Ainda é cedo para especular sobre as eleições de 2022, mas um desenho começa a ficar mais nítido, indicando a formação de três blocos políticos.
O primeiro é a extrema direita que vai marchar com Jair Bolsonaro. Esse eleitorado, pelas características do fanatismo, não muda de opinião. É o gado…
O segundo bloco é formado pelo campo democrático-popular, reunindo PT, PDT, PSB, PSOL e PCdoB. Se essas legendas construírem a unidade, podem atrair outros partidos, como a Rede, por exemplo.
A terceira frente é a direita tradicional, que deve reunir na liderança o PSDB e o DEM, agregando outras legendas, a depender das negociações.
Um caso a parte é o Centrão – legião de partidos mercenários que vai se movimentar de acordo com os interesses do mercado da política.
Embora o Centrão tenha assegurado vitórias na presidência da Câmara dos Deputados e do Senado, não há garantia de fidelidade canina ao presidente.
O Centrão faz negócios e pode até mesmo abandonar o governo, caso seja uma posição lucrativa.
Nesse contexto, Jair Bolsonaro tenta atrair ao seu campo uma parte da direita tradicional. A entrega do Ministério da Cidadania a um aliado de ACM Neto, agora no controle do DEM, é um sinal de que o presidente busca sair do isolamento da extrema-direita.
Na disputa de 2018 a vitória do bolsonarismo ocorreu inflada no discurso “contra o sistema”. Em 2022 é outro jogo e ele vai precisar dos partidos e dos políticos para tentar a reeleição.
O farto mercado das emendas parlamentares para ganhar a Câmara e o Senado escancarou o nível de pragmatismo do “mito”.
A má conduta do governo durante a pandemia covid19 acendeu o farol amarelo. Bolsonaro et caterva sofreram o desgaste do negacionismo e tentam reverter a queda de popularidade fazendo até acenos favoráveis à vacinação.
Ele opera um recuo tático no combate à pandemia, acena com um bônus para substituir o auxílio emergencial e distribui cargos buscando cooptar o que estiver ao seu alcance.
Bolsonaro já percebeu que o seu isolamento na extrema direita vai deixá-lo encurralado em um eventual segundo turno de 2022, quando a tendência pode ser uma aliança entre a direita tradicional, o campo democrático e até uma fatia do Centrão, se esta sentir o cheiro do poder.
Embora a política não seja uma ciência exata como a Matemática, a conta no eleitorado é mais ou menos essa:
1/3 dos votos (o gado fanático) vota em Jair Bolsonaro de qualquer jeito;
1/3 deve ficar com a direita tradicional;
1/3 vota na candidatura do campo democrático (esquerda e parte do centro);
O esforço de Jair Bolsonaro, abrindo o cofre do governo, visa atrair 1/3 da direita tradicional.
Mas, a tentativa pode acabar frustrada porque o PSDB e o DEM já começam a descolar do bolsonarismo. Eles são apenas ficantes agora…
Os sinais indicam que em 2022 os tucanos e os democratas queiram reeditar a Nova República; ou seja, a velha burguesia no poder, sem a escória bolsonarista.