RicoChoro ComVida Pra Luta encerra temporada com um grande encontro neste sábado

Primeira temporada de evento realizado na sede social dos Bancários terá dj Vanessa Serra, Trítono Trio, Zeca do Cavaco e a participação especial de Chico Saldanha

Zeca do Cavaco encerrará a primeira temporada do projeto RicoChoro ComVida Pra Luta, produção de RicoChoro Produções Culturais e Eurica Produções Artísticas, realizada na sede recreativa do Sindicato dos Bancários (Av. General Arthur Carvalho, nº. 3.000, Turu), inspirada em RicoChoro ComVida na Praça – a exemplo deste, também com entrada franca e aberto ao público em geral.

No repertório, a voz e o cavaquinho – de quem toma emprestado o sobrenome artístico – de Zeca passearão por um repertório de sambas de autores maranhenses, a começar por Cesar Teixeira – que chegou a ser anunciado como atração, mas cancelou a participação por motivo de força maior –, além de clássicos da música brasileira, da lavra de compositores de sua predileção, entre os quais figuram Cartola, Geraldo Pereira, Noel Rosa e Paulinho da Viola.

Chico Saldanha terá participação especial na noite. Foto: Francisco Colombo

Zeca do Cavaco terá como convidado especial o cantor e compositor Chico Saldanha, em uma noite que promete um encontro de duas trajetórias estreitamente ligadas ao Choro no Maranhão: nos anos 1970, Saldanha foi um dos fundadores do Regional Tira-Teima, mais antigo grupamento de Choro em atividade no Maranhão, que já teve Zeca entre seus integrantes, na formação que gravou o disco de estreia do grupo, “Gente do Choro”, em 2016.

O grupo anfitrião da noite será o Trítono Trio, saudado pelo compositor Cesar Teixeira, jornalista de profissão, como “o menor e melhor regional de Choro em atividade em São Luís”. O grupo é formado por Israel Dantas (violão), Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho) e Rui Mário (sanfona). O repertório do grupo foge do óbvio, misturando Astor Piazzolla, Dominguinhos, Egberto Gismonti, Ernesto Nazareth e Severino Araújo, entre outros mestres.

A DJ da noite é Vanessa Serra, que apesar do curto tempo de carreira, já tem seu nome consolidado entre as melhores do ramo. Colecionadora inveterada de vinis desde a adolescência, seu acervo vem crescendo, fruto de pesquisas e do convívio no meio. Já desfilou seu talento e repertório em eventos como RicoChoro ComVida na Praça, Lençóis Jazz e Blues Festival, Festival BR-135 e Semana Internacional de Música (SIM, em São Paulo).

Serviço

O quê: RicoChoro ComVida Pra Luta

Quem: dj Vanessa Serra, Trítono Trio e Zeca do Cavaco. Participação especial: Chico Saldanha

Onde: sede recreativa do Sindicato dos Bancários do Maranhão (Seeb/MA, Av. General Arthur Carvalho, nº. 3000, Turu)

Quando: dia 26 de janeiro (sábado), às 19h

Quanto: gratuito e aberto ao público

Outras informações: facebook.com/ricochorocomvida

O NPC na utopia democrática

Já faz muito tempo….eu ainda era recém-formado em Jornalismo quando tive a chance de conhecer o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) e fazer um curso de redação jornalística.

À época eu trabalhava em assessoria sindical e os jargões da linguagem militante transbordavam para as páginas dos nossos jornais, carros de som e panfletos.

Escrevíamos e falávamos muito, mas comunicávamos pouco. Nossos leitores, em sua maioria, não digeriam com facilidade expressões do tipo “contra as reformas neoliberais de FHC”.

Mudei minha forma de escrever depois das lições de Vito Giannotti. “Puta que pariu”, bradava ele no meio da aula, ensinando que o jornal do sindicato deve ser simples, direto, objetivo e claro.

Desde então meus textos para jornal e internet têm no máximo quatro linhas no parágrafo.

Levo adiante a lição de Giannotti para todos os meus alunos, emendando o velho bordão: “difícil é escrever fácil”.

A verve deste militante socialista, que nos deixou em 2015, está vivinha da silva: “a luta continua, porra!”

Vito Giannotti vive e Claudia Santiago pulsa, levando em frente o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), uma entidade fundamental para a formação de gerações de jornalistas, estudantes, ativistas e dirigentes sindicais em uma área estratégica – a comunicação.

Nenhuma outra organização no Brasil tem sido tão perseverante e focada na formulação essencial da luta de classes: é preciso qualificar sempre a comunicação dos sindicatos e das organizações populares e comunitárias.

Qualificar sempre significa formação permanente, definição de estratégia, planejamento e uso da técnica, ferramentas e instrumentos de comunicação para informar, instruir, educar, esclarecer e mobilizar visando à disputa de hegemonia.

Durante o ano inteiro o NPC realiza cursos, oficinas, eventos em geral de formação e assessoramento para entidades sindicais e populares. Depois de percorrer o Brasil de janeiro a novembro, chega o momento de encontrar todo mundo.

Neste novembro de 2018 está sendo realizada a 24ª edição o Curso Anual do NPC, um verdadeiro mutirão de palestras, oficinas, eventos culturais, lançamento de livros e da carinhosa agenda temática.

O Curso Anual do NPC leva ao pé da letra a proposta de uma organização transformadora séria – estudar muito, sempre com palestrantes qualificados e temas de relevante interesse para a organização e a luta dos trabalhadores.

Todos os anos, em novembro ou dezembro, comunicadores deste imenso Brasil encontram-se no Rio de Janeiro para o Curso Anual do NPC. É um espaço para celebrar o aprendizado, as lutas, as conquistas, os desafios e as perspectivas. O evento serve também para chorar o leite derramado, disparar críticas até aos nossos potenciais aliados e dizer que, no poder, eles erraram feio na comunicação e caíram no golpe.

Nos eventos do NPC tem celebração, alegria das conquistas, resistência, garra, renovação de esperanças, choro, abraço, arte, lamento e as lembranças dos palavrões de Vito.

Muito mais poderia ser escrito sobre essa importante organização da dignidade brasileira que inspira, colabora e ajuda tanta gente boa neste país a fazer chegar aos trabalhadores a palavra certa na hora exata, seja no pequeno panfleto de papel ou no anúncio de TV.

De alguma forma as ideias do NPC ajudaram a germinar no Maranhão, através da Agência Tambor, uma experiência de comunicação popular, alternativa, independente e livre que já celebra oito meses com um uma produção jornalística diária – o Jornal Tambor.

Somos produto e produção das utopias de jornalistas, ativistas, sindicalistas, pesquisadores, movimentos sociais, mulheres e homens do campo e da cidade que sonham com uma sociedade democrática.

Que outros tambores rufem anunciando utopias pelo Brasil.

Viva o NPC!

Imagem: Vito e Claudia. Crédito: Jornal Brasil de Fato