Livro reúne artistas e pesquisadores para debater a Contracultura no Brasil

Transas da Contracultura Brasileira, organizado por Isis Rost e Patrícia Marcondes de Barros, reúne artigos, poemas, entrevistas, depoimentos e ensaios. Traz nomes como Chacal, Jards Macalé, Luiz Carlos Maciel e os maranhenses Murilo Santos e César Teixeira, além de pesquisadores de diferentes locais do país.

Transas da Contracultura Brasileira resulta do encontro de duas pesquisadoras ligadas na efervescência cultural dos anos 1960 e 1970, Isis Rost, gaúcha radicada em São Luís, e Patrícia Marcondes de Barros, paulistana que vive atualmente em Londrina. Elas reuniram vasto material, que alinha entrevistas e depoimentos de personagens expressivas daqueles anos – tempos de explosão criativa, transformações comportamentais profundas e também de muita repressão política – com textos de pesquisa.

Capa do livro Transas da Contracultura Brasileira


“É um passeio por nomes da literatura, do jornalismo alternativo, da música, das artes cênicas e do audiovisual, quase sempre mais próximos do lado B e da experimentação, numa linguagem direta, sem os excessos teóricos e insossos dos textos acadêmicos”, afirma o professor Flávio Reis, que responde pela coordenação editorial do projeto.

Na primeira parte, temos entrevistas e depoimentos de Luiz Carlos Maciel, Ricardo Chacal, Jards Macalé, Helena Ignez, ao lado dos maranhenses Cesar Teixeira e Murilo Santos, integrantes da primeira turma do Laborarte, e de Edmar Oliveira, participante da cena que se desenvolvia em Teresina, além de uma entrevista realizada por Joca Reiners Terron com Régis Bonvicino sobre Walter Franco.

A segunda parte reúne pesquisadores e colaboradores de diferentes cidades como Teresina, São Luís, Londrina, Rio de Janeiro e São Paulo. Os textos enfocam aspectos diversos da efervescência cultural entre os anos 1960 e 1980, da Tropicália ao movimento Punk, nas áreas de poesia, música, cinema, imprensa alternativa e teatro. Entre os poetas convidados, Celso Borges, Cesar Carvalho e Durvalino Couto Filho.

Um dos ícones da contracultura, Chacal é parte do livro “Transas da Contracultura Brasileira”


“A concepção gráfica do projeto se aproxima do universo das publicações alternativas, ponto em comum entre eu e Patrícia, que conheci em 2018. Desde o ano passado existia a urgência de um projeto que resgatasse, neste período sufocante que atravessamos, os elementos transgressores da contracultura. O livro teve seu pontapé inicial quando nos encontramos pessoalmente pela primeira vez no Rio de Janeiro, em fevereiro, já no dia da entrevista com Chacal”, afirma Isis Rost, que assina o projeto gráfico e a diagramação de Transas da Contracultura Brasileira”. 

O e-book é mais um lançamento da Editora Passagens e estará disponível para download gratuito a partir do dia 26 de julho no blog da Editora Passagens editorapassagens.blogspot.com

O livro abre com um poema de Celso Borges anunciando os ingredientes e o sabor do caldeirão da contracultura.

Olhali Olhalá
Wally alado
No colo de Jorge Salomão
Tresloucado
No caldeirão da contracultura
Meu poema também cabe?
Quem sabe
Deitando e rolando no Gramma
No Drops de Abril de Chacal
Que tal
No coração samurai de Catatau
E coisa e tal
meu poema
Olé olá
No parangolé Tropicália de Oiticica
Que delícia
Meu poema enfim
Nos paletós de Francisco Alvim
Quem sabe
Maio 68 nos muros de Berlim
Meu poema lero lero
Ainda cabe até o fim
Na boca de Cacaso eu quero
Dentro de mim um anjo da contracultura
Que nas asas de Ana C. César
Sobrevoe aquela manhã azul de Ipanema
Queda para o alto
Meu poema
Meu treponema não é pálido nem viscoso
na fumaça de um fino
meu poema
panamérica de Agripino
colírio no olho do sol
quem sabe
nas bancas de revista
Warhol na capa mijando no urinol
de Duchamp
Roda, roda e avisa
Um minuto pros comerciais
Alô, alô, Tristeresina
Vai ver Torquato
Na discoteca do Chacrinha
Vai, Drummond, ser guache
Nas aquarelas da contracultura
Quem sabe!
Quem sabe desfolho a bandeira
Na parte que me cabe
Quem sabe?
Quem sou?
Eu sei
Eu não sei
Por isso
Meu poema vai
e voa
em vão
meu poema nem Seu Sousa
vai e vem e vaia
o caldeirão
da contracultura
não
Me segura que vou dar um traço

SERVIÇO

Transas da Contracultura Brasileira

Organizado por Patrícia Marcondes de Barros e Isis Rost

Editora Passagens – São Luís, 332 páginas

Coordenação editorial – Flávio Reis

Projeto gráfico e diagramação – Isis Rost

Download gratuito a partir do dia 26 de julho no blog da
Editora Passagens: editorapassagens.blogspot.com

Imagem destacada / divulgação / Poeta Ana Cristina Cesar é uma das referências do livro

As músicas desconhecidas de Belchior e Frédéric Pagès

Ed Wilson Araújo

Os alunos têm sempre algo a ensinar para os professores. Esse é o principal sentido de Paulo Freire. E foi assim na primeira aula da disciplina Roteiro para Rádio de 2020. Durante a interação com os estudantes, informei a turma sobre o evento “Diálogos Insurgentes”, que teria a participação dos artistas Frédéric Pagès e Celso Borges.

Ao anunciar o evento contei aos alunos que Pagès, quando jovem, participou ativamente do movimento Maio 68. Logo depois o aluno Ailton Lima sacou uns versos da música Os profissionais, de Belchior, cuja letra é uma crítica ácida aos jovens rebeldes que se converteram em yuppies.

Eu nunca tinha ouvido Os profissionais e fiquei impressionado diante da inventividade do saudoso Belchior com aquela música cantada em um ritmo totalmente estranho ao seu estilo. Isso, por si só, já seria uma provocação?!

Logo na primeira estrofe, ele pergunta e responde:

Onde anda o tipo afoito
Que em 1-9-6-8
Queria tomar o poder?
Hoje, rei da vaselina,
Correu de carrão pra China,
Só toma mesmo aspirina
E já não quer nem saber.

A música é atualíssima para entender os recuos de alguns rebeldes que se entregaram ao sistema, convertidos aos seus próprios interesses, ajoelhados diante da luz feiticeira do vil metal. Na vasta floresta dos idealistas, Belchior distingue os revolucionários dos “yuppies sabor baunilha”, parâmetro para o “herói de boutique / dos chiques profissionais”.

Realizado pelas secretarias de Direitos Humanos (Sedihpop) e Ciência e Tecnologia/Inovação (Secti), os “Diálogos Insurgentes” das águas de março trouxeram ao palco o tema “arte e resistência”, abordados por Frédéric Pagès e Celso Borges em um animado bate-papo com a plateia, no teatro Alcione Nazaré.

Em tempos de avanço das forças conservadoras e do obscurantismo, a dupla palestrante colocou a arte em seu devido lugar, ou fora de qualquer enquadramento, visto que na interpretação de Borges e Pagès a criação estética é visceral e transgressora. Quando age, engendra sedução, inquietude e subversão, carregando a imensurável força de reencantar a realidade. Em tudo isso, arte tem poder!

No dia seguinte aos “Diálogos Insurgentes”, Frédéric Pagès participou da roda de conversa “Literatura (en)cantada: empoderar-se da língua”, juntamente com a professora Joelma Correia (UFMA) e o músico Wesley Sousa. O trio tratou com carinho as relações entre Pedagogia e arte para um auditório lotado e perseverante, no campus do Bacanga.

Pagès relatou sua afinidade com o pensamento de Paulo Freire e Darcy Ribeiro, sintetizando a longa jornada do processo de formação do ser humano: “Educação é tarefa para a vida inteira”, cravou.

Em Diadema, na grande São Paulo, o francês desenvolveu um projeto com jovens da periferia, construindo junto com rappers o protagonismo de um refinado material didático sobre Literatura, envolvendo texto, música e performance.

No experimento de Diadema, a pedagogia sonora é o esteio da Literatura que, cantada, encanta. Assim, um texto Machado de Assis ganha vida na música. Esse trabalho de transposição passa por um navegar de corpo e alma no universo das palavras corporificadas na voz dos intérpretes rappers.

Escritor, cantor, compositor e produtor, Frédéric Pagès desenvolve suas atividades na música e na Literatura entre a França e o Brasil há 40 anos, período em que participou de inúmeros projetos culturais de intercâmbio entre os dois países.

Entre outras “artes”, em 2019 Pagès se autoproclamou presidente da França, inspirado no ator brasileiro José de Abreu.

Na sua estada em São Luís ele apresentou canções e poemas no pocket show “Passion Brésil”, versão sintética do espetáculo homônimo estreado recentemente, em Paris, celebrando quatro décadas de relação com a cultura brasileira, que também dá título ao seu CD lançado em 2019.

Veja abaixo vídeos do cantor.

Leia mais sobre a carreira de Frédéric Pagès aqui

Do que vi e ouvi de Pagès, deu para perceber que ele não se enquadra na crítica precisa de Belchior sobre os rebeldes que se perderam no meio do caminho.

Oh! L’age d’or de ma jeunesse!
Rimbaud, “par delicatesse
J’ai perdu (também!) ma vie!”

Em tradução direta:

Oh! A idade de ouro da minha juventude!
Rimbaud “por delicadeza
Perdi (também!) minha vida! “

O artista franco-brasileiro não parece cansado de guerra. Na sua maturidade, empunha na arte e no discurso as bandeiras do jovem ativista do Maio 68. Ele segue na marcha da utopia, encantando as pessoas com o poder mágico das palavras e dos sons.

Assim, as músicas (não mais) desconhecidas de Belchior e Frédéric Pagès (ouça aqui) agora fazem parte de um saboroso aprendizado.

Veja abaixo a letra de Belchior.

Os profissionais

Onde anda o tipo afoito
Que em 1-9-6-8
Queria tomar o poder?
Hoje, rei da vaselina,
Correu de carrão pra China,
Só toma mesmo aspirina
E já não quer nem saber.

Flower power! Que conquista!
Mas eis que chegou o florista
Cobrou a conta e sumiu
Amor, coisa de amadores
Vou seguir-te aonde f(l)ores!
Vamos lá, ex-sonhadores,
À mamãe que nos pariu!

Oh! L’age d’or de ma jeunesse!
Rimbaud, “par delicatesse
J’ai perdu (também!) ma vie!”
(Se há vida neste buraco
Tropical, que enche o saco
Ao ser tão vil, tão servil!)

E então? Vencemos o crime?
Já ninguém mais nos oprime
Pastores, pais, lei e algoz?
Que bom voltar pra família!
Viver a vidinha à pilha!
Yuppies sabor baunilha
Era uma vez todos nós!

Dancei no pó dessa estrada…
Mas viva a rapaziada
Que berrava: “Amor e Paz!”
Perdão, que perdi o pique…
Mas se a vida é um piquenique
Basta o herói de butique
Dos chiques profissionais.

I have a dream… My dream is over!
(Guerrilla de latin lover!)
Mire-se o dólar que faz sol
Esplim, susexo e poder,
Vim de banda e podes crer:
“Muito jovem pra morrer
E velho pro rock ‘n’ roll!”

Imagem destacada: Pagés foi ativista e escreveu livro sobre Maio 68
Foto capturada neste site

Diálogos Insurgentes: jornalista francês Frédéric Pagès e o poeta Celso Borges conversam sobre arte e resistência

Censura, resistência e arte serão novamente abordados na 16ª edição do Diálogos Insurgentes, que irá receber o cantor, ator e jornalista francês Frédéric Pagès e o poeta, letrista e jornalista maranhense Celso Borges

A 16ª edição traz a parceria inédita entre a Secretaria de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) e a Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia (Secti) no Diálogos Insurgentes. O tema arte e censura não é novidade no evento, que já recebeu em sua 14ª edição o ator, diretor e produtor cultural Sérgio Mamberti.

Com o tema “Arte da resistência, Resistência da arte”, e mediação do jornalista e professor da UFMA Ed Wilson Araújo, a dupla promete aos participantes, uma viagem por meio das histórias que permeiam as lutas das atividades culturais entre Brasil e França, como a Resistência Francesa ao nazismo e o movimento Maio 68, do qual Pagès foi uma das figuras de destaque.

Frédéric Pagès, um dos convidados da edição, pontua que “a arte não é arte se não denuncia todas as formas de opressão e de aviltamento do ser humano. Se não é exigência constante de dignidade, de lucidez e de criatividade”.

O objetivo dos Diálogos Insurgentes é ampliar o debate intersetorial e transversal de temas contemporâneos relacionados aos Direitos Humanos, assim contribuindo para a disseminação da cultura e educação em direitos humanos nos diversos segmentos da sociedade.

O secretário de Estado dos Diretos Humanos e Participação Popular, Francisco Gonçalves, destacou que a 16ª Edição do “Diálogos Insurgentes” será mais uma boa oportunidade para que os maranhenses tenham acesso a um debate sobre a censura. “Não bastasse a onda de intolerância religiosa, os artistas também sofrem diferentes formas de censura, como a demonização da categoria; a disseminação de fake news sobre a Lei Rouanet e os cancelamentos de shows e exposições, por exemplo. É preciso, neste caso, defender a liberdade de pensamento e criação artística, prevista na Constituição Federal”, pontuou.

CONHEÇA OS DEBATEDORES

*Frédéric Pagès*

Cantor-viajante, Frédéric Pagès navega na fronteira da música e da literatura, lá onde dançam as palavras e onde os textos e ritmos se enlaçam, para tentar reencantar um mundo sob sombras. 

Vivendo há quarenta anos entre a França e o Brasil, concebeu e realizou incontáveis projetos culturais nos dois países, como o “Manual de Literatura Encantada”, um Livro-CD criado e gravado com dez jovens rappers profissionais da periferia de São Paulo, colocando vozes e ritmos, sob sua direção, em textos da literatura brasileira clássica e moderna.

Passion Brésil, seu último disco, é uma “revista de viagem cantada”, gravado no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Belém com alguns dos melhores instrumentistas do Brasil.

Figura de destaque do Maio 68, e também articulista na imprensa francesa e em revistas brasileiras (Cult, Bravo e no.com), Frédéric Pagès lançou na França, em 2018, junto com Jacques Brissaud e Olivier de La Soujeole, a obra “Maio 68 está diante de nós”, livro no qual rememora os eventos desse período tão marcante na história do século XX, vivido por ele tão intensamente, na perspectiva de compreender e de mensurar a sua significação nos dias atuais.

*Celso Borges*

Poeta e letrista, parceiro de Zeca Baleiro, Chico César, Criolina, Gerson da Conceição e Nosly, entre outros compositores, Celso Borges tem 10 livros de poesia editados, entre eles Pelo avesso (1985); Persona non grata (1990); XXI (2000), Música (2006), Belle Époque (2010) e O futuro tem o coração antigo (2013). Vem publicando desde 2016 a série Poéticas Afetivas, títulos em formatos menores e tiragens pequenas. Dentro desse projeto estão os livrinhos Poemas delicados, A árvore envenenada, Carimbo Carinho e Visão todos em parceria com artistas visuais, entre eles Claudio Lima e Márcio Vasconcelos. 

Desde 2005, o artista desenvolve projetos de poesia falada no palco, utilizando referências que vão da música popular brasileira às experiências sonoras de vanguarda e cultura popular. Como resultado desse trabalho fez Poesia Dub, com o jornalista Otávio Rodrigues; A Posição da Poesia é Oposição, com o guitarrista Christian Portela e o percussionista Luiz Claudio; e Sarau Cerol com o compositor Beto Ehongue.

Celso Borges tem poemas publicados nas revistas Coyote e Oroboro, Poesia Sempre, Germinal etc e foi co-editor das revistas culturais Guarnicê (1983/1986), Uns & Outros (1984/1987) e Pitomba! (2011/2014). Com Zeca Baleiro co-produziu o CD A Palavra Acesa de José Chagas (2013). Quatro anos depois, homenageou outra poeta maranhense, Bandeira Tribuzi, produzindo Pão Geral – Tributo a Tribuzi. Os dois discos tiveram a participação de vários artistas brasileiros.

Evento: Diálogos Insurgentes com Frédéric Pagès e Celso Borges

Quando: 05 de março (quinta-feira)

Hora: 17h30 

Onde: Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa Filho)

Inscriçãoparticipa.ma.gov.br (vagas limitadas)

Sindicato dos Bancários realiza encontro no próximo sábado

Com o tema “Por nenhum direito a menos, vamos à luta”, o Sindicato dos Bancários do Maranhão convida a categoria para o I Encontro Estadual 2019, que será realizado sábado (26 de janeiro), das 8h às 17h, na sede administrativa do sindicato, na rua do Sol, Centro de São Luís.

Na ocasião, será discutido o cenário político-econômico do Brasil após as eleições de 2018, além de estratégias de luta contra os ataques do futuro governo Jair Bolsonaro, como a reforma da previdência, a criminalização dos movimentos sociais, as privatizações das empresas públicas e a retirada de direitos dos trabalhadores. 

Para os bancários do interior do estado será disponibilizada hospedagem nos alojamentos do sindicato, assim como o ressarcimento das despesas com transporte (passagem de ônibus) e alimentação.

Manifesto reúne mais de 140 entidades em defesa da EBC

A Frente em Defesa da EBC e da Comunicação Pública divulga carta sobre as ameaças de extinção da Empresa Brasil de Comunicação no debate em curso desde a transição para o novo governo federal.

O texto é assinado por mais de 140 organizações da sociedade e personalidades das mais variadas áreas. O documento segue aberto a apoios, que podem ser formalizados por meio do e-mail emdefesadaebc@gmail.com.

Ajude a divulgar o documento e acompanhe a mobilização das entidades da sociedade e dos trabalhadores da empresa pelas contas: www.facebook.com/emdefesadaEBC e www.facebook.com/ficaEBC.  Veja abaixo o documento integral:

CARTA EM DEFESA DA MANUTENÇÃO DA EBC E DA COMUNICAÇÃO PÚBLICA 

Entrou na agenda da transição para a gestão de Jair Bolsonaro uma possível extinção ou reestruturação radical da Empresa Brasil de Comunicação. Entre integrantes do governo e no debate público, aparecem argumentos contrários que apontam, por exemplo, questões sobre a necessidade de existência da empresa, sua origem, sua vinculação a um determinado partido e acerca dos níveis de audiência. 

A EBC é uma estrutura que adaptou à Constituição duas estruturas históricas: a Radiobrás e a TVE do Rio de Janeiro, ambas criadas em 1975. Portanto, a história da EBC é antiga, com sua contribuição à sociedade há mais de 40 anos. A empresa, e suas antecessoras, passaram pelas mais variadas gestões do Executivo, dos mais distintos partidos. A forma jurídica da EBC, essa sim de 2008, cumpriu o que mandava a Constituição afirmando o sistema público e ajustou as antigas estruturas aos modelos consagrados internacionalmente, como a britânica BBC, a francesa France Televisóns, a italiana Rai e as alemãs ZDF e ARD.

A TV Brasil, mesmo com toda a dificuldade de sinal e falta de investimento em retransmissoras, segundo informações do instituto Kantar Ibope relativas a outubro, foi a 7ª emissora aberta mais assistida do Brasil (com crescimento de 64% desde 2016). Além disso, é a única com programação infantil aberta, veiculando 35 horas semanais.  A Agência Brasil teve 16 milhões de acessos no 1º semestre e distribui conteúdo gratuito para milhares de veículos em todo o país, de portais consagrados a jornais locais. A Radioagência Nacional abastece mais de 4,5 mil estações em todas as regiões com mais de 1 mil conteúdos mensais. A Rádio  Nacional – a mais tradicional emissora brasileira – e a Rádio MEC – a primeira emissora de rádio do país hoje voltada para um público interessado no melhor de nossa música, clássica e popular – se confundem com a própria história do rádio no país. A Rádio Nacional da Amazônia chega aonde nenhum meio de comunicação alcança, enquanto a Rádio Nacional do Alto Solimões cumpre um papel geopolítico central na tríplice fronteira Brasil, Colômbia e Peru. 

Mas a EBC é mais do que seus veículos públicos. Ela é essencial à comunicação de governo por meio da produção da Voz do Brasil, que leva a todo país informações dos 3 poderes, pelo canal NBR, que transmite pronunciamentos e cerimônias de presidentes e ministros, da publicidade legal, que faz um trabalho de veiculação de balanços e comunicados oficiais da Administração Pública. Assim como  Câmara, Senado e Supremo Tribunal Federal possuem suas estruturas, a EBC é a produtora e mantenedora, na forma de serviços, da comunicação de governo. 

E o orçamento da empresa é pequeno perto de sua contribuição. Ele vem variando na casa dos R$ 500 milhões. Além disso, a EBC possui receitas próprias e um fundo próprio que acumula cerca de R$ 2 bilhões e poderia mantê-la pelos próximos quatro anos sem gastos do governo federal. Quanto à sua estrutura, ela está longe de ser inchada, com pouco mais de dois mil funcionários. Quanto aos salários, em que pese remunerações altas na cúpula e nos cargos de gestão, os salários dos trabalhadores concursados estão entre os mais baixos do Executivo Federal.

A comunicação pública não é uma invenção de um partido. É uma modalidade existente desde o início do século XX e com papel de destaque nas sociedades mais liberais do mundo. Governos de todas as  matizes políticas entenderam que a informação e a pluralidade são princípios importantes e que todo país precisa de estruturas que visem atender o público em toda sua diversidade, uma vez que a mídia comercial possui limites pelo seu modelo de financiamento. Tal relevância e necessidade foram reconhecidos na Carta Magna e são defendidos pelas Nações Unidas por meio de organizações como a Unesco e de suas relatorias para a liberdade de expressão. Da mesma maneira,  aqui no Brasil as emissoras estaduais existem desde 1967 sendo reconhecidas por gestões estaduais das mais variadas orientações políticas.

A manutenção da EBC e de seu caráter público, portanto, está ligada ao respeito à própria Constituição. Urge que a classe política faça um debate desapaixonado e apartidário sobre o tema. Ajustes podem ser feitos, uma vez que nenhuma área é imune a críticas. Contudo, não se pode confundir a necessidade de aperfeiçoamento com o fim de serviços essenciais à sociedade brasileira.

Confira aquia lista de entidades signatárias da carta em defesa da EBC

Surge a “Resistência”: corrente do PSOL reúne dissidentes do PSTU em novo campo da esquerda

Na véspera do Dia do Trabalhador, 30 de abril, a NOS (Nova Organização Socialista) e o #Mais (Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista) aprovaram a unificação entre as duas correntes, dando origem à “Resistência”, nova organização da esquerda brasileira, composta por militantes do PSOL de 20 estados e o Distrito Federal.

NOS e #Mais são duas dissidências do PSTU que agora ingressam no PSOL.

“Resistência” prega a unidade da esquerda e afirma que terá atuação nas lutas dos trabalhadores, estudantes, negros, mulheres e LGBTs e no combate à direita de inspiração fascista que cresce no país.

A unidade entre as duas tendências ocorreu após vários debates durante mais de um ano e foi anunciada oficialmente no “Congresso de Fusão”, dias 29 e 30 de abril, em São Paulo. O encontro debateu e votou a Carta de Princípios da nova organização, nome e direção, além de resoluções sobre a situação nacional e diversos temas.

Boulos presidente

No manifesto da fundação, a Resistência assume a pré-candidatura presidencial de Guilherme Boulos. “Construir o PSOL, por reconhecer sua importância, não significa avaliar que ele nos basta. No plano eleitoral, apostaremos na construção de frentes mais amplas de partidos socialistas e movimentos combativos da classe trabalhadora, como a que hoje reúne PSOL, PCB, MTST, APIB e outros movimentos sociais, em torno da candidatura presidencial de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara. Uma candidatura que trabalhamos para lançar e pela qual faremos campanha com entusiasmo”, diz um trecho do documento.

Delegações internacionais e da esquerda brasileira acompanharam o evento.

O ato de lançamento da Resistência teve a presença do deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e Juliano Medeiros, presidente nacional do PSOL, além de movimentos sociais, como o MTST, e organizações políticas e correntes do partido, como a Insurgência.

Com informações do site esquerdaonline

Imagem: esquerdaonline

Solidariedade inibe a prisão de Lula

A grande muralha humana de proteção a Lula, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, provocou um recuo no cumprimento do mandado de prisão do petista, expedido pelo juiz Sergio Moro.

Cercado de militantes, parlamentares, governadores e prefeitos, lideranças dos movimentos sociais, artistas e intelectuais, Lula ganha fôlego e tempo para articular uma alternativa à prisão.

Além da rede solidária diretamente ligada à vida política e partidária, o petista lidera todas as pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial.

Uma eventual prisão, sem apoio da maioria da população, pode ter o efeito contrário ao planejado pela cúpula do Judiciário e da corporação midiática.

Enquanto a Globo e seus satélites aguardam o desfecho final de uma prisão humilhante, a ser narrada com o tom da derrota petista, o povo na rua escreve outro roteiro – da resistência.

A decretação da prisão de Lula, se por um lado regozijou Sergio Moro, por outro acendeu a chama da indignação popular.

Os atos de solidariedade ultrapassaram as barreiras de São Bernardo do Campo e ganharam o país.

Fora do Brasil Lula também é acolhido por manifestos e moções de apoio, denunciando o golpe contra a democracia.

Lula está vivo, firme e forte, transformado em um ente coletivo. Agora, são milhões de “lulas”.

O tempo dirá se ele, com apoio do povo, vencerá a guerra contra Sérgio Moro.

Imagem: Midia Ninja