Punição suave para o deputado que defendeu o AI-5 é quase um prêmio

É leve e estimulante a pena de suspensão do mandato do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ por apenas seis meses, segundo decisão do Conselho de Ética da Câmara.

O parlamentar protagonizou uma das piores cenas do bolsonarismo na sua versão mais violenta, ao divulgar um vídeo em que ameaçou os ministros do STF e defendeu o retorno do AI-5 (Ato Institucional nº 5) deflagrado em 1968, a fase mais radical da ditadura militar, culminando no fechamento do Congresso Nacional e na onda de mortos e desaparecidos políticos.

Daniel Silveira deveria ter o mandato cassado e ficar proibido de disputar as eleições durante pelo menos oito anos.

O que ele disse naquele vídeo é grave, violento, atenta contra as instituições e expressa total falta de humanidade perante o sofrimento das vítimas torturadas e mortas pela ditadura militar, bem como dos seus familiares que ainda choram as suas perdas.

A punição levíssima com a suspensão do mandato por apenas seis meses é quase um estímulo para o deputado voltar a agir de maneira torpe. Suspensão é uma espécie de prêmio.

O Brasil cometeu uma série de erros na abertura política ao não investigar e punir os crimes da ditadura militar. Os esqueletos e os fantasmas daquele tempo de horrores estão aí assombrando a nossa democracia. Daniel Silveira é um deles.

Documentário inédito por 38 anos revela censura na UFMA e resistência dos estudantes na década de 1980

Por João Ubaldo Moraes (jornalista e documentarista)

Texto publicado originalmente no site Agenda Maranhão

Este ano, lamentavelmente, perdemos para a Covid-19, o amigo Roberto Fernandes, um dos mais completos jornalistas de nossa geração.

Impactados pela sua partida repentina, os colegas da turma de Comunicação Social de 1985, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), prestaram uma homenagem, através do compartilhamento de lembranças comuns vividas em sala de aula, nos corredores do Pimentão e em outros espaços do Campus do Bacanga, em São Luís.

Sugeri, na oportunidade, disponibilizar na internet, por meio da plataforma do Promem,(www.promem.org.br ou https://youtu.be/EP0AkHCep6g), criado pelo jornalista e cineasta Luis Fernando Baima, a exibição do documentário Sem Censura (João Ubaldo de Moraes – 1984), que tinha sido telecinado e digitalizado recentemente.

No filme, o Roberto aparece como liderança estudantil, na luta contra a Ditadura Militar, e mostra sua versatilidade como narrador, roteirista, além de fazer a interpretação da fala de um “foca” do jornalismo impresso.

Na semana passada, recebi o convite do site Agenda Maranhão, por meio dos jornalistas José Reinaldo Martins e Ed Wilson Araújo, para falar um pouco mais da realização do documentário Sem Censura e sobre o projeto de digitalização dos filmes integrantes do “Ciclo Super 8mm”.

Filme Sem Censura

Sem Censura é um documentário, realizado em 1984, que permaneceu inédito por 38 anos. Filme de curta metragem, com 6,28m de duração, registra os principais momentos da preparação e realização da passeata de protesto de estudantes da UFMA, liderados pelo Diretório Acadêmico de Comunicação Social e Diretório Central dos Estudante (DCE), contra a censura e interferência da direção do curso, nas matérias produzidas pelo Jornal Laboratório de Jornalismo.

Ao fazer um protesto público, os estudantes, além de reivindicar o direito à liberdade de expressão, desafiavam as regras do governo militar e as orientações seguidas pela reitoria do professor José Maria Cabral Marques.

O inusitado movimento dos estudantes, surpreendeu a comunidade universitária que, há mais de uma década, deixara de conviver com atos de protesto. Os alunos dos outros cursos, funcionários da administração e a segurança privada, atônitos e sem saber que atitude tomar, apenas olhavam a passagem dos manifestantes.

A passeata, realizada sob um clima de muita tensão, aconteceu de forma pacífica e sem qualquer incidente, ao som de um “bumbo” solitário, que marcava o compasso da caminhada dos estudantes pelas salas de aulas e prédios.

Situando o filme no tempo e no espaço

Mais de duas décadas de exceção política, distanciou a UFMA dos interesses da comunidade estudantil e maranhense. Durante esse período aconteciam repressões aos movimentos reivindicatórios de estudantes e o corpo docente desestimulava qualquer contato dos alunos com as “cabeças pensantes” de fora dos muros da UFMA.

Nas salas de aulas, a desconfiança era nota dissonante entre os jovens alunos. Havia um permanente patrulhamento ideológico e qualquer acusação contra “elementos” apontados como “subversivos aos ideais revolucionários”, era levada à sério e apurada com rigor.

Em 1984, data da realização do filme, atravessavamos os últimos anos do governo do Presidente da República, general João Batista de Figueiredo. A estratégia dos militares para se manter no poder derretia a olhos vistos, exaurida e contaminada pela presença ostensiva dos políticos tradicionais, fisiologistas, viciados em clientelismo e troca de favores. A situação se apresentava insustentável.

O sistema mostrava sinais evidentes de desgaste nas áreas política, social e principalmente econômica. Avesso ao diálogo com a sociedade, o general Figueiredo foi um presidente burocrático, que cumpriu as ordens do quartel, com a rispidez que lhe era peculiar: garantiu a continuidade da abertura política iniciada no Governo Geisel e assinou a anistia geral aos militares acusados de tortura e civis exilado e perseguidos pelo regime.

Após a rejeição da emenda das Diretas Já, no Congresso Nacional, o general Figueiredo teve o mérito de dar um passo importante na redemocratização do país. Extinguiu o bipartidarismo, o que permitiu a coalizão das forças democráticas, que acabaram elegendo, indiretamente, no Colégio Eleitoral, Tancredo Neves, à Presidência da República.

Essa sequência de acontecimentos culminou com a explosão da bomba, por militares terroristas, no estacionamento do Riocentro, no Dia do Trabalho. O desgaste do sistema e o clima de insubordinação política e popular, que tomava conta do país, era refletido no ambiente universitário, que ansiava pelo retorno à normalidade democrática.

O documentário

O documentário Sem Censura faz parte do denominado “Ciclo do Cinema Super 8”, um movimento cinematográfico iniciado pela Coordenação de Assuntos Estudantis da UFMA, com a fundação do Cineclube Universitário (depois UIRÁ) e liderado por estudantes universitários e jovens da comunidade ludovicence.

No período de 1974 a 1985, parte dos cineclubistas, cansados de apenas verem e discutirem filmes que quase nada lhe diziam, se apropriaram dos meios de produção disponíveis e passaram a realizar filmes na única bitola possível para nossa realidade: o Super 8mm.

Essa virada incomum no cineclubismo brasileiro tradicional permitiu que fossem produzidos, entre nós, mais de 140 filmes de curta e média metragens, nos mais variados gêneros, envolvendo mais de 30 diferentes diretores e outras tantas dezenas de colaboradores nas atividades cinematográficas.

A produção maranhense em cinema Super 8mm é considerada uma das mais importantes do país em qualidade e número de filmes. Entre os realizadores da época, podemos destacar, entre outros: César Curvelo, Carlito Silva, Djalma Brito, Euclides Moreira Neto, Ivan Sarney, João Mendes, José Filho, João Ubaldo de Moraes, Murilo Santos, Nerine Lobão, Newton Lílio e Nonato Medeiros.

Em 2014, iniciei uma parceria com o cineasta e produtor de cinema, Joaquim Haickel (Mavam – Museu Audiovisual do Maranhão), para recuperar os nossos ativos cinematográficos. O projeto vai identificar, resgatar, digitalizar, restaurar e divulgar, não só o acervo de filmes do “Ciclo Super 8mm”, como outros acervos importantes, tais como: os filmes originais, em 16mm, produzidos para o telejornalismo maranhense, dos jornalistas Lindenberg Leite, Murilo Campelo e TVE do Maranhão.

O acervo, constituído pela maioria dos filmes produzidos durante o “Ciclo de Cinema Super 8”, já está telecinado, digitalizado e se encontra depositado nos computadores do Mavam, inclusive o meu acervo pessoal. Todo esse conteúdo, está à disposição da nova geração de cineastas e pesquisadores maranhenses, que inclusive já deram vários usos em produções cinematográficas recentes, como é o caso do documentário média metragem, Maio Oito Meia, dos cineastas Beto Matuck e Félix Alberto, (www.youtube.com/watch?v=Y53WI0h9IAc) lançado recentemente. Este filme reproduziu mais de um minuto do conteúdo do Sem Censura.

Livro reúne artistas e pesquisadores para debater a Contracultura no Brasil

Transas da Contracultura Brasileira, organizado por Isis Rost e Patrícia Marcondes de Barros, reúne artigos, poemas, entrevistas, depoimentos e ensaios. Traz nomes como Chacal, Jards Macalé, Luiz Carlos Maciel e os maranhenses Murilo Santos e César Teixeira, além de pesquisadores de diferentes locais do país.

Transas da Contracultura Brasileira resulta do encontro de duas pesquisadoras ligadas na efervescência cultural dos anos 1960 e 1970, Isis Rost, gaúcha radicada em São Luís, e Patrícia Marcondes de Barros, paulistana que vive atualmente em Londrina. Elas reuniram vasto material, que alinha entrevistas e depoimentos de personagens expressivas daqueles anos – tempos de explosão criativa, transformações comportamentais profundas e também de muita repressão política – com textos de pesquisa.

Capa do livro Transas da Contracultura Brasileira


“É um passeio por nomes da literatura, do jornalismo alternativo, da música, das artes cênicas e do audiovisual, quase sempre mais próximos do lado B e da experimentação, numa linguagem direta, sem os excessos teóricos e insossos dos textos acadêmicos”, afirma o professor Flávio Reis, que responde pela coordenação editorial do projeto.

Na primeira parte, temos entrevistas e depoimentos de Luiz Carlos Maciel, Ricardo Chacal, Jards Macalé, Helena Ignez, ao lado dos maranhenses Cesar Teixeira e Murilo Santos, integrantes da primeira turma do Laborarte, e de Edmar Oliveira, participante da cena que se desenvolvia em Teresina, além de uma entrevista realizada por Joca Reiners Terron com Régis Bonvicino sobre Walter Franco.

A segunda parte reúne pesquisadores e colaboradores de diferentes cidades como Teresina, São Luís, Londrina, Rio de Janeiro e São Paulo. Os textos enfocam aspectos diversos da efervescência cultural entre os anos 1960 e 1980, da Tropicália ao movimento Punk, nas áreas de poesia, música, cinema, imprensa alternativa e teatro. Entre os poetas convidados, Celso Borges, Cesar Carvalho e Durvalino Couto Filho.

Um dos ícones da contracultura, Chacal é parte do livro “Transas da Contracultura Brasileira”


“A concepção gráfica do projeto se aproxima do universo das publicações alternativas, ponto em comum entre eu e Patrícia, que conheci em 2018. Desde o ano passado existia a urgência de um projeto que resgatasse, neste período sufocante que atravessamos, os elementos transgressores da contracultura. O livro teve seu pontapé inicial quando nos encontramos pessoalmente pela primeira vez no Rio de Janeiro, em fevereiro, já no dia da entrevista com Chacal”, afirma Isis Rost, que assina o projeto gráfico e a diagramação de Transas da Contracultura Brasileira”. 

O e-book é mais um lançamento da Editora Passagens e estará disponível para download gratuito a partir do dia 26 de julho no blog da Editora Passagens editorapassagens.blogspot.com

O livro abre com um poema de Celso Borges anunciando os ingredientes e o sabor do caldeirão da contracultura.

Olhali Olhalá
Wally alado
No colo de Jorge Salomão
Tresloucado
No caldeirão da contracultura
Meu poema também cabe?
Quem sabe
Deitando e rolando no Gramma
No Drops de Abril de Chacal
Que tal
No coração samurai de Catatau
E coisa e tal
meu poema
Olé olá
No parangolé Tropicália de Oiticica
Que delícia
Meu poema enfim
Nos paletós de Francisco Alvim
Quem sabe
Maio 68 nos muros de Berlim
Meu poema lero lero
Ainda cabe até o fim
Na boca de Cacaso eu quero
Dentro de mim um anjo da contracultura
Que nas asas de Ana C. César
Sobrevoe aquela manhã azul de Ipanema
Queda para o alto
Meu poema
Meu treponema não é pálido nem viscoso
na fumaça de um fino
meu poema
panamérica de Agripino
colírio no olho do sol
quem sabe
nas bancas de revista
Warhol na capa mijando no urinol
de Duchamp
Roda, roda e avisa
Um minuto pros comerciais
Alô, alô, Tristeresina
Vai ver Torquato
Na discoteca do Chacrinha
Vai, Drummond, ser guache
Nas aquarelas da contracultura
Quem sabe!
Quem sabe desfolho a bandeira
Na parte que me cabe
Quem sabe?
Quem sou?
Eu sei
Eu não sei
Por isso
Meu poema vai
e voa
em vão
meu poema nem Seu Sousa
vai e vem e vaia
o caldeirão
da contracultura
não
Me segura que vou dar um traço

SERVIÇO

Transas da Contracultura Brasileira

Organizado por Patrícia Marcondes de Barros e Isis Rost

Editora Passagens – São Luís, 332 páginas

Coordenação editorial – Flávio Reis

Projeto gráfico e diagramação – Isis Rost

Download gratuito a partir do dia 26 de julho no blog da
Editora Passagens: editorapassagens.blogspot.com

Imagem destacada / divulgação / Poeta Ana Cristina Cesar é uma das referências do livro

Filme sobre o bispo Casaldáliga explica o combate atual à Igreja Católica progressista no Brasil

Uma boa narrativa para entender as denúncias de espionagem contra religiosos da Igreja Católica é o documentário “Descalço sobre a terra vermelha”, que narra a saga do bispo emérito de São Félix do Araguaia (MS), Dom Pedro Casaldáliga.

No auge da ditadura, em 1968, Casaldáliga enfrentava latifundiários, grileiros e jagunços que exterminavam lavradores e índios no Mato Grosso.

O documentário retrata uma terra sem lei nem justiça, onde a força bruta e a bala imperavam, com apoio do próprio sistema de segurança oficial.

Em determinada cena do filme, os fazendeiros reunidos concluem que a resistência e organização dos lavradores e indígenas não estava apenas em Casaldáliga, mas na força das ideias progressistas impregnadas na leitura da bíblia.

Leia-se nessas ideias a Teologia da Libertação, o método “ver-julgar-agir” e as CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), que vicejaram na América Latina a partir da Conferência de Medellín (1968), mesmo ano em que Pedro Casaldáliga chegou ao Araguaia.

Parte da igreja, o chamado clero progressista, aderiu à Teologia da Libertação e ao seu princípio fundamental – a “opção preferencial pelos pobres” – atuando em defesa da reforma agrária, do meio ambiente e contra a ditadura militar.

No documentário, é nítida também a batalha ideológica que ocorre dentro e fora da Igreja Católica.

Casaldáliga enfrentava os latifundiários no Brasil e era acuado também pela censura do Vaticano, sob o comando do então cardeal linha dura da direita católica Joseph Ratzinger.

A Teologia da Libertação era um incômodo à cúpula do Vaticano, que censurou vários religiosos na América Latina, entre eles Leonardo Boff e Clodovis Boff.

O silêncio imposto aos religiosos, o corte de recursos para as ações da Teologia da Libertação e uma série de restrições ao trabalho de base do clero progressista acabou afastando a Igreja Católica das suas bases no meio do povo.

A postura da cúpula do Vaticano colaborou muito para a proliferação das igrejas evangélicas pentecostais e neopentecostais, ainda mais à direita que a linha dura do cardeal Ratzinger.

No Brasil atual, a suposta espionagem contra o chamado clero de esquerda tem raízes mais profundas. Basta ver o filme protagonizado pelo bispo Dom Pedro Casaldáliga.

Assista aqui ao documentário “Descalço sobre a terra vermelha”

Diretor: Oriol Ferrer

Coprodução: TVC, TVE, TV Brasil, Raiz Produções e Minoria Absoluta (produtora espanhola)

A película é baseada na obra homônima do escritor Francesco Escribano.

Imagem destacada capturada neste site

Bernardo Kucinski será homenageado com Prêmio Especial Vladimir Herzog 2018

Fonte: Site da Abraji / Foto: Carolina Ribeiro

A comissão organizadora do 40º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos divulgou que o jornalista e escritor Bernardo Kucinski será o homenageado deste ano com o Prêmio Especial Vladimir Herzog.

Kucinski construiu uma trajetória importante como jornalista e professor universitário. Trabalhou em grandes veículos como Veja, BBC de Londres e The Guardian. Nos anos 1970, atuou nos semanários alternativos “Movimento” e “Em Tempo”. Fez carreira docente no Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes da USP e foi assessor especial da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

Considerado entre as mais significativas distinções jornalísticas do país, o Prêmio Vladimir Herzog reconhece trabalhos que valorizam a Democracia e os Direitos Humanos. Em 2018, foram 607 produções inscritas que já estão em avaliação em seis categorias: Artes (ilustrações, charges, cartuns, caricaturas e quadrinhos), Fotografia, Produção jornalística em texto, Produção jornalística em vídeo, Produção jornalística em áudio e Produção jornalística em multimídia.

A escolha dos vencedores será em sessão pública, com transmissão ao vivo pela internet, dia 11 de outubro de 2018, na Sala Tiradentes da Câmara Municipal de São Paulo. Neste ano, foi instituído em caráter experimental o Voto Popular – uma etapa totalmente independente e aberta ao público entre os dias 1 e 10 de outubro para avaliar as produções finalistas e cujo resultado antecede o Júri de Premiação. O Voto Popular premiará apenas uma única produção – a mais votada pelo público, independentemente de categorias de inscrição – com o troféu símbolo do Prêmio, criado pelo artista plástico Elifas Andreato.

O 40º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos é promovido e organizado pelas seguintes instituições: Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo; Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ; Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo; Conectas Direitos Humanos; Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo – ABRAJI; Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil – UNIC Rio; Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA/USP; Sociedade Brasileira dos Estudos Interdisciplinares da Comunicação – Intercom; Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB Nacional; Ordem dos Advogados do Brasil – Secção São Paulo, coletivo Periferia em Movimento, Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo e Instituto Vladimir Herzog.

Calendário

40º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos

Júri de 1ª etapa: 7 de agosto a 23 de setembro, via sistema

Voto popular:  1º a 10 de outubro, via sistema

Júri de 2ª etapa e divulgação dos vencedores: 11 de outubro, quinta-feira, em sessão pública de julgamento na Câmara Municipal de São Paulo / Sala Tiradentes e transmissão ao vivo pela internet, das 10h às 14h, em http://www.camara.sp.gov.br/transparencia/auditorios-online/

Roda de Conversa com os Ganhadores: 25 de outubro, quinta-feira, das 14h às 18h

Solenidade de premiação: 25 de outubro, quinta-feira, 20h

Local: Tucarena – Rua Monte Alegre, 1024, Perdizes, São Paulo

Mais informações em www.premiovladimirherzog.org

Eleições limpas?! Combate ao fakenews pode dar margem à censura

Dependendo de quem vai monitorar a circulação de conteúdo, o combate ao fenômeno fakenews pode gerar manipulação dos políticos que estão no controle dos órgãos de repressão. E o jornalismo tende a ser tratado como caso de polícia.

Em Goiás, um acordo de cooperação firmado entre o Governo do Estado/Secretaria de Segurança Pública e o Tribunal Regional Eleitoral estabelece penalidades para quem elaborar e disseminar falsas notícias durante as eleições 2018.

O acordo foi assinado pelo governador José Eliton, pelo presidente do TRE Goiás, desembargador Carlos Hipólito Escher, e pelo secretário de Segurança Pública (SSP), Irapuan Costa Júnior.

Segundo os termos do acordo, a Superintendência de Inteligência Integrada, vinculada à Secretaria de Segurança Pública, ficará responsável pela checagem de notícias, materialização das provas e identificação de responsáveis por sites, blogs e redes sociais que disseminarem notícias falsas.

Ao TRE caberão as medidas punitivas.

Eliton e Perillo

O governador de Goiás, José Eliton (PSDB), assumiu o mandato em abril desse ano e é candidato à reeleição. Ele era vice de Marconi Perillo (PSDB) em dois mandatos, desde 2011. Perillo deixou o cargo para concorrer ao Senado.

Candidato à reeleição, José Eliton é parte interessada no conteúdo jornalístico veiculado no processo eleitoral e controla o órgão de segurança que será o cérebro do acordo.

De acordo com o presidente do TRE, Carlos Hipólito Escher, será criado um grupo de trabalho para analisar as notícias e fazer o acompanhamento do conteúdo veiculado durante o período eleitoral, a fim de subsidiar os juízes eleitorais na emissão de ordens judiciais para retirar conteúdos falsos de circulação na internet e no aplicativo de mensagens WhatsApp.

Outra singularidade no acordo é a figura do secretário de Segurança Pública de Goiás, Irapuan Costa Júnior. Ele foi governador biônico (1975/1979) de Goiás, durante a ditadura militar, na época aliado ao general-presidente Ernesto Geisel, quando os militares usavam o SNI (Sistema Nacional de Informações) para monitorar e enquadrar os adversários do regime ditatorial.

O advento das notícias falsas gerou demanda na área de checagem. Várias agências especializadas, dirigidas por jornalistas, atuam no ramo de verificação das fontes e veracidade das notícias.

No acordo entre o Governo de Goiás e o TRE, a checagem ficará a cargo da Secretaria de Segurança Pública, através da Superintendência de Inteligência Integrada.

O combate às notícias falsas será feito mediante a checagem utilizando ferramentas e aplicativos de internet, que vão apurar a veracidade dos conteúdos.