Em prévias, PSOL confirma Guilherme Boulos em São Paulo e Franklin Douglas em São Luís

O PSOL realizou prévias para escolhas de seus candidatos a prefeito nas cidades de São Paulo e São Luís, no último final de semana, 18 e 19 de julho.

Em São Paulo,  com 61% dos votos foi decidida a chapa Guilherme Boulos e Luíza Erundina para concorrer à prefeitura da capital paulista.

Em São Luís, com cerca de 60% dos votos,  prevaleceu a escolha do professor Franklin Douglas e do líder comunitário José Ribamar Arouche como candidatos a prefeito e vice.

Durante as prévias, como forma de garantir o distanciamento social, o partido disponibilizou álcool gel, dividiu a votação em três locais, Cohab, Angelim e Centro, para evitar aglomeração.

Afirmando a sua democracia interna, o partido movimentou sua militância para a melhor escolha ao pleito municipal 2020. O PSOL segue agora para a confirmação de sua chapa de vereadores em São Luís.   

Foto / divulgação: Mesa apuradora das prévias do PSOL em São Luís

Sérios desafios para a eleição de São Luís

Por Emilio Azevedo*

Publicado no site Agência Tambor em 03/07/2020

Recentemente fiz uma cobrança pública a um deputado estadual do Maranhão, filiado ao Republicanos, partido controlado pela famosa Igreja Universal do Reino de Deus.

Este ano tem eleição municipal!

E a cidade de São Luís grita por um Plano Diretor decente, humanizado, ambientalmente equilibrado, que possa atender ao interesse de toda a população, o que inclui priorizar a preservação da nossa zona rural, vital para a vida na Ilha.

A atual gestão da prefeitura vem propondo um Plano Diretor para servir, exclusivamente, à avareza irracional de grandes empreiteiros e megaempresários. A intenção é de elevar, sem nenhuma infra-estrutura ou justificativa aceitável, o gabarito dos prédios de São Luís para trinta andares! Além disso, a prefeitura agiu para tentar permitir a implantação de novas indústrias poluentes, quando o nível de emissão de impurezas no município já é elevadíssimo, acima do que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

Os problemas de São Luís são graves e crescentes!

Além de pobreza e miséria, temos poluição, alagamento, desmoronamento, falta d’água e saneamento, preço alto da energia elétrica, agressões às áreas verdes, transporte público precário, desprezo para com os ciclistas, descaso com a mobilidade urbana, ausência de incentivos à economia criativa e de políticas públicas para arte e cultura (acabaram até com o Circo da Cidade!), descaso com o extrativismo e agricultura familiar (cadê a Resex de Tauá-Mirim?), falta creches e educação de qualidade, sobrecarga na saúde pública, violência urbana, racismo na segurança e por aí vai.

São muitas adversidades! E os poderes executivo e legislativo, no âmbito municipal, não têm se mostrado a altura para cumprir com suas obrigações essenciais.

E no processo eleitoral deste ano, os brasileiros têm uma provação a mais: os desmandos de Jair Bolsonaro. Muitos ainda não se deram conta da gravidade do que estamos vivendo no país.

Temos um presidente miliciano, que comunga com ideias nazifascistas, apoiado por um grupo de fanáticos odientos, juntando fundamentalismo e crime organizado. E todos eles de joelhos para o que há de pior no neoliberalismo, sob a batuta de Paulo Guedes. A barra é bem pesada!

E hoje, o Brasil tem mais de 60 mil mortes na pandemia de coronavírus. E, objetivamente, Jair Bolsonaro e sua rede de delinquentes são os principais responsáveis pela enorme proporção dessa tragédia.

Diante de um presidente genocida, atualmente existem uma série de articulações, de cunho nacional e regional, cobrando o afastamento de Bolsonaro por evidentes crimes de responsabilidade. Temos que somar forças a essa onda democrática, fazê-la crescer.

E a eleição deste ano tem essa importância específica, pois para além de Jair Bolsonaro, a extrema direita brasileira está infiltrada nas mais diferentes instituições, incluindo Prefeituras e Câmaras Municipais, fato que fortalece sua ação política e ideológica.

A cobrança que fiz ao deputado estadual Duarte Júnior é exatamente consequência da necessidade de juntar a eleição municipal deste ano com a grave questão nacional.

O parlamentar maranhense é pré-candidato a prefeito de São Luís, sendo do mesmo partido de Flávio Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, o Republicanos, ligado a Igreja Universal. E diante do que o país vive hoje, considero um completo absurdo que ele, na condição de pré-candidato, não se posicione, escancaradamente, contra os crimes de seus correligionários.

Cobrei publicamente Duarte Junior para que ele, no mínimo, pedisse a expulsão de Flávio Bolsonaro do partido. Mas lamentavelmente, o deputado/candidato comporta-se como um murganho de cauda amarrada.

Agora, neste artigo, deixo bem clara minha posição e os motivos que me levaram a uma cobrança que já revela, desde já, conexões e embustes da extrema direita local.

Mas o pré-candidato do time de Edir Macedo, obviamente, não será o único conservador nesta eleição municipal em São Luís. É importante que políticos à direita como Eduardo Braide, Wellignton do Curso, Neto Evangelista, além dos outros postulantes, também abram a boca em relação ao bolsonarismo e a tudo de ruim que ele representa.

Enfim, em São Luís, nós estamos diante de duas frentes de luta, de dois desafios que passam pelo processo eleitoral deste ano: as gravíssimas questões municipais, necessitando de um engajamento cada vez maior da sociedade, que deve cobrar soluções do poder público e compromissos dos diferentes candidatos. E, além disso, a necessidade de combater o bolsonarismo e sua extrema direita.

Não é pouca coisa! Mas como nos ensinou o poeta, “a vida (também) é combate”!

*Emilio Azevedo é jornalista, atuando junto a Agência Tambor

Prédio do BEM já consumiu cerca de R$ 30 milhões em reformas

Silvio Martins, jornalista

Há mais de uma década a prefeitura de São Luis adquiriu o prédio onde funcionou o extinto Banco do Estado do Maranhão – BEM, na rua do Egito, Centro. E, até hoje, esse prédio continua em reforma. A previsão para conclusão da obra, de acordo com a assessoria de comunicação da prefeitura, é para o ano que vem, antes do final da atual gestão.

Arrematado por R$ 1.543.236,50 em um leilão, o edifício de 12 andares tem passado por reformas e adaptações que já consumiram cerca de R$ 30 milhões do erário municipal. Dinheiro que possivelmente daria para construir um novo.

A aquisição se deu em 2009 na gestão do então prefeito João Castelo. O objetivo da compra era transformá-lo num Centro Administrativo, para abrigar secretarias e órgão municipais, reduzindo assim despesas com locações, além de revitalizar o Centro Histórico da cidade.

Mas o que era para ser solução, virou um problema. Em 2010, teve início uma reforma que desconsiderou o fato do prédio ser tombado como patrimônio histórico pelo Governo do Estado, pelo Governo Federal e pela Unesco.

Beleza arquitetônica manchada pelo mau uso do dinheiro público.
Imagem capturada neste endereço eletrônico

A reforma descaracterizava as fachadas do prédio, o que levou o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, a embargar a obra, exigindo da prefeitura um projeto executivo de reabilitação das fachadas.

A prefeitura providenciou e apresentou o projeto, no entanto, para que a reforma continuasse, o IPHAN aplicou na prefeitura um Termo de Ajuste de Conduta – TAC, que passou por sucessivas prorrogações e aditivos.

De 2010 a 2014, as obras de reforma e adaptação não pararam, porém ficaram lentas. Durante esse período, a prefeitura adiou o prazo de conclusão da reforma por 5 vezes. Uma das empresas contratada em 2012, para tocar a obra, foi a Cristovam S. Santos pelo valor de R$ 530 mil.

Em 2013, já na gestão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior, a prefeitura lançou o programa Avança São Luis, que incluía ações de desenvolvimento do Centro Histórico. Uma dessas ações era a conclusão da reforma do prédio.

Na época, o secretário adjunto da Secretaria de Urbanismo e Habitação (Semurh), Diogo Lima, anunciou um orçamento em torno de R$ 5 milhões para restauração do edifício, e, prazo para a conclusão até o primeiro trimestre de 2014. O que não aconteceu.

Já em 2016, a prefeitura decreta que o prédio se tonará a nova sede da Secretaria Municipal de Fazenda – Semfaz. A empresa Fonmart Tecnologia Ltda é contratada por R$ 6.952.846,17 para o serviço de implantação dos sistemas elétricos de informática, cabeamento, telefonia, datacenter, segurança patrimonial e serviços de montagem, instalação, configuração e garantia.

Em 2017, o prefeito determina que o prédio passe a se chamar Edifício João Castelo Ribeiro Gonçalves. Isso, dois meses após a morte do ex-prefeito. Oficialmente o nome do prédio era Governador Matos Carvalho. São também comprados, nesse ano, dois elevadores no valor de R$ 30.000,00 da Hexcel Ltda.

No ano de 2018, no valor de R$ 2.128,000,00 a prefeitura contrata para prestação de serviço de piso elevado, com regulagem de altura, confeccionado em resina temoplástica e revestimento em placa vinílica, a empresa SMS Engenharia e Comércio.

Ainda em 2018, foi contratada a empresa Ambianch Industrial LTDA para serviço de instalação de divisórias, incluindo portas e quadro de vidros. Valor do contrato: R$ 1.699,647,00 . Nesse ano também foi adquirido 5 datashows e 25 smarts TV de 48 polegadas por R$ 64.969,75.

Em 2019, já foram contratas as Empresa Carry Refrigeração LTDA

por R$ 4.181.962,67 para serviços de climatização. E, a empresa de engenharia Junior Ferreira por R$ 555.325,69 que tem prazo de 120 dias para concluir a reforma.  

Para cuidar da segurança e vigilância desse patrimônio, a prefeitura tem contrato desde 2017, com a Empresa Clasi Segurança Privada LTDA, que somam  R$ 1.148,021,04.