Gênios e espírito coletivo no futebol

De natureza coletiva, o futebol é um esporte fascinante. Nele há sempre as estrelas mais brilhantes.

É assim desde sempre e a cada competição algum jogador vai além dos demais, impulsionado pelas suas qualidades dentro de campo e pelos interesses dos patrocinadores. Afinal, futebol também é um negócio.

Na Copa de 2014, apesar dos gênios, a campeã Alemanha teve a marca do jogo objetivo, tecnicamente equilibrado, sem delegar a conquista do título a um gênio.

Em 2018 há vários jogadores especiais em diversas equipes. Por enquanto, ainda não brilharam as estrelas de Messi (Argentina) e Neymar (Brasil).

Por enquanto reluz absoluto Cristiano Ronaldo (Portugal), que de fato está com o desempenho merecedor das expectativas de que ele seria o grande guia do time.

Neymar ainda é dúvida.

A julgar pelos resultados até agora obtidos, a seleção brasileira precisa melhorar muito para chegar ao título.

Do jogo contra a Costa Rica o mínimo que se poderia esperar era uma goleada de 4 tentos, mas o time só desencantou no final, com um 2 x 0 que não convence nem os fanáticos.

Investir na genialidade de Neymar pode ser um equívoco, mas só o desenrolar dos jogos dirá se esse é o caminho correto.

Na minha modesta opinião, melhor seria apostar no jogo coletivo, sem salvadores da pátria, porque nesta copa nem os times desacreditados estão para brincadeira.

Foto: Jason Cairnduff/Reuters

Vias de Fato: Qual o contraponto a Sarney no Maranhão? (parte 1)

A classe política maranhense iniciou o mês de junho discutindo pesquisas pré-eleitorais. No Brasil, elas costumam ser utilizadas como mais um instrumento para tentar manipular a opinião pública. E custam muito dinheiro, tornando-se um dos primeiros sinais da desigualdade econômica entre candidatos. Porém; como não são proibidas; temos que considerá-las.

A julgar pelos números recentemente divulgados poderemos ter, este ano, mais uma eleição bastante disputada para o governo do Maranhão.

Nos últimos vinte anos, entre 1994 e 2014, foram realizadas seis eleições gerais no Brasil. Em quatro delas, a eleição de governador foi decidida no Maranhão por um percentual muito apertado de votos, em torno de 1 a 2%. Esse aperto ocorreu em 1994, 2002, 2006 e 2010.

Isso pode se repetir esse ano? Pode, sim. É uma possibilidade.

Hoje só existe o atual governador Flavio Dino (PC do B) colocado claramente na disputa. Já é certo que ele vai concorrer à reeleição. E Dino vem sendo apontado por aliados como favorito absoluto, num ambiente de quase “já ganhou”. Mas ainda pairam várias dúvidas sobre quem serão seus adversários…

A possibilidade de um acirramento passa inicialmente pelas possíveis candidaturas do ex-candidato a prefeito de São Luís Eduardo Braide (PMN) e da ex-governadora Roseana (MDB). Eduardo Braide tem um potencial de crescimento eleitoral reconhecido por “gregos” e “troianos”, enquanto o que restou do grupo Sarney conhece muito bem o tabuleiro. Com essas outras duas candidaturas na disputa, a tendência é de um jogo acirrado. Essa análise tem sido senso comum.

Existe uma situação, no entanto, que já tomou conta da pré-campanha. A presença do nome do ex-senador José Sarney em vários discursos, dentro e fora do Maranhão. Esse é um fato que chama a atenção.

E o que representa José Sarney em 2018?

Aos 88 anos, sem mandato e correligionário de um presidente que está “nocauteado em pé”, ele não é exatamente alguém com um futuro político promissor. Muitos dos antigos servos se afastaram. Gastão Vieira, por exemplo, já é quase “mais um revolucionário” e Pedro Fernandes (PTB), o pai de Pedro Lucas, esnobou um cargo de Ministro de Estado. O que mudou? O que permanece exatamente igual?

O nome de Sarney aparece por conta da possível candidatura de Roseana ao governo. Mas isso, por si só, é justificativa para tanto falatório em torno dele? Vamos pensar juntos!

Há quem interessa hoje ter a figura do “Homem do Convento” no centro do debate? Esta eleição será plebiscitária? Um plebiscito em torno de Sarney faz algum sentido em 2018? Sim? Por quê? Em que termos? Uma candidatura de Roseana, hoje, nos remeteria a uma conjuntura parecida com a das décadas de 1990 e 2000? Quantos prefeitos apoiam Roseana, hoje? Quantos deputados? Empresários? Onde estão vários de seus ex-secretários? E por que o antes gigantesco grupo Sarney encolheu? Por que tantos que antes viviam caladinhos agora detonam com um Sarney ancião? Por que setores da imprensa nacional resolveram entrar nesse tema? Esse povo do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília descobriu que o Maranhão existe? Por quê? Onde está o interesse público nesse atual falatório? Vamos localizá-lo! Como se qualifica esse debate?

Nosso papel aqui é fazer essa provocação, com a autonomia e legitimidade de quem sempre fez e continuará fazendo oposição à estrutura oligárquica maranhense.

Ao longo de décadas, nesse mesmo Maranhão, normalmente não existe um debate entre os que efetivamente disputam o poder central. A verdadeira crítica não costuma ser praticada e quando é feita não é bem recebida, imperando a cultura do medo, vivida num ambiente historicamente autoritário. A sociedade – incluindo muitos “formadores de opinião” – depende muito do poder público, da dita “classe política”. E quando se aproximam as eleições, o debate segue ausente, sendo substituído por agressões entre governistas e dissidentes. Nesse processo a baixaria costuma ser regra, tornando-se crescente na medida em que se aproxima o dia da eleição. E o que deveria ser conteúdo político e informação é substituído por violência, mentira, calúnia e, mais recentemente, por um marketing eleitoral despolitizado, do tipo “propaganda de sabonete”.

E aí? No meio disso tudo, qual o contraponto a Sarney?

Sem dúvida, o ex-senador representou e ainda representa o que tem de pior na política. Mas hoje; já beirando os 90 anos e aposentado dos mandatos há quatros anos; como devemos tratá-lo?

Nós consideramos que o Coronel das Mercês precisa ser debatido a partir de seus métodos, ideias e práticas. Precisamos avaliar uma cultura política. Uma estrutura de poder.

No Maranhão existem vários (vários!) vereadores, deputados, prefeitos, juízes, desembargadores, senadores e governadores que seguem e praticam as mesmas ideias e métodos de Sarney. Olhem com atenção! O que muda é o alcance do poder de cada um.

Consideramos que essa é a avaliação e o debate a serem feitos, incluindo obviamente o mandato do atual governo Flávio Dino, eleito com um discurso baseado na palavra “mudança”.

Esse é o ponto central do debate na campanha eleitoral e pra depois dela. É saber qual agenda anti oligárquica. E se essa agenda está ou não está em curso no Maranhão. E quais são (ou seriam) os reflexos dela nas áreas social, política, cultural, econômica e ambiental.

O contraponto a oligarquia passa por esse debate.

Sarney já fez muito mal ao Maranhão, mas hoje, depois de tudo de ruim, seu nome não pode servir como uma cortina de fumaça para esconder a discussão em torno das verdadeiras questões que interessam o presente e o futuro do Estado.

Fonte: Jornal Vias de Fato

Zé Reinaldo acende uma vela para Flávio Dino e outra para José Sarney

Simultaneamente, o deputado estimula a candidatura de Eduardo Braide e fragmenta os tucanos. Nesta etapa dinâmica da pré-campanha, atrapalha e ajuda o projeto da reeleição do governador.

É preciso ficar muito atento aos movimentos do deputado federal José Reinaldo Tavares (PSDB).

Um homem que se locupletou quase a vida inteira dos favores, cargos e privilégios da oligarquia deve ter aprendido muitos segredos com seu padrinho José Sarney.

Este mesmo animal político, movido por uma paixão (Alexandra Tavares) e poderes palacianos, lançou três candidatos – Aderson Lago (PSDB), Edison Vidigal (PSB) e Jackson Lago (PDT) – contra Roseana Sarney, em 2006, adubando a vitória da Frente de Libertação do Maranhão.

Pela primeira vez, desde 1965, José Sarney provou o fel de uma traição que lhe tirou o bem mais precioso – a chave do cofre do Palácio dos Leões. E o arquiteto dessa façanha foi seu meio filho José Reinaldo Tavares.

De todos os políticos que jogam no Maranhão, José Reinaldo conhece o poder e sabe usar as armas do governo e da oposição quando lhe convém aos interesses particulares.

Ele tem sangue frio, é pragmático e navega no mundo e no submundo das estratégias eleitorais.

José Reinaldo é tão frio que, mesmo depois de sentir o aperto das algemas na operação Navalha, em 2007, já escreveu vários artigos propondo uma repactuação com José Sarney.

Basta observar o ziguezague dele para perceber sua astúcia: nasceu, cresceu e se locupletou com José Sarney (PMDB), armou a vitória de Jackson Lago (PDT) contra Roseana Sarney (PMDB) em 2006, engajou-se na eleição de Flávio Dino (PCdoB) em 2014, rompeu com o governador comunista, filou-se ao PSDB e estimula a candidatura de outro partido PMN (Eduardo Braide) para o governo do Maranhão.

Ele fez uma trajetória igual à de qualquer político tradicional. Não importa se o governo é de esquerda, centro ou direita.

A essa altura do processo eleitoral, José Reinaldo acende uma vela para os comunistas e outra para seu velho amigo José Sarney, com o qual nunca rompeu, apenas afastou-se por uma circunstância especial de amor e poder.

Em maio de 2018, a cinco meses da eleição, José Reinaldo opera para implodir o PSDB e estimular a candidatura de Eduardo Braide (PMN). Por um lado, tenta alavancar o segundo turno; de outro, fragiliza a candidatura do tucano Roberto Rocha.

Observe atentamente. Para quem tem fama de agregador, quando montou a Frente de Libertação do Maranhão, José Reinaldo agora opera a diáspora da oposição.

Nessa dinâmica da política, qualquer resultado lhe pode ser benéfico.

Se a candidatura de Eduardo Braide vingar e for ao segundo turno, José Reinaldo pode refazer a ponte com José Sarney para derrotar Flávio Dino e se posicionar no pós-2022, quando haverá um campo aberto sem a figura do governador comunista na condição de candidato ao Palácio dos Leões.

Fragmentando a oposição com os ataques ao PSDB, José Reinaldo ajuda o governador agora em 2018 e cria um cenário que pode até ser decidido em primeiro turno.

Se Flávio Dino vencer, Tavares se reaproxima dos comunistas, usando o argumento de que implodiu a candidatura de Roberto Rocha e fragilizou a oposição.

José Reinaldo sabe que dificilmente se elege senador. O trabalho dele é articular, conspirar e colher os resultados.

Ele pode ser vitorioso pelo simples fato de levar a eleição para o segundo turno, caso consiga construir a candidatura de Eduardo Braide. Mas, terá ganho também se operar forte no desmonte do PSDB, atrapalhando a candidatura de Roberto Rocha.

De uma coisa temos certeza. José Reinaldo é um conservador de direita, mas se movimenta com qualquer grupo que atenda aos seus interesses privados.

Basta ver como se posiciona.

Sob o argumento de que Dilma Roussef e o PT eram corruptos, votou pela degola da presidente. Já na votação que levaria Michel Temer às barras da Justiça, foi contra.

Você, car@ leitor@, bem sabe onde e com quem ele aprendeu a jogar esse jogo.

Memórias de São Luís: site Agenda Maranhão conta a história da rua do Egito

O jornalista e pesquisador José Reinaldo Martins apresenta um recorte histórico com base em fotografias antigas de uma das ruas mais importantes de São Luís. A imagem destacada neste post é do fotógrafo Gaudêncio Cunha.

A rua do Egito não era uma via larga, como é, hoje, se comparada com as ruas e becos estreitos do Centro Histórico de São Luís.

Permaneceu estreita até a década de 1930, quando os prefeitos Otacílio Ribeiro Saboia (governou o município de 1936 a 1937) e Pedro Neiva de Santana (de 1937 a 1945) colocaram em prática um projeto de renovação urbana para mudar a feição da cidade colonial para uma cidade moderna, com o alargamento de ruas, como a do Egito, e criação de novas avenidas, como a Magalhães e Getúlio Vargas.

Na Rua do Egito, os casarões coloniais foram demolidos e, no lugar, foram erguidos os bangalôs e outros imóveis, entre os quais, o do Cine Roxy, hoje, Teatro da Cidade.

Até meados do século XIX, a Rua do Egito era um dos orgulhos da paisagem urbana de São Luís por causa de seus belos e altos casarões.

Essa concepção, imponente no século XIX e que ficou ultrapassada na década de 1930, foi produto do Ciclo do Algodão, que começou com a criação da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão, em 1755, pelo Marques de Pombal, o todo poderoso em Portugal no reinado de D. José I.

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Nota da Abraço repudia violência contra as rádios comunitárias no Maranhão

Veja nota da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias no Maranhão:

A Associação Brasileira de Rádios Comunitárias no Maranhão (Abraço-MA) repudia a iniciativa do deputado federal Hildo Rocha (MDB) que, através de uma “Notícia de Fato”, solicita medidas repressoras às rádios comunitárias, ferindo o princípio da liberdade de expressão e manifestação do pensamento, bases fundamentais da democracia, asseguradas na Constituição Federal de 1988.

Veja o documento integral aqui

O parlamentar representa à Procuradoria Geral da República, à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações; e ao Ministério Público Federal em São Luís, solicitando a fiscalização e a repressão (veja no link à p. 27) às emissoras comunitárias.

Está claro que nas digitais da “Notícia de Fato” estão os interesses do grupo político liderado por José Sarney em silenciar emissoras comunitárias.

Regidas pela lei federal 9.612/98, as rádios comunitárias são fruto da luta dos movimentos sociais que atuam no Brasil desde o processo de resistência à ditadura militar e estão organizadas nacionalmente através da Abraço (Associação Brasileira de Rádios Comunitárias) e nas suas filiadas nos estados.

Junto a várias organizações dos movimentos sociais, as emissoras comunitárias e as suas entidades representativas atuam nas frentes de luta nos campos político e jurídico para construir no Brasil uma política de comunicação que atenda aos princípios da democracia e da pluralidade, bases do Estado Democrático de Direito.

É impossível haver uma sociedade justa e democrática com a atual configuração dos meios de comunicação, marcada pela concentração empresarial, controle político e direcionamento das verbas publicitárias para as grandes redes de rádio, TV, jornais e portais.

O Maranhão é considerado o estado com a maior concentração de mídia no Brasil, assegurando privilégios ao grupo liderado por José Sarney e ao seu império midiático colocado a serviço da propaganda política e eleitoral que assegurou quase 50 anos de dominação em nosso estado.

Repressão e censura são dispositivos arcaicos utilizados pelas ditaduras militares e golpes que maculam a democracia no Brasil e na América Latina.

O documento apresentado pelo deputado Hildo Rocha invoca o Código Brasileiro de Telecomunicações para fundamentar seu pedido de repressão às emissoras comunitárias. Trata-se de uma legislação anterior à ditadura militar que vem sendo repudiada em todos os fóruns de luta pela democratização da comunicação.

Ao atacar as rádios comunitárias, o parlamentar joga uma cortina de fumaça no verdadeiro debate sobre mídia e poder no Maranhão, qual seja: na ausência de uma política democrática de comunicação, predomina o uso político dos meios para atingir finalidades eleitorais, prática nociva ao interesse público e demasiadamente utilizada pelo sistema de comunicação ao qual Hildo Rocha está atrelado e representa.

Esse é o verdadeiro debate que interessa às rádios comunitárias e à democratização da comunicação no Maranhão.

Para quem fala em nome de um império midiático, o pedido de repressão às rádios comunitárias é uma violência, um atentado a todas as tentativas de democratização da comunicação.

São Luís, 03 de junho de 2018

Diretoria Executiva da Abraço Maranhão

Sobre a comunicação no Maranhão!

O grupo do senador José Sarney, dono de um império midiático, diz estar “preocupado” com a “democratização” da comunicação no Maranhão, acionando por conta disso a Polícia Federal e a Procuradoria Geral Eleitoral. Segundo Sarney/Mirante, o atual governo estadual, sob o comando de Flávio Dino, estaria fazendo uso eleitoral de emissoras de rádio e TV, incluindo a Rádio Timbira, que pertence ao poder público. No meio desse conflito, movido evidentemente por razões eleitorais, o grupo Sarney disse que “rádios comunitárias” recebem vantagens “imorais” do atual governo.

Diante dos fatos e de um tema que interessa a toda a sociedade, o Jornal Vias de Fato se sente na obrigação de se manifestar:

1º – Para a classe política maranhense o tema comunicação sempre foi, ao longo do tempo, sinônimo de manipulação da opinião pública e concentração de poder. Sendo assim, repudiamos toda e qualquer acusação que possa depreciar o necessário movimento de criação e fortalecimento de rádios verdadeiramente comunitárias no Maranhão.

2º – Diante das acusações feitas pelo grupo Sarney no intuito de atingir a reputação das autênticas rádios comunitárias; sugerimos que seja feito um pedido de informação ao atual governo, baseado na Lei nº 12.527/2011, sobre todos os gastos com comunicação desde 1.º de janeiro de 2015 até os dias de hoje. Lembramos que essa foi uma demanda do I Seminário Comunicação e Poder no Maranhão, realizado em outubro do ano passado.

3º – A Associação Brasileiras de Rádios Comunitárias no Maranhão (Abraço-Ma), na gestão presidida pelo professor Ed Wilson Araújo, tem sido parceira do Jornal Vias de Fato na difícil luta pela democratização da comunicação em nosso estado. Junto com a Abraço-Ma e várias outras organizações, promovemos o I Seminário Comunicação e Poder no Maranhão. Este evento trouxe bons frutos, consolidando alianças estratégicas, dentro e fora do estado. Porém, esse debate ainda não foi suficiente para alterar a injusta distribuição de recursos públicos da comunicação no Maranhão.

4º – A política de comunicação do atual governo do Maranhão ainda não avançou no sentido de fazer com que o orçamento público seja utilizado para fracionar o poder e ampliar voz de setores historicamente oprimidos, garantindo a todos eles a absoluta liberdade de expressão e autonomia. Trata-se de uma política pública que segue conservadora e submetida a um status quo.

5º – A Rádio Timbira foi completamente abandonada e sucateada pelos governos de Roseana, num evidente prejuízo a sociedade maranhense. O atual governo recolocou a Timbira no ar. Isso é um avanço. Cabe a opinião pública discutir; democraticamente; até que ponto a programação da rádio é de interesse público ou de interesse da propaganda e reeleição do atual governo.

6º – Repudiamos qualquer tentativa de fechar, calar ou censurar a Rádio Timbira. Acionar a Polícia Federal para tratar de uma rádio, como fez o grupo Sarney, é um completo absurdo! Num momento de açodamento de ideias fascistas no país, esse tipo de iniciativa do grupo Sarney é de um absoluto desserviço a sociedade brasileira.

7º – A luta pela democratização da comunicação é uma das maiores demandas da sociedade maranhense, estado onde existe a maior concentração midiática do país. Consideramos justo e necessário que o dinheiro público seja destinado para financiar uma comunicação alternativa, praticada a partir de outros paradigmas. A mídia de mercado, a comunicação feita por empresas privadas, venais e de viés oligárquico, não atende, nem de longe, ao interesse da grande maioria da população.

8º A atual edição impressa do Jornal Vias de Fato (nº 69) tem como tema principal exatamente a comunicação popular. A versão completa dessa mesma edição (maio/junho de 2018) pode ser acessada em PDF no site do Núcleo Piratininga de Comunicação (nucleopiratininga.org.br). Entre os textos dessa edição, um deles é intitulado “A comunicação dos ricos e os escândalos no Maranhão”.

9º – E por fim, lembramos que Roseana Sarney governou o Maranhão por quatro vezes. Nesse período, através de agências de propaganda, repassou milhões para os cofres do Sistema Mirante, da qual ela é sócia. Em resumo: ela pagou a si mesma. O grupo Sarney/Mirante representa um escândalo na comunicação brasileira. Estranhamos a violência com a qual eles partiram para esse tema, pois quem tem rabo de palha, não deveria passar perto de fogo.

Fonte: Jornal Vias de Fato

Combustíveis: apesar da perfumaria, o bode está na sala

Usando as forças armadas, a mídia e um acordo com entidades sem representatividade na base, o governo Michel Temer (PMDB) somente postergou uma crise que deve pipocar novamente.

A redução do valor do diesel, principal item do pacote de medidas urgentes para suspender a paralisação dos caminhoneiros, não resolve a política de preços dos combustíveis.

Apesar da perfumaria, o bode está na sala. Se por um lado construiu um atenuante para os caminhoneiros, por outro o governo carrega o desgaste da alta na gasolina e do gás de cozinha, dois itens indispensáveis no cotidiano dos brasileiros.

Desde episódio, cabe observar dois movimentos sobrepostos: o locaute das empresas que controlam o transporte de combustíveis e a greve os caminhoneiros sem vínculo orgânico com as corporações dominantes neste setor.

Nenhuma categoria de trabalhadores sozinha, sem uma organização sistemática, consegue parar um país. Portanto, as digitais das empresas de transporte são visíveis no locaute.

A greve saiu por tabela, construída na adesão dos caminhoneiros expropriados pelas regras nocivas do preço do frete, da jornada de trabalho e dos riscos nas estradas.

Visando emparedar os caminhoneiros, o governo e a cobertura jornalística da mídia golpista agiram com todas as armas, jogando o movimento dos trabalhadores contra a população.

Porém, a tentativa de construir uma imagem negativa da paralisação, em massivas coberturas pejorativas, não funcionou.

O efeito foi contrário. Em que pese o desabastecimento gerado pela paralisação, os caminhoneiros obtiveram adesão e apoio de outras categorias de trabalhadores, a exemplo dos motoboys, motoristas de aplicativos e do transporte escolar.

A maioria da população, silenciosa, não hostilizou os caminhoneiros e até bateu panelas durante o pronunciamento de Michel Temer na televisão, quando anunciou as medidas para contemplar as reivindicações dos manifestantes.

O governo impopular, fragilizado e sem representatividade sentiu o peso da paralisação e só não cedeu em um item, reivindicado pela oposição em meio ao caos – a demissão do presidente da Petrobras Pedro Parente.

A manutenção dele no cargo só reforça a tese do locaute. Parente, avalista dos esquemas que drenam a Petrobras, reza na cartilha da corporação que organizou a paralisação. Afinal, como dito anteriormente, apenas os caminhoneiros avulsos, sem uma retaguarda estruturada, não seriam capazes de parar o país durante oito dias.

Sem mais nenhum argumento diante do desgaste junto à população, o governo lançou a última cartada – construção do discurso sobre a participação de “infiltrados” na paralisação, que estariam politizando as ações. Esse recurso midiático também não funcionou.

Todas essas narrativas, fartamente espalhadas na mídia golpista, tentavam convergir para esconder o principal – 70% de rejeição ao governo Michel Temer.

A saída para conter o “fora Temer” seria julgar e condenar os caminhoneiros, mas não funcionou.

Assim, o governo contemplou o mínimo da pauta dos caminhoneiros, mas não foi capaz de apresentar qualquer proposta para conter a alta no preço da gasolina, do gás de cozinha e dos outros derivados do petróleo que impactam no orçamento familiar da maioria da população.

Eis o ponto principal. A paralisação foi desmobilizada, mas o bode está na sala, sentado na mesa de jantar com a política temerária de Pedro Parente na Petrobras e o plano de privatizar esta empresa fundamental para o desenvolvimento do país.

Neste aspecto, a única narrativa que pode ganhar corpo a favor do governo golpista daqui por diante é a privatização da Petrobras, inclusive com o apoio da população, caso seja “convencida” de que a estatal é inviável.

A tese da privatização será reforçada já na greve dos petroleiros. Basta observar que a justiça trabalhista agiu em tempo recorde e já decretou a ilegalidade do movimento paredista. Essa greve será ainda mais atacada que a paralisação dos caminhoneiros, principalmente porque é convocada por sindicatos vinculados à CUT.

Todos os demônios da cobertura jornalística serão soltos contra a CUT e os grevistas da Petrobras, voltando à carga em defesa da privatização.

Neste momento, cabe ao movimento sindical e aos partidos da arena progressista disputar a narrativa em defesa da Petrobras, nem que seja ressuscitando o velho jargão de Getúlio Vargas – “o petróleo é nosso.”

Seria o caso de construir um pacto entre as candidaturas do campo democrático e deflagrar campanha unificada em defesa da Petrobras.

Por fim, cabe considerar que a mobilização de alguns segmentos dos caminhoneiros em prol da intervenção militar não ganhou corpo. Afinal, o país já vive uma ditadura, fruto do golpe jurídico-midiático-parlamentar que derrubou a presidente Dilma Roussef (PT).

Nem precisa mais intervenção militar. Mas, em último caso, as forças armadas entram em campo para enterrar de vez a democracia.

Construção da ponte sobre o rio Alegre, em Santo Amaro, divide opiniões dos moradores e empresários

Uma das principais cidades do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, Santo Amaro está diante de uma polêmica em torno da ponte sobre o rio Alegre, ligando a estrada asfaltada (MA-320) ao perímetro urbano do município.

A obra da ponte já foi iniciada e, se concluída, vai permitir o acesso fácil de motos, carros, caminhonetes, ônibus e caminhões a Santo Amaro.

Atualmente, apenas caminhonetes com tração 4 x 4 acessam a sede do município. Elas atravessam o leito do rio Alegre, na parte rasa, transportando as mercadorias que abastecem o comércio, os produtos do setor de serviços, moradores e turistas.

A ponte vai facilitar o fluxo de qualquer tipo de veículo, mas divide opiniões. Parte dos moradores considera que o impacto sobre a cidade será grande e a infraestrutura do município não suporta um volumoso contingente de pessoas, carros, motos, quadriciclos e caminhões, entre outros motorizados.

O ex-vereador e empresário Dodó Carneiro apresenta suas ponderações sobre a construção da ponte. Assista ao video, abaixo.

Pequena cidade encravada nas proximidades das belas dunas e lagoas, Santo Amaro ainda é um lugar com características provincianas.

Moradores e empresários contrários à conclusão da ponte temem pela quebra da tranquilidade no município, considerando que o clima de violência já chegou às pequenas cidades do Brasil.

Da areia ao asfalto

Até o final de 2017, Santo Amaro era acessada por via terrestre apenas pelos carros com tração 4 x 4, atravessando dunas, riachos e lagoas, até chegar à sede do município.

Em fevereiro de 2018, o Governo do Estado concluiu a obra da rodovia MA-320, com 47 Km, entre o povoado Sangue e o município de Santo Amaro, ficando pendente a ponte sobre o rio Alegre.

Sangue fica às margens da rodovia MA-402, que dá acesso ao município de Barreirinhas. A construção da MA-320 (Sangue-Santo Amaro) interliga duas cidades valorosas na rota do turismo no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

A estrutura inicial está pronta e as máquinas continuam trabalhando.

Imagem retirada neste site

Descrição: três caminhonetes cruzam o leito de uma área alagada no meio de uma estrada de areia, cercada de vegetação, no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

A dura vida de Roseana Sarney na oposição

Depois de muitas especulações e insegurança, Roseana Sarney (MDB) finalmente se manifestou sobre a candidatura ao governo do Maranhão em 2018.

No seu discurso de 19 minutos em que anunciou a decisão de ser candidata, uma frase desenha o principal “vamos enfrentar muitos obstáculos”.

Está nesse trecho a senha para entender o quanto será difícil fazer uma campanha sem a máquina do governo e o chicote na mão para açoitar os prefeitos.

A filha de José Sarney sempre fez campanha com muitas armas e exércitos ao seu dispor: 1) controle dos cargos federais no Maranhão; 2) a máquina do governo estadual; 3) maioria folgada nas bancadas federal e estadual; 4) controle absoluto sobre os meios de comunicação, principalmente os sistemas Mirante e Difusora; apoio das multinacionais Vale do Rio Doce e Alumar; 5) domínio sobre os currais eleitorais dos prefeitos; 6) poder de mando nos maiores partidos e coligações com a maioria esmagadora das legendas de aluguel;

Tudo isso convergia para que ela fizesse campanha nos cenários mais favoráveis, apenas para cumprir os rituais da eleição, mesmo assim utilizando métodos heterodoxos como a famosa farsa do morto-vivo Reis Pacheco.

Leva-se ainda em consideração, nas eleições passadas, a força política de José Sarney no cenário nacional, sempre ocupando postos elevados no staff da República, atraindo o poder de Brasília para manter a hegemonia no Maranhão.

Em 2018, resta para Roseana Sarney pouca munição e um exército cambaleante. Ela não está acostumada a fazer campanha sem a chave do Palácio dos Leões.

O poder de do pai em Brasília não é mais o mesmo.

Até mesmo seus correligionários fiéis nos bons tempos da fartura do dinheiro público abandonaram o barco. Figuras como Gastão Vieira e Pedro Fernandes já estão militando na base de Flávio Dino.

O dinheiro das doações será mais vigiado e a fragilidade do grupo que sempre lhe deu sustentação vai ter influência negativa na drenagem do financiamento de campanha.

Tudo isso e muito mais será computado no dia a dia da campanha. Em 2018, diferente de todas as facilidades que teve na vida, Roseana está fora do poder oficial.

Esse fantasma de não mandar no dinheiro público vai atormentá-la a campanha inteira.

Apesar da bravata de hoje, Roseana é oposição. E isso faz toda a diferença.

Foto: reprodução / O Imparcial

Novo disco de Lena Machado convida ao deleite

Reservei o entardecer e começo da noite deste sábado (19 de maio) para escutar – e não apenas ouvir – o novo disco de Lena Machado: “Batalhão de Rosas”. Digo escutar porque apreciei a obra atentamente (folheando o encarte), não de forma distraída como é de praxe, mas com o ouvido cheio de pensamentos sobre a arte desta intérprete que poderia ser trilha de novela, ilustrando aquelas cenas exuberantes do pôr do sol de Ipanema.

Digo isso porque a arte é universal, seja ela extraída de uma banca de comida na feira da Praia Grande ou em um restaurante chic de Dubai.

Capa do disco Batalhão de Rosas

Ao folhear o miolo do “Batalhão de Rosas”, com as músicas de fundo, senti a força de uma voz que canta trazendo à tona as entranhas dos sentimentos traduzidos nas letras.

Além dos clássicos de Joãozinho Ribeiro (Asas da Paixão), Cesar Teixeira (Namorada do Cangaço, Boi de Medonho, Flanelinha de Avião) e Bruno Batista (Batalhão de Rosas), o disco traz a poética de Didã (Banca da Honestidade) em uma composição sobre a labuta das mulheres guerreiras que fazem da gastronomia de rua e dos mercados a sobrevivência de famílias inteiras.

“De Deus”, assinada por Bené Fonteles, costura uma ginga maneira como se ali na letra tivesse um drible de futebol, com a esperteza do verso final da primeira estrofe – “num passe…”.

Quando eu ouvi “Preta”, de Camila Cutrim e Fernanda Preta, logo lembrei de duas personagens marcantes na obra de Josué Montello: Benigna (Os tambores de São Luís) e Nadine (O baile da despedida), mulheres com o dom de enfeitiçar por vários significados: a voz, a cor, o gingado e o “enigma profundo”.

Zeca Baleiro e Swami Jr  fornecem munição num bolero para Lena Machado deslizar feito um catamarã musical em “Duas Ilhas” – um texto filosófico sobre o amor e as suas dificuldades.

E quanto alento ao escutar “Bom dia”, letra de Alessandra Leão, demarcando o território feminino em um disco lírico e tribal, simultaneamente catapultado à condição de uma obra musical do mundo, universal.

Lena Machado é uma intérprete merecedora da nossa audiência, pela magia de uma voz que anima as almas das pessoas.

A produção e os arranjos são de Wendell Cosme, Israel Dantas e Wesley Sousa. O trio deu tom especial à obra musical.

Fico por aqui porque não tenho vocação para spoiler. Compre o disco e deleite-se.

Imagens: sites aqui e aqui