Fórum de Mulheres convoca ato contra o feminicídio e propõe diálogo com a imprensa

Após a publicação de uma nota de repúdio (veja abaixo) sobre o assassinato de Bruna Alícia, o Fórum Maranhense de Mulheres convoca os movimentos sociais e a população em geral para um ato público dia 29 de janeiro (quarta-feira), às 15 horas, em frente à Casa da Mulher Brasileira, no bairro Jaracaty.

A manifestação tem o objetivo de repudiar o crime, caracterizado como feminicídio, e dialogar com os profissionais de mídia sobre a cobertura do fato pelos meios de comunicação.

O Fórum Maranhense de Mulheres propõe uma reflexão educativa sobre o papel da imprensa no combate à violência e criminalização da mulher vítima.

Veja abaixo a Nota de Repúdio do Fórum Maranhense de Mulheres

FEMINICÍDIO E O ATO COVARDE DO ASSASSINO DE BRUNA ALICIA

Mais uma mulher vítima de feminicídio. Desta vez foi Bruna Alícia, uma jovem de pouco mais de 20 anos, assassinada de forma cruel, torpe, violenta, pelo seu marido. A crueldade se faz mais monstruosa ainda em virtude da forma como estão sendo veiculadas matérias sobre o caso nas redes sociais. Grande parte delas destruindo a imagem da vítima, que passa a ser responsabilizada pela sua morte.

Que é isso? Em que mundo estamos? Ainda estamos vivendo na idade média? Porque as mulheres continuam sendo vítimas desta cultura patriarcal que nos oprime e nos reduz a um órgão sexual que tem como finalidade apenas procriar e dar prazer aos homens, ao marido em especial.

Bruna Alícia está sendo destruída na sua moral e na sua integridade de ser humano. Mesmo sendo violentamente assassinada, ainda assim, não está sendo vista com humanidade que todo cristão merece. Sua morte  não lhe dá paz, sua morte é justificada por um possível adultério que teria praticado. 

Com esse argumento o assassino, seus amigos e uma parte da sociedade conservadora, machista, patriarcal e misógina, explica e justifica sua morte. “Foi merecida” dizem alguns e algumas que passam a inocentar o feminicida, naturalizando o crime hediondo praticado por este policial. O mais cruel de tudo isso é a lista que circula nas redes de amigos do assassino fazendo vaquinha para contratar um advogado para livrar este bandido da cadeia que merece. 

Com esse tipo de prática os policiais demonstram o quanto são coniventes com a violência praticada contra as mulheres e o feminicidio. É surpreendente esta atitude, onde se viu uma coisa dessas, uma corporação estimulando a impunidade. 

Nós, mulheres, que integram O FÓRUM MARANHENSE DE MULHERES, protestamos! Queremos justiça! Queremos uma policia preparada e não policiais desequilibrados que não sabem controlar seus impulsos assassinos.

Escritora feminista Silvia Federici participa de debate e lança livro em São Luís

O Fórum Maranhense de Mulheres e várias entidades do meio acadêmico e político realizam duas atividades com a escritora e ativista Silvia Federici, em São Luís, dias 10 e 11 de outubro, quando haverá um debate e o lançamento do livro “O ponto zero da revolução”, no qual a autora reconstrói os caminhos do feminismo e sua luta anticapitalista e anticolonialista.

O debate, dia 10 (quinta-feira), às 17h, será realizado no auditório do curso de História da UEMA, na rua da Estrela, no Centro Histórico.

Já o lançamento do livro, dia 11 (sexta-feira), às 18h30, acontecerá no Solar Cultural da Terra Maria Firmina dos Reis/MST, localizado na rua Rio Branco, 420, Centro, próximo à praça Deodoro.

A produção acadêmica de Silvia Federici está imbricada com sua ação feminista, cujos passos vêm de longe. Suas inquietações transcritas no livro “Calibã e a bruxa” demonstram como os saberes das mulheres ignorados pela ciência foram apropriados pelo capitalismo e de que forma esse processo contribuiu para a exclusão social e política das mulheres e consequentemente o empobrecimento da ciência.

Quem é Silvia Federici?

É uma escritora, professora e ativista feminista italo-estadounidense. Nasceu em Parma/Itália há 77 anos. Seus trabalhos são dedicados a pensar as mulheres como sujeito político. Tem dado uma ênfase especial à discussão sobre o trabalho reprodutivo e de como sua gratuidade contribui para a exploração das mulheres, sendo, portanto, a base que sustenta o capitalismo.

“O ponto zero da revolução: trabalho doméstico, reprodução e luta feminista”, o livro que será lançado no dia 11 de outubro, tem um significado especial para todas as feministas, em virtude da abordagem feita pela autora a partir de sua experiência pessoal ao longo da luta feminista no Século XX. Silvia recupera pontos importantes dessa jornada desde seus primórdios para recompor de forma mais completa os últimos 50 anos do feminismo no mundo.

“As contribuições de Silvia Federici, que nos honra com sua presença nestes dois dias em São Luís, fortalecem a luta feminista no mundo, e em especial no Maranhão, ampliam o diálogo com os diversos setores da sociedade e do mundo acadêmico, desconstruindo a visão patriarcal de concepção de mundo onde as mulheres foram excluídas e alijadas dos processos de produção”, explicou a organização dos eventos de recepção à escritora.