Assis Chateaubriand: um canalha genial

Gago na infância e alfabetizado tardiamente, o paraibano Assis Chateaubriand Bandeira de Melo fundou um império de comunicações no Brasil – os Diários Associados.

Sua vida é marcada por dezenas de episódios com variadas qualidades e temeridades em farta documentação apresentada na biografia “Chatô: o rei do Brasil” (de Fernando Morais) e nos documentários fartamente distribuídos em plataformas de streaming.

Chateaubriand tinha a expertise de utilizar a sua poderosa máquina de comunicação para achacar, chantagear e mentir de forma grotesca visando atingir seus objetivos pautados em uma cobiça sem limites.

Amigo e desafeto de empresários, banqueiros, presidentes, políticos e dos bandidos de colarinho branco, entre figuras de outros naipes, ele era amado e odiado pelas diversas personagens que cruzaram sua vida atribulada.

Entre tantas peripécias marcadas por conchavos, manobras e negociatas, Chateaubriand foi até senador pelo Maranhão.

Assista nesse documentário uma parte da biografia de um dos geniais canalhas do Brasil.

Leia aqui sobre a passagem de Assis Chateaubriand na cidade de Caxias, no Maranhão, acompanhando a comitiva do então governador Eugênio Barros.

Foto destacada / Chateaubriand inaugurando a ponte de concreto sobre o riacho das Lages, divisa do Centro com Cangalheiro. No canto direito o governador Eugenio Barros e com a mão na cabeça o prefeito de Caxias Alcindo Cruz. / Crédito: revista O Cruzeiro

Televisão completa 70 anos de encantamento e manipulação

A televisão chegou ao Brasil pelas mãos de Assis Chateaubriand, homem de muitas qualidades e valores, entre tantas outras adjetivações, como a de ser uma espécie de homem de negócios sempre atrelado aos interesses do capital e do poder.

Entre tantos méritos, ele criou os Diários Associados e inaugurou a TV Tupi, formando um dos maiores conglomerados de mídia do Brasil, posteriormente superado pelas Organizações Globo do big shot Roberto Marinho.

Ao longo de sete décadas, a televisão brasileira é reconhecida internacionalmente pela capacidade criativa, principalmente no gênero dramático, dando ao país e ao mundo produções fantásticas.

Mas, essa usina de entretenimento é também a máquina de manipulação jornalística.

Jamais serão esquecidas, por exemplo, a aliança das Organizações Globo com a ditadura militar, a omissão (até quando pode) da campanha pelas Diretas Já, o agendamento da personagem Collor de Melo como o herói “caçador de marajás”, a edição criminosa do debate de 1989 (selecionando os melhores momentos de Collor de Mello e os piores desempenhos de Lula), a construção do salvador da pátria Sergio Moro e principalmente o engajamento do canal do plim plim na Lava Jato e em todos os desdobramentos da operação que feriu gravemente a democracia brasileira, culminando no golpe de 2016.

As Organizações Globo só não esperavam o revés do bolsonarismo com tanta ênfase, a ponto de vestais da direita liberal como Miriam Leitão serem violentamente atacadas.

Alvo do obscurantismo e do fanatismo, a olimpiana TV Globo está ameaçada de ser rebaixada à condição de semideusa.

Ela já não goza dos privilégios de outrora e vê com certa preocupação uma relativa perda de poder para as concorrentes, outrora desprezíveis. Além disso, começa a perder espaço nas transmissões esportivas para a onda do streaming.

O tempo dirá se as Organizações Globo terão habilidade para sobreviver a tantas tormentas.