Em atuação conjunta da Apruma e da base, Consepe concede horas de planejamento para professores de estágio

Fonte: Apruma Seção Sindical / Andes SN

Na última reunião do dia 30 de novembro, o Consepe (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão) da UFMA aprovou, durante as discussões sobre Planejamento Acadêmico, o registro mínimo de 4h e máximo de 8h de planejamento nas atividades semanais dos professores que supervisionam estágio.

Com a divulgação, pela Apruma, de que o relatório que seria apresentado não contemplaria horas para estágio, mudanças foram feitas. Na leitura do relator havia a proposta de conceder o máximo de 4 horas de planejamento, e apenas para alguns cursos da área da saúde e para a Psicologia. Ainda assim, isso não agradou a Divisão de Estágio, porque mudou sua proposta que entendia que a atividade supervisionada não deveria prever horas para seu planejamento, já que, segundo essa visão, os professores não iriam “preparar aulas teóricas”.

A Sessão

Inicialmente, diversos professores envolvidos com estágio, assim como aqueles com assento nos Conselhos Superiores, expuseram como preparar e supervisionar a atividade demanda tempo. O professor Josiel Vieira, Coordenador do Internato em Clínica Cirúrgica da UFMA, relatou que, antes de procedimentos cirúrgicos, alunos e supervisor se reúnem para planejamento cirúrgico. Sem essas horas reconhecidas no plano de trabalho dificilmente acharia professor para trabalhar no estágio da cirurgia.

A professora Sirliane Paiva ressaltou a importância do estágio para a construção do conhecimento. “Muito me espanta acharem que o professor que vai cumprir estágio estivesse desenvolvendo uma atividade desprovida de conhecimento científico. Todas as nossas atividades são previamente pensadas e, em sua totalidade, são avaliadas depois, independente de sala de aula ou de campo de estágio, e esta é uma atividade acadêmica, a ciência está ali, não é uma mera tarefa irrefletida. A gente planeja, e está ensinando ao aluno a pensar, e a gente pensa junto, e avalia”, ponderou Sirliane.

Tentando uma negociação de consenso que contemplasse a posição docente, a professora Marizélia Ribeiro, representante da Seção Sindical nos Colegiados Superiores, defendeu uma carga entre 4 e 8 horas para o estágio. Depois que a Divisão de Estágio da UFMA apontou que, nesse caso, somente alguns cursos seriam beneficiados com as horas, a professora Marizélia rebateu que a proposta da Apruma era para todos, e que essa indicação (de reconhecer apenas para algumas áreas) não foi da Apruma, que não esteve presente em nenhuma reunião da comissão para discutir previamente algo que contraria a isonomia defendida pelo Sindicato. Como ela apontou, o que a Apruma e o Andes defendem é justamente isonomia entre professores e a remuneração por todas as horas trabalhadas.

Em seguida, o professor Acildo Leite propôs entre 4 e 8 horas para o planejamento de estágio,  a depender do projeto político pedagógico do curso. A professora Marizélia acolheu essa proposta e incluiu a sugestão que as horas de cada professor fossem aprovadas em assembleia departamental. Essa foi, finalmente, a proposta de consenso, construída e aprovada no Consepe.

Como na resolução de carreira, a atuação da Apruma foi decisiva para aprovação de uma resolução acadêmica mais justa ao trabalho docente. “Se hoje muitos professores conseguem chegar à classe Titular, foi pela pressão que a Apruma fez nas eleições para Reitor, com o professor Antonio Gonçalves mostrando em campanha que a proposta aprovada pela gestão centralizadora da época impedia a promoção de grande parcela dos professores, pois ela tinha critérios que beneficiavam apenas aqueles que estavam articulados em fundações de apoio  e outras instituições ou inseridos na pós-graduação, o que impedia muita gente de progredir na carreira”, lembra a Conselheira, que aponta outro ganho atualmente: o aprofundamento dos debates no âmbito dos Conselhos, propiciando que os professores discutam livre e amplamente e aprovem aquilo que julgarem ser do direito e da justiça, pontua Marizélia.

Além de horas para estágio, cuja proposta acabou construída pelos docentes juntamente com a Apruma, todas as outras sugestões de conselheiros foram aprovadas, não havendo grandes dissensos, como informado antes pela Seção Sindical. “A atuação conjunta Apruma e base, verificada na concretização de uma proposta viável e mais justa, neste caso, serve de parâmetro para a atuação do Sindicato, que mostra mais uma vez sua legitimidade junto à categoria”, celebra a professora Sirliane Paiva, presidente da Apruma, que esteve presente à Sessão do Consepe no último dia 30.

Imagem capturada neste site. Crédito: De Jesus / O Estado

Hoje! Apruma celebra 40 anos com palestra, exposição fotográfica, homenagens e chorinho

Acontece nesta segunda-feira, 24 de setembro, a partir das 18h, no Palácio Cristo Rei, sede da Reitoria da UFMA, na Praça Gonçalves Dias, Centro de São Luís, a cerimônia de lançamento da programação dos 40 anos de fundação da Apruma Seção Sindical. Devem comparecer docentes da Universidade Federal do Maranhão estão convidados, além de autoridades, representantes de outros sindicatos e movimentos sociais e da CSP Conlutas, central à qual a Apruma e o Andes são filiados.

O evento contará com a palestra “40 Anos de lutas e conquistas do movimento docente”, ministrada pela professora Franci Cardoso, segunda mulher a presidir a Apruma, no biênio 1995/1997 (ela retornou à presidência no início dos anos 2000), e pelos professores Agostinho Ramalho Marques Neto (presidente entre 1981/1983) e Antonio Gonçalves, atual presidente do Andes Sindicato Nacional e também por duas vezes presidente da Apruma.

Homenagens

Durante a cerimônia também serão homenageados, entre outras personalidades, os professores e professoras que estiveram à frente do movimento docente desde a constituição da Apruma como associação (posteriormente transformada em Seção Sindical do Andes Sindicato Nacional), em especial, aqueles que participaram da fundação da entidade.

Exposição

Haverá ainda o lançamento da exposição itinerante “40 anos de lutas e conquistas” que, depois da cerimônia no Palácio Cristo Rei, será levada aos centros e campi da UFMA, junto com o desenrolar da programação, que culminará com a festa de confraternização dos docentes em dezembro deste ano, como explica a professora Sirliane Paiva, presidente da Apruma.

A exposição mostrará momentos marcantes da história de luta dos professores e das professoras da Universidade, como a greve de fome feita em 1998 em defesa das universidades federais.

A cerimônia será encerrada com coquetel de confraternização e a apresentação do Instrumental Pixinguinha, tradicional grupo de choro maranhense.