Construção da ponte sobre o rio Alegre, em Santo Amaro, divide opiniões dos moradores e empresários

Uma das principais cidades do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, Santo Amaro está diante de uma polêmica em torno da ponte sobre o rio Alegre, ligando a estrada asfaltada (MA-320) ao perímetro urbano do município.

A obra da ponte já foi iniciada e, se concluída, vai permitir o acesso fácil de motos, carros, caminhonetes, ônibus e caminhões a Santo Amaro.

Atualmente, apenas caminhonetes com tração 4 x 4 acessam a sede do município. Elas atravessam o leito do rio Alegre, na parte rasa, transportando as mercadorias que abastecem o comércio, os produtos do setor de serviços, moradores e turistas.

A ponte vai facilitar o fluxo de qualquer tipo de veículo, mas divide opiniões. Parte dos moradores considera que o impacto sobre a cidade será grande e a infraestrutura do município não suporta um volumoso contingente de pessoas, carros, motos, quadriciclos e caminhões, entre outros motorizados.

O ex-vereador e empresário Dodó Carneiro apresenta suas ponderações sobre a construção da ponte. Assista ao video, abaixo.

Pequena cidade encravada nas proximidades das belas dunas e lagoas, Santo Amaro ainda é um lugar com características provincianas.

Moradores e empresários contrários à conclusão da ponte temem pela quebra da tranquilidade no município, considerando que o clima de violência já chegou às pequenas cidades do Brasil.

Da areia ao asfalto

Até o final de 2017, Santo Amaro era acessada por via terrestre apenas pelos carros com tração 4 x 4, atravessando dunas, riachos e lagoas, até chegar à sede do município.

Em fevereiro de 2018, o Governo do Estado concluiu a obra da rodovia MA-320, com 47 Km, entre o povoado Sangue e o município de Santo Amaro, ficando pendente a ponte sobre o rio Alegre.

Sangue fica às margens da rodovia MA-402, que dá acesso ao município de Barreirinhas. A construção da MA-320 (Sangue-Santo Amaro) interliga duas cidades valorosas na rota do turismo no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

A estrutura inicial está pronta e as máquinas continuam trabalhando.

Imagem retirada neste site

Descrição: três caminhonetes cruzam o leito de uma área alagada no meio de uma estrada de areia, cercada de vegetação, no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

A dura vida de Roseana Sarney na oposição

Depois de muitas especulações e insegurança, Roseana Sarney (MDB) finalmente se manifestou sobre a candidatura ao governo do Maranhão em 2018.

No seu discurso de 19 minutos em que anunciou a decisão de ser candidata, uma frase desenha o principal “vamos enfrentar muitos obstáculos”.

Está nesse trecho a senha para entender o quanto será difícil fazer uma campanha sem a máquina do governo e o chicote na mão para açoitar os prefeitos.

A filha de José Sarney sempre fez campanha com muitas armas e exércitos ao seu dispor: 1) controle dos cargos federais no Maranhão; 2) a máquina do governo estadual; 3) maioria folgada nas bancadas federal e estadual; 4) controle absoluto sobre os meios de comunicação, principalmente os sistemas Mirante e Difusora; apoio das multinacionais Vale do Rio Doce e Alumar; 5) domínio sobre os currais eleitorais dos prefeitos; 6) poder de mando nos maiores partidos e coligações com a maioria esmagadora das legendas de aluguel;

Tudo isso convergia para que ela fizesse campanha nos cenários mais favoráveis, apenas para cumprir os rituais da eleição, mesmo assim utilizando métodos heterodoxos como a famosa farsa do morto-vivo Reis Pacheco.

Leva-se ainda em consideração, nas eleições passadas, a força política de José Sarney no cenário nacional, sempre ocupando postos elevados no staff da República, atraindo o poder de Brasília para manter a hegemonia no Maranhão.

Em 2018, resta para Roseana Sarney pouca munição e um exército cambaleante. Ela não está acostumada a fazer campanha sem a chave do Palácio dos Leões.

O poder de do pai em Brasília não é mais o mesmo.

Até mesmo seus correligionários fiéis nos bons tempos da fartura do dinheiro público abandonaram o barco. Figuras como Gastão Vieira e Pedro Fernandes já estão militando na base de Flávio Dino.

O dinheiro das doações será mais vigiado e a fragilidade do grupo que sempre lhe deu sustentação vai ter influência negativa na drenagem do financiamento de campanha.

Tudo isso e muito mais será computado no dia a dia da campanha. Em 2018, diferente de todas as facilidades que teve na vida, Roseana está fora do poder oficial.

Esse fantasma de não mandar no dinheiro público vai atormentá-la a campanha inteira.

Apesar da bravata de hoje, Roseana é oposição. E isso faz toda a diferença.

Foto: reprodução / O Imparcial

Novo disco de Lena Machado convida ao deleite

Reservei o entardecer e começo da noite deste sábado (19 de maio) para escutar – e não apenas ouvir – o novo disco de Lena Machado: “Batalhão de Rosas”. Digo escutar porque apreciei a obra atentamente (folheando o encarte), não de forma distraída como é de praxe, mas com o ouvido cheio de pensamentos sobre a arte desta intérprete que poderia ser trilha de novela, ilustrando aquelas cenas exuberantes do pôr do sol de Ipanema.

Digo isso porque a arte é universal, seja ela extraída de uma banca de comida na feira da Praia Grande ou em um restaurante chic de Dubai.

Capa do disco Batalhão de Rosas

Ao folhear o miolo do “Batalhão de Rosas”, com as músicas de fundo, senti a força de uma voz que canta trazendo à tona as entranhas dos sentimentos traduzidos nas letras.

Além dos clássicos de Joãozinho Ribeiro (Asas da Paixão), Cesar Teixeira (Namorada do Cangaço, Boi de Medonho, Flanelinha de Avião) e Bruno Batista (Batalhão de Rosas), o disco traz a poética de Didã (Banca da Honestidade) em uma composição sobre a labuta das mulheres guerreiras que fazem da gastronomia de rua e dos mercados a sobrevivência de famílias inteiras.

“De Deus”, assinada por Bené Fonteles, costura uma ginga maneira como se ali na letra tivesse um drible de futebol, com a esperteza do verso final da primeira estrofe – “num passe…”.

Quando eu ouvi “Preta”, de Camila Cutrim e Fernanda Preta, logo lembrei de duas personagens marcantes na obra de Josué Montello: Benigna (Os tambores de São Luís) e Nadine (O baile da despedida), mulheres com o dom de enfeitiçar por vários significados: a voz, a cor, o gingado e o “enigma profundo”.

Zeca Baleiro e Swami Jr  fornecem munição num bolero para Lena Machado deslizar feito um catamarã musical em “Duas Ilhas” – um texto filosófico sobre o amor e as suas dificuldades.

E quanto alento ao escutar “Bom dia”, letra de Alessandra Leão, demarcando o território feminino em um disco lírico e tribal, simultaneamente catapultado à condição de uma obra musical do mundo, universal.

Lena Machado é uma intérprete merecedora da nossa audiência, pela magia de uma voz que anima as almas das pessoas.

A produção e os arranjos são de Wendell Cosme, Israel Dantas e Wesley Sousa. O trio deu tom especial à obra musical.

Fico por aqui porque não tenho vocação para spoiler. Compre o disco e deleite-se.

Imagens: sites aqui e aqui

Cafeteira de 1994 é símbolo da pós-verdade

Reza o ditado que a mentira tem pernas curtas, mas o fenômeno “fake news” diz o contrário: impostura tem pernas longas e passadas ligeiras.

A pós-verdade, base filosófica da notícia falsa, teve o auge na eleição de Donald Trump em 2016 nos Estados Unidos e no plebiscito que determinou a saída do Reino Unido da União Europeia, o brexit.

Mas, falsear a verdade é coisa antiga.

Em 1994, na eleição para o Governo do Maranhão, uma “fake news” construída pela máquina publicitária de José Sarney foi decisiva para derrotar Epitácio Cafeteira, fabricando a vitória de Roseana Sarney.

A mentira plantada remontou a um acidente de carro, em 1988, no bairro Olho d’Água, envolvendo o ferroviário José Raimundo Reis Pacheco e o ex-vereador Hilton Rodrigues.

Pacheco teve escoriações e Rodrigues morreu.

Tempos depois, José Sarney escreveu o famoso artigo intitulado “Liberdade e Reis Pacheco”, sugerindo que Cafeteira queria vingança pela morte do sogro.

Daí em diante a narrativa evoluiu para algo bizarro, atribuindo a Cafeteira um plano macabro para sequestrar e matar Reis Pacheco.

No auge da campanha, a máquina publicitária de José Sarney já espalhara em todo o Maranhão que o favorito na eleição, Epitácio Cafeteira, seria mandante de um assassinato.

Dias antes da votação, após rigorosa investigação, a assessoria de Cafeteira descobriu Reis Pacheco vivinho da silva, morando no interior do Pará, logo providenciando a gravação de um vídeo para desmascarar a farsa.

O vídeo ficou pronto a tempo de ser exibido no último programa eleitoral, mas por esses milagres que só acontecem no Maranhão a transmissão “caiu” em várias cidades do interior.

Em 1994, sem internet, ficara impossível desfazer a farsa.

Mesmo assim a torcida por Cafeteira ainda acreditava na vitória, até que nas últimas horas da contagem dos votos veio a surpreendente virada de Roseana Sarney, com uma vantagem de aproximadamente 18 mil votos.

E assim ela virou governadora do Maranhão.

Recuo inexplicável

Derrotado em tais circunstâncias, Cafeteira recolheu as armas, deixando a torcida frustrada.

Muita gente esperava que a derrota fosse transformada em uma guerra contra Sarney, mas Cafeteira preferiu recuar.

Em 1998 ele foi novamente candidato, na tentativa de “explicar” a farsa de 1994, mas não vingou.

Roseana se reelegeu com facilidade e a oligarquia no Maranhão, atrelada ao governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), chegava ao ápice.

Para os registros é importante frisar que, apesar das dissidências pontuais, Cafeteira e Sarney não estavam em campos opostos. Ambos compuseram a mesma base conservadora do Maranhão.

Rótulo de “golpista” e disputa entre evangélicos prejudicam a candidatura de Eliziane Gama ao Senado

O governador Flávio Dino (PCdoB) soma pelo menos três critérios para escolher a deputada federal Eliziane Gama (PPS), vinculada à Assembleia de Deus (AD), como a segunda candidata ao Senado: partido, gênero e religiosidade.

Pela ordem dos critérios, temos o seguinte: o PPS soma na contagem geral dos partidos da base governista; a presença feminina equilibra e valoriza a chapa; o segmento evangélico sente-se representado na majoritária.

Ocorre que, além do racha nas igrejas (veja detalhes abaixo), a deputada tem rejeição no PT, legenda importante no tempo de propaganda na coligação de Flávio Dino.

Os petistas não cansam de recordar que Eliziane Gama votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff e, antes disso, tentou convocar o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva para depor na CPI da Petrobras.

Para o PT, a parlamentar evangélica cometeu dois pecados imperdoáveis.

Eliziane fez coro com a direita no impeachment. Foto: reprodução

Estes atos são intolerados na base petista, que não admite a escolha da deputada para compor a chapa majoritária liderada pelo PCdoB, partido-irmão do PT e de Lula desde 1989.

Filiado a uma legenda com denominação “comunista”, Flávio Dino (PCdoB) já sente o açoite do conservadorismo, somado à esperteza da oposição sarneísta, que enxerga até nos bons atos do governo alguma perversidade inspirada na foice e no martelo.

Assim, a presença evangélica na chapa acalma parte do eleitorado conservador. Mas, embora o governador tenha anunciado a composição majoritária, os 14 partidos da coligação palaciana ainda vão realizar encontros estaduais para fechar os acordos.

Portanto, não é definitiva a participação de Eliziane Gama como candidata ao Senado.

Questões morais também podem influenciar negativamente a base evangélica.

Este blog não costuma tratar de assuntos da vida privada de nenhum político, a não ser que fatos reservados passem a ter interesse público. É o caso de Eliziane Gama, divorciada e casada novamente, atitude não recomendável na Assembleia de Deus (AD), cuja moral religiosa preconiza a indissolubilidade da família original.

Contradições

A presença feminina da AD na chapa majoritária acolhe uma fatia do eleitorado que tende a rejeitar o governador comunista.

No entanto, nem tudo converge para Eliziane Gama. No campo político-religioso, os assembleianos e as outras denominações não mais constituem o rebanho fiel a uma só candidatura.

Como diz o povo sábio do Maranhão, “em tempo de murici, cada um cuida de si”. O ditado traduz os interesses fragmentados de todos os tipos de denominações e pastores, inclusive aqueles da teologia da prosperidade.

Senador Lobão e o segundo suplente pastor Bel. Foto: reprodução

No geral, as lideranças políticas das igrejas evangélicas são atraídas pela força gravitacional do Palácio dos Leões em todos os governos, agraciados com vantagens e favores, a exemplo dos postos de capelães.

Rebanho dividido

Muitas decisões na AD são tomadas em cúpula, sem ouvir a base, reproduzindo a lógica pragmática da maioria dos partidos políticos.

No emaranhado de interesses e denominações, as igrejas alinham e divergem de acordo com os projetos eleitorais majoritários e proporcionais, sob a liderança dos pastores e das cúpulas que controlam as convenções.

Pastor Pedro Aldi, o homem da Ceadema. Foto: reprodução

O presidente da Ceadema (Convenção Estadual das Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus no Maranhão), pastor Pedro Aldi Damasceno, terá uma representante familiar nas eleições 2018. Sua filha, Mical Damasceno, será candidata a deputada estadual em 2018.

Entretanto, no meio ao rebanho há sempre ovelhas desgarradas.

Eliziane Gama não é consenso na AD, onde também milita na política Herber Waldo Silva Costa, o famoso “pastor Bel”, segundo suplente do senador Edison Lobão (PMDB) e alinhado a uma eventual candidatura de Roseana Sarney (PMDB).

Por outro lado, soma na base comunista o pastor Luiz Carlos Porto (PDT), ex-vice-governador de Jackson Lago.

Já a pré-candidatura de Maura Jorge (PSL) ao governo, o palanque do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no Maranhão, estaria apalavrada com o deputado pastor Marco Feliciano (Podemos), manda-chuva na AD Catedral do Avivamento.

Estes são alguns detalhes dos grandes conflitos na AD, uma organização onde perpassam disputas em torno de interesses financeiros, políticos e religiosos, conforme o(a) leitor(a) pode ver abaixo.

Os 3 rachas na Assembleia de Deus

Durante 25 anos, de 1990 a 2015, a CGADB (Convenção Geral da Assembleia de Deus no Brasil) esteve sob a mão de ferro do pastor José Wellington Bezerra e do seu filho José Wellington Costa Junior.

Várias dissidências na CGADB fizeram emergir outros líderes. Em 2010 o pastor Silas Malafaia ascendeu à direção da AD Vitória em Cristo, inconformado com a dominação dos Wellington (pai e filho) sobre o rebanho.

Pastores Samuel Câmara e José Wellington disputam fiéis. Foto: reprodução

Após a morte e Paulo Leivas Macalão, um ícone da AD mãe, localizada em Belém (PA), o bispo Manoel Ferreira assumiu a liderança e começaram as dissidências, surgindo uma nova organização, em 1989 – a Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil — Ministério de Madureira (Conamad).

Essa foi a primeira grande divisão da AD em toda a sua existência. Na Conamad destacou-se o pastor Samuel Ferreira, um dos filhos do bispo Manoel Ferreira, elevado ao cargo de bispo primaz vitalício.

A Conamad flexibilizou as regras rígidas presentes na CGADB, permitindo as mulheres usarem joias e maquiagem, por exemplo.

As eleições para o comando das convenções são altamente disputadas, inclusive com suspeitas de fraude, gerando disputas judiciais intensas.

Após tentar o controle da CGADB, sem sucesso, o pastor Samuel Câmara criou sua própria tendência – a CADB (Convenção da Assembleia de Deus no Brasil), que já  teria alcançado 10 mil pastores filiados, ameaçando o poder da CGADB.

Um dos principais atrativos da CADB é a ordenação de mulheres em todas as funções, provocando uma revolução no rebanho, visto que as servas de Deus podem assumir postos de comando na denominação.

Os sucessivos rachas na esfera nacional das convenções, bem como as mudanças morais e organizativas, têm forte repercussão eleitoral, considerando que a AD é a maior denominação pentecostal do Brasil.

Portanto, não há como diminuir a força dos evangélicos na política. Convidado a pregar na Cruzada Interdenominacional, realizada na praça Maria Aragão, em outubro de 2017, o pastor Geziel Gomes pede a Deus que mova o coração do governador Flávio Dino.

Ouça AQUI

As palavras do pastor fecharam a oração do prefeito Edivaldo Holanda Junior (PDT), pedindo bênçãos a São Luís. A cidade está mesmo precisando.

Jovem Pan deprecia as rádios comunitárias, por ignorância ou má fé

A Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço) vem tentando sensibilizar deputados federais e senadores para mudar a legislação que institui o Serviço de Radiodifusão Comunitária (Lei 9.612/98).

Uma das reivindicações da Abraço visa o aumento da potência das emissoras para 300 watts. A Lei 9.612/98 limita a potência a 25 watts e sufoca a abrangência das rádios comunitárias, que também são proibidas de veicular publicidade e formar rede, entre outras restrições.

Esta semana, durante a tramitação do projeto de aumento da potência no Senado, a rádio Jovem Pan cometeu uma deselegância: atribuiu ao pleito da Abraço uma interpretação distorcida e nomeou de maneira depreciativa as rádios comunitárias, denominando-as “piratas”.

Ouça aqui o áudio

Pode ter sido deselegância por falta de conhecimento da legislação, ou má fé mesmo, prática viciosa de alguns comunicadores da Jovem Pan que vêm negativando a emissora.

Há um lastro teórico que classifica e nomeia diversas experiências radiofônicas na América Latina e na Europa.

Se passada em revista a literatura sobre esse tema, encontram-se textos e livros sobre as rádios operárias dos trabalhadores das minas, na Bolívia, nos anos 1950, passando pelas rádios revolucionárias, guerrilheiras, piratas e livres, até chegar nas comunitárias, no Brasil, regulamentadas em 1998, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, na gestão do ministro das Comunicações Sérgio Mota.

Foi por pressão dos movimentos sociais militantes na causa da democratização da comunicação que o governo tucano sancionou a Lei 9.612/98 e o decreto de regulamentação nº 2.615/98, criando o Serviço de Radiodifusão Comunitária.

Alguns jornalistas da Jovem Pan, ao depreciar a lei, agem pautados na arrogância dos barões da mídia, considerando que somente eles têm o direito de ocupar o dial, emitir opiniões e usufruir do latifúndio das comunicações.

A lei e o regulamento da radiodifusão comunitária completaram 20 anos em fevereiro de 2018 sem qualquer alteração. Trata-se de uma legislação restritiva e nociva às rádios comunitárias, porque limita a potência a 25 watts e o sistema irradiante a 30 metros, proíbe a captação de recursos fora da modalidade “apoio cultural” e impede a formação de rede.

Esta legislação foi criada para sufocar as emissoras comunitárias.

Mesmo assim, a Abraço vem tentando alterar a lei, em um legítimo esforço de qualquer grupo de pressão que atua no Congresso Nacional visando atender ao interesse público.

O Brasil é um dos piores exemplos de concentração dos meios de comunicação em mãos de grupos empresariais e políticos, que fazem uso das suas máquinas de jornalismo e propaganda geralmente em proveito próprio, atropelando o interesse público, que deveria ser a finalidade precípua de uma plataforma de informação.

Vale frisar que o controle acionário das concessões de rádio e televisão por detentores de mandatos legislativos ocorre no Brasil em flagrante atropelo da Constituição de 1988.

A elite opiniosa da Jovem Pan, tão ciosa da moral e dos bons costumes, paladina da ética e palmatória do mundo, deveria zelar pela Constituição do país e ficar mais atenta às leis menores.

Afinal de contas, não fica bem para uma emissora tão poderosa, símbolo da elite da avenida Paulista, depreciar os dispositivos da lei tucana que instituiu o Serviço de Radiodifusão Comunitária.

As rádios comunitárias, mesmo com uma legislação restritiva, vêm proporcionando oportunidades a milhões de brasileiros que jamais teriam acesso aos microfones dos barões da mídia.

Nestas pequenas emissoras são revelados talentos musicais de centenas de municípios, cantores e cantoras que jamais seriam tocadas nas chamadas grandes emissoras.

É nas rádios comunitárias que está a informação de interesse local, do povoado, da roça, do bairro, do comércio na cidade pequena, de gente simples e suas múltiplas vozes.

Este Brasil profundo e criativo a Jovem Pan não respeita. E talvez nem conheça.

A verborragia sobre as rádios comunitárias é a mesma que destila ódio contra os pobres que ascenderam no Brasil, os negros, índios, quilombolas e o pensamento crítico em geral.

Quem ouve certos comentaristas da Jovem Pan tem certeza que a linha editorial desta emissora é uma decadente volta ao passado, algo até pior e mais violento aos ouvidos e às mentes que a velha catilinária da UDN de Carlos Lacerda.

PTB no cravo e na ferradura

Enquanto a reforma política não chega, os partidos vão se arrumando de todas as formas possíveis, rasgando as cartas-programa e as resoluções, que não passam de meros textos decorativos.

O PTB, por exemplo, apoia tucanos e comunistas, simultaneamente: Geraldo Alckmin presidente e Flávio Dino governador.

Pedro Fernandes e o novo aliado Flávio Dino

A peripécia eleitoral é obra do deputado federal Pedro Fernandes (PTB), que desembarcou da nau de José Sarney e já está de malas e cuias no barco do governador do PCdoB no Maranhão.

Seu filho, o vereador Pedro Lucas, já faz parte da gestão comunista desde 2017, como titular da Agência Metropolitana.

Atraído pela força gravitacional do Palácio dos Leões, o PTB é um dos 14 partidos da coligação governista que disputa a reeleição, com Flavio Dino na cabeça.

Indefinição de Roseana Sarney emperra a candidatura de Eduardo Braide

Os diversos naipes da oposição conservadora no Maranhão apostam suas fichas no segundo turno. O plano consiste em lançar várias candidaturas contra o governador Flávio Dino (PCdoB) e empurrar a disputa para adiante.

Mas, existe um cenário real para a decisão logo no primeiro turno.

Neste momento a candidatura de Roseana Sarney (PMDB) é dúvida. Até agora não houve um ato público que assegure a filha de José Sarney (PMDB) na disputa.

Se tivesse certeza, ela já estaria em campo há muito tempo, se movimentando junto aos presidenciáveis, deputados e prefeitos em pré-campanha aberta.

Nada disso está em curso.

O recuo de Roseana Sarney tem um reflexo imediato no projeto de candidatura governamental do deputado estadual Eduardo Braide (PMN).

Ele sonha em ir para o segundo turno, repetindo o fenômeno eleitoral de 2016, quando disparou no debate eletrônico e quase toma a reeleição do prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Junior (PDT).

Mas Braide só pode pensar no segundo turno se Roseana for candidata. E ela parece não ser….

Além dessa dificuldade, o deputado não tem sequer três partidos médios que possam lhe assegurar coligação e tempo de propaganda.

A opção do PSDB pela candidatura do senador Roberto Rocha ao governo, anunciada pelo tucano-presidenciável Geraldo Alckmin, foi uma pá de cal nas pretensões de Braide.

Diante deste cenário ele deve refazer o cálculo e disputar o mandato de deputado federal agora em 2018, pavimentando a estrada para tomar a Prefeitura de São Luís em 2020.

Na posição de deputado federal ele terá mais condições de arregimentar forças para 2020 e 2022. Ainda jovem, Braide sabe que a prefeitura da capital é o caminho para ser governador.

E sem ele na disputa de 2018, Flavio Dino fica mais perto da reeleição em primeiro turno.

Conheça o perfil do eleitorado maranhense em 2018

Artigo do professor mestre Ricardo Costa Gonçalves apresenta um mapeamento dos eleitores no pleito de 2018 no Maranhão

De acordo com dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil tem hoje 146.988.142 eleitores aptos a votar no dia 7 de outubro. No Maranhão, são 4.583.849 eleitores aptos, o que representa 3,12% do total de eleitores em situação regular com a Justiça Eleitoral do país. A capital do Maranhão, São Luís, tem 674.958 eleitores aptos, o que corresponde a 14,7% do eleitorado maranhense que está pronto para escolher presidente, governador, senador, deputado federal e estadual.

No Maranhão, o número de eleitores aptos aumentou em 1,9% em relação às últimas eleições gerais, em 2014, quando estavam aptas a votar, em todo o país, mais de 4.497.869 de pessoas. O eleitorado maranhense é formado por 2.374.378 mulheres (51,8%) e 2.208.727 homens (48,2%).

Gráfico 01 –Eleitores por Sexo – Maranhão – 2018

A maioria do eleitorado maranhense tem entre 25 a 34 anos que corresponde a 1.103.501(24,1%), seguido por aqueles entre 45 a 44 que corresponde a 932.269 (20,3%) e 21 e 24 anos, que corresponde 462.820 (10,1%).

Gráfico 02 – Eleitores por Faixa Etária – Maranhão – 2018

Dos 4.583.849 eleitores aptos a votar nestas Eleições 2018 no Maranhão, 1.275.209 (28,4%) tem o ensino fundamental incompleto como grau de instrução e 913.090 (20,3%) só leem e escrevem. Os analfabetos somam 592.006 (13,2%) e apenas 126.047 (2,8%) completaram o ensino superior.

Gráfico 03 – Eleitores por Grau de Instrução

A capital do Maranhão, São Luís, tem 674.958 eleitores aptos a voltar nas eleições de 2018. Destes 305.580 (45,3%) são homens e 369.378 (54,7%) são mulheres.

Gráfico 04 – Eleitores por sexo – São Luís – 2018

A maioria do eleitorado da capital maranhense tem entre 25 a 34 anos, faixa que corresponde a 166.965 (24,7%), seguido por aqueles entre 45 a 59 que corresponde a 158.047 (23,4%) e 35 e 44 anos, que corresponde 152.304 (22,6%).

Gráfico 05 – Eleitores por Faixa Etária – São Luís – 2018

No que tange ao grau de instrução, a capital maranhense, tem 288.384 (42,7%) com ensino médio completo e 89.437 (13,3%) tem o ensino médio incompleto. Além disso, 89.066 (13,2%) têm o ensino superior completo, e 88.237 (13,1%) tem o ensino fundamental incompleto. Os analfabetos somam 7.474 (1,1%).

Gráfico 06 – Eleitores por Grau de Instrução – São Luís – 2018

A maioria do eleitorado maranhense é de mulheres (3,63% a mais que os homens), está na faixa etária de 25 a 34 anos e tem apenas o ensino fundamental incompleto. Na capital maranhense a diferença entre mulheres e homens é 9,4%, mais significativa do que no Estado. A maior parte dos eleitores está entre a faixa etária dos 25 a 34 anos, que corresponde a 24,7%.  Além disso, 42,7% dos eleitores da capital têm apenas o ensino médio completo, e apenas 13,2% dos eleitores tem ensino superior completo. Outro dado positivo dos eleitores da capital em relação aos eleitores do Estado é quanto ao analfabetismo, na capital é de 1,1%, e no Estado é 13,2%.

Ricardo Costa Gonçalves é graduado em Matemática, professor, técnico do Núcleo de Extensão e Desenvolvimento – Labex/Uema, Mestre em Estado Governo e Políticas Públicas pela FLACSO (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais).

Cemar é a maior inimiga dos moradores e turistas em Santo Amaro, nos Lençóis Maranhenses

Descaso, falta de respeito e humilhação. É assim que a Companhia Energética do Maranhão (Cemar) trata a população de Santo Amaro, localizada há 235 Km de São Luís e apenas 94 Km de Barreirinhas, ambas no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

Somente no fim de semana prolongado pelo feriado do Dia do Trabalhador, quando a cidade recebe maior número de familiares santamarenses e turistas, a cidade ficou sem luz por dois dias.

O primeiro apagão estendeu-se da meia noite de sábado (28) até 11 horas de domingo (29), com suspensão total no fornecimento.

Hoje (1º de maio) a cidade ficou com luz precária, devido às constantes oscilações, do meio dia até 17 horas.

Estes dois episódios são apenas recortes de uma situação que já se transformou em regra na cidade que está posicionada entre as mais importantes do turismo na Rota do Sol, que compreende o litoral do Maranhão até o Ceará.

Nem mesmo a construção da estrada MA-302, que dá acesso a Santo Amaro, fez com que a Cemar melhorasse o fornecimento de energia.

Na verdade a falta de energia passou a ser a rotina, devido às constantes interrupções e oscilações.

Os prejuízos para os moradores, comerciantes e turistas são incalculáveis e vão desde a “queima” de aparelhos eletrodomésticos até a evasão dos visitantes dos hotéis e pousadas.

Potencial desperdiçado

Embora Barreirinhas receba a fama de ser a cidade-polo das belezas do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, Santo Amaro tem um vasto repertório de opções para o turismo.

Às margens do rio Alegre, o município dispõe de um amplo conjunto de dunas e lagoas. Devido à beleza exuberante, a cidade já foi cenário do filme “Casa de Areia”, de Andrucha Waddington, estrelado por Fernanda Torres, Fernanda Montenegro e Stênio Garcia.

Turistas do mundo inteiro são atraídos pelas lagoas naturais e dunas de Santo Amaro.

A proprietária da pousada e restaurante Sol de Amaro, Maria Aparecida Rocha, viveu mais de 20 anos no Rio de Janeiro, voltou para sua cidade natal, investiu no turismo e repudia o serviço ofertado pela Cemar (veja o vídeo).

Quebra no comércio

Proprietários de restaurantes, pousadas, bares, sorveterias, panificadoras e outros empreendimentos sentem no bolso, duplamente, os estragos causados pela Cemar.

Duplamente porque perdem clientes e pagam contas altíssimas.

A Cemar não é uma empresa perversa apenas porque deixa uma cidade inteira sem energia. Ela é também nefasta porque sequer dá uma satisfação aos usuários do serviço pelas suas falhas.

Pior que o péssimo serviço é a indiferença diante dos maus tratos com a população e os turistas, que fazem da Cemar uma empresa autoritária, pedante, violenta, agressiva, cruel e tantos outros adjetivos necessários para “qualificar” a pior comerciante de energia elétrica de todos os tempos no Maranhão.

A empresa não é ruim apenas devido às falhas. É pior porque extorque seus clientes, é nociva porque cobra absurdamente por um serviço péssimo.

Os usuários sentem a violência da Cemar, literalmente, na pele.

Sem energia elétrica, os moradores e visitantes ficam impossibilitados de ligar ventiladores e ar condicionados para espantar os insetos, mosquitos e muriçocas dentro das casas, principalmente no período das chuvas.

Violência contra todos

Santo Amaro é apenas uma das cidades atacadas pela violência de lucros da Cemar. Na verdade, todos os municípios do Maranhão sofrem com as práticas mercadológicas agressivas desta companhia negociante de energia.

Quantas pessoas pobres são obrigadas a reservar parte do seu orçamento para esta ditadura energética?

Quantos pequenos e médios empreendimentos nas áreas urbanas e rurais tiveram seus negócios inibidos pelos preços abusivos praticados pela Cemar?

Quantas oportunidades de negócios, geração de emprego e renda foram abortadas devido às imposições tarifárias da Cemar?

A população de Santo Amaro, castigada e humilhada, ecoa o grito de todos os municípios. E a Cemar já merece o título de maior inimiga do desenvolvimento do Maranhão.

Imagem: Ed Wilson Araújo / Santo Amaro alagada e sem luz na manhã de 28 de abril/2018.