Hoje, 19h, tem live “comunicação popular em tempos de pandemia”

Nesta edição, Camilo Rocha Filho (bancário, pedagogo, produtor e apresentador do Programa Fala Comunidade na Rádio Comunitária Ilha do Amor FM), Yndara Vasques (jornalista, gerente de projetos com atuação em Comunicação Comunitária pela Inspirar Inovação & Comunicação), Claudia Gianotti (jornalista do Núcleo Piratininga de Comunicação) e Ed Wilson Araújo (jornalista, professor da UFMA, presidente da Abraço Maranhão e membro da Agência Tambor) vão debater o tema “Comunicação Popular em tempos de pandemia”.

Central do Brasil: o novo programa dos movimentos populares

Parceria entre Brasil de Fato, TVT e RBA põe ao ar um programa diário às 20h com debate, saúde e cultura de todo o país

Marina Duarte de Souza / Brasil de Fato | São Paulo (SP)

O Brasil de Fato e a TV dos Trabalhadores (TVT) lançam nesta segunda-feira (15), às 20h, mais um fruto da parceria entre os meios de comunicação voltados à informação, divulgação e formação da classe trabalhadora, o programa Central do Brasil. O programa tem o apoio de organizações e movimentos populares das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Inédita, a produção busca ser um novo espaço de encontro de um Brasil plural, que reúne histórias e informações de todos os cantos do país, as ações do povo brasileiro de combate ao novo coronavírus, saúde, cultura e debate, como explica o jornalista e diretor do programa, Igor Felippe.

“Ele [o programa] vai tratar dos temas mais importantes da vida brasileira, [a partir] da perspectiva das forças populares, apresentando um radar de tudo o que está acontecendo no nosso país e uma análise dos principais temas da conjuntura brasileira”, destaca.

O Central do Brasil será exibido de segunda a sexta-feira, sempre às 20h, na Rede TVT, Rádio Brasil Atual (98,8 FM) e nas redes sociais do Brasil de Fato e outros parceiros. Além disso, tem como uma das missões dar “voz aos movimentos populares” e se transformar em uma rede nacional de comunicação.

Assista aqui ao programa de estreia.

“O nosso objetivo é a construção de uma rede nacional de comunicação popular, Central do Brasil, com a transmissão e retransmissão do programa no maior número de TVs e rádios comunitárias estudantis, universitárias e públicas. E também nas redes sociais para que a gente possa articular as diversas forças vivas da sociedade brasileira que se articulam na Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo gritando em uníssono em defesa da vida, da democracia, e dos direitos do nosso povo”, ressalta Felippe.

As frentes já tem atuado de forma unitária na campanha “Fora Bolsonaro”, nas ações de solidariedade e também na plataforma emergencial pra enfrentamento da crise brasileira e da pandemia. Agora, agregam mais esse canal de articulação.

“O programa busca agregar e somar, gerando uma cultura e uma identidade da unidade política dos movimentos sociais e populares. A proposta é também dar mais coesão para a disputa ideológica que as duas frentes estão construindo”, explica Ana Flávia Marx, pela Central de Mídia das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Sintonize

Para acompanhar o Central do Brasil, basta sintonizar a TVT em uma antena digital, interna ou externa. Na grande São Paulo, o canal é o 44.1 (sinal digital HD aberto); na NET o canal é o 512 (NET HD-ABC); no UHF, a sintonia é 46; 13 na NET-Mogi; e Canal 12 na Vivo São Caetano do Sul.

A sintonia da Rádio Brasil Atual é 98,9 FM na Grande São Paulo. Também é possível acompanhar a programação radiofônica pelo site do Brasil de Fato.

Quem está fora de São Paulo, pode sintonizar a TVT com a parabólica, via satélite. É necessário direcionar a antena para StarOne C3 Freq: 3973 Mhz Pol: Vertical, DVB-s2; SR: 5000 FEC ¾. Confira mais informações neste link.

Dados da menor estação Receptora

Antena: Embrasat modelo RTM 2200Std
Focal-Point
Diametro 2,2m
Ganho de recepção no centro do Feixe (Dbi) 37,5
G/T da estação (dB/K) 18,4
LNB
Norsat Modelo: 8225RF LNB
Temperatura de Ruido (K) 25
Nivel de entrada do LNA (dBm) -95 dBm max

Edição: Leandro Melito

Festival da Comunicação Sindical e Popular vai levar exposições e aulas públicas para a Cinelândia

O Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) realiza no dia 19 de novembro de 2019, na Cinelândia (Rio de Janeiro), o 3º Festival da Comunicação Sindical e Popular. A ideia é levar para a rua a produção da imprensa sindical, popular e alternativa no Brasil desde a segunda metade do século XX.

O evento será uma feira da comunicação dos trabalhadores, com tudo organizado em barracas e exposto para quem estiver passando pelo Centro do Rio. O acervo do NPC e materiais de sindicatos e movimentos populares estarão expostos em barraquinhas em praça pública.

Ao longo do dia haverá rodas de conversa sobre mídia e poder com professores de Comunicação da UFRJ, UERJ, UFF, Rural, Facha e PUC, comunicadores populares e sindicalistas. Também participarão do evento representantes MST, CMP (Central dos Movimentos Populares), MCP (Movimento de Cultura Popular), MTST (Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Teto), Ocupação Vito Giannotti, Pastoral de Favelas, Conselho Indigenista Missionário e jornal Vozes das Comunidades.

“É um momento muito importante. Vamos conversar com os trabalhadores e trabalhadoras que passam pelo Centro do Rio sobre a história das lutas do povo contadas pela nossa comunicação. Tragam cartilhas, revistas, jornais”, convidou a jornalista e coordenadora do NPC, Claudia Santiago.

Haverá transmissão ao vivo de programas de rádio e TV pela Internet.

A organização do evento pede que os sindicatos, associações, coletivos de comunicação e movimentos populares participem assumindo uma barraquinha para expor suas publicações.

As pessoas de fora do Rio de Janeiro podem enviar antecipadamente seus materiais que já encontrarão as barracas prontas. Se preferirem, podem montar assim que chegar no Rio. O hotel onde ficarão hospedados é na própria Cinelândia.

O NPC solicita aos participantes e a quem mais puder ajudar um apoio financeiro de qualquer valor para garantir toda a infraestrutura necessária: palco, som, barracas, iluminação e ajuda de custo aos artistas, mas a participação não está condicionada ao apoio financeiro.

Depósitos devem ser feitos na conta do Núcleo Piratininga de Comunicação:
CNPJ: 02.510.093/0001-20
Banco do Brasil
Agência: 3520-3
Conta: 63311-9

Informações
(21) 99628-5022 (zap) e 2220-5618.

Imagem destacada: Núcleo Piratininga de Comunicação / divulgação

“O cacique suburbano”: amplificadora Voz Tupi marcou época do Lira ao Anjo da Guarda

Pelos alto-falantes da Voz Tupi muita gente namorou e até casou. A música de Odair José Pare de tomar a pílula era “febre”. Havia também os animados shows de calouros que revelaram talentos musicais nos bairros de São Luís

Antes do surgimento da rádio comunitária Bacanga FM, no Anjo da Guarda, houve pelo menos três serviços de alto-falante no bairro: Voz Tupi, Voz Montecarlo e a Rádio Popular. No início da década de 1970, a Voz Tupi foi a principal referência de comunicação local utilizando equipamentos de propagação da voz – microfone, amplificador e alto-falante. Nesse interstício surgiu ainda a Voz Montecarlo. A partir de 1988, durante uma década (até 1998), foi a vez da Rádio Popular dominando os “ares” do Anjo da Guarda e adjacências.

Saiba mais sobre a Rádio Popular aqui.

Originada no bairro Lira, a Voz Tupi chegou no Anjo da Guarda após o rumoroso incêndio nas palafitas do Goiabal, em 1968, que provocou o primeiro grande deslocamento populacional para a região Itaqui-Bacanga.

Memórias e emoções de José de Ribamar Furtado sobre a Voz Tupi

O radialista José de Ribamar Furtado, 63 anos, também conhecido no meio radiofônico como Ribinha, lembra um bordão marcante falado pelo advogado Jurandir Sousa : “Voz Tupi, 20 anos no ar servindo bem a comunidade”. Furtado começou a trabalhar na Voz Tupi logo no início da década de 1970, como operador, assim que a emissora chegou no Anjo da Guarda.  

Segundo o radialista, a amplificadora cresceu junto com o bairro e foi uma prestadora de serviço para os moradores. “Era uma escola e ajudou muito na minha caminhada no rádio no Maranhão. A Voz Tupi era chamada o cacique suburbano e teve como donos iniciais o advogado Jurandir Sousa, Vadico e Oliveira”, recordou.

Já o bancário aposentado Raimundo Silva Pereira Neto morou no Lira e no Anjo da Guarda, onde chegou em novembro de 1969. Nos dois bairros recorta as memórias da Voz Tupi, liderada por Wlademir de Oliveira Silva, o Vadico, e Jurandir Sousa. Nas duas amplificadoras a música dominava a programação, mas elas repercutiam também os acontecimentos do bairro, avisos, informes, utilidade pública, anúncio de aniversário e falecimento de moradores, notas sobre o dia-a-dia da comunidade e propaganda do comércio local.

No Anjo da Guarda a amplificadora funcionava nas proximidades do Teatro Itapicuraíba. “Era um cômodo onde tinha o estúdio e um poste de madeira com o alto-falante. Existia um grupo de músicos do Anjo da Guarda (Chiquinho, Seu Doca, Vavá). Eles anunciavam ‘daqui a 15 dias vai ter um programa de calouro’ e as pessoas se inscreviam e no dia montavam o palco, passavam as músicas e era convidada uma equipe para fazer o julgamento. Havia muita participação popular”, enumerou Neto, reiterando que os programas de calouros eram o aspecto mais emblemático. “Pra mim aquilo já era o estímulo da produção da arte popular. A Voz Tupi estimulava isso através da música”, enfatizou.

Cacique suburbano

A expressão “cacique” era uma referência à cultura indígena. No bairro Coréia, por volta da década de 1950, havia a amplificadora Voz Guarani, conforme o relato de Ligia Oliveira Belfort (reveja aqui)

Provavelmente, as denominações indígenas dos serviços de alto-falante seguiam a lógica dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, que designavam as emissoras filiadas sempre com referência às etnias. No Maranhão, a rádio Gurupi e depois a Timbira são exemplos dessa tendência.

José de Ribamar Furtado conta que foi levado para a amplificadora por Haroldo Viana. “Eu comecei como operador. A Voz Tupi tinha dois pratos (toca discos) e por ali eu comecei a aprender a colocar a emissora no ar. Havia um amplificador de 75 watts, a válvula. Com a ida do Haroldo Viana para Brasília eu passei a ser locutor também. Aos poucos fui tomando consciência da responsabilidade que eu estava abraçando para que essa aprendizagem me levasse até o rádio”, explicou.

José de Ribamar Furtado: do alto-falante ao rádio profissional,
trabalha atualmente na Câmara dos Vereadores de São Luís

Espalhadas em diversos bairros de São Luís, as amplificadoras geralmente apresentavam como principal produto a programação musical e nos fins de semana os animados “shows de calouros”. Segundo Furtado, os concursos de cantores amadores na Voz Tupi eram oportunidades para revelar novos talentos musicais que tinham dificuldade de inserção nas rádios.

Em algumas ocasiões, a Voz Tupi fazia a retransmissão das partidas de futebol ou inseria os jornais falados das emissoras profissionais de rádio AM, mas os hits davam o tom na programação. “O essencial era tocar os sucessos. Quando chegou aquela música de Odair José, “Pare de tomar a pílula”, ave maria, era legal”, comemorou, explicando que os discos (LPs de vinil) eram comprados nas lojas ou distribuídos pelos produtores e propagandistas das gravadoras.

Odair José era um dos cantores mais tocados na Voz Tupi

A escritora Lourdes Lacroix, no livro “São Luís do Maranhão Corpo e Alma” registra a existência das amplificadoras desde janeiro de 1930 na capital, quando “a Casa Autovictor, situada na Praça João Lisboa, inaugurou um serviço de altofalante com o objetivo de projetar artistas locais.” (Lacroix, 2012, p. 520)

Embora já houvesse emissora profissional de rádio AM instalada em São Luís desde o início dos anos 1940, os serviços de alto-falante ou voz ainda tinham uma relativa importância nos anos 1970. “Havia uma disputa fantástica pela audiência entre as rádios profissionais, mas existia um apelo popular porque a gente tinha nosso espaço através dos serviços de alto-falante, apesar da força do rádio AM no Maranhão”, esclareceu Furtado.

As formas de arrecadação ocorriam mediante a cobrança pela veiculação de mensagens comemorativas, anúncio de produtos dos estabelecimentos comerciais, divulgação de festas e eventos em geral.

No Anjo da Guarda a Voz Tupi funcionava diariamente das 11h às 13h e das 17h às 19h. Excepcionalmente aconteciam as alvoradas musicais para homenagear um aniversariante. Nessas ocasiões a emissora tinha uma transmissão específica às 6h da manhã com oferta de músicas e mensagens ao homenageado.

Audiência e namoro pelo alto-falante

A interação com a audiência era ativa. “A comunidade sempre participou de maneira direta ou indireta, principalmente através de carta e mensagens. Sempre teve essa aproximação entre o trabalho da voz e o ouvinte. Era tão participativo que todas as vezes que falecia alguém e a gente tocava a música “El silencio” gerava expectativa para saber quem havia falecido. O bairro inteiro parava”, detalhou o radialista Furtado.

Música El silencio deixava o bairro em suspenso para saber quem morreu

Pelos alto-falantes da Voz Tupi muita gente namorou e até casou. A veiculação de mensagens afetivas ou o oferecimento de música aproximava as pessoas pela emoção. “Eu casei com a minha primeira esposa – Dulcié Bastos Furtado – através da Voz Tupi. Ela achava minha voz bacana, me admirava. Pra mim foi marcante. Eu lembro até de algumas músicas que eu colocava pra ela, como “Davy”, na voz de Nalva Aguiar; e “Meu bom José”, interpretada por Rita Lee. Mas não foi só eu não. Teve outros companheiros que se casaram pela Voz Tupi”, apontou.

Veja abaixo os videos de Nalva Aguiar e Rita Lee

Música de Nalva Aguiar foi o “cupido” no primeiro casamento de Ribinha
Ribinha também oferecia música de Rita Lee para conquistar a primeira esposa

De acordo com Furtado, as amplificadoras fizeram escola para muitas pessoas que posteriormente foram para o rádio. “Foi o berço da minha trajetória e de vários outros companheiros. Com eles aprendi a trabalhar com seriedade, informação precisa e verdadeira”, detalhou.

Imagem destacada / Entrada do bairro Anjo da Guarda / Acervo do jornal O Imparcial / capturada neste site