A triste sina do Judas
por muito o povo alegrou
como folclore, vingança
por dedurar o Senhor.
E assim, em noite de Lua,
crianças brincavam na rua
me chamando “traidor”.
Mas na malhação cristã
a história agora muda:
sou eu quem fui o traído
neste meu papel de Judas.
Ninguém me bota no poste
e nem ri, mesmo que goste
destas rimas cabeludas.
Por esses quarenta anos
que a democracia dura,
lá no Museu da República
deixo o bronze da rasura.
Sarney foi só contrapeso
para um Tancredo indefeso
no balcão da ditadura.
Ele sempre diz ter feito
a transição democrática,
sem falar de quem lutou
e deu o sangue na prática.
Não esteve nas Diretas,
mas reescreve incompleta
a sua história lunática.
Como ficou preso em casa
depois de uma “gripezinha”,
vou deixar pro Bolsonaro
uma ferramentazinha
de abrir tornozeleira,
mas, se fugir pra fronteira,
vai voltar pra Papudinha.
Deixo ao Antônio Guerreiro
uma propina maneira
pra rachar com Belchior
e Lúcio Penha Ferreira.
Essa venda de sentenças
já tem nome na imprensa:
Tribunal da roubalheira.
Vou deixar Caldo Knorr
para Manoel Galinha,
tempero judicial
não se compra na Feirinha.
Lá dentro do galinheiro
a PF achou dinheiro
e até armas na cozinha.
Deixarei um GPS
pra NASA não pegar multa
se esquecer lá na Lua
peças da ciência inculta.
Trump não faria falta
se fosse um astronauta
perdido na face oculta.
Com a invasão do Irã,
Pato Donald é culpado
pelo aumento do diesel,
cerveja, pão e guisado.
No Xirizal do Oscar Frota
até preço de xoxota
já está adulterado.
Deixo pro Netanyahu
a bacia de Pilatos
pra lavar os seus pecados
e os seus crimes. De fato,
o Mar Vermelho que mina
é o sangue da Palestina
na guerra dos insensatos.
Já deixei uma emenda
de dois milhões na varanda,
mas as cadeiras de rodas
sumiram numa quitanda.
Pro governo proxeneta
do Brandão deixo muletas,
que é pra ver se ele anda.
Meu velho computador,
que virou sucata incerta,
vou deixar na oficina
do Djalma Boca Aberta.
Esse cara é trambiqueiro,
suja as mãos com o dinheiro
daquilo que não conserta.
A trama do Agronegócio
é intoxicar a paz
de quilombolas, indígenas,
crianças e animais.
Utilizando aviões
envenena as plantações
só pensando em lucrar mais.
Minha tese de Mestrado
na Godofredo eu vou ler.
É lá que eu bebo e encontro
um pão-cheio pra comer.
Sei que estou reprovado
nessa Faculdade ao lado,
que detesta MPB.
Porém deixo uma lista
pra boêmio e pra doutor:
tem o Butiquim do Carlos
e Ao Redor tem o Bistrô;
tem Candinha de Bigode,
Rock’tanda com pagode,
Caipirinha e tambor.
Não há traidor da pátria
como o Flávio Rachadinha,
que faz selfie nos States
com papos de mentirinha.
Quer rifar as terras raras
e até cartas ignaras
de Pero Vaz de Caminha.
Para o deputado Nikolas
não morrer feito catraio,
em sua cabeça oca
vou deixar um para-raios.
São duas antenas finas
pra proteger sua crina
da linha de papagaio.
Deixarei ao Flávio Dino
o aplauso da orfandade,
contra a farra das emendas
de secreta identidade.
Fechando a boca do caixa,
o Brasil abriu a faixa:
Transparência é liberdade!
Estas lágrimas que caem
e descem pela sarjeta
são os versos esquecidos
de invisível caneta
para um boneco de pano,
migalhas do desengano
caídas de uma gaveta.
Meu destino no Inferno
o Capeta encomendou,
porém sei que a brincadeira
lá no Céu não acabou.
Patativa e Nélson Brito
vão tocar fogo infinito
neste Judas falador.
EnFIM
Tag: Cesar Teixeira
No Dia do Professor, 15 de outubro, educadores(as) e militantes dos movimentos sociais participaram do lançamento da campanha “Meu voto não tem preço! Tô com Emílio Azevedo”.
Durante toda a campanha o candidato a vereador Emílio Azevedo (PSB) vem falando sobre as suas propostas e também denunciando a compra de votos, uma prática nociva à democracia.
O ato de lançamento, realizado na praça Joãosinho Trinta, na Beira-Mar, teve a participação do candidato a prefeito de São Luís, Bira do Pindaré (PSB) e de artistas, entre eles o cantor e compositor Cesar Teixeira, autor do jingle da campanha de Emílio Azevedo, batizada “Meu voto é livre”.
Plano Diretor no debate eleitoral de São Luís
“A data – 15 de oububro – foi escolhida para prestar uma homenagem as professoras e professores que, no passado, foram censurados, cassados e mortos pelos golpistas de 64. E pelos que hoje são perseguidos pelo bolsonarismo” justificou Azevedo.
Durante o lançamento foi realizada uma homenagem ao educador Paulo Freire.
Cesar Teixeira finalizou o ato cantando “Oração Latina” junto com Bira do Pindaré, acompanhados pelo coro dos apoiadores. A música, um hino da democracia e das lutas dos movimentos sociais, animou ainda mais a força da campanha de Emílio Azevedo.
“A oposição a Bolsonaro e a eleição municipal de São Luís em 2020” é o tema do debate que ocorrerá domingo, dia 23 de agosto, às 11h, com a participação do jornalista Emilio Azevedo (pré-candidato a vereador) e o deputado federal Bira do Pindaré (pré-candidato a prefeito).
O debate será transmitido pelo Facebook Emilio Azevedo (https://www.facebook.com/emilio.azevedo.142) em parceria com o Blog Buliçoso e o Blog do Ed Wilson.
No último dia 17 de agosto, uma carta aberta, com mais de 200 assinaturas, propôs a candidatura de Emilio Azevedo a vereador de São Luís.
O documento foi publicado originalmente segunda-feira (17/08), no site Bandeira de Aço, explicando a indicação e apontando quatro eixos com os principais compromissos e propostas da candidatura. O nome do site é uma homenagem à música de Cesar Teixeira, censurada na década de 1970 pela ditadura militar.
Nas assinaturas de apoio à carta, o primeiro nome é de Irmã Anne, conhecida em São Luís por sua luta em defesa do meio ambiente e das comunidades da periferia. Além dela, também assinaram pessoas de diferentes áreas e gerações, entre lideranças comunitárias, integrantes de movimentos, sindicatos e organizações populares, professoras, professores, profissionais de saúde, artistas, servidores públicos, autônomos, profissionais liberais, jornalistas, pequenos empreendedores, iyalorixá, pastores, estudantes, militantes do PCB e de outros partidos, como o PSB.
Agora o jornalista vai debater publicamente os temas e compromissos da carta.
O deputado federal Bira do Pindaré é pré-candidato a prefeito de São Luís pelo PSB e, em Brasília, tem forte atuação na bancada que faz oposição ao governo Jair Bolsonaro e também com medidas propositivas em defesa dos direitos trabalhistas e previdenciários, do meio ambiente, das comunidades quilombolas, da educação e saúde pública, entre outros temas.
A futura candidatura de Emilio Azevedo a vereador também será pelo PSB, ao lado de Bira.
Emilio Azevedo vem se dedicando há mais de dez anos a organização de coletivos para projetos de comunicação alternativa no Maranhão, começando com o Jornal Vias de Fato. Hoje ele é um dos coordenadores da Agência Tambor. Emilio é autor de três livros: “Havana, dezembro de 1999”, “O caso do Convento das Mercês” e “Uma subversiva no fio da História”.
SERVIÇO
O que: Debate pré-eleitoral
Quando: domingo (23 de agosto)
Horário: 11h
Local: https://www.facebook.com/emilio.azevedo.142
Leia a Carta Aberta no site Bandeira de Aço.
Declarações de amor à Praia Grande
Texto e foto: Benedito Lemos Junior
Ruas, vielas, escadarias, “imponentes” casarões, moradas, “meia” morada, são itens da Praia Grande, em São Luís, capital do Maranhão, que revelam e escondem histórias e “istórias”, lendas e magias, em seus mais de quatros séculos de beleza e impureza, apogeu e decadência, relatos muitos inconfessáveis de “povos” que vagueiam pela vida.
Livres e/ou acorrentados, a Praia Grande é um dos mais belos e mais significativos cenários de “pessoas”, modos de vida e de cultura, de cidadãos que lutam por muito ou quase nada.
Em 1981, o cantor, compositor e poeta César Teixeira muito bem traduziu esse cenário no samba “Praia Grande” – tema da Escola de Samba Turma do Quinto naquele ano: “foi no século passado que a Praia Grande apareceu, entre secos e molhados, varejo e atacado, floresceu lá no cais, sob a luz das lamparinas”.
As lamparinas, os lampiões que “iluminaram”, por exemplo, os “caixeiros viajantes que tinham sonhos delirantes com a negra Catarina, e os pregoeiros, que sempre vivem no mundo da lua, vendendo frutas e verduras, e gritando pelas ruas tem caranguejo, farinha d’água e bobó”.
Assim, a Praia Grande, iluminada ou não, era e foi o sonho delirante de muitas pessoas, que também iluminadas ou não, fizeram e fazem histórias, suas lendas e magias, num recanto belo, de poesias, amores e paixões, entorpecidas, muitas delas, de álcool e drogas.
Umas das “figuras tarimbadas” mais presentes da Praia Grande era o poeta Nauro Machado. Não sei se o local foi fonte de sua bela e profunda inspiração, mas, com certeza, foi o “palco iluminado às velas” de muitas gerações, que como Nauro suplicavam “abre-me as portas, mãe, enquanto as estrelas buscam em mim agora a treva infinda, sem luz alguma no meu olhar a vê-las…..só para mim, que vou comigo pelas manhãs nascendo todas cegas ainda”.
Indo agora “imbora”, vou com a “Namorada do Cangaço” de César Teixeira, dando “Adeus, morena, o meu coração é um passarinho solto que não se pega com a mão” e sempre “voltar pra casa todo fim de ano cantando um bolero de Waldick Soriano”.
Mãe, te amo, em e por sua eterna memória.
O Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA), em parceria com a Rico Choro Produções Culturais, promoverá o projeto “Rico Choro ‘comvida’ pra luta”, uma série de saraus, que reunirá o melhor do choro com outros ritmos musicais, na sede recreativa do Sindicato, no Turu.
Inicialmente, será realizado um sarau por mês, aos sábados, às 19h. “O objetivo é proporcionar aos bancários um momento de convivência artística, musical, mas também de resistência, a fim de integrar a categoria contra os ataques dos patrões” – afirmou a diretora de comunicação do SEEB-MA, Gerlane Pimenta.
O primeiro sarau ocorrerá no dia 20 de outubro, tendo como atrações o DJ Victor Hugo, o Regional Caçoeira e a cantoria Tássia Campos. No dia 10 de novembro, será a vez de Vanessa Serra, Trítono Trio e o mestre César Teixeira.
Já em 1º de dezembro, o palco será comandado pelo DJ Joaquim Zion, pelo Quarteto Crivador e pelo trompetista carioca, Silvério Pontes. Rico Choro “convida” pra luta: bancário, você não pode perder!
Reservei o entardecer e começo da noite deste sábado (19 de maio) para escutar – e não apenas ouvir – o novo disco de Lena Machado: “Batalhão de Rosas”. Digo escutar porque apreciei a obra atentamente (folheando o encarte), não de forma distraída como é de praxe, mas com o ouvido cheio de pensamentos sobre a arte desta intérprete que poderia ser trilha de novela, ilustrando aquelas cenas exuberantes do pôr do sol de Ipanema.
Digo isso porque a arte é universal, seja ela extraída de uma banca de comida na feira da Praia Grande ou em um restaurante chic de Dubai.

Ao folhear o miolo do “Batalhão de Rosas”, com as músicas de fundo, senti a força de uma voz que canta trazendo à tona as entranhas dos sentimentos traduzidos nas letras.
Além dos clássicos de Joãozinho Ribeiro (Asas da Paixão), Cesar Teixeira (Namorada do Cangaço, Boi de Medonho, Flanelinha de Avião) e Bruno Batista (Batalhão de Rosas), o disco traz a poética de Didã (Banca da Honestidade) em uma composição sobre a labuta das mulheres guerreiras que fazem da gastronomia de rua e dos mercados a sobrevivência de famílias inteiras.
“De Deus”, assinada por Bené Fonteles, costura uma ginga maneira como se ali na letra tivesse um drible de futebol, com a esperteza do verso final da primeira estrofe – “num passe…”.
Quando eu ouvi “Preta”, de Camila Cutrim e Fernanda Preta, logo lembrei de duas personagens marcantes na obra de Josué Montello: Benigna (Os tambores de São Luís) e Nadine (O baile da despedida), mulheres com o dom de enfeitiçar por vários significados: a voz, a cor, o gingado e o “enigma profundo”.
Zeca Baleiro e Swami Jr fornecem munição num bolero para Lena Machado deslizar feito um catamarã musical em “Duas Ilhas” – um texto filosófico sobre o amor e as suas dificuldades.
E quanto alento ao escutar “Bom dia”, letra de Alessandra Leão, demarcando o território feminino em um disco lírico e tribal, simultaneamente catapultado à condição de uma obra musical do mundo, universal.
Lena Machado é uma intérprete merecedora da nossa audiência, pela magia de uma voz que anima as almas das pessoas.
A produção e os arranjos são de Wendell Cosme, Israel Dantas e Wesley Sousa. O trio deu tom especial à obra musical.
Fico por aqui porque não tenho vocação para spoiler. Compre o disco e deleite-se.
Conversa de feira com Cesar Teixeira
O compositor, poeta e cantor Cesar Teixeira reúne convidados da boa música para o lançamento do seu novo disco, Camapu, nesta quarta-feira (18), às 21 horas, no teatro Arthur Azevedo (TAA).
Neste vídeo, gravado na feira da Praia Grande, no Centro Histórico de São Luís, em um sábado à tarde, conversei com Cesar Teixeira sobre a sua nova produção musical.
No disco estão incluídas composições inéditas do artista e outras que já fazem parte do cancioneiro maranhense desde o início de sua carreira, nos anos 70.
O ingresso é 1 Kg de alimento não perecível e a troca está sendo realizada na bilheteria do TAA.
“Camapu” é uma planta herbácea amazônica de propriedades medicinais e um pequeno fruto comestível muito comum no nosso país, atualmente vendido nos supermercados com o nome “fisalis”.
Imagem: reprodução / capa do CD
Autor de grandes clássicos da música maranhense e brasileira como “Oração Latina”, “Boi da Lua”, “Flor do Mal”, “Bandeira de Aço”, “Parangolé”, dentre muitas outras, o cantor e compositor maranhense César Teixeira lança seu segundo CD, intitulado “Camapu”, no próximo dia 18 de abril, quarta-feira, às 21h, no Teatro Artur Azevedo. O show terá as participações de Cláudio Lima, Célia Maria, Criolina, Flávia Bittencourt, Lena Machado, Mairla Oliveira e Rosa Reis.
O CD traz um repertório inspirado nos ritmos da cultura popular maranhense como o bumba-meu-boi, tambor de crioula, divino espírito santo e outros ritmos tradicionais do Maranhão.
No disco estão incluídas composições inéditas do artista e outras que já fazem parte do cancioneiro maranhense desde o início de sua carreira nos anos 70, mas que nunca foram gravadas.
“Camapu”, título do CD de uma música de César Teixeira, refere-se a uma planta herbácea amazônica de propriedades medicinais e um pequeno fruto comestível muito comum no nosso país, atualmente vendido nos supermercados com o nome “fisalis”.
O último CD de César Teixeira, “Shopping Brazil”, foi lançado em 2004. Nomes como Rita Benneditto, Alcione, Papete, Claúdio Lima, Flávia Bittencourt, Chico Maranhão, Gabriel Melônio, Célia Maria, Cláudio Pinheiro, dentre muitos outros cantores já imortalizaram grandes composições do artista em CDs.