Comunicadores do meio popular e sindical estreiam programa conectando experiências de várias regiões do Brasil

Ed Wilson Araújo

A pandemia isola, mas também junta as pessoas. Com esse sentimento, jornalistas, militantes, ativistas e simpatizantes que fazem parte da Teia de Comunicação Popular e Sindical do Brasil estrearam hoje (15 de julho) o seu primeiro programa quinzenal, transmitido no Facebook.com/TeiaPopular.

Segundo a avaliação dos participantes, o objetivo inicial foi atingido: conectar as experiências de vários cantos do país, reunindo a cada edição os relatos de quem produz conteúdo em blogs, jornais impressos e digitais, sites, agências de notícias, rádios web, emissoras comunitárias e artefatos analógicos, além das transmissões ao vivo nas plataformas das redes sociais.

Com o foco nos segmentos popular, sindical e dos movimentos sociais, o programa tem um nome grande, do tamanho do sonho de quem o faz: “Tecendo a comunicação popular e sindical”.

Na primeira edição participam a apresentadora Claudia Santiago (coordenadora do Núcleo Piratininga de Comunicação – NPC), Kátia Marko (editora do Brasil de Fato no Rio Grande do Sul), Nina Valente (jornalista sindical da Metamorfose Comunicação), Inessa Lopes (redatora no jornal Voz das Comunidades) e Ed Wilson Araújo (professor da UFMA e membro da Agência Tambor), com trabalhos técnicos e apoio de Joka Madruga, Esdras Gomes e Bruno Santiago Alface, companheiros de jornada na Teia de Comunicação Popular do Brasil.

O programa abriu e fechou com música. Entoando Milton Nascimento na letra “Nada será como antes”, a apresentadora Claudia Santiago quis saber “que notícias me dão dos amigos e que notícias me dão de você(?)”. Nessa pegada musical, Inessa Lopes relatou a perseverança do Voz das Comunidades, jornal já consagrado na versão impressa e que agora, devido às restrições da pandemia covid19, está experimentando o formato digital e o desafio das novas tecnologias.

Nina Valente ponderou que a comunicação sindical e popular deve se abrir para os afetos, falar sobre a vida comum das pessoas e não ter medo de tocar em temas como estética, culinária e humor. Ela destacou ainda o papel das atividades culturais na mobilização dos sindicatos. Katia Marko enfatizou o momento da criação do jornal Brasil de Fato, lembrando a participação de várias pessoas emblemáticas na construção da democracia no Brasil, a exemplo de Vito Giannotti, que sempre recomendava o ato de distribuição do jornal impresso como uma ação militante. Ed Wilson Araújo registrou a importância de compartilhar conteúdo, tomando como referência a Agência Tambor e o movimento de rádios comunitárias que atuam conectados a várias iniciativas de comunicação popular e sindical no Brasil.

Futuro e diversidade

A cada programa haverá rotatividade dos participantes, muitos deles ex-alunos dos cursos ofertados pelo Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), organização fundada por Vito Giannotti e Claudia Santiago, que vem se dedicando a formar quadros especializados na comunicação para a democracia.

“Vamos falar sobre o que estamos produzindo e também sobre os nossos sonhos, utopias e o que ainda precisamos alcançar para realmente ter uma comunicação que fale com milhões e alcance corações e mentes”, explicou Katia Marko.

Para Claudia Santiago, cada programa será uma conversa sobre experiencias de comunicação do povo, das trabalhadoras e trabalhadores, dos povos tradicionais originários do Brasil. “A gente vai ter sindicatos, favelas, mulheres, a voz dos quilombos e dos indígenas. Vem conversar com a gente”, convidou.

O jornalista Emílio Azevedo, da Agência Tambor (Maranhão), pontua o programa como um passo adiante na caminhada de tantas companheiras e companheiros que atuam nos meios alternativos pelo país.

A estreia teve agitação nas redes sociais e no encerramento a música “Pesadelo”, de Maurício Pinheiro e Paulo Cesar Pinheiro, com interpretação do grupo MPB4, que diz assim:

Quando o muro separa uma ponte une
Se a vingança encara o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta
E se a força é tua ela um dia é nossa
Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós, olha aí


Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente olha eu de novo
Perturbando a paz, exigindo troco
Vamos por aí eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

O muro caiu, olha a ponte
Da liberdade guardiã
O braço do Cristo, horizonte
Abraça o dia de amanhã, olha aí

Festival da Comunicação Sindical e Popular vai levar exposições e aulas públicas para a Cinelândia

O Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) realiza no dia 19 de novembro de 2019, na Cinelândia (Rio de Janeiro), o 3º Festival da Comunicação Sindical e Popular. A ideia é levar para a rua a produção da imprensa sindical, popular e alternativa no Brasil desde a segunda metade do século XX.

O evento será uma feira da comunicação dos trabalhadores, com tudo organizado em barracas e exposto para quem estiver passando pelo Centro do Rio. O acervo do NPC e materiais de sindicatos e movimentos populares estarão expostos em barraquinhas em praça pública.

Ao longo do dia haverá rodas de conversa sobre mídia e poder com professores de Comunicação da UFRJ, UERJ, UFF, Rural, Facha e PUC, comunicadores populares e sindicalistas. Também participarão do evento representantes MST, CMP (Central dos Movimentos Populares), MCP (Movimento de Cultura Popular), MTST (Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Teto), Ocupação Vito Giannotti, Pastoral de Favelas, Conselho Indigenista Missionário e jornal Vozes das Comunidades.

“É um momento muito importante. Vamos conversar com os trabalhadores e trabalhadoras que passam pelo Centro do Rio sobre a história das lutas do povo contadas pela nossa comunicação. Tragam cartilhas, revistas, jornais”, convidou a jornalista e coordenadora do NPC, Claudia Santiago.

Haverá transmissão ao vivo de programas de rádio e TV pela Internet.

A organização do evento pede que os sindicatos, associações, coletivos de comunicação e movimentos populares participem assumindo uma barraquinha para expor suas publicações.

As pessoas de fora do Rio de Janeiro podem enviar antecipadamente seus materiais que já encontrarão as barracas prontas. Se preferirem, podem montar assim que chegar no Rio. O hotel onde ficarão hospedados é na própria Cinelândia.

O NPC solicita aos participantes e a quem mais puder ajudar um apoio financeiro de qualquer valor para garantir toda a infraestrutura necessária: palco, som, barracas, iluminação e ajuda de custo aos artistas, mas a participação não está condicionada ao apoio financeiro.

Depósitos devem ser feitos na conta do Núcleo Piratininga de Comunicação:
CNPJ: 02.510.093/0001-20
Banco do Brasil
Agência: 3520-3
Conta: 63311-9

Informações
(21) 99628-5022 (zap) e 2220-5618.

Imagem destacada: Núcleo Piratininga de Comunicação / divulgação

2º Festival da Comunicação Sindical e Popular vai abordar ditadura e resistência no Brasil

Acervo do NPC e materiais de sindicatos e movimentos populares estarão expostos em barraquinhas, na Cinelândia

O Núcleo Piratininga irá realizar, no dia 24 de julho, o 2º Festival da Comunicação Sindical e Popular. Mais uma vez, a ideia é levar para a rua a produção da imprensa sindical, popular e alternativa no nosso país desde o início do século passado. Será uma feira da comunicação dos trabalhadores, com tudo organizado em barracas e exposto para quem estiver passando pelo Centro do Rio nesse dia.

Como se trata de comunicação do povo, de ecoar as vozes do morro, não há lugar melhor do que a Cinelândia. Nesse histórico bairro, serão apresentadas lutas e histórias em aulas públicas sobre momentos vividos e que têm relação com os desafios de hoje.

Ao longo do dia, haverá rodas de conversa sobre: “a resistência no Brasil em 1968: luta armada, contracultura e movimento operário”; “pensamento de Che Guevara e Marighella nos acontecimentos de 1968”; e “Liberdade de Expressão nas favelas cariocas ontem e hoje”.

Além dos debates e exposição de materiais, haverá ainda uma intensa programação cultural. O Grupo do Teatro do Oprimido estará presente, com a participação de Geo Britto e Julian Boal coordenando uma apresentação dos alunos do curso de comunicação popular do NPC. Também haverá apresentações do ator Carlos Maia e rodas de samba, funk e hip hop para fechar o dia.

24/7: Dia da Comunicação Popular no Rio de Janeiro

24 de julho é Dia Municipal da Comunicação Popular, por iniciativa do mandato do vereador Renato Cinco (PSOL). Realizado pela primeira vez no ano passado, entrou para o calendário oficial do estado do Rio de Janeiro através de projeto de lei do deputado estadual Eliomar Coelho (PSOL-RJ). A data é em homenagem a Vito Giannotti, um grande lutador pela comunicação dos trabalhadores, que faleceu em julho de 2015.

Nesse dia, também haverá uma homenagem a Marielle Franco. Potente voz do morro em defesa dos trabalhadores, foi calada tão precocemente, em 14 de março de 2018.

Como participar do festival

Os sindicatos, associações, coletivos de comunicação e movimentos populares poderão ter uma barraquinha para expor suas publicações. Interessados devem entrar em contato com o NPC pelo e-mail npiratininga@piratininga.org.br ou pelo telefone (21) 98556-3909.

Também teve início o financiamento coletivo do festival. Todos os apoios serão divulgados! A contribuição pode ser feita pelo site https://www.kickante.com.br/campanhas/2o-festival-da-comunicacao-sindical-popular ou através de depósito na conta do NPC. As entidades terão recibo. Os dados bancários são:

Núcleo Piratininga de Comunicação

CNPJ: 02.510.093/0001-20

Banco do Brasil

Agência: 3520-3

Conta: 63311-9

Em breve será divulgada a programação completa! Para saber mais sobre o Festival, acesse: https://www.facebook.com/festivalcomsindpop