PT sacramenta apoio a Flavio Dino, mas rejeita Eliziane Gama para o Senado

O Encontro de Tática Eleitoral do PT do Maranhão, realizado nesta sexta-feira, na Assembleia Legislativa, definiu a aliança com o PCdoB do governador Flávio Dino.

A decisão local sacramentou o acordo nacional entre as cúpulas do PT e do PCdoB, considerando a aproximação das duas legendas no cenário nacional e a costura de uma candidatura presidencial no campo da esquerda.

Antes do encontro, o ensaio de candidatura própria do PT já havia sido retirado da pauta, bem como a postulação de Marcio Jardim para o Senado.

Apenas a sindicalista presidente da CUT, Adriana Oliveira, manteve a pré-candidatura ao Senado, apoiada por uma ala da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB) e movimento de mulheres.

A mesa encaminhou duas propostas para a votação: aliança com o PCdoB e candidatura o Senado. A primeira obteve 149 votos e a segunda, 31. Houve 7 abstenções.

Fora Eliziane

Embora tenha definido a aliança com o PCdoB, o encontro petista apresentou veto ao nome da deputada federal Eliziane Gama (PPS) na chapa majoritária do Senado.

Ao longo dos debates, várias palavras de ordem denunciaram o posicionamento da parlamentar na CPI da Petrobras e na votação do impeachment, dois momentos críticos em que Gama encurralou os petistas Lula e Dilma Roussef, fazendo coro com os golpistas.

O repúdio a Eliziane Gama chegava a unir, no calor dos debates, tendências opostas na disputa interna do PT.

PT nacional adia decisão sobre coligações no Maranhão e mais 7 estados

O Encontro de Tática Eleitoral do PT no Maranhão seria realizado em 27 de julho, véspera da convenção que vai homologar a chapa liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB), mas foi adiado para 2 de agosto.

A postergação ocorre para acertar a negociação nacional entre o PT, o PCdoB e o PSB em torno da candidatura presidencial petista. A mudança de data visa mexer no tabuleiro e pressionar os comunistas e os socialistas a desistirem do apoio ao presidenciável Ciro Gomes (PDT).

Segundo a nota da Comissão Executiva Nacional do PT, a negociação nacional pode afetar os acertos nos estados, mudando as alianças locais.

O PT vai lutar até o fim para registrar o nome de Lula na disputa presidencial e quer a adesão do PCdoB e PSB à candidatura petista, mesmo que Lula seja trocado por outro candidato durante a campanha.

Apesar do adiamento do Encontro de Tática Eleitoral, no Maranhão a maioria do PT defende aliança com o governador Flávio Dino e a hipótese de candidatura própria está descartada.

Veja abaixo a resolução da Executiva Nacional do PT.

Resolução sobre Adiamento dos Encontros Estaduais dos Estados do Amazonas, Amapá, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Tocantins e Rondônia,

Considerando que o processo de negociação com PSB e PCdoB quanto ao apoio formal à candidatura do PT à Presidência da República ainda está em andamento, sem perspectivas de conclusão no curto prazo;

Considerando que os Encontros Estaduais que podem ser afetados por esta negociação devem ser realizados após a conclusão da mesma;

A Comissão Executiva Nacional do PT decide:

Os Encontros Estaduais de Tática Eleitoral e Definição de Candidaturas do PT nos Estados do Amazonas, Amapá, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Tocantins e Rondônia, ficam transferidos para o dia 02/08/2018.

São Paulo, 20 de julho de 2018.

Comissão Executiva Nacional do PT

Imagem retirada neste site

Gastão Vieira na base de Flávio Dino põe mais dúvida na candidatura de Roseana Sarney

A movimentação de algumas figuras emblemáticas do sarneísmo na direção do governador Flávio Dino (PCdoB) põe densidade no argumento de que Roseana Sarney não é candidata “pra valer” ao governo do Maranhão.

As figuras emblemáticas são o deputado federal Pedro Fernandes (PTB) e o ex-deputado federal, ex-ministro do Turismo e presidente do PROS, Gastão Vieira.

Fernandes já está aquinhoado no governo. Seu filho, o vereador Pedro Lucas (PTB), ganhou a direção da Agência Metropolitana e é forte candidato a uma das 18 vagas na Câmara Federal.

Gastão Vieira, ainda não contemplado na máquina do Palácio dos Leões, tem confessado aos seus interlocutores que migrou para a base comunista sem contrapartida e “não está sendo fácil” encarar o rompimento com José Sarney (PMDB), traduzindo seu gesto político não como traição, mas “um ato de coragem”.

Fato concreto é que Vieira não sabe viver longe do poder. Depois de cinco mandatos de deputado federal e um ministério no governo Dilma Roussef (PT), todos no benefício de José Sarney, ele aparece na outra margem do rio e assume a candidatura à reeleição de Flávio Dino.

É um sinal a ser considerado na avaliação do cenário e aponta fragilidade na candidatura de Roseana Sarney.

Memória de 2008

Gastão declarou apoio a Dino em 2008

Embora se manifeste agora (2018) sobre o apoio ao governador, Gastão Vieira já “namorou” Flávio Dino, na eleição de 2008, quando ambos foram candidatos à Prefeitura de São Luís.

Flavio Dino (PCdoB) passou ao segundo turno contra João Castelo (PSDB).

Naquele conturbado 2008 Gastão Vieira foi o primeiro candidato derrotado no primeiro turno a declarar apoio a Flavio Dino (PCdoB). Esse gesto, segundo alguns analistas, contribuiu para “carimbar” o comunista com o surrado chavão: “é o candidato de Sarney”.

Os marqueteiros tucanos logo trataram de disseminar o chavão, que em parte surtiu efeito. Em determinado segmento do eleitorado, o apoio de Gastão Vieira a Flávio Dino serviu para colocar João Castelo como o candidato “anti-Sarney”.

À época, no auge da disputa, Gastão Vieira foi até aconselhado pelos marqueteiros de Flávio Dino a “não aparecer” na campanha depois da declaração de apoio.

Esse foi apenas um fato pontual, que não chegou a ser decisivo na disputa.

Decisivo mesmo foi o apoio do então governador Jackson Lago (PDT) a João Castelo (PSDB), colocando os Leões, sempre eles, para atropelar Flávio Dino na reta final.

Grupo Sarney tenta recomposição com Lula após traição no impeachment de Dilma Roussef

Eleitor mais importante do Maranhão, onde sempre teve votações recorde, Lula voltou a ser cortejado pela eventual candidata ao governo, Roseana Sarney (PMDB), em oposição ao governador Flávio Dino (PCdoB). Ela declarou em uma rede social que está “com Lula” e manifestou apoio à campanha “Lula Livre”.

A corte de Roseana a Lula foi repudiada pelos petistas “raiz” no Maranhão, aqueles que se recusaram a apoiar a aliança entre o PT e o PMDB nas eleições de 2010 e 2014.

No fundo, a tentativa de reaproximação com Lula é um misto de oportunismo e desespero explícito do grupo liderado por José Sarney. A chance de Lula apoiar Roseana no Maranhão é quase zero.

Não é que Lula não queira. Ele até nutre profunda simpatia e preferência por José Sarney. A dificuldade da aliança PT/Sarney em 2018 no Maranhão é o cenário nacional, visto que os petistas e o PMDB estão em atrito desde o golpe que levou Michel Temer à presidência.

A aliança Roseana/Lula também está inviabilizada devido ao posicionamento da bancada federal do Maranhão no impeachment de Dilma Roussef (PT), quando os deputados e senadores sob influência de José Sarney votaram a favor da degola petista.

O PT nacional não perdoa essa traição, considerando que nos governos petistas José Sarney foi um dos principais beneficiários, em detrimento de aliados históricos da chamada esquerda.

Lula, sendo candidato, vai declarar apoio à reeleição do governador Flávio Dino (PCdoB). Impossível não fazê-lo, visto que o comunista foi o principal “advogado” de Dilma Roussef durante o impeachment e segue militando na defesa de Lula Livre.

A relação nacional entre o PT e o PCdoB chegou a ser abalada quando Flávio Dino sinalizou apoio ao presidenciável Ciro Gomes (PDT), fato considerado uma heresia pelos petistas, que não admitem abrir mão da candidatura de Lula.

Depois, Flávio Dino e o PT contornaram a crise e tudo parece caminhar para um acerto entre os comandos petista e comunista no circuito nacional, onde tudo é decidido.

Assim, tudo conspira para uma dobrada Lula/Dino em 2018 no Maranhão.

Roseana Sarney, percebendo as pesquisas que colocam Lula na liderança, tenta uma reaproximação muito difícil de ser concretizada.

Fora da máquina do Governo do Estado, onde sempre ganhou eleições com certa facilidade, o grupo Sarney ainda não tem a candidatura de Roseana consolidada.

Ela, nesta etapa da pré-campanha, é uma dúvida.

Imagem: Em 2010, Washington Oliveira, Roseana Sarney e Raimundo Monteiro selaram a aliança entre o PT e Jose Sarney no Maranhão

Lei que regulamenta “rádio poste” será sancionada em ato no Palácio dos Leões

O governador Flávio Dino vai sancionar nesta quarta-feira (20), às 14 horas, no salão de atos do Palácio dos Leões, a Lei Estadual que regulamenta o Serviço de Publicidade Alternativa de Linha Modulada, transmitida via equipamentos sonoros, popularmente conhecidos como “rádio poste” ou rádio via cabo.

A iniciativa de regulamentar o serviço partiu da Assovima (Associação das Sonorizações Via Cabo do Maranhão) e recebeu o apoio da deputada Francisca Primo (PCdoB), que encaminhou o Projeto de Lei 059/2018, aprovado na Assembleia Legislativa em sessão plenária da última terça-feira (29 de junho).

O Serviço de Publicidade Alternativa de Linha Modulada beneficia os centros comerciais e permitem a integração entre os moradores de diversas comunidades.

Segundo a deputada Francisca Primo, o objetivo é promover a difusão sonora com fins culturais e educacionais, prestação de serviços de utilidade pública, além da divulgação de notícias e ideias que estimulam o debate de opiniões entre os seus ouvintes.

Zé Reinaldo acende uma vela para Flávio Dino e outra para José Sarney

Simultaneamente, o deputado estimula a candidatura de Eduardo Braide e fragmenta os tucanos. Nesta etapa dinâmica da pré-campanha, atrapalha e ajuda o projeto da reeleição do governador.

É preciso ficar muito atento aos movimentos do deputado federal José Reinaldo Tavares (PSDB).

Um homem que se locupletou quase a vida inteira dos favores, cargos e privilégios da oligarquia deve ter aprendido muitos segredos com seu padrinho José Sarney.

Este mesmo animal político, movido por uma paixão (Alexandra Tavares) e poderes palacianos, lançou três candidatos – Aderson Lago (PSDB), Edison Vidigal (PSB) e Jackson Lago (PDT) – contra Roseana Sarney, em 2006, adubando a vitória da Frente de Libertação do Maranhão.

Pela primeira vez, desde 1965, José Sarney provou o fel de uma traição que lhe tirou o bem mais precioso – a chave do cofre do Palácio dos Leões. E o arquiteto dessa façanha foi seu meio filho José Reinaldo Tavares.

De todos os políticos que jogam no Maranhão, José Reinaldo conhece o poder e sabe usar as armas do governo e da oposição quando lhe convém aos interesses particulares.

Ele tem sangue frio, é pragmático e navega no mundo e no submundo das estratégias eleitorais.

José Reinaldo é tão frio que, mesmo depois de sentir o aperto das algemas na operação Navalha, em 2007, já escreveu vários artigos propondo uma repactuação com José Sarney.

Basta observar o ziguezague dele para perceber sua astúcia: nasceu, cresceu e se locupletou com José Sarney (PMDB), armou a vitória de Jackson Lago (PDT) contra Roseana Sarney (PMDB) em 2006, engajou-se na eleição de Flávio Dino (PCdoB) em 2014, rompeu com o governador comunista, filou-se ao PSDB e estimula a candidatura de outro partido PMN (Eduardo Braide) para o governo do Maranhão.

Ele fez uma trajetória igual à de qualquer político tradicional. Não importa se o governo é de esquerda, centro ou direita.

A essa altura do processo eleitoral, José Reinaldo acende uma vela para os comunistas e outra para seu velho amigo José Sarney, com o qual nunca rompeu, apenas afastou-se por uma circunstância especial de amor e poder.

Em maio de 2018, a cinco meses da eleição, José Reinaldo opera para implodir o PSDB e estimular a candidatura de Eduardo Braide (PMN). Por um lado, tenta alavancar o segundo turno; de outro, fragiliza a candidatura do tucano Roberto Rocha.

Observe atentamente. Para quem tem fama de agregador, quando montou a Frente de Libertação do Maranhão, José Reinaldo agora opera a diáspora da oposição.

Nessa dinâmica da política, qualquer resultado lhe pode ser benéfico.

Se a candidatura de Eduardo Braide vingar e for ao segundo turno, José Reinaldo pode refazer a ponte com José Sarney para derrotar Flávio Dino e se posicionar no pós-2022, quando haverá um campo aberto sem a figura do governador comunista na condição de candidato ao Palácio dos Leões.

Fragmentando a oposição com os ataques ao PSDB, José Reinaldo ajuda o governador agora em 2018 e cria um cenário que pode até ser decidido em primeiro turno.

Se Flávio Dino vencer, Tavares se reaproxima dos comunistas, usando o argumento de que implodiu a candidatura de Roberto Rocha e fragilizou a oposição.

José Reinaldo sabe que dificilmente se elege senador. O trabalho dele é articular, conspirar e colher os resultados.

Ele pode ser vitorioso pelo simples fato de levar a eleição para o segundo turno, caso consiga construir a candidatura de Eduardo Braide. Mas, terá ganho também se operar forte no desmonte do PSDB, atrapalhando a candidatura de Roberto Rocha.

De uma coisa temos certeza. José Reinaldo é um conservador de direita, mas se movimenta com qualquer grupo que atenda aos seus interesses privados.

Basta ver como se posiciona.

Sob o argumento de que Dilma Roussef e o PT eram corruptos, votou pela degola da presidente. Já na votação que levaria Michel Temer às barras da Justiça, foi contra.

Você, car@ leitor@, bem sabe onde e com quem ele aprendeu a jogar esse jogo.

PT reitera apoio à reeleição de Flavio Dino, mas quer a vaga de vice ou Senado

Em nota (veja abaixo) assinada pela presidente nacional do PT, Gleisi Hoffman, o partido reafirmou a composição da aliança que tem o objetivo de reeleger o governador Flávio Dino.

Mas, não basta entregar o tempo de propaganda e a militância. O PT reivindica a participação na chapa majoritária, pretendendo indicar o vice de Flávio Dino ou uma das candidaturas ao Senado.

A costura desse cenário está no item 4 da “Nota à Militância do PT do Maranhão”, distribuída após uma reunião, em Brasília, com a participação da senadora Gleisi Hoffmann; do deputado federal e secretário Institucional do Diretório Nacional (DN) José Guimarães (CE); do deputado federal José Carlos; do presidente do PT no Maranhão Augusto Lobato; do vereador e presidente do PT de São Luís Honorato Fernandes; e dos membros do DN Raimundo Monteiro e Marcio Jardim, além do deputado estadual José Inácio.

“A Direção Nacional e Estadual do PT, de forma conjunta, viabilizará diálogos com o PCdoB e o governador Flávio Dino para construir de comum acordo a participação do PT na chapa majoritária (Senado ou vice) liderada pelo Governador Flávio Dino”, diz a nota.

O PT reivindica a participação na chapa majoritária afiançado na figura de Lula como principal cabo eleitoral de Flávio Dino e no histórico eleitoral do petista no Maranhão, onde sempre foi muito bem votado.

No texto, os signatários também orientam a militância petista no Maranhão a manter acesa a chama da candidatura de Lula à Presidência da República e fazer campanhas focadas na ampliação das bancadas na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas.

A movimentação do PT é, de certa forma, um contra-ataque às declarações do governador Flávio Dino, que ventilou o cenário de unidade dos partidos do campo democrático em torno da candidatura de Ciro Gomes (PDT), descartando Lula da disputa presidencial de 2018..

Veja a nota

Nota à Militância do PT do Maranhão

Em reunião realizada no dia de 15 de março de 2018, na sede do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, em Brasília, com a presença da Presidente Nacional do PT, Gleisi Hoffmann, do Secretário Institucional do PT, Deputado Federal (PT/CE) José Guimarães, dos presidentes do Diretório Estadual e da Capital, Augusto Lobato e Honorato Fernandes, dos membros do Diretório Nacional, Marcio Jardim e Raimundo Monteiro e dos Deputados Estadual e Federal José Inácio e Zé Carlos encaminham de comum acordo as seguintes orientações políticas ao conjunto da militância do Partido dos Trabalhadores no Maranhão:

1. Organização imediata da campanha à presidência, do companheiro Lula no Maranhão. Lula livre, Lula Inocente, Lula Presidente;

2. O Partido dos Trabalhadores no Maranhão, definirá sua tática eleitoral, diretamente vinculada a estratégia nacional de eleição do presidente Lula com objetivo de ampliação de suas bancadas parlamentares em nível estadual e federal;

3. Reafirma a aliança política para garantir a reeleição do governador Flávio Dino;

4. A Direção Nacional e Estadual do PT, de forma conjunta, viabilizará diálogos com o PCdoB e o governador Flávio Dino para construir de comum acordo a participação do PT na chapa majoritária (Senado ou Vice) liderada pelo Governador Flávio Dino.

*Senadora Gleisi Hoffmann*
Presidenta Nacional do Partido dos Trabalhadores

*Deputado Federal José Guimarães PT/CE*
Secretário Institucional do PT – DN

*Augusto Lobato*
Presidente Estadual do PT

*Vereador Honorato Fernandes*
Presidente do PT – São Luís / MA

*Deputado Federal José Carlos*

*Raimundo Monteiro* 
Membro do Diretório Nacional do PT / MA

*Márcio Jardim*
Membro do Diretório Nacional do PT / MA

*Deputado Estadual José Inácio*

Imagem: Divulgação / retirada neste site

PTB no cravo e na ferradura

Enquanto a reforma política não chega, os partidos vão se arrumando de todas as formas possíveis, rasgando as cartas-programa e as resoluções, que não passam de meros textos decorativos.

O PTB, por exemplo, apoia tucanos e comunistas, simultaneamente: Geraldo Alckmin presidente e Flávio Dino governador.

Pedro Fernandes e o novo aliado Flávio Dino

A peripécia eleitoral é obra do deputado federal Pedro Fernandes (PTB), que desembarcou da nau de José Sarney e já está de malas e cuias no barco do governador do PCdoB no Maranhão.

Seu filho, o vereador Pedro Lucas, já faz parte da gestão comunista desde 2017, como titular da Agência Metropolitana.

Atraído pela força gravitacional do Palácio dos Leões, o PTB é um dos 14 partidos da coligação governista que disputa a reeleição, com Flavio Dino na cabeça.

Indefinição de Roseana Sarney emperra a candidatura de Eduardo Braide

Os diversos naipes da oposição conservadora no Maranhão apostam suas fichas no segundo turno. O plano consiste em lançar várias candidaturas contra o governador Flávio Dino (PCdoB) e empurrar a disputa para adiante.

Mas, existe um cenário real para a decisão logo no primeiro turno.

Neste momento a candidatura de Roseana Sarney (PMDB) é dúvida. Até agora não houve um ato público que assegure a filha de José Sarney (PMDB) na disputa.

Se tivesse certeza, ela já estaria em campo há muito tempo, se movimentando junto aos presidenciáveis, deputados e prefeitos em pré-campanha aberta.

Nada disso está em curso.

O recuo de Roseana Sarney tem um reflexo imediato no projeto de candidatura governamental do deputado estadual Eduardo Braide (PMN).

Ele sonha em ir para o segundo turno, repetindo o fenômeno eleitoral de 2016, quando disparou no debate eletrônico e quase toma a reeleição do prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Junior (PDT).

Mas Braide só pode pensar no segundo turno se Roseana for candidata. E ela parece não ser….

Além dessa dificuldade, o deputado não tem sequer três partidos médios que possam lhe assegurar coligação e tempo de propaganda.

A opção do PSDB pela candidatura do senador Roberto Rocha ao governo, anunciada pelo tucano-presidenciável Geraldo Alckmin, foi uma pá de cal nas pretensões de Braide.

Diante deste cenário ele deve refazer o cálculo e disputar o mandato de deputado federal agora em 2018, pavimentando a estrada para tomar a Prefeitura de São Luís em 2020.

Na posição de deputado federal ele terá mais condições de arregimentar forças para 2020 e 2022. Ainda jovem, Braide sabe que a prefeitura da capital é o caminho para ser governador.

E sem ele na disputa de 2018, Flavio Dino fica mais perto da reeleição em primeiro turno.

A comunicação dos ricos e os escândalos no Maranhão

A comunicação dos ricos e os escândalos no Maranhão

Editorial – Jornal Vias de Fato

A partir de abril de 2018, o Sistema Mirante de Comunicação, afiliado da Rede Globo no Maranhão, fez denúncias pesadas contra o governo de Flávio Dino, envolvendo as áreas da Saúde e Segurança. As denúncias têm tido grande repercussão, falando de “corrupção” e “abuso de poder”, atacando diretamente os secretários de Estado Carlos Lula (Saúde) e Jefferson Portela (Segurança). No pacote, até uma intervenção federal está sendo pedida…

Nacionalmente, os principais instrumentos de comunicação da Globo, incluindo o Fantástico, Jornal Nacional, Bom dia Brasil e Jornal Hoje têm repercutido bastante algumas dessas denúncias vindas do Maranhão.

Vamos, então, para alguns questionamentos:

O que está sendo dito é verdade? Existe corrupção na saúde pública maranhense? Houve abuso de poder político, via o aparato de segurança pública? Quais as motivações das denúncias? O Sistema Mirante está preocupado em combater a corrupção? Quer acabar com o abuso de poder? Tudo que está sendo dito é mentira? A intervenção é desejável? E a Globo? Qual o interesse dela nessas denúncias que vem do Maranhão? Por que essa mesma Globo repetiu o assunto tantas vezes? E onde entra o interesse público nessa história toda? O interesse do dito “cidadão comum”? O seu interesse, cara leitora ou leitor.

O Jornal Vias de Fato não tem como afirmar se o que está sendo dito é verdade ou mentira. Nesse episódio, não temos informações suficientes que nos permitam acusar ou defender Flávio Dino, seu governo ou seus auxiliares. Também não vamos, nesse momento, assinar em baixo do que está sendo dito pela Polícia Federal ou pelo Ministério Público. Nesses episódios, observamos figuras dessas instituições que tem se comportado como se fossem advogados de acusação ou de defesa. E isso não é bom para instituições que devem se debruçar sobre fiscalização e/ou investigação.

Então, o que podemos afirmar sobre esses recentes e barulhentos episódios?

Sendo verdade ou mentira, o que está sendo escandalizado tem exclusiva motivação política e eleitoral. Esta é uma evidência.

É muito claro para nós que o Sistema Mirante (de propriedade da família do ex-senador José Sarney) não está preocupado em combater corrupção, muito menos abuso de poder. O que está em jogo; a verdadeira razão das denúncias e principalmente sua repercussão; é a eleição deste ano. A questão é a sucessão do governo do Maranhão, onde Flávio Dino (PCdoB)  é candidato à reeleição e Roseana Sarney (“MDB”) também ensaia candidatura ao mesmo cargo.

Com a mais absoluta certeza, o que podemos afirmar é que o interesse público não move o Sistema Mirante. E todos nós sabemos que José Sarney e o seu império midiático não têm autoridade moral para falar de corrupção e de abuso de poder. Muito menos tem interesse de combater esse tipo de prática. Quanto a Globo, ela segue fazendo o jogo de seus antigos aliados. O jogo das oligarquias do Brasil, as mesmas que se estabeleceram ou se reorganizaram a partir do golpe militar de 1964, o mesmo golpe que viabilizou o surgimento da Rede Globo. É o mesmo pessoal que bancou a chegada de Michel Temer a Presidência da República e agora vai dando mais uma mãozinha pro coronel José Sarney.

Dito isso, queremos deixar bem claro que não estamos aqui inocentando ou defendendo Flávio Dino, seu governo e qualquer um de seus auxiliares. Como já foi dito nesse texto, não temos nesses casos informações que nos permitam acusá-los ou defendê-los. Neste editorial, como já sugere seu título; estamos tratando, informando e interpretando questões relativas à comunicação e a política, falando de uma mídia atrelada a interesses oligárquicos, a partir do recente bombardeio oriundo do Sistema Mirante/Sarney/Globo.

E aqui é fundamental ressaltar e registrar que se trata da mesma Mirante/Sarney/Globo que, ao longo dos últimos três anos, recebeu dinheiro público do governo Flavio Dino, com o qual mantém relações institucionais. E recebeu muito dinheiro, principalmente para um estado de povo pobre, como é o caso do Maranhão. Basta dizer que um minuto de propaganda na afiliada maranhense da Globo pode chegar a 18 mil reais. Isso é só um minutinho.

Todo esse episódio tem relação direta com o “I Seminário Comunicação e Poder no Maranhão”, que o Jornal Vias de Fato, ao lado de várias outras organizações sociais, promoveu em outubro do ano passado. Ao final daquele evento, foi divulgada uma carta aberta que tratou, entre outras coisas, de uma política pública de comunicação no Maranhão que tem sido conservadora, “financiando ricos e silenciando pobres”.

E quando se fala em “financiar ricos”, estamos falando exatamente de veículos como Mirante (Globo) que defende interesses privados e oligárquicos. De impérios midiáticos que foram de modo espúrio montados com dinheiro público e que seguem, até hoje, sendo sustentados com recursos do contribuinte. E quando se fala em “silenciar os pobres” é a ausência absoluta de uma política pública que busque descentralizar o poder e ampliar a voz e a autonomia das organizações populares.

A comunicação no Maranhão, nós temos certeza, é um escândalo! Desse, nós temos certeza! E trata-se de um escândalo que precisa ser combatido e denunciado, independente de eleições ou do governo do momento. Não podemos achar natural que o dinheiro público do empobrecido cidadão maranhense sirva eternamente aos interesses de Fernando Sarney, Roseana Murad, Sarney Filho e seus sócios locais e nacionais (a Globo). A audiência não justifica essa rotineira inversão de prioridade.

O oposto desse escândalo é a comunicação popular, a democratização da mídia, a liberdade de expressão em favor dos pobres, oprimidos, explorados, tão comuns no Maranhão.

O oposto é o estímulo a participação social, a democratização do orçamento estatal, passando a ser destinado para combater verdadeiramente a concentração de poder.

O oposto é o dinheiro público contribuir para o fortalecimento de espaços onde a opinião pública circule sem a interferência do poder econômico ou de governos. Espaços que não atendam aos interesses de oligarquias ou máfias; com seus escândalos de ocasião e sob evidente encomenda.

26/04/2018

Fonte: Jornal Vias de Fato – http://www.agenciatambor.net.br/