Cabe uma retratação

O secretário de Saúde, Carlos Lula, é um dos melhores gestores do governo Flávio Dino (PCdoB).

Durante a pandemia do novo coronavírus ele tem feito o bom combate, em sintonia com as orientações das autoridades sanitárias, trabalhando com seriedade no enfrentamento da doença.

Porém, na convenção partidária governamental em Coroatá, Carlos Lula fez discurso sem máscara e até dançou com os seus correligionários no palanque, vendo na plateia um ambiente aglomerado e perigoso.

Não adianta usar o argumento de que o cidadão Carlos Lula é uma pessoa; e o secretário, outra. Ambos estão na mesma humanidade, falível.

O secretário errou e deveria fazer uma retratação.

Outros políticos e candidatos fizeram convenções aglomeradas atropelando as recomendações médicas.

A convenção do candidato a prefeito de São Luís, Duarte Junior, ex-comunista e atualmente no Republicanos, foi um exagero de aglomeração.

O que ele fez depois? Gravou e divulgou um vídeo pedindo desculpas.

O secretário de Saúde poderia tomar uma atitude semelhante. Na condição de autoridade referência no combate à pandemia é até pedagógico ele vir a público explicar a falha e reforçar os cuidados com a vida.

Basta um gesto simples e didático, com uma pequena dose de humildade.

Aos ‘dondocas’ de plantão: a Península da Ponta d’Areia não é condomínio fechado!

Por Walkir Marinho

Muito antes de qualquer processo de expansão imobiliária, a área litorânea de São Luís que antes era tratada carinhosamente por “Pontinha” da Ponta d’Areia e hoje é chamado de Península, já era visitada pelos apreciadores de um belo pôr do sol e pelos adeptos das “pedras de responsa” que frequentavam o Coqueiro Bar. Isso sem contar com os assíduos frequentadores do Iate Clube e do glamoroso Restaurante Tia Maria, com suas vistas privilegiadas para o mar e Centro Histórico da cidade.

Ainda bem antes do surgimento dessas dezenas de espigões verticais com seus 15 pavimentos, muitos deles, dotados de um apartamento por andar, e do próprio Espigão Costeiro, já existia ali, o Forte de Santo Antônio da Barra com sua capelinha. É bom dizer também que, em meados da década de 1980, foi instalado no local o Memorial Bandeira Tribuzzi, uma justa homenagem ao escritor e poeta autor da canção ‘Louvação a São Luís’.

Por outro lado, bem mais recente, nesta mesma região da capital maranhense, o Governo do Estado ensaiou instalar um terminal marítimo de passageiros e cargas para facilitar o serviço de travessia entre a Ilha de São Luís e as regiões da Baixada Maranhense e Litoral Norte. No entanto, após o repúdio de alguns moradores da Península, cujo eco adentrou pelos corredores palacianos, percebeu-se que o governo recuou e não falou mais do projeto. Talvez, pelo fato de o terminal portuário ter grande alcance popular e isso poderia causar efeito colateral, como tirar o sossego e prejudicar a elitização do local, além de “misturar gentes”. Esse assunto teve ampla repercussão nas redes sociais.

Agora, mais precisamente no último fim de semana, a Península da Ponta d’Areia voltou com toda força ao cenário das redes sociais, após uma noitada regada a esporte, pagode, farra, orgia e ‘otras cositas más’. Tudo por causa de uma área de faixa de areia denominada Posto A, onde foi instalado um “recinto fechado”. Uma espécie de cópia malfeita do que já existe na orla marítima do Rio de Janeiro.

Autoridades públicas, seguindo as normas e medidas de segurança sanitárias e ambientais, para evitar aglomerações, “lacraram” o espaço e isso virou motivo de amplo debate entre moradores da Península. Alguns chegaram a dizer, como verdadeiros “donos do pedaço”, que o tal ambiente é direcionado única e exclusivamente para habitantes desta área nobre. Como se essa região da capital de todos os maranhenses fosse reserva particular, de propriedade somente de alguns que moram nos arranha-céus revestidos de pastilhas coloridas e vidraças em fumê, porém, erguidos quase que, sem critério de saneamento básico.

Acontece que a Península da Ponta d’Areia, como qualquer outro aglomerado ou conglomerado urbano de São Luís, é área comum a todos. Independente de padrão social e poder aquisitivo. A Península da Ponta d’Areia não é um “condomínio fechado” e mesmo que fosse, todos têm o direito de ir e vir.

Imagem destacada: Vista aérea da Península da Ponta d’Areia e Espigão Costeiro (Foto: Reprodução)