunitárias que posteriormente iriam atuar no trabalho educativo voltado para o desenvolvimento sustentável.

Reportagem sobre a “Caravana Ambiental” no Amapá

À época, registrei todo o trabalho em uma reportagem publicada no Jornal Pequeno (veja imagens), contanto detalhadamente as atividades desenvolvidas em prol do meio ambiente em Macapá.

Como se pode observar, existe uma variada agenda positiva nos territórios do Brasil. O Amapá é um deles.

VEJA MAIS IMAGENS

O repórter na cabine do barco
Acesso à Fortaleza São José
Entrada principal da Fortaleza São José
Guarita da Fortaleza São José e vista para a plataforma do VLT
Fortaleza São José tem vista para o rio Amazonas
Parte interna da Fortaleza São José
Praça em Macapá
Ruínas na Fortaleza São José
Canhões na Fortaleza São José
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Festival das Tulhas mostra a diversidade cultural do Maranhão

O evento irá valorizar toda a cadeia produtiva envolvida na arte de cozinhar, do artesanato ao empreendimento turístico

A combinação do tempero, frutos do mar, frutas e outros elementos da gastronomia maranhense, com a sua base da cultura tradicional indígena, africana e europeia são fontes de inspiração para as grandes descobertas da 4ª Edição do Festival das Tulhas.

O evento ocorrerá virtualmente pelo instagram e youtube nos dias 13, 14 e 15 de outubro de 2020, realizado pela Associação Maranhense de Artesãos Culinários – Amac, em parceria com os mais conceituados representantes dos diversos setores público e privado do Maranhão.

Com a participação de chefs do Maranhão e de todo o Brasil, de renome nacional e internacional, o festival contará ainda, entre os 120 convidados, com sommeliers, mixologistas, mestres cervejeiros, pesquisadores, técnicos, empresários do ramo gastronômico, de bebidas, de cerimonial, alunos, jornalistas, designers, artesãos, representantes de instituições do turismo, do poder público e de ensino.

Objetivo do evento e seu público-alvo

O festival visa trocar experiências, criar de redes de relacionamento entres pessoas, empresas e instituições através da cultura gastronômica e apresentar tecnologias da produção de alimentos.

Esse é o propósito do evento já consolidado no calendário do estado, voltado a um variado público: organizações, produtores, estudantes e pesquisadores das cadeias produtivas da cultura da gastronomia, até profissionais da agricultura, da culinária, do turismo e da comunicação e toda comunidade interessada.

Sabor e Memórias

O Festival das Tulhas 2020 pretende aguçar as memórias afetivas dos participantes, do sabor, do cheiro, da troca de calor humano (mesmo em tempos de distanciamento social).

“Contaremos a história que cada um de nós tem construído a cada dia. Dividiremos, com todos, nossas experiências, vivências, seja nos mercados do mundo, na cozinha, no balcão do bar, colocando água na brasa ou a mão na massa, sempre exercendo a arte de receber bem, harmonizando, ao vivo e em cores, gravado em vídeos, áudios ou textos e até mesmo com fotos, músicas e danças”, detalhou Júnior Ayoub, idealizador e coordenador do evento, membro da Amac.

Saiba mais no Instagram @festivaldastulhas.

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Maranhão inicia retomada gradual do turismo doméstico, mas setor deve seguir “rígido protocolo sanitário”, diz secretário

O setor turístico do Estado aos poucos vem retomando as atividades no Maranhão, mas o retorno deve atender a um “rígido protocolo sanitário de biossegurança”, como explica o secretário de Estado do Turismo (Sectur), Catulé Júnior. 

“Aos poucos, os principais destinos turísticos do Maranhão vêm abrindo as suas portas para os visitantes e esta retomada está sendo feita de forma gradual. Estamos sensibilizando todo o trade turístico sobre a importância de mantermos firmes a vigilância sobre o cumprimento de todos os protocolos e normas sanitárias”, disse o secretário.  

Apesar da reabertura de pontos turísticos que atraem visitantes de vários países, Catulé Júnior frisa que a ênfase nesse momento é o mercado interno. 

“Dentro da nossa política de promoção turística priorizaremos o turismo doméstico, dentro do nosso próprio Estado. Faço aqui um convite a todos os maranhenses, para que façamos de forma responsável, gradativa e gradual uma visita pelos principais destinos turísticos do Maranhão, nossa terra de encantos”, ressalta Catulé. 

Desde o dia 1º, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, destino procurado por turistas do mundo inteiro e de gestão federal, foi reaberto para visitação. Os principais atrativos turísticos de cidades como Tutóia, Fortaleza dos Nogueiras e Riachão, assim como o Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão (Ceprama), em São Luís, também estão abertos.

Lagoas formadas por água das chuvas nos Lençóis Maranhenses

Nesta etapa, o cuidado com a higienização tem que ser redobrado e toda cadeia produtiva envolvida deve adotar métodos que primem pela saúde dos turistas e trabalhadores do setor. 

“É importante salientar que todos eles [reabrem] sob um rígido protocolo sanitário de biossegurança, para que assim nossos turistas e visitantes se sintam mais seguros”, alertou o secretário Catulé Júnior. 

Aplicativo para visitar a Chapada das Mesas com segurança

Considerado um paraíso do ecoturismo, por mesclar rios, cachoeiras e uma exuberante paisagem do cerrado, o Parque Nacional da Chapada das Mesas também começa a receber visitantes.  

Além de mobilizar os atores do turismo para a elaboração dos protocolos sanitários, a Setur apoiou a criação de um aplicativo que indica aos turistas quais prestadores de serviço possuem o “Selo Turismo Responsável”, programa lançado pelo Ministério do Turismo (MTur) que estabelece boas práticas de higienização para cada segmento do setor. Segundo o MTur, o selo é “um incentivo para que os consumidores se sintam seguros ao viajar e frequentar locais que cumpram protocolos específicos para a prevenção da Covid-19”. 

Com o lema ‘Turismo responsável, limpo e seguro’, a ferramenta virtual permite que o usuário saiba, por exemplo, quais meios de hospedagem, agências de turismo ou restaurantes da Chapada das Mesas já estão adaptados às novas regras sanitárias. 

O app também oferece acesso à integra dos protocolos de biossegurança que foram adotados como referências para o retorno seguro da atividade turística no Parque.

“A Setur tem trabalhado para que esses protocolos possam ser implementados e para que a gente possa ter essa retomada da melhor maneira possível, de forma mais segura. Os atores do Turismo de cada município são peças fundamentais na execução desses protocolos”, avalia o superintendente de Turismo da Chapada das Mesas, Beto Kelnner. 

O recurso online conta, ainda, com cartilhas educativas e vídeos que apresentam as belezas da Chapada das Mesas. O aplicativo pode ser acessado de qualquer navegador web, no celular ou no computador, por meio do endereço eletrônico chapadadasmesas.glideapp.io/.

Imagens: Agência de Notícias / Governo do Maranhão
Foto destacada: Poço Azul, na Chapada das Meses, na região sul do Maranhão.

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Conheça a hospitalidade em Ponta dos Almeida, um dos portos para chegar às ilhas de Cururupu

O porto e povoado de Ponta dos Almeida, também conhecido como Aquiles Lisboa, é um dos acessos às ilhas da Reserva Extrativista (Resex) de Cururupu. Nesse lugar aprazível você pode se hospedar na casa de dona Neném e seu Zé Cambeta, pessoas ilustres e receptivas que nos acolheram em mais uma viagem inesquecível pelo litoral ocidental do Maranhão.

Saindo da sede do município de Cururupu você dirige por cerca de uma hora em uma estrada rural até chegar em Ponta dos Almeida, onde pode tomar uma embarcação para as ilhas da Resex.

Nessa viagem nós fizemos o deslocamento até a ilha de Mangunça, em aproximadamente uma hora e meia de viagem, depois contornamos a ilha até chegarmos na praia da Taboa.

Não existem linhas regulares de barcos. Para fazer essa viagem você tem de juntar uma turma e alugar uma embarcação.

A viagem é mais confortável no começo do ano, quando caem as primeiras chuvas, ou após o período chuvoso, em agosto. Nesses dois períodos a estrada Cururupu – Ponta dos Almeida fica em condições razoáveis.

No período das chuvas intensas não é recomendável transitar pela estrada porque tem muitos alagamentos.

Imagens: Marizélia Ribeiro