As enchentes, o rio Itapecuru e o abastecimento d’água em São Luís

É preciso observar com olhar crítico as inundações dos rios. Aquilo que parece ser apenas abundância de água também pode significar escassez, no futuro.

Enchentes sempre aconteceram, mas o avanço do desmatamento e do agronegócio agravou a situação nas bacias hidrográficas.

Os rios não são apenas cursos d’água. Eles são formados por vários componentes de um complexo hidrográfico que inclui afluentes, efluentes, encostas, margens, vegetação do entorno e as nascentes.

Nesse contexto, é fundamental observar a situação do Parque Estadual do Mirador, a maior Unidade de Conservação do Maranhão e o segundo maior bloco de cerrado no Brasil. Nele, estão localizadas as nascentes do rio Itapecuru.

Essa região é um dos focos de interesse do agronegócio e da grilagem, com seus impactos ambientais e sociais: desmatamento em alta escala, eliminação da mata ciliar, uso de agrotóxicos, expulsão das populações de agricultores familiares e, no geral, a degeneração da biodiversidade regional.

Ocorre que a situação do Parque Estadual do Mirador tem relação direta com São Luís porque a principal fonte de abastecimento da capital do Maranhão é proveniente do rio Itapecuru, através do mecanismo de captação e transporte da água pelas tubulações do Sistema Italuís.

Portanto, faz todo sentido dizer que o rio Itapecuru perpassa todas as aldeias do Maranhão.

Imagem destacada / vista aérea do Parque Estadual do Mirador / Site do Instituto Isec

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