Veto a Waldir Maranhão no PT teve conjugação de fatores

Qualquer decisão interna sobre o PT no Maranhão tem de levar em conta o fato de que o presidente do diretório estadual, Augusto Lobato, é assessor especial do Governo do Estado.

Nesta condição, Lobato tem interlocução privilegiada com o núcleo do poder ao qual o partido está vinculado e deve permanecer em aliança, apoiando a reeleição do governador Flávio Dino (PCdoB) com a oferta de militância, tempo de propaganda eleitoral e do forte simbolismo de Lula.

Portanto, o veto à filiação do deputado federal Waldir Maranhão ao PT ocorreu em função de contingências locais e nacionais.

Em primeiro lugar, não interessava ao Palácio dos Leões, que deve fechar a chapa de candidaturas ao Senado com Weverton Rocha (PDT) e um segundo nome – provavelmente Eliziane Gama (PPS).

Uma eventual filiação de Waldir Maranhão ao PT criaria um problema para o governo administrar a formação da chapa majoritária.

A conjuntura nacional também dificultou a filiação, porque a cúpula do PT, que de fato toma as decisões, estava em transe com a prisão de Lula e lavou as mãos para o imbróglio do(de) Maranhão.

A filiação também não ocorreu porque, embora o plano de Waldir Maranhão fosse entrar no PT para disputar o Senado, ele poderia mudar o rumo e tentar mesmo renovar o mandato de deputado federal, sendo um estranho no ninho na chapa original petista.

Considera-se ainda que o pedido de filiação dividiu o partido. A ala mais próxima do Palácio dos Leões era contra; a outra, liderada pelo deputado estadual Zé Inácio, apoiava.

Em resumo, o veto ocorreu porque o Palácio dos Leões quis se desfazer de Waldir Maranhão, a cúpula do PT estava tomada pela prisão de Lula e as bases do partido racharam.

Chance de Waldir Maranhão entrar no PT é mínima

Tudo pode mudar, porque a política é dinâmica, mas hoje o cenário para o deputado federal Waldir Maranhão entrar no PT é perto de zero.

Ele é rejeitado na quase totalidade do partido e seu ingresso seria um desgaste ainda maior para a legenda.

Além disso, a tentativa do deputado federal Waldir Maranhão de filiar-se ao PT só será avalizada pela cúpula do partido. É o que diz a regra.

Como o pretendente já tem mandato na Câmara Federal, cabe à Comissão Executiva Nacional petista decidir, segundo diz o estatuto da legenda, no art. 5º, especifivamente o §1º, grifado abaixo:

Art. 5º. A solicitação de filiação será feita perante a instância de direção municipal ou zonal do respectivo domicílio eleitoral, em formulários impressos conforme modelo definido pela instância nacional ou através de sistema informatizado do Partido, nos quais deverá constar a declaração de aceitação, pelo interessado, dos documentos partidários e da obrigação de contribuir financeiramente.

  • 1º: A filiação de líderes de reconhecida expressão, detentores de cargos eletivos ou dirigentes de outros partidos deverá ser confirmada pela Comissão Executiva Estadual e, no caso de mandatários ou mandatárias federais, pela Comissão Executiva Nacional.
  • 2º: Excepcionalmente, nos casos previstos no parágrafo anterior, é facultada a filiação perante o Diretório Estadual ou Nacional, que deverá ser aprovada pela maioria absoluta de seus respectivos membros.

Segundo várias fontes consultadas pelo blog, Waldir Maranhão está sem condições de formar maioria na cúpula nacional.

Na opinião pública, o ingresso do parlamentar deve provocar mais desgaste na imagem do PT, que neste momento deveria voltar suas forças para defender Lula das intimidações que podem desembocar no assassinato do ex-presidente.

Esse é o cenário de hoje. Waldir Maranhão segue fora do PT. Mas, como tudo na política muda muito rapidamente, e no PT a regra nem sempre vale, pode ser que haja alguma manobra ou alteração na conjuntura que viabilize a candidatura dele ao Senado no petismo.

Até o momento, a decisão está com a cúpula nacional.

Politicamente, além da regra, os petistas deveriam produzir um amplo manifesto de repúdio à filiação de Waldir Maranhão, até como forma de prevenção diante de eventuais mudanças de curso.

Por fim, tudo isso é repugnante. No momento mais difícil do PT, quando Lula, além de advogados, tem de ter a proteção de coletes à prova de balas, o “debate” sobre a filiação de Waldir Maranhão beira o suicídio político.