Bolsonaro testa positivo para outro golpe

O vídeo do deputado federal Daniel Silveira (PSL) contendo declarações violentas contra a democracia é uma nova etapa dos sucessivos testes que o núcleo duro do governo Jair Bolsonaro vem fazendo desde a campanha eleitoral de 2018.

É mais ou menos isso. Eles escalam uns brutamontes para bombardear a República e, se colar, colou…

O discurso de ódio é a tônica do pai, dos filhos e dos fanáticos seguidores do presidente, com sucessivos elogios à tortura e pela retomada do regime militar no seu pior aspecto – o famigerado AI5 (Ato Institucional nº 5), que radicalizou a ditadura.

Dois movimentos são articulados em paralelo:

1 – A expansão das milícias ganha força com os novos decretos presidenciais para facilitar a compra, posse e porte de armas e munições;

2 – O constante ataque ao sistema de votação da urna eletrônica;

Bolsonaro arma a sua base com o discurso violento contra as instituições e, na prática, coloca os dispositivos letais nas mãos dos seus fiéis incontestes.

O golpe de 2016 pode ter consequências graves no próximo pleito. O bolsonarismo tende a radicalizar o falatório de ódio e armar a sua base para contestar uma eventual derrota na eleição de 2022.

Se ele perder no voto, já tem pronto o discurso falacioso da fraude na urna eletrônica. E pode ter seguidores com armas de fogo nas ruas, dispostos a tudo para defender o Trump à brasileira.

O Supremo Tribunal Federal (STF) agiu rápido para mandar prender o deputado, mas a contenção do golpe precisa de muito mais articulação do conjunto das forças democráticas.

Por enquanto, o bolsonarismo vai transformando Daniel Silveira em um fato positivo para a necropolítica. Tipos desse naipe são até considerados heróis no submundo fanático da extrema direita.

Se a Câmara dos Deputados não cassar o mandato do deputado, a democracia sairá ainda mais fragilizada desse episódio.

E Bolsonaro, até agora, testou positivo para um eventual golpe em 2022.

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