Lula abandona Sarney no Maranhão

A passagem de Fernando Hadad (PT) em São Luís sepultou qualquer indício de que Lula possa declarar apoio a Roseana Sarney (PMDB) na eleição para o governo.

Lula é o maior cabo eleitoral do Maranhão, onde sempre obteve votações acima da média nacional. O apoio dele a Roseana Sarney em 2006 e 2010 foi decisivo para o prolongamento da oligarquia.

Mas, em 2018 será diferente. Preso e liderando as pesquisas, Lula acertou com a direção nacional do PT o apoio a Flávio Dino (PCdoB), atual governador e candidato à releição.

Dino já vinha costurando a aliança com o PT desde o impeachment da presidente Dilma Roussef, quando se posicionou com ênfase em defesa do mandato da petista.

A caravana de Lula pelo Nordeste, encerrada em São Luís, foi uma etapa importante da costura política feita por Flávio Dino para “amarrar” o apoio de Lula.

Além disso, caso o pedido de registro da candidatura de Lula seja derrotado em todas as instâncias, a chapa será formada por Fernando Hadad e a vice será Manuela Dávila (PCdoB).

Ambos estiveram em São Luís nesta sexta-feira (24) e selaram definitivamente o apoio à reeleição do governador comunista.

E não teriam feito esse gesto sem a ordem de Lula.

Nesse cenário, a candidatura de Roseana Sarney, que tinha esperança de uma guinada de Lula em direção ao PMDB, está cada dia mais fragilizada.

Tudo indica uma vitória de Flávio Dino no primeiro turno.

Imagem capturada neste site

Esquerda solidária na imagem que marcou a semana

A imagem é do ato suprapartidário que reuniu milhares de pessoas no encerramento da caravana de Lula pela região sul do Brasil, dia 28 (quarta-feira), no Paraná.

Depois de enfrentar um atentato a tiros, quando um dos ônibus foi atacado por fascistas no Rio Grande do Sul, a caravana demarcou território na cidade símbolo da Lava Jato – Curitiba.

Em um grande momento de afirmação das esquerdas, o entrelaçar das mãos de três pré-candidaturas presidenciais – Manuela d’Avila (PCdoB), Lula (PT) e Guilherme Boulos (PSOL) – diz muito.

A foto revela mais ou menos o seguinte: temos diferenças, mas algo nos une – a democracia. E não estamos sozinhos.

Imagem: Ricardo Stuckert, do Instituto Lula