Mulheres e colheres

Eloy Melonio *

Imagine duas mulheres vivendo uma situação semelhante de “violência doméstica”: uma, em 1962, e outra, em 2021. Em que se diferenciam as duas realidades?

É óbvio que o cenário atual está mais iluminado, embora ainda faltem elementos importantes em sua cenografia. E o antigo, sombrio, pintado com as cores cinzentas do medo, da submissão.

As duas — uma mais que a outra — são parte do enredo desse “drama” vivido por muitas mulheres no Brasil. Felizmente, nestes novos tempos, o clímax já nos deixa entrever um desfecho auspicioso.

A primeira situação é do tempo das “colheres” que viviam caladas na gaveta do armário. E a segunda é de hoje, do tempo das “palavras” empoderadas que voam em todas as direções.

Entre uma e outra, lembro dos meus dias de criança, quando, aos 10 anos, via aquele “senhor” bem-vestido, de passos compassados, saudando as pessoas na rua. Sua esposa, uma mulher triste, insegura, com quatro filhos. E eu, moleque que brincava quase o dia inteiro na rua, não entendia direito quando o povo falava que “ele batia nela”.

Mas eu já sabia que “A voz do povo é a voz de Deus”. E se era assim…

Algo me incomodava naquele enredo: por que as pessoas ficavam caladas, como se nada estivesse acontecendo? Não aparecia ninguém com uma “colher” (ou “faca”) para botar na garganta do patife e gritar: Pare de fazer isso, seu covarde!

É que nessa época não havia leis de proteção à mulher, e todos se calavam diante dos absurdos cometidos pelos maridos malcriados. Até a polícia, composta integralmente de homens, passava “panos quentes” para esfriar os casos que chegavam às delegacias. E o criminoso continuava fazendo o papel de gente boa, com sua reputação integralmente preservada. E nada de alguém se manifestar! Nada de colheres!

Até porque a ordem presumida era não meter as pobrezinhas em encrencas. E briga de marido e mulher era uma dessas presunções. Talvez a “faca” fosse a arma apropriada, mas, para criar um adágio rimado, terminaram adotando as inofensivas “colheres”.

Lembro-me agora de ter recentemente lido alguma coisa sobre “violência doméstica”. Era, na verdade, a coluna da promotora Gabriela Manssur na revista CLAUDIA, na qual ela sugeria duas atitudes: “Esteja ao lado delas” e “Combater o mal em suas raízes”.

Nessas leituras, informação e conhecimento. Tirar a venda para ver o que está na nossa cara: o medo de se meter no problema do outro, aquela velha atitude do “eu não tô nem aí”.

A grande lição é apoiar “os movimentos e as leis” em defesa e proteção das mulheres. Não é tarefa difícil, desde que “ela” não seja a mulher do seu melhor amigo ou do seu chefe.

Realmente, não é tão simples, mas algo precisa ser feito. E a receita é basicamente esta: “palavra amiga” e “solidariedade”. Em suma, não apenas “cortar o mal pela raiz”, mas aniquilar todo o mal, incluindo suas ramificações. Se possível, até a sua sombra. Ou seja, não ver apenas a especificidade do caso, mas abrir a cortina que esconde as artimanhas desse cenário desprezível.

Nessa receita, podemos incluir: conhecer o problema, suas motivações, e buscar a solução. Casos de violência se repetem porque não chegam ao conhecimento das pessoas — parentes ou amigos próximos. Tampouco das autoridades. Livre, “a bruxa” ronda os relacionamentos, pintando casos e casos com as cores cinzentas da submissão, do medo, ou bordando vidas e vidas com os fios do aprisionamento, da ameaça.

A realidade de hoje deve-se, em grande parte, a uma personagem expressiva na defesa dos direitos da mulher. Maria da Penha Maia Fernandes, uma mulher com coragem e palavras à tiracolo. Sua luta resultou na lei que leva o seu nome, a terceira mais bem-avaliada do mundo.

Sua história é marcada por duas tentativas de homicídio, além de agressões físicas e psicológicas. Cansada de sofrer nas mãos do marido, foi além da denúncia comum. Recorreu à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos em busca da própria proteção e de uma salvaguarda definitiva para proteger, de forma integral, a mulher.

Esse cenário, montado ao longo dos últimos anos, é também fruto do trabalho de um exército de “guerreiras” em várias frentes. No Congresso Nacional, nos órgãos da Justiça, nas associações de mulheres. Nos projetos de peso nacional, como o “Justiceiras”, da OAB, e — ressalte-se — da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, a CE do TJMA.

Em decorrência dessa lei e toda essa movimentação, hoje chovem notícias de “feminicídios” e outros tipos de “violência doméstica e familiar” na imprensa nacional. Homens da espécie do vereador Jairinho (Rio de Janeiro-RJ), acusado do assassinato de Henry Borel, seu enteado de 4 anos, filho de sua atual companheira, que — mesmo poderosos — estão sendo presos, julgados e condenados.

A realidade é que nem todos os casais vivem na praia ensolarada das canções românticas. “Também há dias em que a chuva cai” (The Fevers). E aí o bom senso dita que é hora de parar para conversar. Ou reclamar, como fez Adão: “A mulher que tu me deste por companheira…”.

Mas jamais maltratar, machucar, matar.

Se o casamento não vai bem, existem os procedimentos terapêuticos e os trâmites legais. O que não se pode admitir é que “um lado” use de sua força física ou poder financeiro para maltratar, menosprezar e subjugar o outro. Ou, ainda pior: ficar impune! Quanto à sociedade, calar-se é o mesmo que “deixar a vítima no banco dos réus”.

Se tivesse os poderes mágicos de Harry Potter, correria ao passado para gritar aos meus vizinhos: Guardem suas colheres, seus imbecis! E soltem suas atitudes!

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Eloy Melonio é professor, escritor, poeta e compositor

Cidades maranhenses preparam atos pró-impeachment neste sábado

Neste sábado, 24 de julho, pelo menos oito grandes cidades do Maranhão vão realizar manifestações contra o presidenteJair Bolsonaro: São Luís, Açailândia, Bacabal, Imperatriz, Pinheiro, Pedreiras, Santa Inês e Santa Luzia. Além da saída imediata de Bolsonaro da Presidência da República, os manifestantes vão às ruas pedir a ampliação da vacinação em todo o país e ações de apoio às populações mais vulnerabilizadas pela pandemia.

As manifestações fazem também a defesa da democracia e repudiam qualquer tentativa de golpe no Brasil. Os atos maranhenses são realizados em consonância com movimentos nacionais que defendem a saída de Bolsonaro – até a manhã desta sexta-feira, já estavam confirmados mais de 300 atos em todo o Brasil e em mais 15 países.

Nas últimas semanas, com o avanço das investigações da CPI da pandemia e as revelações que apontaram para o superfaturamento e solicitação de propinas na compra de vacinas, a força dos movimentos populares vem aumentando nas ruas.

No Maranhão, isso é notável: os atos, que são organizados pela articulação de partidos de esquerda e movimento sociais e populares no Movimento Maranhão Contra Bolsonaro, vêm ganhando, a cada edição, uma adesão maior por parte da população.

Em São Luís, o 24J terá sua concentração às 9h, na praça Deodoro. Além dos partidos e movimentos sociais, outros grupos e categorias diversas devem marcar presença, como profissionais da saúde, educadores, estudantes, ciclistas e artistas. Intervenções culturais estão previstas para ocorrer ao longo de todo o percurso.

Em função da pandemia, a preocupação com a segurança sanitária dos participantes é grande em todos os atos e vários cuidados são tomados, como a obrigatoriedade do uso de máscara o tempo todo (preferencialmente PFF2), o uso de álcool para manter as mãos higienizadas e a manutençãodo distanciamento.

Na última manifestação em São Luís, a Brigada Sanitária do ato distribuiu cerca de 300 máscaras PFF2 aos participantes que estavam utilizando máscaras de pano, assim como disponibilizou borrifadores de álcool ao longo de todo o trajeto. As pessoas também são orientadas a não participar caso tenham algum sintoma gripal ou sugestivo de covid, para evitar o contágio de terceiros.

Além dos atos presenciais, é importante manter também a mobilização nas redes. A tag preferencial do dia deverá ser #24JForaBolsonaro e #MaranhãoContraBolsonaro.

Atos programados no Maranhão

Açailândia, 18h30 – Praça do Pioneiro

Bacabal, 8h – Praça Catulo da Paixão Cearense

Imperatriz, 9h – Praça de Fátima

Pedreiras, 7h30 – Praça Corrêa de Araújo Pinheiro, 8h – Praça José Sarney

Santa Inês, 8h – Praça Das Laranjeiras

Santa Luzia, 8h – Esquina do Supermercado Galvão

São Luís, 9h – Praça Deodoro

Estátua da Havan mexeu no vespeiro de São Luís

Se a poluição visual da Estátua da Liberdade é cafona, imagine aquela chaminé da termelétrica movida a carvão mineral lá na zona rural da cidade. A gente nem percebe, mas tem muita poluição no ar da Ilha do Amor

É muito proveitoso o debate sobre a instalação de uma réplica da Estátua da Liberdade prometida para São Luís na loja Havan, do empresário bolsonarista Luciano Hang.

A mobilização iniciada através de uma petição eletrônica contra o monumento ganhou a adesão de artistas, intelectuais e ativistas unidos no argumento de que a estátua é cafona e destoa das características arquitetônicas da cidade reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Por outro lado, gerou uma forte reação do campo conservador identificado com o bolsonarismo, que vê a estátua e a Havan como símbolos do empreendedorismo, da geração de empregos e investimentos para São Luís.

Em síntese, a polêmica já é vitoriosa e serviu para demonstrar que é possível envolver diversos segmentos da população no debate sobre a cidade.

Nesta quarta-feira (22), às 11h, a Agência Tambor vai abordar a trágica situação dos moradores atingidos pela construção do Shopping da Ilha. Ali próximo tem um bairro, a Vila Cristalina, localizada entre o Maranhão Novo e o Vinhais.

Card da Agência Tambor visualiza protesto dos moradores
da Vila Cristalina em frente ao Tribunal de Justiça do Maranhão

As obras do shopping soterraram fontes riquíssimas de água doce na Vila Cristalina. E não foi só isso. As casas dos moradores sofreram rachaduras, foram invadidas pela lama e a maioria ficou sem aquilo que tinha em abundância – água!

Passados mais de 10 anos, nada de indenização para as pessoas que perderam parte do patrimônio.

Casos como esse pipocam toda semana em São Luís, uma cidade construída à base da violência do poder econômico massacrando os pobres.

Mas, a Vila Cristalina é só um detalhe sério. Mais grave é a revisão do Plano Diretor de São Luís, que vai mexer forte na legislação urbanística e pode transformar a cidade em um entreposto portuário e industrial.

Se a poluição visual da Estátua da Liberdade é cafona, imagine aquela chaminé da termelétrica movida a carvão mineral lá na zona rural da cidade. A gente nem percebe, mas tem muita poluição no ar da Ilha do Amor.

Algumas tentativas já foram realizadas para mudar na marra o Plano Diretor. E uma nova iniciativa já está por vir na Câmara Municipal. Seria uma ótima oportunidade para gerar um grande debate sobre a cidade que temos e o futuro de São Luís.

Que o embate da Estátua da Liberdade inspire novas batalhas.

Foto destacada / Claudio Castro / chaminé da Usina Termelétrica Itaqui, na zona rural de São Luís

Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFMA lança coletânea “Educação Quilombola”

A coletânea em parceria com a Ong Ação Educativa tem o objetivo de ampliar o repertório a respeito da garantia do direito à educação pública nas comunidades quilombolas.

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), lança nesta quarta-feira (21), a coletânea “Educação Quilombola”. O lançamento é uma parceria do Núcleo com a Ong Ação Educativa, com o objetivo de colaborar para implementação da Lei nº 10.639/03 que trata do ensino de história e cultura Africana e Afro-Brasileira nas escolas, bem como das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola na Educação Básica.

A coleção visa ampliar o repertório a respeito da garantia do direito à educação pública nas comunidades quilombolas, compartilhando textos acadêmicos como teses, dissertações e artigos científicos, bem como materiais audiovisuais e legislações que proporcionam um panorama sobre a Educação Quilombola em três diferentes dimensões.

Essas três dimensões refere-se à luta histórica do movimento negro/quilombola pelo direito à educação pública; a importância das legislações em vigor para garantir e orientar os sistemas de ensino e a escola sobre a Educação Quilombola; e experiências de práticas pedagógicas (de gestão e docentes) no ensino fundamental e médio. 

O conteúdo da Coleção está disponível no portal do Observatório de Educação, Ensino Fundamental e Médio. Uma plataforma do Instituto Unibanco com mais de 16 mil documentos, entre análises e curadoria de artigos, teses, dados estatísticos e eventos, além de produção audiovisual sobre Ensino Médio e Gestão em Educação Pública

Para melhor proveito do conteúdo, o NEAB orienta seguir um roteiro com seis destaques da Coletânea, encontradas na página do Observatório:

1.”Ser quilombola é muito incrível”: Identidades quilombolas das crianças Kalunga;

2. Da escola no Quilombo à escola do Quilombo: como propostas pedagógicas como possibilidade de diversificar o currículo das escolas quilombolas de Ensino Fundamental no município de Bequimão (MA).

3. Gestão escolar e Educação Para as Relações Étnico-Raciais na comunidade quilombola de Castainho.

4.Jongo e Educação Escolar Quilombola: diálogos no campo do currículo;

5. Memórias, Identidades e Educação Quilombola: Santa Rosa dos Pretos (MA) como contexto e texto;

6. Minha comunidade, minha história.

Sobre o NEAB

Organizado em 1985, o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros é constituído por estudantes e profissionais da educação vinculados aos diferentes cursos da UFMA, realizando atividades de ensino, pesquisa e extensão sobre as questões étnico-raciais no Maranhão, tendo, nos últimos anos, atuado na formação de educadores profissionais e educadoras para abordagem das questões étnico-raciais no espaço escolar.

Sobre a Ação Educativa

Fundada em 1994, a Ação Educativa é uma associação civil sem fins lucrativos que atua nos campos da educação, da cultura e da juventude, na perspectiva dos direitos humanos.

Para tanto, realizar atividades de formação e apoio aos grupos de educadores, jovens e agentes culturais. Integra campanhas e outras ações coletivas que visam a realização desses direitos. Desenvolve pesquisas e metodologias participativas com foco na construção de políticas públicas sintonizadas com as necessidades e interesses da população.

Tem como missão defender os direitos educativos, culturais e da juventude, tendo em vista a promoção da democracia, da justiça social e da sustentabilidade socioambiental no Brasil.

Imagem destacada capturada nesse site

Punição suave para o deputado que defendeu o AI-5 é quase um prêmio

É leve e estimulante a pena de suspensão do mandato do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ por apenas seis meses, segundo decisão do Conselho de Ética da Câmara.

O parlamentar protagonizou uma das piores cenas do bolsonarismo na sua versão mais violenta, ao divulgar um vídeo em que ameaçou os ministros do STF e defendeu o retorno do AI-5 (Ato Institucional nº 5) deflagrado em 1968, a fase mais radical da ditadura militar, culminando no fechamento do Congresso Nacional e na onda de mortos e desaparecidos políticos.

Daniel Silveira deveria ter o mandato cassado e ficar proibido de disputar as eleições durante pelo menos oito anos.

O que ele disse naquele vídeo é grave, violento, atenta contra as instituições e expressa total falta de humanidade perante o sofrimento das vítimas torturadas e mortas pela ditadura militar, bem como dos seus familiares que ainda choram as suas perdas.

A punição levíssima com a suspensão do mandato por apenas seis meses é quase um estímulo para o deputado voltar a agir de maneira torpe. Suspensão é uma espécie de prêmio.

O Brasil cometeu uma série de erros na abertura política ao não investigar e punir os crimes da ditadura militar. Os esqueletos e os fantasmas daquele tempo de horrores estão aí assombrando a nossa democracia. Daniel Silveira é um deles.

Campanha contra a indicação de André Mendonça ao STF reúne várias entidades jurídicas

Fonte: Site da ABJD – Organizações jurídicas iniciaram nesta segunda-feira, 19, campanha contra a indicação do advogado-geral da União, André Mendonça, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, com a entrega de uma carta ao Senado. 

Fazem parte da campanha o Coletivo por um Ministério Público Transformador (Coletivo Transforma MP), a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), a Associação de Juízes para a Democracia (AJD), a Associação Advogadas e Advogados Públicas para a Democracia (APD), a Associação de Advogados e Advogadas pela Democracia, a Justiça e Cidadania (ADJC), o Coletivo Defensoras e Defensores Públicos pela Democracia, o Instituto de Pesquisa e Estudos Avançados da Magistratura e do Ministério Público do Trabalho (Ipeatra) e o Movimento Policiais Antifascismo.  

A ação ocorre após a indicação de Jair Bolsonaro para que André Mendonça ocupe o cargo deixado na semana passada pelo agora ex-Ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio de Melo. Para os juristas, a indicação de Mendonça ao STF representa um retrocesso nos pilares da Justiça brasileira e da democracia,  uma vez que o advogado-geral da União possui explícito alinhamento ideológico ao governo de Jair Bolsonaro, que tem promovido desmontes sociais e negligenciado a seriedade e as graves consequências da pandemia de Covid-19 no país.  

“A inusitada prática sem dúvida representou o amesquinhamento do processo de escolha do Ministro do STF e verdadeiro menoscabo tanto ao Tribunal da Cidadania como à Procuradoria-Geral da República, findando por dar contornos diferentes à sabatina, já que a aprovação do candidato representará a aceitação pelo parlamento dos excessos cometidos pelo Executivo no decorrer do processo”, ressaltam os juristas, em trecho da carta.  

Outro fator apontado no documento é que, durante sua trajetória no governo Bolsonaro, Mendonça feriu a Constituição Federal ao subestimar os princípios institucionais para atender as demandas do chefe do Poder Executivo, utilizando sua crença como juízo de valor e desprezando o preceito da separação de Estado e Religião.  

A utilização da Lei de Segurança Nacional, elaborada durante o período ditatorial brasileiro, também é uma das características antidemocráticas de André Mendonça que empregou a norma jurídica para perseguir e criminalizar críticos ao Governo Federal, ferindo a liberdade de expressão garantida pela Carta Magna de 1988.  

Portanto os coletivos jurídicos solicitam aos senadores que rejeitem a indicação de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal; que sejam realizadas audiências públicas com participação da sociedade civil brasileira sobre a indicação e composição do Supremo Tribunal Federal de acordo com os princípios e pressupostos constitucionais.

Leia a carta na íntegra. 

Imagem destacada / O presidente Jair Bolsonaro e o advogado-geral da União, André Mendonça, em cerimônia de posse em Brasília (29.abr.2020) / Foto: Edu Andrade / Fatopress / Estadão Conteúdo

Povoado Cedro tem homenagem na rádio comunitária Mapari FM

O programa teve a participação especial do poeta Paulo Furtado, interpretando uma das mais belas crônicas do escritor Humberto de Campos, intitulada “Macacoeira”

Uma longa viagem pelas memórias e estórias contadas por moradores de várias gerações do povoado Cedro, localizado no município de Humberto de Campos, emocionou os ouvintes da rádio comunitária Mapari FM, no último sábado (17 de julho).

Ao longo do programa Mapari em Debate, apresentado pela professora Laury e Erick Viegas, com produção de Fernando Cesar Moraes, a emissora veiculou vários depoimentos de humbertuenses que falaram sobre as suas memórias da infância e da juventude, bem como das atualidades do Cedro.

Ouça o programa completo abaixo:

Programa Mapari em Debate finalizou com a
crônica Macacoeira. Ouça no tempo 1:29:12 no audio

Os relatos mencionaram personagens antigas do povoado, algumas já falecidas, outras ainda vivas, relacionadas aos “velhos tempos”, quando aquelas terras eram acessadas apenas por embarcações.

Hoje em dia chega-se ao Cedro com facilidade em qualquer tipo de veículo.

No passado, quando não havia estrada, os cedrenses aventuravam-se nas lanchas que saíam de São José de Ribamar para os municípios de Humberto de Campos e Primeira Cruz, em viagens longas, atravessando três perigosas baías, com duração de até 10 horas cada viagem.

Através da rádio Mapari FM muitas histórias e memórias conectaram os ouvintes e os participantes através do tempo com as lembranças de fatos históricos vivenciados nas dunas, lagoas e em toda a biodiversidade do Cedro.

O encerramento do programa teve a participação especial do poeta Paulo Furtado, interpretando uma das mais belas crônicas do escritor Humberto de Campos, intitulada “Macacoeira”.

O município que leva o nome do escritor tem várias peculiaridades. Está localizado na região Lençóis-Munim e o seu território contém uma rica biodiversidade da Baía de Tubarão, território encaixado nos critérios de uma Reserva Extrativista de Desenvolvimento Sustentável.

Do ponto de vista histórico, Humberto de Campos e o vizinho município de Primeira Cruz, assim como Icatu, foram palco da disputa entre Portugal e França, no início do século XVII, quando as forças lusas comandadas por Jerônimo de Albuquerque e os franceses liderados Daniel de La Touche disputaram o controle do território brasileiro (veja abaixo).

Na Literatura, Humberto de Campos, a cidade, foi batizada em reverência ao seu mais ilustre escritor, autor de uma obra relevante.

Todo esse conjunto de qualidades precisa ser mais explorado pelos gestores da região, incentivando o turismo de lazer e cultural na perspectiva da economia criativa.

A rádio Mapari FM está fazendo um importante trabalho nesse sentido. Comunicação, cultura e educação precisam andar de mãos dadas e o programa Mapari em Debate já presta um relevante serviço à cidadania.

Imagem destacada / vista do porto de Humberto de Campos

Clip do impeachment já está circulando nas redes sociais

A música “Desgoverno” reúne artistas de variados estilos em uma só voz pelo impeachment de Jair Bolsonaro.

O som embala a luta nas redes sociais e breve ganhará as ruas nas grandes manifestçaões contra o pior presidente da História do Brasil.

Zeca Baleiro e Joãozinho Gomes assinam a produção.

Açúcar de adição é o tema do novo episódio da série Rádio Abraço Saúde

Você sabe o que é açúcar de adição? O novo programa da série Rádio Abraço Saúde explica. Nesse episódio entrevistamos a odontóloga Cecília Claudia Costa Ribeiro, professora titular da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), integrante do Programa de Pós-Graduação em Odontologia e do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UFMA.

O açúcar de adição está contido em produtos industrializados como refrigerantes, sucos de caixa e achocolatados, além de sorvetes, iogurtes adoçados, doces, bolos biscoitos, tortas e sobremesas.

O consumo excessivo desses produtos pode causar danos à saúde da boca como a cárie e periodontite ou piorréia.

Além dessas conseqüências, o uso constante dos alimentos com açúcar de adição pode estar associado a outras doenças, a exemplo do diabetes.

Para saber detalhes sobre os efeitos do açúcar de adição, ouça abaixo a entrevista com a doutora Cecília Ribeiro no programa Rádio Abraço Saúde.

Rádio Abraço Saúde é uma produção da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço) no Maranhão.

O programa tem produção e roteiro de Ed Wilson Araújo e Fernando Cesar Moraes. Locução de Marcio Calvet e Lanna Gatinho. Edição de Marcio Calvet e direção geral de Ed Wilson Araújo.

Ouça aqui, aqui e aqui as edições anteriores do Rádio Abraço Saúde.

Mestre João Câncio, do Boi de Pindaré, ganha homenagem com mural em São Luís

Nascido na Vila Passos, região central de São Luís, com longa permanência também no bairro do Monte Castelo, o tradicional Boi de Pindaré, de sotaque da Baixada, com sede hoje no Bairro de Fátima, é o novo homenageado pelo Projeto “Amo, Poeta e Cantador: Murais da Memória pelo Maranhão”.

O amo, cantador e compositor João Câncio dos Santos, que fundou a brincadeira em 15 de maio de 1960, é a figura de destaque desse mais novo e grande mural, que será confeccionado pelo artista plástico e grafitteiro Gil Leros.

A imagem do mestre João Câncio será grafittada no muro da sede do Boi, no Bairro de Fátima, às margens da Avenida dos Africanos, que liga a Avenida dos Franceses à Avenida Senador Vitorino Freire, no bairro da Areinha.

Berço de outros tantos mestres do Bumba meu Boi do Maranhão, como ‘Coxinho’ e ‘Zé Olhinho’, o Boi de Pindaré conta atualmente com 85 brincantes, com destaque especial para as dezenas de crianças que abrilhantam as apresentações anuais da brincadeira – descendentes, filhos, netos e bisnetos, dos fundadores e brincantes mais antigos.

Segundo a atual presidente do Boi de Pindaré, Benedita Arouche, mais conhecida como ‘Dona Bita’ no meio cultural de São Luís, há brincantes, inclusive, da chamada primeira infância, que vai até os cinco anos. “Procuramos manter vivas as nossas tradições religiosas e culturais, e, nesse sentido, a família toda acaba se envolvendo. Temos crianças de até três anos dançando no Boi”, conta Dona Bita.

A escolha do Boi de Pindaré para ser homenageado pelo Projeto “Amo, Poeta e Cantador” chegou, segundo a presidente da brincadeira, como um presente para toda a diretoria e brincantes: ‘num momento tão difícil de pandemia e, já por dois anos consecutivos, sem os tradicionais e oficiais festejos de Bumba Boi nos meses de junho e julho’. Ela afirma que não tem sido fácil manter a brincadeira, que também realiza várias obras sociais, com tão poucos recursos e doações. “Nesse cenário, ficamos muito felizes e honrados com a escolha do Boi de Pindaré, selecionado entre tantos outros ‘Bumba Bois’ de sotaque da Baixada e até mesmo dos outros sotaques. O meu muito obrigada a todos do projeto”, disse Dona Bita.