Na Ilha do Amor, São Luís do Maranhão, julho só não é mais lindo que setembro.
Este meio de ano marca o fim das chuvas e os pores do sol intensos, explosivos, como se fossem bolas de fogo apagando no mar.
A imagem desse post foi capturada na praia da Ponta d’Areia.
É belo de ver, mas não se pode desfrutar totalmente. As águas poluídas não recomendam o banho.
Quando setembro chegar, o visual vai ficar ainda mais esplendoroso porque a água, embora poluída, perde um pouco do tom achocolatado e fica mais clara, quase esverdeada.
A mudança de tonalidade acontece porque durante o primeiro semestre, sempre chuvoso, o mar de São Luís recebe um grande volume de água dos rios que desembocam na baía de São Marcos, arrastando para as praias lixo orgânico dos leitos de água doce.
De julho em diante, com a escassez de chuvas e menos enxurradas dos rios, a água fica visualmente mais limpa e clara, mesmo que poluída por esgotos.
O Amapá tem uma localização privilegiada. É cortado pela linha do Equador, está encravado na maior floresta do mundo e a capital, Macapá, é a única do Brasil banhada pelo rio Amazonas
Chegada ao Porto de Santana, atracadouro principal do Amapá
Em 2010 fiz uma viagem de barco entre Belém e Macapá, capital do Amapá. Foram 27 horas navegando pelos rios da Amazônia a bordo de uma embarcação típica daquela região. Naquelas águas transitam pessoas do Norte e Nordeste do Brasil por diversos motivos: busca de trabalho, visita aos parentes, tratamento de saúde, mudanças de cidade, turismo e lazer.
Pássaros acompanham os barcos na hora do almoço
Durante o trajeto, além da riqueza cultural das personagens dentro do barco, é possível conhecer as belezas e as mazelas de uma parte da Amazônia.
O repórter nas águas da Amazônia
Na viagem encontrei uma família que estava dispersa há 20 anos e se reconectou através de cartas e mensagens enviadas para emissoras de rádio.
Uma década depois da minha viagem, Macapá ganha visibilidade na mídia nacional devido ao apagão que atingiu vários municípios do Amapá.
Fico tentando imaginar o sofrimento das pessoas diante da situação e a morosidade do governo federal para tomar providências e solucionar o problema.
Macapá estava invisível até então e só entrou no noticiário nacional em decorrência da tragédia.
Bem antes do apagão de 2020 registrei vários atrativos da orla de Macapá, também chamada “Zaguri” ou “Lugar Bonito”.
Panorâmica do “Zaguri” ou “Lugar Bonito”
Kitesurf na orla do rio Amazonas
É uma parte da cidade ao longo da margem do rio Amazonas onde está localizada a Fortaleza de São José e todo o entorno qualificado com pistas de caminhada, restaurantes, lanchonetes, pistas de caminhada e outros equipamentos destinados às práticas esportivas e de lazer.
Opções de alimentação e lazer no “Zaguri” ou “Lugar Bonito”
Um dos atrativos é um VLT turístico instalado em uma plataforma sobre a margem do rio.
Educação Ambiental
A viagem de 2010 trouxe à minha memória outra ida às terras amazônicas. Em 2001 fiz a primeira viagem ao interior do Amapá, em um trabalho de consultoria para implantar rádios comunitárias nas reservas extrativistas de Maracá e Cajari.
Através da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o projeto “Caravana Ambiental” trilhava as estradas do Amapá a bordo de uma perua (carro semelhante a uma van) com uma equipe multidisciplinar.
Os técnicos da Sema adaptaram o carro com um sistema de som denominado “rádio ambiental” e outros equipamentos didáticos como teatro de bonecos e projetor de filmes – o “cine ambiental”.
Além da “Caravana Ambiental”, a Sema ambicionava instalar estações de rádio FM nas próprias comunidades com o objetivo de melhorar o potencial de comunicação junto aos povos extrativistas e ribeirinhos.
Passei uma semana em uma escola agrícola localizada a 200 Km da capital (Macapá), ministrando aulas no projeto de montagem das emissoras comunitárias que posteriormente iriam atuar no trabalho educativo voltado para o desenvolvimento sustentável.
Reportagem sobre a “Caravana Ambiental” no Amapá
À época, registrei todo o trabalho em uma reportagem publicada no Jornal Pequeno (veja imagens), contanto detalhadamente as atividades desenvolvidas em prol do meio ambiente em Macapá.
Como se pode observar, existe uma variada agenda positiva nos territórios do Brasil. O Amapá é um deles.
VEJA MAIS IMAGENS
O repórter na cabine do barcoAcesso à Fortaleza São JoséEntrada principal da Fortaleza São JoséGuarita da Fortaleza São José e vista para a plataforma do VLTFortaleza São José tem vista para o rio AmazonasParte interna da Fortaleza São JoséPraça em MacapáRuínas na Fortaleza São JoséCanhões na Fortaleza São José