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#tbt do artigo “Precisamos ouvir os tambores e os orixás”

Por Ed Wilson Araújo
Texto publicado originalmente no jornal Vias de Fato, ano VIII, edição 68, São Luís dez/2017 – jan/2018

A tarde de 25 de outubro de 2017, no auditório central da UFMA, tem de ser contada e recriada em muitas narrativas, como faziam os antigos em volta da fogueira. Eu vou contar o que vi e ouvi, ainda no calor da emoção das palestras da quebradeira de coco Rosa Gregório e do índio Kum’Tum Akroá Gamela, na mesa de encerramento do I Seminário Comunicação e Poder no Maranhão.

A palestra formal começou por volta das 4 horas da tarde, quando Gregório e Gamela começaram a falar no palco principal. Se eu fosse escrever uma notícia, a regra jornalística manda disciplinar o tempo. Mas, olhando atentamente, percebi que eles iniciaram a palestra muito antes da cronologia fixa do evento.

No final da manhã, Kum’Tum Akroá Gamela empunhava o seu maracá e cantava e dançava com seus parentes no hall do auditório. A palestra já havia começado ali, naquele ritual dos ancestrais, invocando os espíritos das florestas e das águas e dos ventos.

Naquele momento, sintonizados no sacolejo do maracá e no movimento dos corpos, havia uma comunicação intensa, em alta voltagem, produzida pelo som do instrumento e do coro de vozes que acompanhava o canto guerreiro.

Aquilo para mim já era o rádio ao vivo, sintonizado em uma frequência não autorizada pela burocracia governamental do pomposo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Estavam reunidas magia e técnica, de tal forma que maracá virou microfone e coro de vozes se transformou em amplificador.

Em um dos momentos da sua palestra, Kum’Tum Gamela disse que na maioria dos protestos e manifestações realizados pelos povos e comunidades tradicionais eles usam, no máximo, o carro de som, mas o que dá a tônica da luta são os próprios dispositivos rústicos que de fato conseguem agregar, convocar e comunicar os indígenas, quilombolas e quebradeiras de coco.

Eu vi, também, no momento presente da fala de Kum’Tum Gamela, um garotinho de cocar na cabeça empunhando um tablet e filmando a palestra. O tambor tribal conectava-se à aldeia da aldeia global. Aquela cena ilustrou uma visada sobre como as tecnologias podem dialogar no ambiente da convergência de saberes e ideias.

Para além do bem e do mal, o tambor e a internet são duas plataformas de comunicação que reúnem distintas potencialidades. Penso que nesta fronteira está um ponto de convergência do I Seminário Comunicação e Poder no Maranhão, no que toca aos desafios da comunicação popular.

Não tenho receita pronta, mas algumas pistas. Cabe aos movimentos sociais do campo e da cidade construir uma expertise para usar os dispositivos antigos e as novas tecnologias a favor das narrativas dos invisíveis e oprimidos. Na melhor tradução de Kum’Tum Gamela, “o tambor é a voz dos orixás”, a fonte de conhecimento essencial na comunicação dos povos e comunidades tradicionais.

Alinhada a esse pensamento, a quebradeira de coco e líder sindical Rosa Gregório foi direto ao ponto: “os nossos encantados nos inspiram”. Na prática, esta sacada teórica se materializou em uma aula exemplar de edição jornalística.

Ela contou que a cobertura dos meios de comunicação sobre os povos do campo não foca o essencial – a cerca e o latifúndio. Os relatos jornalísticos, no geral, enquadram a mulher da roça na perspectiva do sofrimento. “Quebradeira de coco não é coitadinha”, frisou.

A fala de Rosa Gregório incorporou o sentido pleno da comunicação como direito humano fundamental e, dialeticamente, reivindicou o direito de informar e ser informada. No entendimento dela, as coberturas jornalísticas precisam “saber o que é o quilombola de verdade”, embalada na ideia de que as comunidades tradicionais precisam contar a sua própria história, a partir dos seus saberes e práticas culturais.

Das duas palestras, foi possível extrair uma tese corroborada pela tônica geral dos dois dias do I Seminário Comunicação e Poder no Maranhão. “A gente chegou ao poder, mas o poder controlado pelos nossos inimigos”, decifrou Kum’Tum Gamela, no contexto de que os governos petistas no Palácio do Planalto e o comunista no Maranhão ganharam eleições mas não fizeram mudanças profundas nas estruturas opressoras.

No que toca à distribuição de verbas publicitárias, o jornalista Emílio Azevedo falou direto e reto: os governos privilegiam os ricos para silenciar os pobres. Assim, comunicação é, sobretudo, uma questão de luta de classes.

O capital rentista associa-se aos conglomerados de mídia para produzir uma narrativa que garanta, acima de qualquer coisa, a reprodução do modo de produção capitalista, essencial ao abismo entre a casa grande e a senzala.

Para além dos meios e das mensagens, o ponto fixo concreto é esse: os poderes econômico, político e midiático operam a hegemonia.

Mas, longe de uma interpretação pessimista do mundo, o I Seminário Comunicação e Poder no Maranhão serviu para reunir pessoas movidas a sonhos e pautas comuns, turbinadas pela sede e fome de liberdade e democracia.

“A resistência está sendo feita, se comunicando do jeito que a gente sabe comunicar e não do jeito que os outros querem”, vaticinou Rosa Gregório. A lição mais importante contada por esta valente quebradeira de coco é a de que, no geral, ela não se sente representada na quase totalidade dos relatos jornalísticos.

Sem a necessidade dos requintes acadêmicos convencionais, o seminário também marcou pela qualidade na formação das mesas de conversa e na metodologia construída. Em um evento sobre comunicação e poder, ouvir os povos e comunidades tradicionais foi o maior ganho.

Eu não poderia chegar ao fim do presente texto sem lembrar o começo. A performance do professor de Teatro Luiz Pazzini, inspirada em Maiakóvski, serviu para abrir caminhos neste agitado mar da História que sempre haveremos de atravessar. Como diz o poeta:

 E então, que quereis?

Fiz ranger as folhas de jornal abrindo-lhes as pálpebras piscantes.

E logo de cada fronteira distante subiu um cheiro de pólvora perseguindo-me até em casa.

Nestes últimos vinte anos nada de novo há no rugir das tempestades.

Não estamos alegres, é certo, mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?

O mar da história é agitado.

As ameaças e as guerras havemos de atravessá-las, rompê-las ao meio, cortando-as como uma quilha corta as ondas.

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As belezas e os contrastes das praias de São Luís

Na Ilha do Amor, São Luís do Maranhão, julho só não é mais lindo que setembro.

Este meio de ano marca o fim das chuvas e os pores do sol intensos, explosivos, como se fossem bolas de fogo apagando no mar.

A imagem desse post foi capturada na praia da Ponta d’Areia.

É belo de ver, mas não se pode desfrutar totalmente. As águas poluídas não recomendam o banho.

Quando setembro chegar, o visual vai ficar ainda mais esplendoroso porque a água, embora poluída, perde um pouco do tom achocolatado e fica mais clara, quase esverdeada.

A mudança de tonalidade acontece porque durante o primeiro semestre, sempre chuvoso, o mar de São Luís recebe um grande volume de água dos rios que desembocam na baía de São Marcos, arrastando para as praias lixo orgânico dos leitos de água doce.

De julho em diante, com a escassez de chuvas e menos enxurradas dos rios, a água fica visualmente mais limpa e clara, mesmo que poluída por esgotos.

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Potenciais e obstáculos ao turismo no Maranhão

Localizado no litoral ocidental do Maranhão, no município de Apicum-Açu, este porto é um dos principais entrepostos comerciais de peixes e mariscos da Reserva Extrativista Marinha (Resex) de Cururupu.

Saída do porto de Apicum-Açu a caminho das ilhas do Arquipélago de Maiaú

É também um lugar estratégico para o turismo na região da Floresta dos Guarás.

Através do porto você pode tomar uma embarcação e chegar até a lendária Ilha dos Lençóis e ao conjunto insular do Arquipélago de Maiaú, composto por 17 localidades ricas em biodiversidade e encantos visuais.

A Ilha de Lençóis e conhecida pela presença de pessoas com albinismo e referenciada nas encantarias relacionadas ao sebastianismo.

Conta a lenda que o rei de Portugal, Dom Sebastião, morto no século 16, durante uma batalha na África, aparece nas noites de lua cheia montado em um cavalo ou touro ornamentado por joias e cavalga sobre as dunas de areia branca da Ilha dos Lençóis.

A ilha tem uma ótima receptividade, pousadas e acolhida comunitária. Tudo isso é muito bom, mas… o problema é conseguir chegar em Apicum-Açu.

A viagem é longa e tem vários obstáculos. O primeiro deles é o péssimo serviço de ferry-boat na travessia entre São Luís e Cujupe.

Se o viajante optar pelo trajeto totalmente terrestre, através de Vitória do Mearim, tem de enfrentar uma das piores estradas do Maranhão – a MA-014.

Enfim, tenhamos fé, um dia as coisas vão melhorar.

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Cadê o busto de Maria Firmina dos Reis?!

Aí vai uma dica para os interessados em pesquisa sobre Maria Firmina dos Reis e as memórias do Maranhão.

O jornal O Imparcial de 11 de novembro de 1976 publica um precioso artigo do escritor Nascimento Morais Filho, com o título “Rememorando a glorificação de Maria Firmina.”

O texto é acompanhado de foto que registra a inauguração de um busto, localizado na praça Deodoro, em homenagem à escritora e primeira romancista do Brasil.


A legenda diz: “A glorificação de Maria Firmina dos Reis foi o maior acontecimento cívico e literário do ano de 1975.”

O monumento, inaugurado pela então primeira dama do Estado do Maranhão, Delcy Nunes Freire, junto com o governador Nunes Freire, no seu mandato de 1975 a 1979, tem a escultura de Maria Firmina enrolada na bandeira do Maranhão.

E agora fica a pergunta: o que fizeram com o monumento original, que não existe mais?!

A publicação do jornal O Imparcial está disponível no acervo de jornais da Biblioteca Pública Benedito Leite.

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Jargão ‘comunossocialismo’ é confuso e impreciso

“Nem um, nem outro!” Assim reagiu uma atenta observadora da cena política do Maranhão ao ler uma das manchetes compartilhadas com freqüência por vários blogs locais: “Deputados comunossocialistas tentam cassar prefeito aliado de Brandão em Colinas”.

A notícia tratava de um suposto racha entre os grupos liderados pelo ministro do SFT e ex-governador Flavio Dino (PCdoB) e o governador Carlos Brandão (PSB).

Para a mencionada observadora, pedagoga e doutoranda, “comunossocialistas” não expressa com o devido cuidado conceitual o legado teórico e prático dos socialistas e comunistas.

A pergunta é: como o Maranhão pode ter um campo político assim designado se a estrutura oligárquica permanece firme e forte, renovada com o velho filhotismo eleitoral?

Outra pergunta: é possível falar em utopias revolucionárias em um dos estados mais pobres do Brasil, vivendo na idade política da pedra lascada, “governado” pelo multideputado Josimar de Maranhãozinho, ministros do naipe de Juscelino Filho e André Fufuca, e vereador do tipo de Paulo Vitor?

É preciso sublinhar ainda que o jargão comumente utilizado por alguns jornalistas e blogueiros não expressa o alinhamento dos grupos partidários mutantes a cada eleição. Eles são de tal modo heterogêneos, contraditórios, líquidos e passíveis de constantes agregações, diásporas e ressignificações que se torna impossível separar o joio do trigo.

Tudo no Maranhão se mistura e separa de acordo com os interesses econômicos e eleitorais que têm uma referência superior, acima de tudo e todos(as), chamado Palácio dos Leões.

No geral, os jornalistas, ao noticiarem o cotidiano, acumulam registros que futuramente serão fonte de consulta dos historiadores, pesquisadores e curiosos.

Fica aqui a sugestão aos jornalistas e blogueiros para refletirem sobre as manchetes e o noticiário que evidenciam um suposto “comunossocialismo” tupiniquim.

Para evitar confusões e imprecisões na História, seria mais apropriado trocar “comunossocialismo” por “dinismo”, fazendo jus ao legado e ao poder do atual ministro do Supremo Tribunal Federal (SFT), Flavio Dino, que segue mais forte, na fila de pré-candidato a presidente do Brasil.

Guardadas as devidas proporções, características e diferenciações, é bem mais pertinente utilizar os jargões alinhados aos seus respectivos significados práticos e históricos, condizentes aos fatos.

Em ordem cronológica, o Maranhão já teve o vitorinismo, em referência ao mandonismo do ex-interventor Vitorino Freire; e o sarneísmo, relativo à longa temporada do oligarca José Sarney.

A era atual é o dinismo e não “comunossocialismo” .

Sem citar Michel Foucault, a astuta pedagoga diz que “comunossocialismo” é uma caótica mistura das palavras com as coisas e as criaturas e, no final, não é uma coisa nem outra.

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Mobiliza SLZ é referência da economia criativa

Evento conectou mais de mil empreendedores e faz história na quarta edição, articulando arranjos produtivos com mais de 70 ações pela capital maranhense, de 16 a 24 de novembro. Destaque deste ano foram as ações nos Territórios Criativos.

A quarta edição do Mobiliza SLZ, maior movimento de incentivo à economia criativa, cultura e turismo do Maranhão e da região, chegou ao fim no último dia 24 de novembro, após nove dias de intensa programação em São Luís. O evento, que ocorreu de 16 a 24 de novembro, consolidou-se como um importante catalisador de negócios criativos, conectando empreendedores, artistas e muita gente inovadora de diversas áreas. Com mais de 70 eventos e ações distribuídos pela cidade, o Mobiliza SLZ destacou o poder da colaboração e a importância do empreendedorismo criativo para o desenvolvimento econômico e social da região.

Idealizado pelo Sebrae Maranhão e realizado pela primeira vez em 2021, o Mobiliza SLZ vem crescendo ano após ano, ampliando o alcance e o impacto de suas ações. A edição de 2024 foi especialmente marcada pela interação entre os negócios criativos e pelo espírito de união entre os participantes, além do fortalecimento do empreendedorismo nos mais diversos setores da economia criativa, como artesanato, moda, música, cinema, dança, cultura, games, entre outros. Ao todo, direta e indiretamente, mais de mil empreendedores criativos participaram ativamente, promovendo trocas de experiências que ajudaram a consolidar ainda mais o movimento.

O diretor técnico do Sebrae Maranhão, Mauro Borralho, ressaltou a importância do movimento para o fomento da economia local e o impacto nas comunidades criativas. “O Mobiliza SLZ tem sido um verdadeiro motor para o desenvolvimento da economia criativa no Maranhão. Desde a primeira edição, em 2021, o movimento só cresceu, e este ano conseguimos ver, na prática, o resultado do trabalho de centenas de empreendedores. Mais do que nunca, ficou claro que a economia criativa é um pilar fundamental para o crescimento sustentável de nossa região, gerando emprego e renda, além de valorizar nossa rica cultura.”, acentuou.

Na quarta edição do Mobiliza SLZ, também chamou a atenção a realização de ações e eventos que promovem o orgulho de ser maranhense, como, por exemplo, as atividades ligadas ao movimento Reggae. O afroempreendedorismo, bandeira da Feira MA Preta, foi fortalecido, assim como o empreendedorismo feminino, bastante presente em todas as feiras criativas da programação.

Força feminina

Quase 70% dos realizadores de eventos do Mobiliza SLZ foram mulheres. Além disso, alguns grupos culturais, como o Boi d’Itapari e o Laborarte, realizaram atividades que atraíram grandes públicos e mostraram outras formas de manter o faturamento fora do período junino. Também houve espaço para o mercado geek e a cultura do k-pop, debates do ecossistema de inovação e encontro de desenvolvedores de games, o que evidencia outros aspectos da economia criativa aliada à tecnologia.

Danielle Abreu, coordenadora-geral do Mobiliza SLZ, destacou o espírito colaborativo como um dos pontos altos desta edição. “Este ano, conseguimos estabelecer uma conexão ainda mais forte entre os criativos de São Luís. O que vimos foi uma verdadeira união entre os empreendedores, compartilhando suas vivências e aprendizados, e isso é o que fortalece o movimento. O Mobiliza SLZ vai além de um movimento; ele representa a potência transformadora da economia criativa na nossa cidade e no nosso estado.”, pontuou.

Idealizador do Mobiliza SLZ, o Sebrae Maranhão também realizou uma importante ação com a equipe da Unidade de Mercado, em parceria com o Sindbebidas e a Associação dos Donos de Bares da Avenida Litorânea: o “Sabores do Mará”, que promoveu a degustação de bebidas destiladas genuinamente maranhenses (Capotira, Baronesa, Vale do Brejão, Vale do Riachão, Santo Ambrósio, Gin Luar e Reserva do Zito) em 15 bares e restaurantes da Litorânea, em dias alternados (Barraca do Chef, Casa da Peixada, Estrela Dalva 2, Barraca da Marcela, Bar da Jacira, Kalamazoo, Bar da Vitória, Landruá, Adventure, Barraca do Henrique, Barraca do Samuka, Carnaubar, Mallibu, Ohana e Açaí Raízes).

Territórios Criativos

Um dos grandes destaques da edição 2024 foi a robusta participação dos Territórios Criativos de São Luís – regiões como Itaqui-Bacanga, Liberdade, Centro, Coroadinho e Cidade Operária, que se transformaram em verdadeiros polos de inovação e empreendedorismo. A presença dessas comunidades foi essencial para ampliar o impacto social do Mobiliza SLZ, proporcionando novas oportunidades de negócios e destacando talentos locais que movimentam a cultura e a economia da cidade. A mobilização desses territórios gerou uma transformação significativa, não apenas nas áreas diretamente envolvidas, mas em toda a cidade, reafirmando a importância da inclusão e da diversidade no movimento.

Centro: Entre os cinco Territórios Criativos que tiveram espaço na programação, a região do Centro de São Luís foi a que mais concentrou atividades, em todos os nove dias do movimento. Nessa importante localidade, foram realizadas diversas feiras criativas, saraus, passeios turísticos, experiências gastronômicas, além de apresentações culturais e oficinas voltadas ao empreendedorismo.

Por sua relevância geográfica e histórica, o Centro também foi a área escolhida pela organização do Mobiliza SLZ para a realização do “Dia D”, ocorrido em 20 de novembro, data simbólica de luta antirracista com o Dia da Consciência Negra. O “Dia D” envolveu diversos parceiros, como o SESI Casarão da Indústria, a Agência Marandu e o Restaurante Quintas da Lisboa, em uma grande mobilização que ocupou a praça João Lisboa e o Largo do Carmo ao longo de todo o dia.

No Itaqui-Bacanga, houve batalhas de rimas de hip hop; oficinas de empreendedorismo, práticas esportivas, culturais e de lazer no evento “Trilhas para a Prosperidade”; e passeio turístico pelo rio Bacanga. Já no Quilombo Liberdade, houve passeio histórico, experiência gastronômica; programação com feiras, desfile e debates na Semana da Consciência Negra; além do evento “Ritmos da Favela”. Na região do Coroadinho, houve uma movimentada feira criativa. E na área da Cidade Operária/Cidade Olímpica, rolou uma extensa programação antirracista no festival criativo “Territórios de Resistência”.

“Minha gratidão e carinho imensos pela acolhida desde o início. Deu muito certo furar a bolha, porque os Territórios Criativos são um celeiro de riquezas infinitas e muitas vezes invisibilizadas. Saio para além de feliz por termos conseguido graças ao Mobiliza SLZ estimular o sentimento de rede, parceria e conexão entre as organizações de base comunitária que fazem parte da Rede de Prosperidade Familiar. Isso tudo é tão verdade que uma das lideranças me pediu para manter esse nome e que sejam atividades fixas dentro do projeto”, enfatizou Déborah Arruda, coordenadora de projetos do Cieds Brasil no Maranhão, que realizou as ações do “Trilhas para a Prosperidade”, com integrantes da Rede de Prosperidade Familiar.

Com a conclusão da quarta edição, o Mobiliza SLZ reafirma seu compromisso com a economia criativa e se projeta para o futuro com ainda mais força, consolidando-se como um movimento essencial para o fortalecimento do turismo, da cultura e do empreendedorismo criativo em São Luís e em todo o Maranhão. O legado deixado por esta edição certamente impulsionará novas ideias e projetos, contribuindo para o crescimento e o reconhecimento da cidade como um hub criativo no cenário nacional e internacional.

Imagem destacada: Centro Histórico de São Luís e outros bairros da capital receberam passeios guiados durante o evento (Foto: Divulgação/Mobiliza SLZ)

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Memórias do PT: Manoel da Conceição homenageado no Prêmio Fapema de 2017

O líder camponês Manoel da Conceição, um dos fundadores do PT, junto com Lula, foi homenageado no Prêmio Fapema (Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão).

A premiação de Honra ao Mérito teve como patrono o jornalista e político Neiva Moreira. Na edição de 2017 do Prêmio Fapema o secretário de Ciência e Tecnologia era Bira do Pindaré e o presidente da Fapema Alex OIiveira.

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Escuta Ciência: 5º episódio aborda pesquisa sobre os grandes tradutores de livros, no século XIX, em São Luís

Você sabia que o clássico “Os miseráveis”, de Victor Hugo, foi traduzido e publicado em São Luís poucos meses depois do lançamento da obra na Europa?

Essa é uma das revelações da pesquisa do doutor em Estudos Portugueses pela Universidade Nova de Lisboa (Portugal), Roberto Sousa Carvalho, autor do livro “Maranhão, província tradutora: livros e tradutores em São Luís do séc. XIX”, publicado pela Editora da UFMA.

O 5º episódio do Escuta Ciência (clique aqui para ouvir) conversou com o pesquisador sobre o movimento intelectual formado por médicos e escritores dedicados ao ofício de traduzir relevantes textos que circulavam fora do Brasil.

O programa aborda também o surgimento da imprensa no Maranhão, em 1821, no nascedouro do jornal “O Conciliador”, além da pujante produção gráfica e editorial das tipografias instaladas em São Luís naquele período.

Escuta Ciência é um programa de divulgação científica que tem o objetivo de popularizar trabalhos acadêmicos ou da cultura popular. A produção tem apoio da Apruma Seção Sindical e é fruto da Oficina de Divulgação Científica realizada durante a greve dos docentes e técnicos administrativos da UFMA, no primeiro semestre de 2024.

O programa tem produção e apresentação dos professores Carlos Agostinho Couto e Ed Wilson Araújo.

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Inundações. E quando for a vez do Maranhão?

Artigo chama atenção para as cheias do rio Mearim e a importância do uso sustentável dos campos naturais, na Área de Proteção Ambiental (APA) da Baixada Maranhense, como forma de prevenir alagamentos em grandes proporções. Veja o que pode ocorrer se os campos naturais forem depredados.

Texto e imagens de Adriano Almeida, cidadão.

A catástrofe que aflige o Rio Grande do Sul neste ano de 2024 é aterradora. O flagelo sofrido pelo povo gaúcho diante das chuvas torrenciais que atingem implacavelmente aquela região comove a todos. Diariamente, os boletins de informações emitidos pelos órgãos públicos e pela imprensa trazem notícias que nos afetam, nos causam perplexidade e instigam nossa empatia para nos engajarmos, dentro das possibilidades de cada um, nas campanhas de doação, além de manter viva a esperança de rápida reconstrução do Rio Grande do Sul quando esta tormenta cessar.

Por ora, a prioridade é acolher as famílias vitimadas e ajudá-las a seguir em frente, resgatando sua dignidade para uma vida ressignificada. O Rio Grande do Sul será reconstruído, talvez com a oportunidade de repensar e incrementar o uso sábio dos seus recursos naturais. Será essencial refletir sobre aqueles que se foram e aqueles que perderam tudo, reconhecendo a correlação entre suas vidas e o ambiente natural circundante. Essa é a nossa esperança.

Neste contexto, é natural refletir sobre a possibilidade de que o cenário ocorrido no Rio Grande do Sul possa se repetir em outro lugar, especialmente onde vivemos. E quando for no Maranhão? Como será? Essa provocação nos impõe a pensar sobre os contextos e cenários possíveis, mesmo que de forma ainda especulativa, mas de forma genuína e sincera. É necessário pensar e agir para prevenir, entendendo nosso meio ambiente frente às mudanças climáticas e à intensidade dos ciclos hidrológicos que o planeta enfrenta, que doravante serão deflagradores de situações extremas com maior frequência.

O cenário que ocorre no Rio Grande do Sul pode se repetir em qualquer lugar. Cabe às cidadãs e cidadãos atentos contribuírem com a sociedade para que ela possa imaginar os cenários e preveni-los.

Algo que chama bastante a atenção no repertório de informações trazido pela catástrofe gaúcha é a relação direta entre a cota altimétrica dos rios e o volume das chuvas em milímetros. A partir dessas variáveis lançamos olhares para nosso contexto.

Em nossa realidade geográfica, junto ao estuário do Rio Mearim, onde estão inseridas as comunidades dos municípios de São Luís, Bacabeira, Santa Rita, Anajatuba e demais municípios da Baixada Maranhense, observamos os campos naturais secularmente ocupados desde os períodos pré-históricos e que acolheu a civilização lacustre do Maranhão.

Nos municípios referidos, as cotas altimétricas são muito baixas; as margens do núcleo urbano de Anajatuba medem apenas 5 metros de altitude, enquanto o interior dos seus Campos Naturais oscila entre 3 e 4 metros. Em Santa Rita e Bacabeira, o cenário se repete.

Perfis altimétricos obtidos junto ao Google Earth Pro:

Anajatuba

Santa Rita

Bacabeira

Ao longo do único acesso à Capital do Estado, as principais infraestruturas de manutenção de serviços essenciais da Ilha de Upaon-Açu estão em cotas altimétricas inferiores a 3 metros de altitude, incluindo a BR-135, Estrada de Ferro Carajás, linhas de transmissão de energia elétrica e o sistema Italuís de abastecimento de água.

Nos perguntamos: e se chover mais na bacia hidrográfica do Mearim? E se as marcas históricas de cheias forem superadas em 20%, tal como no RS? Quais seriam os cenários possíveis para a Capital, Baixada Maranhense e demais regiões? Quais as marcas históricas das cheias nas regiões citadas? Quais os planos e medidas necessárias em caso de longa interrupção do acesso à Ilha?

Consideremos que nossos campos são inundáveis e alagáveis sazonalmente, refletindo suas características de relevo baixo, com média entre 0 e 5 metros de altitude. A vastidão das planícies permite o espraiamento do volume excedente do leito do Mearim sem afetar a rotina dos núcleos urbanos, adaptando a vida anfíbia do povo baixadeiro e seus costumes.

Devido às imposições da natureza, os campos nunca permitiram uma ocupação humana massiva que não fosse integrada aos seus sistemas ecológicos, que são extremamente relevantes para o controle hídrico do Mearim, e “normalmente” atingem a cota altimétrica de 5 a 6 metros no período das cheias, similar à medida de altitude registrada na tragédia de Porto Alegre.

Observando Porto Alegre, verifica-se que persistiu um cenário caótico provocado pela cheia do Lago Guaíba, com uma altitude de 5,31 metros, praticamente 20% a mais do que sua cota histórica de 1941, a qual era a referência padrão adotada no planejamento urbano.

Diante disso, percebemos que é urgente entender nossos ecossistemas, protegê-los e compreender a dinâmica hidrológica a que estamos expostos no Maranhão, para garantir margens de segurança em um futuro promissor.

É importante ressaltar que a Constituição Estadual do Maranhão e a legislação ambiental estadual determinam uma série de medidas que resguardam o uso cuidadoso daquela área, preservando o uso comunal dos campos naturais para produção econômica e livrando-os das cercas e interferências que descuidem de sua função socioambiental preciosa, inclusive alçando-os ao status de unidade de conservação na categoria de Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense.

No entanto, desde 1991, o Governo Estadual sequer elaborou um necessário Plano de Manejo tecnicamente robusto e politicamente participativo para discutir o gerenciamento racional de seus recursos naturais e o desenvolvimento econômico de forma verdadeiramente sustentável e adequada às micro-realidades locais.

Ademais, a União reconhece desde o início do século a referida área como uma “Área Úmida de Interesse Internacional” ou “Sítio Ramsar” (internacionalmente conhecidos como wetlands ou humedales), conforme preceitos da Convenção de Ramsar, haja vista também o interesse na proteção de seus terrenos de marinha que abrangem a totalidade da área alagada.

Esta condição singular de nível internacional permite aos gestores ambientais locais alçar instâncias de alto nível para promover iniciativas inovadoras alinhadas aos novos valores das políticas ambientais ao redor do planeta. No entanto, o que vemos no âmbito estadual, junto aos decisores políticos, é o usual desleixo, miopia administrativa e solene ignorância frente aos avisos científicos e técnicos.

Estamos cientes de que órgãos como a CODEVASF, UEMA, IMESC, SEMA e CPRM possuem qualificados estudos técnicos sobre o Rio Mearim. Contudo, a dúvida permanece: nesses estudos foram considerados os cenários de mudanças extremas em suas análises? Se existem, quais são? Quais os cenários possíveis?

No sentido contrário às boas práticas de gestão do desenvolvimento sustentável, vemos ações governamentais estaduais preocupantes, sobretudo, pasme-se, aquelas voltadas para interferir no sistema de drenagem dos Campos Naturais Inundáveis, sem discussões públicas e técnicas abertas e consistentes, além do afrouxamento das regras de proteção ambiental e má fiscalização de atividades poluidoras.

Por exemplo, o Governo do Estado do Maranhão atualmente incentiva (Programa PODESCAR -I) grandes empreendimentos no interior dos Campos Naturais para o desenvolvimento da carcinicultura com espécies exóticas, sem a prévia promoção sustentável da cadeia produtiva das culturas nativas secularmente adaptadas aos Campos e sem comunicação prévia para as comunidades do entorno sobre os impactos da dita política pública.

Importante ressaltar que os Campos Naturais, para além de seus potenciais ainda inexplorados, já são altamente produtivos de várias formas, como, por exemplo, através:

– do trabalho de milhares de pescadores artesanais e comerciais, em suas centenas de açudes, valas, igarapés, mangues, que garantem segurança e soberania alimentar para suas famílias e comunidades, à revelia das sempre ausentes políticas públicas de assistência técnica e científica, em um contexto riquíssimo de interação da ictiofauna fluvial e da zona costeira;

– da produção de toneladas de mel por parte dos apicultores e meliponicultores, que bravamente conseguem interagir com os manguezais dos Campos Naturais e suas floradas sem destruí-los e gerando renda, também sem a devida assistência;

– dos pecuaristas e pequenos criadores com sua imensa diversidade de rebanhos e modo de produzir;

– dos agricultores com suas variadíssimas culturas ambientadas ao ritmo da sazonalidade de cheias e secas e que são desenvolvidas em ambiente de pouquíssima incidência de assistência técnica e científica, entre outros.

Então, é justo e oportuno indagar publicamente: promover interferências na drenagem dos Campos Naturais no atual contexto de mudanças climáticas é seguro? Subverter a função socioambiental daquela área de segurança contra enchentes é responsável?

Ao nosso ver, ante os imperativos de garantia do equilíbrio ecológico da Baixada Maranhense com segurança hidrológica e a necessária promoção do desenvolvimento econômico, é certo que promover o desenvolvimento sustentável das comunidades baixadeiras, considerando seus potenciais econômicos nativos e as funções ecológicas dos Campos Naturais Inundáveis, é a grande oportunidade neste contexto de mudanças climáticas com impacto direto sobre o IDH e PIB estadual.

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Blog do Ed Wilson tem duas reportagens agraciadas no Prêmio de Jornalismo do Ministério Público

Nos anos de 2019 e 2023, o Blog do Ed Wilson teve duas reportagens vencedoras no Prêmio de Jornalismo do Ministério Público do Maranhão, ambas na categoria webjornalismo.

O trabalho de 2019 abordou a violação de sítios arqueológicos em comunidades quilombolas de Bacuri, no litoral ocidental do Maranhão, com imagens de Marizélia Ribeiro.

Veja abaixo o noticiário:

https://agendamaranhao.com.br/2019/12/14/ed-wilson-araujo-vence-premio-de-jornalismo-do-ministerio-publico-do-maranhao/

Já o texto premiado em 2023, cuja entrega ocorreu em 2024, apurou a situação de crise humanitária dos refugiados indígenas venezuelanos da etnia warao, acampados em dois bairros da região metropolitana de São Luís. As imagens são de Adriano Almeida.

Fotógrafo Adriano Almeida e Ed Wilson Araújo

Na edição 2023 também foi vencedora na categoria webjornalismo o trabalho “Seis anos após morte de detento e ações na Justiça, Maranhão não usa mais gaiolões para presos”, de Rafael Cardoso, publicado no G1 Maranhão.

Seguem os links:

https://portalpadrao.ufma.br/site/noticias/professores-e-discentes-de-comunicacao-social-da-ufma-recebem-premio-mpma-de-jornalismo

https://portalpadrao.ufma.br/site/noticias/professores-e-discentes-de-comunicacao-social-da-ufma-recebem-premio-mpma-de-jornalismo