Documentário precioso sobre o sebastianismo na ilha dos Lençóis

Fonte: TV Câmara dos Deputados

Uma pequena ilha localizada a 200 km da costa do Maranhão esconde mistérios que remontam às Cruzadas, em que figuras míticas se misturam com vultos a galope pela noite, bichos dourados, seres sobrenaturais, tudo emoldurado por uma lenda portuguesa de quase 500 anos.

Essa ilha existe, se chama Lençóis e é habitada por gente de carne e osso, muitas delas albinas, pessoas que vivem precariamente da pesca, bebem água da chuva e acreditam que lá mora, em um castelo encantado, o rei de Portugal Dom Sebastião, desaparecido em 1578, aos 24 anos, na batalha de Alcácer Quibir, no Marrocos. Essa história real é mostrada no documentário “A Ilha de Dom Sebastião”, uma parceria da TV Câmara com a produtora Câmera.

O vídeo levou dois importantes prêmios no 29º Festival Guarnicê de Cinema e Vídeo de São Luís (MA), que ocorreu de 13 a 19 de junho de 2006. O júri técnico escolheu o documentário como o melhor da Mostra Refestança, composta por obras audiovisuais (incluindo filmes e vídeos) que abordam aspectos da rica e diversificada cultura popular brasileira e ibero-americana.

Os jurados também reconheceram o trabalho da roteirista Marcya Reis, da TV Câmara, que foi contemplada com o “Troféu Guarnicê” de “Melhor Argumento” no concurso oficial de vídeos. As filmagens começaram a ser feitas em 2002 por uma equipe liderada por Ivan Canabrava – que divide a direção do documentário com Marcya Reis.

Ivan, Alexandre Riulena (diretor de fotografia) e Eduardo François (assistente de direção) partiram de uma nota de jornal a respeito da comunidade de Lençóis em direção a São Luís (MA) atrás da história, carregando 80 kg em equipamentos, sem contar bagagem e suprimento de água.

Acabaram descobrindo a localização da ilha e para lá rumaram, a partir da cidade de Cururupu, em um barco de pesca, viagem que durou 12 horas. Permaneceram duas semanas em Lençóis, onde não há fontes de água, comendo apenas camarão seco e registrando depoimentos de moradores que, provavelmente devido ao isolamento, desenvolveram uma cultura própria.

O documentário mostra relatos como o do pescador Manoel Oliveira, o Macieira, que afirma ouvir tropel de cavalos à noite, ruído atribuído por ele ao exército de Dom Sebastião. Detalhe: não existem cavalos na ilha. Ou o de Telma, albina como ele, que sobrevive vendendo água da chuva recolhida em buracos feitos na areia. Os moradores e outros personagens contam histórias mágicas de animais dourados vistos na ilha e objetos de ouro achados na praia.

Revelam ainda a lenda segundo a qual Dom Sebastião se transforma em um touro. Qualquer ferimento no animal, pela crendice local, provocaria o “afundamento” de São Luís e a elevação de Lençóis a capital do Maranhão. “Quem ferir o touro vai desencantar Dom Sebastião e casar com a filha dele”, conta Telma.

A história que desafia estudiosos e antropólogos se transformou em um documentário com participações especiais do grupo Casa de Farinha, que interpreta músicas do folclore local, e até do jornalista português Carlos Fino, o repórter que revelou ao mundo em primeira mão a invasão do Iraque pelos Estados Unidos. Fino narra um poema de Fernando Pessoa a respeito da lenda de Dom Sebastião, o rei que virou mito em Portugal.

Exibido em 23/06/2006

Ficha Técnica

Direção: Marcya Reis e Ivan Canabrava

Produção Executiva: Jácio Fiuza e Getsemane Silva

Produção: Karina Staveland

Roteiro: Marcya Reis

Assistente de Direção: Eduardo François

Fotografia: Alexandre Riulena

Imagens Adicionais: Marcya Reis

Animação: Leonardo Veloso

Edição: Joelson Maia

Imagem destacada capturada nesse site

Um comentário em “Documentário precioso sobre o sebastianismo na ilha dos Lençóis”

  1. lá onde reina dom sebastião
    quem tem dinheiro barco e rede
    não é rei também não é são
    pode até não ser dono das águas
    mas do pescador é patrão!

    lá onde reina dom sebastião
    mãe preta tem filho que nasce albino
    dos filhos da lua do meu litoral
    o sol quando bate lá na morraria
    parece uma coisa sobrenatural

    o povo não roça mas tem zangaria
    a terra é mãe boa e nos dá o pão
    seu riba espera maré lá no rancho
    e gente na frente da televisão

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