Ódio de classe tira dos pobres até os médicos cubanos

Só há um perdedor com o fim do programa Mais Médicos, no Brasil – a pobreza.

Nos grotões, onde apenas os médicos cubanos chegavam, está decretado o abandono daqueles que mais precisam.

A elite escravocrata que tomou de assalto o Palácio do Planalto é desumana. Em nome do deus mercado, essa gente egoísta pretende construir um mundo onde só os privilegiados possam usufruir direitos.

Jair Bolsonaro, o capitão do mato dessa elite, de chicote na mão, é o porta-voz de um discurso latente, que aos poucos vai ganhando terreno – o ódio de classe, a execração da pobreza e tudo que ela representa, segundo o pensamento dominante.

Tudo que é publico e beneficia os pobres está condenado à morte. Assim, pretendem matar e enterrar o Sistema Único de Saúde (SUS), a Previdência, a Universidade e os bancos públicos.

As riquezas naturais, que deveriam ser de fruição coletiva, também estão ameaçadas. O plano é entregar a Amazônia e a biodiversidade como um todo e exterminar os obstáculos a estes propósitos, inclusive as reservas indígenas e extrativistas.

O direito a saúde, aposentadoria, educação e a fruição da natureza serão exclusividade daqueles que podem pagar. E assim tudo se transforma em mercadoria… o plano de saúde, o plano de previdência privada, o pedágio da estrada etc

A repulsa ao programa Mais Médicos, junto com tantas outras medidas e discursos discriminatórios, são a ponta do iceberg da onda de inspiração fascista.

O tutano dessa onda contém algo de muito grave, disperso na nuvem de palavras soltas e fake news – o ódio de classe.

Esse sentimento vem pulverizado com vários venenos que aos poucos vão matando as ideias e a verdade.

Testemunhei hoje, na farmácia, um sujeito bem vestido e falante dizendo em tom arrogante que estava nos planos de Lula escravizar os médicos brasileiros, igualzinho se faz com os cubanos.

A fala de repúdio a Lula contem algo mais violento. É o ódio de classe. Algo tão cruel e desumano capaz de tirar dos menos favorecidos os médicos que vieram de tão longe amenizar a dor de quem já não tinha quase nada.

Bolsonaro é a última tentação de Sarney

Fora do controle do Palácio dos Leões, com a sua cota na bancada federal do Maranhão reduzida a pó e apenas um deputado familiar na Assembleia Legislativa, José Sarney tenta se encostar no presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), repetindo o mesmo movimento que marcou a sua vida inteira na política – controlar a província a partir dos poderes da República.

A lógica é a mesma, mas a força é outra, muito menor, sem o controle dos deputados e senadores do Maranhão e nem o trânsito de outrora no Congresso Nacional.

José Sarney é uma lenda, apenas, mas vai tentar de todas as formas se conectar à extrema direita para interditar, boicotar e até cassar o mandato do governador Flávio Dino (PCdoB).

Jair Bolsonaro bateu continência ao veterano coronel do Maranhão, mas não é certo que lhe dará ministérios e outros mimos para usufruir das benesses do Planalto.

Os tempos são outros e a fila andou. O baixo clero, emergente na Casa Grande, tem outros líderes.

Sarney é passado. Sem bancada federal, tem pouco valor no balcão de negócios de Brasília, onde vai seguir predominando a troca de votos por interesses e favores.

O coronel está ferido. Perdeu duas eleições para o Governo do Maranhão no primeiro turno, expondo sua filha mais querida, Roseana Sarney, a uma dor insuportável – ficar sem poder.

Resta ao coronel a máquina de jornalismo e propaganda para perseguir o governador Flávio Dino.

À imagem e semelhança de Bolsonaro, a única arma que pode colocar Sarney na batalha é a mentira contra Flávio Dino. Mas, hoje, quem acreditaria na farsa do tipo Reis Pacheco?!

Não há mais tanta munição na barricada de Sarney. E o adversário, Flávio Dino, controla os Leões.

Jesus, no deserto, passou por três tentações do demônio. Todas ilustradas nas paixões do egoísmo, sede de poder, ambição e vaidade. São paixões avassaladoras e tentadoras da política.

Bolsonaro é a última tentação de José Sarney, que busca a proteção do presidente eleito para perseguir e boicotar o Governo do Maranhão.

Vai conseguir?!

Tempo de escrever

Eloy Melonio

“Escrever não é fácil”, dizia um amigo meu quando me pedia ajuda com algum texto que estava escrevendo. E de tanto escrever e querer melhorar sua escrita, não é que já está escrevendo razoavelmente bem!

Um artigo sobre “a arte ou o ofício da escrita” não parece leitura agradável. Mas é necessária. Especialmente nestes tempos de redes sociais. Especialistas afirmam que nunca se escreveu tanto como agora. É verdade, tem muita gente escrevendo! Textos com uma, duas, e até mais de trinta palavras são comuns em suas postagens. Gente que não escrevia nada passou de repente a escrever. E nesse escreve-escreve, se aventura na poesia, na crítica política ou social, contos, crônicas. O lado sombrio disso é que, nesse espaço, alguns se acham não apenas inteligentes, mas donos da verdade. E chegam a defender a tolerância e a liberdade de expressão aos gritos, passando por cima da opinião do outro. Seja com for, estão escrevendo de verdade. E não é demais lembrar que o Português é o terceiro idioma mais usado nas redes sociais.

A prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) começa neste domingo (4-11) e prossegue no subsequente. E logo de saída, o terror de quem terá de escrever um texto. E de tão importante, a redação é matéria nos principais canais de TV. Na pauta, a dificuldade em produzir textos claros, bem redigidos, fiéis à norma culta. Isso explica o medo da prova, porque ela pode “reprovar” o candidato, se o seu texto não se enquadrar nos requisitos básicos.

“Escrever é fácil”, dizia um professor nas primeiras aulas de seu curso de Redação. E acrescentava: “Você começa com uma maiúscula e termina com um ponto final. No meio, põe as idéias”. Parece simples, mas é aí que está o problema. Entre a primeira palavra e o ponto final, você precisa escrever. Ou seja, estabelecer uma tese, defender um ponto de vista, argumentar sobre a problemática do tema. E ainda tem a produção do texto: a sintaxe, a coerência, clareza. É neste momento que entra em cena a temida “norma culta”, nome pomposo de nossa velha gramática.

Nunca esqueci o título de um anúncio da Mercedes-Benz que vi numa revista: “Quando se tem o que dizer, fica fácil se comunicar”. Esse título me inspirou a melhorar minha escrita. E me acompanha até hoje. Ter o que dizer: eis a questão! Por isso não há como fugir da necessidade de ler. Ler (quase) tudo: jornais, revistas, blogues. E, em especial, livros. Um bom leitor é geralmente um bom escritor. Todos os grandes escritores são (foram) grandes leitores. Mas é preciso saber o que se deve ler. A fruição do texto quando se lê algo que é realmente útil e interessante.

Leitores contumazes geralmente têm paixão por certos autores. E por certos livros também. Têm seus colunistas e/ou blogueiros preferidos. O importante é tirar de suas leituras conteúdo para enriquecer seu conhecimento. O que busca: informações, conhecimento, fruição. Se busca poesia, Castro Alves possui “o mais rico e colorido repertório imagístico da nossa poesia romântica” (Antônio de Pádua, Aspectos Estilísticos da Poesia de Castro Alves). Quem não gosta de Josué Montello, Machado de Assis, Mário Quintana? E de tantos outros monstros imortais da literatura universal e nacional?

Voltando ao amigo do início deste artigo, “escrever não é fácil mesmo”. Para aperfeiçoar sua produção textual, você precisar ler. E escrever. Sou observador atento de tudo o que leio. De vez em quando me aventuro a corrigir “gente grande”! (Risos!). E assim, geralmente passo a vista nos textos em busca de algum “probleminha”. E nessa busca, encontro alguns errinhos básicos. E para seu espanto, de quem se poderia esperar coisa melhor. Ou seja, de pessoas que escrevem profissional e/ou artisticamente.

Com uma pequena mudança no original, selecionei algumas “pérolas” só para ilustrar esta argumentação: “Sejamos, nós escritores, os baluartes da boa escrita” (Sejamos nós, escritores, … [o vocativo junto com o sujeito]); “(…) e nada tem haver com os conflitos” (tem a ver); “(…) o nosso amigo Juvenal faleceu agora a pouco” ( pouco [tempo decorrido]); “Se trata de poesia estudada, pela mente e pela alma” (Trata-se [em texto formal]); “Depois do que vi, pré-sinto que essa situação” (pressentir); “(…) me incentivava tudo isso e…” (dar incentivo a [uma ação]). Num desses casos, não segurei minha indignação, e desabafei ironicamente: “Pobre língua portuguesa! Tão maltratada e aviltada por seus (supostos) melhores amigos! Aja paciência! (Hein?!)”.

A escrita do profissional do texto (jornalista, escritor, poeta) é coisa de grande responsabilidade. Com sua imagem e com a língua pátria. Se somos os primeiros a errar, o que esperar dos outros?

Errar é uma tarefa difícil. Isso mesmo, considerando-se que hoje se tem (ou é “tem-se”?!) à mão corretor ortográfico, dicionário online, sites com conteúdo gramatical específico. Para escrever este texto recorri a esses recursos várias vezes. Quando publico um texto, tenho um cuidado especial em ver se está bem escrito. E na revisão, descubro alguns “errinhos” também! Todo esse cuidado porque escrevo para outras pessoas. E sempre me pergunto: será que vão entender? Será que vão gostar do assunto, da forma como está exposto?

Essas perguntas me levam a revisar e ver o que realmente precisa ser mudado. Aí vou cortando a “gordura vocabular”, ou seja, as palavras desnecessárias. Verifico a colocação dos pronomes, os tempos verbais, a acentuação gráfica, a pontuação. Frei Betto ensina: “Caço literalmente todos os gerúndios do texto, tudo que termina em “ando”, “endo”, “indo” etc., pois acredito que isso ‘amolece’ a escritura” (Ofício de Escrever, Ed. Anfiteatro). Não há como duvidar que o autor está para o texto assim como o maestro está para a orquestra.

Ardorosos defensores de nossa língua reclamam da falta de paixão pelo idioma pátrio. Falta estudo, zelo, paixão! “Nossa língua é o resultado de séculos de beleza que a literatura nos legou”, defende o jornalista Sérgio Rodrigues, autor de “Viva a Língua Portuguesa!” (Companhia das Letras). Latino Coelho enfatiza: “De todas as artes a mais bela, a mais expressiva, a mais difícil, em sem dúvida a arte da palavra” (A Oração da Coroa).

O amor à escrita (e à leitura) é condição “sine qua non” para quem decide se aventurar no mundo das letras. Mesmo que não tenha objetivos elevados. Ou seja, apenas para escrever textos que possam ser lidos e, se possível, admirados. Por que quero escrever? Para quem vou escrever? Sem uma resposta coerente, fica difícil adentrar o mundo literário. Nos Estados Unidos, cursos de “creative writing” (escrita criativa) são comuns nas universidades. É uma resposta aos alunos que pensam escrever textos para revistas especializadas, ou mesmo um livro temático ou de cunho literário. Seja qual for a sua razão, não se deixe abater pelas primeiras dificuldades. E, principalmente, prepare-se para escrever. Alguém já disse: “Português não é difícil, você é que estudou pouco”. Uma observação dura, mas verdadeira, aos que apresentam uma justificativa para textos desprovidos de conteúdo, graça e beleza.

Leia este excerto do livro “O prazer da leitura”, de Rubem Alves (1933-2014): “Todo o texto é uma partitura musical. As palavras são as notas. Se aquele que lê é um artista, se ele domina a técnica, se ele desliza sobre as palavras, se ele está possuído pelo texto – a beleza acontece. E o texto apossa-se do corpo de quem ouve. Mas se aquele que lê não domina a técnica, se luta com as palavras, se não desliza sobre elas – a leitura não produz prazer: queremos logo que ela acabe”.

São muitas as razões para se escrever. Pode ser necessidade, prazer, paixão. E aqui faço uma intertextualidade entre Frei Betto (FB), em seu já referido livro “Ofício de escrever”, e Ruy Robson (RR), poeta maranhense, em seu poema “Escrevo”: “Escrevo para ser feliz. Bartheanamente, para ter prazer” (FB); “Escrevo por necessidade,/ pela vontade de ser feliz” (RR); “Escrevo para sublimar minha pulsão e dar forma e voz a babel que me povoa interiormente” (FB); “Escrevo para não sofrer/ escrevo para não matar/ Escrevo para não morrer!!!” (RR).

Fácil ou difícil? A resposta é sua. Só sei que a escrita é uma arte que pode informar, ensinar, entreter. E, quem sabe, “virar a vida pelo avesso”.

Dilema: Eliziane Gama entre a bíblia e a foice & martelo

A senadora eleita no Maranhão, Eliziane Gama (PPS), vive um grande dilema político.

Evangélica, ganhou a eleição na chapa do PCdoB, liderada pelo governador reeleito Flávio Dino, com a anuência da Assembleia de Deus.

A comunidade evangélica sabia, desde sempre, que cristãos e comunistas caminharam juntos na eleição.

Após a vitória, a senadora declarou apoio no segundo turno ao petista Fernando Haddad, sendo fortemente censurada pela cúpula da Assembleia de Deus, que preferiu Jair Bolsonaro (PSL).

A censura do número 1 da Assembleia de Deus, pastor Aldi Damasceno, fez Eliziane Gama recuar. Ela não participou da caminhada com Fernando Haddad em São Luís, puxada pelo governador Flávio Dino, onde estava presente o outro senador eleito, Weverton Rocha (PDT), além de vários deputados estaduais e federais vitoriosos em 2018.

Haddad ganhou no Maranhão com 73% dos votos.

Gama alegou “tratamento de saúde” para justificar sua ausência do palanque do petista nas ruas do Anil, bairro tradicional da capital do Maranhão.

Passado o segundo turno, eis que a senadora eleita se manifesta no twitter, desta feita sugerindo o nome do governador Flávio Dino para eventual disputa presidencial em 2022.

Depois da twittada de Eliziane Gama, resta ver como vai se posicionar a cúpula da Assembleia de Deus, hostil aos comunistas na ideologia, mas beneficiária de cargos no Governo do Maranhão.

Os sentidos do comunismo e do cristianismo são compatíveis. Ambos tratam de justiça, fraternidade, amor, partilha… mas algumas igrejas evangélicas não conseguem admitir esta sintonia e costumam demonizar o que chamam de esquerda.

Mesmo assim, aceitam cargos e favores dos governos de todos os tipos, inclusive daqueles comandados pelo PCdoB.

É o caso da cúpula da Assembleia de Deus no Maranhão.

Tucanos arrependidos!? FHC e Alckmin confrontam Bolsonaro pelos ataques à Folha de São Paulo

São favas contadas. A derrota de Geraldo Alckmin e a vitória de João Dória conduzirão o PSDB à extrema direita, sob o comando do governador eleito de São Paulo, João Dória, que já declarou alinhamento a Jair Bolsonaro (PSL).

Considerando ainda a derrota de Antônio Anastasia em Minas Gerais, Dória será uma espécie de imperador do PSDB.

A direita tucana tradicional, representada por Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso (FHC), tem duas opções – adere a Dória ou muda/inventa outro partido de Centro, seguindo o caminho de Gilberto Kassab, fundador do PSD.

Nesse contexto de esfacelamento do PSDB, alguns sinais apontam insatisfação de Alckmin & FHC com o presidente eleito Jair Bolsonaro em relação aos ataques à Folha de São Paulo.

Pelo twitter (veja imagens), ambos repudiaram as declarações grosseiras de Jair Bolsonaro sobre a Folha. “Intimidações a jornais são inadmissíveis. Repudio as ameaças à Folha e seus jornalistas, com energia”, reclamou FHC.

“Os ataques feitos pelo futuro presidente à Folha de São Paulo representam um acinte a toda a Imprensa e a ameaça de cooptar veículos de comunicação pela oferta de dinheiro público é uma ofensa à moralidade e ao jornalismo nacional”, queixou-se Alckmin.

A Folha de São Paulo é uma espécie de “vênus platinada” (apelido da Globo) do jornalismo impresso. Os tucanos tradicionais têm por este jornal um carinho especial, fruto da afinidade ideológica – o culto ao mercado.

Os tucanos e a Folha foram parceiros no golpe de 2016. Estava tudo acertado para degolar o PT e estender o tapete de luxo para Geraldo Alckmin chegar à Presidência da República.

Mas, no meio do caminho, surgiu o imponderável. E toda a campanha de ódio alimentada pela mídia tucana deu musculatura ao fascismo.

Agora, os próprios tucanos e a Folha estão espantados com o monstro que ajudaram a criar.

Resta torcer para que as críticas no twitter levem Alckmin & FHC a um alinhamento consistente e duradouro pela democracia. E seria conveniente pedirem para sair do PSDB.

Submissão a Dória e Bolsonaro é um suicídio político dos tucanos tradicionais.

Ex-reitor da UFMA, suposto amigo de Haddad, não assina manifesto de solidariedade ao petista

Causou estranheza a ausência do nome do ex-reitor da Ufma, Natalino Salgado, na lista de apoiadores dos dirigentes e ex-dirigentes de Ifes (Instituições Federais de Ensino Superior) ao presidenciável Fernando Haddad, do PT.

O manifesto dos ex-reitores foi divulgado no site oficial do PT, na revista Forum e no site Vermelho, renomadas publicações, mas o nome do ex-gestor da Ufma não consta entre os apoiadores do petista.

Veja aqui  aqui  e aqui os textos e assinaturas, onde o nome do ex-gestor da Ufma não aparece.

Salgado e Haddad na campanha presidencial do 1º turno em São Luís. Amigos, mas sem assinatura de apoio

Nos bons tempos do governo Lula, quando o então presidente gozava de alta popularidade, o reitor da Ufma demonstrava efusivo apoio ao presidente e especialmente ao ministro da Educação, Fernando Haddad, um dos administradores estratégicos de Lula.

O ex-reitor se orgulha muito dos momentos gloriosos da “pujança” que deixou a Ufma cheia de “elefantes brancos” e com menos de 50% dos alunos completando seus cursos em tempo hábil, além de não orientar devidamente os funcionários na fiscalização de algumas obras, como o Centro de Convenções da Ufma.

Recentemente, durante a visita do presidenciável Haddad em São Luís, no primeiro turno da eleição presidencial, o ex-reitor chegou a tirar fotos com o suposto amigo petista, mas não assinou o manifesto de apoio ao candidato de Lula. Por quê será?

Trata-se de uma estranha ausência na lista de assinaturas, considerando que o ex-reitor tenta voltar ao comando da Ufma.

Movimentos internos na base de Haddad articulam uma segunda leva de assinaturas, com a provável inclusão do ex-reitor da Ufma.

Imagem do topo copiada deste site ministro Fernando Haddad e reitor Natalino Salgado

Maura Jorge já se nomeou “interventora” do Maranhão, caso #elenão seja eleito presidente

O debate entre os candidatos ao Governo do Maranhão, na TV Mirante, já serviu para dar sinais do que pode ser um eventual mandato de inspiração fascista no Brasil, caso Jair Bolsonaro (PSL) seja eleito presidente.

Durante o debate, a candidata Maura Jorge (PSL) fez várias manifestações de apoio ao #elenão, já se colocando na condição de representante local de uma eventual gestão totalitária no país.

É de amplo conhecimento que a distribuição dos cargos federais nos estados passa por acordos e alianças entre os partidos que formam coligações. Com Bolsonaro não será diferente. A gestão será compartilhada com os aliados ou pessoas designadas para ocupar funções-chave na estrutura administrativa federal.

A participação de Maura Jorge no debate foi uma constante demonstração de que ela será uma espécie de “primeira ministra” ou interventora do governo federal no Maranhão, servindo como base de um eventual governo #elenão

Bolsonaro já fez várias declarações contra “os comunistas do Maranhão”, referindo-se ao governo Flávio Dino (PCdoB). Em sintonia, Maura Jorge usou o debate para atirar pesado contra o governador candidato à  reeleição.

Espera-se que a conjuntura de hostilidade no país não chegue ao absurdo de interditar os mandatos dos(as) governadores(as) eleitos(as) e colocar prepostos nas administrações estaduais.

Porém, é óbvio que pessoas como Maura Jorge serão prestigiadas. Originária do coronelismo regional de Lago da Pedra, Maura Jorge se orgulha de ser #elenão

Sendo assim, não se descarta a montagem de governos paralelos com a força da máquina federal sobre os estados. Em outras circunstâncias isso já foi feito, a exemplo dos boicotes operados por José Sarney (MDB) contra o então governo Jackson Lago (PDT) no Maranhão.

Se foi assim na democracia, imagina com #elenão

O passado ajuda a entender o presente e perceber as afinidades. Em um eventual segundo turno no Maranhão será óbvio o alinhamento entre Roseana Sarney (MDB) e Maura Jorge.

E o velho José Sarney, fiel a todos os governos federais desde a Ditadura Militar, será um aliado de primeira hora do #elenão.

Qualquer observador da política sabe que o controle dos cargos federais nos estados pode ajudar ou atrapalhar as gestões dos(as) governadores(as). O mesmo se diz na relação entre as gestões estaduais e as prefeituras.

Resta agora trabalhar muito para evitar que o Maranhão corra o risco de ser transformado em uma grande Lago da Pedra.

Após o golpe no PT, grupo Sarney apela para Lula

Na iminência de ser derrotada logo no primeiro turno, a candidata Roseana Sarney (MDB) busca colar sua imagem à de Lula (PT), o principal “cabo eleitoral” do Maranhão.

O programa de TV exibido na noite de ontem (1º) insere um depoimento de Lula fazendo declarações de apoio a Roseana. A propaganda recorta o trecho de um discurso em que o petista exalta a lealdade da candidata.

A fala de Lula em elogio à filha de José Sarney é de campanhas passadas, quando o PT e o PMDB eram aliados, nas eleições de 2006, 2010 e 2014. Nesse período, o petista fez várias declarações de apoio a Roseana.

Lula e Sarney: relações cortadas em 2018

Em 2014 o candidato do grupo Sarney ao governo do Maranhão, Edinho Lobão (PMDB), filho do senador Edison Lobão (PMDB), também recebeu apoio de Lula e do PT, oficialmente coligado ao PMDB.

Mas, a partir de 2016, durante o processo do impeachment da presidente Dilma Roussef (PT), liderado pelo PMDB, José Sarney marchou com Eduardo Cunha e Michel Temer, comandando a votação da sua bancada de deputados e senadores para degolar a petista.

Após o impeachment, quando a Lava Jato mirou na prisão de Lula, Sarney também negou solidariedade ao petista, estrangulando as relações entre o PT e o PMDB em 2018. Estão, portanto, rompidos.

Mudança de rumo

Oficialmente, o PT nacional e Lula já declararam apoio ao governador Flávio Dino (PCdoB), candidato à reeleição.

Dino fez vários movimentos liderando politicamente a defesa de Dilma Roussef e de Lula durante todo o processo do impeachment, no curso da prisão do ex-presidente petista e na campanha Lula Livre.

O PCdoB compõe a chapa de Fernando Haddad (PT), com a candidata a vice-presidente Manuela Dávila. Na eleição para o Governo do Maranhão, o PT apoia a reeleição de Flávio Dino.

Antes de ser preso, Lula encerrou a caravana pelo Nordeste em um ato público na porta do Palácio dos Leões, ao lado do governador Flávio Dino. Estava selada, naquele momento, a aliança entre o PT e o PCdoB.

Roseana Sarney, ao exibir a declaração de Lula sobre lealdade, tenta uma reaproximação artificial e tardia, em tom de desespero.

Os pobres na propaganda eleitoral

As campanhas eleitorais sempre trazem novidades, mesmo que sejam retrógradas e antigas, mas recauchutadas. Uma delas é a presença dos pobres na TV e no rádio. Talvez seja esta, a propaganda eletrônica, o único momento de protagonismo dos excluídos.

Vez por outra vejo na TV, na retórica(!) do candidato ao governo Roberto Rocha (PSDB), um lavrador falando da sua condição e dificuldades da labuta da terra.

No começo da campanha eletrônica, o candidato a senador Sarney Filho (PV) colocou no seu programa uma estrela das quebradeiras de babaçu… dona Nice do PT, referência na luta dos oprimidos.

Não condenemos Dona Nice. Ela não tem culpa. É duplamente massacrada pelo capitalismo excludente e pelo assédio no tempo em que vaca desconhece bezerro – a eleição!

Nunca nesta vida, e nem nas outras passadas, o filho de José Sarney foi aliado das mulheres que labutam no coco e no machado, na luta pela preservação das riquezas naturais. Apenas na TV, falsamente.

A televisão tem esse poder de estimular a sociedade do espetáculo, segundo o filósofo francês Guy Debord, traduzindo a ideia de que o povo no geral aparece, mas não participa. E, quando aparece, é sempre na condição de oprimido ou plateia.

Há controvérsias sobre as teses de Debord. Eu gosto das ideias dele, mas tenho simpatia por Martín-Barbero. E não considero deus nenhum dos dois, porque para mim teoria não é religião!

A condição de plateia é um dos argumentos de Debord para criticar a democracia burguesa. O povo, no geral, vota, mas não participa. Tem uma aparência de efetividade na política, mas está na dependência de um líder, guia, guru ou operador, sob o manto do poder econômico. Segundo Debord, o povo é sempre plateia no palco espetacularizado da eleição.

Eis o sentido do espetáculo no qual o próprio oprimido participa da opressão, sob o manto da democracia.

Isso faz todo sentido quando observamos a narrativa da operação Lava Jato, estruturada em capítulos, como série ou telenovela, colocando o povo à espera do novo preso e do espetáculo da operação da Polícia Federal na TV.

A judicialização da política, combinada e articulada à mídia (Rede Globo), é o ápice da construção do espetáculo nas manchetes dos telejornais.

Esta narrativa sempre teve como vilão o PT e “principal criminoso”, “o bandido”, “Lula”, em contraponto ao mocinho “Sergio Moro”. A mídia, em parte, combinada à Lava Jato, construiu esse consenso facilmente adaptável ao senso comum: o mocinho “Sergio Moro” e o bandido “Lula”. É novela, ou não é!?

O pedreiro quando chega a casa, após um dia cansativo de trabalho na obra, assiste ao Jornal Nacional e tende a aceitar a narrativa majoritária. Ou não! Pode refutá-la! Por isso não gosto de igrejas teóricas no âmbito das Teorias da Comunicação.

A arquitetura jurídico-midiática-parlamentar ajudou a construir (ou fortalecer) uma figura singular, no âmbito do fascismo: “o pobre de direita”, eleitor de Jair Bolsonaro. Não devemos condenar essas pessoas, apenas entender a dinâmica da política e as origens do totalitarismo, que estão na mobilização do capitalismo para se adaptar às novas circunstâncias ultraliberais – o mercado é a única narrativa capaz de “salvar” a humanidade.

O inominável, embora seja produto da onda fascista, cresce fora dos meios convencionais de comunicação, pelas redes sociais, mas o debate da TV aberta (TV Globo) será o momento decisivo. A Globo vai aderir à onda ultraliberal?

Veja você como a democracia no Brasil ainda precisa de aperfeiçoamento.

As regras da propaganda eleitoral na democracia contemporânea elaboram o discurso da participação, mas reduzem os excluídos às pequenas aparições caricatas da pobreza e eliminam os partidos menores do horário na TV. Que democracia é essa que impede o PSTU de falar na TV?

Os pobres, quando aparecem reclamando da ausência de políticas públicas nos programas eleitorais dos partidos liberais, são colocados na posição de “inocentes úteis”, ensaiados nas estratégias dos marqueteiros, apenas como linha auxiliar dos poderosos.

Feito este preâmbulo, é fundamental afirmar!

Votamos no 13 sem pestanejar, contra o fascismo. Mas, não basta eleger Fernando Haddad (PT). Se for para repetir os erros de Lula, vale a pena (?!). É fundamental que o novo mandato petista seja o meio para a reconstrução da democracia no Brasil, em sentido pleno, que não será possível discorrer aqui.

No essencial, para fazer justiça ao título desse artigo, é fundamental atender os pobres além do assistencialismo, inclui-los de fato na produção, na economia, na estratégia. E não apenas nos programas eleitorais.

É uma tarefa difícil, porque significa uma declaração de guerra ao capitalismo, ato de afronta à ordem internacional.

Participação, no sentido pleno da democracia, foi reduzida a pequenas aparições dos pobres nos programas eleitorais, reclamando da ausência de políticas públicas, vez por outra colocados na posição de “inocentes úteis” nas estratégias dos marqueteiros.

A democracia é um horizonte; Vamos de Haddad, buscando o caminho, sabendo que será difícil.

Memórias do Armazém São Bento

A fotografia é do Armazém Geral, em São Bento, uma das cidades mais antigas do Maranhão, localizada na Baixada Maranhense.

Tudo indica que deve ser da década de 1950 ou anterior.

Uma das riquezas de São Bento, são os lagos, os campos alagados da Baixada Maranhense.

É provável que esse armazém ficava às margens do Igarapé Vale do Conduru, que era a principal ligação de São Bento com a Baia de São Marcos.

O igarapé foi muito usado antes das estradas de asfalto. É navegável por barco à vela e pequenas embarcações a motor.

O seu volume de água doce tem forte influência das marés.

Texto: José Reinaldo Martins / Agenda Maranhão