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Apruma convoca Assembleia Geral para avaliar a greve

A Diretoria da APRUMA – Seção Sindical do ANDES – Sindicato Nacional-SN, nos termos do Artigo 13 de seu Regimento, convoca toda a categoria docente da Universidade Federal do Maranhão para Assembleia Geral Extraordinária no dia 23 de a abril de 2024 (terça- feira), com primeira chamada às 9h, e segunda às 9h30, na modalidade presencial; e, por videoconferência para todos os campi, considerando o que dispõe o Estatuto do ANDES-SN em seu artigo 48, § 4o: “nas S. SIND. e AD – S. SIND. multicampia, a assembleia geral poderá ocorrer: a) por videoconferência, em locais previamente estabelecidos no edital de convocação, desde que assegurada a transmissão simultânea e a participação presencial do(a)s sindicalizado(a)s”.

Os locais das assembleias serão os seguintes: Campus São Luís: Auditório Ribamar Carvalho; Campus de Bacabal: Auditório do campus; Campus Codó: Auditório do Campus de Codó; Campus Grajaú: Sala de videoconferência do Centro de Ciências de Grajaú; Campus Imperatriz: Coord. Enfermagem, sala de vídeoconferência, Unidade: Prof. José Batista; Campus Balsas: Sala de videoconferência do Centro de Ciências de Balsas; Campus São Bernardo: Sala de videoconferência do Centro de Ciências de São Bernardo; Campus Chapadinha: Auditório do Campus de Chapadinha; Campus Pinheiro: Aguardando informações do local.

Pauta:
1. Informes e avaliação do movimento de greve;
2. Contraproposta do governo às reivindicações da categoria;
3. Apresentação e discussão do Ofício Circular no 01/2024 – PROEN/UFMA;

4. Outros.

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Lixo que é luxo

Eloy Melonio é cronista, contista, poeta e letrista, e é membro da APB e da ATHEART.

Num certo dia do século XVIII, o pai da química soltou esta: “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

Não sei o que os cientistas estão dizendo hoje sobre a célebre “lei da conservação da matéria”. E fico a imaginar se a tal transformação, preconizada por Lavoisier, realmente acontece. E se acontece, seria ela a salvação do lixo?

Seja qual for a resposta, vamos direto ao lixão. Porque é lá que o lixo é largado à sua própria sorte. Só não sei se ele se transforma ou se conserva sua composição original. Caso se transforme, fica-me a dúvida se é para melhor ou pior. Ou se é apenas lixo novo virando lixo velho.

Não pretendo aqui produzir uma tese científica sobre o lixo. Poderia até escrever sobre o lixo político, bem mais na calçada da nossa realidade. A ideia é7 defender que o lixo não é tão lixo assim. E que parte de sua importância se deve ao fato de ele estar, em certa medida, associado ao luxo.

— Como assim?!

É que o lixo não nasce do nada, pois é resultado de uma ação humana. Já o luxo é um modo de vida caracterizado por despesas supérfluas e pelo gosto da ostentação. Ainda que incompatíveis, “lixo e luxo” parecem muito próximos, como se um não existisse sem o outro.

Mas uma coisa os distingue: o lixo é indesejável, “persona non grata”. Um coadjuvante que deve sair logo de cena, deixando o cenário limpo. No outro papel, o luxo é protagonista, sempre bem-vindo e aplaudido — ambição de quase todo ser humano.

A loucura por conquistar o luxo e o desejo incontrolado de ostentá-lo é o que facilita a busca da polícia por criminosos exibidos. É o luxo entregando o lixo. E aí o grito de vitória: game over.

Nas festas glamourosas, o luxo é o anfitrião, o “cabeça branca da lancha”. O lixo também se faz presente desde os preparativos até “não se sabe quando”. É o primeiro a chegar e o último a sair. Entre os dois, um convidado contrariado pode facilmente dizer que “a festa do luxo foi um lixo”.

Pessoas mal-intencionadas costumam dizer que o melhor lugar para o lixo é “qualquer lugar”, desde que esse lugar seja bem longe de sua casa. Mesmo em situações contraditórias, “lixo” e “luxo” podem conviver por algum tempo, mas chegará a hora de se separarem. Um fica, o outro vai.

As duas são muito parecidas — personagens quase idênticas no teatro da ortografia. Duas sílabas, ambas começando com “l” e terminando com “o”, tendo o “x” como fonema de conexão sonora. Se permutarem a vogal da primeira sílaba, uma torna-se a outra.

Na arte da palavra, pintam e bordam com suas múltiplas possiblidades. Se o convocássemos para uma descrição dessa realidade, acho que Caetano Veloso repetiria: “(…) o avesso do avesso do avesso do avesso”.

No campo semântico, nossas musas servem de metáforas na música, na poesia ou em qualquer outra concepção de arte. Se a vida de uma pessoa é um luxo, você logo imagina alguém de vida bem vivida. Se é um lixo, a imagem é de pobreza, desprazer. E se tudo na vida depende de contexto, ciscar no lixo é o maior luxo para qualquer pintinho.

O cearense Ednardo desfila nas duas alas desse enredo: “Eu sou a nata do lixo/ Eu sou do luxo da aldeia”. Charlie Brown Jr. se joga na filosofia: “Eu conheço o lixo e o luxo/ Eu sei quanto vale uma vida”. A galera do Mundo Bita (premiado grupo que faz música infantil) brinca com o politicamente correto: “Nem tudo que sobra é lixo”. Para Sandra de Sá, o último recurso de um relacionamento desgastado: “Vou jogar fora no lixo”.

Carlos Seabra resume, neste haicai, um drama urbano: “terreno baldio/ lixo revirado/ gato vadio”. Mario Quintana tenta achar o que olhos comuns não conseguem ver: “(…) nunca se sabe quanto tesouro andará desperdiçado por aí… Quanto filhotinho de estrela atirado no lixo!”

E, enfim, é da natureza do lixo ficar do lado de fora das festas, condenado a passar a noite na chuva, nos cantos, nos postes. Em nenhum instante, pode se dar ao luxo de estar no salão nobre. Se aparece por lá e se demora, logo vem alguém e o recolhe. Exatamente como faz a polícia com aquele torcedor bagunceiro nos estádios de futebol.

No último capítulo da telenovela “Elas por Elas” (Rede Globo/11-4-2024), — reedição da versão de 1982 — uma cena se destaca: duas mulheres, cada uma em seu vestido branco, casam-se numa cerimônia simples. Depois das juras de amor, beijam-se na boca. Tudo isso às 18h15 de uma sexta-feira. Desconfio que, 42 anos atrás, essa cena não fazia parte do enredo ou não era assim tão explícita. Não lembro o fundo musical da versão atual, mas bem que podia ser: “Novos tempos, novos dias”.

Para combater esse modernismo, militantes da “direita” conservadora gritam contra as cenas e os conteúdos apresentados pela emissora. E não se acanham em acrescentar ao seu tradicional nome uma palavrinha dissílaba de sentido pejorativo.

É um grande alívio ver o “lixo” caminhando para se tornar “resíduo” (sólido ou não)” e ter seu domicílio definido como “aterro sanitário” — um luxo ainda distante da realidade brasileira.

Livre, e em processo de ressignificação, lixo pode entrar no bloco da semântica para brincar um novo carnaval. Da arquibancada da alegria, aplausos do imortal Joãosinho Trinta, porque para ele “pobre gosta de luxo. Quem gosta de lixo é intelectual”. Por enquanto, “na medida do possível”, lixo vai “levando essa vida”. Quanto à sua amiguinha esnobe… Bem, aí já é outra história.

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Sesc Musicar abre temporada 2024

Inclusão social por meio da música. Essa é a proposta do Sesc Musicar, que inicia a edição 2024 neste sábado, dia 20 de abril, às 9h, com a tradicional solenidade de abertura. As aulas de iniciação musical serão ministradas gratuitamente para 95 alunos de com idade de 7 a 14 anos, na Associação dos Moradores do Angelim (AMCA), ao longo do ano. Participam da cerimônia alunos, pais, professores, diretores e conselheiros do Sesc e Raimundo João Pires, secretário da AMCA.

Serão ministradas aulas de iniciação musical de violão, violino, canto coral, cavaquinho e flauta doce sempre aos sábados, das 8h às 12h, pelos professores Thaynara Oliveira, Lívia Matias, Átila Martins, João Soeiro e Jairo Moraes.

Iniciado em 2006, o projeto Sesc Musicar nasceu com o objetivo de utilizar a música como instrumento de educação e inserção social, permitindo às crianças ingressarem no universo musical e aos jovens que já tenham atuação na área, o aperfeiçoamento de suas habilidades artísticas.

Projeto Sesc Musicar, estamos destacando não apenas a qualidade do ensino musical, mas também o poder transformador da música na vida das pessoas e na construção de uma sociedade mais harmoniosa e inclusiva.

Sesc Musicar

Na modalidade de iniciação musical, o projeto abre as portas para crianças e adolescentes com idade entre 7 e 14 anos. São ministrados os fundamentos da música através de atividades lúdicas e interativas. Com a orientação dos professores, eles mergulham em técnicas nos instrumentos de violino, flauta doce, violão, cavaquinho ou exploram sua voz no canto coral infantil.

A modalidade de aperfeiçoamento musical em Prática de Banda é destinada a jovens de 14 a 24 anos que buscam um desafio musical mais avançado e a oportunidade de se expressar através da música em grupo. Os alunos mergulham no mundo da música de banda, explorando instrumentos como trombone, trompete, saxofone, flauta transversal, tuba, euphonium, trompa e percussão.

O projeto Sesc Musicar democratiza o acesso ao universo da música, motivando os alunos a desenvolverem o seu potencial, adquirir valores que favoreçam o seu crescimento e tenham um impacto positivo em suas vidas em sociedade.

Serviço

O que: Abertura das turmas 2024 do Sesc Musicar

Dia: 20/04

Horário: 9h

Local: Associação dos Moradores do Conjunto Angelim, localizada na Avenida 04, s/n Praça Cristo Rei

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Nota da Apruma: fortalecer a greve é lutar pela sobrevivência da Universidade

Nesta quinta-feira, 18/04/2024, às 11h, a Diretoria Executiva, o Conselho de Representantes da APRUMA – Seção Sindical do ANDES – Sindicato Nacional e o Comitê Local de Greve se reuniram com a Administração Superior para dialogar sobre a pauta local da categoria, o calendário acadêmico e as condições de permanência dos(as) estudantes no período de greve. Na ocasião, o Reitor, Fernando Carvalho, propôs a discussão de um documento orientado pela Instrução Normativa 49/2023 e pela necessidade de regulamentar o funcionamento das atividades acadêmicas, bem como o trabalho docente durante a greve.

A APRUMA considerou ser incongruente discutir um documento cuja orientação parte da IN 49/2023, que restringe o direito de greve dos(as) servidores(as) públicos federais, e se posicionou contra legitimar qualquer ingerência no movimento político da categoria. Em 45 anos de história e 21 greves vitoriosas, o ANDES-SN e a APRUMA-S.Sind. sempre defenderam a autonomia do movimento sindical, a legitimidade das suas instâncias deliberativas e o direito de os(as) servidores(as) públicos federais lutarem por melhores condições de trabalho.

A reunião foi concluída com o compromisso da Administração Superior empreender esforços para garantir o funcionamento dos Restaurantes Universitários e os transportes de acordo com a demanda, em instalar uma Mesa Local de Negociação Permanente para discussão da pauta local da categoria e ainda propôs uma nota no CONSUN de apoio às reivindicações da pauta de greve dos(as) docentes.

Neste mesmo dia, o discurso de apoio às reivindicações da pauta de greve entrou em contradição com o teor do Ofício Circular n0 01/2024 da PROEN/UFMA que trata do “calendário acadêmico e procedimentos a serem adotados durante o movimento de greve dos servidores docentes da Universidade Federal do Maranhão”. Na opinião da APRUMA, este documento é um instrumento de desmobilização do movimento da categoria ao legitimar o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) como alternativa para aqueles que não vão aderir à greve e penalizar os(as) estudantes que serão obrigados a assistirem aulas em situação de precarização.

A APRUMA se manifesta contra esta alternativa, que incentiva o ensino remoto implementado no contexto da pandemia de COVID19 e que intensificou a precarização do trabalho docente, não garantiu a qualidade do processo de ensino-aprendizagem e não considerou a realidade socioeconômica dos(as) estudantes no que tange ao acesso às tecnologias digitais de informação e comunicação. Reafirmamos nosso compromisso com o ensino presencial, de qualidade e a garantia de permanência dos(as) estudantes na universidade. Consideramos que a universidade corre um grande risco de perder sua função social de democratização da educação e produção de ciência pela insuficiência de financiamento, de docentes, de técnicos e técnicas administrativos e de política de permanência estudantil. Segundo informação do Reitor, Fernando Carvalho, os recursos para manutenção de atividades básicas serão suficientes para o funcionamento da UFMA somente até julho de 2024.  O que torna nossa greve bastante oportuna para o momento.

Nossa greve tem como eixos estruturantes a recuperação das perdas salarias e a recomposição salarial, a reestruturação da carreira do Magistério Superior e EBTT, a recomposição do orçamento das universidades e ampliação da assistência estudantil. A conquista da implementação dessas reivindicações da categoria deve ser um compromisso de toda a comunidade universitária que tem como horizonte o direito à educação pública, gratuita e socialmente referenciada.

PARTICIPE DAS ATIVIDADES DA GREVE!

DEFENDA A EDUCAÇÃO PÚBLICA!

LUTE PELA UNIVERSIDADE PÚBLICA!

Acesse o site da Apruma e saiba mais sobre a greve

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Fenaj organiza ocupa Brasília pela PEC do Diploma

Os dirigentes da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e de Sindicatos de Jornalistas filiados preparam o 3º Ocupa Brasília pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do diploma para os dias23 a 25 de abril.

De acordo com a Fenaj, o objetivo do Ocupa é marcar o ‘Mês do Jornalista na Câmara dos Deputados’, como forma de dialogar com as lideranças partidárias sobre a necessidade de aprovação da PEC do Diploma, que está pronta para ser votada na Câmara. A PEC do diploma restabelece a obrigatoriedade do diploma de nível superior específico em Jornalismo para o exercício habitual e remunerado da profissão no Brasil.

A atividade envolve uma série de audiências em ministérios e outros órgãos e associações.O 3º Ocupa Brasília tem o apoio da Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (Abej), Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Associação Brasileira dos Jornalistas de Turismo (Abrajet Nacional) e da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Jornalismo (SBPJor). Além da participação pessoal em Brasília, jornalistas do país também podem se envolver no Ocupa Brasília pelas redes sociais.

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Dirigente nacional do PSOL participa de eventos em São Luís

No próximo fim de semana, dias 19 e 20 de abril, Deborah Cavalcante, integrante do Diretório Nacional do PSOL e da Secretaria de Relações Internacionais, estará em São Luís para cumprir agenda em um debate público com os filiados da legenda e os movimentos sociais sobre a conjuntura internacional e a ascensão da extrema direita.

O evento na sexta-feira (19), às 19h, será realizado no Solar Cultural Maria Firmina dos Reis, na rua Rio Branco, Centro Histórico de São Luís.

A dirigente é advogada e mestre em Ciência Política. Ela vem representando o PSOL em viagens pelo continente europeu e em países da América do Sul, como Chile e Argentina, para acompanhar os processos eleitorais daqueles países. As viagens são parte dos processos de integração política e troca de experiências com os movimentos sociais e parlamentares de distintos lugares no mundo.

Cavalcante deverá ainda reunir com a militância da Resistência, tendência interna do PSOL, que fará sua conferência no fim de semana, quando pautará, entre outros temas, a participação nas eleições municipais de 2024 em São Luís.

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Livro “Literatura & Performance”, de Isis Rost, tem lançamento e roda de conversa

Nesta quarta-feira, 17, a partir das 17h, haverá um bate papo no Solar Cultural Maria Firmina dos Reis sobre o livro “Literatura & Performance”, de Isis Rost, com a presença de Luís Inácio Oliveira, Josoaldo Lima Rego e Marivânia Moura.

O livro traz uma visão insólita da nossa República das Letras no início do século XX e uma visita ao experimental dos anos 70 formam o largo espectro deste Literatura & Performance. Através de pesquisa em jornais da época, Isis Rost vai à pré-história do modernismo oswaldiano, remontando o caso da sua fixação na bailarina Carmen Lydia, uma menina que o fascinou durante anos, e o encontro explosivo e trágico com a normalista Maria de Lourdes, a Miss Cyclone, personagem múltipla, farol luminoso do diário coletivo intitulado “O Perfeito Cozinheiro das Almas Deste Mundo”, desenvolvido na primeira garçonnière, localizada na rua Líbero Badaró, entre maio e setembro de 1918.

Da província que alçava o voo do modernismo, para São Luís do Maranhão, capital de antiga província já abatida no sonho efêmero de pujança vivido no início do século XIX e mergulhada na construção fantasmagórica de uma identidade ilustre.

Sob a capa da Atenas Brasileira, a realidade crua das marcas da escravidão, do racismo à flor da pele, explode na polêmica envolvendo o germanófilo Antônio Lobo, considerado fundador da Academia Maranhense de Letras, e o intelectual negro Nascimento Moraes, autor de Vencidos e Degenerados, um romance sobre o momento da Abolição e da República em São Luís.

A mesma cidade, bela, terrível e mesquinha, inscrita na poética de Nauro Machado, visto aqui numa chave interpretativa além do tradicionalismo em que alguns tentam enquadrar (e resumir) sua obra.

De volta ao centro, ao mundo da performance e do experimental, em escritos de Antonin Artaud e na literatura de Valêncio Xavier, caracterizada pela apropriação/fusão de textos, imagens, recortes; no “não cinema” de Hélio Oiticica em Agripina é Roma-Manhattan, curta realizado em New York, reverberando Sousândrade de O Inferno de Wall Street, sua genial intuição do novo império; e na arte visceral da cubana exilada Ana Mendieta, arte do corpo feminino, arte efêmera, arte conceitual.

Performance, vídeos, instalações, esculturas em rochas, a água, a terra, o fogo, o belo e o grotesco, natureza e sangue, tudo se mistura no furacão visual do texto elaborado em série e disposto em forma de silhuetas, num voo radical sobre a obra da artista desterrada, arremessada à morte. Direto e vibrante, o livro de Isis Rost é viagem surpreendente aos subterrâneos da literatura e das artes no século XX.

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Por que os professores das federais vão entrar em greve?

Luis Felipe Miguel, professor de Ciência Política da UNB.

Os professores da Universidade de Brasília, assim como de muitas outras instituições federais de ensino superior, entram em greve na segunda-feira. Os servidores técnico-administrativos já estão em greve há quase um mês.

Temos perdas salariais acumuladas da ordem de 30%, mas o governo nos ofereceu um reajuste redondo – de exatamente 0%.

Zero. Nada. Nem um centavo.

E promete 4,5% para os próximos dois anos – algo insuficiente até mesmo para repor a inflação oficial de cada ano.

Tudo isso de um governo que se elegeu prometendo a valorização do funcionalismo público, ciente de que políticas bem planejadas e bem executadas dependem de pessoal respeitado e remunerado condignamente.

Tudo isso para categorias profissionais que estiveram na linha de frente da defesa da democracia e da resistência aos retrocessos.

Tudo isso embora a arrecadação esteja em alta e haja margem para o reajuste.

O que é negado para professores, funcionários das universidades e quase todas as categorias do serviço público foi concedido generosamente às bases do bolsonarismo. Polícia Rodoviária Federal (aquela que foi mobilizada para melar as eleições) e Polícia Federal foram contempladas com reestruturação da carreira e aumentos que dão perspectiva de salários superiores a 40 mil mensais. O Banco Central também foi beneficiado com reajustes na faixa dos 23%.

Para o resto, zero.

Qual a justificativa para esse duplo padrão? Nenhuma. Só um oportunismo político muito míope.

Na quarta-feira passada, a pressão grevista fez com que o governo reabrisse a mesa de negociação com os trabalhadores.

Mas, na verdade, sem nenhuma disposição para negociar. Horas antes, o ministro Fernando Haddad declarou, taxativo: “Não tem reajuste pro funcionalismo. O orçamento está fechado”.

Fechado só para alguns, na verdade. Ao mesmo tempo em que nega diálogo com o funcionalismo, o governo se prepara para acomodar a liberação de mais cerca de 6 bilhões de reais em emendas do Centrão.

Para o Centrão, para as igrejas, para as grandes corporações – para esses o orçamento sempre tem elasticidade. Abre-se mão de receita, concedem-se benefícios, subsidia-se tudo.

Já para o funcionalismo, para a educação, para as políticas sociais, a ordem é “austeridade”. É ferro no lombo.

Mas a greve, instrumento legítimo de luta dos trabalhadores, cumpre seu papel.

O presidente Lula desautorizou aqueles que, de dentro do governo, ameaçavam grevistas. A ministra Esther Dweck, contrariando Haddad, disse lutar por uma solução negociada. O governo abriu mesas setoriais para tratar das demandas de cada segmento do funcionalismo.

Fazer greve é ruim, ainda mais para quem se sente envolvido com o trabalho que faz. Prejudica o andamento das aulas, desorganiza a vida pessoal.

Porém, ao contrário de quem diz apenas que “greve na educação” não presta, acredito que assumir nossa posição como trabalhadores e mostrar que devemos lutar por nossos direitos tem também um caráter pedagógico.

Há colegas que temem, sinceramente, que fazer greve contra o governo Lula fortaleça a extrema-direita. Falam até em “desestabilização” do governo.

Não creio. É um discurso cujo horizonte é entregar o governo à direita, sem disputa, e conduzi-lo à derrota, por ser incapaz de promover as políticas necessárias para a reconstrução do Brasil.

Somos – tenho certeza – suficientemente maduros para lutar por nossos direitos sem descuidar da luta pela democracia

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Meu nome vem do rádio e da Jovem Guarda

Eu estava com meus alunos da disciplina Crítica da Mídia (Jornalismo/UFMA) no setor de obras raras da Biblioteca Pública Benedito Leite, em São Luís, pesquisando nos jornais antigos sobre um fato rumoroso ocorrido no Maranhão, na década de 1990, quando um aluno chamou minha atenção para essa página do jornal O Debate, de 14 de maio de 1993.

É uma notícia anunciando show do cantor e compositor Ed Wilson, um dos ícones da Jovem Guarda, movimento cultural dos anos 1960 liderado por Wanderléa, Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

Batizado Edson Vieira de Barros, Ed Wilson era filho de uma família de artistas. A sua mãe, Elair Silva, foi cantora da Rádio Nacional; e o pai, ator de cinema. Os manos, chamados irmãos Barros, tinham música na veia.

O rádio, o parto e um nome

Jornal “O Debate” anunciava show em 1993

A escolha do meu nome é daquele tempo e tem uma história interessante, envolvendo o rádio.

Quando eu nasci, em 1967, meu pai estava sintonizado na antiga Difusora AM (A Poderosa) e tocava a música “Festa de Arromba”, um hit frenético popularizado por Roberto Carlos, o tremendão Erasmo Carlos, a banda The Fevers, entre outras interpretações.

A música é uma celebração dos famosos da época que agitavam o evento, provocando euforia d@s fãs.

Uma das celebridades da festa era o cantor e compositor Ed Wilson, que foi denominado pela Revista do Rádio, em 1962, de “O Elvis Brasileiro”, devido as suas afinidades performáticas e a imitação do imortal Elvis Presley.

Um trecho da música “Festa de Arromba” diz assim:

“”Renato e seus Blue Caps tocavam na piscina
The Clevers no terraço, Jet Black’s no salão
Os Bells de cabeleira não podiam tocar
Enquanto a Rosemary não parasse de dançar


Mas vejam quem chegou de repente
Roberto Carlos com seu novo carrão
Enquanto Tony e Demétrius fumavam no jardim
Sérgio e Zé Ricardo esbarravam em mim


Lá fora um corre-corre dos brotos do lugar
Era o Ed Wilson que acabava de chegar
Hey, hey (hey, hey), que onda
Que festa de arromba!
“”

Veja a música na íntegra:

Quando mamãe pariu, meu pai, ouvindo a música no rádio, não teve dúvidas:

… era o Ed Wilson que acabava de chegar…

O cantor e compositor integrou o famoso grupo Renato e Seus Blue Caps, em atividade até hoje. Foi também um dos criadores da banda The Originals, composta por ex-integrantes de três grupos de referência da Jovem Guarda: The Fevers, Renato e Seus Blue Caps e Os Incríveis.

Uma das músicas célebres da autoria de Ed Wilson é “Chuva de prata”, interpretada por Gal Costa. Ele compôs também “Aguenta coração”, famosa na voz de José Augusto; “Pede a ela”, cantada por Tim Maia; e “O pensamento vai mais longe”, interpretada pelo The Feveres.

Na década de 1980 ele aderiu à onda gospel e gravou vários CDs e DVDs com temática religiosa evangélica, entre eles o álbum “Chuva de bênçãos”.

Ed Wilson, uma referência na cena musical brasileira, era carioca do bairro Piedade e faleceu em 2010, aos 65 anos de idade.

Abaixo tem um vídeo de minha autoria gravado em uma exposição sobre as mulheres do rádio, no Centro Cultural Santander, em São Paulo, onde também faço menção à origem do meu nome. Assista:

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Comunidade do Porto Grande denuncia empresa por apropriação indevida de terras

Em nota, moradoras e moradores do povoado Porto Grande, na zona rural litorânea de São Luís, repudiam atos da Empresa OPS Open Service, que estaria usurpando terras na comunidade. Veja a nota:

O Porto Grande é Nosso!

A comunidade do Porto Grande, localizada às margens do Rio Coqueiro, zona rural de São Luís, está travando uma batalha com a Empresa OPS Open Service. O que começou como promessas de progresso e oportunidades de emprego se transformou em uma luta desigual pela posse da terra e dos recursos locais.

A empresa chegou à comunidade com a promessa de desenvolvimento, oferecendo escrituras individuais das terras, cursos profissionalizantes e empregos para os moradores. No entanto, após prometer sonhos e conquistar a confiança da comunidade, a OPS Open Service deu um golpe surpreendente ao reivindicar a propriedade de toda a área do Porto Grande na Superintendência de Patrimônio da União (SPU).

A situação se agravou ainda mais quando a empresa instalou um portão, efetivamente fechando o acesso ao porto, que há gerações tem sido o sustento e o coração da comunidade. O acesso ao porto foi limitado apenas a quem se cadastrasse, com a alegação de segurança, mas os moradores veem isso como uma tentativa de controle e exclusão.

Para piorar, a OPS Open Service lançou acusações infundadas, alegando que o porto está sendo utilizado para atividades ilegais de contrabando. Essas afirmações foram veementemente repudiadas pelos moradores que afirmam categoricamente que o porto sempre foi usado para fins legítimos de pesca e comércio.

A situação tomou um rumo ainda mais preocupante quando a empresa chegou acompanhada de forças policiais, incluindo a Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Federal, afirmando ter a concessão das terras. Essa demonstração de poder e intimidação aumentou ainda mais a angústia e o medo entre os moradores.

A comunidade do Porto Grande está se unindo para resistir. Estamos buscando apoio legal e organizando protestos para proteger nossas terras e nosso modo de vida tradicional. Além disso, estamos buscando conscientizar o público sobre nossa luta, na esperança de que a justiça prevaleça.

Permaneceremos firmes e determinados em defender o nosso território, nossas terras e nossos direitos. A luta pode ser longa e difícil, mas estamos dispostos a enfrentar qualquer desafio para proteger o que é nosso por direito.