Emílio para vereador! Mais um passo!

O jornalista Emílio Azevedo – da Agência Tambor e do Jornal Vias de Fato – teve seu nome confirmado ontem (12/09), na convenção do PSB, como candidato a vereador de São Luís.

A candidatura de Emilio havia sido proposta, em meados de agosto, por uma carta aberta que contou com mais de duzentas assinaturas.

A convenção também escolheu Bira do Pindaré, como candidato a prefeito e professora da Ufma, Letícia Cardoso, como candidata a vice da chapa.

Leticia, que também é jornalista, foi uma das pessoas que assinou a carta aberta propondo o nome de Emilio como candidato.

A campanha começará oficialmente no dia 27 deste mês de setembro.

Lançados mais três editais do programa Adote um Casarão

Dando continuidade ao programa Adote um Casarão, o Governo do Estado, por meio da Secretaria das Cidades e Desenvolvimento Urbano (Secid), lançou mais três editais para reforma e concessão de imóveis da administração pública estadual, situados no Centro Histórico de São Luís.

Os editais fazem parte de uma estratégia do Governo do Estado com a finalidade de fomentar o empreendedorismo local e ocupar os imóveis públicos ociosos ou subocupados de propriedade do Estado com atividades que promovam o desenvolvimento sustentável do Centro Histórico aliado à preservação do patrimônio histórico.

Para tanto, o Governo do Estado lançou mais três concursos com a finalidade de identificar pessoas físicas ou jurídicas de direito privado, com ou sem fins lucrativos, com interesse em recuperar e utilizar gratuitamente esses três casarões por dez anos, renovável por mais cinco anos.

Na primeira etapa do programa, nove empreendimentos foram contemplados com imóveis pertencentes ao poder público estadual. 

Já nesta segunda, iniciada agora em setembro, serão disponibilizados mais três prédios da administração estadual, direcionados para as atividades do polo comercial, gastronômico e cultural. 

O secretário das Cidades e Desenvolvimento Urbano, Raimundo Reis, destaca que é mais um importante passo do governo na transformação do Centro Histórico de São Luís por meio do programa Nosso Centro.

“É uma união de esforços onde estão sendo realizadas diversas ações como o reforço na segurança da região, a reforma do edifício João Goulart, construção do estacionamento e praças, revitalização de equipamentos públicos, a concessão e acompanhamento do Cheque Minha Casa e o uso e ocupação de casarões do Estado”, ressaltou Raimundo Reis.

De acordo com a secretária adjunta de Assuntos Metropolitanos da Secid, Arlene Vieira, a próxima etapa do processo consiste na avaliação das propostas de uso dos prédios públicos quanto à viabilidade e ao enquadramento tanto nas diretrizes do programa Adote um Casarão quanto do programa Nosso Centro. 

“Por consequência, a proposta que for selecionada deve trazer aquilo que o governo espera: o desenvolvimento sustentável e a preservação do patrimônio histórico de São Luís”, destaca a gestora.

Os imóveis que integram o certame estão localizados no Centro Histórico de São Luís na Rua Direita (Rua Henriques Leal), 156; Rua Oswaldo Cruz (Rua Grande), S/N; e na Rua Rio Branco (Rua dos Remédios), 279, quadra 52.

Propostas

O envio das propostas pelos proponentes deverá ser feito até o dia 19 de outubro e os interessados deverão encaminhar à Comissão de Análise do Programa Adote um Casarão (Capac), todos os documentos requisitados no edital e seus anexos, no prazo de até 45 dias corridos a partir da sua publicação.

A documentação deverá ser entregue via postal (Sedex ou carta registrada com aviso de recebimento), ou pessoalmente, no Setor de Protocolo da Secid, na Avenida Getúlio Vargas, 1908, Monte Castelo, São Luís/MA, CEP: 65030-005, de segunda a sexta-feira, no horário das 13h às 18h30.

Mais informações sobre o edital estão disponíveis no site da Secretaria das Cidades e Desenvolvimento Urbano pelo endereço www.secid.ma.gov.br

Morto pela covid-19, cacique Bepkot Kayapo Xikrin era um guardião da floresta

[Por Catarina Barbosa | Brasil de Fato/Belém(PA)] O povo Xikrin perdeu a liderança Bepkot Kayapo Xikrin, de 78 anos, conhecido como Cacique Onça. Ele era da aldeia Pytakô, da Terra Indígena Trincheira/Bacajá, em Altamira, no Pará. O ancião passou 24 dias internado no Hospital Regional de Altamira, chegou a ser entubado, mas não resistiu às complicações da covid-19. A morte foi confirmada na segunda-feira (31).

Bepkot não falava português, apenas seu idioma nativo. Ele foi uma liderança de destaque na defesa de seu povo contra ameaças, desde queimadas e grilagem à usina hidrelétrica de Belo Monte.

Seu sobrinho, Yann Xikrin, de 24 anos, afirma que são muitas as lutas dos seus parentes, não apenas contra a covid-19, mas também a preservação do ambiente e contra o preconceito. Ele lamenta que governo não seja capaz de reconhecer a importância dos povos indígenas.

“A perda de um ancião nosso não é simplesmente uma morte de uma pessoa. É toda uma história cultural, todo o ensinamento que vai embora. Eles são os guardiões da nossa cultura. Nós já sofremos tanto na época do colonizador e ainda sofremos. Então, queremos que os governos respeitem mais a nossa cultura”, diz Yann.

A terra indígena tem em seu limite leste as rodovias Belém-Brasília (BR-010) e a PA-150, entre Belém, Redenção e São Félix do Xingu.

O território é fruto de conflitos devido a fronteira agropecuária, o que facilita o acesso a atividades ilegais como a extração de madeira, pesca e garimpo dentro de seus limites.

Segundo informações oficiais do Distrito Sanitário Especial Indígena de Altamira (DSEI), a região contabilizou 429 casos confirmados da covid-19.

A TI Trincheira/Bacajá conta com diversas aldeias, entre elas, Mrotidjam, Bacajá, Pytakô, Potkrô, Kamoktikô, Pykayaká, Krayn e Kenkudjoi, das etnias Apiterewa, Araweté, Assuriní e Xikrin. Segundo o último dado da Funai de 2011, há 746 indígenas no território.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

Resposta a um fanático

Recentemente postei no twitter a seguinte pergunta:

Inflação e desemprego em alta, disparada nos preços dos alimentos, Queiroz em prisão domiciliar, a Lava Jato desmoralizada, mais de 130 mil mortos de covid19….

Onde estão os histéricos batedores de panela?

Um conhecido bolsonarista que sempre polemiza minhas colocações fez a pergunta ensaiada para a qual ele tem a resposta – quem é o culpado?

Para não perder tempo em um vai e vem infinito de textos, onde eu apresento argumentos e ele crenças, elaborei uma só resposta e encerrei a discussão.

Segue minha resposta.

“Prezado, recentemente conversei com um terraplanista, que também é contra vacinas e uso da máscara. Ouvi dele a seguinte “teoria” sobre o culpado pela atual situação do país:

Quando estava preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, Lula recebeu a visita de um agente secreto do Partido Comunista Chinês (PCC), que presenteou o petista com um notebook. O equipamento já estava conectado à dark web, uma zona digital onde transitam informações não controladas pelas grandes corporações dominantes da rede mundial de computadores convencional.

Pela dark web Lula fez um curso avançado de farmácia e biomedicina, concluído com uma descoberta-bomba: a fórmula do novo coronavíruos (covid19). Lula, então um cientista famoso nos subterrâneos da internet, traficou a fórmula para o Partido Comunista Chinês. Tudo isso fazia parte de uma grande conspiração para implodir a economia internacional e deixar a China controlando todas as riquezas do mundo. Assim, Lula e o PCC espalharam o vírus no mundo…

Porém, a descoberta mais audaciosa do petista satânico foi o desenvolvimento de um chip capaz de converter aliados de Jair Bolsonaro ao comunismo. Esse chip foi introduzido de forma experimental na deputada Joice Hasselman e em Alexandre Frota, Delegado Valdir e Major Olímpio. Todos se converteram ao comunismo! Faltava o teste definitivo e Lula mandou um agente ultra secreto do PCC introduzir o chip em Sergio Moro.

Agora tudo faz sentido. Existe uma grande conspiração internacional para favorecer a China e destruir o mito. A alta no preço do arroz e nos derivados da soja só está ocorrendo porque a China comunista está importando grande parte da produção brasileira do agronegócio. E a descoberta do esconderijo de Fabrício Queiroz no escritório de advogado de Jair Bolsonaro foi obra do ex-ministro chipado Sergio Moro.

Conclusão: tanto a crise econômica quanto as investigações que alcançam familiares e aliados do mito são partes de uma grande armação. É tudo CULPA DO PT.”

Futebol no rádio é “colorido”

Nesses tempos de pandemia, quando a televisão brasileira está prestes a comemorar 70 anos de implantação, as transmissões dos jogos de futebol, sem público, estão frias.

O espetáculo futebolístico na tela ocorria em dupla força expressiva: o espetáculo dentro de campo e o festival de reações nas arquibancadas.

Sem as torcidas, as TVs têm de se contentar com os mosaicos e faixas, imagens meramente ilustrativas.

Já o “velho” rádio consegue dar uma sensação de ao vivo permanente nas transmissões, graças ao uso dos efeitos sonoros das torcidas.

Em várias emissoras, a criatividade exalta as emoções da torcida no som ambiente funcionando como background, alguns até modulados de acordo com a intensidade dos lances.

Os efeitos sonoros funcionam como os ruídos das torcidas e “colorem” a narrativa dos locutores.

Assim, a magia do rádio dá um show nas transmissões, enquanto a TV, com a imagem das arquibancadas vazias, vive o jejum de público nas arenas e perde audiência também para o streaming.

São outros tempos.

Onde foi parar o acervo do Memorial Bandeira Tribuzzi?

Ainda no rescaldo das comemorações do aniversário de São Luís, cabe perguntar às autoridades onde está guardado, armazenado ou dispensado o rico acervo do escritor Bandeira Tribuzzi (?).

A coleção de livros, fotos, desenhos, gravuras, quadros, documentos e objetos em geral do poeta estava na sede do antigo Memorial Bandeira Tribuzzi, na Ponta d’Areia, equipamento fundado ainda no governo Luiz Rocha.

Desde que a Ponta d’Areia recebeu o equivocado codinome de “Península” e a especulação imobiliária tomou conta daquele pedaço da cidade, vários equipamentos culturais foram dizimados de lá.

O Memorial Bandeira Tribuzzi está desativado e no local funcionam a CAT (Central de Atendimento ao Turista) e uma igreja católica.

Não há informações publicizadas sobre o paradeiro do acervo do poeta.

Detalhe: Bandeira Tribuzzi é autor do precioso hino “Louvação a São Luís”

São Luís tem pai e mãe

Neste aniversário dos 408 anos de São Luís vale a pena colocar em pauta o importante debate entre os historiadores sobre a fundação da cidade.

Uns afirmam que a nossa matriz é francesa e outros garantem ser portuguesa.

A disputa de versões é importante e alimenta as narrativas.

Na minha modesta condição de observador da cidade, vejo traços de várias culturas em São Luís, muitos deles deixados pela violência e pilhagem dos colonizadores.

Tanto franceses quanto portugueses chegaram aqui para saquear os recursos naturais, escravizar os índios e demarcar território na batalha geopolítica internacional.

A cidade é filha bastarda de vários saqueadores: franceses, portugueses, holandeses…

Crise deve aumentar a compra de votos em 2020

O desemprego, a inflação em alta e o cenário de retração econômica provocados pela pandemia do novo coronavírus, associados à política econômica ultraliberal do governo Jair Bolsonaro, tendem a produzir um caldo eleitoral ainda mais perverso nas eleições de 2020.

A população sem perspectivas ficará vulnerável aos candidatos endinheirados e a compra de votos, prática antiga nas eleições, pode ser ainda mais agressiva.

Não se trata de pessimismo. É apenas a realidade: o poder econômico será o grande vencedor das eleições 2020.

Eleições, máscaras e álcool

O uso de máscaras é tão antigo quanto aquela profissão….

Uns usam de fato buscando proteção e outros para disfarçar. A máscara faz lembrar uma velha prática em tempo de eleições: candidatos endinheirados entram no corpo a corpo com o povão e depois passam álcool para limpar as mãos da pobreza.

Bandidos e mocinhos mascarados fizeram sucesso no cinema.

Em tempos de pandemia alguns tipos de candidatos aproveitam a máscara para não encarar o leitor de rosto limpo e até mesmo para evitar futuras cobranças.

Depois da eleição, as máscaras vão cair.

O que fazer com o abrigo da praça João Lisboa?

Desde as suas origens São Luís teve traços de violência, pilhagem e exploração dos recursos naturais pelo poder econômico em sintonia com as forças políticas dominantes.

Quem se encanta com o visual dos casarões do Centro Histórico sabe que as construções foram financiadas pelo dinheiro da elite rural escravocrata e erguidas pela mão-de-obra escrava, parte dela mutilada nas condições de trabalho desumanas.

Por falar em violência, apenas a título de ilustração, basta rememorar as origens praça da Alegria. O local remonta ao início do século XIX (1815), quando um desembargador mandou enfiar lá uma forca para a execução de escravos e batizou de “Largo da Forca Velha”.

Isso mesmo! No Centro Histórico os escravos e os criminosos eram enforcados.

Quando a cidade passou a ser domada pelas administrações republicanas o modus operandi da produção de desigualdade manteve os padrões.

Imensas áreas dentro e fora do perímetro urbano, especialmente os territórios “nobres” da cidade, foram grilados; e os pobres, empurrados para a periferia.

Outros grilos vieram em todos os tempos, à revelia das leis e das autoridades.

Em São Luís tudo pode. Basta ir ao supermercado e perceber as faixas e estacionamentos reservados aos idosos e pessoas com deficiência ocupadas descaradamente por carros de pessoas “normais”.

Se as regras básicas não são obedecidas, imagine outras mais sofisticadas como o Estatuto das Cidades, o Plano Diretor, a Lei de Uso e Ocupação do Solo Urbano, a legislação ambiental e outras tantas.

Dito isso, nada impede que as autoridades entrem em acordo para encontrar uma brecha na lei e fazer a demolição do abrigo da praça João Lisboa.

Mas, não basta demolir em mais um ato violento e de apagamento das memórias da cidade.

O abrigo, lembram os especialistas, foi construído para acolher as pessoas que tomavam bonde na praça João Lisboa.

Nada impede, portanto, que no lugar do abrigo seja colocada a réplica de um bonde antigo e nele seja instalado uma cafeteria, sorveteria ou algo similar, com os trabalhadores paramentados de motorneiros e cobradores.

Sem ferir a paisagem do conjunto arquitetônico no complexo Largo do Carmo/praça João Lisboa, a réplica do bonde viria a ser mais um atrativo turístico no Centro Histórico de São Luís.

Aos trabalhadores dos atuais boxes do abrigo devem ser asseguradas todas as condições para implantar seus empreendimentos em outro lugar.

Reitero: as atuais lanchonetes e bares do abrigo precisam ter os seus meios de sobrevivência garantidos em outros espaços apropriados.

Tudo pode ser resolvido. Se o abrigo foi tombado e não pode ser demolido, cabe uma boa conversa entre os poderes Executivo e Judiciário para encontrar uma brecha na lei e permitir a derrubada.

No lugar do abrigo, melhor é o bonde, bem mais atrativo e incorporado à dinâmica cultural da cidade.

Do jeito que está, o abrigo não pode ficar no meio da praça reformada. Ele destoa da paisagem e, na situação atual, o melhor remédio é a destruição criativa.