Sociólogo Atílio Boron explica as motivações do golpe na Bolívia

O golpe na Bolívia: cinco lições
por Atilio A. Boron, via GGN
Tradução de Roberto Bitencourt da Silva

A tragédia boliviana ensina, eloquentemente, várias lições que nossos povos e nossas forças políticas e sociais populares devem aprender e registrar em suas consciências para sempre.

Aqui, uma breve enumeração, em tempo real, e como um prelúdio para um tratamento mais detalhado no futuro.

Primeiro, não importa o quanto a economia seja administrada de maneira exemplar, como o fez o governo de Evo, o crescimento, a redistribuição, os fluxos de investimentos são garantidos e todos os indicadores macro e microeconômicos são aprimorados, a direita e o imperialismo nunca aceitarão um governo que não serve a seus interesses.

Segundo, precisamos estudar os manuais publicados por várias agências americanas e seus porta-vozes disfarçados de acadêmicos ou jornalistas para poder perceber os sinais ofensivos a tempo.

Esses escritos invariavelmente destacam a necessidade de destruir a reputação do líder popular, que no jargão especializado é chamado de assassinato do personagem, como ladrão, corrupto, ditador ou ignorante.

Essa é a tarefa confiada aos comunicadores sociais, auto-proclamados como “jornalistas independentes”, que em favor de seu controle quase monopolista da mídia, moldam o cérebro da população com tais difamações, acompanhadas, no caso em questão, por mensagens de ódio dirigido contra os povos nativos e os pobres em geral.

Terceiro, atendidos os parâmetros e as ações expostas acima, é a vez da liderança política e das elites econômicas reivindicarem “uma mudança”, encerrando a “ditadura” de Evo que, como escreveu o notório escritor peruano Mario Vargas Llosa, há alguns dias, é um “demagogo que quer se eternizar em poder “.

Suponho que Llosa estará brindando com champanhe em Madri quando ver as imagens das hordas fascistas saqueando, queimando, acorrentando jornalistas a um poste, raspando a cabeça de uma prefeita e pintando-a de vermelho, destruindo as atas da última eleição para cumprir o mandato de dom Mario e “libertar a Bolívia de um demagogo do mal”.

Menciono o caso dele porque foi e é o imoral porta-estandarte desse ataque vil, desse crime sem limites que crucifica as lideranças populares, destrói uma democracia e instala o reino do terror encarregado de gangues contratadas para repreender um povo digno que a audácia de querer ser livre.

Quarto: as “forças de segurança” entram em cena. Nesse caso, estamos falando de instituições controladas por várias agências, militares e civis, do governo dos Estados Unidos.

Eles os treinam, os armam, fazem exercícios conjuntos e os educam politicamente. Tive a oportunidade de verificar quando, a convite de Evo Morales, abri um curso sobre “Anti-imperialismo” para oficiais superiores das três armas.

Naquela ocasião, fiquei envergonhado pelo grau de penetração dos slogans americanos mais reacionários herdados da era da Guerra Fria e pela irritação indiscutível causada pelo fato de um indígena ser presidente do seu país.

O que essas “forças de segurança” agora fizeram foi sair de cena e deixar o campo livre para o desempenho descontrolado das hordas fascistas – como as que agiram na Ucrânia, na Líbia, no Iraque, na Síria para derrubar ou tentar fazê-lo em neste último caso, líderes incômodos para o império – e assim intimidam a população, a militância e o governo.

Ou seja, uma nova figura sociopolítica: o golpe militar “por omissão”, permitindo que as quadrilhas e os bandos reacionários, recrutados e financiados pela direita, imponham a sua lei.

Uma vez que o terror reina e ante a impotência, ou incapacidade de defesa, do governo, o resultado era inevitável.

Quinto, a segurança e a ordem pública nunca deveriam ter sido confiadas na Bolívia a instituições como a polícia e o exército, colonizadas pelo imperialismo e seus lacaios da direita indígena.

Quando foi lançada a ofensiva contra Evo, o governo optou por uma política de apaziguamento e não de resposta às provocações dos fascistas. Isso serviu para encorajá-los e aumentar a aposta: primeiro, exija segundo turno; depois, fraude e novas eleições; a seguir, eleições, mas sem Evo (como no Brasil, sem Lula); depois, renúncia de Evo; finalmente, dada a sua relutância em aceitar chantagens, semeie o terror com a cumplicidade da polícia e das forças armadas e force Evo a renunciar.

Do manual, tudo do manual. Vamos aprender essas lições?

Atilio A. Boron – Sociólogo argentino, com doutorado em Ciência Política pela Universidade de Harvard, professor da Universidade de Buenos Aires. É autor de diversos e importantes livros.

Imagem destacada: Evo Morales renunciou após pressão da elite local e dos Estados Unidos / Foto: Agência Brasil

Mais de 1 mil agricultores participaram de cursos e oficinas na Agritec Barreirinhas

O legado da Feira da Agricultura Familiar e Agrotecnologia do Maranhão (Agritec) é transmitir conhecimento para o agricultor e agricultora familiar dos territórios que a Agritec é realizada. A 19ª edição da Agritec, sediada em Barreirinhas, superou o recorde de salas de cursos e oficinas lotadas, promovendo a capacitação de mais de 1.400 agricultores familiares das regiões do Munim, Lençóis e Delta.

Leonardo Pereira Costa é da zona rural de Barreirinhas e participou de vários cursos, como o de filetagem e beneficiamento de pescado.“Eu aprendi muita coisa, como aproveitar o couro e escamas de peixe que antes eu jogava fora e agora posso transformar em artesanato. Participei também do curso de avicultura caipira. A gente cria galinha de qualquer jeito e o curso me ensinou como manejar a ração, dar remédios e criar. Gostei muito das orientações,” contou Leonardo.

A agricultora Fancileia Araújo, também de Barreirinhas, escolheu os cursos de manejo de solos, produção orgânica e cultivo de mandioca para aprender um pouco mais e aplicar na sua área.“É muito importante a gente buscar se atualizar com estes cursos. Aprendi aqui na Agritec como manejar corretamente o solo, pois a gente sabe a importância do solo para um plantio de qualidade,” disse.

Além dos agricultores de municípios das regiões do Munim, Lençóis e Delta, a Agritec trouxe também, agricultores da região do Baixo Parnaíba. O agricultor Raimundo Nonato Cardoso, do assentamento Canto do Ferreira, em Chapadinha, participou do curso teórico e prático sobre irrigação por gotejamento e micro aspersão.“A Agritec está de parabéns, trouxe cursos excelentes para o agricultor e agricultora familiar, como este que participei que é a irrigação por gotejamento, ideal para nós pequenos produtores aperfeiçoarmos a produção. A Agritec Barreirinhas foi muito boa em tudo: capacitações interessantes, gastronomia de dar água na boca e esperamos que as próximas Agritecs sejam tão boas como essa foi”, pontuou Nonato.

Com a realização da 19ª Agritec, somam-se mais de 33 mil pessoas capacitadas, entre agricultores familiares, estudantes de casas familiares rurais e público em geral. O secretário de Estado da Agricultura Familiar, Júlio César Mendonça, explica que, por meio das Agritecs, centenas de agricultores têm a oportunidade de conhecer uma variedade de temas e serviços que no dia a dia não tem facilidade de acesso. Desta forma, as feiras levam dignidade à população.“A Agritec é uma política que veio para ficar e leva conhecimento ao agricultor e desenvolvimento do setor rural, facilitando o acesso às tecnologias de baixo custo, gerando renda para o agricultor familiar do Estado”, explicou Júlio César Mendonça.

A presidenta da Agerp/MA, Loroana Santana, destacou que a Agritec tem a função de auxiliar o agricultor e a agricultora familiar no plantio, criação e acesso a crédito e às políticas públicas.“A Agritec também é um espaço de transferência de tecnologia em que o trabalhador rural aprende novos conhecimentos e pode propagá-los por sua comunidade. É importante que o Estado esteja junto à agricultora e ao agricultor familiar, abrindo novas perspectivas e reforçando as potencialidades de cada região”, ressaltou Loroana Santana.

Em Barreirinhas as capacitações foram promovidas por instrutores do Sistema da Agricultura Familiar, formado pela Secretaria de Estado da Agricultura Familiar, Agência de Pesquisa Agropecuária e Instituto de Colonização e Terras e outras instituições de ensino e pesquisa, secretarias de Estado e movimentos sociais.

A Agritec é uma realização do Governo do Estado, por meio do Sistema de Agricultura Familiar, o Sistema SAF, formado pela Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (SAF), Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e de Extensão Rural do Maranhão (Agerp/MA) e Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma/MA), em parceria com os movimentos sociais (MST, Aconeruq, Fetraf, Fetaema, Miqcb), o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

Fonte: Governo do Maranhão / release Secap / foto: divulgação / agricultora expõe produtos da horta natural, sem venenos

Caneta bic na arte de Jailson Belfort

Artista ludovicense radicado em Brasília volta à ilha para divulgar o projeto “Caneta Criativa”, baseado em pinturas a mão livre utilizando esferográficas bic e múltiplas cores. Autor bebe nas fontes do ilustrador Daniel Azulay e do pop art holandês Maurits Cornelis Escher

Jailson Belfort é um artista natural de São Luís do Maranhão. Começou a desenhar na infância, tendo como referência o apresentador de TV e ilustrador Daniel Azulay. É formado em Design pela Universidade Federal do Maranhão – UFMA (1998). Trabalhou com Publicidade e Propaganda em agências desde 1991 onde foi designer gráfico, ilustrador e diretor de arte.

O artista tem experiência na área de criação, projeto gráfico e diagramação de revistas e jornais, bem como criação de peças publicitárias, logos e identidade visual. Essa trajetória o permitiu ter contato com o universo dinâmico da visualidade publicitária e, sua sensibilidade perceptiva das imagens do cotidiano foi tomando forma de arte ao longo dos 28 anos de carreira. Uma de suas maiores referências em técnica e criatividade é o artista gráfico holandês Maurits Cornelis Escher.

Ilustrações de Jailson Belfort têm inspiração nos cenários de São Luís e Brasília

Após vários anos trabalhando com artes no computador, o artista voltou a desenhar à mão livre, onde desafiou-se a criar seus desenhos utilizando canetas esferográficas que, ao lado de ideias estéticas interessantes e inusitadas, produziram um conjunto de telas e desenhos criativos e bem elaborados. Essa experiência despertou seu lado lúdico e imaginativo, deixando-o confiante de que poderia se atrever a criar novas texturas e explorar ao máximo os recursos das canetas. As artes começaram simples. Animais, comidas, algo divertido. Mas cada desenho tinha uma mensagem, um toque de humor e trazia algo inusitado.

Com o convite para fazer uma exposição no Supremo Tribunal Federal (STF) em 2018, veio a ideia de fazer desenhos em tamanhos maiores (90 cm de comprimento), criando novas técnicas que o desafiasse. No começo, usava apenas a tradicional tinta azul-marinho, mas descobriu as novas cores e as colocou em seus trabalhos. E o resultado ficou incrível. Por usar apenas tinta permanente, Belfort ousa e não tem medo de se expressar e se divertir caprichosamente com texturas, sombras e perspectivas.

Ao desenhar com caneta, se “corre riscos”, pois os traços não podem ser apagados, corrigidos ou desfeitos. Um encontro de liberdade criativa e técnica apurada. E para aumentar ainda mais o desafio, todos os desenhos foram feitos sem régua ou corretivo.

No desenvolvimento do Projeto “Caneta Criativa” centrou-se em um evento de caráter artístico, cultural e educativo. A exposição “Caneta Criativa” foi realizada no espaço cultural do Supremo Tribunal Federal, em Brasília-DF, onde os desenhos ficaram expostos à visitação pública no período de 10 de julho a 17 de agosto de 2018, gerando boa repercussão em sites, redes sociais, além de publicação em jornais, rádios e telejornais locais, inclusive em um programa de TV em rede nacional. O feedback positivo do público e da mídia só o motivou a entregar-se às produções artísticas e aos projetos educativos ligados a essa nova perspectiva de atuação.

Foram diversas ilustrações feitas apenas com canetas esferográficas de várias cores e em tamanhos diferentes, direcionadas ao público de todas as idades. Cada obra retrata detalhes da cultura de cidades brasileiras, bem como alguns de seus monumentos, inclusive em um cartão-postal desenhado. Em especial, destacam-se obras sobre a cidade de São Luís (MA) e Brasília (DF), onde mora atualmente.  Houve, também, na exposição, uma série de desenhos lúdicos, com personagens e cenas inusitadas do cotidiano, que leva à percepção de que até mesmo objetos bem simples podem ganhar outra forma de serem vistos nos levando há uma experiência reflexiva.

Após esta experiência, o artista continuou a produzir novas séries de obras, retratando agora outras capitais, outras paisagens, como a série “Brasília em Linhas” que retratam os monumentos da Capital Federal e “Grande São Luís em Linhas” com painéis sobre a região metropolitana de São Luís, com obras de Alcântara, azulejos e casarões. O que o artista Jailson Belfort nos apresenta é uma forma única de ilustrar paisagens, referências, símbolos e ideias. O desenho à mão livre com canetas é sofisticado e impressiona pela técnica. As ilustrações e criações artísticas nos conectam com imagens familiares de uma forma esteticamente apurada. Nota-se uma influência de M. C. Escher, da pop art e, algumas vezes, uma pitada da linguagem visual dos quadrinhos. Seu desenho expressa ao mesmo tempo a pós-modernidade visual aliada a simplicidade do material utilizado. Uma verdadeira simbiose entre o simples e o sofisticado.

Texto fornecido por Jailson Belfort, com edição do Blog do Ed Wilson

Imagem destacada: “São Luís” (formato: 80x50cm) / canetas bic sobre papel supremo / Autor: Jailson Belfort

As imagens são protegidas por direitos autorais.

Festival da Comunicação Sindical e Popular vai levar exposições e aulas públicas para a Cinelândia

O Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) realiza no dia 19 de novembro de 2019, na Cinelândia (Rio de Janeiro), o 3º Festival da Comunicação Sindical e Popular. A ideia é levar para a rua a produção da imprensa sindical, popular e alternativa no Brasil desde a segunda metade do século XX.

O evento será uma feira da comunicação dos trabalhadores, com tudo organizado em barracas e exposto para quem estiver passando pelo Centro do Rio. O acervo do NPC e materiais de sindicatos e movimentos populares estarão expostos em barraquinhas em praça pública.

Ao longo do dia haverá rodas de conversa sobre mídia e poder com professores de Comunicação da UFRJ, UERJ, UFF, Rural, Facha e PUC, comunicadores populares e sindicalistas. Também participarão do evento representantes MST, CMP (Central dos Movimentos Populares), MCP (Movimento de Cultura Popular), MTST (Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Teto), Ocupação Vito Giannotti, Pastoral de Favelas, Conselho Indigenista Missionário e jornal Vozes das Comunidades.

“É um momento muito importante. Vamos conversar com os trabalhadores e trabalhadoras que passam pelo Centro do Rio sobre a história das lutas do povo contadas pela nossa comunicação. Tragam cartilhas, revistas, jornais”, convidou a jornalista e coordenadora do NPC, Claudia Santiago.

Haverá transmissão ao vivo de programas de rádio e TV pela Internet.

A organização do evento pede que os sindicatos, associações, coletivos de comunicação e movimentos populares participem assumindo uma barraquinha para expor suas publicações.

As pessoas de fora do Rio de Janeiro podem enviar antecipadamente seus materiais que já encontrarão as barracas prontas. Se preferirem, podem montar assim que chegar no Rio. O hotel onde ficarão hospedados é na própria Cinelândia.

O NPC solicita aos participantes e a quem mais puder ajudar um apoio financeiro de qualquer valor para garantir toda a infraestrutura necessária: palco, som, barracas, iluminação e ajuda de custo aos artistas, mas a participação não está condicionada ao apoio financeiro.

Depósitos devem ser feitos na conta do Núcleo Piratininga de Comunicação:
CNPJ: 02.510.093/0001-20
Banco do Brasil
Agência: 3520-3
Conta: 63311-9

Informações
(21) 99628-5022 (zap) e 2220-5618.

Imagem destacada: Núcleo Piratininga de Comunicação / divulgação

Bolsonarista de São Pedro dos Crentes vai “descer a cachamorra” no presidente que pretende extinguir o município onde teve votação expressiva

A cidade evangélica de São Pedro dos Crentes, no sul do Maranhão, a 758 Km de São Luís, está em polvorosa com o anúncio de que o município pode ser extinto e  incorporado a outra unidade administrativa, segundo a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) apresentada pelo ministro da Economia Paulo Guedes.

Pelo menos uma pessoa pública já se manifestou contra a PEC. O maestro evangélico e radialista Jairo Maranhão, apresentador do programa Jornal do Meio Dia, na rádio comunitária Rio Farinha FM, prometeu críticas ácidas ao presidente Bolsonaro.

“Eu que sou Bolsonarista estou nervoso desde hoje (quarta-feira). Já estou avisando nos grupos das redes sociais que vou “descer a cachamorra” no Bolsonaro amanhã”, anunciou o radialista, prometendo uma edição especial do jornal nesta quinta-feira (7 de novembro) sobre a provável eliminação de São Pedro dos Crentes do mapa.

O programa pode ser ouvido aqui a partir das 12h

Cachamorra é o codinome de uma árvore rígida denominada carvoeiro, utilizada para açoitar animais. “Descer a chachamorra” no popular significa “meter o pau ou porrete”. Em sentido figurado é: fazer críticas tóxicas.

O principal motivo da revolta do radialista está relacionado à “ingratidão” de Bolsonaro em relação à expressiva votação que obteve na eleição de 2018.

São Pedro dos Crentes é uma das três cidades do Maranhão onde Jair Bolsonaro (PSL) ganhou a eleição logo no primeiro turno, com 50,93% dos votos, enquanto Fernando Haddad (PT) obteve 37,53%. No segundo turno os candidatos alcançaram, respectivamente: 57,49% x 42,51%.

Bolsonaro ganhou também nas cidades de Açailândia e Imperatriz, no sudoeste do Maranhão.

A igreja Assembleia de Deus é a principal referência política e religiosa na cidade, onde cerca de 60% da população é evangélica, incluindo Jairo Maranhão.

“Eu não vou dispensar Paulo Guedes nem Bolsonaro, ele que tá falando de visitar São Pedro”, detalhou o radialista.

O presidente demonstrou interesse em conhecer a cidade onde teve a maior votação proporcional no Maranhão em 2018 e chegou a prometer a instalação de um posto do Banco do Brasil na cidade, que está funcionando parcialmente.

Alinhado à extrema direita, o prefeito do município, Lhaesio Bonfim, trocou o PSDB pelo PSL e recentemente visitou o presidente Jair Bolsonaro, mas ainda não fez pronunciamento oficial sobre a PEC. O presidente da Câmara e os vereadores estão reticentes, mas nos bastidores e nos grupos de trocas de mensagens o debate é intenso, segundo Jairo Maranhão.

Bonfim entra no PSL quando Bolsonaro cogita sair do partido e criar uma legenda nova. O prefeito faz oposição ferrenha ao governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB.

A PEC propõe a incorporação às cidades vizinhas de municípios com população inferior a 5 mil habitantes e arrecadação própria menor que 10% da receita total.  A proposição, se efetivada, deve valer a partir de 2026.

O Blog do Ed Wilson produziu quatro reportagens especiais sobre São Pedro dos Crentes.

Veja os títulos das matérias e os links para acessar:

São Pedro dos Crentes (parte 1): cidade evangélica tem fiéis ardorosos e irmãos desviados

São Pedro dos Crentes (parte 2): cidade evangélica é o último reduto de José Sarney no sul do Maranhão

São Pedro dos Crentes (parte 3): futebol é tabu na Assembleia de Deus

São Pedro dos Crentes: cidade evangélica no Maranhão pode receber a visita de Bolsonaro

Imagem destacada capturada neste site: O prefeito de São Pedro dos Crentes Lhaesio Bonfim; o presidente do PSL no Maranhão, vereador Chico Carvalho; e o presidente Jair Bolsonaro durante encontro em Brasília.

Maranhão na Tela 2019 divulga a lista da mostra competitiva, informativa, curtas e videoclipes

Das 143 obras inscritas de oito estados, foram escolhidas cinco longas, dez curtas e 15 videoclips para a mostra competitiva, além de dez curtas e 10 videoclipes para a informativa. A curadoria foi feita pelos cineastas Lucas Sá (MA) e Sérgio Andrade (AM). Assim como no ano passado o festival de 2019 terá  filmes do Maranhão, Pará, Tocantins, Amazonas, Roraima e Acre. Veja a lista completa no site www.maranhaonatela.com.br

Idealizado pela produtora Mavi Simão em 2006 e realizado pela Mil Ciclo Filmes, desde 2007, o Maranhão na Tela vai acontecer de 1º a 7 de dezembro em três espaços da cidade: Os longas serão exibidos na sala Kinoplex do Golden Shopping (Calhau) e os curtas e videoclips num telão na Escadaria da rua do Giz  Luís (Praia Grande). 

Na abertura do festival, dia 1º, às 19h, será exibido o filme A vida invisível de Eurídice Gusmão, do cearense Karin Ainouz. O longa ganhou o prêmio principal da mostra Um Certain Regard (Um certo olhar), a segunda mais importante do Festival de Cannes.  A diretora Bárbara Paz também é presença confirmada, no dia 02 de dezembro, na abertura da Mostra Panorama Brasil, com o filme Babenco – alguém tem que ouvir o coração dizer: parou.

“Estamos muito motivados com a edição deste ano. A qualidade dos filmes escolhidos pela curadoria é excelente. Será uma mostra mais enxuta, mas mantendo o mesmo nível dos anos anteriores”, afirma Mavi Simão.

Conselho Indigenista Missionário responsabiliza o Estado e o governo federal pelo assassinato de Paulo Paulino Guajajara

Nota de Repúdio – Durante ataque de madeireiros, Laércio Souza Silva Guajajara foi atingido por tiros no braço e nas costas

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), com indignação e tristeza, acusa e responsabiliza o Estado e o governo brasileiro pelo covarde assassinato de Paulo Paulino Guajajara, ocorrido na noite desta sexta-feira (1) no interior da Terra Indígena Arariboia, no Maranhão. O indígena tinha 26 anos e deixa esposa e um filho.

Paulino Guajajara e Laércio Souza Silva partiram da aldeia Lagoa Comprida, norte da Terra Indígena, a 100 km do município de Amarante, para caçar. Já na mata, foram surpreendidos por cinco madeireiros armados.

Os homens, com as armas em punho, exigiram que Paulino e Laércio entregassem arcos e flechas, instrumentos tradicionais usados para caçar. Como Guardiões da Floresta, portanto conhecidos destes habituais invasores da Terra Indígena, os Guajajara não tiveram muita chance de defesa.

Sem esperar qualquer reação, os madeireiros, em maior número, começaram a atirar contra os indígenas. Um dos disparos atingiu Paulino no rosto. Laércio foi alvejado no braço e nas costas.

Conforme Laércio, que relatou todo o trágico episódio, eles não tiveram tempo de fugir ou se proteger. Só depois que viu Paulino caído, já sem vida, Laércio percebeu que não teria chance e escapou pela mata, debaixo de tiros, regressando à aldeia, onde pediu ajuda.

Um batalhão da Polícia Civil de Amarante se dirigiu ao local, com o apoio de um helicóptero, e retirou o corpo do Paulino da mata levando-o para a comunidade realizar o velório. Em análise preliminar, os policiais acreditam que se tratou de uma emboscada. Também afirmaram que não há nenhuma notícia de morte entre os madeireiros, conforme se ventila pela região.

A região da aldeia Lagoa Comprida é regularmente, e há muitos anos, invadida por madeireiros. Em 2007, o indígena Tomé Guajajara foi assassinado no local. No ano seguinte, em 2008, os madeireiros invadiram a aldeia Cabeceira, atirando contra os indígenas. Em 2015, foi a vez de um agente do Ibama ser atacado a tiros e escapar por pouco.

Na Terra Indígena Arariboia, homologada e registrada em 1990 com 413 mil hectares, vivem cerca de 6 mil indígenas Guajajara, ou Tenetehar, e Awá-Guajá livres, ou seja, em situação de isolamento voluntário.

O Cimi vem denunciando o aumento das invasões dos territórios indígenas, fruto do incentivo dos agentes públicos e privados que se somam contra a regularização dos territórios concebidos pela Constituição Federal. Hoje não é exagero dizer que os indígenas não podem mais circular em seus territórios com segurança.

De tal forma que não nos cabe apenas exigir a apuração do fato em si, mas de denunciar quem tem incentivado e permitido invasões a Terras Indígenas associadas a atentados, assassinatos, ameaças, esbulhos, incêndios criminosos. E quem tem incentivado é o próprio presidente, como ele mesmo admitiu no caso das queimadas.

As recorrentes falas do presidente da República contra a demarcação e regularização dos territórios, seguidas de um ambiente regional preconceituoso contra os indígenas, têm sido o principal vetor para invasões e violência contra os povos indígenas no Brasil.

Entre janeiro e setembro de 2019, o Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, do Cimi, contabilizou 160 casos de invasão a 153 terras indígenas de 19 estados.

Portanto, a tragédia ocorrida na Terra Indígena Arariboia se insere neste contexto, onde o Estado brasileiro vê o chefe do Poder Executivo atentar contra a Constituição, a democracia e os direitos humanos, incentivando uma corrida assassina rumo às Terras Indígenas, sem reagir, acovardado.

O sangue de Paulino e de tantos outros indígenas foi e será derramado porque aqueles que podem impedir a barbárie se calam, nada fazem. O Ibama e a Funai, órgãos que poderiam atuar de maneira direta na proteção à Terra Indígena, foram desmantelados e desonerados, tomados por ruralistas capatazes do agronegócio e do latifúndio.

Reiteramos a necessária apuração dos fatos e a exemplar punição aos culpados como o mínimo que se pode fazer perante tal situação. Assim defendemos mesmo que as invasões ocorridas nos territórios em 2019, com suas consequências nefastas, não estejam sendo apuradas; pelo contrário, estão sendo motivadas e mais tragédias poderão ocorrer.

O Conselho Indigenista Missionário se solidariza com os familiares do indígena assassinado e de Laércio, que sofreu uma tentativa de homicídio, e vem responsabilizar o atual governo por não cumprir a Constituição Federal na defesa dos territórios indígenas.

Brasília, 2 de novembro de 2019

Secretariado Nacional – Conselho Indigenista Missionário (Cimi)

Imagem destacada: Paulino Guajajara era Guardião da Floresta e a mais recente vítima da omissão do Estado brasileiro e do incentivo do governo brasileiro às terras indígenas. Crédito da foto: Patrick Raynaud/Mídia índia

Audiência pública vira manifestação de repúdio ao projeto de revisão nos limites do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

O senador Roberto Rocha (PSDB) vai pensar duas vezes antes de tocar em frente o projeto (nº 465/2018) de alteração no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses (PNLM).

Na primeira tentativa de debater a proposição, em uma audiência pública realizada sexta-feira (1º de novembro), em Santo Amaro, o parlamentar sentiu o tamanho da rejeição popular.

Senador Roberto Rocha foi vaiado logo ao chegar na audiência pública

Roberto Rocha foi seguidamente vaiado na chegada, durante a audiência e até mesmo quando se retirava da cidade, tendo de entrar no seu carro com apoio de escolta da Polícia Militar.

Senador Roberto Rocha deixou Santo Amaro sob vaias e escolta da PM

Cartazes e palavras de ordem com tons de rejeição ao projeto e ao senador deram o tom da reunião. Havia tanta gente que o evento, iniciado na Casa de Artesanato, teve de ser deslocado para Clube do Mota, a fim de comportar centenas de moradores de Santo Amaro, Primeira Cruz e Barreirinhas, os três municípios com territórios na área do PNLM.

Os moradores se deslocaram da Casa de Artesanato para o Clube do Mota em passeata, entoando cantos, palavras de ordem e até o hino nacional.  “O parque é nosso, não queremos que transforme em negócio” foi frase mais incisiva.

População do PNLM foi às ruas se manifestar contra o projeto

Na população transborda um forte sentimento de que o projeto do senador Roberto Rocha tem o objetivo de beneficiar a especulação imobiliária, visto que o PNLM é uma das regiões mais cobiçadas do Maranhão e está no caminho da Rota das Emoções.

Moradores, ambientalistas, movimentos sociais, pesquisadores, organizações dos povos e comunidades tradicionais observam no projeto uma intenção de transformar a região em um negócio atrativo para a rede hoteleira e as suas ramificações no setor das empreiteiras, bancos e capital estrangeiro, onde só quem ganha são os ricos.

Combate à especulação imobiliária deu o tom das manifestações

Roberto Rocha, fazendeiro na região sul do Maranhão, sabe o que diz.

Em um de seus pronunciamentos durante a audiência, sinalizou uma certa intenção especulativa no local. “Desci de helicóptero num lugar tão bonito que deu vontade de comprar um terreno, além do que o que eu já tenho”, revelou o senador. Mas, diante da repulsa do plenário, tentou contemporizar: “vou parar porque acho que já falei até demais”.

Leia mais aqui sobre os detalhes do PLS nº 465/2018 e conheça os argumentos do senador Roberto Rocha favoráveis à modificação nos limites no PNLM.

Uma leitura crítica do projeto visualiza as contradições. Na métrica amplia o tamanho do PNLM, mas retira o chamado “filé”; ou seja, as áreas mais propícias aos grandes empreendimentos imobiliários.

Nessa lógica serão excluídas do parque 23 comunidades do total de 60 povoações onde vivem aproximadamente 5 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais da agricultura familiar, extrativistas, marisqueiras, pescadores, artesãs e criadores de animais de pequeno e médio porte.

Comunidades querem reserva extrativista e não especulação imobiliária

Vivendo em harmonia com os recursos naturais do PMLM, essas comunidades temem que o projeto de alteração nos limites provoque uma explosão imobiliária e consequentemente impactos sócio-ambientais nocivos à biodiversidade dos territórios de Santo Amaro, Barreirinhas e Primeira Cruz.

Nesse contexto, a repulsa ao PSL nº 465/2018 foi geral no evento de Santo Amaro.

A audiência também foi esvaziada de uma prometida pompa da representação política oficial. No release distribuído pela assessoria de Roberto Rocha estava prevista a participação dos outros dois senadores do Maranhão: Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (Cidadania, ex-PPS). Nenhum dos dois compareceu e nem mesmo o relator do projeto no Senado, Elmano Férrer (Podemos), do Piauí

Deputados estaduais e federais também não compareceram. Sem apoio da bancada maranhense e rejeitado pelo povo, Roberto Rocha caminha sozinho no parque e pode até se perder na imensidão das dunas tocadas pelo vento, que sempre muda a paisagem do lugar.

Jornalistas evangélicos lançam site para checar notícias religiosas e pronunciamentos de políticos cristãos

Mentir é pecado. Na onda crescente de notícias falsas, as mídias religiosas e lideranças cristãs que cumprem mandato político também têm compartilhado esse tipo de conteúdo. Atenta a esse contexto específico de propagação de desinformação, a organização Paz e Esperança e um grupo de jornalistas evangélicos criaram o Coletivo Bereia e o site www.coletivobereia.com.br

O lançamento da plataforma dedicada à checagem de notícias e produção de conteúdo com foco em religião ocorreu em 31 de outubro, Dia da Reforma Protestante, com transmissão ao vivo pelo site Outras Palavras.

O nome faz referência a uma cidade grega, localizada na região da Macedônia, citada no livro bíblico de Atos dos Apóstolos (17.1-13), no Novo Testamento. O texto registra um elogio aos judeus de Bereia, que atendiam às reuniões promovidas pelos cristãos, não apenas por sua abertura para ouvir os ensinamentos, mas pela disposição que tinham de examinarem as Escrituras, diariamente, para identificar se o que Paulo e companheiros diziam estava correto.

O conselho editorial do site é formado por cientistas sociais, teólogos, jornalistas que atuam no campo da mídia e da religião, dentre os quais, Joana Puntel, docente no curso de Especialização Cultura e Meios de Comunicação do Serviço de Pastoral à Comunicação (Sepac) e autora do livro “Cultura midiática e igreja: uma nova ambiência”; o jornalista Sérgio Pavarini, idealizador do Pavazine, um clipping semanal sobre política, religião, arte e cultura e do Pavablog; e a jornalista Marília de Camargo César, especializada em economia e negócios, autora de livros na área de espiritualidade cristã e histórias corporativas. 

A editora geral do site é Magali Cunha, jornalista e coordenadora do Grupo de Pesquisa Comunicação e Religião, da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). “O Bereia foi criado para somar. Sabemos que são muitas as várias iniciativas de agências, sites e coletivos que oferecem serviços diante da realidade tão desafiadora da propagação intensa de desinformação. No entanto, o Bereia quer oferecer uma especialidade ainda não desenvolvida por outro grupo: a checagem de notícias veiculadas nos espaços de mídias religiosas, que têm o público cristão como alvo, e a verificação dos pronunciamentos dos políticos religiosos que estão tão em evidência no cenário político hoje”, explica a editora, também membro da Associação Internacional em Mídia, Religião e Cultura e da Associação Mundial para a Comunicação Cristã (WACC). 

A edição executiva é de Alynne Sipaúba, jornalista, teóloga, integrante da equipe executiva da Paz e Esperança Brasil. O conteúdo será atualizado diariamente por uma equipe formada por jornalistas e estudantes de comunicação, que farão o trabalho online. O material checado será identificado com as seguintes etiquetas: verdadeiro, impreciso, enganoso, inconclusivo e falso. Além das checagens, o site publicará artigos de opinião de especialistas na área de religião e comunicação.

Destaque para a seção “Torre de Vigia”, dedicada a monitorar notícias e pronunciamentos de pessoas que possuam mandato, ou ocupem cargos de confiança na gestão pública, e se identifiquem a partir de sua filiação religiosa. O Bereia monitora, por exemplo, os parlamentares da Frente Parlamentar Evangélica e da Frente Parlamentar Mista Católica Apostólica Romana. A equipe também torna disponível ao público um número de whatsapp para receber solicitações de checagem (98-92000-7205).

O Coletivo Bereia é apoiado pelas seguintes organizações: Agência Latino Americana e Caribenha de Comunicação (ALC); Associação Católica de Comunicação – Brasil (SIGNIS); Associação Mundial para a Comunicação Cristã – América Latina (WACC-AL, na sigla em inglês); Grupo de Pesquisa Comunicação e Religião da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (GP Comunicação e Religião – Intercom); e Paz e Esperança Brasil.

O Bereia pode ser acessado no link www.coletivobereia.com.br. Nas mídias sociais Facebook, Twitter e Instagram: @coletivobereia. Informações pelo e-mail: coletivobereia@gmail.com ou pelo Whatsapp +55 98-92000-7205.

Juliana Dias / Coletivo Bereia

Há controvérsias no projeto de alteração nos limites do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

por Ed Wilson Araújo

Cercado de dúvidas e conjecturas sobre o ambicioso mercado de terras, o projeto que revisa a delimitação do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses (PNLM) será debatido nessa sexta-feira, 1º de novembro, em audiência pública no município de Santo Amaro, a partir das 10 horas, no Centro de Artesanato Casa Branca.

A audiência é convocada pelo senador Roberto Rocha (PSDB-MA), autor do projeto nº 465/2018, prevendo modificações no Decreto nº 86.060, de 2 de junho de 1981, que criou o PNLM, uma unidade de conservação com área de 156.608,16 hectares nos municípios de Santo Amaro, Barreirinhas e Primeira Cruz, no Maranhão.

Estão convocados para a audiência a população de Santo Amaro, associações, representantes de órgãos ambientais, pesquisadores, movimentos sociais, prefeitos, parlamentares e o relator do projeto no Senado, Elmano Férrer (Podemos), do Piauí.

Segundo Roberto Rocha, o projeto tem o objetivo de promover o turismo sustentável na região, sob o argumento de que na área do PNLM não é permitida a construção de escolas, unidades de saúde, igrejas e empreendimentos hoteleiros e de lazer.

De acordo com o projeto do senador, na época da criação do parque, em 1981, foram inseridas na área de proteção “diversas  comunidades e núcleos urbanos que tiveram o seu desenvolvimento comprometido devido ao fato de terem sido incluídos em uma unidade de conservação cujas regras de utilização do espaço físico são extremamente restritivas.”

O texto do projeto cita as comunidades de Travosa, Betânia, Espigão e Vai-Quem-Quer, localizadas em Santo Amaro. “Segundo dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, autarquia que administra o Parque, há 2.654 pessoas morando em locais que oficialmente fazem parte da unidade de conservação, o que não deveria ocorrer nos termos da legislação que rege os parques nacionais”, justifica a proposição do senador.

Roberto Rocha propõe a revisão dos limites do PNLM para retirar as áreas onde vivem as comunidades tradicionais. Segundo o argumento do senador, essas povoações foram indevidamente incluídas na área da unidade de conservação quando ela foi criada no início da década de 1980.

Especulação imobiliária no cenário

Entidades representativas dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, ambientalistas e pesquisadores analisam com cautela e apreensão o projeto. Elas argumentam que a iniciativa do senador visa excluir as comunidades tradicionais do parque para permitir a especulação imobiliária em uma região cobiçada pelo denominado mercado de terras.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais e Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) repudiou o projeto. De acordo com a entidade, a proposta atende aos interesses da especulação imobiliária e, se aprovado, deve excluir 23 comunidades que integram a unidade de conservação ambiental.

Segundo a confederação, na área dos três municípios do PNLM vivem 60 comunidades com aproximadamente 5 mil mulheres e homens que sobrevivem da agricultura familiar. Para a Contag, um dos objetivos da revisão dos limites visa beneficiar a especulação imobiliária provocando o deslocamento compulsório dos moradores sem garantir medidas protetivas para as comunidades tradicionais.

Um artista da região compôs até música ensejando críticas à iniciativa do senador.

Música pede a retirada do projeto do senador Roberto Rocha

Pesquisadores ouvidos pela Agência Tambor questionam vários aspectos do projeto quanto aos impactos sociais e ambientais. Ouça aqui e neste link as entrevistas com Benedito Souza Filho e Maristela de Paula Andrade.

Segundo o antropólogo e professor da Universidade Federal do Maranhão, Benedito Souza Filho, as comunidades tradicionais já viviam na região antes da demarcação do parque na década de 1980; portanto, não foram incluídas indevidamente na área delimitada. “Estamos falando de pessoas que habitavam e sobreviviam ali desde o século 19”, esclareceu o antropólogo.

A proposição do senador amplia a área do PNLM de 156.608,16 hectares para 161.409 hectares, mas retira o chamado “filé” da unidade de conservação, provavelmente com a intenção de beneficiar as redes hoteleiras e a especulação imobiliária. O próprio Roberto Rocha argumentou no texto do projeto que a alteração nos limites do parque vai incrementar o turismo na Rota das Emoções. (veja na página 11)

O Ministério Público Federal (MPF) cobra a realização de estudos técnicos com a participação da população para dialogar sobre os impactos ambientais e antropológicos nas áreas onde pode haver modificações de limites, a fim de garantir a proteção do meio ambiente e da diversidade cultural na região.

Pode ser até coincidência, mas a revisão nos limites proposta por Roberto Rocha acontece no curso de outra iniciativa – a inclusão do parque no Programa Nacional de Desestatização. Traduzindo: o governo Jair Bolsonaro quer privatizar a gestão do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

O projeto de Roberto Rocha está em análise na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) do Senado.

Já a proposição de Bolsonaro teve uma resolução favorável do Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) da Presidência da República, publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 21 de agosto de 2019.

É o primeiro passo para privatizar a gestão do PNLM.

Imagem destacada / divulgação: Roberto Rocha mostra mapa com alteração nos limites do PNLM