Além do corte de quase R$ 27 milhões, a Ufma sofre com obras mal executadas e abandonadas

A reitora da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), Nair Portela, concedeu entrevista coletiva na manhã de quinta-feira (16) para apresentar um panorama da situação financeira da instituição frente ao anúncio do arrocho orçamentário de 30% na área da Educação, anunciado pelo governo federal.

Segundo a gestora, a Ufma sofrerá um corte de R$ 26 milhões e 900 mil. A medida pode paralisar as atividades na capital e nos campi do continente no segundo semestre de 2019, caso o governo federal mantenha o arrocho orçamentário.

Sonho dos alunos e professores dos cursos de Artes, Música e Teatro, o Núcleo de Artes é um dos cemitérios de dinheiro público na Ufma. Foto: Marizélia Ribeiro

Além do corte no orçamento para o funcionamento das atividades básicas, como pagamento das contas de água e luz, a Ufma não tem recursos para retomar as obras paralisadas na gestão anterior, como a construção do novo prédio da Biblioteca Central e do Núcleo de Artes. As duas obras foram orçadas em aproximadamente R$ 12 milhões cada e estão abandonadas.

Ouça aqui a reportagem da Agência Tambor

O desperdício de dinheiro público foi um dos temas comentado pela reitora na entrevista coletiva. Portela anunciou duas medidas para apurar as responsabilidades sobre as construções paralisadas desde a gestão anterior.

No âmbito administrativo, ela anunciou a criação de comissão para instalar Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e outra comissão de Tomada Especial de Contas com o objetivo de verificar a aplicação de recursos nas edificações em São Luís e também na obra de construção do campus de Balsas, cidade localizada a 815 Km da capital, na região Sul do Maranhão.

Obra atrasada no campus de Balsas já foi motivo de protesto da comunidade universitária. Foto: Diário Sul Maranhense

A reitora informou que a Ufma atendeu às recomendações do relatório da Controladoria Geral da União (CGU) sobre o andamento das edificações na administração passada. O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal também investigam a execução das obras contratadas e não concluídas.

Segundo Portela, faltou acompanhamento nas construções, o planejamento não foi adequado e o trabalho mal efetuado. A Ufma já prestou esclarecimentos à CGU e à PF, que abriu inquérito para investigar a situação.

Ouça aqui a entrevista coletiva completa com a reitora Nair Portela

Foto destacada: Marizélia Ribeiro