A construção dos discursos de Eduardo Braide e Duarte Junior na propaganda eleitoral da TV

Eduardo Braide elabora o conceito de político equilibrado, maduro, confiante, supostamente mais preparado para administrar a cidade, atribuindo serenidade à sua pessoa. Duarte Junior carrega os hormônios da juventude, corre nas caminhadas de rua, ergue o braço musculoso para demonstrar força, agilidade e eficácia como gestor resolutivo

Os fatos novos na campanha para a Prefeitura de São Luís trouxeram à tona ataques e contrataques entre Duarte Junior (Republicanos) e Eduardo Braide (Podemos) na propaganda eleitoral no rádio e na TV.

Bater e apanhar faz parte do jogo. Depois, as forças políticas se reacomodam, vêm os pedidos de desculpas e tudo fica normal.

Mas, agora, o momento é da disputa sem trégua e os efeitos da batalha mais acirrada podem inclusive levar o eleitor a mudar o voto.

Duarte Junior partiu para a ofensiva tentando desconstruir a gestão de Eduardo Braide na Caema (Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão) e insiste na tese de que o candidato do Podemos é investigado por corrupção.

A reação do adversário veio em tom forte, expondo áudios e personagens que depõem contra a conduta até então sem ranhuras graves sobre a vida e os atos do gestor Duarte Junior, acusado de proferir expressões misóginas e homofóbicas, além de bater em pessoa idosa.

Na propaganda eletrônica Eduardo Braide vinha mantendo a postura convencional de qualquer líder nas pesquisas – apresentar propostas e não polemizar.

O republicano, por sua vez, partiu para a ofensiva.

Em síntese, os últimos dias do segundo turno ganham os contornos típicos de uma novela, com três ingredientes fundamentais: dinheiro, poder, intrigas e traições.

A trama entre os oponentes apresenta os seguintes perfis:

19 Eduardo Braide constrói um conceito de político equilibrado, maduro, supostamente mais preparado para administrar a cidade. Ele visa formatar a imagem de serenidade, postulado da confiança no público, tentando, com isso, estabelecer vôo próprio e amenizar o fato de ser filho de um político tradicional, o ex-presidente da Assembleia Legislativa (Carlos Braide), patrono da herança eleitoral da família. O bordão “Eu sou Braide. Estou pronto” traduz isso.

10 Duarte Junior demonstra carregar os hormônios da juventude. É afoito, corre nas caminhadas de rua, sacode o braço musculoso para demonstrar força e eficácia como gestor do Procon e do Viva Cidadão. Busca ainda estabelecer diferença em relação ao filhotismo político do seu antagonista e produz a narrativa de que venceu na vida com esforço e trabalho próprios. Assim, ele sistematiza dois bordões: “Filho do povo, igual a você” e “Bora resolver”

As imagens de estúdio e da campanha de rua, importadas para as telas da televisão e dos dispositivos móveis, reforçam os conceitos dos candidatos junto ao eleitorado para obter reconhecimento, afinidade e construir laços de racionalidade e/ou afetivos na hora de votar.

Na novela, onde amor e ódio pulsam com vigor, pode ser que Duarte Junior leve vantagem. Ele é um ator mais preparado, sabe incorporar o drama que vai motivar o eleitor. Eduardo Braide, por sua vez, foca mais no aspecto racional.

Eleição é paixão e a campanha na reta final está inundada por um turbilhão de mensagens publicitárias, informações e desinformações, numa avalanche de conteúdo que confunde cada vez mais a maioria do eleitorado não militante na política partidária.

Eis a síntese. Os sucessivos ataques de ambos os lados estão provocando uma certa margem de dúvida no eleitorado. E só o debate cara a cara na TV vai proporcionar um nível de esclarecimento suficiente para o público tomar a decisão final.

PT de São Luís vai rachado ao 2º turno: maioria apoia Duarte Junior e a CNB segue Eduardo Braide

A velha disputa interna do PT no Maranhão ganha mais um capítulo na eleição para a Prefeitura de São Luís em 2020.

Durante o 1º turno a maioria do partido marchou unificada com o candidato a vice-prefeito e vereador Honorato Fernandes na chapa liderada por Rubens Junior (PCdoB), integrando o campo político-eleitoral do governador Flávio Dino (PCdoB).

No segundo turno o PT oficialmente declarou apoio a Duarte Junior (Republicanos), seguindo o comando do Palácio dos Leões, mas uma tendência do partido – a CNB (Construindo um Novo Brasil), liderada pelo deputado estadual José Inácio – abriu uma dissidência e está no palanque de Eduardo Braide (Podemos), apontado como bolsonarista.

Em uma nota pública (veja abaixo), a CNB justifica o apoio ao bolsonarista; porém, no mesmo texto, aponta fidelidade ao governador Flávio Dino na eleição de 2022.

CNB assume Braide, mas promete fidelidade a Flávio Dino em 2022

“Cumpre destacar, desde já, o compromisso da CNB – Maranhão com o Governador do Estado, e o projeto que ele representa para a esquerda brasileira, motivo pelo qual ressaltamos o nosso total apoio ao futuro candidato de Flávio Dino ao Governo do Maranhão, por entender que é preciso dar continuidade ao ciclo de avanços e conquistas que transformaram a vida do povo maranhense e garantiram mais dignidade aos mais pobres através do Governo Dino.”, pregou a CNB.

Outra nota (veja aqui), da Executiva Municipal do PT de São Luís, rechaça qualquer tipo de aproximação com Eduardo Braide e firma compromisso com Duarte Junior (Republicanos), candidato do governador Flávio Dino.

“Em reunião da Executiva Municipal, realizada na última terça-feira (17), foi definido por 13 votos favoráveis e uma abstenção, o apoio do PT ao candidato Duarte Jr. no 2° turno. A questão foi debatida e a decisão tomada. O PT neste segundo está com Duarte Jr.”, reiterou a direção local petista.

Entre textos e posições distintas, o PT só elegeu um prefeito nos 217 municípios do Maranhão, em Coroatá; e a candidatura coletiva NÓS para uma das 31 vagas da Câmara dos Vereadores de São Luís.

No passado, o braço local da CNB levou a má fama de “sarnopetista”, devido ao alinhamento à oligarquia liderada por José Sarney, que não se esgotou durante a participação do PT no governo Roseana Sarney.

Mergulhando nas águas profundas da política o sarnopetismo segue fazendo tabela com a ex-governadora e o seu pai-conselheiro. Agora, na disputa do segundo turno em São Luís, o MDB migrou para Eduardo Braide e a CNB foi junto.

Pode até parecer coincidência, mas não é.

Veja abaixo a nota da CNB na qual justifica o apoio a Eduardo Braide:

*RESOLUÇÃO DA CNB-MA SOBRE O SEGUNDO TURNO EM SÃO LUÍS*

O segundo turno das eleições de São Luís exige das forças do campo democrático e popular uma profunda reflexão acerca da conjuntura que se desenhou no pleito da capital.

Finalizado o primeiro turno em 15 de novembro, têm-se na disputa eleitoral do segundo turno dois candidatos que integram partidos da base aliada do governo federal: Eduardo Braide e Duarte Júnior.

Braide é do Podemos e Duarte é do Republicanos. Ambos os partidos não possuem alinhamento ideológico com o PT ou com o campo democrático-popular.

Ao analisar meticulosamente quem apoiar neste segundo turno, o PT e as demais forças de esquerda devem considerar que não se trata de uma opção meramente ideológica, posto que ambos os candidatos não possuem afinidade política com o campo democrático-popular.

O candidato Duarte Júnior, que abandonou as fileiras do PCdoB para se filiar ao partido dos filhos de Bolsonaro (Republicanos), já fez declaração pública – como se fosse motivo de orgulho – de que integra o partido da base aliada de Jair Bolsonaro, usando tal discurso como meio de conquistar apoio político e votos. Outrossim, o candidato Duarte desferiu recentemente ataques ao então candidato do PCdoB à prefeitura, Rubens, e à militância do partido, fazendo insinuações pejorativas e referendando uma posição antipartidária de negação da política.

É importante destacar também que o candidato Eduardo Braide tem adotado uma posição independente na Câmara dos Deputados, tendo votado contrariamente à orientação do governo Bolsonaro em temas importantes como a Reforma da Previdência, o Novo Marco Legal do Saneamento Básico, MP da flexibilização das regras trabalhistas durante a pandemia e o Novo FUNDEB, matérias em que Eduardo Braide se posicionou da mesma forma que a bancada do PT.

A análise sobre o segundo turno deve ser político-eleitoral, com o fito de buscar concretizar um modelo de gestão que seja capaz de desenvolver São Luís e garantir melhorias para a nossa população, sobretudo a mais pobre.

No que se refere à política de alianças, o Podemos em Recife já declarou apoio à candidata Marília Arraes, do PT, no segundo turno, o que reforça a tese de que esse novo momento eleitoral reúne forças e projetos opostos em torno de uma causa maior, que é o desenvolvimento e o bem-estar das cidades e do seu povo.

É legítimo que o PT, seus militantes e lideranças, ou qualquer partido progressista, façam a opção política de apoiar qualquer dos candidatos a prefeito de São Luís, visto que não se trata de uma disputa com a presença de figuras que representam o campo popular e democrático que a esquerda integra.

Cumpre destacar, desde já, o compromisso da CNB – Maranhão com o Governador do Estado, e o projeto que ele representa para a esquerda brasileira, motivo pelo qual ressaltamos o nosso total apoio ao futuro candidato de Flávio Dino ao governo do Maranhão, por entender que é preciso dar continuidade ao ciclo de avanços e conquistas que transformaram a vida do povo maranhense e garantiram mais dignidade aos mais pobres através do Governo Dino.

Diante deste cenário, a CNB Maranhão DECIDE declarar apoio ao candidato Eduardo Braide (Podemos) neste segundo turno, por acreditar que ele é o mais preparado para gerir São Luís e garantir melhores condições de vida para a população, e, principalmente, por ter assumido o compromisso de efetivar políticas que dialogam diretamente com o modo petista de governar, tendo como princípios basilares a luta contra as desigualdades e a defesa da justiça social.

São Luís, 20 de novembro de 2020.
CNB – Maranhão
Coordenação

Eduardo Braide declarou mais de R$ 1 milhão em bens e Duarte Junior R$ 646 mil

Candidato do Podemos tem apartamento na “Península” avaliado em R$ 628 mil. O republicano possui casa no valor de R$ 361 mil

Somado, o patrimônio dos candidatos que disputam a Prefeitura de São Luís em 2020 é de R$ 1 milhão, 713 mil, 620 reais e 62 centavos.

De acordo com os dados registrados na Justiça Eleitoral, o deputado federal Eduardo Braide (Podemos) declarou como bens no menor valor uma conta corrente com apenas R$ 74,37 (Setenta e quatro reais e trinta e sete centavos) e patrimônio máximo um apartamento de R$ 628.206,73 (Seiscentos e vinte e oito mil, duzentos e seis reais e setenta e três centavos), localizado na “Península”, metro quadrado mais caro de São Luís, no edifício José Gonçalves dos Santos Filho (imagem destacada).

Os bens totais somam R$ 1.067.620,62 (Um milhão, sessenta e sete mil, seiscentos e vinte reais e sessenta e dois centavos).

Veja aqui e também na imagem abaixo os bens declarados por Eduardo Braide

Filho de político – o pai Carlos Salim Braide foi presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão – Eduardo Braide declarou ainda “quotas ou quinhões de capital” com o seu genitor e o irmão Fernando Salim Braide no valor de R$ 73.333,33 (Setenta e três mil, trezentos e trinta e três reais e trinta e três centavos).

Já Duarte Junior tem menos posses. Mas, apesar de usar no bordão publicitário de campanha um apelo à vida modesta – “filho do povo, igual a você” – o candidato apresentou uma declaração de bens com R$ 646.000,00 (Seiscentos e quarenta e seis mil reais).

O bem de menor valor é o saldo em conta corrente totalizando R$ 25.000,00 (Vinte e cinco mil reais) e no teto dos bens o candidato registrou uma casa situada na rua Lago Verde, valendo R$ 361.000,00 (Trezentos e sessenta e um mil reais), localizada no bairro Quintas do Calhau.

Veja aqui e na imagem abaixo os bens declarados por Duarte Junior

Vamos seguir acompanhando a evolução patrimonial dos dois candidatos. Ambos têm pretensões eleitorais futuras e é fundamental monitorar a movimentação dos bens de cada um.

Nota oficial do PT afirma apoio a Duarte Junior

O PT de São Luís divulgou uma nota da Executiva Municipal assegurando o apoio da legenda ao candidato Duarte Junior (Republicanos), que vai disputar o segundo turno contra Eduardo Braide (Podemos).

A nota, em tom de repúdio, visa esclarecer a posição unificada do partido e rechaça a atitude isolada de um filiado de fora de São Luís que postou em uma rede social a convocatória de um ato pró-Eduardo Braide.

O texto é assinado pelo presidente municipal do PT e vereador Honorato Fernandes, que foi candidato a vice-prefeito na chapa de Rubens Junior (PCdoB), posicionado em quarto lugar na disputa para a Prefeitura de São Luís.

A Executiva Municipal do PT segue o comando do governador Flávio Dino (PCdoB), que determinou aos aliados o apoio a Duarte Junior.

Veja abaixo.

Diretório Municipal do PT de São Luís

NOTA DE REPÚDIO

Em reunião da Executiva Municipal, realizada na última terça-feira (17), foi definido por 13 votos favoráveis e uma abstenção, o apoio do PT ao candidato Duarte Jr. no 2° turno. A questão foi debatida e a decisão tomada. O PT neste segundo está com Duarte Jr.

Logo, a manifestação individual de um cidadão que nem é filiado ao PT de São Luís não pode ser considerada como desejo da militância do partido, nem representar o PT Municipal.

A direção executiva repudia veementemente a atitude do filiado do Partido em prestar apoio ao candidato Braide usando o nome e símbolos do PT.

O nosso partido tem a tradição de tomar decisões democráticas e cumpri-las, logo, não procede ato da militância petista em apoio ao candidato das bases bolsonarista, Eduardo Braide.

Ressaltamos, essa é uma manifestação individual de um cidadão que nem filiado ao PT de São Luís é. A nossa decisão está tomada e marchamos junto com o governador Flávio Dino em apoio a Duarte Jr. no segundo turno em São Luís.

CEM – Comissão Executiva Municipal do PT de São Luís

Honorato Fernandes

Presidente do PT de São Luís

Eleições 2020: São Luís é conservadora e provinciana

Ed Wilson Araújo

Nem Ilha Rebelde nem Atenas Brasileira. A capital do Maranhão vota em massa na direita. Está em curso uma renovação geracional tradicional protagonizada pelos “velhos atenienses” de rostos juvenis com as suas hastags #estoupronto e #boraresolver

As urnas abertas no primeiro turno da eleição para a Prefeitura de São Luís reafirmaram a preferência da população por dois filhos de políticos tradicionais e um outsider. Os três primeiros colocados – Eduardo Braide (Podemos / 37,81% dos votos), Duarte Junior (Republicanos / 22,15%) e Neto Evangelista (DEM / 16,24%) – com as suas respectivas coligações, representam a direita local em tons diferentes do bolsonarismo.

Somados, eles obtiveram 390.146 sufrágios do total de 553.499 votos válidos dia 15 de novembro.

São Luís, outrora denominada “Ilha Rebelde”, porque teria uma tendência de voto progressista, deu uma guinada radical ao conservadorismo – prolongamento da marca dos dois mandatos do atual prefeito, herdeiro de 30 anos do mesmo grupo político entranhado na gestão da cidade.

O resultado também questiona o mito da Atenas Brasileira, fruto de uma suposta superioridade letrada de São Luís, cultuada pelo saudosismo de uma badalada efervescência cultural da cidade no século XIX.

Em que pesem o mérito e as qualidades dos nossos escritores, motivo de orgulho, o mito da Atenas Brasileira não corresponde à realidade. A maioria expressiva da população maranhense sequer sabia ler nem escrever e o conjunto da população estava alheio à invenção ateniense tupiniquim.

Apenas os letrados e o seu entorno reconheciam a grandiosidade intelectual ludovicense. O mito da Atenas Brasileira é uma invenção criada para emoldurar o glamour dos filhos da elite escravocrata do Maranhão que estudavam na Europa e depois voltavam à província.

E a maioria dos iluminados egressos do novo mundo não se preocupava com as barbaridades da sua terra natal.

Civilização e barbárie

Naquela sofisticada efervescência cultural do século XIX, em 14 de novembro de 1876, São Luís foi o palco de quatro atos de desumanidade contra um menino negro de oito anos.

Primeiro: o garoto foi torturado e assassinado.

Segundo: houve um sepultamento às pressas do corpo mutilado.

Terceiro: apontada como autora, Dona Anna Rosa Viana Ribeiro, típica representante da aristocracia provinciana, foi absolvida por unanimidade.

Quarto: o promotor do caso, Celso Magalhães, que levou a júri a douta Anna Rosa Ribeiro, foi execrado da cidade.

O rumoroso episódio ficou conhecido como “O crime da baronesa”.

Cena de garimpo no Centro Histórico de São Luís

Muitas reprises de atos semelhantes marcam a cidade. Recentemente, um empresário espancou e torturou um homem negro morador de rua, amarrou a vítima em uma caminhonete apeado como um porco e arrastou pelas ruas do Centro Histórico de São Luís, até a morte.

Passado presente

A tradição de cultuar o passado, como a invenção da Atenas Brasileira, está reproduzida em grande escala na tradição política clientelista do Maranhão.

Com algumas boas exceções nos três poderes, os filhos dos políticos conservadores reproduzem os legados dos seus predecessores. Eduardo Braide e Neto Evangelista preenchem esse critério na eleição de 2020, mas os exemplos idênticos são muitos há tanto tempo.

Entre mortos e feridos nas eleições 2020 salvou-se, na Câmara Municipal, uma candidatura coletiva do PT, o NÓS, no total de 31 vereadores.

No mais, está em curso uma renovação geracional conservadora protagonizada pelos velhos atenienses de rostos juvenis com as suas hastags #estoupronto e #boraresolver

Imagem destacada / Eduardo Braide, do Podemos e Duarte Júnior, do Republicanos, vão disputar o 2º turno em São Luís (MA) — Foto: Arte / G1

São Luís: eleição está indefinida e tudo pode acontecer, inclusive Braide perder

Embora os institutos de pesquisa (confiáveis e falhos) apontem a liderança de Eduardo Braide (Podemos) ao longo de toda a campanha, os fatos novos podem desembocar em uma reviravolta no resultado.

O tom é dado pelo Ibope. Segundo a última sondagem, a vitória em primeiro turno está descartada e o segundo lugar é disputado por quatro candidaturas: Duarte Junior (Republicanos), Neto Evangelista (Democratas), Rubens Junior (PCdoB) e Bira do Pindaré (PSB).

Além disso, a margem folgada de Braide, caiu.

Na reta final o ânimo dos competidores foca no acirramento da disputa.

O governador Flávio Dino entrou na campanha de corpo e alma para tentar levar o seu candidato, Rubens Junior (PCdoB), ao segundo turno. Na propaganda eleitoral e nas redes sociais o próprio governador e a militância comunista desencadearam ataques frontais a Eduardo Braide e ao segundo colocado no Ibope, Duarte Junior, acusando ambos de “bolsonaristas”. Faltou só incluir Neto Evangelista no pacote.

Em decadência após a derrota de Donald Trump nos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro é um péssimo cabo eleitoral. Daí a tática dos comunistas de associá-lo a Braide e Duarte Junior.

O candidato do Podemos também foi alvejado pela reportagem da Folha de São Paulo deste domingo (8), amplamente repercutida pelos adversários, que aponta a sua condição de investigado.

Braide rebateu a matéria nas redes sociais, dizendo-se ficha limpa, e acusou a Folha de requentar o tema em véspera de eleição (veja abaixo).

Ainda segundo o Ibope, Duarte Junior e Bira do Pindaré são as candidaturas com o maior crescimento. Nas caminhadas pelas ruas e nas redes sociais, o nome de Bira vem sendo muito receptivo e o trabalho de corpo a corpo pode alavancar a campanha na reta final e até apontar no segundo turno.

Debate

Não se deve menosprezar também a capacidade e o desempenho de todos os candidatos nas entrevistas e nos debates nesta última semana.

As candidaturas não listadas entre as mais competitivas pelo Ibope têm as suas peculiaridades e podem surpreender na fase decisiva do primeiro turno, a exemplo de Franklin Douglas (PSOL) e Hertz Dias (PSTU).

Basta lembrar da campanha de 2016, quando Eduardo Braide, então candidato por um partido minúsculo (PMN), chegou ao segundo turno contra Edivaldo Holanda Junior (PDT) devido ao seu desempenho nos debates.

Máquina

Outro aspecto a destacar é a famosa máquina eleitoral do PDT, cuja expertise de 30 anos no comando da Prefeitura de São Luís deve ser sempre colocada em avaliação.

O PDT está na coligação de Neto Evangelista, que tem ainda o apoio do MDB de José Sarney, além do PTB e do PSL.

No eventual segundo turno, a reacomodação das forças políticas muda todo o cenário naquilo que se costuma dizer: é outra eleição!

Braide sempre liderou com folga. Se ele chegar na frente com pequena vantagem, vai sinalizar desidratação. O sinal amarelo está aceso desde já. E pode avermelhar no segundo turno.

Imagem destacada / Candidatos a prefeito de São Luís nas eleições 2020 / Foto: Arte/G1. / Da esquerda para a direita Bira do Pindaré, Duarte Junior, Eduardo Braide, Franklin Douglas, Hertz Dias, Jeisael Marx, Neto Evangelista, Rubens Junior, Silvio Antônio e Yglesio.

Candidatos escondem Bolsonaro em São Luís

Os três candidatos melhor posicionados na pesquisa Ibope para a Prefeitura de São Luís querem distância de qualquer associação das suas campanhas com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Direta ou indiretamente vinculados à base bolsonarista, Eduardo Braide (Podemos), Duarte Junior (Republicanos) e Neto Evangelista (Democratas) querem distância do presidente.

Bolsonaro esteve recentemente no Maranhão e foi ignorado pelos candidatos a prefeito. Apenas Silvio Antônio (PRTB), em último lugar nas pesquisas, faz questão de assumir a ligação com o presidente.

A rejeição de Bolsonaro é ainda maior depois da derrota de Donald Trump na eleição dos EUA.

O efeito da vitória de Joe Biden é devastador sobre o campo político da ultradireita fundamentalista e das suas bandeiras anticiência, homofóbica, racista, misógina e contra os preceitos civilizatórios fundamentais.

Bolsonaro, o maior representante do trumpismo no Brasil, é uma espécie de vírus político pandêmico. Quando não mata, deixa sequelas graves.

Sérios desafios para a eleição de São Luís

Por Emilio Azevedo*

Publicado no site Agência Tambor em 03/07/2020

Recentemente fiz uma cobrança pública a um deputado estadual do Maranhão, filiado ao Republicanos, partido controlado pela famosa Igreja Universal do Reino de Deus.

Este ano tem eleição municipal!

E a cidade de São Luís grita por um Plano Diretor decente, humanizado, ambientalmente equilibrado, que possa atender ao interesse de toda a população, o que inclui priorizar a preservação da nossa zona rural, vital para a vida na Ilha.

A atual gestão da prefeitura vem propondo um Plano Diretor para servir, exclusivamente, à avareza irracional de grandes empreiteiros e megaempresários. A intenção é de elevar, sem nenhuma infra-estrutura ou justificativa aceitável, o gabarito dos prédios de São Luís para trinta andares! Além disso, a prefeitura agiu para tentar permitir a implantação de novas indústrias poluentes, quando o nível de emissão de impurezas no município já é elevadíssimo, acima do que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

Os problemas de São Luís são graves e crescentes!

Além de pobreza e miséria, temos poluição, alagamento, desmoronamento, falta d’água e saneamento, preço alto da energia elétrica, agressões às áreas verdes, transporte público precário, desprezo para com os ciclistas, descaso com a mobilidade urbana, ausência de incentivos à economia criativa e de políticas públicas para arte e cultura (acabaram até com o Circo da Cidade!), descaso com o extrativismo e agricultura familiar (cadê a Resex de Tauá-Mirim?), falta creches e educação de qualidade, sobrecarga na saúde pública, violência urbana, racismo na segurança e por aí vai.

São muitas adversidades! E os poderes executivo e legislativo, no âmbito municipal, não têm se mostrado a altura para cumprir com suas obrigações essenciais.

E no processo eleitoral deste ano, os brasileiros têm uma provação a mais: os desmandos de Jair Bolsonaro. Muitos ainda não se deram conta da gravidade do que estamos vivendo no país.

Temos um presidente miliciano, que comunga com ideias nazifascistas, apoiado por um grupo de fanáticos odientos, juntando fundamentalismo e crime organizado. E todos eles de joelhos para o que há de pior no neoliberalismo, sob a batuta de Paulo Guedes. A barra é bem pesada!

E hoje, o Brasil tem mais de 60 mil mortes na pandemia de coronavírus. E, objetivamente, Jair Bolsonaro e sua rede de delinquentes são os principais responsáveis pela enorme proporção dessa tragédia.

Diante de um presidente genocida, atualmente existem uma série de articulações, de cunho nacional e regional, cobrando o afastamento de Bolsonaro por evidentes crimes de responsabilidade. Temos que somar forças a essa onda democrática, fazê-la crescer.

E a eleição deste ano tem essa importância específica, pois para além de Jair Bolsonaro, a extrema direita brasileira está infiltrada nas mais diferentes instituições, incluindo Prefeituras e Câmaras Municipais, fato que fortalece sua ação política e ideológica.

A cobrança que fiz ao deputado estadual Duarte Júnior é exatamente consequência da necessidade de juntar a eleição municipal deste ano com a grave questão nacional.

O parlamentar maranhense é pré-candidato a prefeito de São Luís, sendo do mesmo partido de Flávio Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, o Republicanos, ligado a Igreja Universal. E diante do que o país vive hoje, considero um completo absurdo que ele, na condição de pré-candidato, não se posicione, escancaradamente, contra os crimes de seus correligionários.

Cobrei publicamente Duarte Junior para que ele, no mínimo, pedisse a expulsão de Flávio Bolsonaro do partido. Mas lamentavelmente, o deputado/candidato comporta-se como um murganho de cauda amarrada.

Agora, neste artigo, deixo bem clara minha posição e os motivos que me levaram a uma cobrança que já revela, desde já, conexões e embustes da extrema direita local.

Mas o pré-candidato do time de Edir Macedo, obviamente, não será o único conservador nesta eleição municipal em São Luís. É importante que políticos à direita como Eduardo Braide, Wellignton do Curso, Neto Evangelista, além dos outros postulantes, também abram a boca em relação ao bolsonarismo e a tudo de ruim que ele representa.

Enfim, em São Luís, nós estamos diante de duas frentes de luta, de dois desafios que passam pelo processo eleitoral deste ano: as gravíssimas questões municipais, necessitando de um engajamento cada vez maior da sociedade, que deve cobrar soluções do poder público e compromissos dos diferentes candidatos. E, além disso, a necessidade de combater o bolsonarismo e sua extrema direita.

Não é pouca coisa! Mas como nos ensinou o poeta, “a vida (também) é combate”!

*Emilio Azevedo é jornalista, atuando junto a Agência Tambor