Verdades e mentiras

por Renato Ortiz

Publicado no site GGN

“Falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira”; “Os dados da economia estão maravilhosos”; “Suicídio acontece pessoal pratica” (em relação à morte do jornalista Herzog); “É uma coisa que não mede a realidade” (em relação ao IBGE); “Estou convencido que os dados de desmatamento são falsos”. As afirmações são daquele que ocupa o mais alto cargo político do país: presidência da república.

A lista poderia ser alongada, mas seria inútil ampliá-la, importa entender: elas são recorrentes. Uma forma de se interpretar este comportamento bizarro é dizer que simplesmente nos encontramos diante de um conjunto de mentiras (diz-se muitas vezes fake news).  Esta é a explicação corrente entre jornalistas e políticos. Basta lermos os jornais, blogs e sites de notícias para nos convencermos disso.

Cada afirmação pode ser desmentida pela apresentação dos dados de realidade: há fome no Brasil; a economia anda mal; Herzog foi assassinado; o IBGE é uma instituição confiável; o desmatamento é um fato. O equívoco seria desconsiderar o mundo real de maneira assim tão evidente; as afirmações seriam uma espécie de aberração. Entretanto, outra interpretação, que não anula inteiramente a anterior, é possível. Há primeiro um elemento que não se pode descartar: se elas são recorrentes devem significar algo mais.

A repetição não pode ser considerada apenas expressão de mentira. Mas para entendê-las é preciso circunscrever sua falsidade dentro de um contexto mais amplo: o governo Bolsonaro nada tem de “normal”, ele é uma ruptura em relação à vida política brasileira. Sem considerar este aspecto anterior, um conjunto de falas, gestos e ações da presidência tornam-se ininteligíveis. Não se pode esquecer que nos encontramos diante de uma situação na qual o autoritarismo (manifesta-se em diversas áreas: educação, cultura, meio ambiente, direitos humanos, etc.) tornou-se moeda corrente, quero dizer, banal. Dito de outra forma: os mecanismos institucionais intrínsecos à democracia são sistematicamente destruídos pela eleição institucionalmente democrática de um oligarca. Trata-se portanto de uma realização perversa da democracia, pois seus valores são atingidos na sua essência. 

Uma maneira de se compreender alguns traços deste mandonismo recente (lembra o fascismo de início e meados do século XX) é considerá-lo através da noção de populismo (não tenho a intenção de fazer uma discussão conceitual a respeito).

Mas faço antes uma ressalva: o termo, neste caso, não se confunde com a ideia de tradição populista existente no Brasil ou na América Latina (Vargas ou Peron), ele adquire um novo significado. O populismo atual é resultado de uma falha estrutural das democracias contemporâneas, por isso manifesta-se em diferentes lugares do planeta: Trump nos Estados Unidos, extrema-direita nos países da Europa oriental e ocidental.

Pode-se dizer que existem duas dimensões que o conceito nos ajuda a apreender da vida política nacional. Primeiro, que a ideia de povo pode ser simplificada como uma simples oposição entre “nós” e “eles”, “virtuosos” e “corruptos”, neste sentido, ele coincidiria com a parte sã da sociedade, àquela que os políticos conservadores preferem privilegiar. Segundo, a suspeita que o sistema representativo seria estruturalmente corrompido. Esta é uma reivindicação explícita dos bolsonaristas, o fim do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal; toda mediação entre governo e povo seria abolida em nome de uma representação mítica do governante, ele traduziria, sem intermediários, a vontade popular. Entre nós isso ficou conhecido como substituição da “velha” pela “nova” política. 

Para efeito de argumentação neste artigo, deixarei de lado o aspecto no qual o oligarca se vê como alguém acima das instituições democráticas. Considerar a ideia que ele exprime a vontade de um povo, significa aceitar uma premissa anterior: existe uma entidade idealizada, denominada “povo”, que coincide com a própria dimensão sociológica na qual os indivíduos que dele fazem parte estão inseridos. Não existiria assim uma defasagem entre a concepção ideal e a vida real das pessoas.

O populismo imagina que existe uma superposição entre que essas duas esferas. O representante do povo seria uma expressão do real. Colocadas dentro desta perspectiva as afirmações acima podem ser lidas dentro de uma linha distinta de interpretação. Não é difícil demonstrar que existe fome no Brasil, ou que o desmatamento da Amazônia seja um fato verídico. Os dados acumulados são suficientes para contradizer sua denegação. Porém, isso é pouco relevante, pois a afirmação não toma a realidade como seu referente.

O oligarca que a enuncia não está interessado na vida concreta das pessoas, mas na delimitação de um “nós” do qual ela seria a expressão autêntica. É este “nós”, que se manifesta, sobretudo nas redes sociais, que confere materialidade à sua falácia. Os apoiadores de Bolsonaro reforçam sua própria ilusão, ela planta raiz na concretude do terreno das disputas políticas.

Mas para se acreditar na veracidade do que está sendo dito é preciso aceitar que tal operação discursiva repousa numa ideologia (no sentido de falsa consciência) que exige uma clara separação entre “nós” e “eles”. A mentira é evidente para os que se situam fora do discurso populista, “verdadeira” para os que nele estão incluídos.

Mais importante ainda, o “nós” estabelece o vínculo, sem mediação, entre o povo e o oligarca. Isso tem uma implicação, os que se encontram fora das fronteiras desta definição restritiva e discriminatória de povo deveriam ser considerados como estrangeiros, isto é, a fração mínima a ser apagada da nação. Os insultos, as agressões e a força, tornam-se assim elementos legítimos na luta contra a parte malsã da sociedade, o “eles” que ameaça a idealização de um “nós”. Este é certamente um aspecto que diferencia o populismo no Brasil de outros países como os Estados Unidos, França ou Alemanha. Ali o “eles” é representado pelo que se encontra fora de suas fronteiras: os imigrantes. Tudo deve ser feito para impedir sua entrada para evitar a poluição dos valores originais da cultura nacional. Por isso a metáfora do muro retornou com toda sua força. Antes ela se aplicava à cidade de Berlim, cindida em duas partes incomunicáveis, representando a divisão entre capitalismo e comunismo. Agora volta a ser utilizada em relação aos limites territoriais de cada país ou conjunto de países (Comunidade Européia), separando a identidade de uns em detrimento de outros. No caso brasileiro a questão é outra, o tema da imigração não faz parte da agenda política atual (embora o fenômeno exista), ele não conquistou (pelo menos ainda) as mentes e os corações.

Neste sentido o “eles” manifesta-se no interior do espaço da nação. O ideal seria que ele desaparecesse, deixasse de existir, dando lugar apenas ao “nós” autoritário que se quer afirmar. Surge assim uma estranha figura política de nossos tempos: ser exilado em nosso próprio país. 

Renato Ortiz – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – Departamento de Sociologia – Unicamp

Taboa: moradores usam energia solar para iluminar residências e acionar eletrodomésticos

Nos lugares distantes no litoral do Maranhão a criatividade dos moradores adapta os recursos naturais para o uso cotidiano. Na ilha de Mangunça, a comunidade Taboa tem apenas seis residências, quase todas do mesmo tronco familiar. A pequena vila tem criação de gado, ovinos, caprinos, pescaria e extrativismo.

Sem energia elétrica convencional, as casas são beneficiadas com o recurso natural do sol para tornar a vida mais cômoda.

Dona Nalva explica como os moradores da Taboa adaptam placa de energia solar para iluminar as residências e acionar eletrodomésticos.

A Taboa está localizada no “fundo” da ilha de Mangunça, no município de Cururupu, litoral ocidental do Maranhão.

Mangunça é uma das 17 ilhas da Reserva Extrativista de Cururupu.

Breve novas postagens sobre o panorama da Taboa. Aguarde.

Imagens e edição: Marizélia Ribeiro

Amplificadoras: a pré-história do rádio em São Luís (parte 1)

Esse é o primeiro vídeo sobre os antigos sistemas de som com tecnologia de alto-falante, as memoráveis amplificadoras ou “voz”, como eram popularmente conhecidas.

Nossa primeira entrevistada, a aposentada Ligia Oliveira Belfort, de 77 anos, era fã de rádio desde criança. Ela lembra com empolgação dos bons anos 1950, quando vários bairros de São Luís tinham os seus próprios meios de comunicação – as amplificadoras.

Ligia Belfort morava na rua Senador João Pedro e ouvia sempre a “Voz Guarani”, localizada no bairro Coréia, nas proximidades da praça da Bíblia.

Ligia e as memórias das amplificadoras de São Luís

Ela sempre gostou de cantar e recorda com saudosismo as agitadas tardes de domingo, quando aconteciam os concorridos shows ou concursos de calouros. “Eu e minhas colegas íamos lá. Era muito bom, saudável”, recordou.

Segundo Belfort, a Voz Guarani pertencia a José Ribamar Sousa. As instalações das amplificadoras eram modestas: mesa de som, amplificadores e alto-falantes afixados nas copas de árvores ou em postes de madeira para propagar o som.

A programação normal durante os dias úteis consistia em pequenos informes como esboço de notícias, avisos de utilidade pública, recados, mensagens, leitura de versos e oferta de músicas, além dos cobiçados anúncios de festas na cidade.

Em São Luís, a primeira emissora de rádio propriamente dita, com uma estação profissional e transmissão por ondas hertzianas, tem registro em 1941, quando foi criada a rádio Timbira AM, batizada anteriormente de PRJ-9.

Vídeo / gravação e edição: Marizélia Ribeiro

Imagem destacada alto-falante capturada neste site

Junto e misturado

Eloy Melonio*

Que tal chamar o Latino para organizar a nossa festa?

Quem?! Que festa?!

Vamos contextualizar pra você entender melhor. Porque sem contexto não há texto, não é verdade?

Então, vamos lá. A festa do Latino é uma festa aberta e democrática, e mais um monte de outras coisas boas e politicamente corretas. E o Latino é aquele cantor-dançarino que interpreta músicas dançantes. Seu grande sucesso foi Festa no Apê, de 2008. Não sei se você lembra, mas, nessa balada, o astro da música pop dá um bom exemplo de cordialidade: “Olá, prazer”; “Chega aí, pode entrar”; “Quem tá aqui, tá em casa”; “Garçom, por favor, venha aqui e sirva bem a visita”.

Lembrou agora? De tão bacana, dá até vontade de entrar e curtir.

Nessa festa ficcional cabe todo o mundo: branco, negro, pobre, hétero, gordinho, gente vestindo verde, gente vestindo vermelho. O que vale é a curtição, a “alegria”. E em nome dessa alegria, todo mundo “pode chegar”.

Dado o contexto, vamos ver se as festas no mundo real também podem ser assim. Muita gente duvida, e acha que isso, hoje, é uma utopia.

O que se vê por aí são “grupos” (partidos, frentes, bancadas) puxando a brasa para sua sardinha. Mas não é pouca brasa, não! Se possível, é toda a brasa. E não é fácil imaginar uma festa em que todo o mundo possa entrar e se divertir. Porque, nessas festas, prevalece uma tendência exclusivista cada vez mais forte, onde as pessoas se reúnem segundo suas convicções, preferências, origens. E fecham a porta da casa para quem não dança a sua dança.

E assim nascem os conflitos, as disputas nas redes sociais, escolas e faculdades, nos eventos político-partidários. São tantas vozes, tantos gritos! Todo o mundo querendo ser o mais “isso”, o mais “aquilo”. Tudo isso faz parte da democracia, mas a forma como está acontecendo é que não é nada democrática. Palavras como “tolerância e respeito” parecem se esconder nos manuais de boa conduta, e de lá não saem pra nada.

Divergências são aceitáveis numa festa democrática e devem ser fomentadas. Especialmente se acompanhadas de bom senso, respeito, tolerância. Segundo o Gênesis, até Abraão discordou de Deus com relação à destruição de Sodoma e Gomorra. E tentou, sem sucesso, negociar uma forma de salvar aquelas duas cidades.

E a quem se poderia recorrer então?

Acho que a arte pode dar uma mãozinha. A música “Verdade Chinesa”, eternizada na voz de Emílio Santiago, nos mostra um ritmo possível: “Muita coisa a gente faz/ Seguindo a receita da vida normal”. E conclui: “O que vale/ É o sentimento/ E o amor que/ A gente tem no coração”.

Mas por onde andam essa “vida normal” e esse “sentimento”?

A verdade é que as redes sociais consolidaram uma ampla liberdade de expressão, abrindo canais para a troca de ideias, experiências e informações, promoção pessoal. Com tantas possibilidades, parecia que o homem finalmente encontrara a fonte da felicidade. Mas não tem sido assim. O universo virtual é uma “arena” onde as pessoas se digladiam, defendendo fervorosamente suas opiniões e posições. Acham que sabem tudo sobre tudo, e que podem dizer tudo sobre todos. E por aí vai. 

Antigamente dizia-se que todo brasileiro é um pouco de tudo: técnico de futebol, médico, advogado. Hoje parece que viramos todos (ou quase todos) “jornalistas e cientistas políticos”.

Não queria me deter nesse assunto, mas esta semana acompanhei indignado os “insultos” dirigidos a Alcione, nossa maior referência artística na atualidade, por causa de seu posicionamento em defesa dos nordestinos (e contra o presidente Jair Bolsonaro) no caso dos “paraíbas”. Tanta gente arrumando argumentos (e até vasculhando seu passado) para massacrar a Marrom. Não estou defendendo nossa conterrânea. O que defendo é “seu” (e nosso) direito de se manifestar criticamente sobre qualquer assunto. E o que condeno é a forma como esses ataques são feitos, e como são ― de forma inescrupulosa ― passados e repassados a outras pessoas.

Voltando ao nosso bom rapaz, seu disco era intitulado “Junto & Misturado: Fazendo a festa” (Som Livre). Uma revolução, porque até então tínhamos aprendido que “a gente se une, mas não se mistura”. A proposta do “junto e misturado” do Latino é pura empatia: personificada e materializada. Ou seja, rara expressão de atenção e cordialidade.

À propósito, a última estrofe do poema “Nosso Mundo”, escalado para o meu segundo livro de poesias, diz: O nosso mundo somos nós: eu, você, e os outros.

E por fim ― já que criar e acabar ministérios no Brasil parece brincadeira ― sugiro a criação do ministério do Junto e Misturado, que teria a nobre missão de promover o diálogo, a tolerância e o respeito entre cores, siglas, bandeiras, e tudo o mais que está “separado” por conta de nossas opções político-ideológicas.

Será que dá pra adivinhar quem eu sugiro para ministro?

Imagem destacada capturada neste site

Abraço Maranhão: nota de pesar pela morte do radialista Celso Costa

A Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço) no Maranhão lamenta a perda do estimado radialista e companheiro de lutas pela democracia na comunicação, Afonso Celso Costa, de 52 anos, que faleceu na tarde de sábado (27), vítima de infarto.

Celso Costa era diretor geral da rádio comunitária Portal dos Lençóis FM e foi também conselheiro tutelar na cidade de Apicum-Açu, no litoral ocidental do Maranhão.

Celso Costa, ao centro, com a equipe da rádio Portal dos Lençóis, durante o I Encontro da Abraço Maranhão na Região da Floresta dos Guarás

Além de atuar como radialista e gestor da emissora Portal dos Lençóis, Celso Costa era uma liderança atuante no movimento de rádios comunitárias, se destacando nas ações em prol do fortalecimento da Abraço Maranhão.

Como radialista e cidadão, estava sempre atento e vigilante sobre a função social do comunicador, fiscalizando e cobrando os gestores públicos e as autoridades em geral.

A Abraço Maranhão perde um grande combatente, na cidade de Apicum-Açu silencia uma voz importante no rádio e os familiares e amigos de Celso Costa ficam na saudade diante da ausência precoce de um homem solidário, companheiro e querido.

Celso Costa visitando a rádio web Tambor, parceira da Abraço Maranhão

Nós, da Abraço Maranhão, lamentamos profundamente a passagem de Celso Costa e nos solidarizamos com a sua família, amigos e ouvintes da rádio comunitária Portal dos Lençóis FM.

Desejamos que o seu exemplo de vida e a prática de radialista sirvam de inspiração para outros comunicadores e comunicadoras comprometidos com os bons princípios.

Casa D’Arte recebe o guitarrista pernambucano Antônio de Hollanda

O Quintal Cultural, do Casa d’Arte, apresenta o Cantor, Compositor e Guitarrista pernambucano Antônio de Hollanda, com seu show autoral, ao pôr do sol, no próximo sábado, 20 de julho, como parte da programação em comemoração aos 5 anos do Casa D’Arte Centro de Cultura.

Desde criança, Antônio de Hollanda, esteve sempre presente em rodas de violão da família, originária de Barreiros, Zona da Mata Sul de Pernambuco, onde aprendeu a tocar o instrumento com o seu pai e seu tio. Em 2011, Antônio mudou-se para a Espanha, onde estudou a música flamenca que abriu uma nova dimensão do violão para o artista. Em Segovia (Espanha), realizou diversos shows solo e também em parceria com o músico espanhol José Escudero e a dançarina argentina Gisela Zaid. O artista trabalhou, ainda, com trilha sonora para teatro, vídeoarte, cinema e documentários.

Antônio de Hollanda também é arteterapeuta e facilita oficinas de música em uma instituição de Saúde Mental no Recife. O músico apresentará seu trabalho autoral em formato solo, com voz, violão e pedais eletrônicos, onde faz uma fusão entre a música nordestina, o rock e a world music.

Como sempre, a nossa Cozinha Guará estará funcionando com as deliciosas comidinhas criativas.

E também você poderá apreciar a exposição Urban Sketchers SLZ, do coletivo, de mesmo nome, que desembarcou nas areias e manguezais de Raposa para desenhar a cidade.

DIA 20 de julho a partir das 16h (Show ao põr do sol)

ENTRADA FRANCA – Contribuição voluntária (contribua com o que quiser ou puder).

Local: Casa d´Arte Centro de Cultura. Rua do Farol do Araçagy, nº 09 – Raposa / MA

(Rua em frente à clínica Ruy Palhano).

Informações: www.casadarte.art.br / (98) 99974-9366 / (98) 98160-9188

vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=uNjhXUQvP84

Rádio & Literatura: produção de estudantes da Ufma adapta crônicas de Josué Montello

Um encontro entre a literatura e o rádio com base no gênero educativo-cultural. Esse foi um dos resultados da disciplina Produção e Direção de Programa de Rádio no primeiro semestre de 2019, no curso de Rádio e TV da Universidade Federal do Maranhão (Ufma).

Ao longo da disciplina os estudantes leram várias crônicas do escritor Josué Montello e adaptaram trechos para o rádio.

As crônicas foram retiradas do segundo volume da obra “Josué Montello (Escritores Maranhenses: 1966-1993)”, organizado pela bibliotecária e diretora da Casa de Cultura Josué Montello, Joseane Sousa, lançado em 15 de março de 2019.

Ouça os trabalhos clickando nos links abaixo:

Crônica de Josué Montello sobre Raimundo Magalhães Jr, biógrafo de Arthur Azevedo

Crônica de Josué Montello sobre Joaquim Serra

Crônica de Josué Montello sobre Cândido Mendes

Crônica de Josué Montello sobre Bandeira Tribuzzi

Crônica de Josué Montello sobre Luis Augusto Cassas

Crônica de Josué Montello sobre Maria Firmina dos Reis

Os alunos produziram os programas, com média de 6 minutos, no Laboratório de Rádio do Curso de Rádio e TV, como parte das atividades da disciplina ministrada pelo professor Ed Wilson Araújo e trabalhos técnicos do radialista Saylon Sousa.

As produções foram realizadas pelos alunos e alunas Bárbara Liz, Daniel Teixeira, Geovane Camargo, Janilton Silva, Kaio Lima, Livia Lima, Beatriz Benetti, Lucas Fonseca, Marileide Lima, Valdo Tavares e Vivian Nunes, com participação especial de Brenda Diniz.

Ouça aqui outra produção (especial Marielle Vive) dos alunos da disciplina Produção e Direção de Programa de Rádio no primeiro semestre de 2019.

Sobre o livro

No livro “Josué Montello (Escritores Maranhenses: 1966-1993)” constam 57 crônicas que foram publicadas entre os anos de 1966 a 1993 no Jornal do Brasil, onde Josué Montello tinha uma coluna intitulada Areia do Tempo. Entre as crônicas selecionadas estão presentes escritores que remontam a infância e juventude de Josué Montello, como Antonio Lopes, Dunshee de Abranches, a professora Celina Nina, entre outros, e também os amigos que já faziam parte do mundo literário ou aqueles que estavam iniciando sua trajetória como Gonçalves Dias, Humberto de Campos, Sousandrade, Maria Firma dos Reis, Odylo Costa filho e Nauro Machado.

Imagem destacada de Josué Montello capturada neste site

Marielle Vive: programas de rádio abordam violência, resistência e a participação da mulher na literatura e no movimento sindical

Os estudantes da disciplina Produção e Direção de Rádio concluíram o primeiro semestre de 2019 apresentando ao vivo uma série de quatro programas especiais com temas relacionados à vida e militância da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro.

Kaio Lima, Vivian Nunes, a escritora Milena Carvalho e Janilton Silva

Ao longo da disciplina os alunos fizeram o trabalho de produção organizado em quatro temas:

1 – Serviço Social e os direitos da mulher (ouça aqui)

2 – Violência contra a mulher (ouça aqui)

3 – A mulher na literatura (ouça aqui)

4 – A mulher no movimento sindical

Marileide Lima, Daniel Teixeira, escritora Mary Ferreira
e Valdo Tavares. Em pé: Saylon Sousa

Para cada tema a produção dos programas escalou uma especialista convidada para entrevista ao vivo, respectivamente: as professoras da Universidade Federal do Maranhão (Ufma) Marly Dias (Departamento de Serviço Social) e Mary Ferreira (Departamento de Biblioteconomia); a escritora Milena Carvalho e a diretora do Sindicato dos Bancários Gerlane Pimenta.

Geovane Camargo, Livia Lima, professora Marly Dias e Bárbara Liz

O objetivo dos programas é manter acesa a chama do legado de Marielle Franco para a defesa dos direitos da mulher, assegurando visibilidade aos assuntos fundamentais diretamente relacionados ao combate à violência, legislação protetiva, atuação feminina em áreas como literatura e nas lutas e espaços de resistência, a exemplo do movimento sindical.

Beatriz Benetti e a dirigente do Sindicato dos Bancários Gerlane Pimenta

As apresentações aconteceram dias 21 e 28 de junho de 2019, com transmissão ao vivo pelo Facebook e gravação em áudio. Todos os programas foram produzidos como atividade prática da Sala de Rádio, recurso didático idealizado e coordenado pelo professor Ed Wilson Araújo para proporcionar experimentos teórico-práticos aos estudantes, com trabalhos técnicos do radialista e pesquisador Saylon Sousa.

Participaram da série Marielle Vive alunos e alunas da turma de Produção e Direção de Programa de Rádio, formada por Bárbara Liz, Daniel Teixeira, Geovane Camargo, Janilton Silva, Kaio Lima, Livia Lima, Beatriz Benetti, Marileide Lima, Valdo Tavares e Vivian Nunes.

Temporada 2019 de RicoChoro ComVida na Praça estreia com a guitarrada do Pará

Mestre Solano é o convidado da primeira edição do projeto este ano. As apresentações acontecem até novembro em diversas praças de São Luís

A estreia da quarta temporada de RicoChoro ComVida na Praça acontecerá no próximo sábado (20), às 19h, na Praça da Fé (Casa do Maranhão, Praia Grande). O projeto, idealizado e produzido por Ricarte Almeida Santos, segue firme no propósito de estimular o encontro entre diversas linguagens musicais brasileiras, entre o instrumental e o cantado. Este ano abre espaço também para a poesia.

O projeto é uma realização de Eurica Produções, Girassol Produções Artísticas e RicoChoro Produções Culturais, com patrocínio de TVN, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão. Em 2019 RicoChoro ComVida na Praça terá cinco edições e acontece até novembro. Toda a programação é gratuita.

Outra novidade nesta temporada de RicoChoro ComVida na Praça é a parceria com a Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo. Às vésperas das apresentações de convidados nacionais, haverá rodas de conversa com os artistas, que serão realizadas nas dependências da Emem. “Para nós é uma alegria estabelecer essa parceria. A Emem é um símbolo de qualidade na formação sólida de diversos talentos nossos. Por exemplo, os integrantes do Caçoeira, todos foram alunos da Escola de Música”, celebra Ricarte.

Ano Joãozinho – A partir deste ano, RicoChoro ComVida na Praça passa também a homenagear uma personalidade do Choro no Maranhão. Em 2019 o escolhido é o poeta e compositor Joãozinho Ribeiro, que celebra 40 anos de carreira. Samba e choro são dois gêneros de destaque no repertório do artista, que, nos moldes do projeto, percorreu diversas comunidades da ilha de São Luís entre os anos de 2002 e 2003 com o projeto “Samba da Minha Terra”.

A primeira edição terá como convidados o DJ Franklin, desde sempre um dos mais requisitados da Ilha, e performance poética com o mímico Gilson César. “Eles ajudam a criar uma ambiência, um clima, mas são parte do espetáculo. Queremos que as pessoas curtam música, poesia, num exercício de vivência comum, ocupando espaços públicos, dando nossa modesta contribuição para os esforços de revitalização da cidade que têm sido anunciados”, comenta Ricarte.

O grupo anfitrião da noite será o Regional Caçoeira, formado por João Eudes (violão sete cordas), Lee Fan (flauta e saxofone), Wanderson Silva (percussão) e Wendell Cosme (bandolim e cavaquinho), jovens virtuoses que há algum tempo ganharam notoriedade na cena musical da cidade, figuras fáceis em fichas técnicas de shows e discos de diversos artistas maranhenses.

A rede de pesca que empresta nome ao grupo alude ao passeio por diversos gêneros que o quarteto faz a cada apresentação, sobretudo mesclando o Choro a ritmos da cultura popular do Maranhão. Um balanço – para novamente lembrar do mar, do Maranhão – inigualável.

Choro e guitarrada – O grande convidado do sarau de estreia é Mestre Solano, o rei da guitarrada, direto do Pará. Ele lançou em setembro passado o cd “As guitarradas de um mestre”, em que, além do gênero que lhe dá título, passeia por cumbia, merengue, calipso, carimbó e bolero, entre outros. Aos 63 anos de carreira, com 17 álbuns lançados, o artista promete uma noite dançante.

Mestre Solano é o convidado especial da estreia. Imagem: divulgação

“Americana” (Frank Carlos), também já gravada por nomes como Alípio Martins e Arnaldo Antunes, é seu maior hit, gravado por ele na década de 1980, na formação Solano e Seu Conjunto.

Mestre Solano nasceu em Abaetetuba – “terra morena de garotas de valor”, como canta o conterrâneo Pinduca –, onde ainda na infância começou a “arranhar” um banjo. Depois mudou-se para a capital Belém, onde ingressou no Corpo de Bombeiros, tendo sido músico da corporação militar.

Acessibilidade — Todas as edições de RicoChoro ComVida na Praça garantem a presença confortável de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. O projeto garante banheiros acessíveis, assentos preferenciais com sinalização, audiodescrição e tradução simultânea em libras.

Serviço

O quê: estreia da temporada 2019 de RicoChoro ComVida na Praça

Quando: dia 20 de julho (sábado), às 19h

Onde: Praça da Fé (Casa do Maranhão, Praia Grande)

Quem: Gilson César, DJ Franklin, Regional Caçoeira e Mestre Solano (Pará)

Quanto: grátis

Patrocínio: TVN, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão

Realização: Eurica Produções, Girassol Produções Artísticas e RicoChoro Produções Culturais

Roda de conversa

O quê: Roda de conversa

Quando: dia 19 de julho (sexta-feira), às 16h

Onde: Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo (Rua da Estrela, 363, Praia Grande)

Quem: Mestre Solano e Ricarte Almeida Santos

Quanto: grátis

Patrocínio: TVN, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão

Realização: Eurica Produções, Girassol Produções Artísticas e RicoChoro Produções Culturais

Programação completa (sempre às 19h)

20 de julho

Local: Praça da Fé (Casa do Maranhão, Praia Grande)

Grupo anfitrião: Regional Caçoeira

Artista convidado: Mestre Solano (Pará)

Dj: Franklin

Poesia: Gilson César

24 de agosto

Local: Praça do Letrado (Vinhais)

Grupo anfitrião: Mano’s Trio

Artista convidado: Chiquinho França

Dj: Pedro Dread Lock

Poesia: Mano Magrão

21 de setembro

Local: Praça Carlos de Lima (Lagoa da Jansen)

Grupo anfitrião: Quarteto Buriti

Artistas convidados: Paulão e Mila Camões

Dj: Victor Hugo

Poesia: Áurea Maria

19 de outubro

Local: Largo da Igreja do Desterro

Grupo anfitrião: Trítono Trio

Artistas convidados: Cláudio Lima e Célia Maria

Dj: Vanessa Serra

Poesia: Rosa Ewerton

9 de novembro

Local: Praça Gonçalves Dias (Centro)

Grupo anfitrião: Quarteto Crivador

Artista convidado: Messias Britto (Bahia)

Participação especial: Joãozinho Ribeiro (homenageado da temporada)

Dj: Joaquim Zion

Poesia: Celso Borges

Imagem destacada / divulgação / Grupo Caçoeira

Quase reintegrado, Labidi cogita ser interventor na Ufma

Algumas pessoas ainda não sabem que o professor Sofiani Labidi pediu registro de candidatura à Reitoria da Universidade Federal do Maranhão (Ufma) na recente consulta prévia, realizada em junho de 2019. A solicitação foi negada porque o pretenso candidato estava demitido da Universidade, resultado de uma penalidade que se estendia desde 2014. Ao pé da lei, como professor de Dedicação Exclusiva à UFMA, ele não podia dar aula também no Ceuma.

Registro oficial da Ufma no qual Labidi solicita inscrição na consulta prévia

Apesar do obstáculo administrativo, ele ingressou na Justiça mas perdeu, em definitivo, a chance de participar da consulta prévia.

A candidatura à Reitoria não vingou, mas o retorno aos quadros da Ufma é questão de dias, com recebimento de retroativos, inclusive. Faltam apenas algumas formalidades como a publicação da portaria de reintegração. Em entrevista ao Blog do Ed Wilson, ele afirmou que o processo da sua demissão foi ilegal, fruto de perseguição da gestão anterior.

Detalhe: a decisão judicial reintegra o docente, mas não invalida o PAD (Processo Administrativo Disciplinar) que o demitiu. Nesse entendimento, a investigação sobre a irregularidade (aulas concomitantes na Ufma e no Ceuma) pode prosseguir.

Apesar de não ter concorrido na recente consulta prévia de 2019, ele pensa em ser reitor. E manifesta com entusiasmo a intenção de disputar o cargo em 2023 ou mesmo chegar ao posto de magnífico por um eventual e ruidoso atalho. “Tenho saúde e idade”, celebrou, lembrando que fora candidato em 2015 contra a vontade do ex-reitor Natalino Salgado.

Assim, o que mais intriga a sequência de fatos no contexto da sucessão na Ufma é a solicitação do registro da candidatura de Labidi a reitor, mesmo ele sabendo que estava demitido e as chances de concorrer eram zero.

No jargão da política no Maranhão costuma-se dizer que até boi voa. Por falar em assunto de avião, o primeiro colocado na consulta prévia, Natalino Salgado, nem teve tempo de comemorar. Voou logo na madrugada do dia 27 de junho e amanheceu em Brasília, a tiracolo do deputado federal Aluísio Mendes (Pode), que intermediou uma reunião com o ministro da Educação Abraham Weintraub.

Weintraub, Aluisio e Natalino
reuniram após a consulta prévia

Pela ordem, os mais votados para a Reitoria foram Natalino Salgado, João de Deus e Ridvan Fernandes.  

João de Deus, candidato da reitora Nair Portela, também teve um encontro com o ministro Weintraub. Segundo a notícia publicada no site da Ufma, a reunião tratou de demandas urgentes, apresentação de projetos, relatórios de obras e desafios da instituição. O diálogo foi mediado pelo deputado Juscelino Filho (DEM), líder da bancada maranhense na Câmara Federal.

João de Deus, Juscelino, Weintraub e Nair Portela conversaram sobre obras na Ufma

O lobby no Ministério da Educação é meio caminho para o nome indicado chegar à mesa do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), que tem a palavra final sobre a escolha dos reitores das universidades federais.

Pela regra, a lista tríplice ainda será formada no Conselho Universitário (Consun) da Ufma, órgão máximo deliberativo e normativo, convocado para o próximo dia 18 de julho. Nessa etapa os conselheiros podem compor os três nomes até mesmo com pessoas que não participaram da consulta prévia.

As práticas republicanas, o princípio democrático e o bom senso recomendam a escolha do primeiro colocado na consulta prévia, obedecendo à vontade da maioria.

Ocorre que, mesmo no caso de a lista ser formada com os três nomes mais votados, ninguém garante que Bolsonaro vá seguir as regras atuais da indicação dos reitores das universidades. Avesso à democracia, ele já deu algumas demonstrações de desprezo pela vontade da maioria em outras instituições de ensino superior, infelizmente.

Labidi e Garcês: bolsonarismo raiz

Considerando o perfil de Bolsonaro, a intervenção é um fantasma que assombra a democracia e a autonomia das universidades federais.

Perguntado sobre uma remota possibilidade de vir a ser escolhido para um mandato intervencionista, Labidi fez contorcionismo para dizer que este método autoritário não é ideal, mas ele toparia. “Caso meu nome seja proposto eu aceitaria com o maior prazer porque nosso desejo é contribuir com a Universidade”, frisou.

O(a) leitor(a) pode pensar que as pretensões do professor readmitido sejam blefe. Afinal, como Labidi sentaria na janela do ônibus se o registro de sua candidatura foi negado administrativamente, ele ingressou na Justiça e perdeu!?

Fato é que Labidi se movimenta. Recentemente, durante a fracassada manifestação dos bolsonaristas a favor do ministro Sergio Moro, em São Luís, o professor fez pose para foto ao lado do seu amigo e também docente da Ufma, Alan Garcês, cedido ao Ministério da Saúde e com trânsito no governo federal.

Labidi, ao centro, com o general

Uma fonte de Brasília afirma que os dois amigos percorrem os gabinetes próximos ao clã Bolsonaro em busca de apoio, inclusive com os militares. Labidi reuniu até com um general do Batalhão de Infantaria de Selva. Em resumo, o professor está perto de ser reintegrado à Ufma. Parece animado e, nas entrelinhas, não desculpa seu algoz Natalino Salgado. Nos bastidores do campus do Bacanga comenta-se que ele é um pote até aqui de mágoas com o ex-reitor.

Foto destacada: Paulo Soares / O Estado do Maranhão