Categorias
notícia

Alagamentos, Plano Diretor e Lei de Zoneamento em São Luís

A cidade não alaga somente pelo excesso de chuvas. O acúmulo de água nas ruas e avenidas dos corredores principais e nos bairros, principalmente da periferia, são sintomas da ocupação desorganizada dos territórios, pressionados pela especulação imobiliária e pelas constantes pressões do capital especulativo para reduzir radicalmente a zona rural de São Luís.

Sem a zona rural viva e preservada, a cidade, cada vez mais impermeabilizada, vai sofrer rigorosas consequências das emergências climáticas.

Quem nasceu e cresceu em São Luís sabe que em 2026 sequer tivemos um inverno regular, com precipitações permanentes de janeiro a maio. As chuvas mais intensas só caíram, até agora, em abril. Os meses anteriores foram de pancadas d’água esparsas.

A Prefeitura de São Luís já realizou a revisão do Plano Diretor e caminha para oficializar a revisão da Lei de Zoneamento. A tendência é conjugar a legislação urbanística para transformar a outrora e bucólica “ilha do amor” em uma cidade portuária e industrial, atendendo aos interesses das indústrias pesadas, do agronegócio e da especulação imobiliária.

Esse é o jogo de forças que atua para eliminar paulatinamente a zona rural, que tem vários níveis de importância:

1 – É lugar de moradia;

2 – É a reserva de cobertura vegetal, com dupla função: regular a temperatura da cidade e como área de absorção e penetração das chuvas para alimentar os lençóis freáticos;

3 – É um território de modo de vida rural, que resiste ao novo sentido da cidade-condomínio;

4 – É um espaço de produção agrícola, de saberes, práticas e afetos distintos das formas de vida convencionais da vida tipicamente urbana (pavimentada, concretada, impermeabilizada e fechada em muros);

5 – Tem importância estratégica para o planeta: o local conectado ao global;

Por tudo isso, se a zona rural não tiver vida, a cidade será cada vez mais alagada.