Os guardiões da floresta se preparam pra guerra

Por Celso Borges 

15/03/2020

Um índio não descerá de uma estrela colorida e brilhante, numa velocidade estonteante, como diz a canção de Caetano Veloso. E se o fizer um dia, muito além da poesia de nosso cancioneiro popular, é pouco provável que seja um descendente do povo Guajajara, que vive atualmente na região sudoeste do Maranhão, numa terra de 413 mil hectares que equivale a três cidades de São Paulo. São cerca de 20 mil indígenas cada vez mais acuados pela indústria predadora dos madeireiros e plantadores de soja da região. Acuados e condenados, porque quase ninguém parece muito preocupado com o destino deles nos próximos anos.

Mas os Guajajara resistem, tentando carregar suas estrelas aqui mesmo na terra, entre as árvores centenárias que ainda restam e o mel das abelhas que os alimenta. Impávidos que nem Muhamad Ali, mas não tão infalíveis como Bruce Lee, eles resistem como guerreiros, guerreiros da floresta. O cineasta Taciano Brito, 30 anos, está contando essa história por meio do filme WAZAYZAR – Guardiões da Vida, em fase de montagem. Ele convive com os Guajajara há quase três anos e essa convivência mudou a sua vida, como homem e como artista. Começou a filmá-los em meados de 2017 e de lá para cá vem aprendendo a verdadeira história desses povos, tudo muito distante daquilo que lhe foi ensinado nas salas de aulas.

Este não é o primeiro documentário de Taciano, antes ele dirigiu Marina, em 2016, sobre a vida de uma mulher, negra, de Cururupu, que vive na periferia de São Luís. O novo trabalho é antes de tudo uma denúncia e conta como o povo Guajajara vem resistindo à invasão de madeireiros e aos ataques que estes vêm desferindo contra a floresta e a natureza. “Dinheiro no mundo jamais vai comprar a honestidade que eu tenho com a vida de meus parentes”, afirma Laércio, principal personagem do filme e um dos líderes dos guerreiros.

O objetivo do diretor é que WAZAYZAR (nome ancestral do povo Awá Guajáetnia nômade, uma das últimas ainda não contactadaque significa os donos do cocar) fique pronto até o final de 2020 para ser exibido em festivais nacionais e internacionais. Não tem sido fácil fazer o filme porque até agora a obra não recebeu apoio de lei de incentivo alguma, embora o projeto tenha sido feito e apresentado ao poder público nas esferas estadual e federal. “Que Bolsonaro me rejeite, eu até entendo, mas esse silêncio do governo republicano de Flávio Dino é inaceitável”, afirma.

Nesta entrevista, Taciano Brito fala também sobre a experiência mística despertada por este trabalho. Filho de uma família espírita, convive desde pequeno com os espíritos dos índios. No começo, ainda criança, não entendia o que estava acontecendo, tinha medo, mas a vivência do filme trouxe novas revelações que o aproximaram mais ainda desse universo. “É a primeira vez que falo isso publicamente”, confessa.

Taciano Brito, diretor do filme WAZAYZAR - Guardiões da Vida, em fase de montagem Foto by Jesus Peres

Taciano Brito, diretor do filme WAZAYZAR – Guardiões da Vida, em fase de montagem
Foto by Jesus Peres

1- Como começou tua relação com os Guajajara?

Foi por meio de um grande amigo, o Alexandre Cantuária, na época coordenador do Departamento de Saúde Indígena, vinculado ao Ministério da Saúde. Ele é uma pessoa muito querida na comunidade e vivia me contando histórias e situações que passava com os Guajajara. E eu dizia pra ele que tinha vontade de conhecer aquele povo, por conta inclusive da minha linha espiritual, porque sempre trabalhei mediunicamentecom caboclos indígenas como guias. Em 2017, fui para uma reunião estadual com lideranças na aldeia Lagoa Quieta, em Arariboia, a segunda maior terra indígena do Maranhão, que faz fronteira com cinco cidades, entre elas Amarante, Bom Jesus da Selva e Arame, a duas horas de Imperatriz. Todas com uma presença muito grande da indústria madeireira. Arariboia é uma fonte gigantesca de madeira, com muitas árvores centenárias. Muito dessa área foi destruída, isso vem acontecendo desde a época do projeto Carajás, nos anos 1970 e 1980, que segundo os índios foi o estopim para todos os males. Carajás não passa por lá, mas foi por onde tudo começou. Nesse encontro conheci o local, que hoje é a minha casa, na aldeia, onde depois fui batizado. Fui muito bem recebido e fiz algumas amizades, entre elas o cacique Silvio Guajajara, que depois se tornou o primeiro coordenador indígena da Funai. É um grande amigo meu, ele e Fabiana, sua esposa, que me ajudaram muito na minha entrada ali. Outra amizade importante foi a Kari, alfabetizada na aldeia, que saiu de lá com 15 anos, fez faculdade de Direito na UFMA e hoje realiza um trabalho de mestrado sobre mulheres indígenas em situação de cárcere, na UnB (DF). Foi ela quem me motivou a fazer esse documentário. Passamos a noite conversando e no dia seguinte comecei a pegar os depoimentos, já pensando no filme e entendendo as problemáticas deles: invasão territorial, queimadas e conflitos internos por conta dos próprios indígenas que vendem madeira. Há muitos foragidos, imigrantes, traficantes que chegam lá, casam com uma integrante da aldeia e convencem alguns a fazer parceria com madeireiros. Existe também o conflito interno entre os indígenas por causa de falta de dinheiro, de fome etc. É uma situação complexa, difícil, principalmente por causa da influência dos brancos.

2- Qual foi o cronograma das filmagens?

Fiquei uns quatro dias no encontro e depois voltei algumas vezes pra filmar. A primeira gravação foi na Festa do Mel, em meados de 2017, uma celebração ancestral que não acontecia há muitos anos. Um dos grandes líderes e mestres da cultura, o Vovô Vicente, com 104 anos na época, teve a ideia de voltar a fazer a festa, passar os ensinamentos aos mais jovens para que ela não morresse. Tudo isso vai ser mostrado no filme, a importância da relação com a natureza, de manter a floresta viva. O mel é o produto mais importante dessa cultura, mas ele está cada vez mais difícil de encontrar. Filmamos também outras duas grandes festas dos Guajajara, a do Moqueado, ou da Menina Moça, e a Festa dos Rapazes. São celebrações que simbolizam o rito de passagem de homens e mulheres. A gente gravou todo o ritual, os cantos, cheios de misticismo. O filme mostra a importância dessas celebrações para a cultura deles e a luta dos guardiões para que tudo isso continue.

Ritual da festa do Mel, uma das principais celebrações dos Guajajara. Foto by Taciano Brito

Ritual da festa do Mel, uma das principais celebrações dos Guajajara. Foto by Taciano Brito

3- Em 2015 houve na região o maior incêndio da história de terras indígenas no Brasil, que queimou mais de 60% do território. Os incêndios continuam frequentes?

Os indígenas dizem que os incêndios têm aumentado por causa do desmatamento.  Quanto mais a floresta é fechada por dentro, mais ela é úmida e há menos possibilidades de incêndio. Quanto mais descampada, com mais área seca, por conta da destruição dos rios, da devastação, tanto de madeireiros como de fazendeiros, que estão assoreando as nascentes, aí é muito mais fácil que os incêndios existam. Em 2017 houve outro grande incêndio, isso significa menos caça e alimento. Às vezes um incêndio não é criminoso, mas provocado a partir de um incêndio simples que não é controlado a tempo e acaba se alastrando.

4- Qual é a situação atual?

Existe um pequeno grupo nômade naquela região, os Awá Guajá, que não tem nenhum contato com a civilização, por escolha própria. Eles estão praticamente encurralados, mas têm boa convivência com os Guajajara, que respeitam e defendem o espaço deles, considerado o coração daquela terra. No caso dos Guajajara, eles vivem entre dezenas de fazendas de não indígenas e são impedidos de ultrapassar os limites estabelecidos em sua própria terra,  ameaçados por placas de “Perigo! Não ultrapasse a cerca”. Vale lembrar que essa região foi  demarcada pelo poder público federal como área estritamente indígena.  Os indígenas dizem: “a gente não mata quando eles invadem nossa terras, mas se passarmos das cercas podemos ser mortos”. Em menos de cinco anos, 13 lideranças indígenas foram assassinadas por causa  dessa luta pela manutenção da integridade e cultura dos Guajajara. É quase uma guerra civil acontecendo. O filme quer mostrar com esses rituais o que a destruição está ameaçando. Eles não estão conseguindo mais cobrir suas casas pela falta de palha. Tem de cobrir de lona.

5- Tu sabias da existência dos Awá Guajá antes de ir pra lá?

Não, descobri lá. Eles são nômades, de 60 a 100 indígenas, que não fizeram nenhum contato. Porém, na década de 1980, um grande grupo da mesma etnia foi contactado pelos brancos e chegou a ser fotografado por Sebastião Salgado, que os apresentou para o mundo. Outro artista, o cineasta Andrea Tonacci, fez um filme sobre Carapiru, sobrevivente de um massacre dos fazendeiros.  No começo eu queria muito colocá-los no filme, mas no decorrer do processo fui vendo que talvez não seja preciso. Não há contato dos Guajajara com os Awá, até mesmo porque as línguas são diferentes, apesar do mesmo braço lingüístico, o tupi. Mas eles convivem muito bem. Os Guajajara os tratam como um tesouro.

6- Como surgiram os Guardiões da Floresta?

A ideia surgiu em 2008, depois de um massacre feito pelos madeireiros na aldeia Lagoa Comprida, onde a gente tava filmando. Morreram algumas pessoas, entre elas Seu Tomé, que era uma grande liderança. Deram tanto tiro na cara dele que ele ficou desfigurado. Isso marcou muito os indígenas e, aí, criaram os Guardiões. A terra é formada por nove regiões. Cada uma delas tem um coordenador regional e um coordenador geral dos guardiões. Os principais líderes são Laércio, Olímpio e Paulo, todos muito visados pelos madeireiros. Paulo foi assassinado em novembro de 2019.

7- A equipe acompanhou alguma operação dos guerreiros?

Sim, em setembro de 2019, um pouco antes do Paulo morrer. Foi ali que o conheci, a gente acompanhou toda a missão, desde a preparação, a pintura, as orações, tudo, antes de sair. Andamos de quatro a cinco horas de carro até chegar no coração da terra, local mais visado, onde os Awá Guajá vivem. Alguns ficam ali, cuidando do acampamento, caçando e fazendo a comida, e os guerreiros vão atrás dos acampamentos dos madeireiros. Eles já têm os locais mapeados. Em alguns acampamentos a gente chega de carro e em outros têm de fazer uma caminhada.  Passamos três dias andando 30 km diariamente, sol quente, comendo farinha com água, pouca água, atrás de acampamento madeireiro pra fazer o cerco, amarrar os caras, botar fogo no caminhão e levá-los pra delegacia. A gente tava nesse processo, mas tive que voltar pra Imperatriz com minha equipe porque nossa passagem de avião já tava comprada. Eu soube que um dia depois a missão foi um sucesso, prenderam os invasores e os entregaram na delegacia, mas três dias depois estavam soltos. A gente acabou não fazendo esse registro.

8- Existe algum diálogo entre madeireiros e indígenas?

Não, porque quem representa os madeireiros não aparece, são os ricos, alguns políticos da região, que geralmente são donos de madeireiras. Os caras que estão lá são apenas peões, que estão sendo pagos para fazer aquilo.

9- Tentaste conversar com eles em algum momento?

Não, é perigoso. Tem muita grana envolvida no negócio que eles defendem. Não iriam querer colocar a cara deles.

10- O contato com os Guajajara mudou a tua visão dos indígenas?

Na verdade houve uma desconstrução. Tudo o que eu achava que era, não correspondia àquela realidade que vi e vivi. Esse é um dos meus grandes objetivos com o filme, mostrar às pessoas que quase nada disso que a gente pensa sobre eles é verdade. Estar hoje numa terra indígena, em 2020, não é nada do que eu imaginava. Todo o nosso imaginário foi construído por uma visão completamente errada do que seriam os indígenas. O que aprendemos na escola é coisa do passado, totalmente diferente de hoje. Não adianta imaginar os indígenas como eram antes, pelados, dentro de uma oca, isso não existe. Tem aldeia que a construção é tipo Minha Casa Minha Vida. Mas eles não deixam de ser índios por isso. A questão da cor e dos traços também. Eu conheci várias indígenas brancas, louras e de olhos claros, mas que falam a língua, que praticam a cultura de lá, por isso são indígenas também. São filhas de indígenas com europeus, não têm traços índios, mas estão lá, falando a língua fluentemente e praticando a cultura desses povos.  E outra: são mais de 300 povos, cada um com sua história, com suas diferenças. É uma complexidade muito grande, não dá pra dizer que tudo é índio. Por isso é que eles não gostam de serem chamados de índio, porque botam todos no mesmo saco. Só aqui no Maranhão são 12 etnias diferentes, com línguas, ritos e culturas diferentes. Outra acusação contra eles é de que são preguiçosos. A questão é que o tempo deles é completamente diferente do nosso. Eles não criam a mesma estrutura de trabalho que a gente, de oito horas diárias. Acordam e fazem o que têm de ser feito, no tempo deles, e o tempo deles é outro. Como diretor, tinha de me adaptar ao tempo deles e não o contrário, por uma questão de respeito. Às vezes eu queria gravar, mas ficava tomando banho no brejo com eles. E eu falava isso pra minha equipe. A gente precisa vivenciar os momentos, não estamos aqui só pra gravar. Porque se não, não cria a liga e aí fica uma coisa superficial, sem verdade. Quando eu chegava, passava um, dois dias até tirar a câmera pra começar a filmar. Ia na casa de um, de outro, dormia na rede, tomava banho de rio. Eles fazem parte de uma outra cultura e a gente tem de respeitar essa cultura. Sempre que vou lá eu aprendo, por isso ouço muito e falo pouco. O filme tem essa verdade.

 Laércio, um dos líderes dos Guardiões, que sobreviveu ao atentado. Foto by Taciano Brito

Laércio, um dos líderes dos Guardiões, que sobreviveu ao atentado. Foto by Taciano Brito

11- Qual a população Guajajara atual?

Entre 15 e 20 mil, na região de Amarante, Grajaú e Barra do Corda. Nas aldeias mais tradicionais, os povos falam sua própria língua. Dificilmente eles vão falar português contigo. Mas em outras, em que a influência não indígena é grande, poucos ainda falam suas línguas originais. São mais de 150 aldeias. Em geral, são muito calorosos, te tratam bem, mas nas aldeias mais antigas, os idosos são um pouco arredios, isso até eles confiarem em ti. Somente uma vez sofri uma resistência maior, foi na filmagem da Festa dos Rapazes, na aldeia Cajá. Passei por uma situação constrangedora e precisei me impor. Eles começaram a falar na língua deles e quando isso acontece é porque as coisas estão ficando feias. Ficam irritados e temos de manter a serenidade. Nessa situação específica aconteceu que as pessoas que foram comigo não eram tão conhecidas deles, mas depois tudo se resolveu. O problema é que eles estão cansados de ver muita gente chegar lá, querendo filmar, fazer pesquisa etc., mas o retorno disso é nenhum, nada acontece e a situação deles piora cada vez mais. Isso também foi um ponto de reflexão.

12- Os povos indígenas têm relação mais próxima com os órgãos oficiais?

Sim, inclusive em alguns momentos, órgãos como Funai e Ibama, deram apoio às operações, mas só que o processo era extremamente burocrático. Os guardiões ficavam inquietos pela demora das respostas a qualquer pedido que faziam. É impossível esperar três meses pra conseguir uma autorização ou liberação de combustível. No atual governo a coisa ficou pior ainda. Então, eles resolveram ir pra cima e fazer, e criaram uma associação, até mesmo para poder conseguir recursos por outras vias. Eles conseguiram um quadriciclo, conseguem gasolina, mas ainda é muito pouco.

13- Qual a diferença do atual governo em relação aos anteriores?

Nunca foi muito diferente. Agora está mais escancarado, porque os madeireiros sabem que não vai haver punição. Invasão sempre existiu, nunca houve empenho por parte de nenhum governo federal para acabar com ela. Isso é algo que precisa ser dito. Não começou agora, vem acontecendo há vários anos. Claro, em governos anteriores houve algumas assistências, inclusive demarcação, mas as invasões só pioram.

14- Vocês passaram por algum momento tenso durante as filmagens?

Houve dois momentos bem tensos e distintos. O primeiro foi na chegada, na gravação da Festa do Mel. Antes, a gente foi buscar o mel na floresta. Na cerimônia eles utilizam uma quantidade muito grande do produto, fazem um canjirão de mel pra banhar a galera.  Constroem um barracão e penduram 40 litros no teto para a celebração. Foi aí que eu conheci o Laércio, uma das lideranças dos guardiões. Nesse momento ele se revelou o personagem principal do filme. Foi ele que conduziu inicialmente a coleta do mel e a festa foi feita na aldeia dele. No caminho, encontramos com outros índios e quando a gente disse que iria pegar o mel produzido pelas abelhas italianas, um deles falou: – Vou nada! Aí o Laércio me explicou que essas abelhas são extremamente perigosas, só perdem para as africanas. Depois de horas de caminhada, achamos um pé de pequi cheio de mel. Antes de começar a tirar, fazemos uma fumaça para inebriar as abelhas. Aí a gente corta a árvore e abre uma parte pra retirar o mel de dentro. O detalhe é que você não pode matar nenhuma delas. Se fizer isso, as outras caem em cima. Aí, adeus! E as esporadas doem pra caralho. Eu peguei seis, fora as mordidas de formiga. É algo muito tenso. E as filmagens são feitas em close, com a câmera praticamente em cima de Laércio. E o enxame em cima da gente. Depois, com a fumaça, a situação melhora um pouco.  O mel vale ouro para os indígenas, é o principal alimento dos parentes isolados, como eles dizem. Fazem tudo com aquilo. “Pra tirar isso aqui da gente, eles vão ter que me matar primeiro”, me disse o Laércio. Isso é o filme.

Laércio colhendo mel para a grande Festa do Mel. Foto by Taciano Brito

Laércio colhendo mel para a grande Festa do Mel. Foto by Taciano Brito

O outro momento tenso foi depois da morte de Paulo, o Lobo, em novembro do ano passado. A gente tava indo pra lá, encontrar com ele pra acompanhar outra missão na tentativa de pegar as imagens dos caminhões dos madeireiros. Mas ele foi assassinado no dia anterior, morreu exatamente no local em que fomos em setembro. Paulo e Laércio foram caçar sozinhos e os pegaram numa emboscada. Pararam pra descansar um pouco e os assassinos chegaram de surpresa. Rolou um tiroteio e acertaram o Paulo em cheio. O Laércio ainda levou dois tiros, mas escapou e teve que correr 12 km até chegar à aldeia mais próxima. Um capanga dos madeireiros também morreu no confronto. Na noite anterior, Laércio me contou que eles ouviram os Awá cantando, como se estivessem festejando a chegada da chuva.

15- Fala um pouco sobre o clima durante o funeral.

Chegamos na hora do funeral, uma tristeza terrível. Todos eles ali, próximosa a família, o pai dele, Zé Maria, de 70 anos, um dos principais cantores de toda a terra indígena: “não sei mais nem se vou continuar cantando. Perdi meu primeiro filho, que me ajudava, trabalhador”, me disse ele; a mulher de Paulo, 16 anos, que mal fala português, com um filho de dois. Paulo tinha 26 anos. Durante e depois do enterro, fiquei com muito medo, porque as imagens divulgadas nas TVs nos noticiários nacionais e internacionais foram feitas por mim e por dois profissionais da agência Reuters, que também estavam acompanhando a missão. Eu tava a cinco, dez minutos de um povoado lotado de madeireiros e era o único branco ali com uma câmera. Era muito fácil para eles descobrirem quem estava filmando. A gente recebeu áudios em grupo dizendo que eles iriam entrar na aldeia e matar todo mundo. Como houve a morte de um branco no confronto com Paulo e Láercio, eles ficaram ameaçando. Isso pra eles é uma afronta muito grande, mesmo eles estando dentro da terra demarcada. Foram momentos difíceis.

16- O que muda no filme com a morte de Paulo?

Na verdade, não muda muita coisa. Só reforça aquilo que a gente vem falando no filme todo. O assassinato dele é só mais uma prova. O fio condutor, os guardiões e sua história, vai continuar da mesma forma, mas vai ter um momento em que vai ser revelado que o Paulo morre, mas não vai ser logo no início. Quero contar a história dos guardiões, mostrar as festas e a relação entre eles com essas cerimônias, a missão, até chegar no ápice, as festas, quando eles cantam e dançam juntos numa grande força espiritual. Essa celebração é como se eles estivessem se preparando pra guerra. Essa é a vida deles, a resistência. Resistência aos incêndios, às mortes, às invasões, às derrubadas. Vou mostrar cenas de arquivos, declarações horríveis contra eles etc. Essas pessoas deviam era ir pra lá aprender com os indígenas, com a sabedoria deles, sobre a terra, sobre o vento, e não querer exterminá-los. Ou isolá-los, colocá-los como exóticos, como se estivessem num zoológico. É preciso interagir com os indígenas, conhecê-los, se interessar por aquilo que eles têm pra dizer. Mas os brancos madeireiros e alguns produtores preferem dizimar tudo para plantar soja em cima.

17- Nesses quase três anos o que de mais importante tu levas dessa convivência?

Eu me identifico com a cultura indígena, isso é uma referência espiritual. Meu guia de frente, espécie de anjo da guarda, é um índio. Chama-se Caboclo João da Mata e tem outros, Tupinambá, Sete Flechas. Sempre tive essa ligação. Nasci numa família espírita, tinha mediunidade, via muitos espíritos quando criança e sentia muito medo. Lembro de gostar muito de arco e flecha, mas de uma maneira muito superficial, sem entender. Nunca me aprofundei. E comecei a trabalhar desenvolvimento mediúnico, diretamente com incorporação de espíritos indígenas, em trabalhos de cura dentro do centro espírita. E isso nem é muito comum porque o espiritismo normalmente não trabalha com esse tipo de entidade. Quando houve o contato com o Alexandre Cantuária é como se eu sentisse que tinha chegado a hora. Sinto como uma missão. Eu gosto dos povos tradicionais, quilombola, ribeirinho, quebradeira de coco, indígena, é isso, eu já tava nessa linha. Mas de todo o processo, acho que o meu batismo, no dia do meu aniversário, em 2019, dia 6 de setembro, teve um significado muito grande pra mim. A Cynthia Guajajara, irmã do Silvio, foi quem me batizou. Ela é minha mãe, me deu um nome, À’rawì, e é uma grande liderança de base em todo o país. Ganhei meu cocar, meu maracá, cantei, dancei, uma experiência foda!

 Taciano Brito e sua mãe Cynthia, logo após o batismo do cineasta. Foto by Jesus Peres

Taciano Brito e sua mãe Cynthia, logo após o batismo do cineasta. Foto by Jesus Peres

18- Como eles acompanham esses rituais, de quem vem de fora da aldeia?

Todos ali me conheciam, é como se fosse uma família, minha casa. Foi uma cerimônia que aconteceu depois da festa, mais tranquila, com umas 30, 40 pessoas. Eu me sinto mais bem tratado lá do que na casa de vários parentes meus. Acolhimento, afeto, troca, existe um processo, todo mundo cantando e celebrando.

19- Analisando racionalmente a situação, tu achas que há um caminho para o extermínio ou, no mínimo, para a descaracterização total do que é ser indígena?

Do jeito que tá indo, se não existir uma mudança radical, com certeza. Falo isso em relação a tudo, inclusive da implosão do planeta como um todo. Questão ambiental, recursos hídricos, aumento de temperatura etc. A gente foi pro outro lado e cada vez vai ficando mais difícil de voltar. Se conseguíssemos parar o processo agora, ainda teríamos alguma esperança. Mas como é que a gente vai recuperar a Amazônia depois de destruí-la? Tem uma fala do Laércio muito linda no filme: “A gente não tá defendendo isso aqui só por causa da gente, mas também pelos netos de quem está querendo nos matar, só que eles não entendem”. É um depoimento simples, genial, impressionante! O Laércio tem 34 anos e um poder de comunicação e de magnetismo muito fortes. Sabe concatenar tudo de maneira simples, direta. Não é uma utopia, é a realidade, ele tem consciência da complexidade da situação e sabe do que tá falando.

20- Quem tá bancando o filme? Vocês se inscreveram em editais, leis de incentivo, Rouanet ?

A gente já tentou de inúmeras formas, lei de incentivo estadual, edital federal, empresa privada direta, tudo. Tem uma empresa, a Oito Comunicação, que tá tocando isso. E a gente também está se preparando pra fazer as apresentações, inclusive internacionais. O teaser do filme (https://www.youtube.com/watch?v=y6cuk7Re628&feature=youtu.be) tem legendas em inglês, tudo focando nessa abrangência. A gente conseguiu alguns apoios diretos de empresas pequenas, além do apoio das coprodutoras que entraram com a gente, Fábrika Filmes, de São Luís, e Unloop Filmes, do Rio de Janeiro.

21- No caso da lei de incentivo estadual, vocês tiveram o documento de aprovação pra tentar a captação?

Em 2018 a gente escreveu um projeto lindo, feito por um pós doutor, Ramuzyo Brasil, e botou no Minc. Teve uma ótima nota, mas logo depois o ministério foi extinto. Aí, colocamos na lei de incentivo estadual, em fevereiro de 2018, com carta de intenção de patrocínio. Eles dão um prazo de três meses para entrar na reunião da comissão que avalia os inscritos. Dois anos depois e o projeto nunca entrou na pauta dessa reunião para que eu pudesse ou não receber o certificado. Fui na secretaria mais de cinco vezes, falei com todas as pessoas, até com o governador, ao lado de várias representantes da área de cinema. Ele falou que a demora era por causa da demanda, mas que o secretario, na época o Diego Galdino, iria dar continuidade ao processo e coisa e tal. Isso em junho de 2019. Até hoje! Depois disso conversei com o novo secretário, Anderson Lindoso, com a secretária adjunta, com a responsável pelo edital e ninguém resolveu nada. Depois da morte do Paulo, várias pessoas ligadas ao cinema, daqui e de fora do país, me perguntaram por que o projeto não tinha avançado e eu não soube responder. Acho que se esse filme tivesse sido feito e lançado ano passado, a gente poderia ter evitado algumas mortes. Em dezembro, mandei uma mensagem pra secretária ajunta, Caroline Veloso, perguntando a razão pela qual o governo não se interessava por um projeto como esse. Ela não me respondeu. No dia seguinte chegou uma ligação pra mim, eu tava na aldeia, me convocando para uma reunião em cima da hora. Aí, claro, falei que não poderia porque tava filmando. Marcamos pra semana seguinte e o atual secretário não resolveu porra nenhuma. Disse que o projeto entraria na pauta da reunião de dezembro, mas até hoje não tive nenhuma resposta. Já mandei várias mensagens e nada. Cheguei no meu limite, não posso fazer mais nada e não quero mais depender do Governo Estadual pra tocar meu projeto. Foda-se! Vou batalhar outras formas de conseguir grana pra finalizar. Quero ver a cara deles quando o filme estiver participando de um festival internacional importante. Vou levar comigo o Laércio. A voz será dele, muito além do filme, pra denunciar pessoalmente pro mundo inteiro o que tá acontecendo no Maranhão. E o governo, nem seu Sousa.

Celso Borges – poeta, roteirista e jornalista, 11 livros de poesia lançados, entre eles Pelo Avesso (1985), Música (2006), Belle Époque (2010) e O futuro tem o coração antigo (2013)

A Vale e as tragédias ambientais no Maranhão

Justiça nos Trilhos divulga nota pública sobre navio carregado de minério da Vale encalhado próximo à costa maranhense

A Justiça nos Trilhos (JnT), associação de pessoas, comunidades, movimentos sociais, igrejas, sindicatos e grupos de pesquisa, que atuam em defesa dos direitos das comunidades que vivem nas áreas atravessadas pela Estrada de Ferro Carajás (EFC), nos estados do Pará e do Maranhão, se manifesta publicamente sobre a real ameaça de naufrágio do navio MV Stellar Banner carregado de minério da Vale e que encontra-se encalhado próximo à costa do Maranhão desde o início desta semana. Externamos nossa preocupação com o acidente, tanto pelo risco ambiental às águas e ecossistemas locais como em relação à integridade física e vida dos trabalhadores da cadeia de mineração e logística.

Segundo informações da imprensa, da mineradora Vale e da Capitania dos Portos do Maranhão, o navio Stellar Banner, operado pela empresa sul-coreana Polaris com destino a um comprador em Qingdao, na China, sofreu uma avaria na proa, apresentando “ao menos dois locais com entrada de água nos compartimentos de carga por volta das 21h30 desta terça (25) e começou a afundar no Oceano Atlântico”, a causa pode ter sido uma fissura no casco. A embarcação de 340 metros de comprimento com capacidade para 300 mil toneladas de minério de ferro, encontra-se encalhada em um banco de areia há cerca de 100 km de São Luís, após uma manobra do comandante afim de evitar o naufrágio.

A Marinha disse, em nota, que “instaurou um inquérito administrativo para apurar causas, circunstâncias e responsabilidades do incidente”. E informou que um gabinete de crise foi estabelecido “para tratar os possíveis danos ambientais advindos do encalhe da embarcação ‘Stellar Banner’ e dos planos de desencalhe e salvatagem para a retirada desta embarcação do local”.

Exigimos da empresa Vale e Marinha do Brasil que forneçam informações atualizadas sobre o plano de salvatagem e que sejam adotadas medidas rápidas e eficazes  para controle dos efeitos do vazamento de combustível já detectado e com imagens amplamente divulgadas na mídia. Exigimos informações atualizadas sobre as medidas tomadas pelo IBAMA sobre o caso.

O acidente na costa maranhense gera muita preocupação e questionamento quanto à segurança adotada no transporte de minério da Vale, uma vez que não é o primeiro caso envolvendo esse tipo de embarcação. Em 2011, também no Maranhão, o supercargueiro Vale Beijing, estaleiro sul coreano STX com capacidade para 400 mil toneladas de minério de ferro, também apresentou problemas e risco de afundar no litoral do Estado. No ano de 2017, um navio cargueiro com capacidade para mais de 260 mil toneladas de minério afundou com 24 tripulantes na costa do Uruguai, causando a morte de 22 pessoas. O navio era um Stellar Daisy, operado pela Polaris Shipping, da Coreia do Sul, que transportava minério de ferro carregado no terminal da Ilha Guaíba, da mineradora Vale, no Rio de Janeiro, com destino à África do sul. O jornalista R.T. Watson em reportagem de maio de 2017 para o site Bloomberg, relata que após o naufrágio fatal, navios que atendiam a Vale foram inspecionados e que pelo menos dois deles necessitaram de reparos. As embarcações em questão eram do tipo Stellar, chamados de VLOCs (Very Large Ore Carriers), que eram navios-petroleiros antes de serem convertidos.

O site Portos MA traz histórico dos maiores acidentes já registrados no Complexo Portuário do Estado do Maranhão, um deles causados pela Vale, em 1994, quando ainda era estatal. Em 11 de novembro, o navio Trade Daring partiu ao meio em pleno procedimento de carga, duas partes da embarcação afundaram parcialmente, bloqueando o píer I por mais de um mês. Foi necessária uma “mega operação para liberar o terminal que ficou completamente parado por exatos 35 dias”.

Vale lembrar também o naufrágio da Plataforma Sep Orion no canteiro de obras do Pier IV do Terminal Portuário Ponta da Madeira (TPPM/Vale), ocorrido no dia 30 de setembro de 2012. Esse componente da expansão do sistema Carajás foi construído para aumentar a capacidade de exportação de minério de ferro. Na ocasião, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma Ação Civil Pública (ACP 0011645-58.2013.4.01.3700 8 ª Vara da Justiça Federal do Maranhão) contra a Vale S.A e Eusung O&C CO Ltda, na qual houve condenação da Vale a “retirar integralmente as estruturas” que se encontravam submersas na Baía de São Marcos e a recuperar o ambiente da área degradada. A ACP com pedido de liminar foi proposta pelo MPF, em abril de 2013, em “razão da demora na execução do plano de retirada do material submerso”. Havia se passado cinco meses do naufrágio e o material não havia sido removido, trazendo risco à segurança e ameaçando o equilíbrio e preservação do meio ambiente.

Até quando a empresa Vale vai continuar se envolvendo em tragédias ambientais? Como confiar numa empresa que está envolvida nos principais desastres ambientais do Brasil e detém o maior projeto de mineração do pais? Quando a prática empresarial da Vale irá de fato apresentar uma atuação sustentável como a apresentada em suas propagandas? Como o governo ainda permite que essa empresa envolvida em todos esses fatos atue sem uma fiscalização severa e sem ser responsabilizada pelas violações que provoca?

Nós, da Justiça nos Trilhos, seguimos atentos e atentas ao caso e consideramos imprescindível que seja realizado um amplo monitoramento da situação destes navios tanto pelo histórico de acidentes como pelo porte e a potencial capacidade de danos ambientais e humanos graves.

São Luís – MA, 27 de fevereiro de 2020

Parceria da Estácio e Abraço Maranhão abre nova turma de capacitação para radialistas de emissoras comunitárias

Mais uma oportunidade para os radialistas comunitários.

O Centro Universitário Estácio de São Luís e a Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço) no Maranhão informam que estão abertas as inscrições do Projeto de Extensão “Capacitação para Radialistas Comunitários 2020.1”

Para o presidente da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço) no Maranhão, professor Ed Wilson Araújo, a Estácio está de parabéns pela iniciativa. O curso é mais uma oportunidade para que os comunicadores e as comunicadoras das rádios comunitárias possam aperfeiçoar seus conhecimentos e melhorar o desempenho das suas emissoras. “Capacitação é sempre bom para fazer novas descobertas e aplicar os conhecimentos em prol desse meio de comunicação fantástico que é o rádio, com jornalismo, entretenimento e prestação de serviço”, acentuou.

Essa é a nona turma do projeto de extensão que já proporcionou cursos gratuitos para radialistas de todas as regiões do Maranhão.

As aulas começam dia 14 de março de 2020, sempre aos sábados, alternados. Veja abaixo o calendário das aulas.

O curso é gratuito e disponível para os comunicadores das emissoras comunitárias. As vagas são limitadas. As inscrições podem ser feitas através do e_mail abracomaranhao@gmail.com ou do WhatsApp +55 98 8124-6827, com as seguintes informações:

– nome completo

– emissora

– município

– número da carteira de identidade

– e-mail

– fone celular/WhatsApp.

Entre os assuntos a serem abordados, estão:

– Breve histórico do rádio

– Noções de como funciona o rádio

– Modulações

– Tipos de rádio

– Legislação radiofônica

– Funções e atribuições da rádio comunitária

– Técnicas de texto radiofônico

– Técnicas de locução

– Técnicas de entrada ao vivo

– Organização de uma emissora

– Organização de cobertura radiofônica

– Radiojornalismo

– Produção de boletins e matérias

– Produção de entrevista e postura do entrevistador

– Produção de campanhas para rádio

– Produtos radiofônicos

– Mídias sociais no rádio

– O rádio digital

As aulas acontecem em sábados alternados, das 8h às 12h, nas dependências do Centro Universitário Estácio de São Luís (Diamante), obedecendo ao seguinte cronograma:

14 de março de 2020 – Aula inaugural

28 de março de 2020 – Aula 2

18 de abril de 2020 – Aula 3

25 de abril de 2020 – Visita à rádio 1

16 de maio de 2020 – Aula 4

06 de junho de 2020 – Aula 5

20 de junho de 2020 – Visita à rádio 2

04 de julho de 2020 – Encerramento

Enredo da Tuiuti (RJ) traz encantaria da Ilha dos Lençóis, no Maranhão

A escola de samba Paraíso do Tuiuti, do Rio de Janeiro, apresentou no Carnaval de 2020 o enredo “O santo e o rei: encantarias de Sebastião”, do carnavalesco João Vitor Araújo.

Na composição constam duas referências a São Sebastião: uma no Rio de Janeiro e outra no litoral do Maranhão.

Padroeiro dos cariocas, o santo é referenciado especialmente pela comunidade Tuiuti, que também apadrinha a escola de samba.

O enredo é alusivo à lenda de Dom Sebastião, cultuada na Ilha dos Lençóis, localizada no município de Cururupu, no litoral ocidental do Maranhão.

Destaque da Tuiutí /
Foto: Alexandre Mourão G1

A ilha é povoada pelas encantarias originárias da saga do rei português Dom Sebastião, morto no século 16, na batalha de Alcacer-Quibir, no Marrocos, quando tentava reconstruir a pujança econômica de Portugal.

Diz a lenda que nas noites de lua cheia Dom Sebastião renasce em uma aparição, montado em um touro adornado por joias e cavalgando sobre os imensos morros de areia branca da Ilha dos Lençóis.

Devido a incidência do albinismo em uma parte dos moradores da ilha, as pessoas de pele clara são denominadas “filhos da lua”, de certa forma colaborando para o imaginário das encantarias em Lençóis.

Entenda a Geografia

Muitos maranhenses e turistas ainda confundem a região dos Lençóis Maranhenses com a ilha de Lençóis.

A primeira está situada no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses,  uma extensa área que compreende os municípios de Barreirinhas, Paulino Neves, Primeira Cruz e Humberto de Campos.

Essa região é bastante divulgada no trading turístico internacional pelas belezas naturais do rio Preguiças e o conjunto de dunas e lagoas, além das praias que formam um complexo de atrativos até mesmo para a prática de esportes náuticos, como o kitesurf, na localidade Atins.

O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses está localizado no percurso da Rota das Emoções, estendendo-se pelo litoral do Maranhão, Piauí e Ceará.

Já a ilha dos Lençóis está localizada no litoral ocidental do Maranhão, em direção oposta ao Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

Moradora da ilha dos Lençóis, Helena fala sobre a encantaria de Dom Sebastião. Vídeo: Marizélia Ribeiro

Para você se localizar melhor no mapa do Brasil, posicione o dedo no Maranhão. Se você mover em direção ao Ceará indica que está a caminho do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, que tem como principal referência a cidade de Barreirinhas.

Veja o visual da Ilha dos Lençóis, em Cururupu, no litoral ocidental do Maranhão. Vídeo: Marizélia Ribeiro

Se mover o dedo em direção ao Pará vai encontrar o litoral ocidental e nessa direção segue para o município de Cururupu (cerca de 300km de São Luís), onde está localizada a famosa ILHA DOS LENÇÓIS.

Ouça aqui o samba da Paraíso do Tuiuti

Compositores: Moacyr Luz, Cláudio Russo, Aníbal, Júlio Alves, Pier e Tricolor Intérpretes: Celsinho Mody e Nino do Milênio

Veja no vídeo abaixo o comentário sobre a Ilha dos Lençóis.

Em Bacuri, mais dois quilombos são certificados pela Fundação Cultural Palmares

O trabalho de reconhecimento das áreas quilombolas no município de Bacuri, no litoral ocidental do Maranhão, já computa oito certificações oficiais da Fundação Cultural Palmares (FCP). As duas recentes são Jurupiranga e Ponta Seca, que obtiveram as suas certidões de autodefinição expedidas em 02 de janeiro de 2020.

A certidão de autodefinição é expedida pela FCP após a análise do histórico de cada comunidade quilombola. O histórico é um longo trabalho de pesquisa feito por meio de entrevistas com os moradores antigos (memória oral), registros fotográficos e descrição sobre o patrimônio histórico, arqueológico e cultural, descrição dos equipamentos remanescentes da escravatura (ruínas de casa grande, resquícios de engenhos, vestígios de habitações e dos locais do trabalho escravo), posicionamento geográfico das áreas, levantamento histórico, econômico, social e cultural sobre as atividades desempenhadas pelos moradores para a sobrevivência, meios de produção, registros das identidades raciais e étnicas, religiosidade e censo dos moradores.

Certidão da comunidade Jurupiranga

Além do histórico são apresentados os seguintes documentos: ata de fundação e eleição da diretoria da associação dos moradores de cada comunidade; ata de autodefinição dos moradores se reconhecendo remanescentes de quilombos; ata de reunião técnica com os moradores; requerimento encaminhado ao presidente da Fundação Cultural Palmares, em Brasília, solicitando a análise e o reconhecimento mediante a certidão de autodefinição.

Em Bacuri, os históricos e todo o procedimento burocrático são realizados pela Coordenação de Promoção da Igualdade Racial, vinculada à Secretaria Municipal de Assistência Social.

Certidão da comunidade Ponta Seca

A historiadora Klíssia Jéssica Fonseca Ferreira, coordenadora de Promoção da Igualdade Racial em Bacuri, explica que o histórico é uma etapa fundamental para reunir todos os registros e documentos necessários visando à obtenção do documento oficial – certidão de autodefinição – expedido pela Fundação Cultural Palmares, em Brasília. “É um trabalho superimportante através dos questionários que a gente faz nas comunidades e todo o mapeamento. É gratificante contribuir efetivando o levantamento de dados, a montagem do dossiê e encaminhar para a Fundação Palmares. Fico feliz de colher os resultados”, enfatizou Ferreira.

Bacuri tem 14 áreas quilombolas, sendo oito reconhecidas. Desse total, cinco foram viabilizadas durante a gestão de Klíssia Ferreira, no período de junho de 2017 ao início de 2020: Bate Pé, São Félix, Vila Nova, Jurupiranga e Ponta Seca. As outras três são: Bitíua, Barreira e Santa Rosa.

Além desses estão em andamento mais três levantamentos enviados por Klíssia Ferreira que estão em análise pela Fundação Cultural Palmares e podem obter o reconhecimento ainda em 2020.

Carnaval: Abraço divulga músicas de autores maranhenses para as rádios comunitárias

A riqueza de ritmos do Carnaval produzida por cantores e compositores do Maranhão está disponibilizada para tocar nas rádios comunitárias espalhadas nos 217 municípios do estado.

A iniciativa é da Abraço (Associação Brasileira de Rádios Comunitárias) no Maranhão com o objetivo de valorizar, divulgar e encantar os ouvintes com a grande e criativa produção musical dos artistas locais.

Na nuvem distribuída pela Abraço Maranhão estão disponíveis 1,5 giga de músicas carnavalescas e também do bumba-meu-boi.

Qualquer rádio comunitária pode acessar e baixar no seguinte endereço:

https://mega.nz/login

Basta entrar com o e-mail abracomamusicas@gmail.com a senha abracomaranhao

Todas estas músicas foram encontradas na internet. Caso queiram contribuir com outros sucessos regionais, basta fazer upload nesta plataforma https://mega.nz/login  

O repertório tem desde músicas dos antigos carnavais, passando por sucessos memoráveis até escolas de samba, blocos e também bumba-meu-boi.

As produções musicais novas dos grupos e bandas que pretendem disponibilizar suas composições podem procurar a Abraço Maranhão e enviar suas músicas para colocarmos na nuvem.

Basta entrar em contato pelo email: fcemoraes@gmail.com

Relatório do Iphan: dupla franco-brasileira fez escavações ilegais em quilombos no Maranhão

Documento oficial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reafirma na inspeção feita em Bacuri as denúncias publicadas pelo Blog do Ed Wilson sobre as violações de sítio arqueológico na comunidade quilombola São Félix. Os delitos foram praticados pela paraense Magnólia Gonçalves de Oliveira e seu comparsa francês François-Xavier Pelletier.

Leia abaixo as reportagens do Blog do Ed Wilson

A nova pirataria “francesa” em comunidades quilombolas do Maranhão

Pirataria “francesa”: Polícia Civil apreende objetos históricos furtados de comunidades quilombolas no Maranhão

A dupla franco-brasileira fez perfurações e escavações não autorizadas, furto e transporte irregular dos artefatos pertencentes às áreas quilombolas de São Félix e Mutaca. Em relação ao furto de objetos na comunidade Mutaca, o Ministério Público acionou a Justiça, que expediu mandado de busca e apreensão cumprido pelas polícias Civil e Militar na casa onde moravam Magnólia Oliveira e François-Xavier, localizada no povoado Portugal, na periferia de Bacuri, município do litoral ocidental do Maranhão.

Moradores de São Félix observam a mutilação do sítio arqueológico.
Foto: Marizélia Ribeiro.

Concluída a ação policial com ordem judicial, ficou provado que na casa alugada para a dupla franco-brasileira estavam escondidos centenas de achados arqueológicos retirados de São Félix e Mutaca. Em seguida, o Iphan realizou inspeção técnica e emitiu parecer com base em imagens, relatos e trabalho de campo feito por arqueólogo.

De acordo com o relatório do Iphan, as escavações são ilegais, feitas sem autorização, configurando mutilação de sítio arqueológico e transporte de material sem permissão.

Objetos selecionados foram encontrados na casa do povoado Portugal, onde morava a dupla François e Magnólia. Foto: relatório do Iphan

No item “Conclusão e Encaminhamento”, o relatório aponta várias irregularidades cometidas por Magnólia Oliveira e François-Xavier e, ao final, recomenda a tomada de providências contra a dupla de infratores.

O documento do Iphan lista vários trechos da legislação brasileira infringidos por Magnólia e François-Xavier, que agiram de forma ilegal. Para aliciar os moradores dos quilombos, a dupla “prometia” que os objetos retirados das escavações serviriam para implantar um museu em Bacuri e atrair turistas para o povoado Portugal.

Na casa do povoado Portugal também foram encontrados resíduos com anotações em sacos plásticos. Foto: relatório do Iphan

Segundo o relatório do Iphan, “foi elucidado que os objetos constituem artefatos configurados como patrimônio cultural brasileiro de interesse arqueológico, que, por sua vez, são portadores de referência à identidade, dos diferentes grupos que habitam ou habitaram a área em questão.”

Veja abaixo o trecho final do relatório:

“Em síntese, a partir do relatado, pode-se inferir que as escavações arqueológicas, promovidas pelos Senhores François Polletier e Magnólia Gonçalves de Oliveira, na comunidade São Felix, foram realizadas de forma ilegal. Citam-se os seguintes aspectos:

– Escavação sem portaria autorizativa, contrariando a Portaria 07 de 1988.

– Mutilação de sítio arqueológico, conforme Art. 3º da Lei 3.924 de 1961 e Art. 63 da Lei 9.605 de 1988;

– Transporte de material arqueológico sem permissão, segundo Portarias IPHAN 195, 196 e 197 de 2016.

O relatório recomenda, ainda, “tomar as devidas providências quanto à atuação irregular dos Senhores François Polletier e Magnólia Gonçalves de Oliveira.”

Colar misterioso

A brasileira e seu comparsa francês não tiveram qualquer autorização de nenhuma instituição do governo brasileiro para realizar perfurações, escavações e transporte de artefatos históricos e arqueológicos.

Na página 11 do relatório há o registro sobre um colar que teria sido retirado nas escavações, mas não foi encontrado na casa onde Magnólia Oliveira e François-Xavier escondiam os achados arqueológicos.

“Durante a conversa com os moradores da localidade foi relatado que um colar (“colar de crioula”) havia sido encontrado nas escavações da casa grande, local próximo da escavação executadas pelos “franceses” e o mesmo não se encontra entre os materiais que estão na casa, como também, uma âncora de embarcação.”, aponta o relatório do Iphan.

A divulgação do relatório, datado de 10 de dezembro de 2019, reitera técnica e institucionalmente as informações levantadas pelas reportagens do Blog do Ed Wilson desde fevereiro de 2019 sobre a violação das áreas quilombolas. A sequência de matérias sobre a violação dos quilombos foi inclusive contemplada no Prêmio de Jornalismo do Ministério Público do Maranhão, na categoria webjornalismo, em dezembro de 2019.

Jornalista e professor da UFMA Ed Wilson Araújo recebe prêmio do procurador-geral de Justiça Luiz Gonzaga Coelho pela reportagem sobre pirataria francesa em Bacuri

Após as reportagens e a repercussão em diversos meios de comunicação do Maranhão e na Teia de Comunicação Popular do Brasil as perfurações foram suspensas e a dupla de infratores não circula mais pelas áreas quilombolas de Bacuri. Segundo testemunhas, François-Xavier deixou a casa do povoado Portugal alguns dias antes da operação policial. Ele colocou no carro várias caixas e malas e nunca mais voltou.

Leia as matérias sobre a premiação do Blog do Ed Wilson no site do Ministério Público, no site Agenda Maranhão, no Jornal Pequeno e na Agência Tambor.

Conheça a hospitalidade em Ponta dos Almeida, um dos portos para chegar às ilhas de Cururupu

O porto e povoado de Ponta dos Almeida, também conhecido como Aquiles Lisboa, é um dos acessos às ilhas da Reserva Extrativista (Resex) de Cururupu. Nesse lugar aprazível você pode se hospedar na casa de dona Neném e seu Zé Cambeta, pessoas ilustres e receptivas que nos acolheram em mais uma viagem inesquecível pelo litoral ocidental do Maranhão.

Saindo da sede do município de Cururupu você dirige por cerca de uma hora em uma estrada rural até chegar em Ponta dos Almeida, onde pode tomar uma embarcação para as ilhas da Resex.

Nessa viagem nós fizemos o deslocamento até a ilha de Mangunça, em aproximadamente uma hora e meia de viagem, depois contornamos a ilha até chegarmos na praia da Taboa.

Não existem linhas regulares de barcos. Para fazer essa viagem você tem de juntar uma turma e alugar uma embarcação.

A viagem é mais confortável no começo do ano, quando caem as primeiras chuvas, ou após o período chuvoso, em agosto. Nesses dois períodos a estrada Cururupu – Ponta dos Almeida fica em condições razoáveis.

No período das chuvas intensas não é recomendável transitar pela estrada porque tem muitos alagamentos.

Imagens: Marizélia Ribeiro

Ilha de Mangunça e praia da Taboa: duas aventuras de barco pela Reserva Extrativista de Cururupu

Existem várias formas de acessar as ilhas da Reserva Extrativista (Resex) de Cururupu: pelo porto principal localizado na própria sede do município ou nos povoados Pindobal e Ponta dos Almeida (Aquiles Lisboa), portos secundários onde também é possível tomar embarcações e visitar lugares belos na região das Reentrâncias Maranhenses, Floresta dos Guarás ou Arquipélago de Maiaú (os três nomes designam a mesma região).

Chegando em Cururupu, você pode acessar uma estrada rural até chegar em Ponta dos Almeida (Aquiles Lisboa), com um deslocamento de aproximadamente uma hora (de carro). No primeiro semestre a estrada fica bastante danificada devido às chuvas intensas. Por isso é recomendável fazer a viagem entre os meses de agosto até dezembro.

Veja no vídeo abaixo como é feito o percurso de barco.

Mangunça é uma ilha pouco habitada e na área do “fundo da ilha” está localizada a comunidade Taboa, onde vivem seis famílias.

Com belas paisagens de campos, mata, lagos, restinga, apicum, dunas e praia, a Taboa é um lugar desafiador para conhecer. As imagens são de Marizélia Ribeiro.

Não existem rotas convencionais de barcos nem pousadas para o eixo Mangunça/Taboa. Se você quiser desfrutar esses lugares tem de juntar uma turma corajosa e despojada, alugar uma embarcação e encarar a aventura.

Por do sol na praia da Taboa. Foto: Marizélia Ribeiro

Depois de sair da vila principal de Mangunça você segue de barco até o pequeno porto de Taboa. Chegando lá, o deslocamento até a vila de seis casas é feito de carroça e a pés.

Leve protetor solar, chapéu, repelente, saco de dormir, rede ou barraca para acampar. A culinária é farta, principalmente peixe para comer cozido, grelhado ou frito.

Esqueça o bucolismo. Na Taboa se trabalha muito, de chuva a sol, com pescaria, criação de gado, ovinos e caprinos, pequena agricultura familiar e extrativismo.

A vida é dura, mas você encontra pessoas muito agradáveis, como Dutra, Deleon, Nalva, Nildo, Louro e tantos outros que nos receberam nas suas casas.

Embora seja um lugar isolado, de difícil acesso, na Taboa os moradores fazem adaptações com placas solares para obter energia que ilumina das casas e fazem “rodar” aparelhos eletrodomésticos.

Veja como funciona o sistema de energia solar na casa de Nalva e Nildo.

O principal meio de comunicação ainda é o velho rádio AM. Sinal de celular é um sonho, mas um dia chega. Sem luz elétrica, um dos baratos em Taboa é acender uma fogueira e bater papo até tarde da noite, sob um deslumbrante céu estrelado.

Abaixo, veja como é a relação entre os moradores da Taboa e os programas jornalísticos de rádio AM.

Othelino Neto terá de cumprir decisão judicial sobre concurso na Assembleia Legislativa

Por Agência Tambor

19/12/2019

A Assembleia Legislativa do Maranhão, hoje presidida pelo deputado estadual Othelino Neto (PCdoB), não cumpriu uma decisão judicial e deixou de realizar concurso público. A partir de um compromisso assumido por essa mesma Assembleia, o concurso deveria ter sido feito neste ano de 2019, podendo abrir vagas para até 1.275 novos servidores, no legislativo maranhense.

Em novembro de 2018, foi realizada uma audiência de conciliação quando a Assembleia apresentou um cronograma, onde ao longo do ano de 2019 seria publicado edital, divulgadas as provas e homologado o concurso. No entanto, o parlamento presidido por Othelino simplesmente ignorou o compromisso assumido. O ano acabou. E o concurso não foi realizado.

Essa audiência de conciliação, em que foi apresentado o cronograma pela Assembleia, foi comandada pelo juiz Douglas de Melo Martins (da Vara de Interesses Difusos e Coletivos) e contou com a presença dos representantes do escritório Pedro Leonel Pinto de Carvalho e Advogados Associados, que é o autor da ação popular que cobrou a realização do necessário concurso. Além deles, estavam na mesma audiência os representantes do Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa do Maranhão (Sindsalem), do Ministério Público, do poder publico estadual e, obviamente, da Assembleia.

Entrevista na Radio Tambor

Nessa quarta-feira (18/12), o advogado Pedro Eduardo Ribeiro de Carvalho, sócio do escritório Pedro Leonel Pinto de Carvalho e Advogados Associados, esteve na Rádio Tambor e em entrevista aos jornalistas Flávia Regina Melo e Emilio Azevedo disse que a partir do ano que vem a Assembleia pode pagar uma multa diária de até R$ 50.000 (cinqüenta mil reais), caso não cumpra a decisão judicial. Esse foi o valor proposto originalmente pela ação popular. Caberá agora ao juiz Douglas de Melo Martins fazer cumprir a determinação do Tribunal de Justiça do Estado.

Segundo o advogado Pedro Eduardo, no atual momento do processo, o Ministério Público Estadual se manifestou no último mês de novembro no sentido de saber sobre o encaminhamento do cronograma que iria promover o concurso. Ele acredita que entre fevereiro e março do ano que vem a Justiça deve convocar nova audiência para fazer cumprir a decisão que determina a realização do concurso.

Sem concurso e com 433 milhões por ano

Essa decisão judicial determinando que a Assembleia do Maranhão faça concurso e o não cumprimento dessa mesma decisão chama a atenção para uma casa legislativa que, segundo noticiou há pouco mais de um mês o Blog Buliçoso, “terá um orçamento anual de 433 milhões, em 2020”. Segundo o mesmo blog, editado pela jornalista Flavia Regina Melo, “apenas 5% dos servidores são concursados.

Trata-se da mesma Assembleia que, em 2016, foi denunciada por ter funcionários fantasmas, onde até gente nomeada como diretor da Casa recebia sem trabalhar. O concurso público será uma forma de qualificar e dar dignidade a esse poder legislativo. Em 2020, a Agência Tambor estará acompanhando de perto essa questão do concurso da Assembleia Legislativa do Maranhão.

Abaixo, ouça o áudio com a entrevista que o advogado Pedro Eduardo Ribeiro de Carvalho concedeu a Rádio Tambor.