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A sagrada cajazeira da Casa das Minas vive!

O vídeo foi capturado durante os festejos juninos de 2025, durante o ritual realizado todos os anos pelos grupos de bumba-meu-boi em homenagem à Casa das Minas, localizada na rua de São Pantaleão, em São Luís.

A imagem captura o reflorescimento da árvore, após a rachadura e queda dos seus grandes galhos centenários, em dezembro de 2024, desabando sobre o telhado, mas sem provocar danos aos moradores e frequentadores da Casa das Minas.

Parte da cajazeira caiu no final de 2024. Foto: Cícero Centryni
A árvore brotou novamente e segue viçosa. Imagem: Ed Wilson Araújo

Velha e vigorosa, a cajazeira sagrada brota novamente no terreiro. A árvore é um dos voduns do território sagrado e bastante reverenciada no livro “Os tambores de São Luís”, do escritor Josué Montello, especialmente nas vivências da personagem Damião.

Veja abaixo um trecho da obra que menciona a cajazeira:

No rodar do tempo, a casa não mudou. O que era ontem, na época do cativeiro, continua a ser hoje, na época da liberdade – com o mesmo corredor comprido, as mesmas salas e quartos, o mesmo santuário, e o mesmo terreiro de chão batido, que se pontilha de velas votivas durante a noite, e a que dão sombra, durante o dia, os ramos torcidos de uma cajazeira sagrada.

Entra-se ali pela porta da Rua de São Pantaleão. E o que logo se vê, ao chegar à varanda, depois de atravessar o corredor atijolado, são os tambores rituais, de pé, em número de três, ocupando o fundo à esquerda e compondo a base de um triângulo, cujo vértice é o encontro das paredes.

Um longo banco de madeira sem recosto acompanha a parede que olha o quintal. Entretanto, ao sentar ali, o que o visitante descortina são os ramos da cajazeira, porque um muro se alteia, de pouco mais de metro e meio, na divisória da varanda. Mas esse mesmo muro se abre, mais adiante, para dar passagem ao terreiro, permitindo olhar de perto a velha árvore, toda vestida de folhas miúdas, de um verde queimado, muito escuro, e que a luz do sol tropical custa amarelecer.

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Conheça o “Bacuri do PDT”, uma lenda no cerrado maranhense

O mundo da política no Maranhão tem muitos relatos instigantes e curiosos. Um deles é narrado pelo radialista e líder comunitário James Barros, nascido no povoado Tabocas, importante localidade na zona rural de Barreirinhas, cidade referência nos Lençóis Maranhenses.

Quando não havia a rodovia MA-402, o percurso para chegar a Barreirinhas era feito pela MA-225, acessada no Baixo Parnaíba à altura de Urbano Santos e/ou São Benedito do Rio Preto.

A MA-225 ainda está viva na memória do povo do cerrado e nessa estrada, ainda percorrida na atualidade pelos moradores das comunidades, muita coisa aconteceu.

As reuniões políticas e eleitorais, por exemplo, tinham um ponto de referência ao longo da rodovia – um frondoso pé de bacuri, fruta das mais deliciosas do cerrado.

No tempo das campanhas, à sombra da frondosa árvore, os partidários de Leonel Brizola batizaram a planta de “Bacuri do PDT”, o point da política.

“O batismo da planta foi de Luiz Lisboa da Silva, o Luis Moura. Inspirado na flor do bacuri, ele gravou no tronco da graciosa árvore a sigla PDT, legenda que tem no seu logotipo uma rosa vermelha, representando valores humanistas e democráticos”, explicou James Barros.

James Barros e as memórias do “Bacuri do PDT”

Os moradores das redondezas se deslocavam até o “Bacuri do PDT” para as reuniões. Iam a pé, de cavalo ou jumento, em caminhões, paus de arara e carros menores. O motivo era um só – debater a política e tomar as decisões.

Hoje o fluxo na MA-225 é pequeno, mas a estrada ainda é muito usada pelos lavradores e extrativistas do cerrado. O “Bacuri do PDT”, que já testemunhou muitas pelejas, do alto da sua majestade, é testemunha das mudanças na região. Uma delas, muito perigosa, é a invasão da monocultura de eucalipto já na fronteira entre Urbano Santos e Barreirinhas.

Esse tema – o impacto do agronegócio – será tratado em outra postagem. Aguarde.