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Cortejo fúnebre na UFMA! Ato simbólico denuncia acordo com entidade que não representa grevistas

Durante o cortejo será lido o testamento representando a traição da Proifes Federação, uma organização burocrática, sem registro sindical nem legitimidade de representação da categoria docente federal.

A greve continua!

Professoras(es), servidores(as) técnico-administrativos(as), estudantes e movimentos sociais solidários à greve da educação federal realizam nesta quarta-feira (5) um enterro simbólico da Proifes Federação, entidade sem legitimidade nem representatividade para negociar com o governo.

O ato é organizado e convocado pela Apruma Seção Sindical, filiada ao Andes Sindicato Nacional, entidade que representa os docentes no processo de negociação.

A manifestação tem o objetivo de denunciar o golpe da Proifes, que tentou entregar os direitos da categoria através de um “acordo” que não atende à pauta de reivindicações, com o intuito de agradar o governo federal às custas dos direitos dos docentes e também dos técnicos das universidades e institutos federais.

A revolta gerada por mais essa tentativa de traição, em vez de enfraquecer, incendiou o movimento e aumentou a pressão sobre o governo, que por sua vez insiste em não conceder qualquer reajuste este ano.

ENTENDA QUEM É QUEM NA GREVE

Os sindicatos representativos das categorias em greve na educação federal são: Andes Sindicato Nacional, que representa os(as) professores(as); Sinasefe (representa os servidores – docentes e técnicos – da Rede Federal de Educação Básica, Técnica e Tecnológica); e a Fasubra (representa os TAEs – técnico-administrativos em Instituições de ensino superior). 

Os sindicatos acima mencionados compõem os Comandos Nacionais de Greve (CNGs) e têm legitimidade para negociar com o governo federal.

A Proifes Federação é entidade cartorial burocrática, sem registro sindical e não tem legitimidade de representação do conjunto da categoria docente federal.

O acordo firmado em 27 de maio (segunda-feira) entre o governo federal e a Proifes não atende às demandas da categoria docente em greve. Além de não recompor as perdas salariais de mais de 90% das e dos docentes, a proposta aprofunda a desestruturação da carreira, exclui aposentados/as, não traz qualquer recomposição do orçamento das universidades, institutos federais e Cefets e também não prevê a revogação dos ataques implementados durante o governo de Jair Bolsonaro.

JUSTIÇA SUSPENDE ACORDO

Após a assinatura do acordo entre o governo e a Proifes, dia 27 de maio (segunda-feira), o juiz Edmilson da Silva Pimenta, da 3ª Vara da Justiça Federal de Sergipe, suspendeu o resultado dia 29 (quarta-feira).

“Pelo exposto, DEFIRO a tutela de urgência requestada, para determinar que a União Federal se abstenha de firmar eventuais acordos com o PROIFES Federação, durante a Mesa de Negociação que trata acerca da reestruturação da carreira docente e sobre a deflagração da greve da categoria dos professores”, diz a decisão.

Fortalecido pela suspensão do acordo, o movimento liderado pelos Comandos Nacionais de Greve (CNGs) não recuou, fez vigília no MGI (Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos) e arrancou novas reuniões com o governo federal. A próxima rodada de negociação com docentes acontece no dia 14 de junho, no Ministério da Educação. Já a mesa das e dos TAEs será realizada em 11 de junho.

SERVIÇO

Cortejo Fúnebre da Proifes Federação.

Quarta-feira, 5 de junho, 13h

Concentração na Área de Vivência do Campus do Bacanga.

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MPF consegue na Justiça revisão da licença ambiental da EDP em territórios quilombolas no MA

Horizon Transmissão terá de elaborar estudo e realizar consulta às comunidades, com acompanhamento do Incra e revisão da licença pela Sema

Site do MPF – O Ministério Público Federal (MPF) obteve uma decisão liminar que beneficia comunidades tradicionais quilombolas no Maranhão. A 8ª Vara Federal Ambiental e Agrária determinou medidas de proteção e mitigação de impactos devido à instalação da Linha de Transmissão Miranda II – São Luís II – C3. A decisão da Justiça Federal acolheu parcialmente os pedidos do MPF, que ingressou com uma ação buscando a regularização do licenciamento ambiental do empreendimento, que possui torres de transmissão de energia instaladas em territórios quilombolas nos municípios de Santa Rita, Itapecuru-Mirim e Anajatuba.

A licença de operação foi concedida pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) sem que fosse realizada a devida consulta livre, prévia e informada às comunidades quilombolas impactadas pela instalação dos equipamentos. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) também não realizou a análise aprofundada do componente quilombola nos estudos ambientais da obra.

Dentre as determinações da decisão, destaca-se a imposição ao Incra para elaborar, em até 30 dias, um Termo de Referência Específico (TRE) com todas as diretrizes necessárias à elaboração de Estudo de Componente Quilombola (ECQ). Esse documento deve exigir a realização do estudo com a observância da consulta livre, prévia e informada aos quilombolas, conforme previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Após elaborado o TRE, a Horizon Transmissão (antiga EDP Brasil), companhia privada do setor elétrico que opera a linha de transmissão no Maranhão, deve apresentar, em até 90 dias, o ECQ das comunidades afetadas, com o diagnóstico dos impactos reais causados e a especificação das medidas a serem adotadas para sua mitigação e compensação. Deverão ser consideradas tanto as comunidades tradicionais quilombolas impactadas pela construção das obras, quanto aquelas prejudicadas pela alteração dos recursos naturais que garantem sua subsistência (como a atividade pesqueira).

A decisão também determinou que, após a apresentação do estudo, o Incra deve submeter as suas conclusões à apreciação das comunidades afetadas de maneira clara e acessível. Em seguida, o Incra deve apresentar uma manifestação técnica conclusiva, avaliando a suficiência do estudo e sugerindo eventuais medidas corretivas, no prazo de 60 dias, em conformidade com a Convenção OIT 169. A manifestação deverá responder objetivamente sobre a possibilidade de regularização do licenciamento ou necessidade de alteração do percurso das linhas de transmissão, bem como sobre a suficiência das medidas mitigatórias e compensatórias.

Ainda foi determinado que, após a apresentação dos estudos pela empresa, o Estado do Maranhão, por meio da Sema, realize os procedimentos necessários para a revisão da licença de operação já expedida para a Linha de Transmissão Miranda II – São Luís II – C3. Essa revisão deve incluir a estipulação das condicionantes necessárias à implementação das medidas mitigatórias e compensatórias fixadas a partir do novo estudo de impacto às comunidades tradicionais quilombolas afetadas.

Para o procurador da República Hilton Melo, que assina a ação, “essa decisão representa um passo significativo na proteção dos direitos dos quilombolas no Maranhão e reforça a importância de se ouvir antecipadamente as comunidades impactadas por esses empreendimentos. A consulta prévia deve sempre ser realizada em observância às normas internacionais e nacionais voltadas para preservação da cultura, do território e da dignidade dessas comunidades tradicionais”.

Redução de peixes – Conforme representação ao Ministério Público do Maranhão (MPMA) e ao MPF feita por representantes das comunidades tradicionais atingidas, a construção da linha de transmissão de energia resultou em uma diminuição do estoque de peixes na região, afetando diretamente a pesca, que é uma das suas principais fontes de subsistência. Além disso, o processo de instalação da linha de transmissão causou perturbações no ecossistema local, incluindo o revolvimento de material orgânico e o bloqueio de igarapés, o que pode ter prejudicado a circulação de cardumes e a reprodução dos peixes.

Ainda segundo a representação, a escassez de peixes levou a uma queda na produtividade da atividade pesqueira, forçando os pescadores a enfrentarem dificuldades econômicas devido à redução de sua principal fonte de renda. Além disso, os pescadores enfrentam desafios sociais, como a necessidade de adaptar-se a novas realidades e buscar alternativas para manter suas famílias e comunidades.

Processo nº 1093394-31.2023.4.01.3700

Imagem destacada: Adriano Almeida

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Lula condena guerras e extremismo político

Site do PT – O presidente Lula recebeu, nesta segunda-feira (3), a visita do presidente da Croácia, Zoran Milanović, com o qual teve uma reunião bilateral no Palácio Itamaraty. Em declaração à imprensa após o encontro, Lula alertou para as ameaças do extremismo político à paz mundial, condenou as guerras e reafirmou o compromisso do Brasil com o combate às mudanças climáticas e às desigualdades.

“Nossas regiões estão ameaçadas pelo extremismo político, pela manipulação da informação, pela violência que ataca e silencia minorias”, disse o presidente brasileiro, destacando a proximidade do processo de renovação política na União Europeia.

“Em poucos dias, as 720 vagas do Parlamento Europeu estarão em disputa. A vitalidade da democracia é fundamental no momento em que vivemos. Para vencer o totalitarismo será preciso unir todos os democratas”, afirmou Lula.

Nesse ponto do discurso, o presidente fez uma homenagem à memória de Vladimir Herzog, jornalista nascido na cidade croata de Osijek e que se tornou um dos símbolos da luta contra a ditadura militar no Brasil, tendo sido morto nos porões da repressão.

Leia mais no Site do PT

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Os últimos dias do rádio AM no Maranhão

Neste fim de semana, após a transmissão do futebol, no domingo, a rádio Mirante AM conclui o processo de migração para FM.

A 600Khz AM vai migrar para FM 104.1 MHz e terá o nome Mirante News.

Durante algum tempo, os ouvintes ainda poderão ouvir a programação tanto na AM quanto na FM, até que o transmissor da AM seja desligado em definitivo.

A Mirante AM é a última emissora de São Luis a concluir a migração para FM.

Acesse o link abaixo e leia mais:

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Dia da Imprensa é a celebração do processo civilizatório

A partir de 1999, o “Dia da Imprensa” no Brasil passou a ser comemorado em 1º de junho, em referência ao início da circulação do jornal Correio Braziliense ou Armazém Literário, fundado por Hipólito José da Costa, em 1808.

No início do século XIX este jornal entrava clandestinamente no Brasil, que estava sob censura da Santa Inquisição e da Corte Portuguesa.

No mesmo ano, 1808, circulava também no Brasil o jornal chapa branca Gazeta do Rio de Janeiro, produzido pela Imprensa Régia.

Os dois jornais eram muito diferentes. O Correio Braziliense, editado em Londres, tinha influência das ideias iluministas que circulavam na Europa.

Já a Gazeta do Rio de Janeiro era o jornal oficial da Corte Portuguesa.

O Blog do Ed Wilson congratula-se com todas e todos que fazem a Imprensa, uma instituição fundamental para a democracia.

Abaixo, alguns momentos da nossa atividade profissional.

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Greve: sindicatos cobram a volta das negociações

3 de junho é Dia Nacional de Luta das trabalhadoras e trabalhadores da educação federal, com mobilizações em todo o país

A greve docente federal continua, após a assinatura de um acordo entre o governo federal e a Proifes, entidade sem legalidade nem legitimidade, em local secreto, na segunda-feira (27). Para cobrar a reabertura das negociações com as entidades representativas da categoria docente, os Comandos Nacionais de Greve do ANDES-SN, do Sinasefe e da Fasubra realizarão um Dia Nacional de Luta da Educação Federal em 3 de junho.

Na mesma data, está prevista a realização de uma reunião com o Ministério de Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI), para discutir a reabertura de negociações sobre as contrapropostas das entidades. Depois de um duro enfrentamento junto ao MGI, no dia 27, o ANDES-SN e o Sinasefe conseguiram arrancar o compromisso de uma nova reunião.

Além de cobrar a retomada do diálogo com o governo federal, a manifestação também reivindicará a recomposição orçamentária das Instituições Federais de Ensino e pelo “revogaço” das medidas do governo de Jair Bolsonaro, que atacam docentes, técnicas, técnicos e a Educação Federal.

Mobilização

O Dia Nacional de Luta da Educação Federal terá manifestação em Brasília (DF) e nos estados, nas instituições de ensino, em articulação com o movimento estudantil, movimentos sociais e demais categorias que apoiam a defesa da Educação Pública.

A orientação dos comandos de greve é intensificar, desde já, a mobilização nas redes sociais, comentando todas as postagens do governo e suas figuras públicas – em especial Lula, Janja, Camilo Santana, Esther Dweck, Fernando Haddad, Simone Tebet – com as seguintes palavras-de-ordem em mídias como Facebook, Instagram e Twitter/X: #grevecontinua; #educaçãofederalemgreve; #Lulanegociajá; #LulanegociacomANDES-SN. No dia 3 de junho, a partir das 13h, ocupar as já citadas redes sociais com as mesmas palavras-de-ordem.

Na capital federal (DF), os CNGs realizarão, às 10 horas, uma coletiva de imprensa na sede do ANDES-SN sobre a continuidade da greve da educação federal. A partir das 14 horas, horário previsto para a reunião com o governo, as e os docentes, técnicos e técnicas realizarão ato em frente ao MGI, com uma superlive transmitida nas redes sociais das entidades.

Confira os Comunicados 52 e 54 com orientações do Comando Nacional de Greve do ANDES-SN

Liminar suspende acordo assinado com Proifes

A 3ª Vara da Justiça Federal de Sergipe suspendeu o acordo firmado entre o governo federal e a Proifes. A decisão do juiz Edmilson da Silva Pimenta é desta quarta-feira (29). 

O magistrado afirma que “quanto ao requisito do perigo na demora, este resta presente pela possibilidade do PROIFES-Federação firmar eventual acordo com o Governo Federal, em relação à reestruturação da carreira e aos direitos pleiteados pelo movimento paredista dos docentes que não são representados pela referida entidade, os quais sofrerão prejuízos em relação aos seus interesses e à busca pelos direitos reivindicados durante a greve, na medida em que o movimento poderá ser finalizado sem que tenham sido atendidos em suas demandas que ensejaram a deflagração da reportada greve”.

“Pelo exposto, DEFIRO a tutela de urgência requestada, para determinar que a União Federal se abstenha de firmar eventuais acordos com o PROIFES Federação, durante a Mesa de Negociação que trata acerca da reestruturação da carreira docente e sobre a deflagração da greve da categoria dos professores”, diz. 

Confira aqui a decisão.

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Greve: Justiça Federal proíbe acordo entre governo e ProIfes

Correio Brasiliense – O juiz Edmilson da Silva Pimenta, da 3ª Vara Federal de Sergipe, anulou, nesta quarta-feira (29/5), o acordo firmado entre o governo federal e a Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico (Proifes) sobre o reajuste salarial dos professores de universidades e institutos federais.

decisão judicial surgiu por meio de ação ordinária movida pela Associação dos Docentes da Universidade Federal de Sergipe (ADUFS – Seção Sindical do ANDES-SN) contra a União e visa impedir que o governo assine acordos com a Proifes-Federação durante as mesas de negociação que tratam tanto da reestruturação da carreira docente quanto da greve da categoria.

O acordo, assinado na segunda-feira (27/5), representou o fim das negociações entre o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e os professores. Porém, outras duas entidades que também participavam das negociações, Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) e Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), recusaram a proposta.

“A decisão conferida pelo Poder Judiciário cria efeitos aos dois partícipes desta farsa: a Proifes, entidade sem registro sindical, e ao governo federal, que está impedido de firmar acordos no bojo da mesa que trata sobre aspectos de carreira e remuneração dos docentes. A vitória judicial vem não só em bom momento, mas expressa a justa compreensão quanto a ilegitimidade da entidade fantasma em participar do processo negocial em nome dos professores e professoras em nível federal, o que, desde a instalação da mesa, vínhamos denunciando.” disse Gustavo Seferian, presidente do Andes-SN.

Diante da medida, o presidente da Proifes-Federação, Wellington Duarte, sinalizou o acionamento da assessoria jurídica da entidade e afirmou que “a liminar que foi dada hoje não vai ter interferência nenhuma”. “Nós estamos preparando a defesa, a argumentação, com toda a documentação. A Proifes continua tranquila, cumpriu sua tarefa, e acreditamos piamente que tudo vai se resolver nos próximos dias. Então, nada mudou, continua tudo como antes e essa liminar não vai prosperar.”, pronunciou Duarte, ao Correio.

Procurado, o MGI afirmou ainda não ter sido notificado oficialmente dessa decisão.

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Apruma: a greve continua!

A Apruma comunica à comunidade acadêmica que a greve continua, visto que nacionalmente é o ANDES SN que tem a legitimidade política e jurídica para definir os rumos da paralisação nacional.

Adiantamos que o acordo firmado entre o Proifes-governo, que consideramos um grave erro por parte do governo Lula, não tem fundamento nem político, nem jurídico para pôr fim ao nosso movimento, haja vista que, na avaliação das assembleias de base realizadas pelo país, a pauta não foi contemplada.

Aqui na UFMA, importa registrar que o SindUFMA também não responde pela base docente, e sim a Apruma. Logo, qualquer decisão sobre continuar ou suspender a greve somente pode ser tomada em assembleia da Apruma.

Consideramos que neste momento é fundamental participar das atividades da greve desta semana e da próxima, visando aumentar a cobrança para que o governo Lula reabra as negociações e, na UFMA, que a reitoria constitua a mesa permanente para discutirmos os graves problemas já elencados na pauta local apresentada pela Apruma em reunião com a Administração Superior.

São Luís, 29 de maio de 2024

Acesse nosso site para saber como pressionar os deputados da bancada maranhense a apoiar a Educação Pública Federal, no sentido de convencer o governo a reabrir as negociações com o(a)s docentes federais:  apruma.org.br

Acesse a agenda das próximas atividades de greve da Apruma em: Agenda – Apruma

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Nilson estreia obra poética com “Pequeno caderno maranhense”

Novo livro da Cepe Editora, Pequeno caderno maranhense aborda questões como gênero e raça, no Maranhão, com humor crítico e um olhar anticolonial

O título do livro de Nilson de Souza, que se identifica apenas como “nilson” em suas obras poéticas, revela de forma evidente a sua fonte de inspiração. Publicado pela Cepe Editora, Pequeno caderno maranhense traz o universo do Maranhão no centro de sua escrita.

Nilson foge de temas e personagens costumeiramente exaltados na história e cultura tidas como oficiais e visibiliza, com um humor crítico e abordagem anticolonial, questões relacionadas aos negros e indígenas.

Esta opção se traduz nos versos selecionados para a contracapa da obra: “você se aplica ao trabalho sabendo que a sua ilha / foi erigida com o seu sangue / e com o seu sangue / se enche um oceano”. A obra é a primeira do poeta a ser publicada.

Pequeno caderno maranhense será lançado no próximo dia 13 de junho (quinta-feira), das 18h às 21h, na Sala Sesc de Exposições, em São Luís (MA). Antes da sessão de autógrafos, Nilson participa de um bate-papo sobre a obra com o historiador e músico Tonny Araújo, autor dos livros Caixa de raiva e O lugar do jazz na construção da música popular brasileira.

Com a publicação avalizada pelo Conselho Editorial da Cepe, Pequeno caderno maranhense resultou de um longo tempo de pesquisas e observações do dia a dia. “A ideia surgiu de um desejo antigo que eu tinha de fazer um livro escolar de História do Maranhão”, disse o autor, que, na infância, gostava de folhear os livros de História e se apaixonou pelos arquivos. A virada de chave do antigo para o atual projeto veio aos poucos, a partir da percepção do poeta de que suas vivências, bem como de sua família e de seus amigos, figuravam nos livros e arquivos de modo estranho ao que eles percebiam.

De acordo com o poeta, o que havia em livros e arquivos eram relatos de violência, clichês regionais, formas generalistas/estereotipadas de falar do bumba meu boi e das religiões que ele e as pessoas do seu entorno conheciam e frequentavam. “Então esse recinto lacunar, instável do arquivo negro e indígena maranhense virou uma espécie de obsessão minha, que contaminou a minha escrita e se tornou o meu objeto de pesquisa, e o resultado é um pouco do que consta nesse livro”, pontua. De certo modo, admite Nilson, existe “uma vontade de perverter ou corromper aqueles livros escolares da minha infância”.

A intenção do poeta de “perverter” a lógica oficial se revela nas primeiras linhas do primeiro poema do livro. Em prólogo, o verso inicial sai à queima-roupa: “Sabe quando eles usam essa capa completamente preta sobre a pele?”. E a resposta: “Pois bem / nós somos escuros, pois um útero nos quis assim”. A questão racial caminha junto a outras questões importantes, como a religiosa e as manifestações culturais, ora trazendo referências ao Tambor de Mina, conforme os poemas deni e vozerio, ora ao Bumba meu boi, manifestação de profunda relação afetiva do autor. O bisavô de Nilson era o Pai Francisco do Bumba meu boi da Maioba, fundado em 1897.

Além de poesias, o livro reúne reproduções de imagens – fotos, mapa e painel seculares – pinçadas pelo autor em suas pesquisas, transcrições de trechos de discos, de filmes, de documentários e de livros. A primeira parte da publicação, batizada de Módulo, conta com textos unicamente autorais, enquanto a segunda, Frequência, traz poemas elaborados a partir da escuta de rádios maranhenses e cópias de fragmentos extraídos de áudios e audiovisuais. Em tom crítico, os fragmentos recebem nomes de “ruídos brancos”. São cinco “ruídos” em meio a 23 poemas.

Editora assistente da Cepe, Gianni Gianni afirma que os poemas de Nilson apresentam o Maranhão como uma parte de um imenso país que nunca compreendemos plenamente. “Pequeno caderno maranhense, desde a concepção do autor, tinha o intuito de tensionar narrativas históricas hegemônicas e realiza essa tarefa a partir de um estilo que ora flerta com o fragmentário, ora encarna a estrutura da prosa”, analisa. O livro, segundo ela, é um projeto com muitas referências e citações, como boa parte da produção de poesia contemporânea, e que incorpora muitos elementos da oralidade.

Sobre o autor

Natural de São Luís (MA), Nilson é graduado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e bolsista para criação literária da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema). Alguns dos seus poemas foram publicados nas revistas Caliban (Portugal) e Totem & Pagu (Curitiba–PR). Em 2023, Nilson comandou uma oficina de escrita sobre o Bumba Meu Boi no Centro Cultural do Vale Maranhão.

SERVIÇO

O que: Lançamento de Pequeno caderno maranhense, com bate-papo do autor com o escritor e historiador Tonny Araújo

Quando: 13 de junho (quinta-feira)

Hora: das 18h às 21h

Onde: Sala Sesc de Exposições, Edifício Francisco Guimarães e Souza, na Avenida dos Holandeses, Quadra 4, s/n, Jardim Renascença II, São Luís/MA

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Escuta Ciência: no 3º episódio pesquisadora fala sobre a experiência do Comitê da Praça das Árvores

O terceiro episódio do Escuta Ciência (CLIQUE AQUI PARA OUVIR) tratou da organização de moradores de bairros de São Luís em torno de preservação e uso coletivo de logradouros públicos, com base na  dissertação de mestrado da professora Dorian Izabel Santos Azevedo denominada “A ORGANIZAÇÃO POPULAR DO ESPAÇO PÚBLICO: uma análise a partir da experiência do Comitê da Praça das Árvores no Complexo COHAB-COHATRAC em São Luís do Maranhão”.

A dissertação é fruto do  Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Socioespacial e Regional da UEMA (Universidade Estadual do Maranhão) e teve como orientadora a professora doutora Sabrina Miranda Areco. 

O “Escuta Ciência” fica ancorado no site da Apruma Seção Sindical e o arquivo de áudio pode ser baixado e veiculado nas emissoras de rádio, inclusive as comunitárias.

Os programas são resultante da Oficina de Divulgação Científica realizada durante a greve dos docentes e técnicos administrativos da UFMA, em 2024.

A oficina, ministrada pelos professores Ed Wilson Araújo e Carlos Agostinho Couto, com o apoio da Apruma Seção Sindical, teve o objetivo de transformar trabalhos científicos em podcast e programas de rádio, no formato de entrevista.

Os participantes puderam gravar programas, com pesquisadores, a partir do estudo de trabalhos científicos (dissertação de mestrado) visando compreender os principais conceitos das pesquisas: a teoria, a metodologia, os resultados alcançados e a relevância do estudo para a sociedade.

A edição e a finalização do programa são do mestrando em Comunicação e técnico do Laboratório de Rádio, Jorge Sousa.

Imagem destacada: professores Ed Wilson Araújo e Carlos Agostinho Couto; a pesquisadora Dorian Azevedo e o dirigente do Comitê da Praça das Árvores Camilo Rocha Filho.