As Organizações Globo e “as instituições” devem desculpas ao Brasil

Em 1976 ocorreu a inauguração de um imponente prédio administrativo da TV Globo, no Jardim Botânico (Rio de Janeiro). Inspirada em Hans Donner, a faixada recebeu uma pintura resplandecente em tom de prata e cravou um glamouroso apelido à emissora: “Venus Platinada”.

Os antecedentes e os conseqüentes na História da maior indústria de jornalismo e entretenimento do Brasil todos já conhecem e podem ver detalhes na obra “A história secreta da Rede Globo”, de Daniel Herz.

Dos fatos recentes, há evidências de que as Organizações Globo fizeram ampla campanha para a eleição de Collor de Mello, o “caçador de marajás”, em 1989, nos mesmos moldes em que transformaram o ex-juiz Sergio Moro e a operação Lava Jato em um império de mentiras.

O jornalismo global e as bandas podres do Judiciário e do Ministério Público Federal, com a força do Centrão, planejaram e executaram uma guerra para destruir a figura pública da presidenta Dilma Roussef, além de acusar, condenar sem provas e prender Lula.

A idéia da elite econômica representada diariamente na “Venus Platinada” era tirar o PT e colocar a direita de volta no poder.

O plano deu certo, mas o estrago foi maior. O alvo era o PT, mas a carga da munição destruiu também a democracia.

Jair Bolsonaro não estava no script do Jornal Nacional.

E agora, o que fazer?

A “Venus Platinada”, outrora a musa imponente do jornalismo, está acuada por uma nova dinâmica de produção, distribuição e consumo de informações e desinformações pela Internet.

Durante décadas os pesquisadores da área de Comunicação e os movimentos sociais denunciaram as sucessivas manipulações das Organizações Globo em vários episódios do cenário político e econômico.

O bolsonarismo, por um caminho tortuoso e distorcido, conseguiu convencer os seus seguidores de que não só a TV Globo, mas a instituição Jornalismo, precisam ser eliminados.

A bancada do Jornal Nacional, símbolo da informação no horário nobre, está acuada pela hastag #globolixo

Só agora as Organizações Globo se dão conta da irresponsabilidade que cometeram ao longo da História.

Acuados estão ainda os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), instituição a serviço da elite golpista, coadjuvante do esfacelamento da democracia, embora tenha feito mea culpa ao anular as condenações de Lula.

O pronunciamento do presidente do STF, Luiz Fux, na noite de quarta-feira (8 de setembro), um dia após as manifestações anti-democráticas do 7 de setembro, deveria incluir um pedido amplo de desculpas à sociedade.

Até mesmo o Centrão, ente parasita do erário, anda preocupado com uma iminente ruptura institucional sob o comando de Jair Bolsonaro.

Se o Congresso Nacional for fechado, o Centrão perde a sua galinha dos ovos de ouro.

Vem daí o desespero dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, que também se pronunciaram na Venus Platinada, falando em democracia.

O Centrão, outrora diligente para cassar o mandato de Dilma Roussef, engaveta os pedidos de impeachment do presidente Jair Bolsonaro assinados por mais de 550 organizações da sociedade civil.

A platina é um metal nobre e resiste a altas temperaturas.

O Jornal Nacional deveria anunciar uma edição especial com os representantes “das instituições” e fazer um pedido coletivo de desculpas. As Organizações Globo, o Centrão, o STF e a PGR são coresponsáveis pela destruição da democracia no Brasil.

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