Literatura para ouvir: a encantaria de “Remédios, a Bela”

Das entranhas do clássico “Cem anos de solidão”, de Gabriel García Márquez, a personagem Remédios, a Bela é apresentada em três narrativas na voz do poeta Celso Borges.

No primeiro áudio o trecho do livro discorre sobre a beleza deslumbrante de Remédios, a Bela, a ponto de levar os homens à igreja com o único propósito de ver o rosto dela, que fora proclamada rainha.

Em seguida a narrativa avança sobre a repulsa da personagem diante dos ditames da moda. Enquanto as mulheres “normais” se preocupavam com vestidos e espartilhos, Remédios, a Bela costurou uma batina de estopa “sem abandonar a impressão de estar nua”.

Deixo para a sua audição o detalhe sobre os cabelos da personagem e o seu perfume natural…

A terceira gravação acompanha a evolução de Remédios, a Bela para outra dimensão da realidade, quando ela em carne e osso passa por uma transmutação.

Essa é a segunda série de gravações da obra “Cem anos de solidão” na voz do poeta Celso Borges. Ouça a primeira no link abaixo.

Celso Borges na companhia de García Márquez

Imagem destacada / capa do livro Cem anos de solidão capturada neste site

Imagens de embarcações tradicionais do Maranhão ganham exposição virtual

A beleza das embarcações tradicionais do Maranhão é revelada em uma exposição virtual – denominada “Barcos Maranhenses” – inédita pensada e promovida pelo artista visual maranhense Jailson Belfort, em seu Instagram @jailsonbelfort.

Os trabalhos apresentam paisagens icônicas de fotógrafos profissionais e amadores reverenciando a cultura marítima e fluvial do Maranhão. Belfort nos coloca em contato com olhares diversos que capturaram barcos centenários em ação tornando evidente o modo de vida de populações criadoras de uma carpintaria naval singular e majestosa.

Esta mostra convida o público a conhecer a conjunção entre trabalho na pesca, engajamento com a natureza e as invenções do gênio humano dos construtores de barco das comunidades. Lugar que mistura arte, artesanato, trabalho, sobrevivência, beleza e paisagens em capturas fotográficas privilegiadas.

A escolha por expor nas redes sociais se justifica por conta da necessidade de distanciamento social, ao mesmo tempo em que utiliza dos veículos virtuais para revelar a beleza do conjunto desses retratos da vida no Maranhão.

Pária digital: “a tecnologia passou por cima de mim”, afirma idosa solitária na pandemia

O fio da conversa esticou ao longo das sucessivas tragédias em decorrência das mortes provocadas pelo novo coronavírus. Ela, uma ex-vizinha da minha infância, já beirando os 90 anos, não teve sequer a chance de se despedir dos amigos históricos do bairro onde passou a maior parte da sua vida.

A morte e o luto dos entes queridos somam às outras perdas e bloqueios na comunicação. Sem conexão à rede mundial de computadores, morando sozinha, ela tem como principal meio de comunicação um telefone fixo que, quando toca, gera uma alegria incomensurável.

É difícil imaginar que uma idosa moradora da zona urbana de São Luís nunca teve um smartfone para chamar de seu e não cogita o manejo de um computador. “A tecnologia passou por cima de mim”, desabafou, contando que até as ligações para o fone residencial escassearam porque os velhos amigos estão sendo tragados pela pandemia.

Folheando sua velha agenda de papel, rabiscada em várias páginas, deleta entre lágrimas os antigos contatos das amigas e amigos falecidos. Em meio à pandemia, com raros telefonemas, sem receber visitas ou interagir com os vizinhos, ela é um pária digital.

No mundo conectado, as pessoas on line estão isoladas, mas não solitárias. Elas interagem das mais diversas formas pelos dispositivos fixos e móveis ofertados em larga escala para proporcionar uma vivência à distância.

A pandemia criou uma esfera pública eletrônica fundamental para a sociabilidade no isolamento social, mas a vida conectada alcança uma fatia de pessoas economicamente incluídas e tecnologicamente habilitadas. Os mais pobres e os idosos solitários, em geral, estão off line.

Basta observar as filas gigantescas que se formaram recentemente nas agências da Caixa para realizar uma operação das mais simplórias – regularizar o CPF. E depois a mesma cena se repetiu para o pagamento do auxílio emergencial.

As filas revelam um Brasil dos esquecidos, fora do sistema financeiro, pessoas sem parentes importantes nem conta bancária. Diante de um efusivo discurso da conexão e da oferta interminável de dispositivos e oportunidades, fica a velha pergunta: por que os pobres não acessam essas maravilhas do mundo?

Caetano Veloso, na música Sampa, reflete sobre a “força da grana que ergue e destrói coisas belas” e a “feia fumaça que sobe apagando as estrelas”. Há, nas entrelinhas da letra, uma crítica ao progresso desenfreado da escalada capitalista na construção da capital paulista denominada a locomotiva do Brasil.

E, por falar em locomotiva, durante a Revolução Industrial na Inglaterra (1811-1812), o movimento ludista, em homenagem ao operário Ned Ludd, reunia operários radicais contra a introdução das máquinas que tomavam o lugar da mão-de-obra humana. Segundo os seguidores de Ludd, que passaram a ser denominados “destruidores de máquinas”, as inovações tecnológicas provocavam desemprego, jornadas excessivas e precarização das condições de trabalho.

O tempo voa e a tecnologia avança em todos os setores. Eis que agora em 2020 as inovações estão atropelando os direitos trabalhistas de outras maneiras. Os motoristas de aplicativos preparam a primeira greve geral porque aquela promessa de que seriam empreendedores não vingou. Os “ubeiros” descobriram que são escravos de um novo tipo de acumulação de capital que põe um exército de motoristas para trabalhar sem direitos nem proteção social, exaurindo seus corpos em jornadas desumanas.

Uma nova engenharia de reprodução do capital está em curso não só para os motoristas de aplicativos. Os entregadores de alimentação (fast food) também passam pelo processo de exploração nas plataformas digitais.

Montados em bicicletas e motos, jovens sem emprego e adultos desempregados enfrentam a frenética disputa pelas migalhas pagas em cada pizza da pronta entrega. Para esses entregadores a inovação do smartfone que facilita um bico temporário sem direitos nem qualquer proteção social é também um sinal de precarização.

Embora estejam on line eles também são párias: não têm contrato de trabalho nem as garantias básicas das relações entre patrão e empregado. São, em suma, excluídos das normas disciplinadoras do capital x trabalho. Nesse sentido, a tecnologia também passa por cima deles.

Hannah Arendt, na longa incursão sobre trabalho e tecnologia na obra “A condição humana”, afirma: “Assim, a questão não é tanto se somos senhores ou escravos de nossas máquinas, mas se estas ainda servem ao mundo e às coisas do mundo ou se, pelo contrário, elas e seus processos automáticos passaram a dominar e até mesmo a destruir o mundo e as coisas.”

Imagem destacada capturada neste site

Com que máscara?

Eloy Melonio

“Cadê a máscara?” Cansei de ouvir esse grito sempre que me preparava para ir à farmácia ou à padaria. Voltava correndo para reparar o descaso. Nem tanto pela obediência, mas para não contrariar minha mulher.

Quem diria! De repente “estamos todos de máscara”!

E ai de quem não usá-la. Primeiro porque, neste momento, seu uso é obrigatório (equipamento de proteção individual – EPI). Segundo, ― e aí entra o bom senso ― as pessoas podem pensar que você é um louco ou um tremendo irresponsável.

Foi isso o que me fez levar as máscaras mais a sério. Não apenas por causa da minha mulher, nem das pessoas, mas para me ajustar a essa nova realidade. E, por falar em todos, lembrei a famigerada frase de Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra”. Só que nessa questão, acho que o Nelson não tem lá muita razão.

Em seguida, recorri ao Google. E de tanto querer saber, vi e aprendi muita coisa interessante. Não apenas sobre o artefato usado para cobrir o rosto, mas sobre nós mesmos, presunçosos descendentes do Homo Sapiens. E descobri que elas já estão por aqui desde os primórdios da humanidade. Em rituais religiosos, festas, no teatro… e até prestando serviço a grupos clandestinos! Mas como proteção contra vírus, é coisa recente.

Quando se fala em máscara ― e é só do que se fala ultimamente ― o que vem à sua cabeça? Os bailes do carnaval do Rio de Janeiro? Os super-heróis dos quadrinhos e do cinema? As festas de Halloween? Ou as máscaras dos apicultores e dos lutadores de esgrima?

Da minha adolescência recordo-me do Zorro, do Cavaleiro Negro, e dos bandidos que assaltavam bancos no velho oeste americano.

Sem nenhum recato, o verbete “máscara” exibe-se nas tramas dos romances, nos versos dos poemas e ― pasme! ― até no noticiário de cada dia, especialmente o do mundo político. De tão descaradas, as máscaras não se escondem de ninguém. As pessoas é que se escondem (ou se protegem) por detrás delas.

As da moda não servem exatamente à moda, mas às medidas preventivas dos órgãos de saúde por causa do novo Coronavírus. Nessa agitação toda, nunca tinha visto tanta divulgação dessas máscaras de tecido. Os modelos são os mais atraentes e esquisitos ― alguns, dignos de uma boa risada. Tem de tudo nas redes sociais. Uns fazendo e vendendo máscaras, outros exibindo máscaras impagáveis, e ― acredite ― gente se negando a usá-las.

Quando uma “autoridade” ou pessoa comum aparece na tevê, inevitavelmente a gente presta mais atenção às máscaras, depois ao que ele ou ela está dizendo.

Em sua função metafórica, “disfarçam ou camuflam” quase tudo o que se pode imaginar: ações, ideias, atitudes, intenções. Na linguagem popular, dão uma lição de moral: “Em gente falsa, até o olhar é mascarado”. Dizem até que, se um dia as máscaras caírem, ― juntando aí metáfora e sabedoria popular ― sobraria pouca gente nas superlotadas arenas políticas de Brasília.

A máscara não esconde tudo. Um bom exemplo é a expressão “eu te conheço, carnaval!”, típica do nosso maranhês, quando alguém diz saber a identidade do “fofão” (fantasia de carnaval que esconde o corpo inteiro). Minha mãe gostava muito desse ditado. Infelizmente o fofão já não é tão popular, e a expressão acabou perdendo a sua graça.

Mesmo assim, vale lembrar a música do compositor Gerude para a “Esbandalhada” (2000), bloco pré-carnavalesco comandado por Alcione, que animou nossas ruas, praças e avenidas por cerca de cinco anos:

Eu te conheço carnaval, eu te conheço carnaval

Não adianta tirar a máscara

Se queres saber quem eu sou, me diga quem tu és

Confesso que a máscara é sufocante. Causa-me certa fadiga, cansaço, incômodo à livre respiração. Tanto que, assim que posso, arranco-a da cara, e sinto-me a “pessoa mais livre do mundo”. E aí também me lembro de Vinicius de Moraes, que não gostava de nada que lhe oprimisse, “inclusive a gravata”. Com toda a certeza, hoje ele preferiria a gravata à máscara.

Por fim, acredito piamente nos versos de Cazuza, quando diz que “o tempo não para”, esperando que “o futuro repita o passado”. E nessa vibe, não vejo a hora de voltarmos todos ― unanimemente ― às caras-limpas de antigamente.

Quanto à minha mulher, agradeço-lhe os gritos, sabedor de que a “máscara é a minha própria sobrevivência”.

** Eloy Melonio é professor, escritor, compositor e poeta

Imagem destacada / Máscaras de teatro grego. Imagem: A.B.G. / Shutterstock.com / Fonte: site InfoEscola

Casa de Apoio Ninar retoma atendimento ambulatorial

“Está sendo muito bom poder retomar o atendimento. É como um recomeço, só que com mais cuidados por causa do coronavírus”. Foi o que disse Francileide da Silva, de 25 anos, mãe da pequena Ana Luíza da Silva, de 4 anos, portadora de microcefalia, no primeiro dia da retomada dos atendimentos ambulatoriais na Casa de Apoio Ninar, serviço que integra a rede da Secretaria de Estado da Saúde (SES) e é referência em atendimento a crianças com problemas de neurodesenvolvimento. 

“A Casa é um dos serviços que mais traduzem a missão do Governo do Estado, o de cuidar das pessoas. De uma casa de veraneio para se tornar um local de acolhimento, reabilitação e esperança para famílias inteiras. É uma alegria grande poder retomar os atendimentos ao passo que avançamos na luta contra o Coronavírus no estado”, disse o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula. 

A unidade, gerenciada pelo Instituto Acqua, tem feito agendamento prévio do retorno e consulta de famílias que já fazem acompanhamento na Casa Ninar. Natural de Miranda do Norte, Ana Luíza começou a receber atendimento na Casa de Apoio aos 8 meses de idade, antes disso era assistida no Centro de Referência em Neurodesenvolvimento, Assistência e Reabilitação de Crianças, anexo ao Hospital Infantil Dr. Juvêncio Mattos), também da rede SES, e no Hospital SARAH. 

Durante os três meses sem o atendimento presencial em decorrência da pandemia causada pelo coronavírus, Francileide disse que a equipe de profissionais se manteve vigilante. “Mês passado ela teve uma crise e logo abrimos o chamado por teleorientação, de pronto nos atenderam e mesmo à distância prestaram ajuda. Todos são muito prestativos e nos fazem sentir bem. Quando choramos, os profissionais se aproximam ainda mais, sempre prontos para acolher”, comentou a mãe de Ana Luíza. 
Triagem e atendimentos 

A equipe da Casa de Apoio adotou duas formas de atendimento. Metade da demanda é recebida presencialmente a outra metade é feita de por teleorientação. São consultas com neuropediatra, psicólogo, pediatra, nutricionista, assistente social, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e fisioterapeuta motor. 

De acordo com a diretora-administrativa da Casa de Apoio Ninar, Ana Caroline Arnaud, as oficinas de culinária, música e arteterapia continuam sendo feitas somente por teleorientação. “Estamos recebendo as famílias que já são acompanhadas pelo circuito da Casa. Além da hora marcada, estamos cumprindo regras de higienização, limpeza e o distanciamento social. Todos são orientados a vir de máscara e é permitido apenas um acompanhante para cada criança atendida”, disse Ana Caroline. 

A triagem dos atendimentos é feita no espaço da quadra, com a equipe de recepção, enfermeiros e assistentes sociais. Três consultórios estão funcionando para o atendimento médico e equipe multiprofissional. Serão atendidas diariamente até oito famílias Ana Caroline ressalta ainda que o circuito ainda não está aberto para as famílias de outras cidades que geralmente ficam hospedadas na Casa.

“A gente tem dado continuidade aos atendimentos à distância e usado a tecnologia a favor para os laços com as famílias atendidas e criar oportunidade de aconselhamento à distância ajudando mães, pais e responsáveis nos cuidados com as crianças nesse período de isolamento social”, finalizou a diretora-administrativa da Casa de Apoio Ninar. 

Atualmente, o serviço de apoio a crianças com problemas de neurodesenvolvimento do estado atende 446 famílias em formato de circuito e 1.023 em sistema de ambulatório. A Casa recebe famílias de 97 municípios maranhenses. A média mensal de suporte médico e multiprofissional na Casa de Apoio é de 4.290 atendimentos. 

Entre os serviços oferecidos pelo local está o acolhimento de crianças portadoras da paralisia cerebral com microcefalia por infecção congênita, incluindo Zyka Vírus, rubéola e toxoplasmose, Síndrome de Down, hidrocefalia, paralisia cerebral por anoxia e epidermólise bolhosa. A Casa de Apoio Ninar é administrada pelo Instituto Acqua e os agendamentos do serviço ambulatorial estão sendo realizados pelo telefone (98) 99138-8902.

Declarações de amor à Praia Grande

Texto e foto: Benedito Lemos Junior

Ruas, vielas, escadarias, “imponentes” casarões, moradas, “meia” morada, são itens da Praia Grande, em São Luís, capital do Maranhão, que revelam e escondem histórias e “istórias”, lendas e magias, em seus mais de quatros séculos de beleza e impureza, apogeu e decadência, relatos muitos inconfessáveis de “povos” que vagueiam pela vida.

Livres e/ou acorrentados, a Praia Grande é um dos mais belos e mais significativos cenários de “pessoas”, modos de vida e de cultura, de cidadãos que lutam por muito ou quase nada.

Em 1981, o cantor, compositor e poeta César Teixeira muito bem traduziu esse cenário no samba “Praia Grande” – tema da Escola de Samba Turma do Quinto naquele ano: “foi no século passado que a Praia Grande apareceu, entre secos e molhados, varejo e atacado, floresceu lá no cais, sob a luz das lamparinas”.

As lamparinas, os lampiões que “iluminaram”, por exemplo, os “caixeiros viajantes que tinham sonhos delirantes com a negra Catarina, e os pregoeiros, que sempre vivem no mundo da lua, vendendo frutas e verduras, e gritando pelas ruas tem caranguejo, farinha d’água e bobó”.

Assim, a Praia Grande, iluminada ou não, era e foi o sonho delirante de muitas pessoas, que também iluminadas ou não, fizeram e fazem histórias, suas lendas e magias, num recanto belo, de poesias, amores e paixões, entorpecidas, muitas delas, de álcool e drogas.

Umas das “figuras tarimbadas” mais presentes da Praia Grande era o poeta Nauro Machado. Não sei se o local foi fonte de sua bela e profunda inspiração, mas, com certeza, foi o “palco iluminado às velas” de muitas gerações, que como Nauro suplicavam “abre-me as portas, mãe, enquanto as estrelas buscam em mim agora a treva infinda, sem luz alguma no meu olhar a vê-las…..só para mim, que vou comigo pelas manhãs nascendo todas cegas ainda”.

Indo agora “imbora”, vou com a “Namorada do Cangaço” de César Teixeira, dando “Adeus, morena, o meu coração é um passarinho solto que não se pega com a mão” e sempre “voltar pra casa todo fim de ano cantando um bolero de Waldick Soriano”.

Mãe, te amo, em e por sua eterna memória.

Apruma realiza live solidária com artistas maranhenses

Fonte: Apruma (Associação dos Professores da UFMA)

Acontece neste sábado, a partir das 19h, nos canais da Apruma no Facebook e no Twitter, a transmissão ao vivo Arraiá da Apruma, apresentada pela professora da UFMA e atriz Gisele Vasconcelos.

O Arraiá contará com as apresentações das cantoras Rosa Reis – referência no cacuriá e demais ritmos do Maranhão – e Luciana Pinheiro, além do cantor Roberto Ricci, outro grande nome da nossa música. A programação está imperdível.

Além de proporcionar um pouco do melhor do São João do Maranhão durante o período de distanciamento social, o Arraiá da Apruma também aproveitará para arrecadar recursos a serem destinados a estudantes e terceirizados da UFMA que se encontram em situação de vulnerabilidade social em meio à pandemia,

Nos tempos do cine Monte Castelo

Nas comemorações do Dia do Cinema o filósofo Marco Rodrigues rememora os laços lúdicos e estéticos com a Sétima Arte em um dos espaços de entretenimento mais populares de São Luís – o cine Monte Castelo

Texto e foto interna: filósofo Marco Rodrigues

Texto e foto interna: filósofo Marco Rodrigues

Nessa imagem, o saudoso Cine Monte Castelo, praticamente em ruínas. Nele, tive minha primeira experiência com a sétima arte. Na ocasião, estreava “Robocop: o policial do futuro”, em 1987. Foi a minha tia Carminha, já falecida, quem me levara. Ali, longas filas se formavam, representando uma confluência plural, que se expressa agora em minhas memórias, num vislumbre de uma rica espiritualidade cultural romântica do que era o bairro do Monte Castelo naqueles tempos.

Diversos eram os frequentadores, destacando-se estudantes do SENAI e da Escola Técnica (hoje IFMA), que muitas aulas mataram, quiçá com alguma razão, para namorar na maior parte das vezes. Em frente, a banca de revistas do Reginaldo, onde iniciei minhas primeiras experiências literárias, por meio de HQ’s, gibis e livros que eram divididos em coleções.

Em ruínas, antigo cinema é só lembrança

Reginaldo hoje tem uma banca em frente à UNDB. Ao lado, a épica quitanda do Seu Melo… Preciso confessar: eu e outros meninos usávamos moedas já fora de circulação para comprar bombom, pois Seu Melo não enxergava bem. Foi a minha primeira e única participação no crime, formação de quadrilha em travessuras infantis.

A Pizzaria Popeye, quase uma extensão do cinema, era o point da galera antes ou após as sessões. Vendedores ambulantes, carrinhos de churros e pipoca disputavam espaço meio a praça, próximo ao Trailer de Lanches e da parada de ônibus. Nas imediações, que se estende ao longo da avenida Getúlio Vargas, inúmeros bangalôs belíssimos havia, hoje completamente descaracterizados pela anti-poética do empreendedorismo, um atentado à história da arquitetura de São Luís.

Um dos mais belos era um bem de esquina em frente ao IFMA, onde morava o Coronel Belchot, que parecia ter saído de dentro dos livros de literatura fantástica. Vale lembrar ainda, da frequentadíssima birosca, além das principais farmácias, a de Seu Edson e da Dona Cleide,  traços da área de saúde que se somavam à atmosfera vivaz do bairro…

Toda essa memória foi graças ao cinema, o que explica, fundamentalmente, a importância da arte em nossas existenciais, pois, como assevera Ferreira Gullar, “a arte existe porque a vida não basta”.

Foto destacada capturada neste site / Ônibus estacionado na parada em frente ao cine Monte Castelo

Manifesto em defesa da vida, da democracia e da transparência

O Clube de Engenharia do Maranhão (CEM), seguindo anseio de vários segmentos representantes da Engenharia, Agronomia e Geociências do nosso estado, defende que as eleições para a escolha dos dirigentes do Sistema CONFEA/CREA, marcadas para o dia 15 de julho este ano, de forma presencial, sejam adiadas para dezembro e realizadas por meio do voto remoto via Internet.

O principal motivo para o adiamento são as incertezas que vive o país por causa da pandemia do Covid-19. Fazer eleições presenciais, nesta época de insegurança sanitária, é colocar em risco a saúde e a vida dos eleitores e funcionários.  São, aproximadamente, 1 milhão de profissionais registrados no Sistema CONFEA/CREA, no Brasil, que não precisam mais votar de forma presencial, por meio urnas de lona e voto em cédulas de papel, quando podem exercer seu direito ao voto por meio da Internet, usando computadores de mesa, smartfones e notebooks.

A manutenção do voto presencial e das eleições em julho, com a pandemia do Covid-19 apresentando crescentes números de contaminados e mortos, demonstra falta de compromisso com a vida dos profissionais de Engenharia, Agronomia e Geociências.

No Maranhão são, aproximadamente, 15.000 profissionais, distribuídos em 217 municípios, aptos a votar. É incoerente promover eleições com uso de urna de lona e voto em papel nos locais de votação, que são as 15 inspetorias e na Sede do CREA-MA, em São Luís. É uma logística arriscada, pois são necessárias locomoções desnecessárias dos eleitores, o que representa, além do risco com a saúde dos participantes, gastos desnecessários aos profissionais registrados, no momento de dificuldades econômicas no Brasil.

O certo é a votação usando recursos tecnológicos que garantam rapidez, segurança e transparência as eleições do Sistema Confea/Crea e Mútua. Recentemente, o Ministério Público do Estado do Maranhão realizou eleições remotas para a escolha do procurador geral de Justiça e tudo ocorreu muito bem. Outras instituições e entidades fizeram o mesmo sem problemas.

O que o Clube de Engenharia deseja, quando defende eleição em dezembro por meio do voto remoto, é o exercício de uma democracia participativa no Sistema CONFEA/CREA com direito pleno ao voto, sem aglomerações físicas e com a participação de todos. É o mais sensato e seguro, pois precisamos, acima de tudo, preservar a vida dos profissionais que mantém e contribuem financeiramente para o funcionamento do Sistema, dos seus servidores e seus familiares.

Voto pela internet é garantir a democracia, a transparência e vida de todos os profissionais e servidores do Sistema CONFEA – CREA.

José Henrique Campos Filho

Engenheiro Civil e Presidente do Clube de Engenharia do Maranhão