Texto: Paulo Henrique Máximo Lacerda (Facebook: A História Esquecida), republicado pelo portal Agenda Maranhão
Nascido em Codó, no coração do Maranhão, em 1858, Hemetério José dos Santos (1858–1939) era filho do major Frederico dos Santos Marques Baptisei, dono da fazenda São Raymundo, e de Maria, sua escrava.
O pai – talvez movido por culpa, talvez por afeto – pagou os estudos do menino no Colégio da Imaculada Conceição, em São Luís. E foi ali que começou a saga de um dos mais brilhantes intelectuais afro-brasileiros do século XIX.
Aos 17 anos, Hemetério deixou o Maranhão rumo ao Rio de Janeiro, então capital do Império. Três anos depois, já era professor do prestigiado Colégio Pedro II — feito raro até mesmo entre brancos da elite.
Em 1889, Dom Pedro II o nomeou professor adjunto de Língua Portuguesa no Colégio Militar onde, mais tarde, conquistaria a cadeira vitalícia.
Entre uma aula e outra, cursou a Escola de Artilharia e Engenharia, alcançando a patente de major e, mais tarde, a de tenente-coronel honorário.
Hemetério dos Santos não era apenas um homem de farda e giz. Era, também, um pensador inquieto — gramático, filósofo, escritor.
Percorria escolas, auditórios e salões ministrando conferências sobre o ensino, defendendo com veemência o valor da educação e da cultura como instrumentos de emancipação.
Sílvio Romero, crítico temido e rigoroso, o colocou ombro a ombro com Olavo Bilac, Graça Aranha e os irmãos Aluísio e Artur Azevedo. E com razão: Hemetério dominava a palavra — escrita e falada — com o mesmo brilho com que, em sua juventude, desafiara o destino que o nascera desigual.