Bancas de revista realizam roda de conversa com os candidatos à Prefeitura de São Luís

A Associação dos(as) Jornaleiros(as) do Maranhão realiza sexta-feira (30) uma roda de conversa com os candidatos à Prefeitura de São Luís. O objetivo é debater políticas de incentivo à leitura e dialogar sobre a situação das bancas de revista.

O evento acontece às 8 horas, na “Banca do Dácio”, no estacionamento da Praia Grande (ao lado do antigo Viva Cidadão do Reviver).

Nos dois mandatos do prefeito evangélico Edivaldo Holanda Junior (PDT) ocorreu um processo de eliminação das bancas de revista em São Luís, cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, título concedido pela Unesco.

Quase todas as bancas localizadas no Centro Histórico, o coração intelectual da cidade, foram eliminadas no decurso das obras de reforma das praças da Bíblia, Deodoro/Pantheon e João Lisboa.

A extinção das bancas alcançou também a área nobre de São Luís, no bairro Renascença II, onde houve resistência dos proprietários, de militantes dos direitos humanos e dos próprios moradores e frequentadores dos estabelecimentos.

Veja aqui e aqui.

As bancas retiradas do canteiro central da avenida Miécio Jorge (ou avenida do Vale) foram temporariamente colocadas às margens de uma rede de fast food mediante a promessa de que seriam realocadas no estacionamento do tropical Shopping.

A Prefeitura de São Luís chegou a iniciar a construção dos alicerces para reposicionar as bancas, mas o Ministério Público alegou que o local não é adequado.

O juiz da Vara de Interesses Difusos e Coletivos, Douglas de Melo Martins, está mediando o conflito com o objetivo de encontrar uma alternativa viável para a reinstalação dos estabelecimentos no Renascença II, observando a legislação sobre o espaço urbano.

O diálogo entre os(as) gestores(as) das bancas, a Justiça, o Ministério Público e a Prefeitura terá nova etapa dia 10 de dezembro.

Pão com Ovo: a sátira do Brasil

Ed Wilson Araújo

Depois de “um feixe e uma carrada” de apresentações em praças públicas de 70 municípios do Maranhão, em teatros de São Luís, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Salvador, Teresina e na Europa (Portugal), a comédia Pão com Ovo retornou ao palco em curta temporada com o espetáculo “A convenção”.

A derradeira apresentação desse período será realizada quarta-feira (28), no Oito Bar, ao ar livre, no hotel Blue Tree Towers.

Sucesso nos tablados e nas redes sociais, Pão com Ovo tem uma longa estrada percorrida na dramaturgia brasileira. O protagonismo decorre de vários fatores, entre eles muito estudo e trabalho para construir identidades junto ao público.

Um dos achados performáticos dos atores é a imersão nos falares do povo maranhense, frequentando os espaços onde os gestuais e os linguajares são capturados e transformados em texto dramático. Assim, as expressões regionais são facilmente reconhecidas pelo auditório, apanhadas no mergulho profundo na vida real.

Embora tenha o regionalismo como um dos pontos fortes, Pão com Ovo extrapola a cena local porque a arte é universal. Clarisse Milhomem (Cesar Boaes) está para a Península ou Leblon assim como Dijé (Adeílson Santos) emerge da área Itaqui-Bacanga ou da Baixada Fluminense.

Afinal, “coá, eu hein!”, “hum hum”, “hehem”, “tá”, “te toca”, “marminino”, “tô é tu” e outras dezenas de murmúrios e tiradas irônicas do maranhês são ditas de outras formas pelo povão Brasil afora.

No espetáculo “A convenção” a trama percorre um processo eleitoral com todos os vícios de uma disputa marcada pelo pragmatismo e clientelismo tão comuns no cenário político-partidário nacional.

Dijé e Clarisse Milhomem dividem a comédia, desta feita, com uma trupe de atores igualmente talentosos: Davyd Dias (Maçarico), Ricco Lima (Carlos Alberto Ferrari Milhomem), Marluce Emily (Iarde), Magno de Jesus (Mundica Fuçura), João Carvalho (Otávio Gabriel) e Dênia Correia (Jacierma).

Antes e depois do espetáculo o público saboreia o show especial da cantora Luciana Pinheiro.

Pão com Ovo foca no “conflito amigável” entre a socialite “Clarisse Milhomem” e a mulher guerreira de periferia: “Dijé”. Elas atritam porque são de classes sociais distintas, mas se abraçam nas suas diferenças, sem Clarisse incorporar o tom preconceituoso do tipo “eu odeio pobre”.

Quanto à retórica, vale ainda registrar alguns tons do discurso educativo da peça sobre a tolerância e respeito às diferenças de gênero e uma clara posição de combate à homofobia.

Não conto mais detalhes para evitar o spoiler e “estragar o prazer” de quem ainda não assistiu ao espetáculo.

Dou apenas uma dica. Depois da peça fique mais um pouco para apreciar o show de Luciana Pinheiro e, quem sabe, saborear as canjas maravilhosas de Dijé fazendo solo de jazz e rufando o som ancestral dos cantadores de bumba-meu-boi do Maranhão.

Eu vejo Pão com Ovo pensando nas tiradas teóricas de Jesus Martín-Barbero sobre as pulsações estéticas advindas do meio popular como práticas culturais de enfrentamento e resistência diante da arte cultuada nos espaços fechados e reservados a um público refinado, cult.

Em sua obra “Dos meios às mediações”, Martín-Barbero faz um apanhado das variadas pulsações do ambiente popular ressignificadas na dinâmica das transformações culturais. Os cegos violeiros, os pregoeiros das feiras livres, os cantores de rua, o teatro cara a cara nos palcos improvisados a céu aberto, as comédias animadas pelos urros e apupos da plateia exaltada e outras tantas modelagens estéticas dão vida à usina de emoções criativas não oficiais.

Todas essas ousadias de outrora vigoram no tempo presente quando um espetáculo de perfil popular vai aos grandes teatros do país.

Pão com Ovo tem um pouco de tudo isso e algo mais. Incorpora elementos da tragédia grega, do folhetim, da radionovela e da teledramaturgia contemporânea. Pão com Ovo é “Pão com (p)Ovo”.

A sofisticada elite intelectual de São Luís pode até não gostar do estilo popular, mas a maioria adora. Eu estou entre esses milhões de brasileiros encantados com as habilidades retóricas, os movimentos corporais e as elegantes interpretações sonoras da nossa tribo tupiniquim que um dia promete virar Paris.

Vaquinha ajuda rádio comunitária alvo de atentado na ilha de Marajó

A rádio comunitária Arucará FM 104.9, localizada em Portel, na Ilha de Marajó, no estado do Pará, foi alvo de vandalismo na madrugada desta terça-feira (20). Além de pichações por todo a estrutura, vários equipamentos foram destruídos.

O vandalismo gerou resistência e solidariedade. Uma das iniciativas é a vaquinha para ajudar na compra e manutenção de equipamentos. A emissora atua há 20 anos e tem aproximadamente 30 voluntários/colaboradores em seu quadro.

A Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço) vem prestando todo apoio à equipe da rádio comunitária Arucará FM 104,9 e aos seus parceiros e parceiras. “Vamos denunciar todo tipo de perseguição e censura às emissoras comunitárias que são fundamentais no processo de democratização da comunicação. Por isso todo nosso engajamento nessa campanha de solidariedade”, pontuou o presidente da Abraço Brasil, Geremias dos Santos.

Ajude, faça sua doação no link a seguir: http://vaka.me/1485322 ou direto na conta poupança abaixo:

Luiz Tavares da Costa (Viola de Jesus)

Banco do Brasil

Agência: 2486-4

Conta poupança: 1236-X

Variação: 51

CPF: 212.551.132-00

Curtas da Escola de Cinema são premiados no 43º Festival Guarnicê

As produções cinematográficas maranhenses produzidas por alunos, ex-alunos e professores da Escola de Cinema, unidade vocacional do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA), foram premiadas durante a Mostra Competitiva do 43º Guarnicê de Cinema. O curta-metragem “Vitor” foi premiado na categoria melhor desenho de som, melhor ator e melhor ator coadjuvante. O curta “Cicatrizes” recebeu menção honrosa.

De acordo com a gestora da Escola de Cinema do IEMA, Monica Rodrigues, essas premiações enriquecem o trabalho desenvolvido na unidade vocacional. “É muito relevante homenagear o trabalho desses profissionais, já atuantes dentro do cenário cinematográfico, que justificam a razão de ser dessa unidade vocacional Escola de Cinema. Gostaria de parabenizar os alunos e professores premiados. Os curtas são resultado de um trabalho realizado no ano de 2019, na gestão do Josué da Luz. Agradeço imensamente ao Governo do Maranhão, que teve a sensibilidade de oportunizar uma escola de qualificação profissional para cinema totalmente gratuita e de qualidade”, declarou.

O curta-metragem “Vitor”, premiado em três categorias, conta a história de um jovem que frequentava um cursinho e teve de se submeter à crueldade do recepcionista da escola, Jairo, que o ameaça de expor seu maior segredo. Josh Baconi, diretor do curta destaca a importância da conquista. “Fico muito feliz com o resultado, pois o filme é resultado de um exercício do curso da Escola de Cinema. Esses três prêmios recebidos vêm reconhecer o aprendizado obtido nos cursos; são todos iniciantes no cinema e agora premiados por suas atuações. Estou radiante com a premiação. Essas conquistas motivam para continuarmos trabalhando pelo audiovisual maranhense”, contou Josh.

O curta “Cicatrizes”, premiado com menção honrosa no festival, conta a história de Paula, uma criança de 9 anos que mora com a mãe. Sua mãe insiste para ela ir passar o fim de semana com o pai, e a garota insiste em não querer ir. “Esse prêmio acontece pelo valor social da obra, e isso mostra a função que o filme tem de falar sobre a violência contra a criança e adolescentes. Para a Escola de Cinema é uma realização. Estamos em festa, pois essas premiações mostram que a formação audiovisual é importante e engradece esse cenário no nosso estado”, destacou Thaís Lima, produtora do curta.

Segundo o professor do curso de Atuação para Cinema, Al Danuzio, é gratificante ver a evolução dos alunos da Escola de Cinema. “Fico muito feliz de ver nossos alunos conquistando prêmios. Eles merecem muito. Batalham muito para conseguir fazer cinema no Maranhão. Sempre que estou em algum set de gravação da cidade, vejo alguém que estudou na escola. Nossa responsabilidade é muito grande. Estamos neste exato momento definindo os representantes de toda uma cadeia produtiva, e isso acontece no dia-a-dia da Escola de Cinema. Realmente, nos alegra muito quando se percebe que estamos conseguindo”, disse.

As produções foram avaliadas nas categorias: melhor curta, direção, roteiro, direção de fotografia, montagem/edição, trilha sonora original, desenho de som, direção de arte, ator, atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante. As premiadas levam um troféu para casa.

Fonte: Agência de Notícias / Governo do Maranhão

Doações e abaixo-assinado dão força às bancas de revista em São Luís

Retiradas pela Prefeitura de São Luís do bairro Renascença II, por determinação do Ministério Público, as duas bancas de revista e uma de lanches estão temporariamente sem uso, alojadas na margem de uma multinacional de fast food localizada nas proximidades do edifício Monumental.

Destino provisório das bancas é nas cercanias do fast food

Elas serão realocadas para o estacionamento do shopping Tropical, contíguo à avenida Colares Moreira. Enquanto aguardam o novo destino, as famílias que tiram o sustento das bancas estão com as vendas suspensas e sem fonte de renda.

Na dificuldade elas vêm recebendo alguns gestos de solidariedade, como o da estudante de Psicologia Fernanda Soares, que organizou uma “vaquinha” entre amigos para ajudar as jornaleiras. Fernanda cresceu no bairro Renascença II. Quando saía da escola sempre passava na banca de Dona Santinha e criou uma relação de amizade. “Eu soube o que aconteceu e não hesitei em ir lá e dar uma força, no aspecto moral, de estar junto. Depois veio o estalo de fazer essa arrecadação justamente porque elas estão perdendo muito seus dias de venda, a fonte de renda, num período extremamente conflituoso de pandemia e crise social e econômica. É muito triste essa situação e eu resolvi tomar essa iniciativa”, explicou Soares.

Fernanda, de blusa preta, entregou a doação da vaquinha para as
jornaleiras Santinha, Conceição e Marlúcia (da esquerda para a direita)

O dinheiro arrecadado foi distribuído para as três proprietárias de bancas (duas de revista e uma de lanche). Elas ficaram muito agradecidas pelo gesto de solidariedade e seguem todos os dias monitorando os encaminhamentos para a realocação dos estabelecimentos.

Durante a manhã e a tarde as proprietárias também fazem coleta de assinaturas em um abaixo-assinado de apoio. Muitas pessoas que passam pelo local caminhando ou de carro manifestam solidariedade às bancas, que já estavam incorporadas à cena do bairro.

A nova vida para as jornaleiras depende da reforma das bancas danificadas durante o despejo, da construção de uma base de concreto para reassentá-las e da ligação de energia elétrica. Essas providências estão sendo tomadas pela Prefeitura de São Luís, após o acordo mediado pela Defensoria Pública para garantir plenas condições de funcionamento no local determinado – estacionamento do shopping Tropical.

Fernanda Soares avisa que as doações ainda podem ser feitas na conta abaixo:

Quem quiser doar qualquer valor pode depositar na conta acima

Nos dois mandatos do prefeito Edivaldo Holanda Junior (PDT) (2013-2020) ocorreu uma verdadeira perseguição às bancas de revista, que foram eliminadas de todas as praças reformadas pela administração municipal.

Recentemente, diante do processo de extermínio das bancas, os(as) proprietários(as) desses estabelecimentos criaram a Associação dos Jornaleiros e Jornaleiras do Maranhão (veja aqui)

Veja aqui e mais aqui o fio da meada para entender a situação das bancas de revista na única capital do Brasil, São Luis, condecorada com o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, onde as bancas de revista são expurgadas.

Foto destacada / jornaleiras exibem abaixo-assinado em apoio às bancas / Crédito: Ed Wilson Araújo

Coletivo Feminista reivindica direito a creche, parto seguro, atenção integral à educação infantil e Plano Diretor civilizatório

Reivindicações estão sistematizadas na Carta Aberta de Mulheres para as candidaturas à Prefeitura e Câmara Municipal de São Luís.

Veja a carta do Coletivo Materno Feminista, na íntegra, abaixo ou clique aqui.

As candidaturas a Prefeitura e a Câmara Municipal de São Luís precisam se comprometer com as demandas das mulheres e crianças.

As candidaturas a Câmara Municipal devem fazer valer o cumprimento de seu dever em relação a fiscalização dos atos do poder público municipal, portanto, o tema creche e a fiscalização dos recursos que devem ser aplicados na educação infantil pública devem obter atenção e comprometimento permanentes, por parte das candidaturas a Prefeitura e a Câmara Municipal de São Luís.

A educação infantil é um direito assegurado a todas as crianças até 5 anos e 11 meses de idade, sendo que a Emenda Constitucional 59/2009 e a Lei 12.796/2013 estabeleceram a obrigatoriedade da educação das crianças de 4 e 5 anos, motivo pelo qual as taxas de atendimento na pré-escola continuaram mais altas do que na creche.

A falta de creches é um dos grandes desafios a serem enfrentados em nosso país, a média nacional de atendimento de crianças de 0 a 3 anos no Brasil é de apenas 35,18%, segundo dados de 2020 do Relatório de Monitoramento do Plano Nacional de Educação, e em São Luís essa realidade é ainda mais complexa. A Prefeitura de São Luís não tem somado esforços para cumprir o disposto na Lei 13.005/2014 que instituiu o Plano Nacional de Educação, no qual uma das metas determina que sejam atendidas 50% das crianças em creches até 2024. Cabe ressaltar que essa meta já estava colocada desde a Lei 10.172/2001 que instituiu o primeiro Plano Nacional de Educação e como não foi cumprida na década passada consta novamente como meta atual e prioritária para a presente década.

Clamamos por uma reparação histórica e política a ser realizada para o atendimento das crianças de 0 a 3 anos, que teve sua origem vinculada as políticas da área de Assistência Social. As lutas dos movimentos sociais, a divulgação de estudos e pesquisas sobre a aprendizagem e o desenvolvimento infantil e a incorporação desse debate na legislação que introduziu a creche no sistema educacional brasileiro são resultados históricos importantes a serem considerados.

Sabemos que o direito a uma creche de qualidade, com profissionais habilitados e qualificados constitui uma condição necessária para o desenvolvimento biopsicossocial da criança, em um ambiente seguro e distanciado da violência doméstica. As intervenções em termos de cuidado e educação que acontecem na creche potencializam as expressões das crianças em múltiplas linguagens.

A creche é também um espaço institucional, que além de assegurar um ambiente adequado às crianças, garante a possibilidade de as mulheres mães retornarem ao trabalho ou terem condições de voltar a disputar vagas no mercado de trabalho. As condições de mães com filhos em idade pré-escolar afetam sobremaneira a inserção das mulheres no mercado de trabalho, diminuindo as chances de participação e elevando as situações de trabalho precário, de jornada parcial e de trabalho autônomo. A mão de obra das mulheres é mais desempregada que a de homens vide a taxa de desemprego entre mulheres em 2019, que foi 13,1% maior que entre homens (9,2%), segundo dados de 2020, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua.

A atual gestão da Prefeitura comprometeu-se na última campanha eleitoral a construir 25 creches para garantir o direito das crianças e de suas famílias. Passados 8 anos de gestão da administração municipal atual foram construídas 3 creches apenas, concluídas nos bairros Chácara Brasil, Cidade Operária e São Raimundo e que ainda não foram inauguradas até o momento, o que demonstra que a pauta da creche não tem sido prioritária. As crianças de 0 a 2 anos não têm atendimento educacional garantido no município de São Luís em creches públicas, tendo em vista que as poucas existentes atendem apenas crianças maiores de 3 anos.

Muitas famílias, mais de 60% destas chefiadas por mulheres, pagam taxas em creches comunitárias para garantirem o atendimento aos seus filhos e terem as condições de obter renda por meio de seus trabalhos. Em parte significativa das creches comunitárias as estruturas físicas não são adequadas para o desenvolvimento das atividades. Muitos desses locais funcionam em espaços improvisados e são insalubres, não há materiais e brinquedos pedagógicos que atendam às necessidades educacionais das crianças e os profissionais, em sua maioria, trabalham de forma voluntária ou recebem remunerações irrisórias não condizentes ao desempenho de seu trabalho ou as exigências do piso salarial do magistério ou teto salarial estabelecido para cuidadoras de crianças em creches.

Essas condições de trabalho nas creches comunitárias produzem alta rotatividade de profissionais, causando prejuízos ao envolvimento dos profissionais da educação com a proposta pedagógica da creche e aos vínculos estabelecidos entre as crianças e seus professores. Este cenário nos faz defender de forma intransigente o direito à educação, para a faixa etária de 0 a 3 anos. Reivindicamos creches públicas, nas quais as condições da qualidade do atendimento, com a garantia de aplicação de recursos públicos, possuem maior probabilidade de serem alcançadas, com rigorosa fiscalização da Câmara de Vereadores em parceria com as Associações de Pais, famílias, movimentos sociais em defesa da educação pública, conselhos escolares, entre outros.

Como o direito à educação para todas as crianças deve ser cumprido, queremos destacar a importância de garantir acessibilidade, adaptações curriculares e recursos necessários para promover a educação das crianças com deficiência, transtornos do espectro autista e altas habilidades/superdotação. Crianças com esse perfil precisam estar incluídas em creches e pré-escolas regulares e precisam do acesso aos serviços de saúde, que possam apoiar seus aprendizados. O acompanhamento de profissionais como neurologistas, psiquiatras, psicólogos, psicopedagogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, entre outros, deverá ser garantido às famílias dessas crianças como tratamentos complementares, na medida em que se façam necessários. Não aceitaremos retrocessos na inclusão dessas crianças em creches e pré-escolas regulares e nem substituição do ambiente escolar por tratamentos de saúde, que devem ser disponibilizados no contraturno ou nos momentos em que as crianças não estão nas instituições educacionais.

Outro aspecto que merece atenção na disputa eleitoral é o tema da atenção à saúde da mulher, cujo cenário da pandemia covid19 expôs em nível mundial a fragilidade dos sistemas de saúde públicos. Em países periféricos, de economia dependente, essa situação se agravou, aprofundando a desigualdade existente entre as classes sociais. A Atenção Básica de Saúde deve ser reforçada com a estruturação das Unidades Básicas de Atenção à Saúde e os Postos de Saúde devem estar equipados para realizar o atendimento às mulheres, de modo descentralizado nas comunidades.

Na cidade de São Luís, não há uma Lei ou atendimento que garanta às mulheres o parto seguro, livre de violência obstétrica na rede pública. Muitos hospitais não cumprem os direitos das mulheres durante o parto como o direito a um acompanhante. Muitas mulheres sofrem procedimentos desnecessários como a episiotomia. Também não há pré-natal de excelência e não possui nenhuma maternidade sob responsabilidade do poder público municipal. São Luís precisa urgentemente de uma maternidade e que nesta seja garantido o pré-natal e parto seguros. Não há leis municipais que garantam o direito a existência e escolha de doulas para acompanhamento do parto, nem a lei da analgesia, assim como não há lei que garanta o parto seguro em oposição à naturalização da cultura da prevalência do procedimento obstétrico que contém em si mesmo uma dimensão de violência.

Também exigimos das candidaturas um compromisso efetivo com a aprovação de um Plano Diretor, que atenda às necessidades da vida humana, de crianças, idosos, mulheres, pessoas com deficiência, dos animais e da preservação da natureza. Tudo que ocorrerá nesta capital maranhense nos próximos 4 anos, exige a execução de políticas coerentes com o planejamento que está contido no Plano Diretor. Neste documento devem constar diretrizes em relação a construção de prédios e condomínios, saneamento básico, mobilidade urbana, acessibilidade, construção e manutenção de praças, paisagem e unidade de conservação em São Luís, somado ao compromisso daqueles que se dispuserem a representar verdadeiramente os interesses da população, viabilizando e fiscalizando a sua execução, de modo a garantir a qualidade social das políticas públicas, que devem ser uma consequência do referido Plano.

Assinam esta Carta o Coletivo Materno Feminista e outras entidades de direitos humanos, como legítima manifestação em defesa de condições dignas de vida de todas as pessoas que vivem na cidade de São Luís.

Deitando e rolando

Eloy Melonio*

Falar, ler e escrever.

Essas são nossas mais básicas habilidades comunicacionais. A primeira é inata, e se desenvolve em casa, logo nos primeiros meses de vida. Para as outras, a gente precisa de ajuda especializada. Mesmo assim, depois de anos e anos na escola, muitos alunos morrem de medo da prova de redação do ENEM. E, entre uma habilidade e outra, elas estão lá, juntas e misturadas, no maior “auê”.

Isso mesmo! Estou falando das palavras. E foi nelas que, aos 52 anos, encontrei minha primeira e inesquecível lição de poesia, guardada num livro que ganhei de minha nora: “Penetra surdamente no reino das palavras…”.

Apesar de já iniciado na ciência das palavras, só agora, com outro livro, pude apreender a mensagem da primeira lição: “(…) gostava das palavras quando elas perturbavam o sentido normal das ideias”.

Carlos Drummond de Andrade e Manoel de Barros, respectivamente. A eles agradeço essas lições inspiradoras. Dois gigantes das letras que imergiram neste fantástico “reino” de fantasia, beleza e loucura. E, mesmo ausentes, levaram-me com eles nessa imersão poética. Depois disso, não havia como não ser tomado por esse inabalável apego às palavras.

Senti-me ainda mais encantado quando descobri esta outra preciosidade: “De todas as artes a mais bela, a mais expressiva, a mais difícil, é, sem dúvida, a arte da palavra” (Latino Coelho, em A Oração da Coroa).

Pois é, as palavras estão por aí desde que Deus tocou seu bombo, dando início à criação do mundo: bing, bang/ bing, bang. E, com elas, a luz. Com a luz, o dia e a noite. Com o dia, o trabalho. Com a noite, o descanso… e o sexo. E toda a humanidade.

Na narrativa bíblica, tudo era apenas um monólogo: Deus falando consigo mesmo. E aí não entendo por que minha mulher pega no meu pé quando percebe que estou falando sozinho. Mas eu lhe perdoo, porque só mesmo quem cria entende certas manias de outros criadores.

Não se sabe exatamente em que língua Deus falava. Mas, falando, Ele criava e criava. Em cada “obra”, uma palavra para nomeá-la, e outras para definir sua razão de ser. Lulu Santos e Nelson Mota têm razão quando nos advertem: “nada do que foi será/ De novo do jeito que já foi um dia”.

Essa é uma verdade absoluta no mundo das palavras. Porque, antes delas, não existia nada. Tudo era caos. Sem elas, nada do que foi criado teria ganhado personalidade. E, subservientes, sempre cumpriam as ordens do Criador. E, nesse momento primordial, a mais usada era o incansável verbo “haver”. Era Deus falar, e suas ideias tornavam-se reais.

Infelizmente, esse exemplo perdeu-se ao longo do tempo, pois, hoje, especialmente na seara política, a criatura de Deus fala, fala… As promessas dos candidatos no horário eleitoral gratuito na TV e no rádio parecem reprise dos filmes da “Sessão da Tarde”, na Rede Globo. E aí pensamos: já ouvi essa história antes!

Segundo a tradição judaico-cristã, Adão foi o primeiro homem a ouvir a voz do Criador. E parece que se entendiam bem. Talvez porque até então a criatura só ouvia. Quando pôde falar, foi para criticar seu interlocutor e acusar sua companheira: “A mulher que me deste por esposa…” (Gn 3.12).

Criado o mundo, os homens logo descobriram o poder da palavra. E achavam que também podiam tudo. Nessa ilusão, resolveram tirar uma onda com Deus. E construíram sua própria destruição. Não demorou muito, e a sua grande obra, a Torre de Babel, desmoronou, e veio tudo por terra abaixo. De solução, as pobres palavras passaram a ser uma grande “confusão”. Quanto mais falavam os homens, menos se entendiam.

Saltemos no tempo: da Babel do Gênesis para a babel das redes sociais, ou seja, para além das palavras, se é que isso é possível.

Nesse novo cenário, a comunicação ganhou “carinhas”, “mãozinhas”, “dedinhos”, “figurinhas” e “letrinhas” (blz, bjs, rs, mt). Só não se sabe exatamente aonde tudo isso vai nos levar. O salto tecnológico é real e a cada dia lança sobre nós um monte de “novidades”. Um amigo me confidenciou que espera ansiosamente o dia em que possa fazer sua habitual “confissão” por um aplicativo, sem ter de “encarar” o padre.

Apesar de tanta inovação, o homem não evoluiu tanto assim, e está “velhinho em folha”. Quando reflito sobre isso, tenho a mesma indignação de Belchior: “Ainda somos os mesmos/ E vivemos como os nossos pais”.

Não dá para disfarçar que somos muito parecidos com a galera da torre de Babel, porque “em toda a terra havia apenas uma linguagem” (Gn 11.1). Milhões de pessoas nos quatro cantos do planeta já amanhecem conectadas numa rede de “interação” jamais imaginada pelos nossos pais.

Felizmente, não mexo com tudo o que a tecnologia digital oferece. Sou um tanto technophobe (termo inglês para “pessoa que não gosta ou evita nova tecnologia”). Não dou conta de tanta informação e interação. Sou mais admirado e respeitado numa mesa de bar ( rsrsrs). Com isso, tento evitar aquela reclamação que a mulher faz ao marido, que soa igual à música dos “Paralamas do Sucesso”: Por que você não olha pra mim? E, assim, sobrevivo (e bem!) entre o WhatsApp, o Facebook e o Instagram. E só aí já são muitas carinhas e letrinhas para a minha sopa comunicativa.

Nunca vi nada no Tweeter. E tal qual o Zeca Pagodinho em relação ao caviar, eu também só “ouço falar”. Tenho cada vez menos intenção de abrir uma conta nessa rede de intrigas. Porque, segundo alguns amigos, é lá que as “tretas” e os “mimimis” deitam e rolam. E nesse bate-rebate, não há arma mais poderosa que a palavra. E também nunca houve tempo em que ela, como uma prostituta, fosse tão acessível e disponível. É, por assim dizer, uma “influencer” de alto padrão democrático.

E é assim que, de tanto digitar, as pessoas estão se ajustando a esse novo jeito de deitar e rolar em sua comunicação. Parece até que, como digo numa canção, antes de “ir dormir” já estão é “querendo acordar”. E o grande palco para isso, no Brasil, parece que fica mesmo nos gabinetes de Brasília. Dizem que por lá, assim como o “dinheiro” cabem em malas e cuecas, as “palavras” se dão muito bem num habeas corpus. Grande parte do conteúdo digital (blogs, podcasts) se nutre das migalhas dos homens de terno e gravata.

Ao longo da história da comunicação inteligente, homem e mulher vão deitando aqui e rolando ali. Da fofoca para o fuxico, do fuxico para os boatos, dos boatos para as “fake news”.

Quanto a mim, só em “Sapiens, uma breve história da humanidade”, de Yuval Noah Harari (Ed. LP&M), entendi melhor essa coisa de “fake news”. Harari revela: “Nossa linguagem evoluiu como uma forma de fofoca”. E acrescenta que o homo sapiens queria mesmo era saber “quem em seu bando odeia quem, quem está dormindo com quem, quem é honesto e quem é trapaceiro”. Um estilo de vida bem moderno, não acha?

Pois eu acho que nunca fomos tão sapiens como hoje. Parece que o jeito é mesmo se ajustar a este novo padrão de interação em que as pessoas (em lados opostos da conexão on-line) se afagam, se insultam e se lisonjeiam com elogios fáceis.

Imitando o sambista, deixo aos sapiens mais novos minha indagação final: e se as palavras nos deixarem sem voz e resolverem deitar e rolar em outra galáxia?

*Eloy Melonio é professor, escritor, poeta e compositor

Submissão de projetos do Fundo Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente encerra hoje

O Edital de Chamamento Público n° 01, do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Maranhão (CEDCA/MA), estabelece o prazo de até hoje (21) para submissão de projetos pelas organizações da sociedade civil, sem fins lucrativos, para repasse de recursos do Fundo Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (FEDCA/MA).

Divulgado no Diário Oficial do Maranhão, no site e redes sociais da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop), o edital tem como objetivo a seleção de projetos e entidades para celebração de Termo de Fomento para fins de atendimento dos direitos da criança e do adolescente de acordo com a Legislação vigente.

Os projetos submetidos devem ter como objeto o fortalecimento de políticas de promoção, proteção e defesa dos direitos das crianças e do adolescente, podendo prever ações de fortalecimento dos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescentes e Conselhos Tutelares, que promovam formações ou assessoria técnica para regulamentação de fundos municipais; proteger e promover os direitos do segmento em situação de vulnerabilidade; fomentar a intersetorialidade das políticas públicas através de pesquisas e elaboração de planos estaduais municipais  e comunicar e divulgar ações em defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes.

Conforme o edital, poderão participar da seleção, as Organizações da Sociedade Civil sem fins lucrativos e que tenham projetos registrados no respectivos Conselhos Municipais. É preciso possuir comprovante de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), emitido no sítio eletrônico oficial da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com no mínimo, dois anos de cadastro ativo, devendo comprovar experiência prévia.

Confira o edital nesse site

Apruma realiza plenária: em debate a progressão docente e a reforma administrativa

A Apruma realiza hoje, 20 de outubro de 2020, a partir das 18h, importante plenária docente online para discutir assuntos que estão na ordem do dia tanto em plano local, como interstício e progressão docente, quanto os ataques que podem prejudicar ainda mais os serviços públicos e sua força de trabalho via reforma administrativa.

Os procedimentos para participação são os mesmos dos demais encontros virtuais de caráter consultivo realizados pelo sindicato, como consta abaixo, na convocatória da plenária. Assim, não esqueça de entrar em contato com a Secretaria da Apruma nos canais listados na convocatória e garantir sua presença!

Edital de Convocação

PLENÁRIA DOCENTE ONLINE

CONVOCATÓRIA

A Diretoria da APRUMA – Seção Sindical do ANDES-SN, considerando o Art. 5º, incisos V e VI do seu Regimento, a situação pandêmica da Covid-19 e as inúmeras denúncias de docentes que tiveram perdas em seus processos de progressão, ajustes do tempo de interstício e perdas financeiras, convoca toda categoria docente da UFMA para Reunião online, no dia 20 de outubro de 2020 (terça-feira), com início às 18h e término até às 20:30.

A APRUMA utilizará a plataforma Google Meet, cedida pelo ANDES-SN, e por questões técnicas e de segurança, os docentes interessados em participar da reunião receberão o link por e-mail, para tanto deverão informar, a partir da divulgação deste convite e com antecedência mínima de duas horas do início da reunião, seus endereços de e-mail à secretaria da APRUMA, por meio do Whats App: (98)988440401 ou pelo e-mail: apruma.secretaria12@gmail.com.

Pauta:

  • Informes;
  • Discussão sobre perdas financeiras e administrativas nas progressões docentes.
  • Reforma Administrativa – PEC 32/2020
  • Outros.

São Luís, 16 de outubro de 2020

Operação da PF, Ibama e Exército interdita três serrarias próximas de áreas indígenas no Maranhão

Três serrarias são interditadas por ação integrada entre órgãos de controle ambiental e de segurança pública

Uma operação conjunta, realizada entre os dias 14 e 16 de outubro, interditou serrarias no município de Zé Doca, a 302Km de São Luís. A Operação Verde Brasil 2 foi realizada pela Polícia Federal, IBAMA e Exército, com o apoio da Capitania dos Portos do Maranhão, Batalhão de Policiamento Ambiental e Corpo de Bombeiros do Maranhão.

Três serrarias, localizadas no entorno das Terras Indígenas Awá e Alto Turiaçu, foram interditadas, nove fornos foram inutilizados, dois caminhões com madeira pronta foram apreendidos nas proximidades, seiscentos metros cúbicos de madeira em tora foram apreendidos e inutilizados, além de setenta e dois metros cúbicos de madeira serrados.

O setor de inteligência da Polícia Federal foi o responsável por localizar as serrarias. Os criminosos identificados são reincidentes e vão responder pelos crimes ambientais e por receptação.

As ações integradas continuarão e visam o combate a crimes ambientais. A Operação Verde Brasil 2 é coordenada pelo Ministério da Defesa. Está no escopo do Conselho Nacional da Amazônia (CNA), em apoio aos órgãos de controle ambiental e de segurança pública.

Texto e imagem: Comunicação Social da Polícia Federal no Maranhão / cs.srma@dpf.gov.br