O Brasil perdeu hoje um dos seus jornalistas mais importantes. Raimundo Rodrigues Pereira faleceu, no Rio de Janeiro, aos 85 anos.
Durante a ditadura militar, ele foi símbolo de referência e luta pela democracia.
Pereira atuou em duas frentes. Como protagonista da chamada imprensa alternativa, enfrentou a censura através de jornais que se recusavam a engolir o autoritarismo, entre eles Opinião e Movimento, e a revista Reportagem, que não eram apenas publicações, mas espaços de articulação e construção de resistência à ditadura.
A outra forma de atuação, dentro dos jornais, produzia o jornalismo investigativo e crítico, construindo um estilo de reportagem fundamental para enfrentar as atrocidades da ditadura.
Nas páginas de Opinião e Movimento, os textos de Raimundo Pereira mostravam o Brasil oprimido e massacrado pelo regime de exceção.
Ele criou também o dossiê “Retrato do Brasil”, com o objetivo de produzir reportagens em profundidade sobre a realidade desigual e injusta do país.
Na chamada grande imprensa, trabalhou nas revistas Realidade e Veja (antes da degeneração) e no jornal O Estado de São Paulo.
Seu texto investigativo, rigoroso e crítico, somado à sua militância em defesa da democracia, o ímpeto criativo e a construção de espaços coletivos de resistência à ditadura fazem de Raimundo Pereira uma referência contemporânea de ética jornalística.
O legado desse brasileiro é fundamental para ler o passado e renovar as forças para enfrentar o presente, ameaçado por novas tentativas de golpe e ataques da extrema direita às duas instituições fundamentais da democracia – o Jornalismo e a Ciência.
Ele foi, sobretudo, uma pessoa que traduziu bem uma das máximas do escritor Guimarães Rosa, na obra “Grande sertão, veredas”, ao cravar que a motivação da vida é coragem.