Bancas de revista realizam roda de conversa com os candidatos à Prefeitura de São Luís

A Associação dos(as) Jornaleiros(as) do Maranhão realiza sexta-feira (30) uma roda de conversa com os candidatos à Prefeitura de São Luís. O objetivo é debater políticas de incentivo à leitura e dialogar sobre a situação das bancas de revista.

O evento acontece às 8 horas, na “Banca do Dácio”, no estacionamento da Praia Grande (ao lado do antigo Viva Cidadão do Reviver).

Nos dois mandatos do prefeito evangélico Edivaldo Holanda Junior (PDT) ocorreu um processo de eliminação das bancas de revista em São Luís, cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, título concedido pela Unesco.

Quase todas as bancas localizadas no Centro Histórico, o coração intelectual da cidade, foram eliminadas no decurso das obras de reforma das praças da Bíblia, Deodoro/Pantheon e João Lisboa.

A extinção das bancas alcançou também a área nobre de São Luís, no bairro Renascença II, onde houve resistência dos proprietários, de militantes dos direitos humanos e dos próprios moradores e frequentadores dos estabelecimentos.

Veja aqui e aqui.

As bancas retiradas do canteiro central da avenida Miécio Jorge (ou avenida do Vale) foram temporariamente colocadas às margens de uma rede de fast food mediante a promessa de que seriam realocadas no estacionamento do tropical Shopping.

A Prefeitura de São Luís chegou a iniciar a construção dos alicerces para reposicionar as bancas, mas o Ministério Público alegou que o local não é adequado.

O juiz da Vara de Interesses Difusos e Coletivos, Douglas de Melo Martins, está mediando o conflito com o objetivo de encontrar uma alternativa viável para a reinstalação dos estabelecimentos no Renascença II, observando a legislação sobre o espaço urbano.

O diálogo entre os(as) gestores(as) das bancas, a Justiça, o Ministério Público e a Prefeitura terá nova etapa dia 10 de dezembro.

Pão com Ovo: a sátira do Brasil

Ed Wilson Araújo

Depois de “um feixe e uma carrada” de apresentações em praças públicas de 70 municípios do Maranhão, em teatros de São Luís, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Salvador, Teresina e na Europa (Portugal), a comédia Pão com Ovo retornou ao palco em curta temporada com o espetáculo “A convenção”.

A derradeira apresentação desse período será realizada quarta-feira (28), no Oito Bar, ao ar livre, no hotel Blue Tree Towers.

Sucesso nos tablados e nas redes sociais, Pão com Ovo tem uma longa estrada percorrida na dramaturgia brasileira. O protagonismo decorre de vários fatores, entre eles muito estudo e trabalho para construir identidades junto ao público.

Um dos achados performáticos dos atores é a imersão nos falares do povo maranhense, frequentando os espaços onde os gestuais e os linguajares são capturados e transformados em texto dramático. Assim, as expressões regionais são facilmente reconhecidas pelo auditório, apanhadas no mergulho profundo na vida real.

Embora tenha o regionalismo como um dos pontos fortes, Pão com Ovo extrapola a cena local porque a arte é universal. Clarisse Milhomem (Cesar Boaes) está para a Península ou Leblon assim como Dijé (Adeílson Santos) emerge da área Itaqui-Bacanga ou da Baixada Fluminense.

Afinal, “coá, eu hein!”, “hum hum”, “hehem”, “tá”, “te toca”, “marminino”, “tô é tu” e outras dezenas de murmúrios e tiradas irônicas do maranhês são ditas de outras formas pelo povão Brasil afora.

No espetáculo “A convenção” a trama percorre um processo eleitoral com todos os vícios de uma disputa marcada pelo pragmatismo e clientelismo tão comuns no cenário político-partidário nacional.

Dijé e Clarisse Milhomem dividem a comédia, desta feita, com uma trupe de atores igualmente talentosos: Davyd Dias (Maçarico), Ricco Lima (Carlos Alberto Ferrari Milhomem), Marluce Emily (Iarde), Magno de Jesus (Mundica Fuçura), João Carvalho (Otávio Gabriel) e Dênia Correia (Jacierma).

Antes e depois do espetáculo o público saboreia o show especial da cantora Luciana Pinheiro.

Pão com Ovo foca no “conflito amigável” entre a socialite “Clarisse Milhomem” e a mulher guerreira de periferia: “Dijé”. Elas atritam porque são de classes sociais distintas, mas se abraçam nas suas diferenças, sem Clarisse incorporar o tom preconceituoso do tipo “eu odeio pobre”.

Quanto à retórica, vale ainda registrar alguns tons do discurso educativo da peça sobre a tolerância e respeito às diferenças de gênero e uma clara posição de combate à homofobia.

Não conto mais detalhes para evitar o spoiler e “estragar o prazer” de quem ainda não assistiu ao espetáculo.

Dou apenas uma dica. Depois da peça fique mais um pouco para apreciar o show de Luciana Pinheiro e, quem sabe, saborear as canjas maravilhosas de Dijé fazendo solo de jazz e rufando o som ancestral dos cantadores de bumba-meu-boi do Maranhão.

Eu vejo Pão com Ovo pensando nas tiradas teóricas de Jesus Martín-Barbero sobre as pulsações estéticas advindas do meio popular como práticas culturais de enfrentamento e resistência diante da arte cultuada nos espaços fechados e reservados a um público refinado, cult.

Em sua obra “Dos meios às mediações”, Martín-Barbero faz um apanhado das variadas pulsações do ambiente popular ressignificadas na dinâmica das transformações culturais. Os cegos violeiros, os pregoeiros das feiras livres, os cantores de rua, o teatro cara a cara nos palcos improvisados a céu aberto, as comédias animadas pelos urros e apupos da plateia exaltada e outras tantas modelagens estéticas dão vida à usina de emoções criativas não oficiais.

Todas essas ousadias de outrora vigoram no tempo presente quando um espetáculo de perfil popular vai aos grandes teatros do país.

Pão com Ovo tem um pouco de tudo isso e algo mais. Incorpora elementos da tragédia grega, do folhetim, da radionovela e da teledramaturgia contemporânea. Pão com Ovo é “Pão com (p)Ovo”.

A sofisticada elite intelectual de São Luís pode até não gostar do estilo popular, mas a maioria adora. Eu estou entre esses milhões de brasileiros encantados com as habilidades retóricas, os movimentos corporais e as elegantes interpretações sonoras da nossa tribo tupiniquim que um dia promete virar Paris.

Coletivo Feminista reivindica direito a creche, parto seguro, atenção integral à educação infantil e Plano Diretor civilizatório

Reivindicações estão sistematizadas na Carta Aberta de Mulheres para as candidaturas à Prefeitura e Câmara Municipal de São Luís.

Veja a carta do Coletivo Materno Feminista, na íntegra, abaixo ou clique aqui.

As candidaturas a Prefeitura e a Câmara Municipal de São Luís precisam se comprometer com as demandas das mulheres e crianças.

As candidaturas a Câmara Municipal devem fazer valer o cumprimento de seu dever em relação a fiscalização dos atos do poder público municipal, portanto, o tema creche e a fiscalização dos recursos que devem ser aplicados na educação infantil pública devem obter atenção e comprometimento permanentes, por parte das candidaturas a Prefeitura e a Câmara Municipal de São Luís.

A educação infantil é um direito assegurado a todas as crianças até 5 anos e 11 meses de idade, sendo que a Emenda Constitucional 59/2009 e a Lei 12.796/2013 estabeleceram a obrigatoriedade da educação das crianças de 4 e 5 anos, motivo pelo qual as taxas de atendimento na pré-escola continuaram mais altas do que na creche.

A falta de creches é um dos grandes desafios a serem enfrentados em nosso país, a média nacional de atendimento de crianças de 0 a 3 anos no Brasil é de apenas 35,18%, segundo dados de 2020 do Relatório de Monitoramento do Plano Nacional de Educação, e em São Luís essa realidade é ainda mais complexa. A Prefeitura de São Luís não tem somado esforços para cumprir o disposto na Lei 13.005/2014 que instituiu o Plano Nacional de Educação, no qual uma das metas determina que sejam atendidas 50% das crianças em creches até 2024. Cabe ressaltar que essa meta já estava colocada desde a Lei 10.172/2001 que instituiu o primeiro Plano Nacional de Educação e como não foi cumprida na década passada consta novamente como meta atual e prioritária para a presente década.

Clamamos por uma reparação histórica e política a ser realizada para o atendimento das crianças de 0 a 3 anos, que teve sua origem vinculada as políticas da área de Assistência Social. As lutas dos movimentos sociais, a divulgação de estudos e pesquisas sobre a aprendizagem e o desenvolvimento infantil e a incorporação desse debate na legislação que introduziu a creche no sistema educacional brasileiro são resultados históricos importantes a serem considerados.

Sabemos que o direito a uma creche de qualidade, com profissionais habilitados e qualificados constitui uma condição necessária para o desenvolvimento biopsicossocial da criança, em um ambiente seguro e distanciado da violência doméstica. As intervenções em termos de cuidado e educação que acontecem na creche potencializam as expressões das crianças em múltiplas linguagens.

A creche é também um espaço institucional, que além de assegurar um ambiente adequado às crianças, garante a possibilidade de as mulheres mães retornarem ao trabalho ou terem condições de voltar a disputar vagas no mercado de trabalho. As condições de mães com filhos em idade pré-escolar afetam sobremaneira a inserção das mulheres no mercado de trabalho, diminuindo as chances de participação e elevando as situações de trabalho precário, de jornada parcial e de trabalho autônomo. A mão de obra das mulheres é mais desempregada que a de homens vide a taxa de desemprego entre mulheres em 2019, que foi 13,1% maior que entre homens (9,2%), segundo dados de 2020, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua.

A atual gestão da Prefeitura comprometeu-se na última campanha eleitoral a construir 25 creches para garantir o direito das crianças e de suas famílias. Passados 8 anos de gestão da administração municipal atual foram construídas 3 creches apenas, concluídas nos bairros Chácara Brasil, Cidade Operária e São Raimundo e que ainda não foram inauguradas até o momento, o que demonstra que a pauta da creche não tem sido prioritária. As crianças de 0 a 2 anos não têm atendimento educacional garantido no município de São Luís em creches públicas, tendo em vista que as poucas existentes atendem apenas crianças maiores de 3 anos.

Muitas famílias, mais de 60% destas chefiadas por mulheres, pagam taxas em creches comunitárias para garantirem o atendimento aos seus filhos e terem as condições de obter renda por meio de seus trabalhos. Em parte significativa das creches comunitárias as estruturas físicas não são adequadas para o desenvolvimento das atividades. Muitos desses locais funcionam em espaços improvisados e são insalubres, não há materiais e brinquedos pedagógicos que atendam às necessidades educacionais das crianças e os profissionais, em sua maioria, trabalham de forma voluntária ou recebem remunerações irrisórias não condizentes ao desempenho de seu trabalho ou as exigências do piso salarial do magistério ou teto salarial estabelecido para cuidadoras de crianças em creches.

Essas condições de trabalho nas creches comunitárias produzem alta rotatividade de profissionais, causando prejuízos ao envolvimento dos profissionais da educação com a proposta pedagógica da creche e aos vínculos estabelecidos entre as crianças e seus professores. Este cenário nos faz defender de forma intransigente o direito à educação, para a faixa etária de 0 a 3 anos. Reivindicamos creches públicas, nas quais as condições da qualidade do atendimento, com a garantia de aplicação de recursos públicos, possuem maior probabilidade de serem alcançadas, com rigorosa fiscalização da Câmara de Vereadores em parceria com as Associações de Pais, famílias, movimentos sociais em defesa da educação pública, conselhos escolares, entre outros.

Como o direito à educação para todas as crianças deve ser cumprido, queremos destacar a importância de garantir acessibilidade, adaptações curriculares e recursos necessários para promover a educação das crianças com deficiência, transtornos do espectro autista e altas habilidades/superdotação. Crianças com esse perfil precisam estar incluídas em creches e pré-escolas regulares e precisam do acesso aos serviços de saúde, que possam apoiar seus aprendizados. O acompanhamento de profissionais como neurologistas, psiquiatras, psicólogos, psicopedagogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, entre outros, deverá ser garantido às famílias dessas crianças como tratamentos complementares, na medida em que se façam necessários. Não aceitaremos retrocessos na inclusão dessas crianças em creches e pré-escolas regulares e nem substituição do ambiente escolar por tratamentos de saúde, que devem ser disponibilizados no contraturno ou nos momentos em que as crianças não estão nas instituições educacionais.

Outro aspecto que merece atenção na disputa eleitoral é o tema da atenção à saúde da mulher, cujo cenário da pandemia covid19 expôs em nível mundial a fragilidade dos sistemas de saúde públicos. Em países periféricos, de economia dependente, essa situação se agravou, aprofundando a desigualdade existente entre as classes sociais. A Atenção Básica de Saúde deve ser reforçada com a estruturação das Unidades Básicas de Atenção à Saúde e os Postos de Saúde devem estar equipados para realizar o atendimento às mulheres, de modo descentralizado nas comunidades.

Na cidade de São Luís, não há uma Lei ou atendimento que garanta às mulheres o parto seguro, livre de violência obstétrica na rede pública. Muitos hospitais não cumprem os direitos das mulheres durante o parto como o direito a um acompanhante. Muitas mulheres sofrem procedimentos desnecessários como a episiotomia. Também não há pré-natal de excelência e não possui nenhuma maternidade sob responsabilidade do poder público municipal. São Luís precisa urgentemente de uma maternidade e que nesta seja garantido o pré-natal e parto seguros. Não há leis municipais que garantam o direito a existência e escolha de doulas para acompanhamento do parto, nem a lei da analgesia, assim como não há lei que garanta o parto seguro em oposição à naturalização da cultura da prevalência do procedimento obstétrico que contém em si mesmo uma dimensão de violência.

Também exigimos das candidaturas um compromisso efetivo com a aprovação de um Plano Diretor, que atenda às necessidades da vida humana, de crianças, idosos, mulheres, pessoas com deficiência, dos animais e da preservação da natureza. Tudo que ocorrerá nesta capital maranhense nos próximos 4 anos, exige a execução de políticas coerentes com o planejamento que está contido no Plano Diretor. Neste documento devem constar diretrizes em relação a construção de prédios e condomínios, saneamento básico, mobilidade urbana, acessibilidade, construção e manutenção de praças, paisagem e unidade de conservação em São Luís, somado ao compromisso daqueles que se dispuserem a representar verdadeiramente os interesses da população, viabilizando e fiscalizando a sua execução, de modo a garantir a qualidade social das políticas públicas, que devem ser uma consequência do referido Plano.

Assinam esta Carta o Coletivo Materno Feminista e outras entidades de direitos humanos, como legítima manifestação em defesa de condições dignas de vida de todas as pessoas que vivem na cidade de São Luís.

Apoiadores de Emílio Azevedo lançam campanha pelo voto livre e prestam homenagem a Paulo Freire

No Dia do Professor, 15 de outubro, educadores(as) e militantes dos movimentos sociais participaram do lançamento da campanha “Meu voto não tem preço! Tô com Emílio Azevedo”.

Durante toda a campanha o candidato a vereador Emílio Azevedo (PSB) vem falando sobre as suas propostas e também denunciando a compra de votos, uma prática nociva à democracia.

O ato de lançamento, realizado na praça Joãosinho Trinta, na Beira-Mar, teve a participação do candidato a prefeito de São Luís, Bira do Pindaré (PSB) e de artistas, entre eles o cantor e compositor Cesar Teixeira, autor do jingle da campanha de Emílio Azevedo, batizada “Meu voto é livre”.

Emílio Azevedo lembrou a importância de pautar o
Plano Diretor no debate eleitoral de São Luís

“A data – 15 de oububro – foi escolhida para prestar uma homenagem as professoras e professores que, no passado, foram censurados, cassados e mortos pelos golpistas de 64. E pelos que hoje são perseguidos pelo bolsonarismo” justificou Azevedo.

Durante o lançamento foi realizada uma homenagem ao educador Paulo Freire.

Cesar Teixeira finalizou o ato cantando “Oração Latina” junto com Bira do Pindaré, acompanhados pelo coro dos apoiadores. A música, um hino da democracia e das lutas dos movimentos sociais, animou ainda mais a força da campanha de Emílio Azevedo.

Emilio Azevedo e Dom Belisário conversam sobre o combate à compra de votos

Apoiadores da candidatura do jornalista Emílio Azevedo a vereador de São Luís estarão lançando, no próximo dia 15 de outubro, a campanha “Meu voto não tem preço! Tô com Emílio Azevedo”. 

Para tratar exatamente desse tema –  o combate à compra de votos na capital maranhense – Emílio esteve hoje (02/10) com Dom José Belisário, Arcebispo da Igreja Católica, em São Luís.

“Precisamos encontrar meios para vencer a compra de votos. Ela corrompe as possibilidades democráticas e cria uma subrepresentação. A Câmara Municipal de São Luís hoje tá cheia de compradores de votos, financiados com dinheiro do crime organizado”, disse Emílio Azevedo, no encontro com o Arcebispo.

Ed Wilson Araújo, Emílio Azevedo e Dom Belisário

Na conversa entre Emilio e Dom Belisário foram lembradas antigas mobilizações feitas pelas pastorais sociais, onde era dito que “voto não tem preço, tem consequência”.

Também participaram do encontro o jornalista professor da UFMA, Ed Wilson Araújo, e a arte educadora Rejane Galeno, ambos integrantes da Agência Tambor.

Adriano Sarney no tempo das vacas magras

Candidato a prefeito de São Luís até sábado (26), o deputado estadual Adriano Sarney (PV) anunciou a desistência do pleito. Logo ele, que havia sido o primeiro a oficializar o nome em convenção realizada dia 31 de agosto.

O ex-candidato é neto de José Sarney e primogênito de Sarney Filho, ex-deputado federal e ex-ministro do Meio Ambiente.

Embora faça parte do clã, ele não teve apoio sequer do MDB controlado pela família. A ex-governadora Roseana Sarney preferiu uma aliança mais pragmática com o PDT e o DEM, formalizando o apoio do partido à coligação liderada por Neto Evangelista.

A falta de apoio dentro de casa foi um dos fatores para a desistência de Adriano Sarney.

É uma renúncia dolorida para quem nasceu e cresceu em berço de ouro e sempre teve plenas facilidades na vida: fortuna, empregados e serviçais, as melhores escolas, conforto, um oceano de oportunidades e todos os sonhos realizáveis na palma da mão, na chave de um cofre ou em uma conta bancária.

Publicamente ele tentou disfarçar o desgaste, atribuindo a sua renúncia ao pouco tempo de propaganda eleitoral e à exclusão dos debates nas duas maiores emissoras de televisão: TV Mirante/Globo e TV Difusora/SBT.

Detalhe: a TV Mirante é propriedade da família e administrada pelo seu tio Fernando Sarney, mas submetida em alguns casos às regras da Rede Globo, que restringiu o número de candidatos nos debates.

Um fator ainda mais profundo para explicar a renúncia é a perda de musculatura política do clã liderado por um José Sarney já quase fora de combate.

Dinheiro a família tem de sobra, mas falta a força do capital político, partidário e eleitoral para disputar o poder real.

Durante 50 anos José Sarney mandou e desmandou no Maranhão montado na besta fera do sistema oligárquico. Ele tinha relação direta com o governo federal desde a ditadura militar até Dilma Roussef (PT); controlava quase totalmente a bancada de deputados em Brasília e na Assembleia Legislativa, além dos senadores; era influente no Judiciário e construiu uma teia de relações fisiológicas e clientelistas com as elites local e nacional.

Esse tempo passou e hoje os políticos da família estão sem mandato, restando apenas o deputado estadual Adriano Sarney, esbravejando na oposição, em um partido minúsculo, desprezível, insignificante.

O ex-candidato a prefeito chegou ao cúmulo de subtrair do seu nome, no painel da Assembleia Legislativa, o sobrenome Sarney.

Ele queria ser apenas Adriano. E agora conseguiu. Não é mais candidato à Prefeitura de São Luís e dificilmente será reeleito deputado estadual em 2020.

Que assim seja: somente Adriano, sem mandato nem poder.

Veja abaixo a carta de renúncia:

“Carta aos candidatos e eleitores do PV em São Luís

Saudações verdes!

Foi uma longa jornada de superação desde o lançamento de nossa pré-candidatura há 1 ano até chegarmos neste dia. Formamos uma das maiores chapas de vereadores da disputa, somos 40. Com fé em Deus e nas pessoas de São Luís, vamos ter representação na Câmara Municipal. Escolhemos a surpreendente jovem Vall Nascimento para compor a majoritária como nossa candidata à vice-prefeita. Continuamos pontuando bem nas pesquisas, apesar de estarmos caminhando sem o apoios de grupos, partidos ou políticos tradicionais, e de termos sido candidato em eleições anteriores na capital. Temos que ter orgulho de tudo isso!

Devido ao nosso limitado tempo de TV – 6 segundos-, estávamos confiando na presença nos debates para expormos nossas ideias e mostrarmos para as pessoas nosso diferencial: conhecimento e experiência econômica e administrativa para levarmos São Luís para um novo patamar de desenvolvimento. O momento pede um gestor qualificado e me sinto preparado para assumir essa responsabilidade de superarmos a maior crise econômica e social das últimas décadas.

No entanto, não foi possível garantir nossa presença nos três debates com maiores audiências. A Rede Globo nacional impôs condições duras para a realização do evento devido a pandemia. Nossa opinião é de que não haverá debate neste veículo de maior audiência. Por outro lado, a TV Difusora/SBT realizará dois debates, mas, surpreendentemente, utilizou-se de uma regra eleitoral para nos deixar de fora, mesmo pontuando nas pesquisas acima da maioria dos outros candidatos que terão a chance de expor suas ideias. Acreditamos que, nestas condições impostas pela TV Difusora, o processo eleitoral em São Luís não será democrático uma vez que a maioria da população aguarda ansiosamente pelos debates.

Decidimos então retirar nossa candidatura a prefeito de São Luís. Vamos seguir com nossos candidatos a vereadores de forma independente.

Um abraço e boa sorte a todos!

Adriano Sarney

Caminhada: Bira vai iniciar a campanha no bairro João Paulo

A estreia oficial da campanha do candidato a prefeito de São Luís, Bira do Pindaré (PSB), será com os pés no chão e muita esperança, respeitando os protocolos sanitários. O socialista escolheu a rua da Cerâmica, no bairro João Paulo, para deflagrar as atividades de conquista do eleitorado na caminhada “Por uma São Luís mais bela, humana e justa”, domingo, 27, às 8 horas. A concentração será na praça em frente à delegacia do João Paulo.

Bira estará acompanhado dos candidatos à Câmara Municipal e apoiadores, em número limitado, para evitar aglomerações. No anúncio da caminhada o candidato registrou o uso de máscara e todas as outras recomendações das autoridades de Saúde para preservar as pessoas diante da pandemia covid19.

“A rua da Cerâmica foi escolhida porque tem uma simbologia forte na minha vida. É a rua onde eu cresci e comecei a interagir com a cidade que pretendo administrar, se assim o povo quiser”, justificou. “Vamos pela rua da Cerâmica, onde morava o finado Zozias, pai dos meus amigos Carlos Henrique, Zózimo e Zozias Filho, meus amigos do Colégio Batista”, completou o jornalista e candidato a vereador Emílio Azevedo, que vai participar da caminhada.

Jornalista Emílio Azevedo estará com
Bira nas ruas do João Paulo

O candidato do PSB vem pontuando nas pesquisas e segue embalado pela convenção que definiu a chapa formada com a professora da UFMA, Letícia Cardoso, além de 40 candidatos ao parlamento municipal.

A convenção dos socialistas foi marcada pela responsabilidade e respeito com a vida das pessoas, seguindo todas as recomendações sanitárias. O ato de homologação da chapa Bira do Pindaré e Letícia Cardoso teve público limitado, aferição de temperatura corporal, distribuição de máscaras aos filiados e disponibilização de álcool em gel em todos os espaços do evento.

Durante a pré-campanha, Bira do Pindaré dialogou com vários setores da sociedade e nos bairros de São Luís, sempre em pequenas reuniões para evitar aglomerações. Ele também fez encontros virtuais nas redes sociais para ouvir a população, os movimentos sociais, técnicos especializados, pesquisadores, empreendedores e a juventude, colhendo sugestões em áreas fundamentais para a gestão da cidade, com o objetivo de elaborar o programa de governo.

A caminhada no João Paulo terá prosseguimento em muitos bairros de São Luís. “Eu vou fazer a campanha com o pé no chão, como sempre fiz. Vou caminhar as ruas da nossa São Luís para conversar olho no olho com as pessoas. Nosso grande diferencial é a nossa identidade, com uma candidatura que vem da periferia e que representa a população negra de São Luís”, explicou o candidato.

DESCRIÇÃO DA IMAGEM DESTACADA

A imagem é uma peça gráfica que tem foto candidato a prefeito Bira do Pindaré no lado esquerdo e do lado direito a foto da candidata a vice-prefeita Leticia Cardoso. As fotos são acompanhadas dos dizeres: “Caminhada. Por uma São Luís mais bela, humana e justa!” Vamos começar com pé no chão e muita esperança! Dia 27 de setembro, domingo às 8h. Concentração na praça em frente à delegacia do João Paulo.

“Rumbora Marocar” promove educação política e checagem de informações nas eleições de São Luís

Criada pelo coletivo Re(o)cupa – atuante desde 2016 em São Luís, com foco na democratização da arte, cultura e educação através de novas perspectivas coletivas -, a campanha “Rumbora Marocar” fará sua estreia nas Eleições Municipais de São Luís em 2020, como um projeto de educação política popular e de verificação de conteúdo.

“Rumbora Marocar” terá uma plataforma digital oficial, que funcionará como ferramenta democrática indispensável e atuará na formação política dos cidadãos, na medida em que coloca o debate de projetos políticos e sociais e apresenta a possibilidade de importantes mudanças neste período, além de contribuir na ampliação de conhecimento aos ludovicenses sobre o processo eleitoral.

O site oficial da campanha estreia dia 20 de setembro e será disponibilizada inicialmente por um ano, podendo ser utilizada para mais ações sobre o âmbito político institucional da ilha. Acesse em: www.rumboramarocar.com.br.

A campanha será realizada de setembro a dezembro de 2020, com foco em promover o debate sobre o conteúdo produzido entre os eleitores do município de São Luís (todo e qualquer cidadão a partir dos 16 anos).

Para Deuza Brabo, uma das organizadoras da campanha, entre os propósitos da “Rumbora Marocar” está o de ofertar mecanismos para que a população detenha conhecimentos e exerça a cidadania através do voto com maior consciência nas eleições municipais de São Luís. “Com o Rumbora [Marocar], queremos a criação e a disseminação de conteúdos informativos e educacionais, sempre com uma linguagem clara e de fácil entendimento. Estamos comprometidos em realizar este projeto trabalhando com a realidade dos fatos e distante de interesses particulares e partidários. Nossa missão é propiciar um melhor entendimento tanto da política institucional quanto da política local”, afirmou.

Ao todo, serão 75 dias de informações sobre a conjuntura política ludovicense, seu embate e análise de seus discursos e diálogos, buscando levar coerência e transparência para a população. “Através de lives, matérias especiais e inéditas e uma forte campanha nas redes sociais, seguiremos, por quatro meses, instigando o debate sobre temas em discussão na cidade a fim de incentivar a população a participar ativamente, criando espaços de diálogo com os principais usuários das cidades”, pontuou Kadu Vassoler, também organizador da plataforma, que ressalta ainda a realização de cinco programas interativos (lives/ao vivo) com convidados especialistas para debater sobre temas da cidade. 

Com dois eixos de atuação, “Rumbora Marocar” atuará da seguinte forma: no Eixo 1, intitulado “Rumbora”, irá disseminar conteúdo de forma acessível e com linguagem popular sobre os cargos em disputa nas eleições municipais, fornecendo conteúdo relativo aos cargos de prefeito, vice-prefeito e vereador, elucidando sobre as competências atinentes aos respectivos cargos, com produção de matérias jornalísticas a respeito da conjuntura política de São Luís, contexto histórico e atualidades e disponibilização de materiais gráficos como cartilhas e materiais em audiovisuais dos bastidores, objetivando ensinar o passo-a-passo sobre o modo como é feito a checagem de notícias; já no eixo 2, chamado “Marocar”, o objetivo será averiguar notícias, declarações e materiais publicados pelos candidatos a prefeito durante o período da Campanha Eleitoral, como uma forma de qualificar o debate público por meio da apuração jornalística, checagem do grau de autenticidade das informações, além de identificar incoerências a partir da análise aos planos de governo e das competências atribuídas ao cargo, com análise dos Planos de Governo apresentados pelos candidatos à Prefeitura de São Luís que tenham sido devidamente registrados junto ao TRE, realização do perfil do candidato (histórico político) e verificação quanto a autenticidade das informações propagadas pelos candidatos ao cargo de prefeito em São Luís, durante a campanha política.

Eleições em São Luís

A história de São Luís é marcada pela presença de uma oligarquia que se mantém com a utilização patrimonialista da máquina pública e impede a inserção de novos grupos na disputa eleitoral e ameaçam o Estado Democrático de Direito. Dados do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) revelam que, dentre os 31 vereadores eleitos em 2016, 25% deles somam mais de 100 anos ocupando cadeira na câmara de vereadores do município de São Luís.

Para Karoline Ramos, que fecha o tripé de criação da campanha ao lado de Kadu e Deuza, evidenciar estes dados sedimenta a importância de se implementar iniciativas que fomentem a participação popular nas eleições municipais de São Luís como uma estratégia combativa à manutenção da estrutura posta perpassando a garantir a práxis concreta, em que o exercício do educar-se politicamente deve ser prioridade.

“É preciso combater a veiculação de informações falaciosas em torno das campanhas eleitorais dos candidatos a prefeito e fornecer conteúdos informativos de fácil entendimento pela população como um caminho a ser percorrido dentro de uma estratégia combativa aos modelos postos. E é por isso que a ‘Rumbora Marocar’ se faz extremamente importante e necessária”, explanou.

Para mais informações sobre a campanha “Rumbora Marocar”, via e-mail reocupa@gmail.com e/ou (98) 99968-2033 (Assessoria de Comunicação).

Cabe uma retratação

O secretário de Saúde, Carlos Lula, é um dos melhores gestores do governo Flávio Dino (PCdoB).

Durante a pandemia do novo coronavírus ele tem feito o bom combate, em sintonia com as orientações das autoridades sanitárias, trabalhando com seriedade no enfrentamento da doença.

Porém, na convenção partidária governamental em Coroatá, Carlos Lula fez discurso sem máscara e até dançou com os seus correligionários no palanque, vendo na plateia um ambiente aglomerado e perigoso.

Não adianta usar o argumento de que o cidadão Carlos Lula é uma pessoa; e o secretário, outra. Ambos estão na mesma humanidade, falível.

O secretário errou e deveria fazer uma retratação.

Outros políticos e candidatos fizeram convenções aglomeradas atropelando as recomendações médicas.

A convenção do candidato a prefeito de São Luís, Duarte Junior, ex-comunista e atualmente no Republicanos, foi um exagero de aglomeração.

O que ele fez depois? Gravou e divulgou um vídeo pedindo desculpas.

O secretário de Saúde poderia tomar uma atitude semelhante. Na condição de autoridade referência no combate à pandemia é até pedagógico ele vir a público explicar a falha e reforçar os cuidados com a vida.

Basta um gesto simples e didático, com uma pequena dose de humildade.

Bolsonaro faz recuo tático no Renda Brasil

Durante o período mais forte da pandemia do novo coronavírus o Auxílio Emergencial passou a ser um ativo importante nos índices de aprovação e popularidade do governo Jair Bolsonaro.

O presidente sentiu nas pesquisas o efeito da injeção do dinheiro no bolso da população pobre. Somado ao Bolsa Família, o Auxílio Emergencial acendeu a luz verde para a reeleição de Bolsonaro em 2020.

Falta, apenas, rebatizar o Bolsa Família e transformá-lo no Renda Brasil, apagando a marca tucano-petista para criar um novo mote publicitário de ajuda aos pobres, sob a insígnia nacionalista e uma provável paleta de cores verde e amarela.

Momentaneamente há um conflito entre a sedução eleitoreira de Bolsonaro e as restrições orçamentárias somadas à antipatia pelos pobres do ministro da Economia Paulo Guedes.

Para evitar um desgaste maior com a equipe econômica, o presidente faz um recuo tático no Renda Brasil, mas na virada de 2021 para 2022, ano eleitoral, o tema voltará à pauta com todo vigor.

O bolsonarismo, que odeia os programas sociais pejorativamente denominados “esmola para os pobres”, vai mudar de opinião em nome da reeleição do presidente.

Espelhado no PSDB e no PT, pai e mãe dos programas sociais recentes, Bolsonaro vai manter e aperfeiçoar tudo aquilo que condenava.

Assim, o Renda Brasil tende a ser o maior cabo eleitoral de 2022.