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Artista de Cabo Verde e mulheres fazedoras de cultura trocam vivências no Quilombo Liberdade

O corpo, a vida e a luta são os primeiros territórios de uma mulher. Dialogar sobre a resistência da mulher preta por diferentes caminhos é o propósito do Encontro de Mulheres no Quilombo Liberdade. Na programação acontece a mesa redonda e troca de vivências com a artista cabo-verdiana Jacira da Conceição, mestras do Quilombo Itamatatiua (Alcântara) e mulheres da Liberdade. Quem as conecta para a ação é a história de luta, resistência e transformação de cada uma.

A atividade acontece no próximo sábado, dia 31 de janeiro, das 08h30 às 11h, no Centro de Atendimento ao Turista (CAT), na Liberdade, em São Luís.

A organização é do Comitê de Cultura do Maranhão, que reafirma o compromisso com a salvaguarda e a visibilização dessas trajetórias, reconhecendo que valorizar a mulher negra é também fortalecer políticas públicas culturais mais justas e representativas.

A parceria com o Boi da Floresta e o Boi de Leonardo, ambos conduzidos por mulheres, reforça esse protagonismo feminino nas manifestações culturais populares, entre elas lideranças como Nadir Cruz, coordenadora geral e executiva do Comitê; e Regina Avelar, coordenadora geral do Boi de Leonardo. As duas manifestações tem origem no maior quilombo da América Latina, certificado em 2019 pela Fundação Cultural Palmares, cujo território abrange os bairros Camboa, Fé em Deus e Liberdade, somando uma população de aproximadamente 160 mil habitantes.

“Cada mulher negra carrega em si a memória ancestral, a força coletiva e a capacidade de transformar realidades mesmo diante das adversidades impostas pelo racismo, pelo sexismo e pelas desigualdades históricas”, afirmou Regina Avelar, sobre o Encontro de Mulheres no Quilombo Liberdade. Nesse sentido, a ação se apresenta como um espaço simbólico e político de valorização dessas trajetórias. A mesa redonda e a troca de vivências com a artista cabo-verdiana Jacira da Conceição, as mestras do Quilombo Itamatatiua e as mulheres da Liberdade reforçam que a resistência da mulher preta se manifesta por múltiplos caminhos: na arte, na oralidade, na espiritualidade, na cultura popular, na liderança comunitária e na preservação dos saberes tradicionais.

“O reconhecimento da mulher negra não se constrói apenas a partir de títulos formais, mas sobretudo pelo respeito à sua palavra, à sua experiência e ao seu papel central na sustentação dos territórios quilombolas e urbanos”, afirmou a coordenadora geral e executiva do Comitê de Cultura do Maranhão. Tanto Nadir quanto Regina trazem em suas falas a experiência de mulheres do quilombo Liberdade.

O Encontro de Mulheres no Quilombo Liberdade vai promover o diálogo entre mulheres de diferentes origens e gerações, além de evidenciar que essas histórias estão interligadas por uma mesma linha de luta, resistência e transformação social. Entre as participantes, está a artista visual de Cabo Verde, Jacira da Conceição. Ela é mestra em Artes Visuais pela Universidade de Évora, investigadora colaboradora do CHAIA (Centro de História da Arte e Investigação Artística) da Universidade de Évora e doutoranda em Arte Contemporânea no Colégio das Artes da Universidade de Coimbra.

A trajetória artística de Jacira da Conceição é marcada por experiências transnacionais, com destaque para a residência no Quilombo de Itamatatiua (em Alcântara, Maranhão) onde aprofundou seu conhecimento sobre técnicas e cerâmicas afrodescendentes, bem como a relação entre arte, comunidade e oralidade. Sua prática explora questões de identidade, autorrepresentatividade, insularidade e feminismo, incorporando materiais e formas associadas à arte cabo-verdiana.

Em São Luís, ela realizará a performance “Kaminhu d’água: rituais de memória e resistência, que integra a 18ª edição da “Verbo – Mostra de Performance Arte”, no próximo dia 30 de janeiro de 2026, na Fonte do Ribeirão, a partir das 17h.

Artesanato em cerâmica é uma das formas de conhecimento das mulheres pretas do Quilombo Itamatatiua, em Alcântara

A força e a riqueza cultural e artística das mulheres quilombolas de Itamatatitua também estarão presentes no Encontro de Mulheres no Quilombo Liberdade. Presente no próximo sábado, Domingas, Eloisa, Pixiri, Canuta, Angela e Cileid, todas com o sobrenome “de Jesus”. Em 2025, com a determinação do grupo de ceramistas, foi inaugurado o Museu de Itamatatiua, por meio de sua associação e diversos parceiros.

O Museu Quilombola surge a partir do trabalho de memória desenvolvido no Centro de Produção de Cerâmica de Itamatatiua, liderado por Eloisa de Jesus e outras artesãs. O novo espaço foi criado para celebrar a história dessas ceramistas e as tradições do povo quilombola do Maranhão.

A produção cerâmica em Itamatatiua integra a história da comunidade quilombola desde sua fundação, há mais de três séculos. Hoje, a produção feminina é predominante por meio da Associação de Mulheres, fundada em 1989. Na época, as mulheres começaram a discutir assuntos pertinentes à vida em comunidade e organizaram a produção cerâmica, ofício existente em Itamatatiua desde sua fundação. As características dessa união denotam o caráter da associação, que além de fortalecer a produção artesanal, gerando trabalho e renda para as 12 artesãs associadas e suas famílias, é central para a organização política da comunidade e manutenção das heranças culturais ancestrais.

Encerrando a programação do Encontro de Mulheres no Quilombo Liberdade, a apresentação do Tambor de Crioula reafirma o corpo da mulher negra como espaço de expressão, celebração e resistência. Mais do que um evento cultural, o encontro se consolida como um ato de reconhecimento, escuta e valorização da mulher negra, destacando seu papel essencial na construção da história, da cultura e do futuro dos territórios quilombolas e da sociedade maranhense.

SERVIÇO

O quê: Encontro de Mulheres no Quilombo Liberdade

Dia: 31.01.2026 (sábado)

Local: Centro de Atendimento ao Turista (CAT – Liberdade) São Luís-MA Hora: 08h30 às 11h

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Liberdade realiza festival e busca reconhecimento de quilombo urbano junto ao MinC

A concepção de território é o ponto de partida para entender a proposta pedagógica do 3° Festival de Belezas Negras da Liberdade Quilombola, evento político e cultural que terá uma vasta programação com 17 atividades, na semana de 20 a 25 de novembro, em diversos pontos de São Luís.

O evento é organizado pelo Centro de Integração Sociocultural Aprendiz do Futuro (Cisaf), uma associação civil, sem fins lucrativos, de caráter educacional, cultural e beneficente.

Com o tema “Enfrentando o racismo com arte” e o lema “Racismo: eu sinto na pele”, a terceira edição do festival tem como foco o reconhecimento do território Liberdade como quilombo urbano, reivindicação que vem amadurecendo entre as lideranças dos movimentos sociais, produtores culturais e os moradores desta importante região na capital maranhense, erguida às margens do rio Anil, compreendendo os bairros Liberdade, Fé em Deus, Camboa, Diamante e adjacências.

Durante a programação, que terá palestras, rodas de conversa, oficinas, ações educativo-culturais e apresentações artísticas, o 3° Festival de Belezas Negras da Liberdade Quilombola visa reforçar o sentimento de território entre os moradores, visto que a Liberdade e os bairros vizinhos já são considerados, no conjunto, um dos maiores quilombos urbanos do Brasil, devido às marcantes características africanas presentes na sua população de aproximadamente 160 mil pessoas.

A proposta de realização do 3° Festival de Belezas Negras da Liberdade Quilombola é problematizar questões de cunho racial, com atividades preparadas para debater sobre as formas de enfrentamento do racismo e a construção de uma identidade quilombola, resgatando a ancestralidade da população negra do território.

Para obter o reconhecimento oficial de quilombo urbano, o trâmite formal passa pela certificação da Fundação Cultural Palmares, entidade vinculada ao Ministério da Cultura (MinC).

Uma das atividades do festival será a audiência pública na Câmara dos Vereadores. As lideranças e os moradores da Liberdade e adjacências pretendem sensibilizar os parlamentares municipais sobre o reconhecimento do território como quilombo urbano.

A transformação do território em quilombo urbano vai permitir a conquista de políticas públicas para a infraestrutura, geração de empregos e renda, moradia, esporte e lazer fundamentais para atender uma expressiva população de São Luís, dotando-a de melhores condições para trabalhar, qualificar, elevar a autoestima, reforçar laços de identidade e construir a cidadania.

Segundo a organização do 3° Festival de Belezas Negras da Liberdade Quilombola, o evento é uma afirmação de diversidade e valorização do quilombo urbano no intuito de reforçar a construção de uma identidade positiva desta população que, historicamente, foi e é desvalorizada por causa do seu tom de pele.

Saiba mais sobre o festival ouvindo aqui a entrevista dos organizadores do evento, Raquel Santos Almeida e Maykon Lopes. Eles foram entrevistados no Jornal Tambor.

Com informações do Blog Buliçoso