Navegantes da injustiça

Jadeilson Cruz

Graduado em Filosofia e graduando em Comunicação Social/Jornalismo, na Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

De acordo com uma pesquisa do IBGE divulgada em abril de 2021 e realizada no quarto trimestre de 2019, cerca de 78,3% dos brasileiros estão conectados à internet. As pessoas utilizam o espaço virtual para pesquisas, compras de produtos, comentários em portais de notícias, acesso a plataformas e muito mais.

Nem todos que navegam na internet cometem injustiças, mas muitos praticam atos condenáveis. Há pessoas que no convívio social aparentam ser adoráveis e respeitosas; porém, na web, criam perfis falsos e descarregam todo o ódio acumulado. Elas sentem prazer em humilhar e menosprezar os outros.

O maluco da internet pode ser um vizinho, um parente, um professor, um colega de trabalho ou qualquer outra pessoa que você conheça. O ambiente virtual é uma oportunidade para que muitos pairam aquilo que por anos foi gestado odiosamente.

No Livro II da obra A República, de Platão, o personagem Glauco faz referência ao mito: Anel de Giges, ao falar sobre a justiça e a injustiça. Giges era um pastor a serviço do rei da Lídia. Certo dia se apossou de um anel mágico e conquistou o poder da invisibilidade.

Seduziu a rainha e com ela conspirou contra o monarca Lídio, matou-o e assim obteve o poder.

Antes de encontrar o anel mágico, Giges, o Lídio era um homem comum, aparentemente bom e justo, que vivia pacatamente. Também participava mensalmente da assembleia dos pastores, que levantava informações sobre os rebanhos do rei. E quase não era notado pela sociedade.

Glauco é bastante claro ao sugerir que, para o ser humano, a injustiça é muito mais vantajosa do que a justiça. Desse modo, a comparação entre Giges e o internauta não é absurda. O indivíduo que anonimamente, na internet, humilha e menospreza o outro, liberta-se de algo sufocante. No dia a dia muita gente tem medo de se expor e externar os preconceitos que carrega dentro de si. Assim, um perfil anônimo é como um anel mágico que possibilita poderes extraordinários.

A web está empesteada de pessoas raivosas e dispostas a macular a honra alheia. Esses indivíduos atacam os outros simplesmente por não aceitarem o diferente, e assim, invisíveis e poderosos tramam contra os que consideram impuros e indignos de viver na mesma sociedade que eles.

Tucanos arrependidos!? FHC e Alckmin confrontam Bolsonaro pelos ataques à Folha de São Paulo

São favas contadas. A derrota de Geraldo Alckmin e a vitória de João Dória conduzirão o PSDB à extrema direita, sob o comando do governador eleito de São Paulo, João Dória, que já declarou alinhamento a Jair Bolsonaro (PSL).

Considerando ainda a derrota de Antônio Anastasia em Minas Gerais, Dória será uma espécie de imperador do PSDB.

A direita tucana tradicional, representada por Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso (FHC), tem duas opções – adere a Dória ou muda/inventa outro partido de Centro, seguindo o caminho de Gilberto Kassab, fundador do PSD.

Nesse contexto de esfacelamento do PSDB, alguns sinais apontam insatisfação de Alckmin & FHC com o presidente eleito Jair Bolsonaro em relação aos ataques à Folha de São Paulo.

Pelo twitter (veja imagens), ambos repudiaram as declarações grosseiras de Jair Bolsonaro sobre a Folha. “Intimidações a jornais são inadmissíveis. Repudio as ameaças à Folha e seus jornalistas, com energia”, reclamou FHC.

“Os ataques feitos pelo futuro presidente à Folha de São Paulo representam um acinte a toda a Imprensa e a ameaça de cooptar veículos de comunicação pela oferta de dinheiro público é uma ofensa à moralidade e ao jornalismo nacional”, queixou-se Alckmin.

A Folha de São Paulo é uma espécie de “vênus platinada” (apelido da Globo) do jornalismo impresso. Os tucanos tradicionais têm por este jornal um carinho especial, fruto da afinidade ideológica – o culto ao mercado.

Os tucanos e a Folha foram parceiros no golpe de 2016. Estava tudo acertado para degolar o PT e estender o tapete de luxo para Geraldo Alckmin chegar à Presidência da República.

Mas, no meio do caminho, surgiu o imponderável. E toda a campanha de ódio alimentada pela mídia tucana deu musculatura ao fascismo.

Agora, os próprios tucanos e a Folha estão espantados com o monstro que ajudaram a criar.

Resta torcer para que as críticas no twitter levem Alckmin & FHC a um alinhamento consistente e duradouro pela democracia. E seria conveniente pedirem para sair do PSDB.

Submissão a Dória e Bolsonaro é um suicídio político dos tucanos tradicionais.

UFMA repudia postagens preconceituosas de estudante

A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) publicou uma nota repudiando a atitude do estudante Marcos Silveira, do curso de Química Industrial, que postou vários textos no seu perfil em uma rede social, sugerindo violência contra homossexuais e delação de militantes de esquerda.

Em um dos textos, na imagem acima, ele faz alusão a violência contra gays.

O tom agressivo das postagens ganhou repercussão e foi reprovado por vários estudantes. Na nota, a UFMA informa que vai apurar os fatos.

Veja abaixo a nota, que pode ser acessada neste link:

SÃO LUÍS – Na manhã do dia 29 de outubro de 2018, a Universidade Federal do Maranhão tomou conhecimento de manifestações preconceituosas, investidas de intimidação, ódio e defesa de eliminação de minorias por parte de um estudante da Instituição em sua rede social. A UFMA, alicerçada na Resolução Normativa nº 238-CONSUN, de 1º de julho de 2015, promoverá a apuração dos fatos, considerando a gravidade das declarações.

A UFMA reforça, fiel à sua história de 52 anos, sua incondicional defesa da democracia, acolhendo e respeitando os diferentes pontos de vista, mas se posicionando em colisão frontal com a agressão, seja ela física, simbólica ― verbal ou não verbal.

Na democracia, todo cidadão tem o direito à liberdade de expressão, manifestação e opinião, sem perder de vista que a publicização de certas opiniões que ferem a dignidade humana é incompatível com o Estado Democrático de Direito.

Pela urgente necessidade de um país melhor, a UFMA reitera seu repúdio, contundentemente, às postagens que fomentem o ódio, o solapamento do outro e o desrespeito aos diferentes segmentos sociais.