Conheça o perfil do eleitorado maranhense em 2018

Artigo do professor mestre Ricardo Costa Gonçalves apresenta um mapeamento dos eleitores no pleito de 2018 no Maranhão

De acordo com dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil tem hoje 146.988.142 eleitores aptos a votar no dia 7 de outubro. No Maranhão, são 4.583.849 eleitores aptos, o que representa 3,12% do total de eleitores em situação regular com a Justiça Eleitoral do país. A capital do Maranhão, São Luís, tem 674.958 eleitores aptos, o que corresponde a 14,7% do eleitorado maranhense que está pronto para escolher presidente, governador, senador, deputado federal e estadual.

No Maranhão, o número de eleitores aptos aumentou em 1,9% em relação às últimas eleições gerais, em 2014, quando estavam aptas a votar, em todo o país, mais de 4.497.869 de pessoas. O eleitorado maranhense é formado por 2.374.378 mulheres (51,8%) e 2.208.727 homens (48,2%).

Gráfico 01 –Eleitores por Sexo – Maranhão – 2018

A maioria do eleitorado maranhense tem entre 25 a 34 anos que corresponde a 1.103.501(24,1%), seguido por aqueles entre 45 a 44 que corresponde a 932.269 (20,3%) e 21 e 24 anos, que corresponde 462.820 (10,1%).

Gráfico 02 – Eleitores por Faixa Etária – Maranhão – 2018

Dos 4.583.849 eleitores aptos a votar nestas Eleições 2018 no Maranhão, 1.275.209 (28,4%) tem o ensino fundamental incompleto como grau de instrução e 913.090 (20,3%) só leem e escrevem. Os analfabetos somam 592.006 (13,2%) e apenas 126.047 (2,8%) completaram o ensino superior.

Gráfico 03 – Eleitores por Grau de Instrução

A capital do Maranhão, São Luís, tem 674.958 eleitores aptos a voltar nas eleições de 2018. Destes 305.580 (45,3%) são homens e 369.378 (54,7%) são mulheres.

Gráfico 04 – Eleitores por sexo – São Luís – 2018

A maioria do eleitorado da capital maranhense tem entre 25 a 34 anos, faixa que corresponde a 166.965 (24,7%), seguido por aqueles entre 45 a 59 que corresponde a 158.047 (23,4%) e 35 e 44 anos, que corresponde 152.304 (22,6%).

Gráfico 05 – Eleitores por Faixa Etária – São Luís – 2018

No que tange ao grau de instrução, a capital maranhense, tem 288.384 (42,7%) com ensino médio completo e 89.437 (13,3%) tem o ensino médio incompleto. Além disso, 89.066 (13,2%) têm o ensino superior completo, e 88.237 (13,1%) tem o ensino fundamental incompleto. Os analfabetos somam 7.474 (1,1%).

Gráfico 06 – Eleitores por Grau de Instrução – São Luís – 2018

A maioria do eleitorado maranhense é de mulheres (3,63% a mais que os homens), está na faixa etária de 25 a 34 anos e tem apenas o ensino fundamental incompleto. Na capital maranhense a diferença entre mulheres e homens é 9,4%, mais significativa do que no Estado. A maior parte dos eleitores está entre a faixa etária dos 25 a 34 anos, que corresponde a 24,7%.  Além disso, 42,7% dos eleitores da capital têm apenas o ensino médio completo, e apenas 13,2% dos eleitores tem ensino superior completo. Outro dado positivo dos eleitores da capital em relação aos eleitores do Estado é quanto ao analfabetismo, na capital é de 1,1%, e no Estado é 13,2%.

Ricardo Costa Gonçalves é graduado em Matemática, professor, técnico do Núcleo de Extensão e Desenvolvimento – Labex/Uema, Mestre em Estado Governo e Políticas Públicas pela FLACSO (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais).

Cemar é a maior inimiga dos moradores e turistas em Santo Amaro, nos Lençóis Maranhenses

Descaso, falta de respeito e humilhação. É assim que a Companhia Energética do Maranhão (Cemar) trata a população de Santo Amaro, localizada há 235 Km de São Luís e apenas 94 Km de Barreirinhas, ambas no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

Somente no fim de semana prolongado pelo feriado do Dia do Trabalhador, quando a cidade recebe maior número de familiares santamarenses e turistas, a cidade ficou sem luz por dois dias.

O primeiro apagão estendeu-se da meia noite de sábado (28) até 11 horas de domingo (29), com suspensão total no fornecimento.

Hoje (1º de maio) a cidade ficou com luz precária, devido às constantes oscilações, do meio dia até 17 horas.

Estes dois episódios são apenas recortes de uma situação que já se transformou em regra na cidade que está posicionada entre as mais importantes do turismo na Rota do Sol, que compreende o litoral do Maranhão até o Ceará.

Nem mesmo a construção da estrada MA-302, que dá acesso a Santo Amaro, fez com que a Cemar melhorasse o fornecimento de energia.

Na verdade a falta de energia passou a ser a rotina, devido às constantes interrupções e oscilações.

Os prejuízos para os moradores, comerciantes e turistas são incalculáveis e vão desde a “queima” de aparelhos eletrodomésticos até a evasão dos visitantes dos hotéis e pousadas.

Potencial desperdiçado

Embora Barreirinhas receba a fama de ser a cidade-polo das belezas do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, Santo Amaro tem um vasto repertório de opções para o turismo.

Às margens do rio Alegre, o município dispõe de um amplo conjunto de dunas e lagoas. Devido à beleza exuberante, a cidade já foi cenário do filme “Casa de Areia”, de Andrucha Waddington, estrelado por Fernanda Torres, Fernanda Montenegro e Stênio Garcia.

Turistas do mundo inteiro são atraídos pelas lagoas naturais e dunas de Santo Amaro.

A proprietária da pousada e restaurante Sol de Amaro, Maria Aparecida Rocha, viveu mais de 20 anos no Rio de Janeiro, voltou para sua cidade natal, investiu no turismo e repudia o serviço ofertado pela Cemar (veja o vídeo).

Quebra no comércio

Proprietários de restaurantes, pousadas, bares, sorveterias, panificadoras e outros empreendimentos sentem no bolso, duplamente, os estragos causados pela Cemar.

Duplamente porque perdem clientes e pagam contas altíssimas.

A Cemar não é uma empresa perversa apenas porque deixa uma cidade inteira sem energia. Ela é também nefasta porque sequer dá uma satisfação aos usuários do serviço pelas suas falhas.

Pior que o péssimo serviço é a indiferença diante dos maus tratos com a população e os turistas, que fazem da Cemar uma empresa autoritária, pedante, violenta, agressiva, cruel e tantos outros adjetivos necessários para “qualificar” a pior comerciante de energia elétrica de todos os tempos no Maranhão.

A empresa não é ruim apenas devido às falhas. É pior porque extorque seus clientes, é nociva porque cobra absurdamente por um serviço péssimo.

Os usuários sentem a violência da Cemar, literalmente, na pele.

Sem energia elétrica, os moradores e visitantes ficam impossibilitados de ligar ventiladores e ar condicionados para espantar os insetos, mosquitos e muriçocas dentro das casas, principalmente no período das chuvas.

Violência contra todos

Santo Amaro é apenas uma das cidades atacadas pela violência de lucros da Cemar. Na verdade, todos os municípios do Maranhão sofrem com as práticas mercadológicas agressivas desta companhia negociante de energia.

Quantas pessoas pobres são obrigadas a reservar parte do seu orçamento para esta ditadura energética?

Quantos pequenos e médios empreendimentos nas áreas urbanas e rurais tiveram seus negócios inibidos pelos preços abusivos praticados pela Cemar?

Quantas oportunidades de negócios, geração de emprego e renda foram abortadas devido às imposições tarifárias da Cemar?

A população de Santo Amaro, castigada e humilhada, ecoa o grito de todos os municípios. E a Cemar já merece o título de maior inimiga do desenvolvimento do Maranhão.

Imagem: Ed Wilson Araújo / Santo Amaro alagada e sem luz na manhã de 28 de abril/2018.

A comunicação dos ricos e os escândalos no Maranhão

A comunicação dos ricos e os escândalos no Maranhão

Editorial – Jornal Vias de Fato

A partir de abril de 2018, o Sistema Mirante de Comunicação, afiliado da Rede Globo no Maranhão, fez denúncias pesadas contra o governo de Flávio Dino, envolvendo as áreas da Saúde e Segurança. As denúncias têm tido grande repercussão, falando de “corrupção” e “abuso de poder”, atacando diretamente os secretários de Estado Carlos Lula (Saúde) e Jefferson Portela (Segurança). No pacote, até uma intervenção federal está sendo pedida…

Nacionalmente, os principais instrumentos de comunicação da Globo, incluindo o Fantástico, Jornal Nacional, Bom dia Brasil e Jornal Hoje têm repercutido bastante algumas dessas denúncias vindas do Maranhão.

Vamos, então, para alguns questionamentos:

O que está sendo dito é verdade? Existe corrupção na saúde pública maranhense? Houve abuso de poder político, via o aparato de segurança pública? Quais as motivações das denúncias? O Sistema Mirante está preocupado em combater a corrupção? Quer acabar com o abuso de poder? Tudo que está sendo dito é mentira? A intervenção é desejável? E a Globo? Qual o interesse dela nessas denúncias que vem do Maranhão? Por que essa mesma Globo repetiu o assunto tantas vezes? E onde entra o interesse público nessa história toda? O interesse do dito “cidadão comum”? O seu interesse, cara leitora ou leitor.

O Jornal Vias de Fato não tem como afirmar se o que está sendo dito é verdade ou mentira. Nesse episódio, não temos informações suficientes que nos permitam acusar ou defender Flávio Dino, seu governo ou seus auxiliares. Também não vamos, nesse momento, assinar em baixo do que está sendo dito pela Polícia Federal ou pelo Ministério Público. Nesses episódios, observamos figuras dessas instituições que tem se comportado como se fossem advogados de acusação ou de defesa. E isso não é bom para instituições que devem se debruçar sobre fiscalização e/ou investigação.

Então, o que podemos afirmar sobre esses recentes e barulhentos episódios?

Sendo verdade ou mentira, o que está sendo escandalizado tem exclusiva motivação política e eleitoral. Esta é uma evidência.

É muito claro para nós que o Sistema Mirante (de propriedade da família do ex-senador José Sarney) não está preocupado em combater corrupção, muito menos abuso de poder. O que está em jogo; a verdadeira razão das denúncias e principalmente sua repercussão; é a eleição deste ano. A questão é a sucessão do governo do Maranhão, onde Flávio Dino (PCdoB)  é candidato à reeleição e Roseana Sarney (“MDB”) também ensaia candidatura ao mesmo cargo.

Com a mais absoluta certeza, o que podemos afirmar é que o interesse público não move o Sistema Mirante. E todos nós sabemos que José Sarney e o seu império midiático não têm autoridade moral para falar de corrupção e de abuso de poder. Muito menos tem interesse de combater esse tipo de prática. Quanto a Globo, ela segue fazendo o jogo de seus antigos aliados. O jogo das oligarquias do Brasil, as mesmas que se estabeleceram ou se reorganizaram a partir do golpe militar de 1964, o mesmo golpe que viabilizou o surgimento da Rede Globo. É o mesmo pessoal que bancou a chegada de Michel Temer a Presidência da República e agora vai dando mais uma mãozinha pro coronel José Sarney.

Dito isso, queremos deixar bem claro que não estamos aqui inocentando ou defendendo Flávio Dino, seu governo e qualquer um de seus auxiliares. Como já foi dito nesse texto, não temos nesses casos informações que nos permitam acusá-los ou defendê-los. Neste editorial, como já sugere seu título; estamos tratando, informando e interpretando questões relativas à comunicação e a política, falando de uma mídia atrelada a interesses oligárquicos, a partir do recente bombardeio oriundo do Sistema Mirante/Sarney/Globo.

E aqui é fundamental ressaltar e registrar que se trata da mesma Mirante/Sarney/Globo que, ao longo dos últimos três anos, recebeu dinheiro público do governo Flavio Dino, com o qual mantém relações institucionais. E recebeu muito dinheiro, principalmente para um estado de povo pobre, como é o caso do Maranhão. Basta dizer que um minuto de propaganda na afiliada maranhense da Globo pode chegar a 18 mil reais. Isso é só um minutinho.

Todo esse episódio tem relação direta com o “I Seminário Comunicação e Poder no Maranhão”, que o Jornal Vias de Fato, ao lado de várias outras organizações sociais, promoveu em outubro do ano passado. Ao final daquele evento, foi divulgada uma carta aberta que tratou, entre outras coisas, de uma política pública de comunicação no Maranhão que tem sido conservadora, “financiando ricos e silenciando pobres”.

E quando se fala em “financiar ricos”, estamos falando exatamente de veículos como Mirante (Globo) que defende interesses privados e oligárquicos. De impérios midiáticos que foram de modo espúrio montados com dinheiro público e que seguem, até hoje, sendo sustentados com recursos do contribuinte. E quando se fala em “silenciar os pobres” é a ausência absoluta de uma política pública que busque descentralizar o poder e ampliar a voz e a autonomia das organizações populares.

A comunicação no Maranhão, nós temos certeza, é um escândalo! Desse, nós temos certeza! E trata-se de um escândalo que precisa ser combatido e denunciado, independente de eleições ou do governo do momento. Não podemos achar natural que o dinheiro público do empobrecido cidadão maranhense sirva eternamente aos interesses de Fernando Sarney, Roseana Murad, Sarney Filho e seus sócios locais e nacionais (a Globo). A audiência não justifica essa rotineira inversão de prioridade.

O oposto desse escândalo é a comunicação popular, a democratização da mídia, a liberdade de expressão em favor dos pobres, oprimidos, explorados, tão comuns no Maranhão.

O oposto é o estímulo a participação social, a democratização do orçamento estatal, passando a ser destinado para combater verdadeiramente a concentração de poder.

O oposto é o dinheiro público contribuir para o fortalecimento de espaços onde a opinião pública circule sem a interferência do poder econômico ou de governos. Espaços que não atendam aos interesses de oligarquias ou máfias; com seus escândalos de ocasião e sob evidente encomenda.

26/04/2018

Fonte: Jornal Vias de Fato – http://www.agenciatambor.net.br/

“Justiceiros” imolam Aécio Neves para blindar Geraldo Alckmin

Houve um tempo na política brasileira (a República Velha, de 1898 a 1930) em que os presidentes do país eram escolhidos com base na “política do café com leite”, articulada no pacto firmado entre as oligarquias regionais e o poder federal.

A denominação “café com leite” referia-se à alternância entre presidentes oriundos de São Paulo e Minas Gerais, respectivamente, sob o mando econômico dos fazendeiros cafeicultores (paulistas) e de gado (mineiros).

Mutatis mutandis, o PSDB, herdeiro da tradição política conservadora, dividiu-se entre os tucanos da avenida Paulista e os de Minas Gerais.

No plano geral do golpe, o PSDB mineiro está fora do jogo. Aécio Neves será imolado e seus restos jogados na cova dos leões.

Réu no Supremo Tribunal Federal (STF) e alvo de novas denúncias, Aécio Neves é carta fora do baralho.

A estratégia agora consiste em eliminar o mineiro e blindar o paulista tucano-mor Geraldo Alckmin.

Aécio serviu para fazer o trabalho sujo de 2014… Não presta mais. Tido como playboy e associado ao suposto uso de drogas, o jovem político mineiro já é passado.

O presente e o futuro estão com Geraldo Alckmin, o “príncipe” do tucanato, nome que mais incorpora o sentimento da burguesia paulista do antigo café, agora Fiesp, Febraban e do agronegócio.

A Lava Jato limpa o terreno para entregar o país à avenida Paulista, onde está o núcleo duro do capital rentista, industrial e dos velhos ruralistas repaginados com o bordão “o agro é pop”.

Não se iluda com essa onda justiceira que promete “pegar” o PSDB. Aécio Neves é boi de piranha.

A ausência sentida de Ciro Gomes na defesa de Lula

O pré-candidato do PDT a presidente da República, Ciro Gomes, cometeu um equívoco ao se ausentar das mobilizações em São Bernardo do Campo.

Nesse momento delicado da conjuntura, o pedetista sabe que a causa maior não é a defesa de Lula, mas da democracia.

Ele sabe, mas não ajuda na construção coletiva de um campo de resistência.

O Brasil está na iminência de uma fase ainda mais violenta do golpe, que pode boicotar a realização das eleições diretas.

Ciro, na condição de uma liderança política expressiva, não poderia se omitir.

O PSOL, oriundo de uma dissidência do PT, compreendeu a complexidade do golpe. Guilherme Boulos esteve com Lula em vários momentos, apesar das diferenças.

Até o ultraradical Partido da Causa Operária (PCO) agitou bandeiras em São Bernardo do Campo.

O cenário exige unidade mínima do campo democrático para enfrentar o golpe no que pode ter de ainda mais agressivo.

Lula é uma peça importante que estão querendo descartar do tabuleiro, mas é a democracia que está em jogo.

Ciro Gomes, inteligente que é, tem pleno conhecimento da conjuntura e do que pode vir, mas seu destempero não admite a solidariedade a Lula.

É uma pena.

Veto a Waldir Maranhão no PT teve conjugação de fatores

Qualquer decisão interna sobre o PT no Maranhão tem de levar em conta o fato de que o presidente do diretório estadual, Augusto Lobato, é assessor especial do Governo do Estado.

Nesta condição, Lobato tem interlocução privilegiada com o núcleo do poder ao qual o partido está vinculado e deve permanecer em aliança, apoiando a reeleição do governador Flávio Dino (PCdoB) com a oferta de militância, tempo de propaganda eleitoral e do forte simbolismo de Lula.

Portanto, o veto à filiação do deputado federal Waldir Maranhão ao PT ocorreu em função de contingências locais e nacionais.

Em primeiro lugar, não interessava ao Palácio dos Leões, que deve fechar a chapa de candidaturas ao Senado com Weverton Rocha (PDT) e um segundo nome – provavelmente Eliziane Gama (PPS).

Uma eventual filiação de Waldir Maranhão ao PT criaria um problema para o governo administrar a formação da chapa majoritária.

A conjuntura nacional também dificultou a filiação, porque a cúpula do PT, que de fato toma as decisões, estava em transe com a prisão de Lula e lavou as mãos para o imbróglio do(de) Maranhão.

A filiação também não ocorreu porque, embora o plano de Waldir Maranhão fosse entrar no PT para disputar o Senado, ele poderia mudar o rumo e tentar mesmo renovar o mandato de deputado federal, sendo um estranho no ninho na chapa original petista.

Considera-se ainda que o pedido de filiação dividiu o partido. A ala mais próxima do Palácio dos Leões era contra; a outra, liderada pelo deputado estadual Zé Inácio, apoiava.

Em resumo, o veto ocorreu porque o Palácio dos Leões quis se desfazer de Waldir Maranhão, a cúpula do PT estava tomada pela prisão de Lula e as bases do partido racharam.

Batalha no rádio: Brasil de Fato/Timbira AM e Jovem Pan disputam narrativa sobre Lula

O golpe e os seus desdobramentos trazem algumas lições. Uma delas, sobre comunicação e luta política no Brasil.

O PT, que insistiu no erro de privilegiar a Globo com fartas verbas publicitárias durante os mandatos de Lula e Dilma, parece ter caído na real.

Nestes momentos mais difíceis, quando o golpe avança, quem dá voz real a Lula é a radioagência Brasil de Fato (ouça aqui), vinculada ao site homônimo, originado da versão impressa nos idos de 2003, durante o Fórum Social Mundial de Porto Alegre.

A radioagêcia Brasil de Fato é uma prova concreta de que os movimentos sociais de esquerda estavam certos quando pregavam a democratização da comunicação.

Durante todo este sábado, a radioagência Brasil de Fato fez a cobertura das mobilizações de São Bernardo do Campo, onde Lula estava entrincheirado.

Em boa parte do Maranhão, os ouvintes puderam acompanhar a cobertura, graças à rádio Timbira AM 1290 Khz, que retransmitiu a programação da Brasil de Fato. Ótima sacada!

Detalhe: a cobertura foi ancorada por duas mulheres, Camila e Carla, com ótimo desempenho.

No sábado chuvoso, a Brasil de Fato/Timbira AM, na faixa de 1290 Khz, rivalizava com a Jovem Pan na faixa 1340 Khz, emissora-ventríloco da burguesia difusora do Brasil.

As duas disputavam não só conteúdo sobre a cobertura de São Bernardo do Campo. Elas rivalizavam também no estilo.

Na Brasil de Fato, Carla e Camila, locutoras equilibradas, deram um show na verborragia lavajateira da emissora vizinha, onde os comentários do historiador Marco Antonio Vila beiravam o esgoto.

Pelas ondas da Timbira AM/Brasil de Fato, milhares de pessoas no Maranhão tiveram a chance de ouvir uma cobertura fora da narrativa preconceituosa e odienta Jovem Pan.

Esse é o sentido principal da democratização da comunicação. A audiência não pode nem deve ficar refém de uma só voz, na qual predomina a visão dos oligopólios da mídia.

A audiência precisa exercitar o direito de escolha, ter opções, porque o direito à fala não pode ser propriedade e exclusividade dos “intelectuais” da Jovem Pan.

Espero que Lula saia da cadeia, seja candidato, ganhe as eleições e faça autocrítica. Ele e o PT tiveram muitas chances de construir as mínimas condições de alavancar o processo de democratização da comunicação no Brasil, mas não fizeram.

Preferiram cortejar a família Roberto Marinho e os outros barões da mídia, achando que eles eram correligionários do pragmatismo petista.

Engano total. A Casa Grande jamais admitirá a ascensão da Senzala.

Lula também erra. Ele não é Deus! Espero que tenha outra chance para acertar na política de comunicação.

Imabem: Brasil de Fato / Julia Dolce

Solidariedade inibe a prisão de Lula

A grande muralha humana de proteção a Lula, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, provocou um recuo no cumprimento do mandado de prisão do petista, expedido pelo juiz Sergio Moro.

Cercado de militantes, parlamentares, governadores e prefeitos, lideranças dos movimentos sociais, artistas e intelectuais, Lula ganha fôlego e tempo para articular uma alternativa à prisão.

Além da rede solidária diretamente ligada à vida política e partidária, o petista lidera todas as pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial.

Uma eventual prisão, sem apoio da maioria da população, pode ter o efeito contrário ao planejado pela cúpula do Judiciário e da corporação midiática.

Enquanto a Globo e seus satélites aguardam o desfecho final de uma prisão humilhante, a ser narrada com o tom da derrota petista, o povo na rua escreve outro roteiro – da resistência.

A decretação da prisão de Lula, se por um lado regozijou Sergio Moro, por outro acendeu a chama da indignação popular.

Os atos de solidariedade ultrapassaram as barreiras de São Bernardo do Campo e ganharam o país.

Fora do Brasil Lula também é acolhido por manifestos e moções de apoio, denunciando o golpe contra a democracia.

Lula está vivo, firme e forte, transformado em um ente coletivo. Agora, são milhões de “lulas”.

O tempo dirá se ele, com apoio do povo, vencerá a guerra contra Sérgio Moro.

Imagem: Midia Ninja

Só o povo na rua salva Lula e a democracia

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), na madrugada de hoje, negando o habeas corpus para Lula, coloca o petista na iminência da prisão e correndo o risco de ficar fora do processo eleitoral na condição de candidato.

Se até esta madrugada o PT acreditava que era possível o STF construir um entendimento para livrar Lula, agora o partido cai na real e precisa redirecionar a estratégia.

Os recursos que restam junto aos tribunais serão apenas protelatórios. Os analistas políticos mais pé no chão, sem as paixões exageradas, dão como certa a prisão de Lula.

Ele será recolhido em espetáculo televisivo hollywoodiano, com requintes de humilhação, dando aos manifestoches novas motivações para ir à rua com sangue nos olhos.

Resta ao PT e ao conjunto das forças democráticas a ofensiva na rua, mobilizando o povo para manter acesa a chama da democracia, com ou sem Lula na eleição.

Não se trata mais da defesa de uma candidatura, mas de garantir o que sobrou da democracia.

As forças democráticas e progressistas precisam de unidade mínima para garantir as eleições de 2018, diante das ameaças de intervenção militar.

Se antes o bordão era “eleição sem Lula é golpe”, agora tem de ser “queremos eleições” como bandeira mínima na regra do jogo democrático.

Com Lula fora do jogo, o PT precisa encontrar uma saída com um nome próprio ou fazer aliança no campo progressista.

Chegou a hora de a base petista retomar a rua como principal lugar da guerra. Nos tribunais, a batalha está perdida.

Foto: Ricardo Stuckert

Boulos: “só vale a pena se for para virar a mesa”

O pré-candidato a presidente da República pelo PSOL, Guilherme Boulos, cumpriu agenda intensa na região tocantina e em São Luís.

Na UFMA, ao fim da tarde, lotou o auditório Ribamar Carvalho, na Área de Vivência, falando para estudantes, professores, militantes de movimentos sociais e lideranças partidárias.

Fazia muito tempo que aquele auditório não via tanta gente reunida para ouvir um líder partidário em tempos de despolitização da sociedade.

Marielle estava presente a todo momento. O assassinato dela, que teve o objetivo de intimidar as pessoas, transformou-se em movimento e ação.

Boulos é o porta-voz de um sentimento coletivo pela recomposição da política que vai, aos poucos, reconquistando os órfãos da utopia.

Ele foi direto ao ponto. A jornada eleitoral é um momento importante, mas só vale a pena se for para virar a mesa, mudar profundamente.

“A disputa não é para administrar esse sistema e sim para transformar”, cravou.

Democracia só faz sentido com participação, tendo o povo no centro do jogo, para acabar com o abismo entre Brasília e o Brasil.

Boulos encerrou o discurso com a tônica da solidariedade a Lula. Há diferenças em relação ao petista, mas não pode haver condenação injusta, demarcando o entendimento de que o golpe não é só contra o PT.

Com objetividade e clareza da conjuntura e da estrutura, disse que não adianta ganhar a eleição e tentar construir acordos com as máfias que controlam o país.

Em síntese, a palestra de Boulos sistematizou três ideias principais: a democracia indissociável da participação popular, radicalizar a distribuição de renda com uma profunda reforma tributária, manter uma agenda permanente com as maiorias violentadas e excluídas: mulheres, negros, LGBT e índios.

Fez referência especial à sua companheira de chapa na pré-candidatura, a liderança indígena Sonia Guajajara, finalizando com uma frase simbólica para os tempos de pragmatismo em alta voltagem: “a nossa vida não acaba nas eleições”.