Tucanos arrependidos!? FHC e Alckmin confrontam Bolsonaro pelos ataques à Folha de São Paulo

São favas contadas. A derrota de Geraldo Alckmin e a vitória de João Dória conduzirão o PSDB à extrema direita, sob o comando do governador eleito de São Paulo, João Dória, que já declarou alinhamento a Jair Bolsonaro (PSL).

Considerando ainda a derrota de Antônio Anastasia em Minas Gerais, Dória será uma espécie de imperador do PSDB.

A direita tucana tradicional, representada por Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso (FHC), tem duas opções – adere a Dória ou muda/inventa outro partido de Centro, seguindo o caminho de Gilberto Kassab, fundador do PSD.

Nesse contexto de esfacelamento do PSDB, alguns sinais apontam insatisfação de Alckmin & FHC com o presidente eleito Jair Bolsonaro em relação aos ataques à Folha de São Paulo.

Pelo twitter (veja imagens), ambos repudiaram as declarações grosseiras de Jair Bolsonaro sobre a Folha. “Intimidações a jornais são inadmissíveis. Repudio as ameaças à Folha e seus jornalistas, com energia”, reclamou FHC.

“Os ataques feitos pelo futuro presidente à Folha de São Paulo representam um acinte a toda a Imprensa e a ameaça de cooptar veículos de comunicação pela oferta de dinheiro público é uma ofensa à moralidade e ao jornalismo nacional”, queixou-se Alckmin.

A Folha de São Paulo é uma espécie de “vênus platinada” (apelido da Globo) do jornalismo impresso. Os tucanos tradicionais têm por este jornal um carinho especial, fruto da afinidade ideológica – o culto ao mercado.

Os tucanos e a Folha foram parceiros no golpe de 2016. Estava tudo acertado para degolar o PT e estender o tapete de luxo para Geraldo Alckmin chegar à Presidência da República.

Mas, no meio do caminho, surgiu o imponderável. E toda a campanha de ódio alimentada pela mídia tucana deu musculatura ao fascismo.

Agora, os próprios tucanos e a Folha estão espantados com o monstro que ajudaram a criar.

Resta torcer para que as críticas no twitter levem Alckmin & FHC a um alinhamento consistente e duradouro pela democracia. E seria conveniente pedirem para sair do PSDB.

Submissão a Dória e Bolsonaro é um suicídio político dos tucanos tradicionais.

Repórter da Folha sofre assédio e ameaças após a reportagem que denuncia campanha contra o PT pelo WhatsApp

Fonte: Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

Desde a manhã desta quinta-feira (18.out.2018), a jornalista Patricia Campos Mello (Folha de S.Paulo) é alvo de assédio direcionado, ofensas em massa e ameaças nas redes sociais. As ações tiveram início logo após a publicação da reportagem “Empresários bancam campanha contra o PT pelo WhatsApp”, assinada por ela.

Perfis com grande número de seguidores, apoiadores da candidatura de Jair Bolsonaro (PSL-RJ), publicaram postagens com questionamentos à credibilidade da repórter. Centenas de usuários, seguindo as postagens, fazem comentários depreciativos e ofensivos, além de ameaças nas redes da jornalista, em especial em sua conta no Twitter.

Patrícia Campos Mello é uma das mais importantes jornalistas do país. Repórter experiente, cobre relações internacionais, economia e direitos humanos há 18 anos. Cobriu conflitos como o da Síria e foi a única profissional brasileira a cobrir in loco a epidemia de Ebola em Serra Leoa em 2014 e 2015.

A Abraji condena a ofensiva contra Patricia Campos Mello. Retaliar jornalistas em função de sua atividade profissional não atinge apenas o(a) comunicador(a) em questão; traz prejuízos à sociedade como um todo, inclusive aos que praticam os ataques.

Diretoria da Abraji, 18 de outubro de 2018