Visões de Sousândrade em cena

No fechar das cortinas do mês de outubro, o Núcleo de Criações Caé traz à cena teatral maranhense uma proposta inusitada. Trata-se do espetáculo “O Guessa Errante – Canto Terra”, que foi contemplado com o edital Ocupa 2018 do Centro de Cultura Vale do Maranhão – CCVM.  A encenação acontece nos dias 23, 24, 30 e 31/10, às 19 horas nas instalações do CCVM, na Praia Grande. A entrada é franca.

A peça, que tem a direção de Vinicius Viana, é uma livre adaptação do livro “O Guesa Errante”, do escritor e poeta maranhense Joaquim Manuel de Sousa Andrade, mais conhecido por Sousândrade, que viveu no final do século XIX e início do XX, considerado por muitos estudiosos como o precursor da poesia moderna no Brasil.

Com duração de 50 minutos, a espetáculo aborda 6 dos 13 cantos do livro de Sousândrade, cantos que se espelham na natureza e nos rituais dos povos indígenas: incas, amazônicos e os timbiras maranhenses, contados na saga do Errante. Para alguns pesquisadores, “O Guesa Errante” é uma ópera.

O diretor e também ator do espetáculo, Vinicius Viana, atualmente mestrando em Teatro pela Universidade do Estado de Santa Catarina, conta que a inspiração para o espetáculo começou em 2003, quando a escola de samba Favela, de São Luís, levou para avenida o enredo com o tema. “De Sousândrade e louco – todos nós temos um pouco, mais genial e errante, só o Guesa”.  Neste ano, a escola foi campeã.

Segundo Vinicius esse enredo ficou marcado em sua mente. No trabalho de conclusão de curso de Teatro da UFMA, ele e o elenco do Núcleo de Criações Caé aprofundaram a pesquisa sobre a obra de Sousândrade, em seus processos criativos, desenvolveram a dramaturgia e roteiro de apresentação. A pré-estréia aconteceu para uma plateia selecionada, sendo apresentada nas ruínas do Sítio do Físico.

Compõem o elenco do Núcleo de Criações Caé Ana Raquel Fárias, Daniel Monteiro, Heidy Ataides, Hudson Bianckinni, Idalina Moraes, Victor Mendes e Vinicius Viana.

Sousândrade

O Guesa Errante – escrito entre 1858-1888 – é considerada a principal  obra de Sousândrade. Além desta obra destacam-se Harpas Selvagens (1857), Harpa de Ouro (1888/1889) e Novo Éden (1893).

Sousândrade era filho de comerciantes de algodão, estudou em Paris e trabalhou em Nova York. Em 1877, ele mesmo escreveu:

“Ouvi dizer já por duas vezes que o “Guesa Errante” será lido 50 anos depois; entristeci – decepção de quem escreve 50 anos antes”.

Ele faleceu em 1902. Até hoje sua obra é pouco conhecida e muito valorizada por seletos apreciadores de literatura e poesia. Os poetas e irmãos Augusto e Haroldo de Campos publicaram “Revisão de Sousândrade”, em 1960. Para os irmãos Campos, Sousândrade foi o precursor da poesia moderna no Brasil.

No final de sua vida, Sousândrade foi considerado louco e abandonado pela família. Aos 69 anos morreu sozinho e miserável, em São Luís.

Imagem / Acorrentado / Divulgação