Memórias do Carnaval: Turma do Saco homenageou o rádio AM

Em tempos de migração do rádio AM para FM rememoramos o samba tema “Nas ondas do rádio AM”, do bloco organizado “Turma do Saco”, levado à passarela no Carnaval de São Luís, em 2016.

A letra (veja ao final) faz referência à história das rádios AM, aos programas e apresentadores emblemáticos e destaca o papel das emissoras na integração da ilha de São Luís aos municípios do continente.

Já no curso da migração das rádios AM para FM, o velho radinho de pilha com chiado e os programas comunitários e jornalísticos passam por transformações. Rádio atualmente é ouvido em aplicativo de smartfone e o chiado ficará apenas na lembrança dos apaixonados.

O samba-tema da Turma do Saco em 2016 foi resultado da parceria de três compositores: coronel Franklin Pacheco, Cesar Grafite e Luís Carlos Pinheiro, o Vovô.

Ouça o samba aqui

No processo de fabricação da letra, a direção da escola e os compositores mergulharam em pesquisas na internet e consultaram especialistas, sobre o assunto.

Inspiração de Vovô

Compositor e intérprete do samba “Nas ondas do rádio AM”, Vovô é uma lenda na vida cultural de São Luís. Ex-integrante da Flor do Samba, ele foi passista, baliza, ritmista e tem a experiência de quem tocou, cantou e dançou em muitos carnavais. A identidade com o tema vem também da experiência de Vovô no rádio. Ele trabalhou como serviços gerais e porteiro na antiga rádio Ribamar AM e foi promovido aos microfones por Frank Matos, locutor veterano nas emissoras de São Luís e apresentador do carnaval na Passarela do Samba durante décadas. Vovô sempre cantarolava nos corredores da rádio e um dia foi convidado por Matos para gravar jingles de campanhas eleitorais. Frank Matos fazia os textos e Vovô cantava. “E foi então que eu comecei a aparecer dentro da cultura, quando as pessoas passaram a ouvir minha voz”, ressaltou Vovô.

A inspiração para compor o samba com os parceiros incluiu a vivência de ouvinte e radialista. “O rádio AM para mim é a matéria informativa geral. É a minha cara-metade de uma pessoa que eu não conheço. Mas, o radialista da AM fala com você com tanta intimidade que você do outro lado, ligado no seu dial, acha que ambos se conhecem. Então, o radialista passa a ser parte da tua família. O rádio AM para mim significa a informação em primeira mão, aquela informação com a linguagem que o povo gosta de ouvir”, justificou Vovô.

Sua trajetória no Carnaval inclui 14 títulos, oito seguidos, um segundo lugar e novamente seis em sequência. “Sou o intérprete que mais tem títulos no Carnaval maranhense”, celebrou Vovô. Na Turma do Saco há seis anos, ele já coleciona um vice-campeonato e um primeiro lugar. “Sou um profissional da alegria”, festejou.

Trajetória da Turma do Saco

O bloco organizado Turma do Saco surgiu da motivação de famílias e jovens do bairro Codozinho, alguns já integrantes de outras agremiações carnavalescas, remanescentes das batucadas denominadas “charangas”, que faziam arrastões pelas ruas do Centro de São Luís. O presidente da agremiação, Marcio Cavalcante, contou que o nome do bloco surgiu da rivalidade com outra brincadeira carnavalesca, sediada na Vila Gracinha.

A rivalidade entre as duas turmas foliãs ocorreu pela diferenciação da indumentária. “Certo ano eles da Vila Gracinha compraram um tecido lamê (adornado com finas lâminas prateadas) e fizeram uma espécie de abadá. O bloco do Codozinho quis se organizar, mas não tinha condição de comprar lamê. Então foram a uma padaria, juntaram uns poucos recursos e compraram sacos de trigo, cortaram, customizaram, fizeram a fantasia e batizaram Turma do Saco”, relatou Cavalcante.

Os tempos áureos da Turma do Saco remontam à década de 1980, mas nos últimos seis anos a agremiação vem se reinventando e melhorando, garantiu o presidente. Temas como a cultura africana, o circo e seus palhaços e o bairro Codozinho já alegraram os sambas na “nação sacoleira”, carinhosamente denominada entre os brincantes e simpatizantes. A Turma do Saco já coleciona 11 títulos, o último conquistado em 2013, com o samba em homenagem ao Bicho Terra.

Nas ondas do rádio AM
Samba-tema do bloco organizado Turma do Saco para 2016
Autores: Luis Carlos Pinheiro (Vovô), coronel Franklin e Cesar Grafite

Em 1941 no dial AM
Na frequência 1290
A ilha foi ligada ao Maranhão
E assim surgiu a primeira emissora para comunicação
Em 15 de agosto de 1941
Entrava no ar a PRJ.9
Com o interventor Paulo Ramos
E depois virou a rádio Timbira
É fascinante ouvir a Mirante
Difusora, Educadora
Rádio Ribamar, hoje Capital
Rádio Gurupi é a potente São Luís
Política, esporte, religião
Radionovela, cultura e informação
Tudo vira festa na programação
Quem manda é você
Debaixo do pé de cajueiro
Dona Carochinha animava a criançada
Boa tarde minha gente
Galeria musical da saudade
Canta Maranhão é descontração
Pra nossa cidade
Alô! Alô! Bom dia!
Um aviso pro interior
No programa do “Galinho”
Carlos Henrique anunciou
Me traz um cavalo com cela e outro na cangalha
Pra levar a carga
Que a Turma do Saco mandou.

Memórias do Armazém São Bento

A fotografia é do Armazém Geral, em São Bento, uma das cidades mais antigas do Maranhão, localizada na Baixada Maranhense.

Tudo indica que deve ser da década de 1950 ou anterior.

Uma das riquezas de São Bento, são os lagos, os campos alagados da Baixada Maranhense.

É provável que esse armazém ficava às margens do Igarapé Vale do Conduru, que era a principal ligação de São Bento com a Baia de São Marcos.

O igarapé foi muito usado antes das estradas de asfalto. É navegável por barco à vela e pequenas embarcações a motor.

O seu volume de água doce tem forte influência das marés.

Texto: José Reinaldo Martins / Agenda Maranhão

Memórias de São Luís: site Agenda Maranhão conta a história da rua do Egito

O jornalista e pesquisador José Reinaldo Martins apresenta um recorte histórico com base em fotografias antigas de uma das ruas mais importantes de São Luís. A imagem destacada neste post é do fotógrafo Gaudêncio Cunha.

A rua do Egito não era uma via larga, como é, hoje, se comparada com as ruas e becos estreitos do Centro Histórico de São Luís.

Permaneceu estreita até a década de 1930, quando os prefeitos Otacílio Ribeiro Saboia (governou o município de 1936 a 1937) e Pedro Neiva de Santana (de 1937 a 1945) colocaram em prática um projeto de renovação urbana para mudar a feição da cidade colonial para uma cidade moderna, com o alargamento de ruas, como a do Egito, e criação de novas avenidas, como a Magalhães e Getúlio Vargas.

Na Rua do Egito, os casarões coloniais foram demolidos e, no lugar, foram erguidos os bangalôs e outros imóveis, entre os quais, o do Cine Roxy, hoje, Teatro da Cidade.

Até meados do século XIX, a Rua do Egito era um dos orgulhos da paisagem urbana de São Luís por causa de seus belos e altos casarões.

Essa concepção, imponente no século XIX e que ficou ultrapassada na década de 1930, foi produto do Ciclo do Algodão, que começou com a criação da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão, em 1755, pelo Marques de Pombal, o todo poderoso em Portugal no reinado de D. José I.

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